ISEC e Vigobloco desenvolvem piscina modular

Por a 23 de Junho de 2020

O Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, em parceria com a Vigobloco, a Coimbra Engineering Academy e o Instituto Superior Técnico de Lisboa desenvolveram um inovador conceito de construção de piscinas, que tem a particularidade de recorrer a módulos pré-fabricados com materiais híbridos, apresentando características eco e termo-eficientes.
De acordo com o ISEC, que desenvolveu a tecnologia aplicada pela empresa de Ourém, o projecto “MC-Pool: Modular Concrete Pool” beneficia ainda do facto de permitir a produção de piscinas “a baixo custo” e de instalação rápida com recurso a pouca mão-de-obra.
“Conseguimos conciliar a rapidez de execução e o baixo custo com as preocupações em melhorar o comportamento térmico e em reduzir o impacto ambiental do produto final”, afirma Ricardo do Carmo, investigador e docente do ISEC envolvido no projecto.

Construção por assemblagem
Segundo os promotores da iniciativa, “pretende-se criar uma solução baseada no sistema ‘pré-parede’, que possibilite a construção de piscinas por assemblagem e simultaneamente facilite o transporte dos módulos prefabricados, tornado assim o produto competitivo em termos comerciais”. “Para além destes factores diferenciadores relativamente aos produtos actuais, pretende-se ainda incorporar o conceito de ‘Super-Skin’ para aumentar a durabilidade e usar um betão eco-eficiente com agregados leves e reforçado com fibras, para minimizar a quantidade de armaduras a colocar em obra, melhorar o comportamento térmico e diminuir o impacte ambiental”, lê-se na descrição do projecto.

As piscinas modulares revelam-se “eco-eficientes” devido à pré-fabricação numa solução híbrida de betão reforçado com fibras e betão com agregados leves, que permite “menor dosagem de cimento”, reduzindo a pegada ecológica.
“Em comparação com as piscinas tradicionais de betão, esta solução permite aumentar a durabilidade das paredes estruturais e conservar de forma mais eficiente a temperatura da água”, acrescenta.
O projecto, financiado por fundos europeus, estima que o processo se inicie com a produção das paredes vazadas, sendo os paramentos em betão de elevado desempenho reforçado com fibras, de forma a minimizar a necessidade de considerar armaduras em aço. De referir que este processo pode ser implementado com o equipamento que a Vigobloco já detém para a produção de ‘pré-muros’. Estudar-se-á também as vantagens de aplicar ainda em fábrica o revestimento interior das piscinas, reduzindo assim o tempo de execução no local da obra.
As paredes vazadas são assembladas entre si e à laje de fundo no local da obra, dando a possibilidade de construir piscinas com diferentes larguras e comprimentos. Para além de funcionarem como cofragem perdida, as paredes vazadas facilitam ainda a colocação das instalações técnicas necessárias ao funcionamento da piscina. Por fim, enche-se o espaço vazio entre os paramentos com um betão auto-compactável de agregados leves, o qual apresenta um melhor comportamento térmico, com baixa dosagem de ligante, conseguindo-se deste modo igualmente uma elevada eco-eficiência e um custo reduzido, e reforçado com fibras, reduzindo ou mesmo eliminando a necessidade de armaduras.
Assim sendo, este projeto permitirá, por um lado, transferir do saber científico conhecimentos para uma empresa com grande capacidade técnica, que ficará em condições de oferecer ao mercado um produto mais competitivo e moderno, e, por outro lado, do ponto de vista da construção desenvolver um produto mais eficiente e sustentável, dado que para um betão com a mesma resistência e maior durabilidade se diminuirá drasticamente a utilização de cimento, que produz elevados níveis de CO2 e, portanto, tem uma grande pegada ecológica.

Aproveitamento de soluções
A solução de construção é a mesma que está presente, por exemplo, na extensão do aeroporto de Orly, em França, obra também executada pela Vigobloco.

A facilidade de transporte dos módulos criados no âmbito do projeto “MC-Pool”, desde a fábrica até ao local de obra, permite “forte potencial de exportação”, sublinha o comunicado.
Filipe Saraiva, responsável da empresa de Ourém, realça que “a redução do desperdício de materiais e a facilidade em produzir peças iguais” torna estas piscinas modulares “muito competitivas comercialmente no mercado europeu, especialmente em Espanha e França”.


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