“Podemos contribuir para estender a identidade do evento à linguagem do espaço”

Por a 9 de Julho de 2019


Da autoria de Rafael Santos e João Carvalho, o projecto privilegia percursos, promove o espaço de conferências e, no fundo, procura contribuir para a confirmação da identidade da marca. As Carpintarias de São Lázaro, em Lisboa, recebem o evento entre 10 e 12 de Julho 

Que projecto é este que concebeu para servir de palco e enquadramento da edição deste ano do Archi Summit?

Mais do que pensar em abstracto um projecto e impô-lo num dado espaço, a nossa intervenção procurou identificar determinadas características especiais do magnífico espaço das Carpintarias de São Lázaro para, a partir daí, organizar o programa da edição deste ano do Archi Summit. Para o efeito, idealizamos um sistema de estruturas temporárias capaz de definir percursos, espaço de conferências, áreas de exposição, e momentos de convívio e de estar. Para além de uma resposta específica a um programa, procuramos também que a nossa intervenção pudesse contribuir para a confirmação da identidade da marca Archi Summit, que tem vindo a ser construída ano após ano até a esta quinta edição, e que se caracteriza pela exploração de espaços inusitados.

O espaço, além da zona das conferências, conta igualmente com áreas dedicadas aos parceiros, patrocinadores, etc. … De que forma é que tudo isto está combinado tornando-o um espaço fluido?

O facto do projecto se distribuir por 4 pisos conectados através circulações verticais, condiciona a experiência espacial da intervenção. Para potenciar a sua continuidade e unidade, exploramos uma linguagem comum na geometria e nos materiais que configuram as estruturas temporárias. Essa linguagem revela-se na forma, na cor, no material e no pormenor construtivo, ao mesmo tempo que contrasta com o betão e o branco, predominantes no edifício, enfatizando, mutuamente, a individualidade da intervenção e a do espaço existente.

No seu entender, até que ponto é que o desenho do espaço pode, ou não, influir na passagem das mensagens, dos conceitos e pensamentos que estão a ser transmitidos pelos oradores?

Julgamos que a nossa intervenção não pode, nem deve influenciar a mensagem que vem dos oradores. No entanto, podemos contribuir para estender a identidade do evento à linguagem do espaço, e foi isso que procuramos fazer. O projecto não só evidencia as características do edifício existente, como procura criar um ambiente sóbrio e harmonioso que envolva a audiência e dê, realmente, o palco aos oradores e à sua mensagem.

A Carpintaria é um espaço muito próprio, com as suas particularidades. Em que medida é que o espaço foi, ele próprio, um desafio e uma inspiração para o conceito que desenhou?

O edifício das Carpintarias de S. Lázaro é de facto uma construção muito interessante quer pela sua história quer pela sua requalificação e utilização atual. Por estas razões, a nossa intervenção optou por um sistema modular que se adapta e respeita este espaço sem alterar a sua gênese. Inevitavelmente, procuramos valorizar as características distintivas e particulares do edifício como, por exemplo, as janelas de grandes dimensões ou os espaços de pé direito duplo. No final, temos um edifício e um único conceito de intervenção que potenciam diversos ambientes e experiências.

Algum detalhe que, no seu entender, seja interessante de sublinhar?

Para além da oportunidade de poder trabalhar com um edifício tão singular como o das Carpintarias e com um programa tão prestigiante como o da edição de 2019 do Archi Summit, gostaríamos de enfatizar o factor colaboração como motor essencial deste projecto. A interacção entre o nosso estúdio WAA e a Modal Creativity, discutindo as propostas, imaginado as dinâmicas do evento, e verificando permanentemente as soluções materiais disponíveis, marcam uma excelente experiência de trabalho e, esperamos, um projecto e evento bem-sucedidos.

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