Um bairro de linhas contemporâneas

Por a 30 de Junho de 2006

bairro

Numa área de aproximadamente 3,5 hectares no Alto de Algés, em Lisboa, onde se encontram as antigas instalações industriais da empresa Cerâmica Montargila, o ateliê Axonométrica está a projectar um empreendimento de linhas contemporâneas que até à data comporta quatro edifícios de habitação, um health club e um edifício de comércio e serviços, com data de conclusão prevista para 2007

O Alto de Algés, em Lisboa vai receber um empreendimento de linhas contemporâneas, assinado pelo ateliê Axonométrica e construído pela Somague. Numa área de aproximadamente 3,5 hectares, onde actualmente se encontram as antigas instalações industriais da empresa Cerâmica Montargila, estão até á data projectados 4 edifícios de habitação, um health club e um edifício com comércio e serviços. Para além dos edifícios desenhados até à presente data, fonte da Somague adiantou ao Construir que para os dois edifícios a recuperar existentes na zona, e que fazem parte do conjunto das instalações industriais, nomeadamente a antiga vila operária e um edifício em tijolo que em tempos servia de habitação ao encarregado da fábrica, está prevista a sua recuperação e integração na proposta global como projectos de comércio e serviços que podem ser escritórios, restaurantes ou outras valências. Segundo a mesma fonte «ainda não existem propostas para estes dois edifícios», apenas um conjunto de intenções, uma vez que a Somague poderá só avançar com a construção dos mesmos quando houver um comprador interessado, possibilitando ao mesmo escolher o uso que quererá dar ás pré-existências.

Bairro tradicional


No limite do aglomerado urbano de Algés/Miraflores, em área abrangida pelo plano de pormenor do Alto de Algés, e numa topografia caracterizada por descontinuidades, de geometria irregular e relevo acidentado, o ateliê axonométrica está a projectar um empreendimento que comporta quatro edifícios de habitação, num terreno que segundo a memória descritiva do projecto «goza de boa exposição solar». Denominado de empreendimento Páteo da Colina, o conceito do empreendimento é o de um condomínio aberto que pretende vir a ter a funcionalidade de um bairro tradicional, onde todos os edifícios se voltam para um núcleo central que receberá o comércio e os serviços. De linhas direitas e arquitectonicamente contemporâneo, os edifícios de habitação caracterizam-se formalmente por quatro cubos com fachadas iguais duas a duas, em que as fachadas poente e nascente são revestidas a painéis de madeira e as norte e sul a pedra. Esta mesma pedra forma em torno dos edifícios uma orla, que se assemelha a uma caixa vazada onde interiormente se desenvolvem os pisos de habitação. Estes quatro blocos são constituídos por doze apartamentos cada, com tipologias que variam do T1 ao T4, perfazendo um total em 47 apartamentos com áreas desde os 65,5 metros quadrados aos 166,7 metros quadrados. Com cinco pisos acima da cota de soleira, e três abaixo da mesma a área de implantação é de 562,50 metros quadrados. Os pisos -2 e -1 serão destinados a parqueamento automóvel, e o piso 0 contemplará comércio, serviços e um átrio de entrada para as habitações. O piso 1, é um piso vazado e destina-se à sala de condóminos, sobre o qual assentam os cubos correspodentes aos pisos de habitação. De forma a poderem ser usufruídas como áreas de recreio, prevê-se a utilização das coberturas do piso 0 para esse fim. Os pisos 2,3,4 e 5 destinam-se a habitação, e a cobertura, em terraço impermeabilizado terá acesso apartir das escadas.

Health club

Numa área de construção de cerca de 10.600 metros quadrados, o health club prevê a utilização de três pisos abaixo do solo e três pisos mais um intermédio acima do solo. Os pisos -3, -2 e -1 vão alberar os pisos de estacionamento bem como as zonas técnicas de apoio à piscina, no caso do piso -1. No piso 0 do equipamento, está prevista a construção de uma zona de recepção, uma zona de comer, com cafetaria, bar e cozinha, uma área destinada à administração, uma creche, balneários femeninos e uma piscina coberta. No piso 1 ficarão os balneários masculinos bem como os estúdios para albergar algumas das modalidades. O piso intermédio, está reservado para futuras instalações de escritórios e para a instalação de zonas de administração, sendo possível aceder ao mesmo através de uma entrada autónoma do health club. O piso 2 receberá um ginásio organizado em open space abrangendo diversas modalidades, bem como um gabinete médico. Também este de linhas direitas, o equipamento destaca-se dos edifícios de habitação pela materialidade utilizada. Assente num embasamento revestido a pedra preta, a parede que nasce desse embasamento caracteriza-se por ser rebocada a vermelho escuro. Formalmente projectado em «L», a parte mais curta do edifício albergará a piscina e será revestido a azulejo de um tom acinzentado, destacando a zona do equipamento do restante edifício.

Comércio e serviços

Para além do uso habitacional e de lazer constiuído pelo health club, o Páteo da Colina irá contemplar um edifício de comércio e serviços, também ele projectado pelo mesmo gabinete de arquitectura, axonométrica. Numa área de implantação de 1932 metros quadrados, o edifício prevê uma área de construção total de 4825 metros quadrados, constituídos por 4 pisos acima da cota de soleira e 3 pisos abaixo da mesma cota. Com três pisos destinados a parqueamento automóvel, perfazendo um total de cerca de 200 lugares, nomeadamente os pisos -3, -2 e -1, a zona comercial e alguns serviços de apoio do supermercado irão ocupar o piso 0 bem como parte do piso 1. Neste último piso está também prevista a construção de zonas para serviços, instalações sanitárias privadas, armazéns, serviços de apoio, átrio de entrada entre outras valências que asseguram o funcionamento deste equipamento destinado a comércio e serviços. Com vãos abertos em todas as fachadas, os pisos 2 e 3 irão também eles contemplar fracções destinadas ao uso comercial e de serviços, e a cobertura, acessível pelas escadas, vai albergar os equipamentos de ventilação do edifício. Segundo a memória descritiva do mesmo, este utiliza nas suas paredes exteriores alvanaria em tijolo, e ainda um revestimento em pedra no piso 0, piso este semi-enterrado, bem como fachadas cortina em vidro nos pisos 2 e 3. Segundo Miguel Almeida, coordenador dos projectos de arquitectura para os edifícios de habitação, comércio e serviços, e health club, «houve uma preocupação , durante o desenvolvimento do projecto, de diversificação dos usos de modo a criar uma harmonia na utilização dos espaços, de forma a dotar o empreendimento de espaços de lazer e serviços, health club e supermercado/lojas de bairro, que juntamente com a habitação transformem aquela propriedade num lugar equilibrado em termos de vivências durante os diversos períodos do dia». Relativamente à proposta de criar uma certa diferenciação entre os pisos de habitação e os de comércio e serviços através de um piso vazado, Miguel Almeida sublinha que, «a proposta de destacar a habitação do piso de comércio confere maior privacidade às casas e disponibiliza aos utilizadores um amplo terraço, privado do condomínio habitacional, para ser usufruído pelos utentes com ganhos óbvios em termos de segurança e privacidade», para além de que, na opinião do arquitecto, as salas existentes neste piso vazado e intermédio, «são uma mais-valia possibilitando que se use o espaço em terraço», para diversos eventos, «com prolongamento para o espaço exterior e deste modo usufruir do parque urbano envolvente aos edifícios». Este empreendimento iniciado em 2003, tem a conclusão prevista para 2007, dispondo no total de 6320 metros quadrados para habitação, 3314 metros quadrados para comércio e cerca de dez unidades comerciais. Segundo fonte do ateliê, a aposta da Somague é a de um empreendimento para uma classe média alta, o que se traduz no tipo de acabamentos utilizados na proposta. Para a Somague esta é uma aposta na «tranquilidade de um bairro aliada à variedade de serviços da cidade».