Souto Moura diz que sector “já bateu no fundo”

Por a 25 de Novembro de 2011

O arquitecto Souto Moura, vencedor do prémio Pritzker, afirmou hoje que a construção em Portugal “já bateu no fundo” e que os próximos dez anos “vão ser negros” para o sector.

“A construção já bateu no fundo. Já emigraram os construtores. Não é possível uma empresa sobreviver porque não há investimento público, autárquico ou privado”, afirmou Souto Moura, insistindo que, na situação actual, “não é possível sobreviver”.

“Não há investimento público e, para o privado, o crédito está cortado, parou a encomenda, pararam os projectos, parou a construção”, sustentou.

Questionado pela Lusa, em Viana do Castelo, o arquitecto portuense admitiu que a quebra na actividade está a levar as empresas nacionais a uma “situação insustentável”, com construtores “a darem preços 40 por cento abaixo do preço de mercado”.


“As restantes mudam as espingardas para os novos mercados. Como eu. Não tenho trabalho cá, vou [para fora do país] à segunda e venho à sexta”, disse, à margem de um seminário organizado pela Associação para a Colaboração entre Portos e Cidades.

Ainda assim, Souto Moura não esconde a “preocupação” com o sector, lembrando que Portugal tem 20 mil arquitectos, sobretudo recém-licenciados.

“O futuro não sei o que vai ser. Sei, mas prefiro não dizer”, desabafou, admitindo que para retomar os níveis de actividade de construção anterior à crise financeira será necessária mais de uma década.

“Ou seja, os próximos dez anos vão ser negros para este sector”, admitiu.

Acrescentou que a situação actual é tal que a “preocupação” dos presidentes de câmara “já não é se a obra vai ficar bem no fim”, mas “se chega a ter um fim”.

“Um autarca dizia-me, no outro dia, que sempre que acaba uma obra abre uma garrafa de champanhe, porque nunca sabe se o empreiteiro subsiste”, contou.

 


Um comentário

  1. José Borges

    28 de Novembro de 2011 at 16:57

    Admiro a obra do Arq. Souto Moura e o seu pensamento (escrito e falado), no entanto ou este artigo está muito incompleto ou devo viver em outra realidade.

    O rítmo a que se contruiu em Portugal nos últimos anos é completamente insustentável. Existem milhares de fogos novos por vender e um rácio de habitação/habitante muito acima das necessidades. Os PDM’s aprovados pelas autarquias incluiram sempre uma zona de expansão urbana que agora se pretende reduzir criando graves problemas jurídicos sobre os direitos adquiridos dos seus proprietários.

    Posto isto, concluo o meu comentário com grande cepticismo na recuperação da indústria da construção nos próximos 10 anos e com total convicção que a reabilitação será a área que manterá e desenvolverá esta indústria.

    Deixo ainda uma sugestão bibliográfica: “Os Limites do Crescimento”, Donella e Dennis Meadows e outros que, apesar de um texto datado – crise petrolífera do início dos anos 70, continua a ser um texto de tomada de consciência..

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