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Arquitectura

Anéis Olímpicos portugueses ganham concurso para pavilhão informativo dos Jogos de 2012

A equipa portuguesa, constituída por José Carlos Cruz, Inês Guedes, Miguel Santos e António Cruz, foi a primeira classificada

Ana Rita Sevilha
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Anéis Olímpicos portugueses ganham concurso para pavilhão informativo dos Jogos de 2012

A equipa portuguesa, constituída por José Carlos Cruz, Inês Guedes, Miguel Santos e António Cruz, foi a primeira classificada

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A equipa portuguesa, constituída por José Carlos Cruz, Inês Guedes, Miguel Santos e António Cruz, foi a primeira classificada no concurso internacional para a concepção de um pavilhão de informações a implantar em Trafalgar Square sobre os Jogos Olímpicos de Londres – 2012.

Segundo o portal da Ordem dos Arquitectos, e o site oficial do concurso, o pavilhão inspira-se nos anéis olímpicos, que se elevam numa construção que informa, onde é possível fazer compras, descontrair e “tomar um copo”.

Os anéis são coloridos com as cores da bandeira olímpica, que simbolizam os continentes.

 

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Concurso para reabilitação do troço Pocinho e Barca d’Alva lançado no primeiro trimestre de 2023

Estudo indica que benefícios totais são de 84,2 M€ e que a reabertura do troço irá gerar importantes impactos no sector do turismo, nomeadamente, hotelaria, restauração e transportes

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O concurso público para o projecto de reactivação da Linha do Douro, entre o Pocinho e Barca d’Alva, será lançado no primeiro trimestre de 2023. O anuncio foi esta segunda-feira, dia 3 de Outubro, por Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação, que falava em Freixo de Espada à Cinta, após a apresentação dos estudos de viabilidade económica, técnica e ambiental da reactivação de 28 quilómetros do troço entre Pocinho e Barca d’Alva da Linha Ferroviária do Douro, nos quais se conclui a viabilidade de projecto. No evento esteve também a Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa.
“Vamos até ao fim e vamos explorar até ao fim o potencial desta grande região, das mais bonitas do mundo, explorar e aproveitar sempre com grande respeito ambiental este nosso diamante e com isso beneficiar toda a nossa população», disse o Ministro.
O Ministro disse também que “os estudos de viabilidade, os estudos prévios são o primeiro passo para podermos avançar para este investimento”.
Ana Abrunhosa afirmou, por sua vez, que o estudo representa um passo importante na reactivação do troço da linha férrea do Douro que liga o Pocinho à Barca d’Alva, referindo, ainda, a viabilidade do projecto não só em termos económicos e financeiros como também técnicos e ambientais.
“Obviamente que temos muitos passos a dar pelo caminho. Tecnicamente pode até ser um caso de estudo. Estes estudos são imprescindíveis para nós termos sustentabilidade para se começar a trabalhar no projecto”, frisou.
O estudo apresentado aponta para uma estimativa global de custos na ordem dos 75 milhões de euros, dos quais 60 milhões de euros serão destinados à obra de reabilitação, 3,5 milhões de euros para projectos e 11,2 milhões de euros para fiscalização e estaleiro.
Revela ainda que os benefícios totais são de 84,2 milhões de euros e que o troço reaberto irá gerar importantes impactos no sector do turismo, nomeadamente, hotelaria, restauração e transportes, permitindo mitigar a tendência de decréscimo da população residente.
Outro aspecto importante é a sua dimensão regional, com impactos económicos nos municípios directamente servidos por este troço, designadamente, Figueira de Castelo Rodrigo, Vila Nova de Foz Côa, Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta, mas que se estendem a todo o território do Douro e a concelhos da região Centro, que totalizam 22 municípios beneficiados.
A reabertura deste troço da Linha do Douro representa ainda uma redução do tempo de viagem em cerca de 30 minutos, quando comparado com a alternativa rodoviária existente.
Recorde-se que a Linha Ferroviária do Douro liga actualmente o Porto ao Pocinho (171,522 quilómetros), tendo sido desactivado, em 1988, troço entre o Pocinho (Vila Nova de Foz Côa) e Barca d’Alva (Figueira de Castelo Rodrigo).
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‘Greater Porto’ une municípios de Matosinhos, Porto e Vila Nova de Gaia

Projecto pioneiro em Portugal, tem como objectivo desenvolver oportunidades de crescimento em toda a “cadeia de valor” das actividades de promoção territorial e atracção de investimento, nacional e estrangeiro, para o Norte/Noroeste de Portugal”

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Os municípios de Matosinhos, Porto e Vila Nova de Gaia, apresentam o Greater Porto, entidade que pretende agregar interesses e empresas, dinamizar a economia, impulsionando a região para um novo patamar de competitividade e atractividade na captação de investimento de elevado valor acrescentado.

Projecto pioneiro em Portugal, o Greater Porto “nasce do diálogo e cooperação entre estes três municípios e tem como objectivo desenvolver oportunidades de crescimento em toda a “cadeia de valor” das actividades de promoção territorial e atracção de investimento, nacional e estrangeiro, para o Norte/Noroeste de Portugal”.

Para marcar o arranque deste projecto, este será apresentado na Expo Real, que se encontra a decorrer em Munique, até dia 6 de Outubro, com um espaço de 154 metros quadrados, que revela o projecto globalmente, mas que simultaneamente, comunica a linguagem da marca de cada cidade. Será um espaço preparado para acolher diversas iniciativas, no qual se irá promover a interacção entre participantes. Quinze empresas participam na exposição, contribuindo para o posicionamento internacional do Greater Porto.

Ricardo Valente, vereador do pelouro da Economia, Empreendedorismo e Emprego da Câmara Municipal do Porto afirma que “o Greater Porto é uma entidade orientada para a promoção e atraccão de investimento para a região, com especial foco nos mercados internacionais e para a criação de uma marca territorial forte, através de um modelo de cooperação e articulação regional que reconheça as potencialidades e obstáculos, actuando numa lógica em que a multipolaridade é uma condição essencial”.

“Se queremos ganhar massa critica, dinamizar a economia da região e os seus fatores competitivos na atração e desenvolvimento de investimento, temos de romper com a matriz atual, desenvolver estratégicas económicas concertadas, e atuar numa ótica de articulação, numa participação conjunta, como Greater Porto”, afirma Marta Pontes, vereadora da Economia, Comércio e Turismo da Câmara Municipal de Matosinhos.

“O objectivo é criar um ambiente favorável para potenciar ao máximo os valores dos factores competitivos da região, tornando-a um destino atractivo a uma escala global, numa intersecção de sinergias. Desenvolver uma estratégia regional concertada, através do estabelecimento de uma rede de agentes internacionais com presença física em países/regiões com centros de decisão de investidores de grande dimensão em sectores considerados estratégicos para a região é uma das muitas formas de promoção do Greater Porto”, afirma António Castro, administrador da Gaiurb.

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“Architecture for well-being” marca programação do Dia Mundial da Arquitectura

O percurso de Nuno Teotónio Pereira, falecido em 2016, estará em destaque nas comemorações com a inauguração de uma exposição do arquitecto e um debate sobre Associativismo. Também Manuel Graça Dias será lembrado com o lançamento de um prémio

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Celebrou-se esta segunda-feira, dia 3 de Outubro o Dia Mundial da Arquitetura. “Architecture for well-being” foi o tema lançado este ano pela União Internacional dos Arquitectos (UIA) e que será o mote da programação um pouco por todo o mundo, que irá contar com diferentes “pontos altos” ao longo do mês de Outubro.

A 6 de Outubro inaugura a exposição “Fui sempre um sócio ativo – Do sindicato à Ordem dos Arquitectos”, que irá ficar patente na sede nacional da OA, que replica o trajecto de Nuno Teotónio Pereira, falecido em 2016, possibilitando a compreensão do seu percurso desde estudante, a participação no Sindicato Nacional dos Arquitectos (SNA), no congresso fundador da UIA (União Internacional dos Arquitectos) e a transformação da Associação dos Arquitectos Portugueses numa instituição de direito público.

Este momento conta, alguns dias depois, com o lançamento do Catálogo da Exposição e de um Debate sobre “Gerações, Associativismo”, a dia 21.

Posteriormente, a 27, acontece o lançamento do Prémio Manuel Graça Dias dst Ordem dos Arquitectos Primeira Obra e a atribuição de títulos de Membro Honorário OA.

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Aquila Capital entrega à MC Sonae primeiro edifício do parque logístico na Azambuja

O primeiro edifício deste investimento da Green Logistics vai ser ocupado pela MC, empresa de retalho alimentar da Sonae. Este complexo, de dois edifícios, e os trabalhos de urbanização associados representam um investimento de cerca de 100 M€

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Foi formalmente entregue o primeiro edifício do complexo logístico Rainha Green Logistics Park, localizado na Azambuja, que representa o primeiro investimento em Portugal desta marca do grupo Aquila Capital ligada à logística e que faz parte do fundo Aquila Capital Southern European Logistic. A empresa que vai integrar o complexo logístico, e aí instalar operação, é a MC.

O Rainha Green Logistics Park está localizado num dos epicentros logísticos do País, a cerca de 40 km a Norte de Lisboa, a apenas 8 km do acesso às autoestradas A1 e A10, sendo que a estação ferroviária de Vila Nova da Rainha situa-se muito perto. Este complexo logístico, de dois edifícios, e os trabalhos de urbanização associados representam um investimento de cerca de 100 milhões de euros.

A Green Logistics entregou também ao município da Azambuja a titularidade de grande parte dos trabalhos de urbanização desenvolvidos no âmbito do projeto, nos quais se inclui um parque de estacionamento com capacidade para 353 veículos ligeiros e 51 veículos pesados, a melhoria da estrada de acesso existente, uma nova estrada de acesso e um acesso pedonal directo à estação ferroviária de Vila Nova da Rainha.

Na fase de construção deste projecto logístico, considerado de Interesse Público pelo município da Azambuja, geraram-se mais de 300 postos de trabalho, prevendo-se que na fase de operação sejam criados mais de 350 empregos directos.

Este complexo logístico de 112 mil m2 cumpre os mais exigentes critérios de eficiência e sustentabilidade para garantir a redução de emissões de dióxido de carbono, essenciais para obter a certificação BREEAM, a mais importante na área da sustentabilidade a nível mundial. O projecto irá contar com a instalação de painéis fotovoltaicos na cobertura de um dos edifícios e incorpora uma bacia de retenção de água, para promoção de drenagem natural das águas pluviais, sem haver necessidade de ligação à rede. Os trabalhos de construção estão a ser realizados pela GSE, empresa que também colabora, noutros países, em projectos da Green Logistics da Aquila Capital.

“A entrega do nosso primeiro projeto em Portugal representa um marco muito importante para a Green Logistics pela Aquila Capital e não podíamos estar mais felizes por o podermos fazer de mãos dadas com uma empresa tão relevante no país como a Sonae. O nosso compromisso com Portugal é firme, por isso esperamos que este seja o primeiro de muitos projectos da Green Logistics”, afirma Jens Hoeper, responsável da área de Gestão de Investimento em Logística na Aquila Capital.

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Electrodomésticos AEG incluem filtro que impede a libertação de microplásticos

O Filtro de Microplásticos contribui para reduzir a quantidade de fibras de microplásticos que são libertadas na água residual durante a lavagem de peças de roupa sintéticas

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A marca de electrodomésticos AEG lança um novo acessório para a máquina de lavar com o objectivo de evitar que sejam libertados até dois sacos fibras de microplásticos através da lavagem de roupa.

Uma das maiores preocupações dos líderes da União Europeia (UE), os microplásticos são um problema global invisível, mas cada vez mais presente, que está a começar a chamar a atenção dos consumidores e os responsáveis da UE, para a questão dos microplásticos que são libertados directamente no meio ambiente em forma de pequenas partículas.

A escala do problema é significativa, com o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP- United Nations Environment Programme) a estimar que meio milhão de toneladas de microfibras de plástico são libertadas no oceano todos os anos, o equivalente a quase três mil milhões de camisas de poliéster, a AEG apresenta o Filtro de Microplásticos, um acessório que contribui para reduzir a quantidade de fibras de microplásticos que são libertadas na água residual durante a lavagem de peças de roupa sintéticas.

“A nossa investigação demonstra que existe uma vontade por parte dos portugueses em ajudar a resolver o problema associado aos microplásticos, criado pela sociedade, com 73% dos consumidores inquiridos (vs 53% dos consumidores Europeus) a considerarem os microplásticos um problema ambiental grave, e 63% (vs 41% dos consumidores Europeus), consideram um problema grave de saúde”, e acrescenta que “o aumento dos materiais sintéticos não vai desaparecer num futuro próximo, pelo que quanto mais pudermos fazer para evitar a libertação de fibras microplásticas, melhor”.

A AEG fez um estudo para perceber os hábitos dos consumidores portugueses, com o intuito de perceber que melhorias podem ainda ser feitas no quotidiano e que resultem numa melhoria para combater as alterações climáticas, tendo verificado que 93% dos adultos inquiridos não sabia da quantidade de plástico presente nas roupas. Numa primeira conclusão foi possível perceber que 66% dos portugueses não sabiam que o nylon é uma fibra plástica e 69% desconheciam que o poliéster é plástico.  Através do estudo realizado no início deste ano foi possível concluir que 43% dos consumidores portugueses, face a 27% dos consumidores europeus, indicam estar dispostos a implementar acções que exijam um esforço pessoal, mas que ajudem a combater este problema global.

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ANI atribui Selo de Reconhecimento de Idoneidade à Carmo Wood

Produção sustentável de matérias-primas e materiais derivados da floresta, processos produtivos mais verdes e eficientes, química verde ou desenvolvimento e eficiência de sistemas de produção as principais áreas de actuação certificadas pela ANI

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A portuguesa Carmo Wood acaba de conquistar o reconhecimento de idoneidade para a prática de actividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D), atribuída pela Agência Nacional de Inovação (ANI), que poderá potenciar novas soluções de produção, particularmente no que respeita à sustentabilidade.

Produção sustentável de matérias-primas e materiais derivados da floresta, processos produtivos mais verdes e eficientes, química verde ou desenvolvimento e eficiência de sistemas de produção constituem as principais áreas de actuação e domínio técnico da Investigação e Desenvolvimento da Carmo Wood, agora certificadas pela ANI.

“Enquanto líderes de mercado e com a inovação no centro de tudo o que fazemos, sentimos a vontade e a responsabilidade de ir mais além e de continuar, incessantemente, em busca de novas soluções que tornem os nossos processos mais eficientes, mais sustentáveis e que, no fim do dia, aportem inovação a todo o setor”, refere Jorge Milne e Carmo, presidente Carmo Wood.

O Selo de Reconhecimento de Idoneidade na Prática de Actividades de I&D é atribuído a empresas que comprovem a sua capacidade e know-how nos domínios requeridos e é, em si, um factor de diferenciação e valorização das entidades no mercado, comprovando a sua competência para a realização de actividades de I&D. A detenção deste selo permite ainda estabelecer novas parcerias em projectos de I&D (nomeadamente com empresas e entidades do Sistema Científico e Tecnológico Nacional) e a captação de financiamento por parte de fundos.

Recorde-se que a Carmo Wood dispõe, actualmente quatro unidades, localizadas em Pegões, Almeirim e Oliveira de Frades, que produzem para os mais de 40 países onde opera. O Grupo estima faturar este ano cerca de 100 milhões de euros, o que representa um crescimento do total da actividade de cerca de 25%, face ao período homólogo.

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“Acho que a abordagem para mitigar a crise climática precisa ser radical”

Arquitecta, investigadora e docente, Marina Tabassum é a vencedora do Prémio Carreira Trienal de Lisboa Millenium bcp, da edição de 2022. Segundo a organização, a sua prática ao longo das últimas três décadas a partir natural do Bangladesh, de onde é natural, “é um exemplo inspirador de como o trabalho em arquitectura com comunidades locais pode ter repercussões em todo o Planeta” indo, por isso, ao encontro dos valores propostos de Terra

Cidália Lopes

Em entrevista à Traço, a Marina Tabassum aponta o importante papel da selecção de materiais e estratégias ambientais na definição do tecido do edifício como forma de minimizar os efeitos das alterações climáticas e acredita que a abordagem precisa “ser radical”. Da mesma forma, considera que a arquitectura deve assumir “um papel de agente de mudança” no que diz respeito ao trabalho junto de comunidades locais mais desfavorecidas. Uma prática que deve sobrepor-se “a um mercado orientado para o lucro”. O caminho já começou e, com este prémio, Tabassum pretende estimular, ainda mais, discussões sobre o papel da arquitectura na mudança de pensamentos e valores.

Qual é a importância desta distinção?

Os reconhecimentos são importantes, pois trazem para o foco questões e buscas que são relevantes para o nosso tempo e contexto. Estamos a viver um momento muito interessante de mudança de paradigmas. Espero que distinções como esta da Trienal de Lisboa estimulem discussões sobre o papel que a arquitectura pode ter na adaptação da paisagem à mudança dos nossos pensamentos e valores.

Qual a importância do papel da arquitectura como veículo/ferramenta social?

A indústria da construção civil, da qual nós arquitectos somos parte integrante, é um dos maiores contribuintes da crise climática, aumentando o stock de resíduos e o acesso desigual a um ambiente de vida de qualidade.

Se considerarmos o contexto actual do nosso tempo em que o ambiente natural habitável está ameaçado pelo excesso de extracção da matéria-prima e produção com o foco único no crescimento económico, isso criou uma enorme disparidade nas condições de vida tanto no contexto urbano quanto no rural. Quão responsável será nossa profissão se o continuarmos a negligenciar? A arquitectura, os arquitectos e toda a indústria da construção têm responsabilidade para com uma sociedade equitativa. Como profissão criativa temos a capacidade de reimaginar e reinventar formas de usar a arquitectura como ferramenta social.

Bait-Ur-Rouf-Mosque_©-Sandro-Di-Carlo-Darsa

A urgência de cuidar da ‘Terra’ leva a uma mudança radical na forma como a arquitectura é projectada e feita. Quais são as principais mudanças que já se fazem sentir?

A Terra pode curar-se sem intervenção humana, se reduzirmos as nossas actividades antropogénicas. Cuidar da Terra é, na verdade, cuidar do nosso ambiente habitável. Testemunhámos durante a pandemia, quando entrámos em confinamento, como a natureza se cura quando as actividades humanas são reduzidas. Precisamos restaurar o ecossistema, limpar o ar e a água, reduzir os resíduos antropogénicos não apenas para a Terra, mas para a nossa própria existência.

Porque é que construímos edifícios revestidos de vidro em regiões de climas quentes, onde a temperatura pode chegar a 55°C. Deveria ser crime desperdiçar energia na refrigeração destes edifícios.

Em vez de construir novos, precisamos nos concentrar no ambiente construído que criamos e trabalhar em estratégias de adaptação que sejam amigáveis ​​ao meio ambiente, fazendo uso dos recursos naturais como luz do dia, vento, sombra-sombra respondendo aos contextos e reduzindo nossa dependência sobre combustível fóssil. Precisamos abordar a vegetação e a segurança alimentar, que por si só pode actuar como acção restauradora.

Como prevê que sejam os próximos anos em termos de como o planeta enfrentará a crise climática? E que acções devem ser tomadas a nível global para que a profissão de arquitecta desempenhe um papel cada vez mais activo?

Em Bangladesh, já estamos a enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Os padrões climáticos imprevisíveis estão a perturbar a ecologia agrícola. A subida do nível do mar, induzida pela crise climática aumentou as inundações, a erosão das margens dos rios e afectou também a biodiversidade das zonas costeiras. Um grande número de pessoas tornou-se ‘migrantes climáticos’.

Condições climáticas extremas na forma de secas, inundações, furacões, deslizamentos de terra, incêndios florestais estão a acontecer de forma global e a afectar um grande número de pessoas. Estes fenómenos vão aumentar nos próximos anos.

Acho que a abordagem para mitigar a crise climática precisa ser radical. A arquitectura precisa de se concentrar apenas em edifícios e construções essenciais. Pelo menos durante uma década, a arquitectura devia focar-se na recuperação do desequilíbrio ambiental. Construir para os desfavorecidos e para as vítimas mais vulneráveis às alterações climáticas é mais importante do que construir apartamentos e escritórios de luxo. Mas um mercado orientado para o lucro não se concentrará em abrigar esta população. Neste sentido, os arquitectos podem assumir o papel de agentes de mudança.

Mas a nível global, não deve ser difícil reduzir a extracção, a superprodução de edifícios e materiais de construção. Podemos reduzir as longas cadeias de fornecimentos adquirindo materiais localmente, com o foco em pesquisas colaborativas sobre como transformar em materiais de construção utilizáveis os resíduos. Cada edifício deve ser resiliente ao clima e optimizar o uso de energia e isso pode ser exigido por lei. A reutilização adaptativa deve ser incentivada em vez da substituição completa dos edifícios existentes.

Museum-of-Independence-and-Independent-Monument_©-Sandro-Di-Carlo-Dars

A forma de fazer arquitectura difere do contexto, do país, das condições socioeconómicas. O que podemos aprender com o que está a ser feito em Bangladesh e nos países vizinhos?

Nem tudo que está sendo feito em Bangladesh e na região são exemplares que podem ser replicados. Mas há muitos arquitectos e escritórios de arquitectura que abordam a profissão com mais responsabilidade do que os outros. Grande parte de nossa arquitectura pretende ser ‘climate responsive’ e ao contexto e são menos dependentes de meios artificiais de controle climático. Também procuramos que os materiais utilizados sejam, normalmente, provenientes do país. Além disso, recorremos à força de trabalho local para trabalhar no sector da construção. Isso gera economia local.

Temos comunidades de jovens arquitectos que não seguem a forma convencional da prática, mas com foco no trabalho com comunidades menos privilegiadas através de processos participativos de design e construção. Mesmo quando não há clientes ou financiamento, os arquitectos estão a criar projectos e a envolver pessoas para construir os seus próprios ambientes de vida. São novas formas de práticas que se estão a mostrar muito impactantes para as comunidades de baixos rendimentos.

Quais os projectos que destacaria e porquê?

É difícil destacar projectos, pois cada um é diferente devido ao seu contexto, programa e narrativa. A mesquita Bait ur Rouf é o primeiro projecto que chamou a atenção para a nossa prática. É um projecto único onde todas as minhas preocupações arquitetónicas se manifestaram através do design.

Os projectos nos campos de refugiados são únicos pelo contexto e narrativa difíceis e também pelas restrições impostas à construção que nos obriga a procurar formas inovadoras de construção. Os projectos são o resultado do envolvimento da comunidade no design e na sua própria construção.

Por exemplo, a unidade de habitação modular móvel Khudi Bari é a nossa resposta à preparação climática para as comunidades marginalizadas de Bangladesh. Este é, também, um projecto único que ajudou a salvar as vítimas das cheias, incluindo os seus vizinhos na recente enchente de 2022.

BIO

Marina Tabassum

Arquitecta e investigadora e docente natural do Bangladesh, Marina Tabassum fundou a Marina Tabassum Architects, com sede em Dhaka, em 2005, depois de 10 anos como sócia e cofundadora do URBANA, também em Dhaka. No seu trabalho, que vai do institucional ao multi-residencial e ao cultural, Marina Tabassum procura “estabelecer uma linguagem de arquitectura que seja contemporânea, mas reflexivamente enraizada no lugar”.

Marina Tabassum é directora académico do Bengal Institute for Architecture, Landscapes and Settlements, uma plataforma intelectual para aqueles que estão empenhados a imaginar e moldar futuros ambientais na região. Leccionou na Harvard University Graduate School of Design, Technical University, Delft, University of Texas at Arlington e BRAC University, tendo sido, também, agraciada com um doutoramento honorário da Universidade Técnica de Munique.

A sua contribuição no campo da arquitectura rendeu-lhe honras e elogios, incluindo Prémios Aga Khan para Arquitectura, o Prémio Memorial Arnold W. Brunner, da Academia Americana de Artes e Letras, a Medalha de Ouro da Academia Francesa de Arquitectura, a Medalha Soane de Sir John Soane Museum e o Prémio Jameel do Victoria and Albert Museum.

Marina Tabassum está, igualmente, envolvida na organização de comércio justo Prokritee como membro do Conselho, capacitando mulheres de Bangladesh através da exportação de objectos artesanais. Iniciou, também, projectos de habitação de baixo custo em cidades ao redor de eco-resorts actualmente em construção no sul de Bangladesh e criou a FACE, com o objectivo de procurar soluções de vida resilientes ao clima para as vítimas vulneráveis ​​às mudanças climáticas.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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Research©-Biogenic-Constructions (Premiado na categoria Investigação)

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Trienal 2022 revela vencedores Prémio Début e ‘Prémio Universidades’

O atelier brasileiro Vão é o vencedor do Prémio Début. Já no Prémio Universidades foram distinguidas quatro propostas ex-aequo na categoria Mestrado e uma na categoria Investigação, cujos 17 ensaios seleccionados serão compilados numa antologia a ser lançada em finais de Outubro

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Vão é o atelier vencedor do Prémio Début Trienal de Lisboa Millennium bcp. Sediado em São Paulo, no Brasil, e fundado em 2013 por Anna Juni, Enk te Winkel e Gustavo Delonero, o atelier “destacou-se pela sua originalidade, compromisso com o ambiente e elegância da sua obra, resultado da mestria do desenho arquitectónico e uma profunda compreensão dos materiais”.

Na sua obra, que integra desde a habitação ao Museu de Arte Sacra, destaca-se uma fábrica de tijolos, em Alvaré, no estado de São Paulo. Construído com 12 mil blocos de tijolos empilhados sem argamassa, Vão escolheu como material o produto da própria fábrica, evitando o impacto do transporte. “O processo de construção assemelhou-se a uma montagem, podendo ser integralmente reutilizado em caso da relocalização. A estabilidade do edifício foi obtida aumentando significativamente a volumetria das paredes, à semelhança das antigas construções megalíticas”, indica o atelier.

Na corrida ao Prémio Début estiveram 10 finalistas, ateliers e profissionais individuais provenientes dos dois hemisférios do globo. O galardão destaca uma prática profissional individual ou colectiva para impulsionar o crescimento intelectual e profissional de talentos emergentes numa fase crucial do seu percurso.  O valor pecuniário atribuído ao 1º prémio duplicou desde 2019, tendo agora um valor de 10 mil euros.

Na mesma cerimónia foram, também, reveladas as propostas vencedoras do concurso Prémio Universidades Trienal de Lisboa Millennium bcp que, pela primeira vez, incluiu duas categorias, Mestrado e Investigação.  No total das duas categorias, 18 dos projectos candidatos integram as exposições centrais da 6.ª edição da Trienal e 9 foram finalistas do Prémio. O galardão tem como principal objectivo aproximar escolas e centros de investigação, incentivando a criação de novas pontes com a prática da arquitectura.

“Pela elevada qualidade e pertinência das propostas”, foram distinguidas quatro propostas vencedoras ex-aequo na categoria Mestrado, nomeadamente, aAquatic Livelihoods, da Universidade de Harvard, nos E.U.A., patente na exposição Visionárias, Coastal Interference, da Bergen School of Architecture, na Noruega, e The Theater of the People da Spitzer School of Architecture, City College of New York, nos E.U.A., patentes na exposição Multiplicidade e The (in)visible traces of the landscape, da ENSA École Nationale Supérieure d’Architecture de Versailles da Université Paris-Saclay, em França, apresentada na exposição Ciclos.

Na categoria Investigação, o galardão foi para Biogenic Construction, do Institute of Architecture and Technology, que pertence ao The Royal Danish Academy, na Dinamarca, um projecto apresentado na exposição Ciclos e com um ensaio no respectivo livro.

Em finais de Outubro, é lançada uma antologia — Emerging voices on new architectural ecologies — com dezessete ensaios de projectos seleccionados neste concurso, reunindo diversas abordagens para trabalhar com a natureza e as comunidades rumo a uma nova linguagem arquitectónica e revelando algumas das ideias mais progressistas das escolas de arquitectura de hoje.

Os Prémios Trienal de Lisboa Millennium bcp foram revelados numa cerimónia que decorreu na passada sexta-feira, dia 30 de Setembro, na Academia de Ciências de Lisboa, com a presença de finalistas, premiados e premiadas, incluindo a arquitecta Marina Tabassum, Prémio Carreira Trienal de Lisboa Millennium bcp.

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.PT inaugura “a casa da internet portuguesa”

Construída para funcionar como hub digital, a nova sede do .PT chama-se Barra Barra (//) e disponibiliza um conjunto de infraestruturas que privilegiam o desenvolvimento de competências digitais e a implementação de projectos ligados à inovação

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O .PT, entidade responsável pela gestão do domínio de topo português, inaugura esta segunda-feira, 3 de Outubro, a sua nova sede. Uma data que coincide com a celebração há 31 anos, do primeiro domínio registado em .pt: dns.pt..
O edifício Barra Barra (//) pretende ser a casa da internet portuguesa e um hub tecnológico aberto à comunidade, com vista ao desenvolvimento de projetos e ideias inovadoras, em particular no domínio da capacitação digital.

Construída para funcionar como um verdadeiro espaço digital, o edifício disponibiliza um conjunto de infraestruturas, que privilegiam a aquisição e o reforço de competências digitais e a implementação de projectos ligados à inovação, destinadas tanto aos colaboradores do .PT como a pessoas ou entidades externas.

O edifício Barra Barra localiza-se no número 29 da Rua Eça de Queiroz junto ao Marquês de Pombal e compreende um total de 700 metros quadrados, distribuídos por três pisos, contando com um auditório, com capacidade para 50 pessoas em plateia, aberto à comunidade. O projecto de arquitectura conta com a assinatura do atelier Miguel Amado Arquitectos.

Entre as iniciativas previstas para a nova sede, destacam-se a criação da Academia
.PT, que dá corpo ao conceito de hub digital e permitirá um conjunto de sessões de formação em torno de temas que incidam sobre a actividade do .PT, bem como do .PT 360 – Innovation Center, com vista a promover a inovação tecnológica, através do apoio ao desenvolvimento de novas ideias e modelos de negócio, a experimentação de projectos e a capacitação de pessoas e organizações na digitalização.

As competências digitais e as tecnologias emergentes serão as áreas prioritárias deste centro de inovação, com especial foco em inteligência artificial, big data, cibersegurança, identidade digital, e-commerce, e no futuro da internet.

“Em 30 anos, esta é a primeira sede património próprio do .PT. Além de ser um momento marcante na nossa história e que muito nos orgulha, trata-se de uma oportunidade para acolher todos os projectos do ecossistema digital liderado pelo .PT, parceiros e restantes stakeholders, assente numa visão aberta para um modelo de trabalho mais dinâmico, diverso e inclusivo”, refere Luísa Ribeiro Lopes, presidente do conselho directivo do .PT.

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Filme “O Sentido da Arquitectura” marca 8º aniversário da Kronos Homes

Filme, produzido pela promotora, contou com a presença do arquitecto Souto de Moura, Rafael Aranda e Carme Pigem, do estudio RCR Arquitectes, Rafael de La- Hoz e, ainda, Ricardo Bofill, destacando a visão inovadora de todos os seus protagonistas, que assinaram alguns dos principais projectos desenvolvidos pela empresa ao longo dos anos

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A promotora Kronos Homes celebrou o 8º aniversário com a apresentação do filme “O Sentido da Arquitectura”, protagonizado pelo arquitecto português Eduardo Souto de Moura e ainda Rafael Aranda e Carme Pigem, do estudio RCR Arquitectes, Rafael de La- Hoz e Ricardo Bofill, cujas obras deixaram um legado na história da arquitectura.

“O oito simboliza o ciclo contínuo entre o princípio e o fim, o constante renascimento e tudo o que transcende os seus limites. Ao longo destes anos, consolidámo-nos e crescemos enquanto empresa, os nossos projectos tornaram-se uma realidade, as nossas habitações foram transformadas em casas, e construímos uma identidade em torno do valor que mais nos caracteriza: a nossa paixão pela arquitectura”, explicou Saïd Hejal, CEO da Kronos. “Este documentário é a fórmula certa para celebrar a nossa paixão e orgulho pelo nosso caminho”, rematou. 

Duzentas pessoas relevantes no mundo da arquitectura e do design marcaram presença neste evento, onde Eduardo Souto de Moura partilhou que vê a arquitetura como “um serviço”: “O que eu quero é saber se tenho contribuído para a felicidade das pessoas”, confessou.

“O Sentido da Arquitetura” é um filme produzido pela Kronos e que coloca a arquitectura no centro, destacando a visão inovadora de todos os seus protagonistas, que assinaram alguns dos principais projectos desenvolvidos pela empresa ao longo dos anos. A estreia aconteceu no Teatro Real de Madrid e contou com a presença de todos estes arquitectos e ainda do filho de Ricardo Bofill, que faleceu em Janeiro deste ano, Pablo Bofill. 

A produção do documentário começou há três anos, quando a Kronos Homes se propôs a levar ao grande público a visão destes arquitectos, que são referências em Portugal e em Espanha, assim como os locais onde se podem visitar os seus projectos, tendo sido gravado nos estúdios e locais de inspiração de cada um dos protagonistas. Entre estes planos, destaca-se a casa de Ricardo Bofill, o seu estúdio e o seu templo La Fábrica, gravados três meses antes da sua morte. Em Portugal, as filmagens aconteceram em Lisboa, Porto e Algarve e, em Espanha, as cidades escolhidas foram Madrid, Barcelona, Olot, Valência e a Costa del Sol.

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