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Cosentino vai abrir City Center de Lisboa em 2022

Lisboa junta-se assim a 14 cidades a dispor de um espaço dinâmico e social exclusivamente criado por arquitectos e designers, inspirado no ADN Cosentino

Ricardo Batista
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Cosentino vai abrir City Center de Lisboa em 2022

Lisboa junta-se assim a 14 cidades a dispor de um espaço dinâmico e social exclusivamente criado por arquitectos e designers, inspirado no ADN Cosentino

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O Grupo Cosentino, multinacional especialista na produção e distribuição de superfícies para arquitectura e design, está a trabalhar para abrir o Cosentino City em Lisboa, o que poderá ser uma realidade já no próximo ano. Isso mesmo adiantou, em primeira mão, à TRAÇO, o Regional Director da Cosentino Iberia, assegurando que o objectivo, depois de vários anos a crescer a dois dígitos no mercado nacional, é “continuar a dar o melhor serviço aos nossos clientes e prescritores”. Para Miguel Silveira, “a sustentabilidade, a inovação, a digitalização e a expansão internacional centram as linhas e os investimentos estratégicos do Grupo para continuar a crescer no futuro”. O conceito do Cosentino City passa por um espaço dinâmico e social exclusivamente criado por arquitectos e designers, onde o utilizador poderá descobrir, explorar e inspirar-se pelo ADN Cosentino enquanto trabalha. A Cosentino tem uma rede global de Cosentino Cities, cada uma imbuída da energia, história e dinamismo dos centros urbanos mais cosmopolitas do mundo. Cada espaço oferece ideias, experiências e actividades diferentes que o ajudarão a posicionar-se na vanguarda do seu sector. Lisboa junta-se assim a Miami, Nova Iorque, Tel Aviv, Dubai, Milão, Amesterdão, Barcelona, Sydney, Toronto, Singapura, San Francisco, Montreal, Madrid e Londres.

Transformações internas e externas
Esta operação é anunciada numa altura em que a Cosentino está a promover a primeira colecção neutra em carbono da indústria de superfícies de quartzo e pedras compostas. Miguel Silveira explica que a designada Sunlit Days é a primeira colecção de cores lançada no mercado e que é resultado de um conjunto de transformações internas e externas que estão a ser implementadas na marca Silestone, “depois de mais de 30 anos de liderança no sector as superfícies decorativas destinadas à arquitectura e design”. A nível externo, o responsável da Cosentino Iberia destaca a adopção de uma nova imagem corporativa, “que reivindica valores como a essência, a inovação, a responsabilidade ou o humanismo, e que enaltece a importância de viver os distintos espaços de casa, aproximando-nos das novas gerações através de novos códigos de comunicação”. No entender de Miguel Silveira, a nova identidade visual está alinhada com a transformação interna que está a ser implementada na Silestone, “que se traduz na exclusiva e pioneira tecnologia HybriQ, onde a responsabilidade enquanto empresa, a sustentabilidade e a economia circular assumem um maior protagonismo”.

Nova colecção
“Sunlit Days é o resultado de tudo isto e é também a primeira colecção neutra em carbono no sector das superfícies de quartzo e em qualquer variante de pedra artificial. Com este novo marco, estamos mais uma vez a demonstrar o nosso compromisso com a sustentabilidade. Sunlit Days é uma colecção de cinco cores que nos leva numa viagem ao Mediterrâneo e nos liga à natureza. Um aspecto chave desta colecção é a cor, esse ponto diferenciador que tem feito da Silestone um líder na indústria desde o seu início. Os tons Faro White, Cincel Grey, Arcilla Red, Cala Blue y Posidonia Green, são também inspirados por quatro histórias reais que são incríveis, emocionantes, e que convido todos a conhecer. Sunlit Days é essência na sua forma mais pura”, considera Miguel Silveira.

Inovação alargada
Questionado sobre a possibilidade de a tecnologia HybriQ+ ser replicada a outras colecções, à imagem do que acontece agora com a Sunlit Days, o responsável da Cosentino Iberia confirma que a tecnologia é, desde há alguns meses, “o presente e o futuro do Silestone”. “As próximas colecções a serem criadas para a marca, bem como toda a sua actual gama de cores, serão fabricadas com HybriQ. Dentro de alguns meses, 100% da sua produção será realizada utilizando esta nova tecnologia com a qual criámos um novo padrão no mercado de superfícies para arquitectura e design, e com a qual mudámos o paradigma da categoria conhecida como superfícies de quartzo”, refere. No que respeita à composição, Miguel Silveira salienta que HybriQ para Silestone utiliza uma nova formulação híbrida de matérias-primas minerais com desempenho igual ou melhor que o quartzo, e materiais de origem reciclada.

Isto torna possível reduzir uma alta percentagem da utilização de sílica cristalina na sua composição. Em termos de produção, HybriQ é um dos marcos ambientais da empresa, tal como a utilização de 99% da água reutilizada dos processos de produção e 100% da energia eléctrica renovável”, diz

COLECÇÃO NEUTRA

De acordo com a Cosentino, Faro White, Cincel Grey, Arcilla Red, Cala Blue e Posidonia Green são mais do que apenas os nomes de cinco cores. “Representam histórias, experiências e expressões. Um tributo a um estilo de vida de pessoas reais, que encontraram o seu propósito através da essência do mediterrâneo”, assegura a empresa. Faro White representa o branco do Mediterrâneo e suas paredes ensolaradas, transmitindo pureza, simplicidade e serenidade. Inspirada nos faróis que apontam o caminho dos navios, essa cor também se caracteriza por uma textura sedosa e macia. “Faro White é um hino para as pessoas que amam a vida”, asseguram os responsáveis da Cosentino, que acrescenta que Cincel Grey é um cinza sedoso de grão fino, um tom que tem o melhor desempenho quando banhado pela luz. É neutro e versátil, equilibrado entre quente e frio. “A sua textura macia é cativante”, acrescentam. “O Mediterrâneo respira fogo e o seu sangue parece fluir em diferentes partes de sua geografia. É isto que representa Arcilla Red, um tom de terra avermelhada que nos faz apaixonar, com o gosto do melhor vinho e o cheiro a terra molhada… Essência, explosão de cor, força, paixão e muito carácter. Sua textura macia combina harmoniosamente com sua beleza”, explicam, acrescentando que Cala Blue é um azul profundo e sofisticado que vibra com o resto dos elementos que o rodeiam. “A sua textura reproduz a suavidade do mar”, concluem.

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Odivelas: “Casa da Quinta” vale prémio de Arquitectura a Catarina Alves

“Para além de ser uma obra com uma enorme simbologia pessoal e familiar, a Casa da Quinta representa tudo aquilo em que eu acredito do ponto de vista da arquitectura e do design de interiores”, explica a arquitecta

Ricardo Batista

O projecto Casa da Quinta, em Caneças, assinado pela arquitecta Catarina Alves, foi o grande vencedor do galardão municipal de arquitectura do concelho de Odivelas, uma iniciativa promovida pela autarquia e que procura “honrar construções novas, ou que estejam em recuperação, que privilegiem a qualidade arquitectónica e o enquadramento urbanístico do projecto, e que contribuam para a valorização do património arquitectónico e urbanístico do Concelho de Odivelas.

Segundo a organização, o projecto da Casa da Quinta “surge com o intuito de elevar as características de uma zona rural, em Caneças. Da sua narrativa fazem parte as linhas tradicionais e o telhado de duas águas, as fachadas lisas brancas, pontualmente rasgadas por vãos de alto a baixo, com as suas portadas de ar rústico inspiradas nos antigos celeiros”.

Inserida numa envolvente de 2 hectares de campo, a área onde hoje surge a Casa da Quinta, constituiu no passado um conjunto de construções das quais faziam parte: casas de caseiros e de animais. ​

Com cerca de 200m2 de implantação a Casa da Quinta desenvolve-se num único piso térreo, desenhado e pensado para um contacto constante com o exterior, repleto de oliveiras centenárias.​

No design de interiores adoptou-se uma linha que alia antigo e moderno, seja através dos revestimentos, texturas, cores, mobiliário ou elementos decorativos utilizados.

“Ver o projecto da Casa da Quinta distinguido com o prémio municipal de arquitectura do concelho de Odivelas é para mim motivo de grande orgulho e emoção”, começa por revelar Catarina Alves. “Para além de ser uma obra com uma enorme simbologia pessoal e familiar, a Casa da Quinta representa tudo aquilo em que eu acredito do ponto de vista da arquitectura e do design de interiores”, sustenta.

“Este prémio é também um passo muito importante para a marca que criei. A Casa da Quinta foi o pretexto, o começo e a engrenagem para a concepção da CATE, que pretende dar alma às casas portuguesas”, concluiu a arquitecta, citada em comunicado. Recorde-se que Catarina Alves é fundadora da marca CATE que está vocacionada para a arquitectura, design de interiores e lifestyle.

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Concurso para nova ponte no Douro recebeu 27 propostas

Fruto de um investimento de 50 milhões de euros, a nova ponte, que será executada entre 2023 e 2025, em simultâneo com a segunda linha de Gaia, vai nascer a cerca de 500 metros a nascente da Ponte da Arrábida

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O concurso público de concepção da nova ponte sobre o Douro que servirá a rede de metro, ligando a Casa da Música, no Porto, a Santo Ovídio, em Gaia, recebeu 27 propostas provenientes de todo o Mundo.

Fruto de um investimento de 50 milhões de euros, a nova ponte, que será executada entre 2023 e 2025, em simultâneo com a segunda linha de Gaia, vai nascer a cerca de 500 metros a nascente da Ponte da Arrábida. De acordo com informação divulgada pela Metro do Porto, “sendo parte fulcral da nova linha de Metro que servirá também a Estação das Devesas e impulsionando uma interface modal com os comboios, a nova ponte (tal como a linha) está inscrita no PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) e tem que estar concluída até 31 de Dezembro de 2025”.

Após verificação e validação das propostas aceites a concurso, o júri vai seleccionar as três candidaturas mais valorizadas. Esta equipa é composta por 11 elementos, entre eles o arquitecto Eduardo Souto de Moura, Prémio Pritzker de 2011, em representação da Câmara do Porto. Integra ainda o painel Lúcia Leão Lourenço, que preside, Joana Barros, Victor Silva e Miguel Osório de Castro (os quatro representantes da Metro do Porto); Inês Lobo e Alexandre Alves Costa, (ambos em representação da Ordem dos Arquitectos); Rui Calçada e Júlio Appleton (indicados pela Ordem dos Engenheiros); Amândio Dias (da Direcção Regional de Cultura do Norte) e Serafim Silva Martins (pela Câmara de Gaia). O projecto vencedor será conhecido no segundo semestre de 2021, depois da realização do concurso para a construção, sendo previsível que o arranque das obras aconteça nos primeiros meses de 2023.

Recorde-se que o concurso público internacional de concepção foi lançado em 16 de Março, numa cerimónia presidida pelo primeiro-ministro, António Costa.

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Abrantes anuncia projecto de reconversão do antigo Mercado

Vai agora avançar o projecto de execução, propondo a reconversão parcial e ampliação do edifício para funcionar como multiusos

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Localizado no centro histórico de Abrantes, o edifício do antigo Mercado Municipal de Abrantes, da autoria do engenheiro Bernardo Moniz da Maia, foi construído em 1932. Em 1948, face ao mau estado de conservação do edifício, foi realizada uma intervenção de reabilitação geral e ampliação, da autoria do arquitecto António Varela e do engenheiro Jorge de Sena. O edifício foi objecto de intervenções pontuais de conservação mantendo-se, porém, na generalidade, com fragilidades do ponto de vista funcional e estrutural.

Em 2015, foi inaugurado o novo edifício do Mercado Municipal, localizado também no centro histórico da cidade de Abrantes, com linguagem contemporânea. Importava, pois, reconverter o antigo edifício do Mercado. O objectivo é que este seja transformado num espaço multiusos.
A proposta vencedora, ganha pelos arquitectos José Maria Cumbre e Nuno Sousa Caetano, mantém e preserva as duas fachadas principais do edifício, em linha com o compromisso assumido pelo actual Executivo Municipal e de acordo com o que estava expresso no programa preliminar do concurso.

O trabalho de concepção classificado em primeiro lugar será agora desenvolvido para a concretização do projecto de execução, propondo a reconversão parcial e ampliação do edifício para funcionar como multiusos. Prevê-se para o primeiro andar, um espaço aberto (open space) vocacionado para a realização de eventos destinados a iniciativas dirigidas para o público jovem, mas também para eventos expositivos, colmatando a ausência em Abrantes de um espaço com essas condições. Esse espaço poderá acolher eventos como a Feira Nacional de Doçaria, feiras de artesanato e outras iniciativas para promoção das tradições da região ou eventos de cariz económico. Uma praça exterior, confinante com a subida/descida da Avenida 25 de Abril, zonas pedonais acessíveis em redor do edifício, linguagem arquitectónica consentânea com o parque do Vale da Fontinha, facilitando a mobilidade no acesso ao edifício (elevadores) e a entrada no centro histórico da cidade, dotando-a de uma identidade urbana, são outras propostas do projecto vencedor.

Foram 53 projectos apresentados ao concurso internacional para elaboração do projecto. O júri, composto por Manuel Valamatos, presidente da Câmara Municipal, pelo arquitecto convidado, Victor Mestre e pelo arquitecto Luís Pedro Pinto, indicado pela secção Regional de Lisboa e Vale do Tejo da Ordem dos Arquitectos, entidade técnica parceira da Câmara neste processo, congratulou a qualidade e diversidade das soluções apresentadas.

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“Inestimável contributo” no urbanismo valeu prémio Viana Praxis a Távora

O arquitecto Fernando Távora foi agraciado a título póstumo, numa iniciativa que terminou com a inauguração de uma exposição dedicada ao Prémio de Reabilitação Urbana de Viana do Castelo

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A Câmara Municipal entregou os prémios da primeira edição Viana Práxis – Prémio de Reabilitação Urbana de Viana do Castelo, tendo distinguido com o Prémio Carreira, a título póstumo, o arquitecto Fernando Távora, pelo inestimável contributo para o desenvolvimento urbanístico de Viana do Castelo.

O Prémio Carreira foi seleccionado, por unanimidade, pelo júri constituído pela Câmara Municipal, a Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Protecção do Património, a Associação Portuguesa de Municípios com Centro Histórico, a Ordem dos Arquitectos, a Ordem dos Engenheiros, a Universidade do Porto, a Universidade do Minho, a Escola Superior Gallaecia e o Instituto Politécnico de Viana do Castelo.

Na categoria “Reabilitação de Edifícios”, foi distinguido com Menção Honrosa o Edifício Melo Alvim, situado na Avenida Conde da Carreira.
No âmbito do programa da cerimónia de atribuição de prémios, foi também promovida uma conferência com comunicações sobre o tema “Cidade, Património e Reabilitação” pelos membros do júri e uma tertúlia com os membros da comissão científica, sobre a reabilitação urbana e património.

O programa terminou com a inauguração de uma exposição dedicada ao “VIANA PRÁXIS – Prémio de Reabilitação Urbana de Viana do Castelo”, que está patente nos Antigos Paços do Concelho. A mostra pretende destacar as obras candidatas ao prémio Reabilitação de Edifícios e o Prémio Carreira, onde estarão patentes alguns esquissos, desenhos, e maquete da autoria do arquitecto Fernando Távora, em colaboração com a Fundação Marques da Silva.

Integrada na exposição está também uma experiência virtual de modelação 3D em holograma, de alguns edifícios da Avenida dos Combatentes, da autoria do Instituto Politécnico de Viana do Castelo. No mesmo espaço poderá ainda ver-se imagens de obras municipais em curso, designadamente projecção do novo Mercado Municipal e da futura Praça Viana.

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Quatro portugueses na corrida ao World Architecture Festival

Os representantes portugueses figuram entre as 292 obras nomeadas, de 47 países. Os autores das obras nomeadas vão, ao longo dos três dias, defender as suas criações perante um júri

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São quatro os projectos portugueses que figuram na lista de nomeados aos prémios do Festival Mundial de Arquitectura (World Architecture Festival), um dos mais conceituados eventos mundiais dedicados à divulgação da arquitectura e as suas boas práticas e cuja entrega de troféus vai acontecer em Lisboa, entre 1 e 3 de Dezembro.

Na categoria “Saúde”, a ampliação da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, assinada pelo atelier Ventura + Partners é um dos projectos candidatos ao troféu, a que se junta a Eco-House Monte Caliça, nomeada na categoria “Natureza” e assinada pelo atelier A+Architecture. Na categoria de “Edifícios de Habitação”, o atelier liderado por Manuel Ventura volta a ser reconhecido, desta feita pelo edifício Essenza (Porto), enquanto que na categoria “Educação” figura o nome de Capinha Lopes, autor do projecto da United Lisbon International School, em Lisboa.

Os representantes portugueses figuram entre as 292 obras nomeadas, de 47 países. Os autores das obras nomeadas vão, ao longo dos três dias, defender as suas criações perante um júri.

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Aljustrel: Convento da Piedade vai ser reconvertido em hotel rural

No total prevê-se que o convento disponibilize sete unidades de alojamento, que serão complementadas por mais três unidades previstas para o Monte da Horta do Cabo (Messejana)

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O arquitecto Pedro Lagrifa Oliveira é o autor do projecto de arquitectura que sustenta reabilitação/conservação do Convento de Nossa Senhora da Piedade, da Ordem de São Francisco, em Messejana, em empreendimento turístico em espaço rural, um investimento estimado em dois milhões de euros cujo pedido de licenciamento deu já entrada nos serviços da Câmara de Aljustrel.

A confirmação foi feita pelo próprio município alentejano, que adianta, em comunicado, que “esta intervenção visa contribuir para a conservação da ruína do convento franciscano de Nossa Senhora da Piedade, respeitando a sua identidade e sem descaracterizar o conjunto edificado”.

A autarquia recorda que este é um processo que tem vindo a ser acompanhado pelo serviços da câmara, nomeadamente nos últimos dois anos, e o objectivo é que este importante património, do ponto de vista arquitectónico e histórico, seja salvaguardado, mas potenciando-se todas as suas mais-valias, atraindo-se para Messejana, para o Concelho de Aljustrel e para a região mais um projecto de investimento.

Destina-se, por isso, esta intervenção à instalação de um empreendimento turístico em espaço rural, nomeadamente na categoria de Hotel Rural, sendo que na proposta apresentada os volumes não excedem os dois pisos acima da cota de soleira.

No total prevê-se que o convento disponibilize sete unidades de alojamento, que serão complementadas por mais três unidades previstas para o Monte da Horta do Cabo (Messejana), que se encontra em apreciação no pedido de licenciamento apresentado ao Município de Aljustrel. Desta forma, este hotel deverá disponibilizar 10 unidades de alojamento.

Após a aprovação do Licenciamento do Projecto de Arquitectura, mas antes do início do Projecto de Execução, está prevista a realização de uma primeira campanha arqueológica.

Posteriormente, antes do início da obra e se necessário no decurso da mesma, será realizada uma segunda campanha arqueológica, de escavação, nos locais que venham a ser considerados oportunos, previamente identificados por uma equipa técnica especializada. Dos trabalhos arqueológicos a realizar no local espera-se que venham a ser reveladas mais informações que nos permitam clarificar em maior rigor a organização espacial do convento e a sua evolução construtiva.

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“Cerca de seis mil arquitectos não estão a exercer a actividade de projecto”

Byrne reconhece que a Ordem estava, até agora, muito orientada para quem executa projecto, “ignorando” quem está nas tutelas

Cidália Lopes

Um ano depois de ganhar as eleições para a Presidência da Ordem dos Arquitectos, Gonçalo Byrne faz o balanço de um mandato em tudo “atípico”. Em entrevista à Traço, revela que foi um ano para “arrumar a casa”. Para isto, avançou (finalmente) a regionalização com a criação de sete secções, divididas pelo Continente e Ilhas, que estão agora a “entrar em velocidade cruzeiro”. Num momento em que o Governo pretende apostar numa verdadeira política de habitação, Gonçalo Byrne quer abrir as portas para que esta política seja feita de mãos dadas com uma verdadeira política de arquitectura, a par com as engenharias

Recuando um pouco sobre o mandato na Ordem, considera que um dos objectivos é que os arquitectos tenham uma maior representatividade. Havia muito a ideia de que a arquitectos e Ordem estavam de ‘costas voltadas’…
E ainda estão. Repare: falei numa representatividade de cerca de 27 mil arquitectos que estão inscritos na Ordem, mas a questão é que a Ordem tem vivido muito no sentido do arquitecto que faz projectos. Hoje em dia, cerca de seis mil arquitectos não estão a exercer a actividade de projecto, mas sim naquilo a que se chamam as tutelas, nos serviços camarários, nas instituições administrativas do Governo Central ou do aparelho do Estado, desde a Direcção Geral da Cultura, até às CCDR’s, ou organismo do Planeamento, entre outros.

E atenção que a presença da arquitectura nestas entidades é importantíssima também. Não é de todo um exercício de segunda classe, mas sim um exercício de primeiríssima classe, porque, de um modo ou de outro, quer os projectistas, quer as tutelas estão envolvidas num processo em que há uma economia de produção que tem a ver com a melhoria da qualidade do território, com a melhoria da qualidade do espaço público, a melhoria da qualidade da cidade, do construído, da habitação.

Ou seja, quem está na tutela deve sentir que contribui porque efectivamente também é arquitectura…
Claro que sim…E tem que haver aqui um processo de diálogo. Mas por outro lado, de co-responsabilização dos dois lados, porque o que está de facto em causa, é a qualidade do desempenho, não numa perspectiva elitista, mas numa perspectiva de direito obrigatório, de resto estabelecido na Constituição Nacional de que todos os portugueses têm direito a um território de qualidade, a uma habitação de qualidade, a um espaço público de qualidade e isto é, claramente, uma missão que tem que ser desempenhada pela arquitectura. Este tema da qualidade e da responsabilidade é um tema central no desempenho.

E daí, virão, obviamente, outras questões relacionadas com as Políticas de Habitação e da implementação de programas, onde o papel dos arquitectos é fundamental…
Obviamente. Não só nas políticas de habitação como nas políticas das infraestruturas. As infraestruturas são elementos essenciais para o desempenho das mobilidades, mas têm implicações no território, quer de caracter arquitectónico, quer, por exemplo, de arquitectura de paisagem. Portanto, a convocatória do projecto de infraestruturas não pode ser apenas um trabalho de engenharia, que é obviamente fundamental e inquestionável, porque as engenharias têm que se pronunciar sobre a eficácia e a eficiência do funcionamento, mas também do desempenho das novas tecnologias, dos transportes, tudo isso, mas não podem ficar só por ai porque está em causa a possível rotura de zonas do território, a possível desqualificação e portanto as arquitecturas têm que estar presentes neste discurso. Na habitação é obvio, como, por exemplo, no planeamento das CCDR. As CCDR estão atentas a isso, e há uma coisa que se chamam as Políticas Nacionais da Arquitectura e Paisagem, que hoje é um documento oficial e que pressupõe o envolvimento pleno da arquitectura, do paisagismo, na reconstrução, na transformação, na adaptação, também, das cidades.

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“Assistimos à erosão dos sistemas de contratação pública”

“A legislação actual não obriga a que a contratação se resuma ao custo mais baixo” lembra o presidente da Ordem dos Arquitectos, em extensa entrevista à TRAÇO

Cidália Lopes

A profissão de arquitecto, critérios de contratação, desafios que unem arquitectos e engenheiros e até os receios de práticas colonizadoras na boa vontade europeia. Byrne em discurso directo

Mas continuamos a ter muitos projectos onde é notória a falta de planeamento a longo prazo e continuamos a ter a percepção, no terreno, de que não existe esse trabalho conjunto. Não concorda?
Acho que pôs o dedo na ferida quando falou no termo ‘a longo prazo’. Isso é tão mais evidente agora que se recorre abundantemente ao argumento da urgência da implementação. Ao longo dos últimos 10 anos, eventualmente um pouco mais, foi terrível porque há uma erosão enorme nos mecanismos de desempenho das estratégias a médio e longo prazo do ponto de vista da qualidade. E dou-lhe um exemplo: a questão da qualidade da habitação acessível e a custos controlados. Se começarmos ainda antes do 25 de Abril, a Câmara de Lisboa tinha uma coisa que se chamava o Gabinete Técnico da Habitação, que desenvolveu os planos de Olivais Norte, Olivais Sul e Chelas, com uma serie de infraestruturas que exigiam qualidade na definição dos planos, dos projectos, no desempenho, a custos controlados, porque estávamos a falar claramente de habitação social. Com quatro categorias, mas não deixava de ser habitação social.

E essa infraestrutura tinha não só engenheiros, arquitectos, paisagistas, como tinha, também, sociólogos, juristas, economistas. O primeiro balão de ensaio foi Olivais Norte e quando se passou para Olivais Sul e para Chelas, houve já trabalhos de verificação sobre o que é que tinha sido feito para corrigir e melhorar na segunda fase e na terceira fase. Esta questão transita, a seguir ao 25 de Abril, para os processos SAAL, que ainda tinham mecanismos de acompanhamento, de exigência de projecto e de qualidade, depois para as cooperativas e para o Fundo Fomento de Habitação. Hoje em dia, estas estruturas foram herdadas pelo IHRU, que é quem está neste momento a coordenar todo o investimento na habitação, e que está a fazer um esforço tremendo, que eu reconheço, mas efectivamente está completamente desguarnecido de estruturas. Nós estamos em 2021 a fazer projectos de habitação acessível para uma sociedade numa situação pós-pandémica, em que as tipologias têm que ser todas repensadas.

Isto está a ser desenvolvido parcialmente, por exemplo, nos programas de habitação acessível da CML porque há enquadramento para este tipo de novas tipologias, de novas exigências, de maior contacto com o exterior, espaço exterior, maiores áreas repensadas devido ao teletrabalho, proximidade da natureza, entre outros. Mas arrisco dizer que mais de 90% das autarquias, apesar da boa vontade, estão completamente desprotegidas e não têm instrumentos, nem capacidade. Os únicos argumentos que se ouvem passam pela “urgência” e “desempenho”. Só se ouve falar em números. Este era, de facto, um momento único que o País tinha para fazer um grande salto qualitativo… A Ordem está a tentar estabelecer relações com os municípios, a tentar ajudar dentro do possível. Há aqui situações gravíssimas Depois da crise de 2009 e até mesmo aos dias de hoje, assistimos à erosão dos sistemas de contratação pública, outro tema muito grave e que não tem só a ver com a legislação, mas sobretudo com a maneira como essa legislação é implementada.

Mas essa é ainda uma questão que, apesar de bastante falada, tarda em ter efeitos práticos…
A necessidade de alterar é óbvia e gostava de dizer que não é um ‘cavalo de batalha’ só dos arquitectos, mas também dos engenheiros ou dos paisagistas. Mas há também a questão da forma como é aplicada a legislação actual. Ou seja, a legislação actual não obriga a que a contratação se resuma ao custo mais baixo. A legislação actual tem outros modelos que podem ser utilizados pelas câmaras e pelas administrações públicas onde há critérios de selecção de qualidade.

Então nesse caso é uma escolha das entidades públicas?
É claramente uma escolha da administração pública e que se justifica por dois motivos: primeiro porque é o processo mais fácil e segundo porque estão convencidos que é o processo mais barato. E não é claramente assim. O mais barato está a levar a bloqueio de processos por todo o lado, empreitadas que ficam paradas e está a promover a precariedade do trabalho e então no âmbito dos projectistas, paisagistas, engenheiros, precariedade e dumping, que é claramente dois argumentos contra a contratação e o crescimento de mercado.

O que está a acontecer é que se adoptam regras de mercado que vêm da OCDE mas que têm resultados na Europa Ocidental e do Norte porque o mercado tem estruturação suficiente para não sucumbir a esta penúria e a esta gestão. Quando chega à Europa Meridional, isto não acontece e está a gerar uma desregulação do mercado. Isto é escandaloso, gravíssimo e não se está a ver nenhum movimento, apesar das pressões dos engenheiros e dos arquitectos para alterar isto. Mais: há a questão da gestão, e eu acho que se construiu esta história da enorme facilidade com que se adjudicam coisas a preços completamente escandalosos, exigindo, por outro lado, cada vez mais, prestações faraónicas. Cada vez é preciso um maior número de especializações no projecto, maior controlo do projecto, em termos acústicos, térmicos, entre outros, porque estamos perante um Green Deal que é absolutamente vital para evitar o suicídio colectivo do planeta.

Créditos fotografia: Frame It

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Loulé: Moradia de Souto de Moura proposta para “Monumento Nacional”

Consideram os responsáveis municipais ser este “um testemunho do património arquitectónico contemporâneo do séc. XX, na categoria de arquitectura civil e na tipologia habitacional”

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Depois de a Câmara de Loulé ter proposto a classificação de uma moradia da Quinta do Lago, assinada por Souto de Moura, como “Monumento de Interesse Nacional”, agora é a vez da Direcção-Geral do Património manifestar interesse em classificar o edifício, encarado como “exemplar da arquitectura contemporânea”.

A referida casa situa-se no coração deste empreendimento turístico, na Avenida Ayrton Senna, 33, no Loteamento Golfe Norte, freguesia de Almancil.

Consideram os responsáveis municipais ser este “um testemunho do património arquitectónico contemporâneo do séc. XX, na categoria de arquitectura civil e na tipologia habitacional” e como tal, esta classificação – caso venha a efectivar-se – será também o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo Município com vista à “valorização e divulgação do seu património enquanto factores decisivos para a preservação da sua memória colectiva”.

Ainda dentro desta política para o património, a Câmara Municipal de Loulé pretende igualmente que a Casa Senhorial da Quinta de Quarteira, mais conhecida como “Estalagem da Cegonha”, venha a ser reconhecida como “Imóvel de Interesse Municipal”.

O emblemático conjunto edificado datado do século XV, que reúne vários edifícios que compõem actualmente o complexo hípico da Estalagem da Cegonha, localizado em Vilamoura, freguesia de Quarteira, “testemunho vivo” da história de Loulé e da transformação e desenvolvimento de Portugal nos meados do século XV. “Esta proposta é de primordial importância e tem como objectivo final a preservação deste bem patrimonial e a potenciação dos seus valores culturais e identitários, adianta a Autarquia de Loulé”.

Ambas as propostas serão agora remetidas para discussão na Assembleia Municipal de Loulé.

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Arquitectura polaca do pós-guerra exposta em Lisboa

A Arquitectura de Jadwiga Grabowska-Hawrylak apresenta-se no Palácio Sinel de Cordes, casa da Trienal, de 13 de Julho a 18 de Setembro

Ricardo Batista

Depois da passagem por Nova Iorque, a sede da Trienal de Lisboa recebe a exposição de um dos nomes mais importantes da arquitectura polaca da sua geração, firmando cada vez mais este pólo cultural como espaço de programação dedicado ao pensamento e à prática da cultura arquitectónica contemporânea.

Patchwork: A Arquitectura de Jadwiga Grabowska-Hawrylak apresenta-se no Palácio Sinel de Cordes, de 13 de Julho a 18 de Setembro de 2021.

Esta retrospectiva evidencia não só o extenso e precursor trabalho da arquitecta — pela sua genialidade e afirmação enquanto mulher numa área dominada por homens, — como abre as portas à história de Wrocław, uma cidade que, outrora, foi a maior metrópole dos territórios orientais da Alemanha e que, em 1945, foi concedida à Polónia, com o fim da Segunda Guerra Mundial.

Patchwork revela um importante conjunto de 24 projectos concebidos por Jadwiga Grabowska-Hawrylak entre 1954 e 1993. Entre propostas mais especulativas e outras mais pragmáticas, das quais 12 obras construídas, na exposição pode descobrir-se a obra da arquitecta através de desenhos, fotografias e maquetes, incluindo um modelo com quase seis metros de altura, à escala 1:10, de Manhattan, o enorme e escultural complexo habitacional que se tornou o seu projecto mais emblemático, assim como o símbolo das aspirações daquela cidade polaca.

Apesar das mudanças nas tendências da arquitectura, o patchwork costurado por Grabowska-Hawrylak em Wrocław permanece, até hoje, como uma das suas facetas mais interessantes, e continua a ocupar um lugar importante no imaginário colectivo de quem habita e visita a cidade.

A exposição em Lisboa resulta de uma co-produção com o Museu de Arquitectura de Wrocław, o Instituto Adam Mickiewicz e o Ministério da Cultura e do Património Nacional da República da Polónia.

Sobre o autorRicardo Batista

Ricardo Batista

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