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Quadrante ‘às compras’ para reforçar infra-estruturas e meio-ambiente

Em entrevista ao CONSTRUIR, o CEO do Grupo Quadrante adianta que está em marcha um plano estratégico, que se prolongará até 2025, através do qual esperam facturar 40 milhões de euros, estratégia que implicará aquisições para crescer nos transportes, indústria e energia e águas

Ricardo Batista
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Quadrante ‘às compras’ para reforçar infra-estruturas e meio-ambiente

Em entrevista ao CONSTRUIR, o CEO do Grupo Quadrante adianta que está em marcha um plano estratégico, que se prolongará até 2025, através do qual esperam facturar 40 milhões de euros, estratégia que implicará aquisições para crescer nos transportes, indústria e energia e águas

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O CEO do Grupo Quadrante mostra-se preocupado com a falta de alunos de Engenharia Civil nas universidades portuguesas, reflexo do ostracismo estratégico a que o sector tem sido votado nos últimos anos. Nuno Costa salienta que numa altura em que se discute a execução dos fundos do PRR, as empresas portuguesas, na sua globalidade não têm dimensão para aproveitar o efeito multiplicador dos trabalhos

Há aproximadamente dois anos, numa entrevista concedida ao CONSTRUIR, disse-nos que “era fundamental haver uma estratégia nacional em que a Construção fosse encarada como estratégica”. Este tempo volvido, já atingimos esse patamar?
Estamos na mesma em relação à estratégia, mas o resultado, agora, é mais óbvio. A falta de estratégia no Sector da Construção tornou-se evidente. Não há capacidade para dar resposta às necessidades que existem e que estão em cima da mesa. Aliás, a necessidade de infra-estruturas não é nova, existe há muitos anos. Nem sempre é oportuno serem implementadas mas, agora, decidindo-se que era oportuno, não há capacidade para as construir.

O Sector, Portugal e os portugueses vão fazer um investimento enorme que vai ter de ser pago durante muitos e muitos anos por várias gerações. São, aliás, gerações que, no fundo, vão usufruir destas infraestruturas, mas o que seria inteligente para um País que tem de se desenvolver é que devia aproveitar o efeito multiplicador desse investimento para reforçar a economia do próprio país recorrendo a empresas nacionais que, ganhando capacidade e competências e track record, se reforçariam e estariam num caminho de internacionalização mais solido e, portanto, com benefícios para a economia nacional. Não fizemos isso, não preparámos a fileira da Construção e agora vamos fazer um investimento em que as infra-estruturas vão cá ficar, vão ser utilizadas pelas pessoas e pelas empresas mas sem se beneficiar com o efeito impulsionador que muito beneficiaria as empresas nacionais.

Por onde deixámos escapar a capacidade das empresas?
Por vários campos. Desde logo pelo desaparecimento de diversas empresas do Sector. As empresas não são só grupos de pessoas. É impossível formar uma empresa apenas por um conjunto de pessoas. As empresas têm história, equipas, ensinamentos adquiridos ao longo de anos. Quando uma empresa fecha, as pessoas que lá estavam não vão formar outra empresa igual e mesmo que o quisessem, não conseguiriam. Quando uma empresa fecha perde-se capacidade permanente, capacidade que leva muito anos a recuperar mesmo que os técnicos não desapareçam. A verdade é que as empresas fecham em larga escala porque o sector estava a funcionar mal e não foi considerado estratégico. As pessoas, ao saírem das empresas que reduziram tamanho ou fecharam, vão para outros países ou simplesmente mudam de actividade e normalmente não voltam atrás. Há a perda de capacidade pelo lado das pessoas. E depois há outro efeito: as pessoas que iam para a engenharia deixaram de exercer e o sector é hoje um sector empobrecido, sem estratégia. Mais: Cada vez menos alunos querem ir para engenharia. Isso é uma realidade.

Neste momento estamos a precisar muito de engenheiros e as universidades não estão a produzir técnicos em número suficiente. Fizemos uma análise do número de alunos que concluem os cursos de engenharia civil em Portugal e percebemos que, nos últimos 15 anos, caiu 90%. Mesmo considerando que o ano passado foi um ano atípico, pois muitos alunos não terminaram os cursos pelo facto de as universidades não estarem em pleno funcionamento, até 2019 o número de alunos que se formam em Engenharia Civil caiu 60%. É avassalador. É uma redução enorme do número de alunos. Se formos junto dos alunos do 12º ano tentar perceber quem quer ir para Engenharia, o número é reduzidíssimo. A falta de capacidade do lado da engenharia é um problema que vai demorar 10 a 15 anos a ser resolvido em Portugal. Durante os próximos anos, em que haverá tanto para fazer, não vamos ter capacidade nem pessoas para reforçar as empresas que existem. O País precisa de infra-estruturas mas não sabemos se as vai conseguir fazer. Dificilmente se vai conseguir aproveitar o reforço no sector da Construção por via do investimento que o País vai fazer.

Por onde passa o caminho da necessária recuperação?
O primeiro passo passa por um trabalho de marketing a desenvolver pelas universidades para a captação de alunos. As empresas fazem um esforço comercial para captar trabalho e as Universidades devem fazer um trabalho de persuasão para captar mais alunos de engenharia. As instituições de ensino superior devem ter uma atitude mais proactiva e irem para os Liceus fazerem um esforço de divulgação dos seus cursos, nomeadamente de engenharia, um trabalho que se deve estender também junto dos Media, criando novas dinâmicas. Em simultâneo, tem de haver uma estruturação do sector. O Governo não tem essa responsabilidade, mas tem o dever de ajudar o sector a reestruturar-se, pelo que deveria haver uma estratégia de reforço das competências do sector da Arquitectura e Engenharia, um sector tradicionalmente relevante. Estes são sectores em que a capacidade de exportação de Portugal poderia ser bastante elevada pois os portugueses são muito bons a fazer isso, mas não estamos a olhar devidamente para este potencial. É claramente uma oportunidade que se perde. A indústria da Construção, em volume, é a maior do Mundo, maior mesmo que a indústria farmacêutica, automóvel ou das tecnologias de informação. É realmente uma indústria muito relevante em termos de dimensão e é uma indústria que vai sofrer uma profunda transformação por via da digitalização. Será lamentável se perdermos esta oportunidade para estar na vanguarda dessa transformação.

Estamos ainda numa zona cinzenta, onde a economia está a ganhar ritmo para recuperar dos últimos anos. No seu entender, que mercado e que empresas temos hoje? Que radiografia é possível traçar?
Em Portugal, o panorama é francamente fraco. O sector da Engenharia e Construção é um sector altamente disperso, formado por pequeníssimas empresas com muito baixa capacidade pela falta de dimensão. No segmento da Engenharia/Consultoria, as empresas em Portugal são pequenas e têm muita dificuldade em ter uma presença internacional relevante. A dimensão também nos tira capacidade de inovação e desenvolvimento e o panorama é francamente mau por esse motivo. Mas por vezes também nos questionamos: a dimensão é relevante para actuar em Portugal ou não? E eu diria que, para actuar em Portugal, não é. O cliente público em Portugal não contrata nem selecciona empresas. Selecciona, isso sim, grupos de profissionais. Os concursos públicos, a selecção do prestador de serviços de engenharia é feita demonstrando não a experiência e a capacidade das empresa mas evidenciando currículos avulso de pessoas que nem precisam de pertencer aos quadros da empresa. Isso não privilegia a dimensão das empresas. Privilegia sim que as empresas sejam pequenas e que busquem ou associações pontuais ou então profissionais independentes que possam constar nas suas propostas quando estas são apresentadas.

O Estado, escolhendo desta forma, dá um sinal ao mercado de que a dimensão é irrelevante e as empresas têm receio de crescer, mantendo-se na sua pequena dimensão. Deste modo, é o próprio Sector que perde como um todo pois perde-se capacidade de internacionalização e de inovação. Do lado da construção acontece algo muito semelhante e que resulta da crise que sofremos em 2008. As grandes empresas que existiam praticamente desapareceram todas. Apenas uma existe e essa teve uma estratégia bem delineada. Falo da Mota-Engil, que sobreviveu e se desenvolveu, não sem grandes dificuldades. Muitas vezes se fala da Mota-Engil, que é ajudada por este ou aquele. Nada mais errado. Eles fazem o seu trabalho e se fosse uma empresa ajudada não teria sucesso internacional. Aí não são os políticos portugueses que ajudam. Sem ser essa empresa, as grandes empresas não existem, desapareceram.

O que temos hoje? Uma empresa grande e um conjunto de empresas bastante mais pequenas, bastante distantes da empresa líder e com grandes dificuldades de internacionalização. Quando vemos as maiores construtoras do nível logo abaixo da Mota-Engil percebemos que são empresas com um grau de internacionalização muito reduzido, tornando difícil a sua actuação nos mercados externos. Eu vejo o sector da Construção em Portugal com grandes falhas estruturais mas, olhando para a situação pelo lado positivo, percebemos também que existem empresários com muita vontade de fazer coisas interessantes. Espero que consigam, mas sem meios e sem recursos é difícil. Vejo motivação para fazer mais e melhor e os poucos engenheiros que existem são, globalmente, muito bons. A matéria-prima é muito boa, mas com grandes deficiências estruturais.

Em que medida é que o próprio CCP é fomentador dessas deficiências?
O CCP está feito de uma forma que é destruidora para o Sector da Construção. Tem uma repartição de risco totalmente desequilibrada. O risco está todo do lado das empresas e o beneficiário das obras não tem risco nenhum Um exemplo: Hoje em dia, se houver um erro de projecto e se, por exemplo, faltar uma estaca num sítio qualquer e se se vier a descobrir que nem o projectista nem a construtora se aperceberam que faltava a estaca, a construtora tem de a executar sem qualquer custo adicional para o Estado. O que é que isto quer dizer? Se o projecto tivesse tido a estaca desde início, a entidade publica tinha de a pagar. Como houve um erro e o projecto não continha essa estaca necessária, a Entidade publica ganha o direito a ter a estaca, que teria de pagar, não pagando. Fica beneficiaria de uma parte da obra sem ter pago por ela. Isso empobrece todo o sector da Construção. O CCP é claramente desequilibrado. Mesmo admitindo que se trata de uma sobre-reacção pelos excessos que existiram no passado, o que temos hoje é manifestamente exagerado e destruidor da actividade no sector publico.
Há uma questão tantas vezes abordada mas que, por diversas razões, nunca foi equacionado verdadeiramente e que esta relacionada com os movimentos de concentração ou fusão de empresas. O estado em que estamos, e que acaba de descrever, coloca em evidência essa necessidade?
No nosso entender, a concentração de empresas faz todo o sentido. Desde logo pela maior capacidade de expansão internacional e de gerar inovação, investigação e desenvolvimento. O que acontece é que a forma como o sector está organizado e a forma como é feita a contratação não privilegia em nada a dimensão. Se não há um alinhamento entre as empresas e quem as contrata, o que acontece é que as empresas se mantêm pequenas. Neste momento, de que me serve ter uma grande empresa se, em Portugal, há uma perspectiva de grande investimento, vai haver trabalho mas que não preciso de ter risco para os próximos tempos? O Estado quando contrata não privilegia a dimensão e eu não tenho qualquer incentivo em avançar com uma operação de fusão com outra empresa.

Claro que esta é uma perspectiva desalinhada com o longo prazo, pois no momento em que o sector voltar a estar em crise, o que seguramente acontecerá, volta a estar em cima da mesa a necessidade de as empresas se juntarem e formarem grupos líderes. Mas com não há nenhum incentivo para que isso aconteça, provavelmente nada vai acontecer. Quando voltarmos aos momentos de crise, o Sector da Construção em Portugal vai, uma vez mais, passar por dificuldades em sobreviver porque não teve capacidade de se internacionalizar.

Olhando para a Quadrante, como acreditamos muito em ciclos e acreditamos que Portugal deve ter, pelo menos, dois ou três grupos champions na área da Construção e Engenharia, estamos a fazer esforços e temos intenção de liderar um movimento de concentração.
Por que áreas pode passar essa estratégia?

Por todas as áreas de negócio em que estamos. Considerando que as empresas, no mercado interno, não têm incentivo para, no presente, um movimento destes, olhamos para empresas fora de Portugal, em áreas como os transportes, indústria e energia, águas…No fundo, tudo o que tenha a ver com infra-estruturas e meio-ambiente.

E de que modo seria isso feito?
Achamos que o caminho correcto passa por aquisições e fusões. Desse modo, podemos mais rapidamente ganhar dimensão para ter uma presença internacional sólida e uma capacidade de investimento e desenvolvimento necessária na transformação da indústria da construção que vai acontecer nos próximos 10 anos.

Quais são os mercados prioritários?
Distinguimos duas perspectivas, nomeadamente de curso e longo prazo. No curto prazo, o mercado português e os mercados africanos são mercados que têm uma boa margem de desenvolvimento. No médio/longo prazo, acreditamos muito nos mercados do Norte da Europa, África e na América do Norte.

Em que é que a experiência da Quadrante, mesmo com o suporte de parceiros, vos torna competitivos nesses mercados?
A Quadrante é competitiva nestes mercados pela sua capacidade de entrega. Temos, neste momento, 220 pessoas a fazer puramente projecto e, por isso, uma capacidade de entrega bastante relevante. Temos uma fantástica capacidade técnica que se adapta a todos os códigos e locais do Mundo em que trabalhamos. Temos uma vantagem de flexibilidade grande. Muitas vezes estamos a competir com empresas que têm cinco ou 10 mil pessoas mas nós temos a vantagem de sermos mais flexíveis. Dispomos de um conjunto de partners que gerem a empresa a nível internacional de uma forma muito ágil. Isso permite que o cliente possa falar directamente com os nossos partners e que eventuais alterações de projecto ou reforço de equipas possam ser feitos de uma forma mais rápida. Somos flexíveis e isso é uma grande vantagem face a empresas muito grandes.

Há prazos para a conclusão e investimentos previstos nestas operações?
Temos definido um plano estratégico através do qual pretendemos duplicar a dimensão da empresa. Uma parte será por via do crescimento orgânico e outra parte será por via de aquisições. Até 2025, o plano estará em marcha, numa velocidade adequada para encontrar as empresas com as competências certas que façam sentido com a nossa cultura e com as competências específicas que queremos reforçar.

Essas empresas estão identificadas?
Estamos em fase de identificação. Mas temos presente que, em 2025, queremos estar a facturar 40 milhões de euros em serviços de engenharia.

Empresas em Portugal podem fazer parte desta estratégia?
Poderiam fazer mas o momento actual, em Portugal, não é um momento que motive muitas das empresas a participar num movimento de concentração. Há algumas empresas que gostaríamos que se juntassem a nós mas não acreditamos que este seja o momento certo para acontecer. Não existe, de facto, motivação. O mercado nacional aparenta ter alguma dinâmica e não existe qualquer vantagem em ter dimensão. As empresas estão bem como estão sendo mais pequenas.

Procurando um posicionamento para enfrentar este ‘novo normal’, assente em novas praticas e novos paradigmas, que papel cabe aos grupos como a Quadrante?
Eu acho, sinceramente, que não há um novo normal. O ‘novo normal’ hoje é o mesmo ‘novo normal’ de há dois anos e passa por as empresas se adaptarem e serem cada vez mais rápidas a executar e a entregar com mais qualidade. A competitividade é crescente, os nossos clientes têm desafios cada vez maiores e são muito pressionados pela velocidade. Exigem, por isso, velocidade de todo o ecossistema que trabalha em seu redor. O ‘novo normal’ é igual ao de ontem: fazer mais e melhor a todo o momento.

Esta nossa conversa decorre numa sala onde está exposta a imagem de um dos grandes investimentos públicos anunciados nos últimos anos, nomeadamente o Novo Aeroporto de Lisboa, obra que encerra em si, um conjunto de práticas recorrentes na contratação pública. Existem estudos, existem concursos, empresas envolvidas, projecto apresentado e, no fim, antes de avançar para o terreno, surge sempre um outro detalhe mais. Esta nossa forma de estar, em que é que isto nos pode ser prejudicial, sobretudo nesta fase em que estamos à beira de execução de verbas como as do PRR, montantes nunca antes implementados?

Falamos muito, em Portugal, em obras de Santa Engrácia. De facto, essas as obras demoraram muitos anos, mas o Aeroporto demorou muito mais pelo que, em rigor, deveria chamar-se ‘Obras de Aeroporto’. O Novo Aeroporto é uma obra que já há mais de 50 anos que anda a ser falada e projectada. São inúmeros os projectos. Participámos na última iteração deste aeroporto que não é, de facto, um novo aeroporto, mas sim um aeroporto complementar. Este aeroporto está inserido num plano que inclui a expansão do aeroporto existente. Tudo isto foi desenvolvido, estudado, teve o apoio do Governo durante o seu estudo, Governo que esteve a par do que se ia passando. Neste momento, o aeroporto complementar está pronto a ser construído mas, entretanto, surgiu mais uma pedra no caminho.

Algo que é habitual, no fundo. Não deixa de ser curioso que tendo Portugal muita capacidade de execução e muitas obras já executadas, como a Expo, a remodelação total da linha do Norte, muitas auto-estradas que tornam Portugal num dos países com melhor rede de auto-estradas da Europa, só este projecto é que provoca esta catarse geral. Como se esta fosse a obra mais importante a realizar em Portugal, que mereça ser pensada e repensada e que mereça que tudo seja reconsiderado a cada nova ideia. Nunca há soluções ideais. Há soluções que são tomadas ou não são tomadas e a verdade é que não tomar uma decisão é a pior decisão. Na verdade, tivemos algum alívio com a quebra do tráfego aéreo provocado pela pandemia e estamos mais descansados. Mas quando os níveis de tráfego retomarem ou superarem o que foi registado em 2019 o que vai acontecer? Uma obra que tem um custo anunciado de cerca de 1000 milhões mas totalmente paga pela concessionaria, é uma obra que caso não avance vai custar, por ano, muito mais do que o custo da obra. É obvio que este investimento tem de ser feito.

Fazendo em Alcochete, no Montijo ou onde quer que seja, era essencial tomar uma rápida decisão. Toda a gente ficou assustada com o que aconteceu em 2019, com a perda de rendimento que Portugal podia ter e agora estamos na mesma situação. Quando o tráfego voltar, vamos estar novamente em pânico porque não tomámos qualquer decisão. Isto é inexplicável. Há depois aqui um outro efeito interessante: Portugal tem uma posição periférica e se formos a ver quanto da nossa economia externa, das trocas com o exterior em serviços e produtos quanto é que passa pelo tráfego aéreo, é um peso enorme na nossa economia, Não fazer um aeroporto tem um custo tremendo. É estranho que se debata tanto uma obra de 1000 milhões e se decida fazer uma obra de 4,5 mil milhões, como é a alta-velocidade ferroviária entre Lisboa e Porto, cuja utilidade é tão ou mais duvidosa que a do aeroporto, mas ninguém discute.

Sobre o autorRicardo Batista

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Ordem propõe ao Governo revisão para aceleração de resolução de conflitos na Contratação Pública

Apoiar o Governo na sua adesão a Centros de Arbitragem, a criação da figura do engenheiro-orçamentista certificado e, ainda, promover durante o mês de Junho um grande debate nacional sobre a dinamização do PRR e PNI2030 são algumas das medidas propostas

CONSTRUIR

A Ordem dos Engenheiros propôs ao Governo a revisão de algumas propostas com vista à para aceleração de resolução de conflitos na Contratação Pública. Mas não só. Em reunião com Mariana Vieira da Silva, Ministra da Presidência, Fernando de Almeida Santos, bastonário da Ordem dos Engenheiros, transmitiu “a disponibilidade da Ordem em colaborar com o Governo em áreas estratégicas para o desenvolvimento do País”, nomeadamente sobre o tema da Contratação Pública e do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Para ajudar a enfrentar o problema da litigância nos contratos, o Bastonário disponibilizou-se a apoiar o Governo na sua adesão a Centros de Arbitragem aquando de contratação pública através da integração de engenheiros. O Bastonário defendeu, também, a criação da figura do engenheiro-orçamentista certificado, como solução para uma maior responsabilização técnica dos preços-base. Foram, ainda, discutidas metodologias de concepção-construção.

Fernando Almeida Santos manifestou, ainda, a intenção de promover, durante o mês de Junho um grande debate nacional sobre a dinamização do PRR e Programa Nacional de Investimentos 2030 (PNI2030).

Na audiência, estiveram, igualmente, André Moz Caldas, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e Lídia Santiago, vice-presidente da Ordem.

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Cluster ferroviário com foco nos investimentos a realizar

Marcado por um contexto de expectativa quanto ao futuro do sector ferroviário em Portugal e na Europa, “PORTUGAL RAILWAY SUMMIT” focou-se nos planos de investimento, nos desafios da sustentabilidade e em discutir as prioridades

CONSTRUIR

Em Matosinhos terminou hoje, 17 de Maio, o “PORTUGAL RAILWAY SUMMIT”, organizado pela PFP – Plataforma Ferroviária Portuguesa, Cluster da Ferrovia.

Marcado por um contexto de expectativa quanto ao futuro do sector ferroviário em Portugal e na Europa, o evento focou-se nos planos de investimento e nos desafios da sustentabilidade, proporcionando a discussão de prioridades e novas perspectivas de inovação ferroviária.

Este encontro assume particular importância para a discussão de prioridades, novas perspectivas de inovação ferroviária, para o desenvolvimento do sector e toda a sua cadeia de valor, focando os planos de investimento que se avizinham e os desafios ecológicos a enfrentar.

Foi proposto ao Governo […] que fosse antecipada a ligação ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, e que os comboios de alta velocidade pudessem chegar mais cedo não só a Campanhã, mas depois a uma nova estação no aeroporto”, afirmou Carlos Fernandes. O Vice-Presidente da Infraestruturas de Portugal, IP, foi um dos oradores no Painel sobre Investimentos Nacionais, onde a empresa tem tido papel fundamental nos últimos anos, decorrente do Programa Ferrovia 2020, e que terá também futuramente, na concretização do investimento a realizar através do Programa Nacional de Investimento – PNI2030.

A proposta de antecipação, que o responsável anunciou, relaciona-se com a possível disponibilidade de verbas proveniente do adiamento de investimentos na ligação à estação do Oriente, em Lisboa. “Estavam previstas duas fases, a IP propôs ao Governo a constituição de uma terceira fase”, que corresponde ao troço Carregado – Lisboa, para que este “seja atrasado, provavelmente, para depois de 2040”, disse.

Segundo Carlos Fernandes, os dois ou três minutos de viagem perdidos com a não execução dessa obra até Lisboa permitiram alocar verbas para a ligação ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, na Maia, que serve o Porto, o Norte do país e a Galiza.

O projecto de alta velocidade ferroviária está previsto ser finalizado até 2030, com a primeira fase, correspondente ao troço Porto – Soure (Coimbra), com obras entre 2026 e 2028. O aeroporto estava inicialmente previsto na segunda fase, envolvendo a ligação a Vigo, mas é agora pretensão da IP antecipá-la. A estação em Gaia será a primeira estação da Área Metropolitana do Porto.

Ao longo dos dois dias de encontro tiveram lugar seis painéis, tendo o primeiro dia sido dedicado ao tema “Investimentos Nacionais e Internacionais” e às “Inovações e Desafios Tecnológicos”. No dia 17 de Maio a “Intermodalidade” e o “Fórum de Clusters” dominaram os trabalhos.

O PORTUGAL RAILWAY SUMMIT, é o fórum de discussão anual das tendências do sector Ferroviário. Pontos de encontro privilegiados para a criação de oportunidades de negócio e parcerias estratégicas focadas nos tópicos definidos pelo European Rail Research Advisory Council e pela Agenda Estratégica de Investigação e Inovação Ferroviária, “RAIL 2030 – Research and Innovation priorities”: Digitalização, Automação, Nova Mobilidade Soluções, Mobilidade Mais Verde e Sustentável. Ferrovia, a espinha dorsal da Mobilidade 2030.

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Riportico Engenharia certificada em Gestão de Saúde e Ambiental

As certificações agora conquistadas reforçam o compromisso da Riportico Engenharia com a responsabilidade ambiental e a preservação do meio ambiente, a melhoria da sustentabilidade social e a garantia da saúde e integridade física dos colaboradores, otimizando processos de trabalho e uma melhoria do desempenho organizacional

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A Riportico Engenharia acaba de receber as certificações ISO 14001, respeitante ao Sistema de Gestão Ambiental, e ISO 45001, referente ao Sistema de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional, resultado de uma auditoria externa realizada pela APCER – Associação Portuguesa de Certificação. Estas duas normas juntam-se à norma ISO 9001, conquistada pela Riportico Engenharia em 2008, quando a consultora viu ser
certificado o seu Sistema de Gestão da Qualidade. A entrega formal das certificações ISO 14001 e ISO 45001 decorreu na tarde de sexta-feira, dia 13 de maio, na sede da Riportico, em Cabanas de Viriato, pelas mãos de Carla Pereira, Technical Manager da APCER Portugal, e Rui Oliveira, COO da APCER Brasil.

“O reconhecimento desta certificação integrada, do Sistema de Gestão da Qualidade, Ambiente e Segurança, pelas normas ISO 9001:2015, ISO 14001:2015 e ISO 45001:2019, revela-se muito importante em termos de competitividade e melhoria contínua dos serviços a que a Riportico se propõe perante os seus Clientes, respondendo de uma forma mais eficaz às pressões competitivas e concorrenciais, e incrementando a confiança e a criação de valor para todas as partes interessadas”, afirma Maria Oliveira, responsável Sistema de Gestão da Qualidade, Ambiente e Segurança no Trabalho, da Riportico Engenharia.

As certificações agora conquistadas reforçam o compromisso da Riportico Engenharia com a responsabilidade ambiental e a preservação do meio ambiente, a melhoria da sustentabilidade social e a garantia da saúde e integridade física dos colaboradores, otimizando processos de trabalho e uma melhoria do desempenho organizacional.

A certificação ISO 14001 – Sistema de Gestão Ambiental é uma norma internacional que atesta o compromisso das empresas com a proteção do meio ambiente, mediante uma gestão eficaz dos riscos ambientais associados à sua atividade. A norma identifica os requisitos para uma gestão mais eficaz destes riscos, tendo em consideração a prevenção da poluição, a proteção ambiental, o cumprimento legal e as
necessidades socioeconómicas.

Por sua vez, a ISO 45001 – Sistema de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional é a norma internacional responsável pelas especificidades do contexto organizacional, com foco na melhoria do desempenho de uma organização no âmbito da gestão da saúde, segurança do trabalho e prevenção de acidentes.

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IP investe 108 M€ em conservação da rede rodoviária

IP vai investir mais de 108 milhões de euros em Conservação Corrente da Rede Rodoviária Nacional, abrangendo mais de 14 mil quilómetros de estradas a nível nacional. A empresa assinou em Maio os novos acordos para o triénio

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No início de maio de 2022 a Infraestruturas de Portugal consignou 18 contratos, no valor global de 108,5 milhões de euros, para a execução de trabalhos de Conservação Corrente da Rede Rodoviária Nacional (RRN) que terão lugar ao longo dos próximos três anos. De acordo com a empresa estes contratos, um por cada distrito, “asseguram a realização de trabalhos regulares de manutenção nos mais de 14 mil quilómetros de estradas a nível nacional, que estão sob gestão directa da IP e têm por objectivo a promoção da manutenção e conservação de todos os elementos/componentes constituintes das Estradas objecto do contrato e Obras de Arte nelas integradas”.

Nestes contratos incluem-se todas as actividades rotineiras de conservação, tanto de carácter curativo como preventivo, de forma a oferecer aos utentes da rede melhores condições de conforto na circulação, agradabilidade de percursos nos itinerários percorridos, e maiores condições de segurança rodoviária.

A maior percentagem dos contratos continua a estar afecta à gestão de pavimentos, 38,2 milhões de euros, correspondendo a cerca 35%), 22, 9 milhões de euros serão afectos às actividades ambientais (21%), sendo que o investimento em conservação de pavimentos subiu cerca de 3% face ao triénio anterior.

Nos presentes contratos o investimento em actividades de Segurança mantém-se em cerca de 10,4%, enquanto as actividades de operação, fiscalização e assistência têm um acréscimo de 2% face ao anterior triénio, sendo agora a quarta actividade com maior investimento.

No âmbito destes contratos está prevista a execução de diversos tipos de trabalhos de manutenção, entre outros: reparação e beneficiação de pavimentos; reposição e adequação da sinalização horizontal e vertical; reparação e adequação de guardas de segurança e outros equipamentos de protecção; estabilização de taludes; conservação de vedações; tratamento dos sistemas de drenagem; limpeza das bermas e zonas adjacentes à faixa de rodagem; reparações e manutenção de obras de arte.

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Riportico fiscaliza restauro das muralhas da Fortaleza de Juromenha

A Riportico Engenharia ganhou o contrato de fiscalização e coordenação de segurança da empreitada de consolidação e restauro das muralhas da antiga Fortaleza de Juromenha, nas margens do Alqueva, no Alandroal

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A Riportico Engenharia ganhou o contrato de fiscalização e coordenação de segurança da empreitada de consolidação e restauro das muralhas da antiga Fortaleza de Juromenha, nas margens do Alqueva, no Alandroal. A empreitada de fiscalização foi adjudicado pela câmara municipal do Alandroal.

A empreitada de consolidação e restauro das muralhas da Fortaleza de Juromenha envolve um investimento de cerca de cinco milhões de euros, e conta com financiamento do programa operacional regional Alentejo 2020. Prevê-se que a obra termine em Outubro de 2023.

Para além da consolidação e reforço estrutural dos paramentos, sobretudo nas zonas mais degradadas, está também prevista a reconstrução de diversos tipos de alvenaria, como pedra, tijolo e taipa. A fortificação acolhe no seu interior um conjunto de edificações em estado de ruína, com destaque para as igrejas da Misericórdia e Matriz, a cadeia e os antigos paços do concelho.

A Fortaleza de Juromenha está classificada como Imóvel de Interesse Público e, em Julho de 2019, foi integrada na segunda edição do Programa Revive, “que promove e agiliza os processos de reabilitação e valorização de património público devoluto, tornando-o apto para afectação a uma actividade económica com finalidade turística”. Segundo a Câmara Municipal de Alandroal, perspectiva-se que, após a conclusão da empreitada, a Fortaleza de Juromenha venha a ser afecta ao turismo e à criação de unidades hoteleiras, “com vista à geração de riqueza e postos de trabalho, transformando-se num polo turístico de referência nacional”.

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Arranca em Sines a construção do megacentro de dados

O projecto SINES 4.0 “será 100% verde e quando estiver terminado, em 2027, terá 495 MW de capacidade total, sendo composto por nove edifícios”, acrescentou

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A empresa responsável pelo megacentro de dados SINES 4.0 iniciou hoje a construção do primeiro dos nove edifícios do futuro campus, localizado em Sines (Setúbal), cuja conclusão está prevista para o primeiro trimestre de 2023.

Em comunicado, a empresa Start Campus revelou que o edifício NEST – New & Emerging Sustainable Technologies, que corresponde à primeira fase do projecto, terá “uma capacidade de 15 MW [megawatts]” e “representa um investimento de 130 milhões de euros”.

O edifício NEST é a primeira infraestrutura do SINES 4.0, localizado na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS) e que “será um dos maiores campus da Europa” de centros de dados, referiu o promotor.

O projecto SINES 4.0 “será 100% verde e quando estiver terminado, em 2027, terá 495 MW de capacidade total, sendo composto por nove edifícios”, acrescentou, no comunicado.

A Start Campus anunciou, em Abril do ano passado, a construção do megacentro de dados, num investimento global estimado em 3,5 mil milhões de euros. Além do edifício NEST, com 15MW, a concluir até ao primeiro trimestre de 2023, está ainda prevista a construção de “mais oito edifícios com 60 MW de capacidade cada”, indicou.

Segundo a Start Campus, apesar de ser um modelo mais pequeno dos restantes, “o primeiro edifício terá um total de 5 mil metros quadrados”, disponibilidade para “um a seis clientes”, com “seis salas de 2,5MW” e “contará com energia verde e refrigeração sustentável, além de serviços de suporte”.

Na primeira fase, segundo a empresa, serão criados entre 70 e 100 novos postos de trabalho directos em Sines, com “uma forte componente de funções altamente qualificadas, como engenheiros de telecomunicações, mecânicos e eletrotécnicos”, assim como 400 postos de trabalho indirectos. “Desde o ano passado, já foram investidos no projecto 20 milhões de euros”, um montante que representa “a primeira parcela” do investimento global estimado em 3,5 mil milhões de euros “até 2027”, acrescentou.

Para o director executivo da Start Campus, Afonso Salema, “o SINES 4.0 começa agora a ser implementado no terreno e isso é um marco importante” para o projecto, cujo investimento “responde a duas tendências” confirmadas “nos últimos anos: transformação digital e sustentabilidade”.

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Directores de obra e encarregados com forte procura e escassez de oferta

Um estudo elaborado pela consultora Michael Page permite constatar que o sector que tem sido profundamente afectado pela falta de mão de obra essencialmente técnica em funções mais operacionais, depara-se actualmente com a escassez de talento que se torna cada vez mais transversal às várias áreas

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A Michael Page, especialista em recrutamento especializado, acaba de publicar os resultados da análise “Como Atrair Talento no Sector de Engineering & Manufacturing”, segundo a qual o recrutamento das empresas no sector da construção e engenharia “está em alta”.

Falta de talento com tendência a aumentar
Segundo a consultora, a falta de talento no sector da construção, que se tem vindo a verificar nos últimos anos, tem tendência a aumentar e a generalizar-se a todas as áreas de engenharia directamente ligadas ao sector da Construção, nomeadamente, Engenharia Civil, Engenharia Mecânica e Engenharia Electrotécnica. De acordo com o estudo, onde são abordadas as competências mais valorizadas, as soft skills relevantes e as estratégias mais adequadas para atrair talento num mercado com poucos profissionais especializados disponíveis, o sector que tem sido profundamente afectado pela falta de mão de obra essencialmente técnica em funções mais operacionais, depara-se actualmente com a escassez de talento que se torna cada vez mais transversal às várias áreas. A procura por profissionais qualificados para a área da Construção tem-se sentido, sobretudo, nas zonas urbanas de Lisboa e Porto.

As profissões mais procuradas, no segmento onde a Michael Page actua, são os directores de obra, encarregados gerais, preparadores e engenheiros orçamentistas para a construção. A intenção de contratação faz-se sentir também no sector imobiliário, sendo o perfil mais procurado o de project manager.

Guerra também dificulta
Apesar do dinamismo no recrutamento que se faz sentir, factores como a guerra na Ucrânia, o elevado aumento dos preços dos materiais e a crescente falta de mão de obra qualificada, poderão ter impacto significativo no sector. Para António Costa, senior associate manager da Michael Page , “os sectores da construção e imobiliário vivem nesta fase ainda momentos de alegria e saúde, contudo começam a surgir indicadores, principalmente devido à guerra na Ucrânia que impactam directamente estes negócios e que podem alterar completamente o panorama.

Os preços das matérias-primas continuam a aumentar significativamente, sendo praticamente impossível cumprir obras em construção com os valores previamente orçamentados. Por sua vez fica difícil para os promotores imobiliários assumirem directamente estes custos, sob pena do produto final ficar com valores insuportáveis para o mercado”. Também a Engenharia é uma área de forte procura por talento pelo mercado. De forma idêntica, a área de Engenharia Civil, em grande escala absorvida pelo sector de Property & Construction, tem-se mostrado resiliente, registando e mantendo níveis de actividade de recrutamento muito activos.

Perfis ‘em alta’
A procura de engenheiros com diferentes backgrounds académicos, como mecânica, química, gestão industrial, eletrotécnica, tem-se verificado sobretudo na indústria. Os perfis de Electrotecnia e áreas afectas à Energia são cada vez mais valorizados e procurados, dada a sua relevância, nomeadamente na conversão e transição energética, e no papel das energias renováveis em termos de investimento e recuperação económica para Portugal. “Num sector em que o talento é limitado, as empresas procuram profissionais com competências que acompanhem os processos operacionais tecnológicos em curso e que possam contribuir para a transformação e aumento dos resultados financeiros. Assim, são valorizados conhecimentos de metodologias lean, como Six Sigma Black Belt, desenvolvimento de novos produtos, realização de processos e gestão de múltiplos projectos, aliados a abordagens focadas no cliente, com elevado sentido de responsabilidade e atenção ao detalhe, que se destacam, entre as qualificações mais procuradas”, revelam os responsáveis da Michael Page. Ao nível das soft skills, as empresas valorizam a capacidade de comunicação (essencial para explicar informações técnicas), liderança, pensamento criativo, capacidade de influência e resolução de problemas, essenciais tanto no sector da Construção como de Engenharia. No entender de Joana Reis, senior consultant da Michael Page, “a área técnico-comercial, revela um aumento de procura por perfis cada vez especializados em produtos específicos.

O mercado valoriza o facto de os candidatos conseguirem aportar valor comercial e de negociação, mas também apoio técnico e consultivo aos clientes que gerem. Este aumento de procura de perfis cada vez mais técnicos e especializados, aliado ao mercado de trabalho com níveis relativamente baixos de desemprego, contribui para a escassez de candidatos”. O desafio de atrair profissionais que se faz sentir no mercado de trabalho no sector da construção e engenharia e o aumento da concorrência pelo talento, tem contribuído para importantes aumentos na remuneração salarial. Como indicação, na indústria, um director- geral pode auferir o salário máximo de 170 mil euros, se trabalhar em Lisboa, e a mesma função, na mesma zona geográfica, na área da Construção, até 110 mil euros brutos anuais.

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Prospectiva reconhecida pelo seu “Desempenho e Solidez Financeira” em 2020

Distinção da SCORING incidiu nas categorias Top10+ Sectores – Portugal 2021 e Top10+ Regiões – Portugal 2021 (Lisboa)

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A Prospectiva, empresa de consultoria em engenharia com mais de 40 anos de experiência no mercado, foi distinguida pela SCORING ao nível do seu ‘Desempenho, Solidez Financeira e Notação de Sustentabilidade’ em 2020, em duas categorias: Top10+ Sectores – Portugal 2021 e Top10+ Regiões – Portugal 2021 (Lisboa).

Segundo a SCORING, a Prospectiva apresenta “uma autonomia financeira alta em termos estruturais”. Também no curto prazo, “a liquidez geral é positiva”.

Tendo em conta todos os Índices avaliados pela SCORING, “a Prospectiva está inserida num grupo de empresas que apresentaram os 10 melhores valores de Qualidade Económica de Vendas (Índice de Desempenho e Solidez x Volume de Negócios) no ano de 2020, no total das regiões portuguesas e em Lisboa”, refere, ainda, a empresa de engenharia em comunicado.

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CH Consulting desenvolve projecto de RH no sector hidroeléctrico nos Camarões

A CH Business Consulting ganhou um contrato internacional nos Camarões, com uma intervenção na área de recursos humanos para o desenvolvimento do sector hidroeléctrico

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O projecto, no valor de 365 mil dólares, será financiado pelo Banco Mundial e promovido pelo Ministério da Água e Energia e terá a duração de 12 meses com o objectivo de definir a estratégia de planeamento e desenvolvimento de competências, no sector da energia hidroeléctrica nos Camarões para os próximos 20 anos.

Após a fase de diagnostico, o projecto irá incidir sobre a situação dos recursos humanos e focar-se na avaliação da cadeia de valor do ecossistema educativo, de qualificação e formação de forma a adequá-lo ao sector hidroeléctrico. Na fase seguinte será estudada a viabilidade do país avançar com projectos de investimento que conduzam à modernização de infraestruturas existentes para assegurar um aumento da capacidade produtiva do sector e uma estratégia de valorização dos recursos humanos.

“Este projecto terá um forte impacto na modernização no sector hidroeléctrico camaronês, bem como na própria reestruturação do sistema de ensino do país, dotando-o de uma oferta a nível formativo, mesmo ao nível universitário, alinhada com as reais necessidades do sector”, sublinha Miguel Peixoto, director técnico do projecto.

O projecto está a ser desenvolvido em parceria com a Luxan Engineering, empresa local, e conta com a coordenação técnica do professor Carmona Rodrigues da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

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Efacec inaugura projecto de “maior central de energia solar” de Moçambique

O projecto com 121.500 módulos fotovoltaicos, localizado em Metoro, no Norte de Moçambique, permitirá uma capacidade de produção de 69 GWh por ano, garantindo o consumo de energia verde a mais de 140.000 pessoas

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O projecto com 121.500 módulos fotovoltaicos, localizado em Metoro, no Norte de Moçambique, permitirá uma capacidade de produção de 69 GWh por ano, garantindo o consumo de energia verde a mais de 140.000 pessoas, o que corresponde a cerca de 75% da população de Pemba, província de Cabo Delgado. Considerada a “maior central de energia solar de Moçambique”, a Efacec realizou o projecto de engenharia, fornecimento e construção, ficando também responsável pela operação e manutenção desta central, instalada numa área de cerca de 65 hectares.

Com a entrada em produção do central solar de Metoro, fica preenchido um dos pressupostos fundamentais para se acelerar o desenvolvimento desta região, com impacto directo na economia local, e na vida das populações, assim como a promoção do acesso à energia a 100% da população moçambicana.

“Com o desenvolvimento e implementação de soluções inovadoras e sustentáveis, a Efacec está há mais de 20 anos a promover o desenvolvimento da evolução energética do país. Agora reforça a sua posição com este projecto, que aumentará a capacidade de produção e diversificará as fontes de energia, aproveitando o elevado potencial do recurso da energia solar, muito consistente ao longo do território e estável durante o ano. Adicionalmente, é um projecto que evidencia a capacidade de execução da equipa Efacec, que demonstrou para lá das competências técnicas, uma resiliência física, social e humana que permitiu concretizar, com sucesso, este projecto, apesar das condições altamente inóspitas, como as que nos acompanharam ao longo do mesmo”, afirma Ângelo Ramalho, CEO da Efacec.

Neste projecto de interesse nacional, onde o apoio e a cooperação com a comunidade e autoridades locais foram uma prioridade desde o primeiro dia, foram criados mais de 400 postos de trabalho durante a etapa de construção. Os empregos locais representaram mais de 90% do total de trabalhadores, mantendo-se padrões extremamente elevados ao longo do período de construção.

A inauguração do projecto contou com a presença de Filipe Nyusi, presidente da República de Moçambique, acompanhado por Carlos Zacarias, ministro dos Recursos Minerais e Energia e Marcelino Gildo Alberto, presidente do Conselho de Administração da Eletricidade de Moçambique.

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