Opinião: A Rede Passive House em Portugal

Por a 31 de Março de 2016

redePH
João Gavião, Homegrid e Associação Passivhaus Portugal
Quando alguém ouve falar de Passive House será tentado a associar imediatamente o conceito aos climas mais frios do centro e norte da europa. Esta ideia, à primeira vista, até poderia fazer sentido uma vez que o conceito surgiu na Alemanha e foi nessa geografia que foi dado o seu impulso. Mas na verdade, passados 25 anos da construção dos primeiros edifícios em Darmstadt e passados 20 anos da criação do Passivhaus Institut, a Passive House é hoje um conceito universal, implementado em todos os continentes e testado em todas as realidades climáticas, inclusivamente em Portugal.

E o que é uma Passive House? Trata-se apenas de um conceito construtivo que assenta no desempenho dos edifícios e é independente da linguagem arquitectónica ou da solução construtiva. Uma Passive House caracteriza-se sobretudo pelos elevados níveis de conforto e pela qualidade do ar proporcionados aos seus ocupantes em conjugação com drásticas reduções do consumo energético para aquecimento e arrefecimento, cerca de 75% em comparação com edifícios novos e de 90% em comparação com edifícios existentes. Ou seja, trata-se do mais elevado standard a nível mundial de desempenho dos edifícios.

É de certo modo natural que se instale algum tipo de dúvida, que haja algum tipo de desconfiança em relação a algo que é novo. Apenas ao “meter as mãos à obra” as dúvidas se dissipam, identificam-se as vantagens e facilmente se conclui que a Passive House em Portugal não só funciona e faz sentido como pode ser o caminho para a resolução de muitos dos problemas que enfrentamos actualmente como a pouca qualidade do parque edificado, a dependência energética, a dificuldade de criar valor no sector da construção ou a criação de emprego.

A estratégia para a implementação do conceito em Portugal foi definida pela Homegrid em conjunto com o Passivhaus Institut e assentou nos seguintes pontos: 1º construir o primeiro edifício Passive House (certificado) em Portugal; 2º monitorizar o seu desempenho; 3º criar a Associação Passivhaus Portugal. Estes passos foram cumpridos: a primeira Passive House certificada foi construída, o seu desempenho está a ser monitorizado em contínuo e foi criada a Associação Passivhaus Portugal, que tem procurado promover e disseminar a Passive House em Portugal.


Actualmente há três edifícios Passive House construídos e certificados em Portugal, três em processo de certificação e muitos outros em processo de desenvolvimento, demonstrando o crescimento sustentado do conceito no nosso país. Para termos mais Passive Houses é necessário que existam projectistas e consultores que os consigam conceber, construtores e instaladores que os consigam implementar e produtos e soluções que facilitem a sua concepção e implementação. É no fundo necessário que exista uma rede sólida de modo a possibilitar o crescimento da Passive House em Portugal. Essa rede já existe e está a crescer.

A rede Passive House em Portugal tem como objectivos não só potenciar e facilitar o desenvolvimento e implementação de Passive Houses mas também aumentar a consciencialização relativamente à eficiência energética nos edifícios e afirmar a Passive House como solução adequada aos edifícios com necessidades quase nulas de energia. Os actores da rede Passive House são projectistas e consultores Passive House, empresas de construção, fabricantes e fornecedores de soluções e produtos; municípios e regiões intermunicipais ou áreas metropolitanas; instituições de ensino e investigação.

Espera-se com esta estratégia acelerar a implementação da Passive House em Portugal, ou seja, possibilitar que haja mais edifícios Passive House. Mas também estabelecer mais municípios Passive House, introduzir este conceito na formação académica nas áreas da arquitectura, engenharia, ambiente, energia, etc., e estabelecer uma lógica de consórcio para melhor conseguir captar investimento estrangeiro, em Portugal e fora de Portugal.

Mais do que criar grupos de pressão ou exercer influências de modo a favorecer esta ou aquela política, pretende-se liderar pelo exemplo e afirmar a Passive House como solução adequada para os edifícios com necessidades quase nulas de energia, os NZEB. E será o trabalho em rede, com cada interveniente com o seu contributo próprio, a possibilitar a mudança de paradigma no sector da construção e caminho para a sustentabilidade e independência energética de Portugal.


4 comentários

  1. paulo

    22 de Junho de 2018 at 15:37

    boa tarde, para se ter uma moradia passive hausse em Portugal qual é o consumo máximo energético permitido ?

  2. João

    14 de Janeiro de 2019 at 9:31

    As necessidades de energia estão definidas:

    Necessidade anuais de Aquecimento < 15 kWh (m2a)

    Necessidade anuais de Arrefecimento < 15 kWh (m2a)

    Necessidades totais de Energia (primária) <120 kWh (m2a)

  3. Francisco Fernandes

    14 de Janeiro de 2019 at 22:06

    Boa noite, em regra, para se ter uma Passivhaus, o consumo máximo é de 15kWh/m2. Mas, quanto menos melhor.

  4. Antonio Sanchez

    5 de Fevereiro de 2020 at 14:30

    Como posso obter os contactos para obter uma certificação de uma passiv haus?

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