Informação já disponível para Março revela forte redução da actividade económica

Por a 20 de Abril de 2020


Os indicadores já disponíveis apontam para aquilo que já se adivinhava: a forte redução da actividade económica. O Instituto Nacional de Estatística publicou no início desta semana a síntese económica de conjuntura que aponta a diminuição, de forma expressiva, dos indicadores de confiança dos consumidores e do sentimento económico em toda a Zona Euro, reflectindo a forte deterioração das expectativas provocada pelos efeitos da pandemia COVID-19. Os preços das matérias-primas e do petróleo apresentaram variações em cadeia de -2,0% e -23,8%, respectivamente (-3,5% e -10,9% em Fevereiro), traduzindo os efeitos negativos da pandemia na economia global e das divergências entre os países produtores de petróleo.

Portugal não escapa à tendência no mês em que a doença alastrou-se a quase o país. “O indicador de confiança dos consumidores registou uma redução significativa face ao mês anterior, a maior desde Setembro de 2012 e atingindo o valor mínimo desde Fevereiro de 2016”, revela o INE. Sem surpresas, todos os indicadores de confiança das empresas diminuíram em Março, em particular no comércio e nos serviços. Com o montante global de movimentos em terminais de pagamento automático na rede multibanco a diminuir 17% durante o mês de Março (depois do aumento de 10% verificado em Fevereiro) e as vendas de veículos automóveis a registarem quebras de -57,5% nos automóveis ligeiros de passageiros, -51,2% nos comerciais ligeiros e -46,9% nos veículos pesados.

O impacto da crise pandémica COVID-19 na actividade económica “é súbito, inesperado e potencialmente severo”, alerta o INE. O crescimento expressivo do desemprego e a quebra em todos os indicadores económicos dão lhe razão. A par da quebra na confiança dos consumidores e à sua expectativa relativamente à evolução económica do país, no nível mais baixo observado desde Dezembro de 2013, o indicador qualitativo do consumo privado registou, face ao mês anterior, a redução mais intensa desde Fevereiro de 2009, retrocedendo para valores observados no final de 2014. Uma tendência que se arrasta a todos os sectores da actividade económico.

Na construção e obras públicas, o indicador de confiança diminuiu nos últimos dois meses, de forma mais significativa em Março, interrompendo a tendência crescente observada desde Dezembro de 2012. “A evolução do indicador no último mês reflectiu o significativo agravamento do saldo das opiniões sobre a carteira de encomendas, uma vez que a componente sobre as perspectivas de emprego apresentou um ligeiro aumento”.

Ao nível do investimento em construção este acelerou em Fevereiro, após ter abrandado nos cinco meses anteriores. As vendas de cimento produzido em território nacional, já disponíveis para Março, registaram nos três primeiros meses do ano taxas inferiores às observadas ao longo de 2019. As vendas de varão para betão, também já disponíveis para Março, aceleraram no último mês, após terem abrandado significativamente em Janeiro e Fevereiro. O licenciamento para construção de novas habitações registou uma taxa de variação nula em Fevereiro, após o decréscimo observado em Janeiro (-3,3% e 0,0%, respectivamente). As apreciações dos empresários do sector da construção e obras públicas relativas à evolução da carteira de encomendas, assim como da actividade corrente da empresa recuperaram entre Dezembro e Março.

O INE e o Banco de Portugal lançaram o Inquérito Rápido e Excepcional às Empresas (COVID-IREE), com frequência semanal, tendo como objectivo identificar os efeitos da pandemia na actividade das empresas. Os resultados da 1ª semana de inquirição (semana de 6 a 10 de Abril de 2020), indicaram que 82% das cerca de 5 mil empresas respondentes se mantinham em produção ou em funcionamento, mesmo que parcialmente, 16% encontravam-se temporariamente encerradas, enquanto 2% assinalaram que tinham encerrado definitivamente. Adicionalmente, 37% das empresas em funcionamento ou temporariamente encerradas, reportaram uma redução superior a 50% do volume de negócios e 26% reportaram uma redução superior a 50% do número de pessoas ao serviço efectivamente a trabalhar. Em termos sectoriais, o alojamento e restauração é o sector que apresenta um maior impacto decorrente da pandemia.


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