«Vilamoura XXI» arranca em Setembro

Por a 3 de Junho de 2005

Vilamoura_XXI

Cinco meses após a compra da Lusotur, a Prasa revelou o que vai nascer em Vilamoura. Quatro mil habitações em dez anos, num investimento directo a rondar os 800 milhões de euros

Começou por ser um sonho de André Jordan. Com a aquisição, no início deste ano, da Lusotur pelo espanhóis da Prasa, o projecto «Vilamoura XXI» foi retomado. Em causa está um investimento directo que ronda os 800 milhões de euros e que entra na primeira fase já no próximo mês de Setembro.

Como o Construir noticiou na sua edição de 22 de Abril, o empreendimento, que data dos anos 80, prevê a criação de uma cidade lacustre em Vilamoura, com moradias de luxo a circundar uma lagoa, e intervenções urbanísticas em oito áreas daquela localidade algarvia. Em 600 mil metros quadrados, os novos responsáveis da Lusotur prevêem a construção de quatro mil novas moradias, «elevando Vilamoura à categoria de referente turístico internacional, tudo isso graças a uma decidida aposta pela sustentabilidade tanto ao nível ambiental como paisagístico e arquitectónico».

Segunda garantia dada ao Construir pelo administrador delegado do Grupo Prasa em Portugal, Rafael Vigueras, «os planos prevêem o desenho e a planificação das superfícies aprovadas no plano de Vilamoura do ano de 1999 e nós não mudaremos um único centímetro». Ou seja, 381.067 metros quadrados para zonas residenciais, 34.205 metros quadrados para zonas comerciais e 191.300 metros quadrados destinados a zonas turísticas, a par da construção de um centro desportivo, e a consolidação do parque ambiental de 200 hectares, no qual se integra um centro de estudos da natureza e do meio ambiente, assim como lagos, percursos a pé e de bicicleta.


Oito zonas de intervenção

Nos últimos cinco meses os responsáveis da Prasa têm trabalhado em silêncio, organizando a empresa em três equipas: Marketing, que tem feito o levantamento das necessidades de Vilamoura (saúde, cultura, etc.); Engenharia, para resolver os problemas de tráfego, transportes e hidráulica; Urbanismo, de forma a criar uma cidade ambientalmente sustentável. A lógica é, segundo confidenciaram ao Construir, gerir Vilamoura como uma cidade – conta actualmente com nove mil habitações – e não como um resort.

Os estudos preliminares estarão concluídos em Setembro, altura em que se iniciará, após aprovação, o projecto «Vilamoura XXI» em oito zonas de actuação.

A primeira a desenvolver será a «Cerro da Viña» e terá 91.602 metros quadrados.

A «Aldeia Hípica» vai situar-se junto ao parque ambiental da cidade e nele serão desenvolvidas três subzonas que abrangerão um total de 45 mil metros quadrados: 16.700 metros quadrados para a zona residencial, sete mil para a comercial e 21.300 para a zona turística. O «Vilas do Pinhal Velho» situar-se-á junto aos buracos 4 e 7 do campo de golfe Millenium, ocupando o conjunto residencial mais de 33 mil metros quadrados.

No «Terraços do Pinhal» e «Encosta das Oliveiras» o Grupo Prasa tem já a zona consolidada, prevendo agora a edificação de vários equipamentos num total de 41.883 metros qudrados. O empreendimento «Fonte do Ulme» irá desenvolver-se em 15 mil metros quadrados, enquanto que «Colinas do Golfe» está já em franco estado de desenvolvimento – estando em fase de construção o residencial «Monte Lago» -, prevendo-se ainda 57 mil metros quadrados de construção rodeados pelas ruas do golfe. O projecto «Canais do Golfe» segue a mesma lógica, só que com uma área de construção bem inferior, na ordem dos 6.500 metros quadrados.

Finalmente, a «menina dos olhos» da Prasa será a «Cidade Lacustre», situada junto à Marina de Vilamoura e praia da Falésia, compreende 340 mil metros quadrados de construção.

Tratando-se de um investimento a dez anos, o investimento induzido poderá ser, segundo Rafael Vigueras, na ordem dos três mil milhões de euros. O grupo espanhol anunciou também a criação de uma nova marca, a Lusort, que gradualmente irá substituir a Lusotur. A ideia é comunicar Vilamoura como «referente do Sul da Europa no sector turístico de qualidade e residencial».

Apesar de só em Janeiro terem concluído o negócio de aquisição da Lusotur, a entrada da Prasa em Portugal deu-se em 2001, altura em que adquiriram a empresa Alconru. Actualmente tem em construção cinco promoções.

Segundo Rafael Vigueras, o Grupo continuará aberto a estudar novas oportunidades de negócio no nosso país, garantindo que a Prasa veio para ficar.