“Estamos interessados num movimento de concentração em Portugal”

Por a 16 de Maio de 2019


Nuno Costa, presidente executivo do Grupo Quadrante, fala ao CONSTRUIR acerca da estratégia do grupo, das condições do mercado nacional e da forma como preparam o crescimento da facturação, muito assente no reforço da presença internacional. Para este responsável, tal só é possível se houver sustentabilidade no mercado interno.

A Quadrante acaba de celebrar os seus 20 anos. O que é que mudou neste entretanto?
A sociedade mudou muito nestes últimos 20 anos. É muito tempo. Naturalmente que, neste período, o contexto da engenharia mudou e nós mudámos igualmente, quanto mais não seja porque estávamos a começar a nossa actividade. A Quadrante é uma empresa criada do zero e, naturalmente, sofreu a evolução natural de qualquer empresa. Um arranque em determinadas condições, um período de estabilização, várias fases no entretanto. Nascemos como uma empresa sem grande estratégia. Ou melhor, a única estratégia era fazer muito bem os projectos e servir muito bem os clientes, fazendo bem e depressa. Esse continua, no fundo, a ser o nosso mote. Queremos fazer muito bem e fazer depressa porque a sociedade assim o exige. Acho que esta aparente quadratura do círculo, para nós, é possível e faz sentido. Começámos como uma empresa de três pessoas e hoje somos 170 pessoas. Continuamos a fazer um grande esforço para cumprir os nossos objectivos.

É possível, hoje em dia, cumprir esse desiderato de “fazer bem e depressa”, olhando para as inúmeras variáveis em jogo?
A Quadrante começa a trabalhar em 98, no rescaldo da Expo, numa altura em que o mercado começa a cair. Aliás, há quem defenda que “isto” foi bom precisamente até 1998 e que a partir daí foi sempre mau. Ouvindo essas vozes, a Quadrante só existe no contexto mau. Houve um outro pico entre 2007 e 2010 mas, de resto, foi sempre difícil. É um facto que hoje é mais difícil cumprir essa missão de fazer bem e depressa. E é mais difícil porque existem muitos mais stakeholders a tomar decisões e as decisões que são tomadas são menos informadas. As pessoas estão a tomar decisões menos ponderadas e isso leva a uma maior indefinição, a mais avanços e recuos nos processos, a mais alterações a meio do processo. Há muitos retrocessos a meio.

Para quem executa, que implicações têm essas decisões menos ponderadas?
Desde logo implica perda de produtividade. Se eu tomar uma decisão com base num pressuposto e, depois forem introduzidos novos dados a meio, isso implicará sempre ter de refazer qualquer coisa. E, muitas vezes, são alterações que têm de ser feitas nos mesmos prazos e com os mesmos honorários, o que acaba por representar um grande desafio. Mas também é fácil perceber que não vale muito o esforço de tentar contrariar esta lógica porque, no fundo, é o Mundo como (…)

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