Cannatà&Fernandes “assinam” Tecnopolo

Por a 30 de Junho de 2006

tecnopolo

Resultado de um convite efectuado pela ABRANPOLIS, o ateliê Cannatà & Fernandes está a projectar o Tecnopolo do Vale do Tejo, um investimento que ronda os 4,5 milhões de euros. Após um processo de desenvolvimento que originou a elaboração

de cinco propostas, esta última representa, segundo o ateliê e o cliente, «a solução óptima» e a que irá avançar para construção

Consequência de um convite efectuado pela ABRANPOLIS ao ateliê Cannatà & Fernandes, o projecto do Tecnopolo do Vale do Tejo resultou de um processo de desenvolvimento em que foram elaboradas cinco soluções em busca daquela a que ateliê e cliente classificaram de «óptima». Em termos de linhas de intervenção, o projecto iniciou-se com uma análise do programa preliminar bem como dos conteúdos do projecto no âmbito da tipologia da obra, após a qual foi feita uma visita ao lugar de forma a conhecer o contexto geográfico. Segundo a memória descritiva do projecto, o programa do Tecnopolo pedia a «readaptação de um armazém da antiga fábrica actualmente em desuso, com a inserção de um centro de exposições», constituído por áreas de serviço, duas salas de exposições, com 3 mil metros quadrados e 400 metros quadrados respectivamente, bem como um centro de congressos com bar, cafetaria e restaurante, e ainda duas salas de reuniões, biblioteca e um auditório com capacidade para acolher 250 pessoas. Segundo os autores da proposta, nesta primeira fase de abordagem os critérios de projecto foram os seguintes, «estabelecer os valores das preexistências, verificar a compatibilidade entre o programa e a potencialidade do lote, testar soluções de organização funcional, realizar configurações de fácil utilização pelos utentes e trabalhadores e propor uma imagem identificável do Pólo». Tais objectivos foram concretizados através de um trabalho interdisciplinar e do qual resultaram cinco propostas para este equipamento.


Propostas

Foram assim elaboradas quatro soluções, sendo a quarta a que, segundo os arquitectos, representou a «solução óptima». De uma forma sintetizada, a primeira solução proponha a reabilitação do conjunto preexistente na sua totalidade e a inserção de todas as infraestruturas necessárias ao funcionamento do equipamento. A segunda solução propunha a preservação do corpo menor do conjunto preexistente para aplicação de parte do novo programa, e a demolição do corpo maior seguida da construção de um novo edifício que albergaria a nave de exposições, centro de congressos e áreas administrativas. A terceira solução propunha a recuperação do corpo menor do conjunto preexistente no interior de um novo corpo que seria construído. A quarta solução, que a determinada altura foi considerada a solução mais eficiente no que respeita ao investimento económico e à capacidade funcional, previa a demolição total da preexistência e a construção de um edifício novo. Esta proposta, configurava-se, segundo a memória descritiva «como um único volume caracterizado pelo movimento curvilíneo» de uma fachada em vidro. A entrada principal do edifício é assinalada «por uma maior acentuação desse movimento», que de certa forma indica o ponto de entrada para o público. Segundo os autores do projecto, o uso do vidro na fachada prende-se com o facto de que sendo um elemento transparente confere «uma dimensão pública ao edifício», para além de que é «um material contemporâneo com elevadas prestações e de fácil manutenção», e ainda «pela capacidade de comunicação visual». Relativamente à cobertura, prevê-se que a mesma seja acessível e que comporte um restaurante e um espelho de água, que seria benéfico «no comportamento térmico geral do edifício». Esta proposta induziu o cliente na decisão de deslocar o equipamento correspondente ao Fórum Empresarial para o terreno contíguo ao que seria implantado o Tecnopolo, levando à reestruturação da proposta apresentada.

A última solução

Com a decisão de levar o Fórum Empresarial para o terreno contíguo ao do Tecnopolo, a solução teve de reequacionar as novas condições resultantes dessa deslocação. Assim, a proposta final visa a construção de dois volumes, um em betão «microperfurado por óculos de vidro», que albergará os eventos expositivos, e um outro volume de paredes curvilíneas em vidro transparente. A fachada em vidro é composta por «duas membranas de vidro que permitem a ventilação de uma caixa-de-ar interior» e vai albergar um auditório, uma sala de exposições, uma zona de bar e restaurante e outra para serviços administrativos. A utilização do vidro, permite «uma transparência absoluta» de forma a que as actividades que se venham a executar no interior tenham «uma interacção com o transeunte da cidade», explica o documento da proposta. Em termos de organização, o edifício articula-se em quatro níveis e assenta numa plataforma articulada com o nível do estacionamento exterior.