Portugal segue tendências no investimento imobiliário

Por a 13 de Janeiro de 2020


De acordo com a consultora imobiliária Savills, a redução de oportunidades pelo crescimento orgânico das rendas e a antecipada compressão das yields em todo o cenário imobiliário europeu são as principais razões que irão motivar a procura por activos geradores de rendimento, o que se tornará um factor-chave para a actividade de investimento em 2020. Portugal seguirá as tendências principais.

À medida que as oportunidades de investimento nos sectores imobiliários tradicionais diminuem, os investidores centram as suas estratégias de investimento no sector residencial e em segmentos alternativos. As tendências demográficas da Europa e os centros urbanos crescentes têm originado um aumento da procura por habitação, em especial de habitação a preços acessíveis, assim como procura nos sectores de senior living e alojamento para estudantes. “Com estes activos a oferecerem grandes oportunidades a investidores que procuram um fluxo de receitas a longo prazo, não é surpresa que em 2019 o sector residencial fosse o segundo sector preferencial para o investimento imobiliário a nível global”, afirma Marcus Roberts, director da Savilis European Operational Markets.

A realidade europeia tem paralelo em Portugal “onde no ano de 2019 começámos a verificar de forma mais consistente um aumento do interesse e da procura por segmentos alternativos, como é o caso de projectos direccionados para Residências de Estudantes. Não obstante, o segmento de escritórios continuará a ser um sector chave para investidores ore, a par de projectos de development”, sublinha Alexandra Gomes Portugal, senior analyst do departamento de Research da Savills Portugal.

Enquanto na Europa a tendência, face a taxas de ocupação em mínimos históricos, é para os ocupantes corporativos se tornarem, eles próprios, em fornecedores de espaços de trabalho flexíveis durante épocas de incerteza financeira. Em Portugal a procura por espaços flexíveis também aumentou, mas a tendência que se verifica, e que se deverá manter nos próximos 2 a 3 anos, é a preferência por projectos de escritórios tradicional. A falta de disponibilidade de espaços, principalmente nas cidades de Lisboa e Porto, continua a marcar este segmento.

Já no que diz respeito ao mercado de retalho, a nível europeu este tem sido afectado pelo crescimento das vendas online e, consequentemente, pela necessidade das lojas de retalho se reinventarem, adaptarem e a reutilizar o seu espaço para aumentarem o rendimento. Um cenário que, por enquanto, ainda é diferente em Portugal, onde a exposição às vendas online é menor e a escassez de oferta nas zonas prime de comércio de rua de Lisboa e Porto, motivada pela dimensão reduzida destas cidades, tem mantido a pressão de subida nas rendas, especialmente nas zonas da Baixa, onde a pressão turística tem também motivado o aumento da procura dos operadores de restauração, nacionais e internacionais.  “Este aporte turístico e o interesse geral por Portugal sentido nos últimos anos continua a motivar ainda operadores de moda internacionais a abrir a sua primeira loja em Lisboa. Apesar da menor exposição ao e-commerce, quando comparado com outros países da Europa (por exemplo em UK, 78% da população compra online, contra apenas 34% em Portugal), coubeaos principais retalhistas um ajuste dos seus canais de venda e aos gestores de áreas comerciais a criação de ferramentas que facilitem e potenciam o ato de comprar, ao mesmo tempo que potenciam as suas áreas de lazer para captar um público que privilegia a experiência em detrimento da aquisição.”, refere Cristina Cristóvão, directora do departamento de Retalho da Savills Portugal.

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