Hydro no caminho das janelas “verdes”

Por a 2 de Dezembro de 2019

Não há outro caminho. Sendo a Construção uma das áreas da economia que mais desperdícios gera e que mais resíduos produz, será, seguramente, uma das que mais rapidamente terá de agir para minimizar os impactos negativos adoptando, desde logo, técnicas de construção mais sustentáveis, utilizar materiais eficientes do ponto de vista ecológico, priorizar o uso de energia renovável e fazer uma gestão adequada dos resíduos.

A pensar nisso, a Hydro, grupo que detém marcas como a Sapa e a Technal, está a promover a sua mais recente novidade. A Hydro CIRCAL 75 é uma solução com 75% ou mais do seu conteúdo formado por alumínio proveniente de portas, janelas e fachadas de alumínio em fim de vida que foram desmontadas de edifícios e que passam agora por um processo de reaproveitamento.

Transformação verde
O CONSTRUIR integrou uma comitiva ibérica, no passado mês de Junho, numa visita à unidade industrial de Dormagen, nas proximidades de Düsseldorf, na Alemanha, e constatou de perto o processo de transformação de pilhas de alumínio retorcido, que naquela fábrica se reúne vindo dos mais insuspeitos lugares, dando origem a uma solução sustentável e certificada, que contribui claramente para uma economia circular e permitindo que, além do reaproveitamento daquele desperdício se configura como um alumínio com emissões de CO2 muito baixas, até 2kg de CO2 por cada quilograma de alumínio.


Reduzir pegada ecológica
Ao CONSTRUIR, o responsável de Vendas e Marketing da Hydro em Portugal explica que há muito que as questões ambientais e de sustentabilidade fazem parte da companhia, reflectindo-se, naturalmente, em soluções promovidas quer pela Sapa quer pela Technal. Orlando Sampaio sublinha que “apesar da forte incorporação energética na produção do alumínio primário, a nossa fábrica na Noruega está localizada próxima de fontes renováveis, sendo a energia hidroeléctrica, largamente excedentária para os consumos locais, a utilizada no processo produtivo”. “Deste modo”, diz, “logo à partida podemos reduzir enormemente a pegada ecológica de um produto que é visto habitualmente como de forte contribuição para as emissões de CO2”. A opção por Dormagen como centro de reciclagem para produção da liga CIRCAL 75R assenta em três pilares fundamentais. Segundo Orlando Sampaio, “a competência tecnológica local disponível”, é um desses pilares, a que se acrescenta “a centralidade face a proveniência da “matéria prima” [sucata de alumínio pós consumo de várias origens] e a proximidade dos mercados mais exigentes e também mais receptivos a utilização de produtos sustentáveis”.

Indicadores muito favoráveis
Orlando Sampaio recorda que a liga de alumínio CIRCAL 75R vem contribuir para indicadores de impacto ambiental muito favoráveis: com emissões de cerca de 2 Kg de CO2/Kg de alumínio produzido. Que significa isso ao certo? O responsável de vendas da Hydro estabelece um paralelo e revela que aquele valor é um valor com impacto ambiental cerca de 3 vezes inferior ao do alumínio convencional produzido na Europa . Por outro lado, acrescenta, “está em linha com outros materiais com que compete normalmente [aço, PVC] mas superando-os largamente noutras características muito importantes em produtos para a indústria da construção, tais como a facilidade de maquinação, leveza, reduzida manutenção, formabilidade, aceitação de acabamentos de superfície e resistência/peso”. Sampaio salienta ainda o elevado nível de reciclabilidade, praticamente de 100%, e a baixa energia consumida num processo de economia circular (consome apenas cerca de 5% da energia que é necessária para a produção do alumínio de primeira fusão), faz jus à designação de metal verde que frequentemente se lhe aplica. “Com a enorme vantagem de que mais de 75% do alumínio minerado desde sempre, continua “activo” em milhares de aplicações nos mais variados sectores industriais: construção, electrónica, aeronáutica, automóvel, naval, transportes… e é infinitamente reciclável”, complementa.

Questionado sobre o impacto da novidade em Portugal, Orlando Sampaio comenta que “liga Circal 75R está a ser apresentada como base da Marca Technal, para um conjunto de projectos onde o tema sustentabilidade tem um valor reconhecido. Numa segunda fase e já no início de 2020, teremos todos os sistemas Technal fabricados com a liga Circal 75R, garantindo que a nossa marca tem claramente os produtos com menor impacto ambiental do mercado”. Orlando Sampaio garante que “a preocupação ambiental é transversal a toda a cadeia de decisão no sector da construção, sector este que tem um enorme contributo na produção de CO2, que tem obrigatoriamente que ser reduzido”. Para aquele responsável, “é uma preocupação de quem projecta, de quem constrói e obviamente de quem investe, ter como resultado um edifício que tenha uma reduzida pegada ecológica, sendo obviamente por isso também valorizado”. “Existem já um conjunto de certificações que definem por rankings a eficiência dos edifícios quer seja no processo de construção quer na sua utilização, mas a curto prazo este tipo avaliação será determinante para a sua colocação no mercado”, acrescenta, sublinhando que “este movimento, mais evidente no norte da Europa, está a acompanhar os investidores, também para garantir uma linguagem universal de valorização de boas práticas ambientais”. “As janelas, portas e fachadas assumem um papel importante neste processo e quando se apresenta ao mercado um produto que reduz de forma tão significativa o impacto ambiental, a decisão torna-se bastante simplificada”, conclui. E olhando para os números percebe-se o potencial de pensar verde, considerando que existe um potencial estimado de aproximadamente 200 milhões de toneladas de alumínio armazenadas em edifícios por todo o Mundo, naquele que acaba por ser um recurso “infinito”. O processo de produção é totalmente rastreável e o produto é certificado por uma entidade independente (DNV-GL) que garante que 75% do material utilizado na produção da Hydro CIRCAL 75R da Technal é proveniente exclusivamente de alumínio pós-consumo, ou seja, de janelas, portas e fachadas de alumínio que atingiram seu fim de vida útil como produto. A produção certificada é nada menos do que uma revolução na indústria da construção. Note-se que actualmente a média europeia de emissões é de 8,6 kg de CO2 por kg de alumínio, enquanto no mundo todo a média é de 18 kg de CO2 por kg de alumínio.

Milhares de toneladas
À fábrica de Dormagen chegam, todos os anos, aproximadamente 36 mil toneladas de janelas de alumínio que, de uma forma ou de outra, terão já cumprido boa parte do seu papel. A fonte, além da Alemanha, acaba por ser um pouco de todo o mercado europeu. Chegado ao parque de entrada da fábrica alemã, o alumínio passa depois por um processo que, não sendo complexo, é minucioso. Ou, pelo menos, deixou de ser tão complexo, graças a um processo desenvolvido pela fábrica de Dormagen que permite a separação limpa de cada um dos elementos triturados, separados, triados, encaminhados e novamente triturados caso seja necessário. Neste processo é possível triar e eliminar da cadeia materiais como a borracha, o plástico ou outros metais pesados que podem comprometer a qualidade da “nova” matéria prima. Retirados estes e outros elementos poluentes, o material já “purificado” é enviado para as restantes unidades fabris do grupo, onde vai ser novamente integrado no ciclo de produção para dar origem a novos produtos, processo a que a empresa dá o nome de “mineração urbana”

Processo minucioso
Para chegar a este número, toda a matéria recolhida, proveniente maioritariamente de construções na Alemanha e do resto da Europa, é depositada no centro da fábrica da multinacional em Dormagen, na Alemanha — para já, a única unidade do grupo dedicada ao procedimento. Depois, é sujeita a diversas fases do processo transformativo – totalmente rastreável –, tais como trituração, separação magnética ou peneiração, que são sucessivamente repetidos até se alcançar a fórmula mais limpa possível.
O rigor imprimido na transformação deve-se ao desgaste a que o material está sujeito durante o período de utilização, o que favorece a sua contaminação, nomeadamente com zinco, borrachas ou plástico. Para além destes componentes, são também separados e diferenciados os diferentes tipos de alumínio presentes — anteriormente, a inexistência de máquinas e mecanismos capazes de fazer esta distinção obrigava à adição de alumínio original em maiores quantidades para que a matéria final cumprisse com o desejado.

Nota: O CONSTRUIR viajou a convite da Hydro


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