Opinião: “Acredito que o sector vá ter uma recuperação mais positiva que o esperado”

Por a 1 de Abril de 2020

O Covid-19 veio colocar-nos a todos a nível mundial perante um cenário que nunca foi vivido por ninguém a esta escala e com esta rapidez.  A última grande Pandemia que afetou mais de 500 milhões de pessoas foi em 1918, pelo que não há ninguém vivo que se possa lembrar do que as gerações anteriores passaram nessa altura e que também deve ter sido terrível, com milhões de mortes pelo mundo inteiro.

É claro que numa era de globalização como a que vivemos, o impacto económico é à escala mundial e com um acentuado efeito em cadeia, pelo que neste momento está instalado um clima de incerteza, o que naturalmente também afeta a parte de investimentos imobiliários.

As pessoas estão numa grande parte em quarentena, outras em teletrabalho, e as que estão a trabalhar presencialmente, porque o tipo de trabalho assim o exige, estão com mais trabalho ainda do que estavam anteriormente pois estão a deparar-se com dificuldades diárias inerentes a esta situação, pelo que quanto mais não fosse, esta situação iria sempre afetar este sector por falta de disponibilidade de quem compra, mesmo que já não levássemos em consideração o impacto económico que muitas pessoas estão a sofrer.  Embora as vendas tenham descido a pique, continuam a realizar-se negócios, porque as pessoas têm a expectativa, ao olhar para o que se passa em países como a China por exemplo, que esta situação acabe por ser ultrapassada num espaço de tempo não superior a seis meses. As quebras foram grandes, mas o mercado não está completamente parado, a título de exemplo, continuamos a ter em média cerca de 25 contactos/dia de novos clientes interessados nos nossos projetos, e já fechamos negócios neste período, a questão é que relativamente ao período anterior, as vendas naturalmente baixaram, e há muitos clientes com reservas feitas, á espera que passe esta fase mais difícil para concretizar os negócios.

É obviamente previsível que se verifique uma recessão com a paralisação de quase toda a economia, e isso vai refletir-se em todos os sectores e o imobiliário não vai ser exceção, mesmo que pudesse não o ser diretamente o facto de os compradores serem afetados, acaba por ter um impacto grande nas vendas, mas as pessoas continuam a ter projetos, a pensarem mudar de casa, a investirem, no fundo a querer dar seguimento à vida que tinham há uns meses atrás.

Foco-me mais no sector imobiliário residencial porque é a área em que operamos, mas sei que nas outras áreas de investimento imobiliário, também estão a sofrer um grande impacto nas vendas, pelo menos nesta fase de Emergência Nacional.

Relativamente ao sector imobiliário em Portugal, o país teve como um dos grandes motores da recuperação económica a promoção imobiliária e temos que saber proteger o que foi conquistado até à data.

Essa responsabilidade não passa só pelos empresários, passa também pelo Estado assumir o seu papel e preservar a iniciativa privada que tanto tem dado a este país.

Não creio que o sector vá sofrer uma crise como a que sofremos anteriormente, por vários motivos, ou seja, não estávamos preparados como estamos hoje, o sector apresenta na atualidade uma realidade muito diferente.

Não concordo de forma alguma que o caos no sector está para chegar, ou até que já chegou, como muitos apregoam, sendo que este tipo de análise só provoca desconfiança no mercado, assusta as pessoas desnecessariamente, e em boa verdade, nem os que defendem esta posição sabem o que vai realmente acontecer.

Na minha opinião, baseada na minha experiência, na procura imobiliária que se mantém e da forma como estão a reagir os nossos próprios clientes, julgo que vai haver sim um abrandamento nos negócios nesta fase, isso é inevitável, mas acredito que o sector vá ter uma recuperação em “V” e que vá recuperar de forma mais positiva do que o esperado.

Acredito que o sector vai ser afetado, sem dúvida, mas que a recuperação vá ser superior ao impacto negativo que vamos sofrer.

Quanto a nós, a JPS Group tem uma estrutura muito vertical e tem o controle de toda cadeia da promoção imobiliária dentro de casa, isso fez a diferença no crescimento ao longo destes anos e assim como acredito que também vá fazer a diferença neste processo de recuperação. Hoje temos a empresa em pleno funcionamento, com uma grande parte dos trabalhadores em teletrabalho. Também temos as frentes de obra em plena atividade, sendo que estão a trabalhar seguindo todas as normas da DGS, têm máscaras disponíveis, gel álcool, luvas e têm indicações para manter as devidas distâncias aconselhadas, o que em obras ao ar livre, é relativamente fácil de cumprir. Não baixamos os braços! A paragem seria o mais complicado de gerir, pois temos mais de 300 trabalhadores e dezenas de empresas associadas aos nossos projetos e isso seria devastador para os trabalhadores e para essas mesmas empresas.

Os nossos projetos nunca tiveram preços especulativos, sempre foram valores reais para a classe media em Portugal, dai termos centenas de unidades vendidas e em construção, com os nossos produtos a terem uma valorização muito grande ao longo do tempo, daí que também não consideremos baixar os preços pois já estão perfeitamente ajustados ao mercado imobiliário e já eram antes desta crise, e continuam a ser, muito competitivos.

O que fizemos foi lançar uma campanha, com o objetivo de dinamizar o mercado e ajudar as famílias portuguesas nesta fase, em que novas reservas com contratos de promessa até 30 de Junho passem a ter um desconto equivalente ao valor do IMT no momento da escritura.

Esse é o nosso contributo possível de momento para tentar dinamizar a economia, por parte do Estado, julgo que deveriam ser tomadas medidas no mesmo sentido e de forma geral. O apoio aos promotores é fundamental nesta fase.

NOTA: O CONSTRUIR manteve a grafia original do artigo


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