Opinião: “Moldando o mundo com impressão 3D”

Por a 13 de Agosto de 2019

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Joaquim Nogueira de Almeida
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Depois da prefabricação, a impressão 3D é sem dúvida “o” grande salto tecnológico na industria da construção, essencialmente no que respeita à produção.
A revolução digital é a culpada. Porque depois de definir a concepção de todos os elementos, volumes e peças em “elementos finitos”, passa a ser possível convertê-los nas formas que quisermos e onde a imaginação nos levar.
Muito se tem falado sobre as impressões 3D de edifícios. Mas a indústria da construção civil com a inércia que tem, ainda está a dar tímidos passos se a compararmos com outras indústrias, onde literalmente há fabricas que já produzem tudo com impressoras 3D.
Um pouco por todo o mundo são desenvolvidos protótipos e experiências, tendo a China já em 2014, com a empresa Yingchuang New Materials, começado a construir 10 edifícios por dia naquela que julgo ser a primeira fábrica de edifícios através da impressão 3D. Esta empresa já construiu também um edifício de 5 pisos recorrendo à montagem de peças impressas localmente.

Em oposição à construção robotizada de edifícios, em que o principio é o da montagem de peças individuais num todo, auxiliado por “mãos” robóticas (ver ex: ETH Universidade de Zurique, DFAB House), a impressão em 3D utiliza uma matéria homogénea que por adição de “elementos finitos”, uns ao lado dos outros ou em camadas sucessivas, permitem a realização de todos os tipos de peças e volumes.

A evolução na produção de materiais de diferentes resistências e trabalhabilidades, tem sido fundamental na evolução deste método de construir. No entanto, a matéria mais utilizada tem sido as argamassas com base no cimento, aproveitando talvez aquele que é o material de construção mais vulgar e disseminado no mundo. Não obstante de também estarem a ser utilizados e desenvolvidos outros materiais para “imprimir” peças mais resistentes, com outros acabamentos ou outras vantagens de utilização, como materiais cerâmicos, plásticos, borrachas, diversos tipos de metal, compósitos e até orgânicos, em numerosas aplicações desde a industria aeronáutica à medicina, seguramente estes desenvolvimentos mais cedo ou mais tarde chegarão à industria de construção.
De referir, pela sua originalidade e muito baixo custo, a experiencia da empresa Italiana WASP, que no seu recente projecto “Gaia” construiu com o seu sistema de impressão 3D em Massa Lombarda no final de 2018, uma casa onde apenas foram utilizados materiais naturais recolhidas no próprio local da construção, como a terra/argila, a palha e a casca de arroz, dando um grande salto tecnológico à tradicional construção de casas em adobe e mostrando que é possível construir em 3D com uma muito baixa pegada ambiental.

A impressão 3D irá seguramente ultrapassar a barreira da execução das paredes dos edifícios e rapidamente tomará conta da produção de peças a instalar no processo construtivo. Sendo esta a solução que irá prevalecer na prefabricação do futuro, especialmente pela capacidade de flexibilidade de produção. É o caso da NTU Singapore que neste momento já produz casas de banho prefabricadas com impressão 3D para serem instaladas em prédios. Esta solução será outra vertente que irá crescer rapidamente.
As peças metálicas impressas em 3D, como as usadas na construção da ponte pedonal em Amesterdão pela empresa MX3D será um outro caminho a seguir, nomeadamente na execução de elementos com outra resistência mecânica. Esta solução irá num futuro próximo permitir conceber construção mais arrojada na sua altura e nos vãos cobertos. Ainda com esta técnica ou similares, rapidamente veremos a produção de peças para montar no interior da construção como escadas, lava louças, banheiras, portas, guardas, varandas, entre muitas outras possibilidades.

Por fim, constatamos que a grande dificuldade na construção de edifícios com impressoras 3D é sem duvida a execução de lajes para pavimentos e coberturas. É por isso, que em todos os protótipos e exemplos de construção esta questão é ultrapassada com a utilização de soluções tradicionais montadas nas paredes “impressas”, ou pela concepção que é feita de forma a que a justaposição das várias camadas vá aproveitando o famoso efeito de arco usado desde a pré-história. Daí que as formas “orgânicas” que vemos hoje nas principais experiências na impressão de edifícios 3D, se devem não somente à liberdade que este método permite, mas também porque é fundamental que as sucessivas camadas sejam sempre colocadas em compressão e nunca em tracção. Pessoalmente estou à espera de ver um protótipo de um edifício de 2 pisos em que a laje do pavimento do piso superior, seja totalmente conseguido com a utilização de tectos em abóbodas do piso inferior.

O futuro já está aí.
Para quando em Portugal, investigação e produção de edifícios com o método de impressão 3D?

Um comentário

  1. Ana Margarida C.P. Almeida Machado

    14 de Agosto de 2019 at 12:13

    olá Bom dia

    gostei muito de ler o seu artigo porque é claro e sucinto.
    Também gostaria de obter mais informação sobre este assunto, nomeadamente no que se refere à parte da concepção construção.
    Se me puder indicar alguns artigos onde beber informação séria ,agradecia.
    Sou arquitecta e estes novas mundos interessam-me bastante.
    Agradeço desde já e boa sorte
    Ana margarida Almeida Machado

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