Retalho: Sector tem demonstrado “capacidade de adaptação”

Por a 23 de Julho de 2020

A declaração do estado de emergência em Portugal no dia 18 de Março de 2020 trouxe consigo o encerramento das lojas físicas (à exceção de superfícies de distribuição alimentar e outras consideradas fundamentais para o funcionamento da sociedade), colocando à prova a resiliência dos retalhistas. Se para as marcas que já detinham uma pegada digital foi tempo de apostar mais nas suas plataformas online, para os pequenos retalhistas mais dedicados ao comércio local, foi tempo de repensar estratégias de actuação por forma a garantir a sobrevivência dos seus negócios.

Segundo os dados do Yahoo Finance, divulgados pela Savills Portugal, desde que o estado de emergência foi declarado, verificou-se uma quebra significativa da actividade no retalho tradicional, com um decréscimo de 45%, com excepção feita para as superfícies de distribuição alimentar.

O comércio online foi uma das consequências mais notórias dos efeitos da pandemia por todo o território europeu e Portugal não foi excepção. Contudo, é patente uma preocupação na manutenção do equilíbrio entre os espaços físicos e o digital, sendo igualmente necessária uma estreita colaboração entre o proprietário e inquilino para que os níveis de ocupação dos espaços físicos sejam mantidos.

Cristina Cristóvão, agency retail director da Savills Portugal afirma que “em geral, as compras online no comércio alimentar e retalho aumentaram face a período pré-pandemia mas não nos podemos esquecer que o online não tinha ainda uma representação muito significativa na maior parte da actividade retalhista em Portugal, sendo que a percentagem total das vendas no retalho se situa ainda abaixo dos 10%. Daí que esta subida não tenha conseguido compensar a perca de volume nas vendas físicas”.

 Ainda assim, “o aumento das vendas online obrigou retalhistas a fabricantes a fazer ajustamentos ao negócio ao nível de cadeias de distribuição, preços, produto, reforço e preparação de equipas no atendimento telefónico, condições de segurança nas entregas e devoluções, entre outras”, destaca Cristina Cristovão.

Mesmo com o impacto esperado, a curto / médio prazo do retalho, Cristina Cristovão acredita na “capacidade de adaptação” do sector. Por outro lado, com o levantamento das restrições as pessoas regressam lentamente às rotinas e assiste-se igualmente a uma adaptação nos padrões de consumo.”

Num contexto europeu, a maioria dos retalhistas encarou esta pandemia como uma oportunidade para reestruturar o seu negócio. O armazenamento de produtos com consequências directas no processo operacional das cadeias de distribuição deverá sofrer também reestruturações profundas e contará com a rápida adaptação de medidas e tecnologias que permitam colmatar falhas disruptivas.

De acordo com Alexandra Portugal Gomes, associate do Departamento de Research da Savills Portugal, “toda a cadeia de distribuição de produtos, desde o primeiro elo do processo até à entrega ao consumidor, está neste momento a ser repensada. O Covid-19 vai deixar-nos lições importantíssimas sobre o ponto vista comportamental do consumidor que passam invariavelmente por questões como diferenciação do produto, tempos de entrega cada vez mais curtos, customer services altamente personalizados e com sistemas de tracking actualizados on-point, entre outros factores.”

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