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Engenharia

Ecoinside quer tornar empresas ecoeficientes

Assume-se como uma empresa tecnológica de energias renováveis e está a investir forte em inovação, mas não só. O ano passado a empresa criou um fundo de investimento de capitais próprios, no valor de 15 M€, destinado a apoiar as empresas portuguesas na transição energética e na redução de consumo de energia

Manuela Sousa Guerreiro
Engenharia

Ecoinside quer tornar empresas ecoeficientes

Assume-se como uma empresa tecnológica de energias renováveis e está a investir forte em inovação, mas não só. O ano passado a empresa criou um fundo de investimento de capitais próprios, no valor de 15 M€, destinado a apoiar as empresas portuguesas na transição energética e na redução de consumo de energia

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Manuela Sousa Guerreiro
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A tecnológica de energias renováveis vai estrear um método inovador de instalação de painéis solares com recurso a estruturas de betão, em oposição à tradicional estacaria metálica. Desenvolvido em parceria com a Presdouro e a Cimenteira do Louro, este projecto é 100% português. Segundo a Ecoinside, o projecto contempla ainda “a avaliação ambiental da obra, através da contabilização dos resíduos gerados e o impacto na biodiversidade, com o objectivo de desenvolver um modelo de centrais fotovoltaicas mais sustentável, com menores impactos na biodiversidade dos locais e com menor desperdício associado”, explica Joaquim Guedes, CTO (Chief Technology Officer) e sócio-fundador da Ecoinside.

O método de instalação distingue-se pelo facto de consistir “numa estrutura em betão, adaptável a qualquer tipo de painel solar que se pretenda instalar, em oposição às tradicionais formas de fixação de painéis em projectos no solo, o que reduz custos de mão de obra, graças a uma instalação mais simples e célere, e evita a realização de estudos geotécnicos exaustivos”.
O CTO da Ecoinside refere ainda que a solução técnica em betão é composta por duas peças fabricadas em separado para permitir uma maior agilidade e eficiência no transporte e na sua montagem, “trata-se de uma solução concebida para acomodar os diferentes tamanhos de módulos e que permite o ajuste da sua inclinação, adequando-se, dessa forma, a todo o tipo de projectos e localizações”, assegura.
A nova técnica será aplicada primeiro na unidade fabril da UPREL, em Estarreja, onde a Ecoinside está a instalar uma central fotovoltaica, a qual será responsável por mais de metade da energia necessária ao funcionamento da fábrica, gerando uma poupança anual na factura de energia de cerca de 12 mil euros. “Esta técnica será utilizada na Uprel e, num período muito curto, em duas outras centrais que já temos contratualizadas e que arrancarão com os trabalhos de construção muito em breve. No entanto, não será utilizada em todas as centrais construídas pela Ecoinside. A avaliação inicial às condições do terreno é que permitirá escolher a solução mais adequada”, justifica Joaquim Guedes.

Fundo incentiva indústria a ser ecoeficiente

A Ecoinside é especialista em eficiência energética, energias limpas, sustentabilidade e mobilidade eléctrica, contando com um portfólio de mais de 200 clientes, entre indústrias, autarquias e empresas, de norte a sul do país. “Actuamos em cinco grandes áreas, energias renováveis, eficiência energética e hídrica, gestão de energia, sustentabilidade e mobilidade eléctrica”, o que lhe confere uma perspectiva de 360º sobre o sector. “Diria que temos três grandes factores que nos distinguem da concorrência: a experiência feita, o know-how em ecoeficiência e a sustentabilidade, que nos permite entender todos os vectores energéticos e recursos de uma instalação de uma forma integrada”.

O ano passado a empresa criou um fundo de investimento de capitais próprios, no valor de 15 milhões de euros, destinado a apoiar as empresas portuguesas na transição energética e na redução de consumo de energia. “O fundo permite que as empresas instalem sem investimento próprio, por exemplo, centrais fotovoltaicas que produzem electricidade a partir de energia solar, nas suas instalações, para aí ser consumida”, justifica Joaquim Guedes.

Cada vez maior é o número de empresas nacionais que opta por investir em projectos de energia para autoconsumo. Mas segundo o sócio-fundador da Ecoinside este crescimento ainda não se reflectiu nas contas da empresa. “Não nos podemos esquecer que, apesar do preço da electricidade estar a aumentar drasticamente, a crise pandémica que vivemos teve um impacto bastante negativo ao nível do adiamento de decisões de investimento, o que já em 2020, não permitiu o fecho de alguns negócios previstos com a Ecoinside”, relembra.
Com o crescimento dos preços de energia no mercado e o anúncio de novos apoios – onde se inclui a esperada alteração legislativa que facilitará os licenciamentos na instalação destes projectos – o sector deverá agora acelerar o ritmo.

“Nos últimos meses, temos sentido o retomar da confiança do mercado e isso é demonstrado pelas manifestações de interesse e pelo aumento do desenvolvimento dos projectos. No entanto, e no nosso mercado alvo, os processos são longos, desde os contactos e questões comerciais até à construção da central, são necessários vários meses. Pelo que o seu impacto no volume de facturação deverá reflectir-se sobretudo em 2022. Para este ano prevemos que o nosso volume de negócios se mantenha idêntico ao de 2020, o que é bastante positivo, mas esperamos ter um forte crescimento em 2022”, adianta Joaquim Guedes.

Uma expectativa suportada pelos vários projectos de novas centrais fotovoltaicas, de média e grande dimensão, que a empresa está a negociar e que vão ter impacto acentuado no seu volume de negócios já a partir do próximo ano.

Também em 2022 irá arrancar a construção das novas instalações da Ecoinside, as quais “contarão com um laboratório de testes e ensaios, o que nos permitirá, para além de dinamizar alguns projectos de inovação que temos em mente, dar uma resposta mais eficaz e célere aos nossos clientes. As novas instalações irão permitir o nosso crescimento em recursos humanos, com melhores condições técnicas e operacionais, pelo que estou certo que vai potenciar o nosso ecossistema criativo e de comprometimento com a nossa missão”, conclui Joaquim Guedes.

Projectos em destaque

Pedimos a Joaquim Guedes que seleccionasse alguns dos projectos já implementados pela Ecoinside. A escolha não foi fácil, mas seja pela relação com o cliente, dimensão ou impactos gerados estas foram as suas escolhas:

Plasfil
Projecto de instalação de 6.660 metros quadrados de painéis fotovoltaicos na fábrica de termoplásticos destinados ao sector automóvel, que se situa na Figueira da Foz. O projecto, cuja dimensão equivale a um campo de futebol, permite à empresa uma poupança de 19% do consumo energético. O investimento permite a eliminação de 762 toneladas de CO2 lançadas para a atmosfera, o equivalente à plantação de cerca de 11.550 árvores.

Dominó - Indústrias Cerâmicas SA
Central fotovoltaica com mais de 3 mil painéis solares na unidade fabril de cerâmica, em Condeixa-a-Nova (Coimbra). O projecto, concluído em Abril deste ano, está a permitir a diminuição em mais de 600 toneladas a quantidade de dióxido de carbono lançada para a atmosfera anualmente. Com a implementação da unidade de autoconsumo (UPAC), a empresa especializada em pavimentos cerâmicos vai poder contar com uma poupança anual de cerca de 40% na factura de electricidade. A empreitada passou também pela substituição de 5 600 m2 da cobertura em fibrocimento (material que contem amianto na sua composição) do pavilhão.
Este projecto, que contou com financiamento de mais de 600 mil euros, resultou em significativas poupanças energéticas e ambientais, equivalentes à plantação de mais de 15 600 árvores por ano.

Aguarela do Mundo
O projecto na empresa do universo do Grupo S. Martinho, teve como objectivo claro a redução dos seus custos energéticos e impactos ambientais. Com uma potência total instalada de 1,74 MW, foi considerada uma das mais interessantes instalações no sector das bebidas. Os seus resultados conquistados são equivalentes à plantação de mais de 15 mil árvores e evitaram a emissão para a atmosfera de mais de mil toneladas de CO2 por ano.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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Imobiliário

Berkshire Hathaway HomeServices acelera plano de expansão em Portugal

A rede internacional de intermediação imobiliária acrescenta dois parceiros à sua rede para oferecer serviços nas regiões de Lisboa, Porto, Costa Litoral Alentejana e Algarve, no segmento do imobiliário de luxo

Cidália Lopes

A Berkshire Hathaway HomeServices, rede de intermediação imobiliária internacional que opera em Portugal em parceria com a Berkshire Hathaway HomeServices Portugal Property e com a Berkshire Hathaway HomeServices Atlantic Portugal continua a sua estratégia de expansão “acelerada” no País, “tendo em conta as potencialidades verificadas no mercado imobiliário português”.

A Berkshire Hathaway HomeServices tem vindo a conduzir uma análise aprofundada do mercado para encontrar parceiros estratégicos com perfil para integrar a sua rede.

Apesar do desaceleramento da economia mundial causado pela crise sanitária global, segundo a Berkshire Hathaway HomeServices, a procura de propriedades de prestígio em Portugal manteve um forte atractivo por parte dos investidores estrangeiros. Esta forma de investimento é, aliás, muito interessante devido ao baixo risco de desvalorização económica em caso de crise.

O plano estratégico de expansão da Berkshire Hathaway HomeServices em Portugal começou pelas áreas de Lisboa, Porto e Algarve, zonas que continuam a ser muito procuradas por investidores de alto nível, às quais se acrescenta, agora, a Costa Litoral Alentejana, com a zona da Comporta a ser apontada como um dos destinos mundiais favoritos para o investimento imobiliário no segmento de luxo.

“Fazer parte de uma rede de intermediação global permite atrair investidores de todas as partes do mundo e gerir patrimónios imobiliários exclusivos, desfrutando ao máximo das potencialidades do imobiliário português”, afirma Michael Vincent, CEO da Berkshire Hathaway HomeServices – Portugal Property. “Os incentivos fiscais para investidores estrangeiros são uma força motriz para as transacções imobiliárias internacionais, especialmente no segmento exclusivo do luxo. As zonas seleccionadas para o desenvolvimento em Portugal representam locais de interesse significativo para o perfil dos investidores estrangeiros”, acrescenta César Santos, CEO da Berkshire Hathaway HomeServices – Atlantic Portugal.

Parcerias com agências imobiliárias

O objectivo da Berkshire Hathaway HomeServices é expandir-se no território português através de parcerias com agências imobiliárias líderes na sua área de influência e realizar operações de relevância estratégica para o panorama imobiliário português. “A empresa é muito selectiva porque privilegia relações de longo prazo, que permita reforçar a sua presença no mercado e oferecer aos investidores um portfolio exclusivo de imóveis de prestígio, assente nos seus valores de confiança, integridade, estabilidade e longevidade”, reforça o responsável
Inglaterra, EUA e França.

Em relação aos principais investidores estrangeiros, os Estados Unidos da América, Reino Unido e França são os países com quem a Berkshire Hathaway HomeServices Atlantic Portugal mais trabalha, destaca, César Santos, CEO da empresa. E se Portugal já era há muito um lugar que despertava curiosidade para este tipo de investidores, o interesse aumentou, consideravelmente, com o crescimento de projectos na zona do Litoral Alentejano. Uma zona “claramente estratégica” para a Berkshire Hathaway HomeServices Atlantic Portugal.

Ainda a dar os primeiros passos, “não é possível para já ter uma estimativa quantificada”. “Esperamos, no entanto, investimentos de ordem superior dada a atractividade e exclusividade da região que atrai cada vez mais investidores de elite, interessados no segmento do luxo”.

Processo de compra e venda mais eficiente

Com oito escritórios de Norte a Sul e mais de 50 agentes, a Berkshire Hathaway HomeServices Portugal Property abrange o Porto, a Costa de Prata, Lisboa e o Algarve, representando resorts, propriedades urbanas e de luxo.
Especialistas no processo Golden Visa, com as alterações ao regime nos grandes centros urbanos como o Porto e Lisboa a entrar em vigor no final deste ano, a empresa foca-se também noutras regiões do Pais, tendo como principal estratégia “tornar todo o processo de compra e venda de um imóvel em Portugal o mais eficiente possível”, afirma Michel Vicent, CEO.

Também este responsável destaca o crescente número de britânicos como sendo os principais investidores estrangeiros em Portugal. Se em 2015 eram apenas 17 230 mil os cidadãos britânicos oficialmente registados no SEF, este número aumentou drasticamente atingindo os 46 mil em 2020, afirma Michel Vicent, naquilo que este responsável considera ser um claro “efeito indirecto do Brexit”. “No entanto, assistimos cada vez mais a uma maior movimentação de americanos devido à estabilidade política do país e ao sistema de saúde, assim como de brasileiros e italianos”.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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Opinião

Um novo normal

Torna-se crucial que as empresas se organizem para formarem associações mais fortes e capazes de liderar os processos de concorrência, sendo que, da parte dos donos de obra, também se exige adequada programação e transparência no lançamento das obras, para que estas posturas se complementem e gerem resultados virtuosos para os interesses nacionais

Subitamente, o mundo foi abalado por um evento inesperado, causado por um inimigo invisível, que motivou um grave problema de saúde pública, uma catástrofe social e económica, abalando o nosso quotidiano e pondo em causa grande parte das vivências que julgávamos naturais e garantidas.

Forçados a alterar hábitos e conceitos, começamos agora a emergir para uma nova realidade, que muitos designam como “um novo normal”, baseado numa alteração de paradigmas que terá necessariamente de encontrar reflexos na sociedade onde vivemos, porquanto gera grandes desafios e mudanças.

Com efeito, o sucesso e o acesso à vacinação massiva adveio da ciência e da investigação que, em prazos impensáveis, permitiram desenvolver vacinas e outras soluções médicas cruciais para vencer as primeiras batalhas, nas quais o papel dos profissionais de saúde foi reconhecidamente notável, mas também o dos engenheiros e da Engenharia no seu todo, como então oportunamente assinalámos.
Mas subsiste o problema das desigualdades e desequilíbrios mundiais em termos de pobreza e desenvolvimento, que não permitem um tratamento equitativo na maior parte dos países de África, da Ásia e até da América Latina, o que poderá induzir o desenvolvimento de novas estirpes que continuarão a contagiar locais e viajantes, pelo que a pandemia está longe da erradicação.
Tal como as questões climáticas, este combate também requer atuações solidárias, concertadas e à escala global, sem as quais não será possível a erradicação ou mitigação dos seus efeitos.

Hoje todos sabemos que nada, ou apenas muito pouco, irá ser como dantes.

Teremos de repensar sistemas e infraestruturas das cidades, adaptando-as a uma nova realidade e aumentando a sua resiliência, com uma visão absolutamente transversal, seja na mobilidade, nos espaços públicos, nas áreas de trabalho e, até mesmo, nas habitações.
Projetar, a partir de agora, terá de acautelar uma futura resposta a novos eventos similares de grande dimensão, que obriguem ao distanciamento e isolamento, devendo ser tido em conta que o teletrabalho e o comércio eletrónico vieram para ficar.
Desde sempre que o foco da atividade dos engenheiros foi a procura de soluções para os mais diversos problemas que se colocam à Humanidade e às sociedades e, nesse sentido, a criação de soluções para melhorar a qualidade de vida.
Protagonistas de uma profissão transversal e impulsionadores de progressão tecnológica e civilizacional, os engenheiros passam muitas vezes despercebidos, assegurando o funcionamento das estruturas básicas do país, incluindo as de saúde, mas são os atores principais da economia, pois a sua atividade cria valor acrescentado.

Neste momento que atravessamos, de transição de época e de paradigmas, também são os engenheiros que estão melhor posicionados para perceber e perspetivar o futuro.

Um futuro cada vez mais digital e tecnológico, que exige qualificação adequada, que terá de ser capaz de responder às alterações climáticas, preocupação prioritária das Nações Unidas, e de afirmar a importância da economia circular, pondo fim à linearidade finita dos recursos naturais e impondo medidas concretas na área das eficiências material, hídrica e energética.
A par, em Portugal, entrámos numa década de grandes investimentos, na qual a questão central passa pela capacidade técnica e empresarial para conseguirmos alocar 58.000 milhões de euros em 10 anos, uma vez que, depois da crise de 2009 e da destruição de algumas das maiores empresas nacionais (em particular da construção) e de mais de 300.000 trabalhadores terem abandonado a profissão, hoje não dispomos da capacidade então existente e temos grandes carências de mão-de-obra.

Por isso, torna-se crucial que as empresas se organizem para formarem associações mais fortes e capazes de liderar os processos de concorrência, sendo que, da parte dos donos de obra, também se exige adequada programação e transparência no lançamento das obras, para que estas posturas se complementem e gerem resultados virtuosos para os interesses nacionais.

A par, teremos de combater o nosso défice demográfico e criar condições apelativas para a fixação dos jovens qualificados e com elevado potencial, o que exige melhores enquadramentos salariais, mas também mais criação de riqueza.

O mercado da construção e do imobiliário, depois de ter vindo a crescer nos últimos anos, inicialmente alavancado por investidores na área da reabilitação urbana e do turismo, a quem devemos estar agradecidos, terá de saber adaptar-se agora a todos estes desafios, aproveitando para acelerar os processos de transformação a que a indústria da construção também terá de dar resposta.
Para esse efeito e para um novo futuro, os caminhos passarão inevitavelmente pelo combate à crise climática, por práticas de sustentabilidade, pelas eficiências hídrica, energética e material, novos materiais, recursos humanos qualificados e digitalização das atividades, áreas nas quais a Engenharia continuará a ser protagonista.

NOTA: O Autor escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico

Sobre o autorCarlos Mineiro Aires

Carlos Mineiro Aires

Bastonário da Ordem dos Engenheiros
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Engenharia

“Ganhar dimensão é importante para o mercado internacional”

A NRV – Norvia adquiriu a Elsamex Portugal e a LCW Consult. Em entrevista ao CONSTRUIR, Tomás Espírito Santo, CEO da NRV, sublinha o impacto que este crescimento terá num grupo cujo 50% do volume de negócio já é garantido no exterior

Elsamex e LCW são as duas mais recentes entidades do universo NRV. Com estas aquisições permitiram ao grupo somar 3,5 milhões de euros em volume de negócios e integrar 50 postos de trabalho. O grupo fechará as contas de 2021 com um resultado consolidado na ordem dos 15 milhões de euros e cerca de 220 colaboradores, 20% dos quais distribuídos pelos escritórios das várias participadas no grupo no mercado internacional.

Recentemente a empresa anunciou a aquisição de duas empresas – Elsamex e LCW – o que motivou esta aquisição? Como será feita a integração destas empresas no universo do grupo/empresa NRV?

As duas operações foram concluídas em Junho, mas estavam a ser preparadas há mais de um ano. Na verdade, prefiro falar de integração mais do que aquisição. Nestas operações, como nas anteriores, trata-se de integrar empresas que conhecíamos bem, com quem já colaborávamos, e que tinham especialização em áreas complementares às nossas. Por motivos vários, tinham fragilidades no seu projecto de futuro e nós sabíamos do know-how que dispunham e da qualidade das suas equipas – ou seja, eram valor acrescentado para a nossa estrutura. Mais: os valores eram os mesmos, a vontade de aprender igual à nossa e o modelo de gestão compatível. No fundo, havia condições para fazerem parte do nosso projecto.

Em que medida e que áreas saíram reforçadas na NRV?

Com a LCW trouxemos as Estruturas Especiais e com a Elsamex Portugal a Geologia e Geotecnica. Pontes, viadutos, barragens, obras subterrâneas, túneis, pavimentos rodoviários e aeroportuários, laboratórios de ensaio e controlo de qualidade: são todas áreas acrescentadas ou reforçadas dentro do grupo. As empresas mantêm-se autónomas sendo que a Elsamex Portugal altera a sua designação para Geovia.

Túnel Santuário de Fátima

Aquisições para crescer e agregar valor

Este é já o segundo processo de aquisição do grupo nos últimos dois anos. A expansão por aquisição é a forma mais rápida de crescer no mercado?

É verdade, este é um segundo processo que levamos a cabo nos últimos anos. Em 2018 já tínhamos integrado uma empresa na área do Ordenamento do Território, a LR-Plural, que ficou na estrutura da NRV, e uma outra na área das Obras Marítimas e Portuárias, a MSW, que se mantém autónoma – tal como a LCW e a GEOVIA. Ganhar dimensão e pluridisciplinaridade é importante, sobretudo para o mercado internacional.

Antevêem novas aquisições?

Não vemos nas aquisições o veículo para sustentar o nosso crescimento ou a diversificação das áreas de actuação. Fomos sempre crescendo e diversificando sem precisar de adquirir ou integrar outras empresas. Dito isto, é verdade que as aquisições permitem saltos mais rápidos. Mas não o fazemos de ânimo leve: têm de acrescentar valor ao nosso projecto e ter estruturas que conheçamos bem, como aconteceu até agora. Se aparecerem oportunidades deste tipo podemos sempre estudá-las.

Qual o volume da vossa carteira de obras no mercado nacional? Perspectivas de crescimento?

O mercado nacional corresponde a cerca de 60 a 65% do nosso volume de negócios. O mercado internacional caiu nestes dois últimos anos, em consequência da pandemia. É de esperar que volte a ganhar mais significado e, aliás, essa retoma já se está a sentir em 2021 ao nível das contratações. E não se poderá deixar de ter presente que o programa de recuperação a implementar a nível nacional trará também por certo um crescimento da actividade no nosso sector.

Viaduto do Corgo

O peso da África Ocidental e a atracção pelo Oriente

 A nível internacional têm presença em alguns países, com a NRV Cabo verde, Angola, Moçambique e a NRV West Africa. Estas participadas têm capital local ou são empresas detidas na totalidade pela NRV?
Todas as participadas na área internacional têm capital local. A maioria qualificada é da NRV mas tivemos sempre presente a necessidade de dispor de um parceiro local. Estar num país novo é sempre um desafio em termos de aprendizagem. Integrámos sempre quadros locais nas nossas estruturas e procurámos dessa forma aprender a estar no mercado. Vemos a nossa presença como uma forma de levar e acrescentar valor e conhecimento, potenciando as capacidades existentes.

 Qual o peso das participadas no volume de negócios do grupo?

Em termos globais a NRV garante cerca de 50% do volume de negócios do grupo, estando os restantes 50% distribuídos pelas participadas.

São mercados distintos como caracterizam a vossa actividade em cada um deles?

Cada mercado tem as suas especificidades e é preciso ter uma capacidade grande de adaptação na maneira de estar. Creio que nos temos adaptado e temos sabido estar. Em cada país somos reconhecidos com uma consultora nacional e é esse modo de estar que nos caracteriza.

Qual a vossa carteira de obras nestes países? E quais os principais projectos em curso?
Em Cabo Verde estamos hoje nos Portos do Mindelo e do Maio. No Senegal, num projecto de construção de 24 pontes em vários pontos do país e, ainda, em projectos de auto-estradas com mais de 200 km. Na Gâmbia estamos a estudar um novo projecto rodoviário. Na Costa de Marfim temos o projecto do Mercado de Bouaké, um dos maiores de África, e vários projectos de edifícios e infraestruturas urbanas. Estamos no projecto da primeira secção da auto-estrada Abidjan – Lagos, entre Abidjan e Takoradi no Gana. É também no Gana que estamos com um projecto rodoviário de alargamento de uma secção de auto-estrada. Em Angola estamos no Novo Aeroporto Internacional de Luanda e no Abastecimento de Água ao Kuito. Em Moçambique no projecto da Academia Agha-Khan.

Prevêem a expansão para outros mercados?
Já tivemos várias actuações no Médio Oriente e Ásia, regiões onde continuamos a procurar oportunidades. Trabalhámos num projecto de um resort turístico no Egipto e fizemos dois projectos de aeroportos na Jordânia. Estávamos a trabalhar num projecto de aeroportos no Sri Lanka que parou com a pandemia. Tivemos um escritório em São Paulo – que foi a nossa primeira experiência internacional – e mantemos alguns trabalhos pontuais na América do Sul. Mantemos, no entanto, o nosso foco em África onde queremos ser uma consultora de referência. O crescimento recente com novos trabalhos na Gâmbia, na Costa de Marfim e no Gana são a concretização dessa estratégia.

Porto Ilha de Maio

Mercado internacional com projecção

A designação Norvia serve hoje de chapéu às várias empresas que integram o grupo, mas foi esta que esteve na origem do grupo empresarial em 1987. “A empresa mãe teve a designação Norvia, alterada mais tarde para NRV. Procurou-se com esta alteração destacar o âmbito nacional e a multidisciplinaridade em termos de áreas de actuação.  Somos uma consultora de engenharia que desenvolve a sua actividade a vários níveis, desde estudos multidisciplinares de engenharia até supervisão e gestão global de projectos. Conservou-se a marca Norvia, usada para a designação “Grupo Norvia” que engloba a NRV e as suas participadas”, conta Tomás Espírito Santo, CEO da NRV.

Hoje o grupo multiplica-se por uma série de entidades, consoante sua área de actuação e localização geográfica.  “No mercado nacional temos na Madeira a NRV Madeira, nos Açores a MSW, que garante também a especialização na área das obras marítimas e portuárias, e agora a LCW e a GEOVIA com especialização nas estruturas especiais e na geologia e geotecnia”.

No mercado internacional o grupo actua através das suas participadas locais em cada um dos mercados onde está presente. Entidades cujo capital é detido, em parte, por sócios também eles locais. Uma actuação que faz parte da estratégia e do posicionamento do grupo. Assim, “temos a NRV Cabo Verde, com sede na Praia, a NRV | Norvia West Africa no Senegal, com sede em Dakar, que é a base da nossa operação na África Ocidental, a NRV em Angola, com sede em Luanda e a NRV Moçambique, com sede na capital Maputo”, inúmera Tomás Espírito Santo.

Na carteira de clientes do grupo surgem tanto entidades privadas como públicas. Entre os privados contam-se as concessionárias rodoviárias, a ANA (Aeroportos de Portugal), a REN (Redes Energéticas Nacionais), e as principais construtoras portuguesas, “estas com maior relevo no mercado internacional”. Entre os clientes públicos estão a Infraestruturas de Portugal, as Administrações dos Portos no Continente e Regiões Autónomas, o Governo Regional da Madeira, e várias câmaras municipais um pouco por todo o país.

 

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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Arquitectura

Intervenção na Bateria da Crismina devolve espaço ao público

A proposta de intervenção da Barbiniarquitectos resultou num novo espaço para restauração que encaixa entre os muros pré-existentes mantendo, desta forma, proporções e escala volumétrica

Cidália Lopes

A Bateria da Crismina faz parte de um conjunto de três fortes da antiga linha de defesa da costa de Cascais, construídas durante o reinado de D. José I, no ano de 1762, na sequência do conflito entre Portugal e Espanha. Entre 1830 e 1832 as baterias sofreram trabalhos de reparação incluindo o fecho da fortificação com um muro de gola.

A proposta de intervenção para a instalação de um espaço para restauração, insere-se neste recinto de muros com cerca de três metros de altura que se consideram ser o ponto de partida da composição arquitectónica e ao mesmo tempo elementos a consolidar e valorizar.

O resultado é um objecto arquitectónico de um só piso, de carácter abstracto em vidro e pedra, de geometria irregular, resultante dos principais alinhamentos das paredes e limites do forte, cuja cota de cumeeira alinha pela cota superior máxima dos muros à sua volta. Desta forma mantem-se as proporções e escala volumétrica do existente sem retirar protagonismo à história que as ruínas da bateria representam.

O espaço exterior entre muros, é constituído por dois pátios descobertos, um a sul e outro a nascente, ambos protegidos dos ventos predominantes, e por uma plataforma orientada a poente voltada para o Atlântico.

BIO

Flavio Barbini e a arquitecta Maria João Silva fundaram, em 1955, o atelier Barbiniarquitectos. Juntos desenvolveram a sua actividade em Portugal e Itália, envolvendo diferentes ambientes disciplinares como a transformação urbana, planeamento, arquitectura paisagística, projecto de arquitectura, arquitectura sustentável, design de interiores e design de mobiliário, obtendo prémios nacionais e internacionais.  Além da Bateria da Crismina, em Cascais, no seu portfolio constam projectos como a área desportiva do Colégio Maristas, em Lisboa (2020), o edifício de apoio à prática de pesca tradicional, em Viana do Castelo, e a Frente Marítima no Cabedelo, um modelo de eco cabana em cortiça, em Cascais (2007), o Largo Cidade Vitória, em Cascais (2007) e o Centro de Coordenação Operacional da Brisa, em co-autoria com Carrilho da Graça, em Carcavelos (2003).

Foram, também, vários, os prémios alcançados nos últimos anos, nomeadamente, o 2º prémio “for the Housing in Oeiras for elderly people”, o 2º prémio para o conjunto “in Oeiras”, o 1º prémio para a Frente Marítima no Cabedelo, em Viana do Castelo, o 3º Prémio para a Renovação da Frente Maritima e Praia de Almograve, o 2º prémio para a Escola Primária em Porto Covo, o 2º Prémio para o Teatro em in Ponte de Lima. O Barbiniarquitectos foi, ainda, distinguido por duas vezes, em dois projectos distintos, em Itália, com o 3º prémio para o conjunto habitacional "Living in Milano 2" e o 2º prémio para a reabilitação de parte do centro histórico e parque em Spilamberto.

Entre 2006 e 2012, o atelier marcou presença em diversas exposições, tanto em Portugal, como no estrangeiro, com destaque para a “barbiniarquitectos recent works”, na Ordem dos Arquitectos, em Março de 2006 e que voltaria a figurar na Cordoaria Nacional por ocasião da Trienal de Arquitectura de Lisboa de 2007.

“Portugal fora de Portugal”, levou o atelier até Berlim, em Fevereiro de 2009 e a exposição “Partire, restare, tornare”, até Selinunte, em Itália, em Abril de 2012.

Ficha Técnica

Cliente / Empreiteiro Geral: Imonómio

Projecto: 2005-2017

Obra: 2019-2021

Estruturas: Engº Luis Gião Marques

Instalações Eléctricas: GPIC Projectos, Consultadoria e Instalações

Águas e Esgotos: Engº Filipe Furtado

AVAC: GPIC Projectos, Consultadoria e Instalações

SCIE: Arqº Philip Kirkby

Acústica: Sopsec

Gás: Sopsec

Arranjos Exteriores: Arqº João Ceregeiro

Iluminação: Arqª Joana Forjaz

 

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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Imobiliário

2021 deverá fechar investimento na ordem dos 2 MM€

As previsões Marketbeat, da Cushman & Wakefield, apontam para uma recuperação do mercado imobiliário nacional ao longo da segunda metade do ano, sustentada pela resolução da situação pandémica. Procura deverá ser “diferenciada” e com “alguma cautela”, dependendo dos sectores

CONSTRUIR

O volume de investimento em 2021 deverá situar-se na ordem dos 2 mil milhões de euros, segundo as estimativas da Cushman & Wakefield. “Um montante que, apesar de implicar uma quebra na ordem dos 27% face a 2020, a ser atingido representará o quarto maior resultado registado no mercado nacional”, considera a consultora imobiliária internacional.
Os dados foram revelados na apresentação do mais recente Marketbeat Portugal, realizado pela Cushman & Wakefield e aponta alguns indicadores sobre a evolução futura da actividade.
“As previsões apontam para uma recuperação do mercado imobiliário nacional ao longo da segunda metade do ano, sustentada pela resolução da situação pandémica. Não obstante, poderá manter-se alguma cautela por parte da procura, ainda que diferenciada entre os diversos sectores imobiliários. Se por um lado se prevê que a procura de industrial e logística se mantenha dinâmica, os segmentos de retalho e hotelaria estão envoltos em maior incerteza. No que se refere ao sector de escritórios, está ainda por apurar o real impacto que o teletrabalho terá na forma de ocupação futura dos espaços de escritório”, revela Eric van Leuven, director geral da consultora.

Em relação ao mercado de investimento institucional, antecipa-se uma manutenção do interesse dos players internacionais, ainda que com um maior enfoque em produto prime. “Os activos em localizações prime, com contratos bons e inquilinos sólidos irão dominar a procura, por oposto a activos mais periféricos, ou com um perfil de rendimento menos estabilizado. Em termos de distribuição por sector, verifica-se uma preferência por categorias com escassez de oferta em Portugal, nomeadamente nos segmentos de logística e residencial para arrendamento (ou PRS - private rented sector)”, acrescenta Erica van Leuven.

Imobiliário comercial
Após um forte impacto da pandemia no sector de investimento em imobiliário comercial de rendimento no primeiro semestre de 2021, com um volume de negócios de apenas um terço do registado no período homólogo de 2020; o mês de Julho indiciou um acelerar da retoma, com 500 milhões de euros de transacções. Não obstante a dinamização recente, os 1.130 milhões de euros registados entre Janeiro e Agosto reflectem uma quebra de 40% face a 2020 (em que se atingiu um máximo histórico por influência de duas grandes transacções), sendo a redução de 29% se comparada com 2019. À semelhança dos anos anteriores, manteve-se o peso relevante das transacções de grande dimensão, com os três maiores negócios a representar 37% do volume investido e o capital estrangeiro a dominar a actividade do mercado, sendo responsável por 72% do volume total registado.
A alocação de capital por sector demonstra a contínua aposta no mercado de escritórios, responsável por mais de metade do volume transaccionado. Para tal contribuíram a aquisição pela Sixth Street (em parceria com a Acacia Point Capital Advisors) de 15 edifícios (de um total de 22) no parque de escritórios Quinta da Fonte à Signal Capital por um valor de 125-130 milhões de euros e a compra do portfolio Navigator (maioritariamente de escritórios) através da compra das participações no fundo Maxirent pela South (grupo Castel) à Rivercrown por 120 milhões de euros. Com 280 milhões de euros, seguiu-se o sector hoteleiro, em grande parte devido à aquisição dos Tivoli Marina Vilamoura e Tivoli Carvoeiro pela Azora à Minor International por 148 milhões de euros. Os sectores alternativos, afirmam-se cada vez mais junto dos investidores institucionais, tendo sido responsáveis por 16% do total investido, influenciado pela transacção de um portfólio de activos residenciais. A fraca atractividade dos activos de retalho ficou evidenciada pela segunda mais baixa alocação de capital da última década (10%) e o peso diminuto de Industrial e Logística (3%) continua a ser justificado pela escassez de produto de qualidade disponível para venda, não dando desta forma resposta à elevada procura.
Por seu lado, o sector de promoção e reabilitação urbana registou uma recuperação da actividade no primeiro semestre do ano, tendo sido identificado um volume total transaccionado de 320 milhões de euros. Entre estes, destacam-se a aquisição por parte da Norfin do Projecto Vilamoura, que conta com 21 terrenos por um valor de 100-125 milhões de euros, a venda, pelo Millennium BCP ao Grupo Pestana, do projecto Madeira Palácio, que integra dois edifícios com 262 apartamentos e um terreno com um potencial de 150 quartos, por 45 milhões de euros.

Escritórios
O mercado de escritórios da Grande Lisboa manteve um abrandamento da actividade entre Janeiro e Agosto de 2021, com 74.300 m² transaccionados, uma quebra homóloga de 24%. O Parque das Nações (zona 5) concentrou o maior volume de área contratada neste período (29%), assim como um dos principais negócios do ano: o pré-arrendamento de cerca de 10.000 m² na K Tower pela Critical Techworks.
Face ao abrandamento da procura, a taxa de desocupação aumentou 10 pontos percentuais (p.p.) no primeiro semestre, para os 5,6%. Suportado por uma expectativa de recuperação a curto prazo, o volume de oferta futura manteve-se estável, actualmente nos 403.400 m2 para os próximos três anos. De entre este volume de nova oferta, 174.100 m2 encontram-se já em construção, dos quais 44% conta com ocupação assegurada.
No Grande Porto, a maior resiliência do ano passado manteve-se em 2021, com uma quebra homóloga na procura de 15%, num volume de ocupação de 25.900 m² até Agosto de 2021. Esta evolução foi influenciada pela concretização de alguns negócios de dimensão relevante, incluindo a expansão de 3.540 m2 pela Concentrix no Porto Office Park, contribuindo para a ocupação integral deste edifício.
A taxa de desocupação aumentou para os 8,8%, em parte devido à conclusão de dois novos edifícios com um total de 7.300 m2. Relativamente à oferta futura, é esperada a entrada no mercado de 83.500 m2 nos próximos três anos, dos quais 40.700 m2 se encontram já em construção (65% desta área tem ocupação garantida).

Retalho
Na primeira metade de 2021, de acordo com o INE, o volume de vendas a retalho registou um aumento homólogo de 4,1%, atingindo desta forma valores semelhantes ao primeiro semestre de 2019. Para esta retoma terá contribuído, para além da melhoria da situação pandémica, um maior investimento dos retalhistas no comércio online e uma mudança dos hábitos de consumo dos habitantes, que reforçaram a afluência ao comércio de conveniência e proximidade.
A procura de retalho agregada pela Cushman & Wakefield evidencia uma quebra homóloga de 8%, com 180 novas aberturas no primeiro semestre de 2021. Apesar da manutenção do domínio do comércio de rua (62% do número de operações), o maior interesse por lojas de grande dimensão, em retail parks e unidades stand alone foi também evidente. Ainda que o sector da restauração tenha mantido a primazia, com 45% das novas unidades, o sector alimentar registou também um importante dinamismo, com 45 aberturas.

Industrial & Logística
A maior actividade registada o ano passado manteve-se ao longo do primeiro semestre de 2021, com uma absorção total de 270.500 m2. Entre os principais negócios, destaque para o pré-arrendamento pela Rádio Popular dos 30.000 m² do projecto da promotora belga VGP em Santa Maria da Feira; e as ocupações pela Rangel e Olicargo num total de 18.900 m² na recentemente concluída Plataforma Logística Lisboa Norte da Merlin Properties na Castanheira do Ribatejo. As regiões de Lisboa e Porto mantiveram o domínio, com 50% e 21% da absorção respectivamente
Pela primeira vez em muitos anos, verifica-se finalmente uma aposta no crescimento da oferta, através da reabilitação ou nova promoção. Destaque para a promoção pela Green Logistics by Aquila Capital de um parque logístico na Azambuja com 116.000 m² e para os três projectos da VGP em Santa Maria da Feira, Loures e Sintra num total de cerca de 60.000 m². Com um potencial de desenvolvimento adicional de 180.000 m², a Merlin Properties na Azambuja deverá também avançar em breve com a segunda fase da Plataforma Logística Lisboa Norte.

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Construção

“2022 será o ano de afirmação”

Constituída em plena pandemia, a Fundação Mestre Casais participa em estudos, firma parcerias, organiza conferências e está a preparar o lançamento de prémios e ensaios. O seu director executivo, José Gomes Mendes, refere que este é só um ano de arranque. Já 2022, esse será o ano de afirmação, na sua dimensão temática e nacional

Completados quatro de meses de actividade, José Gomes Mendes, director executivo da Fundação Mestre Casais fala sobre os projectos já em curso pela entidade que lidera e que se desenvolvem em torno de três áreas críticas da sustentabilidade: ambiente, sociedade e governação.

Que papel está reservado à Fundação Mestre Casais?
A criação da Fundação era um desejo de longa data da família do Mestre Casais. Em 2021, esse desígnio foi concretizado pelo Grupo Casais, enquanto entidade instituidora, com o objectivo de nela reflectir a vontade e os valores da família que, desde há três gerações, lidera e desenvolve um universo empresarial, hoje presente em mais de 15 países.
A Fundação tem por missão central a promoção da sustentabilidade, através da geração e partilha de novo conhecimento, do debate independente e do reconhecimento dos bons exemplos, contribuindo para uma sociedade melhor preparada para enfrentar os desafios ambientais, climáticos, sociais e humanos e económicos.

Qual o plano de acção para 2021 – 2023 e quais suas áreas prioritárias? E qual o montante do orçamento previsto?
No plano estratégico está previsto um conjunto alargado de actividades que se podem tipificar em seis categorias: o programa de estudos, os prémios, as bolsas de estudo, as conferências e seminários, os debates e a produção e divulgação de conteúdos, incluindo publicações. Estas actividades expressam-se no âmbito das três áreas críticas da sustentabilidade: a ambiental e climática; a social e humana; e a financeira e de governação. Considerando tratar-se do ano de arranque, ainda por cima em contexto de pandemia, foi constituído um fundo inicial de 300 mil euros.

Enquanto instituição, como está organizada a Fundação e dá emprego a quantas pessoas?
A Fundação tem um Conselho de Administração constituído por cinco membros da segunda geração da família, que tem a responsabilidade estatutária de definir e aprovar a estratégia. O trabalho de liderança das operações está a cargo do Director Executivo. Nesta fase inicial estamos a contratar ao exterior os serviços necessários para a operação, tendo também a colaboração de alguns quadros do Grupo Casais.

As prioridades na agenda

Que actividades estão já programadas?
Este é um período muito particular, devido à pandemia, pelo que nos temos dedicado muito às questões da organização. Mesmo assim, arrancaram já dois projectos de estudo, um sobre a descarbonização das frotas de transporte urbano em Portugal e um segundo sobre a qualidade do ar exterior. Também fechámos um acordo com uma editora para a criação da colecção de ensaios sobre sustentabilidade e estamos a preparar o lançamento dos prémios de jornalismo para a sustentabilidade.

Organizaram já duas conferências, uma delas sobre financiamento de projectos, as PME podem encontrar na Fundação um interlocutor válido?
A conferência inaugural foi um sucesso e reflectiu bem o espírito da fundação. Numa mesa redonda, juntámos actores do sector social, das empresas e do ambiente, naquilo que foi um debate aberto e inspirador. Já em Setembro organizámos na Greenfest uma sessão sobre o financiamento de projectos de sustentabilidade, com a participação do Fundo Ambiental e dos EEA Grants. O nosso propósito é dar a conhecer estas possibilidades e não prestar serviços directos a empresas.

Sobre os dois estudos em curso: porquê começar por estas áreas? Noto uma proximidade à sua área de investigação, na Universidade do Minho.
O Protocolo com a Ordem dos Engenheiros visa uma colaboração mais próxima com esta importante entidade e materializa-se no projecto da rede experimental de sensores de avaliação da qualidade do ar exterior. Quanto ao estudo da descarbonização do transporte urbano, estamos a desenvolvê-lo com a participação do Instituto da Mobilidade e Transportes, com os operadores e com os fabricantes de veículos. Trata-se de oportunidades que surgiram em áreas críticas da sustentabilidade e o facto de eu ter sido investigador nestes domínios não é de todo limitador da nossa acção.

Lançada a instituição, formadas as primeiras parcerias e colaborações, o que se segue?
O ano de 2022 será o da afirmação da Fundação, na sua dimensão temática e nacional. Iremos percorrer o país com debates sobre sustentabilidade, continuaremos a desenvolver o plano de estudos e conferências, iniciaremos a publicação da colecção de ensaios e começaremos as obras da nossa sede, num imóvel que está já destinado para o efeito.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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Empresas

Portugal marca presença na BIG 5 Show 2021 Dubai

Não sendo um mercado tradicional para Portugal, o Médio Oriente impõe-se pelo volume e dimensão dos projectos de construção e são cada vez em maior número os empresários nacionais que nele apostam

Dubai voltou a acolher mais uma edição do “BIG 5 SHOW”, aquele que é o mais importante certame da região e um dos mais importantes do mundo para a fileira da Construção e Materiais de Construção, Pedras e Rochas Ornamentais, Tecnologias e Ambiente. Portugal está presente com sete empresas, numa organização promovida pela AEP – Associação Empresarial de Portugal, através do Projecto Business on the Way. O evento que decorreu entre os dias 12 e 15 de Setembro, em simultâneo com o Middle East Concrete 2021 e o Middle East Stone 2021,
voltou ao formato presencial, depois da edição de 2020 ter decorrido em formato virtual.

Na edição de 2019, antes da pandemia trocar as voltas ao mundo, o certame contou com a presença de 2.507 expositores, provenientes de 61 países. Cerca de 11 empresas portuguesas
estiveram presentes no ano em que o certame foi visitado por mais de 67 mil visitantes profissionais oriundos de cerca de 132 nacionalidades.

“Em 2020 realizamos a BIG 5 SHOW VIRTUAL com 5 empresas nacionais. Os participantes dispunham de uma plataforma digital para apresentação dos seus produtos e empresas tendo
também realizado inúmeras reuniões por vídeo conferencia com potenciais importadores”, conta a associação empresarial que há 14 anos consecutivos tem em mãos a organização da
participação portuguesa no certame.

Números “não surpreendem”
Apesar da adopção de medidas de restrição impostas ainda pela pandemia, a edição deste ano contou com a participação de 1200 expositores, provenientes de 50 países. Foram organizados
20 pavilhões nacionais, 70 conferências temáticas e três grandes cimeiras, que, no seu conjunto, contaram com a participação de mais de 150 oradores. Números expressivos, mas
que não surpreendem. Até porque, não obstante o impacto económico derivado da pandemia, o “pipeline” de projectos na região é hoje superior a 2.5 triliões de dólares”, adianta a AEP.
Entre estes incluem-se “hospitais, aeroportos, centros comerciais, hotéis, residências e parques de diversão. Nestes megaprojectos destacam-se a Expo 2020 no Dubai, o Qatar Vision 2030, os Asian Games 2030, o Campeonato do Mundo de Futebol no Qatar em 2022, a Saudi Vision 2030 e a Área Financeira Rei Abdullah”, adianta fonte da associação citando um levantamento
realizado pela consultora Deloitte.

“A localização estratégica, altamente competitiva dos Emiratos Árabes Unidos (EAU), em especial o Dubai, na região do Golfo, com fácil acesso aos mercados do Médio Oriente, Ásia e
África”, faz deste o maior centro de negócios da região e um dos mercados mais atractivos do globo. Actualmente, cerca de 50% das suas importações são reexportadas para países como a
Arábia Saudita, o Irão, o Qatar, o Bahrein e o Kuwait, países com um interessante pipeline de investimentos e projectos em curso.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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Imobiliário

Atraso no licenciamento pode “inviabilizar” primeiro projecto da Vanguard para a classe média

O arranque do Riverbank Tejo, em Lisboa, está ainda longe de se concretizar já que aguarda, ainda, pelo respectivo licenciamento. Sem saber quando poderão ter início as obras, a promotora antecipa custos acrescidos com este atraso e que terão “um impacto directo no preço final”

Cidália Lopes

Anunciado em finais de 2019 e com arranque da construção previsto para 2020, o Riverbank Tejo é o primeiro projecto da Vanguard Properties direccionado para a classe média. Localizado na Avenida Marechal Gomes da Costa, nas antigas instalações da Air Liquide, o pedido de licenciamento do loteamento já deu entrada no departamento urbanístico da Câmara Municipal de Lisboa, contudo, a promotora continua a aguardar notícias concretas sobre esse mesmo procedimento não tendo, até ao momento, uma data concreta a avançar. “Por ora, não conseguimos ter uma perspectiva real sobre quando haverá um despacho oficial que nos permita antecipar o início da construção das infra-estruturas”, confirmou ao CONSTRUIR, José Cardoso Botelho, CEO da Vanguard Properties

Embora confiante na aprovação do projecto, o que segundo José Cardoso Botelho “cumpre na íntegra as disposições legais tendo o arquitecto responsável desenvolvido diversos estudos de várias soluções todas elas oferecendo soluções de continuidade urbana com o território envolvente, incluindo preocupações quanto à morfologia, volumetria envolvente e corredores visuais”, o mesmo não se passa quanto à viabilidade da oferta final a que se propunham, já que a promotora antecipa custos imprevistos com este atraso e que irão ter “um directo impacto no preço final”.

Plano de investimento mantém-se

Com um amplo portfolio no imobiliário residencial e turístico de luxo, a Vanguard Properties espera conseguir investir, também, em larga escala em projectos para a classe média exactamente pela “vertente social e dimensão do mercado”. Até porque este é um investimento core do Grupo na Suíça, onde mais de 95% dos activos imobiliários em gestão e promoção são destinados à classe média.

O objectivo passa por arrancar primeiro com o projecto em Lisboa, e depois “avançar para outras urbes”, estando o Grupo já a analisar eventuais investimentos noutras cidades. Ainda assim, o CEO do Grupo em Portugal considera que são vários os factores que dificultam tornar mais acessível a habitação em Portugal e aponta o dedo ao “excessivo” tempo que é necessário para os licenciamentos, assim como ao IVA de 23%. José Cardoso Botelho, considera, ainda, os impostos a que os promotores estão sujeitos, tais como o AIMI e o IMT “excepcionalmente elevados”, o que torna “quase impossível apresentar um projecto abaixo dos 3.500 euros por m2”. “A este factor acresce, ainda, a dificuldade de encontrar terrenos compatíveis com este mercado”, acrescenta.

O Riverbank Tejo

O projecto contempla a construção de três edifícios - um com nove andares e os outros dois com quatro pisos cada um, com uma pequena componente de comércio e serviços. No total estão previstos 86 apartamentos, com tipologias T1 a T3, com áreas compreendidas entre os 60 e os 130 m2. O projecto contempla, ainda um jardim, que funcionará como charneira entre os edifícios e a sua envolvente.

Uma das características do empreendimento foi a preocupação em utilizar materiais que permitam baixos custos de manutenção, tal como a fachada, que é revestida a tijolo. Outro elemento marcante da arquitectura são as grandes varandas que permitem usufruir, a partir do exterior, das vistas do estuário do Tejo.

Muito próximo do empreendimento, encontramos ainda novo jardim público da zona ribeirinha do Parque das Nações, várias escolas e colégios como o United Lisbon International School, para além de várias grandes superfícies comerciais como o Decathlon, Staples, Leroy Merlin, Pingo Doce, Lidl e o Centro Comercial Vasco da Gama.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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Imobiliário

Sugee Group com plano de investimento de grande escala até ao final do ano

Com dois projectos já em desenvolvimento, o grupo imobiliário indiano pretende atingir, pelo menos, “10 projectos de construção autónomos e olhar para um mix de empreendimentos de grande escala” ainda em 2021

Cidália Lopes

Fundado em 1984, o Sugee Group é um dos grandes promotores imobiliários de Mombai (Bombaim, a maior cidade da Índia e o principal centro económico do país asiático. Ao longo de mais de 30 anos de actividade, promoveu e construiu 16 projectos residenciais num total de mais de 280 mil m2 de área construída.
O grupo “chegou” a Portugal em Março de 2019 para analisar o mercado e ponderar as suas potencialidades. No final desse ano já estava a arrancar com dois projectos em Lisboa: a reabilitação de um edifício do séc. XIX no Príncipe Real — o “Royal 20” – e um projecto residencial construído de raiz – o Alcântara Vista.
Segundo os responsáveis do grupo Sugee, a entrada no continente europeu através de Portugal foi ponderada. Lisboa foi encarada como “um dos mercados imobiliários mais promissores de toda a Europa, tal como o referem as recentes tendências e projecções de especialistas”. O crescimento da indústria do turismo e políticas para atrair investidores estrangeiros estimularam novas actividades de desenvolvimento e apoiaram os aumentos de preços.
O grupo indiano ponderou estes dados, assim como constatou “a falta de stock de fracções residenciais, o que está a impulsionar o sector de investimento com yelds residenciais brutos de cerca de 6% no centro da cidade e 8% na sua periferia”. Os responsáveis do grupo foram também sensíveis ao facto de Lisboa “estar emergindo como um novo centro de tecnologia, uma capital da Europa Ocidental cada vez mais conhecida como um dinâmico centro cultural e de negócios; oferecendo para os seus residentes uma elevada qualidade de vida com um clima apelativo e um baixo custo de vida, em comparação com outras grandes cidades”, referem.
Na ponderação, pesou a maturidade e oportunidades do mercado imobiliário nacional, mas, também, as consequências inevitáveis do ‘Brexit, com a saída eminente do Reino Unido da União Europeia. Tradicionalmente a Grã-Bretanha, tem sido o destino preferencial dos investimentos indianos na Europa.

“Players de longo prazo”
Até à data, a empresa já investiu mais de 6,5 milhões de euros em dois projectos em pleno centro de Lisboa, para os quais afirma possuir uma procura significativa em todos os continentes. O grupo diz-se determinado em desenvolver esses e outros empreendimentos no próximo ano, totalizando mais de 150 milhões de euros de investimento.

Para já estão focados em trabalhar num ciclo imobiliário de mais ou menos quatro anos, sabendo que pode haver necessidade de adaptar a estratégia às condições e necessidades do mercado, mas “gostaríamos de afirmar que queremos ser players de longo prazo em Portugal”
“Viemos para ficar”, declaram peremptórios os responsáveis do Sugee Group: “temos dois projectos em franco desenvolvimento e um deles já em comercialização, e estamos a estudar novas oportunidades de investimento em Lisboa e no resto do País”.
Apostando no desenvolvimento de projectos de requalificação imobiliária de alto padrão, o Sugee Group pretende expandir a sua actividade a todo o território nacional através da sua subsidiária “The Strokes & Ground”. Com sede em Lisboa, a empresa está focada na construção e promoção de imóveis residenciais e comerciais e gestão de activos imobiliários através da venda, compra, arrendamento e aquisição.

“Para 2021, estaríamos a olhar para um mix de alguns empreendimentos de grande escala e pelo menos de 10 projectos de construção autónomos para o nosso portfolio e estabelecer a marca ‘Sugee’ no mercado imobiliário português”.

Também, por isso, a estratégia do grupo passa por diversificar.

“Preferimos o investimento em vários projectos em vez de colocar todos nos mesmo cesto”. Além do segmento residencial, a aposta vai também para hospitality, assim como para o build to rent, que o grupo considera um activo “atractivo”, seja na vertente “residencial, comercial ou alternativo”.

Além de Lisboa, o Sugee Group tem procurado desenvolver o seu negócio noutras regiões do País e para tem identificado “várias cidades estratégicas com potencial para bons retornos sobre o investimento imobiliário”. O plano de investimento está traçado e o objectivo passa por “desenvolver cerca de 50 mil metros quadrados de promoção nos próximos anos, podendo alguns desses projectos destinar-se ao mercado de arrendamento de média/longa duração para a classe média portuguesa”, garantem os responsáveis. A cidade de Setúbal, onde outro importante grupo indiano – o Grupo Pitroda – está a desenvolver a Cidade do Conhecimento, é uma das cidades já analisadas e cujo potencial pode vir a revelar-se de interesse dentro de alguns anos.
“É tudo uma questão de oferta e procura. Acreditamos fortemente que existe um espaço para investir em projectos que visem um mercado mais internacional e outros mais adaptados ao mercado nacional. No segmento residencial queremos ser equilibrados”, concluem.

FICHA TÉCNICA

Alcântara Vista
Localização: Tapada das Necessidades
10 Apartamentos
Tipologias: T2, T3 e T4
Áreas: 110 m2 – 141 m2
Em desenvolvimento
Data conclusão: Último trimestre de 2023
Royal 20
Localização: Príncipe Real (Mercês)
9 Apartamentos (1 penthouse + 2 apartamentos c/ jardim privativo)
Tipologias: T1
Em construção
Data conclusão: Final de 2021

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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Construção

USLG investe 8M€ em edifício no Hospital da Guarda

Está aberto o concurso público com vista à requalificação do edifício 5 do Hospital Sousa Martins para instalação do Departamento da Criança e da Mulher

Ricardo Batista

A Unidade de Saúde Local da Guarda acaba de lançar o concurso público com vista à execução da empreitada de requalificação do edifício 5 do Hospital Sousa Martins, na Guarda, um investimento avaliado em oito milhões de euros com vista à instalação do Departamento da Criança e da Mulher (DCM).

O edifício, desenhado pela Mota & Pestana Arquitectos, assenta numa construção dos anos 90, apresentando, de acordo com o gabinete projectista, “algumas patologias derivadas da idade dos materiais, havendo necessidade de uma reabilitação tanto ao nível acabamentos e revestimentos, como ao nível de organização espacial e funcional dos serviços propostos”.
Segundo a descrição da intervenção, este edifício estabelece a ligação entre o Edifício 1 e o denominado Edifício Novo sendo necessário definir “inequivocamente as circulações gerais e as circulações internas dos serviços a albergar. Está por isso previsto o prolongamento do corpo existente de acesso ao Edifício Novo, proporcionando uma passagem em cada piso mais imediata e menos evasiva nos serviços acomodados no Edifício 5”.

Organograma funcional
Na memória descritiva do projecto, os autores do planeamento de execução sublinham que foi necessário decidir o organigrama funcional, estudando as circulações e acessos existentes e estabelecendo de forma clara as acessibilidades às instalações tendo em atenção a não criação de barreiras arquitectónicas. “Funcionalmente, a proposta vai directamente ao encontro do programa proposto. As áreas de intervenção, limitaram-se o mais rigorosamente possível ao pretendido, procurando que o resultado final proporcionasse um conjunto arquitectónico de fácil e óbvia leitura”, esclarecem, acrescentando que “esta intervenção procurou ter em conta aspectos como a economia da construção, a manutenção, a funcionalidade e o conforto térmico”. “A concepção e distribuição dos diferentes espaços foi articulada de forma a permitir facilidade de utilização, baseada nas informações transmitidas pelos técnicos da Unidade Local de Saúde, com uma estruturação clara que permite uma simplificação nas soluções construtivas, e em que a harmonia é conseguida através da escolha subtil de materiais e cores”, salientam os arquitectos da Mota&Pestana. Segundo a descrição da intervenção, “o acesso ao interior far-se-á através das actuais entradas do edifício, definindo os circuitos de utentes e áreas restritas deste núcleo de espaços”. O novo edifício contemplará as valências de Hospital de Dia, Urgência Pediátrica, Urgência Obstétrica/ Ginecológica, Neonatologia, Ginecologia / Obstetrícia e Pediatria. “Para a materialização dos objectivos definidos, foi necessário decidir o organigrama funcional, estudando as circulações e acessos existentes e estabelecendo de forma clara as acessibilidades às instalações tendo em atenção a não criação de barreiras arquitectónicas”, assegura a equipa projectista.

Antigo serviço de urgência
No edifício 5 (mais conhecido como ‘pavilhão 5’) do Hospital Sousa Martins funcionou o Serviço de Urgência daquela unidade até à abertura do novo bloco, em 2014. A requalificação do edifício hospitalar vai permitir a instalação do Departamento da Criança e da Mulher, onde se vão localizar os serviços de Pediatria, Obstetrícia, Urgências Pediátricas e Obstétricas, Neonatologia e Ginecologia. Apesar de prevista há vários anos, vicissitudes e contingências administrativas e burocráticas têm protelado a concretização do referido investimento, o que tem prejudicado a acessibilidade, a qualidade e a humanização da prestação de cuidados materno-infantis aos utentes do Serviço Nacional de Saúde servidos pela ULSG, especialmente nos casos das mulheres, das crianças e dos adolescentes.

Sobre o autorRicardo Batista

Ricardo Batista

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