Reabilitação: um nicho de negócio

Por a 6 de Junho de 2005

Listrave_Nuno Resende e Pedro_Ribeiro da Silva

Nuno Resende e Pedro Ribeiro da Silva – administradores da Listrave

São dois jovens engenheiros civis que se aventuraram no mundo dos negócios. A palavra chave destes empreendedores é a luta pela qualidade dos seus serviços. É com esse sentimento que pretendem vencer no mercado competitivo da construção. Através dos conhecimentos e da formação em engenharia procuraram desbravar terreno no sector e foi na reabilitação que encontraram um nicho de negócio. Apesar de intervirem em várias frentes do sector, é na área da recuperação do património que se têm especializado. Destacam sobretudo a recuperação do edifício da Câmara Municipal de Palmela. Um trabalho que classificam como um desafio na engenharia, já que se tratava de dar uma nova funcionalidade ao espaço e adaptá-lo às novas tecnologias. Na verdade, um dos objectivos da Listrave é a aposta na inovação.

Como surgiu o projecto? Nuno Resende (NR): A experiência em empresas de construção civil e obras de engenharia em empresas de construção civil e obras de engenharia onde trabalhámos após a conclusão do curso revelou que este sector está muito atrasado em relação às congéneres europeias quer em termos de certificação, quer em termos de segurança, bem como em critérios de qualidade. Entendemos por isso que deveríamos proceder a uma purga de vícios instalados contrários ao correcto prosseguimento de uma política saudável de competição entre empresas no mercado da construção e engenharia. A par desta vontade, lançámo-nos neste projecto com a visão clara da necessidade de mudança e o nosso carácter inovador e empreendedor, fez-nos ter a sensação de uma aventura de travessia num deserto qualquer em África. Este projecto fez-nos ainda ver que poderíamos ir mais longe unindo forças em torno de objectivos claros.

Para que áreas está direccionada a empresa? Pedro Ribeiro da Silva (PRS): O nosso projecto empresarial tem claramente quatro áreas de intervenção primordiais. A remodelação e restauro de edificação existentes, na sua maioria nas zonas urbanas centrais nomeadamente das Metrópoles de Lisboa e Porto. Depois temos a construção civil em geral, as obras de engenharia e a consultoria dinâmica.


Qual o segredo para o sucesso do negócio? NR: O segredo obtém-se da prática corrente das seguintes formas de estar no mercado da construção. Sobretudo, atitude profissional correcta perante o cliente, a resposta em tempo útil e um serviço prestado ao cliente sob a forma de obras executadas com a qualidade por excelência. Ou seja, o sucesso advém da satisfação plena do cliente já que esta é contagiante.

Portugal apoia de forma eficaz projectos de negócios inovadores? NR: Pensamos que a eficiência se mede pelos resultados de uma política de apoio a projectos inovadores. Seria interessante apoiar um tema da actualidade que é a medida inovadora de diminuição de dependência energética do petróleo, com aumento da produção de energias alternativas, a diminuição dos consumos de combustíveis derivados do petróleo através da sensibilização do cidadão comum em actos de poupança energética, e o subsequente cumprimento do protocolo de Quioto. Os resultados de aferição desta política, sim, permitirá suportar uma opinião favorável à questão colocada.

O mercado onde se insere é competitivo? PRS: O mercado de construção em geral é extremamente competitivo, devendo cada empresa definir uma estratégia de angariação de obras, que pela sua especificidade, nomeadamente, região de estabelecimento, tipo de obras, natureza de obra pública ou privada, possam constituir em determinado momento um nicho de mercado.

O que teve mais impacto para o êxito da empresa ? A gestão ? A oportunidade? O nicho de mercado? PRS: Não obstante os factores mencionados, o êxito da empresa claramente depende da forma de interactuar com o cliente, já que desta pode resultar um incremento considerável do volume de negócio.

Quais as perspectivas para o futuro ? NR: As perspectivas para o futuro são naturalmente de crescimento sustentado da orgânica da empresa com reflexo no volume de negócios, esperando-se para o ano de 2005 um crescimento na casa dos dois dígitos, podendo-se atingir a meta do milhão de euros.