Por onde passa o futuro da engenharia civil?

Por a 10 de Dezembro de 2019

A transformação que vem ocorrendo em distintos setores económicos tem acompanhado de perto várias vertentes da tecnologia e, recentemente, o ponto central tem sido a digitalização. A combinação da realidade física com a realidade virtual aumenta o potencial encontrado nas diversas soluções tecnológicas, que têm contribuído positivamente com a modernização de diversos ramos de atuação.

O conceito estratégico de economia circular, por exemplo, foi promovido em 2015 pela União Europeia com o objetivo de reforçar a redução, a reutilização, a recuperação e a reciclagem de materiais e energia em todos os setores da economia. Para além deste modelo económico, a digitalização de dinheiro e a sua utilização para transações é um fenómeno que ocorreu alguns anos atrás por particulares, mas que hoje tem tido a adesão de várias empresas em diversos setores.

A Associação da Aliança Portuguesa de Blockchain – ALL2BC, por exemplo, tem promovido a utilização da tecnologia blockchain e de smart contracts em todas as áreas da economia. Entre os associados, várias entidades reconhecidas destacam-se na utilização destas práticas inovativas, que estão inclusive transformando setores económicos mais conservadores, como o da engenharia civil. Esta transformação ocorre por diferentes meios, incluindo a acessibilidade gerada pela tecnologia blockchain, que permite realizar transações monetárias, comprar criptomoedas e investir noutros mercados de forma segura, oferecendo, para além de particulares, soluções a profissionais e negócios. Assim como há associações desse tipo, que garantem a confiabilidade de empresas no ramo da tecnologia da informação e comunicação, outras plataformas também funcionam no mesmo sentido. Um exemplo dessas plataformas são os sites que permitem aos clientes comparar online. Esses sites listam e analisam diferentes tipos de serviços, fornecendo aos clientes informação imediata em um ambiente virtual seguro. Com a oferta atual de várias opções e iniciativas presentes a nível nacional de promover a responsabilidade social e ética, o investimento inteligente na digitalização é a chave para assegurar e complementar novos projetos.

É por esta razão que a digitalização é hoje considerada pelos especialistas um componente da quarta revolução industrial, assinalada como a maior revolução tecnológica até a data, na qual evoluções são encontradas através de processos digitalizados tanto no uso de software como no de hardware.


Fonte: Pixabay

No ramo da engenharia civil, no que toca à vertente de software, são vários os programas que hoje permitem melhorar a gestão de projetos e processos de produtividade com recurso à automação, inteligência virtual e simulação gráfica. Por exemplo, os atuais programas de Building Information Modelling (BIM) permitem uma representação precisa dos componentes físicos e funcionais ao longo do ciclo de vida útil de edifícios. Um dos maiores desafios encontrados por qualquer profissional da área de engenharia passa pelo ambiente e pela sustentabilidade e, através da recriação e da simulação de cenários, é possível tomar decisões que considerem as implicações de cada projeto.

Já em termos de hardware, uma tecnologia que tem recebido um forte investimento por parte de distintas empresas é a impressão 3D. A impressão 3D tem trazido no momento fortes vantagens às áreas de mecânica e medicina, o que tem gradualmente projetado um futuro também para o sector de engenharia e construção. Algumas start-ups dedicadas à impressão 3D têm executado com sucesso protótipos em aço, elementos de estrutura de edifícios e até casas pré-fabricadas, o que reduz significativamente o tempo, a otimização de recursos e a mão de obra necessários para os processos da área. Este modelo de produção, juntamente com a simulação gráfica, reúne as condições fundamentais para assegurar os princípios éticos e sustentáveis desejados na concepção e na realização de projetos. Por serem ferramentas que permitem efetuar uma visualização prévia do projeto, a fim de utilizar recursos naturais de forma sustentável e inteligente, elas colaboram para que o desperdício de materiais seja evitado e para que seja feita uma gestão apropriada de recursos.


Fonte: Pixabay

O futuro da área de engenharia civil é assegurado pelo desenvolvimento das ferramentas tecnológicas, que têm facilitado a gestão empresarial e melhorado a produtividade, sem deixar de lado pontos como sustentabilidade e segurança. A margem de desenvolvimento em termos de software e hardware é vasta e vai permitir a chegada de novas soluções que prometem revolucionar ainda mais esse ramo. Com o foco atual em pilares como segurança, sustentabilidade e eficiência, a quarta revolução vai permitir uma otimização significativa de recursos materiais e financeiros e oferecerá, dessa forma, oportunidades e investimentos para os vindouros grandes projetos.

Este artigo é da responsabilidade de Fernando Nunes

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