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Museu do Tesouro Real: Conjugar o presente e preservar o antigo

Inaugurado recentemente o novo Museu do Tesouro Real é o culminar de dois grandes desafios: concluir o Palácio Nacional da Ajuda e instalar nesse remate um museu para o tesouro real. Entre a necessidade de preservar o antigo e dar relevância ao novo assim nasceu um projecto assinado pelo arquitecto João Carlos Santos e que contou com uma equipa de 150 profissionais

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Inaugurado recentemente o novo Museu do Tesouro Real é o culminar de dois grandes desafios: concluir o Palácio Nacional da Ajuda e instalar nesse remate um museu para o tesouro real. Entre a necessidade de preservar o antigo e dar relevância ao novo assim nasceu um projecto assinado pelo arquitecto João Carlos Santos e que contou com uma equipa de 150 profissionais

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O novo Museu do Tesouro Real é a nova morada permanente das jóias da coroa e das peças da ourivesaria real portuguesa. O novo equipamento cultural da capital portuguesa representou um duplo desafio. Por um lado, concluir o Palácio Nacional da Ajuda, com o remate da sua ala poente que esteve inacabada durante 226 anos e instalar nesse remate um museu para o tesouro real, tendo em conta todas as medidas de segurança necessárias para proteger um património de valor inestimável e que é constituído por raras e valiosas jóias, insígnias e condecorações, moedas e peças de ourivesaria civil e religiosa, como é disso exemplo a coroa e a laça de esmeraldas de D. Mariana, aquela que se pensa ser a maior pepita de ouro do mundo ou a caixa de tabaco encomendada por D. José ao ourives do Rei de França no século XVIII e que a amante de Luís XV não queria deixar sair de Paris.
Mas antes de pensar na protecção de todas estas jóias para o arquitecto João Carlos Santos, impôs-se desde o início a protecção do próprio monumento nacional.

“O primeiro desafio foi pensarmos como materializar este remate junto do edifício que é uma pré-existência e que tem um valor patrimonial como é o Palácio Nacional da Ajuda. Depois foi como é que se remata um palácio que era para ter o triplo da dimensão que tem hoje e nunca chegou a ser concluído. Muitas pessoas olhavam para esta parte do alçado poente do palácio e pensavam que o palácio tinha tido um problema com o próprio terramoto, mas isso não é verdade o palácio foi construído precisamente por causa do terramoto porque o antigo Paço Real na ribeira, naquilo que é hoje conhecido como a Praça do Comércio, ficou danificado com o terramoto”, explica João Carlos Santos. “Como esta estrutura para ter o triplo da dimensão, tudo o resto não foi construído e a Calçada da Ajuda não era para existir aqui”, continua o responsável, “e, portanto, conciliar estas pré-existências todas foi efectivamente um outro desafio. Esta questão da calçada parece uma questão menor, mas não o é porque nós não podíamos avançar simplesmente por cima da Calçada da Ajuda”, refere João Carlos Santos que é simultaneamente o director geral da Direcção Geral do Património Cultural, DGPC, entidade que foi a responsável pelo projecto museológico.
Na realidade, a solução para o projecto final acabou por ocupar uma parte da Calçada, “ainda que o seu traçado tenha sido mantido houve uma alteração nos perfis e traineis da mesma de modo a fazer a concordância com as quotas do projecto”, conta o arquitecto.
Imperceptível, é o facto da nova estrutura, o remate, não tocar o Palácio Nacional da Ajuda. Como nos conta João Carlos Santos “os dois edifícios não estão ligados por questões estruturais e de segurança”, como se de uma grande junta de dilatação em todo o perímetro que une os dois edifícios se tratasse. O mesmo princípio, o da separação, foi seguido nas arcadas em pedra pré-existentes, não havendo contacto físico entre estas e o edifício em betão que, aparentemente, se ergue por cima dessa estrutura pré-existente. “Mais uma vez colocou-se a necessidade de protecção estrutural, o que levou à solução de construção de uma ponte por cima das arcadas, ao longo dos 26 metros de vão, e que não toca nessa estrutura que queremos salvaguardar e preservar”.

Num projecto com inúmeras particularidades, o arquitecto ressalva outro aspecto construtivo do projecto: este está “simplesmente” pousado no chão. Ao invés das fundações habituais, a solução construtiva adoptada passou pela utilização de estacas de grande dimensão, com um metro de largura, por sete metros de profundidade, tendo sido criado um ensoleiramento geral, uma espécie de tabuleiro, onde todo o edifício assenta.

Particularidades de uma estrutura ambígua que preserva e assume a entidade cultural e histórica do monumento nacional do qual faz parte, mas ao mesmo tempo assume uma identidade própria e moderna, imediatamente perceptível para quem nela entra pelo lado da Calçada da Ajuda e olha para a sua fachada moderna, rasgada por inúmeras janelas.

Um cofre no interior
O Museu do Tesouro Real, o segundo grande desafio proposto, é ele próprio uma caixa-forte. Uma solução eficaz reforçada pela sua cobertura em espuma de alumínio pintada de ouro, visível para quem entra ao nível do piso 1. Com 40 metros de comprimento, 10 metros de largura e 10 metros de altura, esta é uma das maiores caixas-fortes do mundo, com três pisos, munida com sofisticados equipamentos de segurança e videovigilância, portas blindadas de 5 toneladas. A segurança das peças é ainda reforçada por vitrines com controlo de temperatura e humidade e vidros à prova de bala.

O museu, em si, ocupa uma pequena parte dos cerca de 12 mil m2 de área, a maior parte da qual ocupada por áreas técnicas de grande dimensão e que estão vedadas ao público.

O projecto custou 31 milhões de euros, 18 milhões de euros do Fundo de Desenvolvimento Turístico de Lisboa, 4,8 milhões de euros da DGPC e 9 milhões de euros financiados pela Associação Turismo de Lisboa

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Dstgroup e Ordem lançam prémio Manuel Graça Dias

O prémio tem como objectivo homenagear o arquitecto português. As candidaturas decorre de 27 de Outubro até dia 15 de Janeiro de 2023 e o vencedor será divulgado no dia 24 de Março do próximo ano

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O dstgroup e a Ordem dos Arquitectos vão lançar o Prémio Manuel Graça Dias dst — Ordem dos Arquitectos, com vista a homenagear o arquitecto português. O lançamento será feito esta quinta-feira, dia 27 de Outubro, pelas 18 horas, no edifício dos Banhos de São Paulo, em Lisboa, onde se situa a sede da Ordem dos Arquitectos.

O objectivo é reconhecer e celebrar a qualidade da arquitectura produzida por arquitectos com formação recente, de forma a incentivar a prática profissional, no sentido da inventividade, considerações ambientais e boas-práticas, celebrando, ao mesmo tempo, o arquitecto como profissional, crítico, editor e divulgador.

“Ao lançarmos este prémio, pretendemos, fundamentalmente, sublinhar a imaginação, o inconformismo, a disponibilidade e a generosidade que Manuel Graça Dias sempre demonstrou”, afirma Jorge Figueira, responsável pelo pelouro da promoção da arquitectura da Ordem dos Arquitectos.

Já José Teixeira, presidente do dstgroup, patrocinador exclusivo do prémio, destaca que “o Graça Dias, com quem a dst teve o imenso prazer de trabalhar, foi o mais fiel intérprete da beleza das coisas construídas e das histórias das coisas em que a arquitectura coloca mão”.

As candidaturas poderão ser apresentadas a partir do dia 27 de Outubro até dia 15 de Janeiro de 2023 e o vencedor será divulgado no dia 24 de Março do próximo ano.

A entrega do prémio, inteiramente financiado pelo dstgroup, ao vencedor, no valor de 20 mil euros, está prevista para o próximo ano, a 11 de Abril, data do aniversário de Manuel Graça Dias.

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Paulo Martins distinguido nos World Architecture Award 2022

O arquitecto recebeu uma menção honrosa na categoria ”Special Mention – Restoring Residential’’ pelo projecto Beira Mar House, em Aveiro

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Paulo Martins, arquitecto responsável pelo atelier Paulo Martins Arquitectura em Aveiro, foi distinguido nos World Architecture Award (WATA) 2022, que decorreu no passado dia 4 de Outubro em Paris. Das nove categorias existentes, o projecto Beira Mar House, no bairro típico da Beira Mar em Aveiro, recebeu uma menção honrosa na categoria ”Special Mention – Restoring Residential’’.

Inspirada pelas 19 edições do Aluminium Architectural Palmarès em França, Espanha e Portugal, os WATA homenageiam é um concurso bienal dedicado a arquitetos que premeia os melhores projetos recentes em termos de qualidade arquitetónica de implementação dos produtos SAPA e TECHNAL.

Estes prémios são atribuídos por um júri internacional composto por sete elementos, contando este ano com nomes da arquitectura mundial, como Brian Kleiver (SOM – Skidmore, Owings & Merrill, Dubai), Lucía Ferrater (OAB, Barcelona), ou Vasco Leónidas (NLA Arquitetos, Lisboa).

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Prémio Concreta Under 40 2022

O atelier Inês Brandão Arquitectura foi o vencedor da edição deste ano do Concreta Under 40, distinguido pela obra “Casa no Crato”. O prémio foi entregue esta quinta-feira, dia 13 de Outubro, no primeiro dia do certame

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(Na imagem: A equipa do atelier Inês Brandão Arquitectura com Amélia Estevão, directora de Marketing da Exponor)

“Casa no Crato” é o projecto vencedor da 3º edição da prémio de arquitectura Concreta Under 40. O projecto da autoria do atelier da arquitecta Inês Brandão tem como pano de fundo a paisagem alentejana, inserido numa propriedade com 70 hectares, onde os carvalhos, as azinheiras, os sobreiros e as giestas povoam os diversos montes e criam uma paisagem idílica. Um projecto que privilegia o contacto com a natureza e que buscou na arquitectura tradicional alentejana um segundo foco de inspiração.

“Este é um projecto residencial, com 400 m2. Os clientes não sabiam ao certo o que é que queriam, para além de que queriam uma casa onde se usufruíssem ao máximo desta qualidade de vida de campo. A ideia foi explorar ao máximo a natureza”, sublinha Inês Brandão. E neste cenário a Casa foi idealizada como que “dançasse à volta da natureza”. “A nível formal uma das imagens de referência foi a típica casa branca, com grandes chaminés”, conta Inês Brandão. Destas duas premissas resultou a sua forma em cruz. “Ao moldar a construção em torno das árvores, permitiu-se que cada um dos seus quatros braços fosse inteiramente rodeado pela paisagem envolvente que penetra no interior de cada espaço, criando a ilusão de uma construção de escala mais reduzida”, descreve.

Mas esta terceira edição ficou ainda marcada pela entrega de um segundo prémio ao projecto “Aldeamento Turístico da Paradinha”, um complexo hoteleiro de estruturas pré-fabricadas, composto por 11 casas independentes e eficientes, a cerca de 20 km de Arouca, um projecto liderado pelo arquitecto Samuel Gonçalves, do atelier SUMMARY. Um projecto que é uma mistura de habitação e turismo e que compreende a construção de pequenas casas na natureza idílica de Arouca e que tem a particularidade de fazer uso de estruturas pré-fabricadas, a única solução possível dada a situação remota e a irregularidade da topografia do terreno de implantação.

Foram ainda atribuídas três Menções Honrosas aos projectos “Casa na Rua Direita de Francos”, de João Sousa, José Mendanha e Nádia Santos; “Apartamento da Santos Pousada”, assinado pelo Hinterland Studio, de Filipa Figueira e Tiago Vieira e “Escritório de Arquitectura, Coimbra”, de João Branco do atelier Branco Del Río Arquitectos.

A iniciativa promovida pela Exponor, conta com o apoio técnico do Conselho Directivo Regional do Norte (CDRN) da Ordem dos Arquitectos e que conta, à semelhança de outros anos, com o patrocínio da CIN. “Comprometida com a inovação e desde sempre apoiando a arquitectura, esta é a principal razão para a CIN estar envolvida de uma forma profunda e imersiva, neste que já é um evento de referência no mercado nacional”, justifica Liliana Leis Soares, directora-adjunta de marketing da CIN.

A 3ª edição do Prémio Concreta UNDER 40 é lançada com o objectivo de promover e reconhecer o trabalho desenvolvido pelas novas gerações de arquitectos, cujo patamar de idades não ultrapassará, em média, os 40 anos, e que têm exercido a sua profissão à luz de uma realidade económica, social, tecnológica e jurídica bem diferente das gerações anteriores. Uma iniciativa que pretende promover e reconhecer o trabalho das novas gerações de arquitectos portugueses, com obras desenvolvidas em território nacional.

Para Diogo Aguiar, membro do júri e Comissário do evento, “já vamos na terceira edição do Prémio Concreta Under 40 by CIN e, a cada ano,sentimos uma maior adesão e entusiasmo nas propostas apresentadas. Enquanto feira que antecipa tendências e soluções, a Concreta pretende ser também uma plataforma de valorização do talento e da visão disruptiva, inovadora e identitária que caracteriza a arquitetura contemporânea portuguesa”, sublinha.

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Go Friday e Miami School of Architecture distinguem arquitectura flutuante

“A ideia de morar em casas flutuantes é algo que devemos levar em consideração, principalmente morando em Miami”, relembra Veruska Vasconez, professora da Miami School of Architecture, acrescentando que “as inundações tendem a agravar-se e o desenvolvimento excessivo de arranha-céus é esmagador”

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“The Lantern House”, da autoria de Lauren Elia, foi o projecto vencedor do concurso promovido pela Go Friday em parceria com a Miami School of Architecture (SOA), iniciativa que teve como objetivo promover a investigação relacionada com importantes aspetos que têm contribuído para o desenvolvimento da arquitetura flutuante em todo o Mundo.

O concurso “Floating House Design Competition”, realizado no summer school de 2022 com alunos de diversos países, procurou responder ao desafio de como poderá a arquitetura
flutuante contribuir para uma maior habitabilidade num futuro marcado pelas mudanças climáticas, colocando em evidência algumas das preocupações partilhadas pela Go Friday e pela SOA, como seja a adaptação ao calor extremo e o aumento do nível do mar.

Neste concurso, no qual participaram 16 alunos com trabalhos individuais e em grupo, foram apurados três vencedores, os quais, além de um prémio monetário, terão a oportunidade de conhecer o departamento de I&D da Go Friday, em Portugal, onde apresentaram, pessoalmente, os projectos vencedores. “The Lantern House”, da autoria de Lauren Elia, foi o projecto vencedor, seguindo-se em segundo lugar “The Mangroon”, da dupla Vanessa Crespo e Anan Yu e, em terceiro lugar, “Aria”, de Tiffany Agam e Isacio Albir. As propostas apresentadas pelos
jovens estudantes de arquitetura têm em comum a resposta a um desafio: criar casas flutuantes, projectadas a partir de estruturas capazes de fazerem face às alterações climáticas, adaptando-se ao meio ambiente.

“A ideia de morar em casas flutuantes é algo que devemos levar em consideração, principalmente morando em Miami”, relembra Veruska Vasconez, professora da Miami School of Architecture, acrescentando que “as inundações tendem a agravar-se e o desenvolvimento excessivo de arranha-céus é esmagador”, pelo que ”o bom arquiteto deve ser capaz de pegar no conceito de casa-barco e criar espaços que proporcionem qualidade de vida”.

A cerimónia que reuniu os alunos e professores da Miami School of Architecture contou ainda com a presença de José Maria Ferreira, CEO da Ecosteel, Grupo detentor da Go Friday, para quem “as casas-barco são a prova que há sempre espaço para inovar, nunca esquecendo as crescentes preocupações com soluções que primem pela eficiência
energética e sustentabilidade ambiental.”

Para José Maria Ferreira, as casas-barco da Go Friday são fruto do pioneirismo, abordagem visionária e de uma aposta no estabelecimento das melhores relações e parcerias na área da indústria, design, tecnologia e I&D. “Acaba por ser gratificante assistir ao talento de jovens futuros arquitetos que acreditam naquele que é o conceito da Go Friday e no potencial que possui enquanto solução para viver e desfrutar em ambientes únicos como seja o rio Douro, em Portugal, o rio Mystic em Massachusetts, nos Estados Unidos ou as margens Porto Rico, cenário que surgiu de inspiração para um dos projectos vencedores”, acrescenta.

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(projeto) em (local) do atelier de arquitetura (arquiteto) com fotografia de arquitetura Ivo Tavares Studio

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Criatividade, arte, sustentabilidade e futuro unem-se no “Porto Creative Heart”

A 30ª edição da Concreta ira decorrer sob o mote da “Economia Circular”, com vista “a celebrar o talento e o sucesso da comunidade criativa de designers, arquitectos e engenheiros”

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Sob o mote da “Economia Circular” e com vista a celebrar o talento e o sucesso da comunidade criativa de designers, arquitectos e engenheiros, a 30ª edição da Concreta quer posicionar-se como “Porto Creative Heart”.

Para Diogo Aguiar, arquitecto e comissário do evento, “a Concreta é, por excelência, o momento de encontro dos arquitectos com a indústria e, nesse sentido, é uma oportunidade sinérgica de aprendizagem, de criação de redes e de inovação. São três dias intensos que marcam a preparação do próximo ano profissional e em que, para além de se fecharem múltiplos negócios, se pode contactar com a apresentação de novos produtos e também de práticas arquitectónicas de relevância internacional”. 

A 30ª Concreta, que acontece de 13 a 16 de Outubro, prepara-se, assim, para trazer várias novidades, entre elas o ciclo de conferências “Na Primeira Pessoa”, com o propósito de dar voz aos arquitectos, engenheiros e designers que se distinguiram pela adoção de boas práticas de sustentabilidade. Os participantes são convidados a dar uma palestra de 30 minutos sobre um projecto em nome próprio. Soma-se ainda o “Dream Lab”, um novo espaço, dedicado a start-ups, como forma de valorização de novos talentos e potencialização de oportunidades.

Depois do sucesso da exposição e conferência de Francis Kéré, na edição passada, a revista AMAG regressa com uma exposição e duas novas conferências, que estarão a cargo de Clancy Moore, Ryan W. Kennihan e Steve Larkin, três jovens escritórios irlandeses, e Barozzi Veiga, escritório fundado por Alberto Veiga e Fabrizio Barozzi em Barcelona.

O Prémio Concreta Under 40 by CIN, realizado com o apoio técnico do Conselho Directivo Regional do Norte (CDRN) da Ordem dos Arquitectos, está também de regresso. A terceira edição do prémio visa promover e reconhecer o trabalho desenvolvido pelas novas gerações de arquitectos, distinguindo obras construídas em território nacional, que se destacam pela criatividade, inovação e qualidade técnica.

A Ordem dos Arquitectos Secção Regional Norte (OASRN), com o apoio de empresas parceiras, será responsável por um debate sobre boas práticas em ‘Arquitectura e Indústria de Construção’, em todo o ciclo de vida do edifício, assumindo um centro temático diário, com recurso a apresentações, conferências e debates e que, culmina num exercício performativo de desmontagem do stand da OASRN, no último dia do evento.

Em simultâneo, irá decorrer a Elétrica, direccionada para o sector electrico e electrónico, dirigida aos profissionais de ambas as áreas e onde serão apresentadas as últimas novidades e soluções para uma adequação ao mercado e às exigências de sustentabilidade.

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João Álvaro Rocha @Navarra

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Prémio João Álvaro Rocha recebe propostas até 31 de Outubro

Destinado a Edificações e Espaços Públicos, realizadas no período entre 2014 e 2019, este é um dos primeiros prémios com enfoque no período pós-construção das obras

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O Prémio Municipal de Arquitectura João Álvaro Rocha encontra-se a receber candidaturas até dia 31 de Outubro, que podem ser realizadas através do site pma.joaoalvarorocha.pt.

Com periodicidade bienal, o prémio é organizado pela APJAR – Associação Pró-Arquitectura João Álvaro Rocha, com o apoio da Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte e da Câmara Municipal da Maia.

Destinado a Edificações e Espaços Públicos, realizadas no período entre 2014 e 2019, este é um dos primeiros prémios com enfoque no período pós-construção das obras.

O prémio, de natureza não pecuniária, consiste na edição de uma publicação, de um vídeo, de uma conferência e de uma visita guiada. Podem ser atribuídas até quatro menções honrosas.

Todos as obras candidatas integrarão, posteriormente, uma exposição.

A município da Maia atribuiu o nome do arquitecto João Álvaro Rocha (1959 – 2014) ao Prémio Municipal de Arquitectura como reconhecimento do seu trabalho em prol da qualidade da arquitectura e do urbanismo, uma parte significativa realizada no concelho da Maia.

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“Architecture for well-being” marca programação do Dia Mundial da Arquitectura

O percurso de Nuno Teotónio Pereira, falecido em 2016, estará em destaque nas comemorações com a inauguração de uma exposição do arquitecto e um debate sobre Associativismo. Também Manuel Graça Dias será lembrado com o lançamento de um prémio

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Celebrou-se esta segunda-feira, dia 3 de Outubro o Dia Mundial da Arquitetura. “Architecture for well-being” foi o tema lançado este ano pela União Internacional dos Arquitectos (UIA) e que será o mote da programação um pouco por todo o mundo, que irá contar com diferentes “pontos altos” ao longo do mês de Outubro.

A 6 de Outubro inaugura a exposição “Fui sempre um sócio ativo – Do sindicato à Ordem dos Arquitectos”, que irá ficar patente na sede nacional da OA, que replica o trajecto de Nuno Teotónio Pereira, falecido em 2016, possibilitando a compreensão do seu percurso desde estudante, a participação no Sindicato Nacional dos Arquitectos (SNA), no congresso fundador da UIA (União Internacional dos Arquitectos) e a transformação da Associação dos Arquitectos Portugueses numa instituição de direito público.

Este momento conta, alguns dias depois, com o lançamento do Catálogo da Exposição e de um Debate sobre “Gerações, Associativismo”, a dia 21.

Posteriormente, a 27, acontece o lançamento do Prémio Manuel Graça Dias dst Ordem dos Arquitectos Primeira Obra e a atribuição de títulos de Membro Honorário OA.

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“Acho que a abordagem para mitigar a crise climática precisa ser radical”

Arquitecta, investigadora e docente, Marina Tabassum é a vencedora do Prémio Carreira Trienal de Lisboa Millenium bcp, da edição de 2022. Segundo a organização, a sua prática ao longo das últimas três décadas a partir natural do Bangladesh, de onde é natural, “é um exemplo inspirador de como o trabalho em arquitectura com comunidades locais pode ter repercussões em todo o Planeta” indo, por isso, ao encontro dos valores propostos de Terra

Cidália Lopes

Em entrevista à Traço, a Marina Tabassum aponta o importante papel da selecção de materiais e estratégias ambientais na definição do tecido do edifício como forma de minimizar os efeitos das alterações climáticas e acredita que a abordagem precisa “ser radical”. Da mesma forma, considera que a arquitectura deve assumir “um papel de agente de mudança” no que diz respeito ao trabalho junto de comunidades locais mais desfavorecidas. Uma prática que deve sobrepor-se “a um mercado orientado para o lucro”. O caminho já começou e, com este prémio, Tabassum pretende estimular, ainda mais, discussões sobre o papel da arquitectura na mudança de pensamentos e valores.

Qual é a importância desta distinção?

Os reconhecimentos são importantes, pois trazem para o foco questões e buscas que são relevantes para o nosso tempo e contexto. Estamos a viver um momento muito interessante de mudança de paradigmas. Espero que distinções como esta da Trienal de Lisboa estimulem discussões sobre o papel que a arquitectura pode ter na adaptação da paisagem à mudança dos nossos pensamentos e valores.

Qual a importância do papel da arquitectura como veículo/ferramenta social?

A indústria da construção civil, da qual nós arquitectos somos parte integrante, é um dos maiores contribuintes da crise climática, aumentando o stock de resíduos e o acesso desigual a um ambiente de vida de qualidade.

Se considerarmos o contexto actual do nosso tempo em que o ambiente natural habitável está ameaçado pelo excesso de extracção da matéria-prima e produção com o foco único no crescimento económico, isso criou uma enorme disparidade nas condições de vida tanto no contexto urbano quanto no rural. Quão responsável será nossa profissão se o continuarmos a negligenciar? A arquitectura, os arquitectos e toda a indústria da construção têm responsabilidade para com uma sociedade equitativa. Como profissão criativa temos a capacidade de reimaginar e reinventar formas de usar a arquitectura como ferramenta social.

Bait-Ur-Rouf-Mosque_©-Sandro-Di-Carlo-Darsa

A urgência de cuidar da ‘Terra’ leva a uma mudança radical na forma como a arquitectura é projectada e feita. Quais são as principais mudanças que já se fazem sentir?

A Terra pode curar-se sem intervenção humana, se reduzirmos as nossas actividades antropogénicas. Cuidar da Terra é, na verdade, cuidar do nosso ambiente habitável. Testemunhámos durante a pandemia, quando entrámos em confinamento, como a natureza se cura quando as actividades humanas são reduzidas. Precisamos restaurar o ecossistema, limpar o ar e a água, reduzir os resíduos antropogénicos não apenas para a Terra, mas para a nossa própria existência.

Porque é que construímos edifícios revestidos de vidro em regiões de climas quentes, onde a temperatura pode chegar a 55°C. Deveria ser crime desperdiçar energia na refrigeração destes edifícios.

Em vez de construir novos, precisamos nos concentrar no ambiente construído que criamos e trabalhar em estratégias de adaptação que sejam amigáveis ​​ao meio ambiente, fazendo uso dos recursos naturais como luz do dia, vento, sombra-sombra respondendo aos contextos e reduzindo nossa dependência sobre combustível fóssil. Precisamos abordar a vegetação e a segurança alimentar, que por si só pode actuar como acção restauradora.

Como prevê que sejam os próximos anos em termos de como o planeta enfrentará a crise climática? E que acções devem ser tomadas a nível global para que a profissão de arquitecta desempenhe um papel cada vez mais activo?

Em Bangladesh, já estamos a enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Os padrões climáticos imprevisíveis estão a perturbar a ecologia agrícola. A subida do nível do mar, induzida pela crise climática aumentou as inundações, a erosão das margens dos rios e afectou também a biodiversidade das zonas costeiras. Um grande número de pessoas tornou-se ‘migrantes climáticos’.

Condições climáticas extremas na forma de secas, inundações, furacões, deslizamentos de terra, incêndios florestais estão a acontecer de forma global e a afectar um grande número de pessoas. Estes fenómenos vão aumentar nos próximos anos.

Acho que a abordagem para mitigar a crise climática precisa ser radical. A arquitectura precisa de se concentrar apenas em edifícios e construções essenciais. Pelo menos durante uma década, a arquitectura devia focar-se na recuperação do desequilíbrio ambiental. Construir para os desfavorecidos e para as vítimas mais vulneráveis às alterações climáticas é mais importante do que construir apartamentos e escritórios de luxo. Mas um mercado orientado para o lucro não se concentrará em abrigar esta população. Neste sentido, os arquitectos podem assumir o papel de agentes de mudança.

Mas a nível global, não deve ser difícil reduzir a extracção, a superprodução de edifícios e materiais de construção. Podemos reduzir as longas cadeias de fornecimentos adquirindo materiais localmente, com o foco em pesquisas colaborativas sobre como transformar em materiais de construção utilizáveis os resíduos. Cada edifício deve ser resiliente ao clima e optimizar o uso de energia e isso pode ser exigido por lei. A reutilização adaptativa deve ser incentivada em vez da substituição completa dos edifícios existentes.

Museum-of-Independence-and-Independent-Monument_©-Sandro-Di-Carlo-Dars

A forma de fazer arquitectura difere do contexto, do país, das condições socioeconómicas. O que podemos aprender com o que está a ser feito em Bangladesh e nos países vizinhos?

Nem tudo que está sendo feito em Bangladesh e na região são exemplares que podem ser replicados. Mas há muitos arquitectos e escritórios de arquitectura que abordam a profissão com mais responsabilidade do que os outros. Grande parte de nossa arquitectura pretende ser ‘climate responsive’ e ao contexto e são menos dependentes de meios artificiais de controle climático. Também procuramos que os materiais utilizados sejam, normalmente, provenientes do país. Além disso, recorremos à força de trabalho local para trabalhar no sector da construção. Isso gera economia local.

Temos comunidades de jovens arquitectos que não seguem a forma convencional da prática, mas com foco no trabalho com comunidades menos privilegiadas através de processos participativos de design e construção. Mesmo quando não há clientes ou financiamento, os arquitectos estão a criar projectos e a envolver pessoas para construir os seus próprios ambientes de vida. São novas formas de práticas que se estão a mostrar muito impactantes para as comunidades de baixos rendimentos.

Quais os projectos que destacaria e porquê?

É difícil destacar projectos, pois cada um é diferente devido ao seu contexto, programa e narrativa. A mesquita Bait ur Rouf é o primeiro projecto que chamou a atenção para a nossa prática. É um projecto único onde todas as minhas preocupações arquitetónicas se manifestaram através do design.

Os projectos nos campos de refugiados são únicos pelo contexto e narrativa difíceis e também pelas restrições impostas à construção que nos obriga a procurar formas inovadoras de construção. Os projectos são o resultado do envolvimento da comunidade no design e na sua própria construção.

Por exemplo, a unidade de habitação modular móvel Khudi Bari é a nossa resposta à preparação climática para as comunidades marginalizadas de Bangladesh. Este é, também, um projecto único que ajudou a salvar as vítimas das cheias, incluindo os seus vizinhos na recente enchente de 2022.

BIO

Marina Tabassum

Arquitecta e investigadora e docente natural do Bangladesh, Marina Tabassum fundou a Marina Tabassum Architects, com sede em Dhaka, em 2005, depois de 10 anos como sócia e cofundadora do URBANA, também em Dhaka. No seu trabalho, que vai do institucional ao multi-residencial e ao cultural, Marina Tabassum procura “estabelecer uma linguagem de arquitectura que seja contemporânea, mas reflexivamente enraizada no lugar”.

Marina Tabassum é directora académico do Bengal Institute for Architecture, Landscapes and Settlements, uma plataforma intelectual para aqueles que estão empenhados a imaginar e moldar futuros ambientais na região. Leccionou na Harvard University Graduate School of Design, Technical University, Delft, University of Texas at Arlington e BRAC University, tendo sido, também, agraciada com um doutoramento honorário da Universidade Técnica de Munique.

A sua contribuição no campo da arquitectura rendeu-lhe honras e elogios, incluindo Prémios Aga Khan para Arquitectura, o Prémio Memorial Arnold W. Brunner, da Academia Americana de Artes e Letras, a Medalha de Ouro da Academia Francesa de Arquitectura, a Medalha Soane de Sir John Soane Museum e o Prémio Jameel do Victoria and Albert Museum.

Marina Tabassum está, igualmente, envolvida na organização de comércio justo Prokritee como membro do Conselho, capacitando mulheres de Bangladesh através da exportação de objectos artesanais. Iniciou, também, projectos de habitação de baixo custo em cidades ao redor de eco-resorts actualmente em construção no sul de Bangladesh e criou a FACE, com o objectivo de procurar soluções de vida resilientes ao clima para as vítimas vulneráveis ​​às mudanças climáticas.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

Jornalista
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Research©-Biogenic-Constructions (Premiado na categoria Investigação)

Arquitectura

Trienal 2022 revela vencedores Prémio Début e ‘Prémio Universidades’

O atelier brasileiro Vão é o vencedor do Prémio Début. Já no Prémio Universidades foram distinguidas quatro propostas ex-aequo na categoria Mestrado e uma na categoria Investigação, cujos 17 ensaios seleccionados serão compilados numa antologia a ser lançada em finais de Outubro

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Vão é o atelier vencedor do Prémio Début Trienal de Lisboa Millennium bcp. Sediado em São Paulo, no Brasil, e fundado em 2013 por Anna Juni, Enk te Winkel e Gustavo Delonero, o atelier “destacou-se pela sua originalidade, compromisso com o ambiente e elegância da sua obra, resultado da mestria do desenho arquitectónico e uma profunda compreensão dos materiais”.

Na sua obra, que integra desde a habitação ao Museu de Arte Sacra, destaca-se uma fábrica de tijolos, em Alvaré, no estado de São Paulo. Construído com 12 mil blocos de tijolos empilhados sem argamassa, Vão escolheu como material o produto da própria fábrica, evitando o impacto do transporte. “O processo de construção assemelhou-se a uma montagem, podendo ser integralmente reutilizado em caso da relocalização. A estabilidade do edifício foi obtida aumentando significativamente a volumetria das paredes, à semelhança das antigas construções megalíticas”, indica o atelier.

Na corrida ao Prémio Début estiveram 10 finalistas, ateliers e profissionais individuais provenientes dos dois hemisférios do globo. O galardão destaca uma prática profissional individual ou colectiva para impulsionar o crescimento intelectual e profissional de talentos emergentes numa fase crucial do seu percurso.  O valor pecuniário atribuído ao 1º prémio duplicou desde 2019, tendo agora um valor de 10 mil euros.

Na mesma cerimónia foram, também, reveladas as propostas vencedoras do concurso Prémio Universidades Trienal de Lisboa Millennium bcp que, pela primeira vez, incluiu duas categorias, Mestrado e Investigação.  No total das duas categorias, 18 dos projectos candidatos integram as exposições centrais da 6.ª edição da Trienal e 9 foram finalistas do Prémio. O galardão tem como principal objectivo aproximar escolas e centros de investigação, incentivando a criação de novas pontes com a prática da arquitectura.

“Pela elevada qualidade e pertinência das propostas”, foram distinguidas quatro propostas vencedoras ex-aequo na categoria Mestrado, nomeadamente, aAquatic Livelihoods, da Universidade de Harvard, nos E.U.A., patente na exposição Visionárias, Coastal Interference, da Bergen School of Architecture, na Noruega, e The Theater of the People da Spitzer School of Architecture, City College of New York, nos E.U.A., patentes na exposição Multiplicidade e The (in)visible traces of the landscape, da ENSA École Nationale Supérieure d’Architecture de Versailles da Université Paris-Saclay, em França, apresentada na exposição Ciclos.

Na categoria Investigação, o galardão foi para Biogenic Construction, do Institute of Architecture and Technology, que pertence ao The Royal Danish Academy, na Dinamarca, um projecto apresentado na exposição Ciclos e com um ensaio no respectivo livro.

Em finais de Outubro, é lançada uma antologia — Emerging voices on new architectural ecologies — com dezessete ensaios de projectos seleccionados neste concurso, reunindo diversas abordagens para trabalhar com a natureza e as comunidades rumo a uma nova linguagem arquitectónica e revelando algumas das ideias mais progressistas das escolas de arquitectura de hoje.

Os Prémios Trienal de Lisboa Millennium bcp foram revelados numa cerimónia que decorreu na passada sexta-feira, dia 30 de Setembro, na Academia de Ciências de Lisboa, com a presença de finalistas, premiados e premiadas, incluindo a arquitecta Marina Tabassum, Prémio Carreira Trienal de Lisboa Millennium bcp.

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“Uma das nossas vontades era ‘dar voz a uma diversidade e pluralidade de perspectivas’”

Cristina Veríssimo e Diogo Burnay falaram à Traço, na primeira pessoa, enquanto curadores da 6ª edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa, que nos traz o tema Terra, um nome que optaram por não traduzir exactamente pela força que acarreta, sendo não só o lugar em que habitamos, mas também aquele lugar que nos dá o sustento e nos fornece os recursos para vivermos

Cidália Lopes

O pretexto foi a Trienal, cuja edição de 2022 está prestes a começar. Mas a conversa, a dois, extrapolou para lá do tema escolhido e das iniciativas previstas. Se o tema escolhido pretendia reforçar preocupações ambientais e ser um passo importante para um novo paradigma na arquitectura, o impacto da covid-19 e, mais recentemente, da Guerra, vieram “ajustar agulhas” quanto ao programa. A uma só voz, que ser quer cada mais activa, fica a certeza do impacto do seu trabalho hoje e amanhã.

Quando idealizaram o tema Terra terá sido na óptica das alterações climáticas, pressuponho, mas depois deu-se uma pandemia o que terá tornado ainda mais importante esta reflexão. Houve em algum momento alguma necessidade de ajustar aquilo que tinham pensado inicialmente em termos de programa? Como é que foi este processo de quase três anos de idealização?

CV: O processo foi um crescendo. Quando se tem a vantagem de uma Trienal tem-se muito tempo para pensar e para cimentar ideias. Neste caso, quando nós começamos a Trienal, para nós curadores o tema Terra pareceu-nos ser o tema ideal. Como sabe nós temos vivido e trabalhado em muitos sítios do Globo e este pareceu-nos para nós o Tema. Claro que a vinda da pandemia reforçou muito esta nossa ideia e pensamos: “Olha afinal isto agora está a complicar-se mais e é um período em que isto se está a aprofundar” e neste sentido a ideia foi maturando. Fomos aprendendo com a pandemia, mas não foi necessariamente um mudar de agulhas, foi um ajustar de agulhas.

Aquilo que talvez fosse menos expectável foi a Guerra da Rússia contra a Ucrânia, que despertou e alertou, sobretudo na Europa, de que todos os países, mesmo os que vivem numa situação mais confortável podem ser atingidos. Para nós não nos afectou porque abrimos esta Trienal ao Mundo e demos voz a vários sítios do Globo. A actual situação é um alerta para os Europeus, mas há países que vivem com a sensação de insegurança constantemente, e, a ideia de dar voz a esses países já estava no embrião da Trienal.

Aproveitando a questão da Guerra, pergunto se têm sentido algum tipo de constrangimentos em relação a participações russas, que estão sempre muito presentes na Trienal, de arquitectos oriundos desta região?

CV: Nós temos, por acaso, um projecto de uma universidade russa, e estamos a tentar que os seus autores venham à Trienal. Uma das nossas curadoras tem felizmente dupla nacionalidade já que vive em Roterdão há muitos anos e, nesse caso, não teremos problemas. Curiosamente, estas restrições não estão apenas relacionadas com a Rússia, mas também com países africanos onde estas questões são sempre muito burocráticas e muitas vezes políticas até. Por exemplo, um dos nossos curadores está com muita dificuldade para conseguir o Visto para vir a Portugal. Portanto estas questões existem e não se prendem só com a questão da Guerra.

Voltando ao tema Terra e o facto de terem optado por não o traduzir existe aqui alguma tentativa de afirmação da nossa portugalidade?

DB: Essa é uma excelente questão e com a qual já tínhamos sido confrontados. Uma das vontades que tínhamos com esta Trienal era exactamente dar voz a uma diversidade e pluralidade de perspectivas, trazendo para Lisboa um conjunto de sensibilidades e modos de olhar para estes desafios problemáticos ligados à construção e do papel que a arquitectura pode ter em continuar a construir um Planeta que seja sustentável e onde seja possível continuar a construir.

A nossa preocupação era, talvez, mais centrada em trazer para Lisboa aquilo que Lisboa sempre teve, se quisermos alguma centralidade e que assim foi durante muitos séculos, mas que corresponde também a uma abertura para com o outro, para com essa pluraridade e diversidade de saberes e de modos de estar na vida que Lisboa sempre teve. Há imagens do século XV, XVI que mostram cenas urbanas em que se percebe que este era um lugar de grande pluralidade.

É obvio que há aqui uma herança colonial e um espaço pós-colonial que nós queremos celebrar e isso tem a ver com a nossa preocupação em trazer curadores de várias partes do Planeta, trazer temas que aproximem a arquitectura das questões de justiça social, equidades socioeconómicas, no sentido de reforçar o papel que a arquitectura pode ter perante a sociedade, perante estas comunidades, mas sobretudo dando voz a estas diferenças para que não fosse uma Trienal centrada no olhar especifico, anteriormente por vezes criticado, muito europeísta sobre problemáticas e sensibilidades que são muito diferentes.

Esta portugalidade e estes valores de generosidade, se quisermos até, gastronómicos, culturais, afectivos, penso que será muito adequado o facto desta Trienal pretender ser mais extrovertida, não reclamando uma centralidade, isso poderá ser conotado ainda restos de um pensamento ainda colonial, mas um lugar de encontro dessas diferentes sensibilidades.

Temos tanto nas exposições das universidades, como nas quatro exposições como no prémio Debut, um conjunto de entrada de concorrentes que se candidataram de todo o Mundo e ai sim nesses concursos abertos estão presentes trabalhos e conhecidos de estudantes e arquitectos portugueses sediados em Portugal e não só.

CV: Só acrescentar também, que a própria força da palavra Terra é uma palavra que tem estes significados que nós temos falado, que as línguas latinas percebem. Esta força desta palavra não se transmite noutras línguas e por isso é que quisemos manter Terra também, até pela própria forma como pronunciamos a palavra.

Antecipando um pouco a realização da edição, o que gostariam que perdurasse além da Trienal?

CV: Desde o início tentamos que esta Trienal não fosse só feita para arquitectos mas para toda a população. temos esta ambição de chegar ao Mundo. Acho que queremos sobretudo, deixar uma mensagem que nos parece importante: A preservação deste Planeta que está a gritar por ajuda. Não basta pensar que são instituições, que são eventos deste género que nos darão as respostas ao que o Planeta precisa, mas sim que cada um de nós tem um papel fundamental a desempenhar. Acho que é isso que nós queremos com esta Trienal, que as pessoas tomem consciência, que não depende dos outros, depende também de nós.

DB: Além do que se pode denominar como o campo específico da arquitectura, queremos trazer para Lisboa, que está um pouco na periferia da Europa, trabalhos e modos de olhar sobre estas problemáticas espalhados pelo Mundo. Que a nossa disposição para aprender com os outros, com aquilo que, não necessariamente nos identificamos, que nos é diferente, que deixe de ser indiferente, que seja um problema de todos e que passe também a ser um problema transformado em oportunidade e esta disponibilidade de percebermos que o Planeta é diverso.

Isto inscreve-se, também, na ideia de que temos de pensar na nossa actividade em enquanto arquitectos numa perspectiva de economia circular, segundo a ideia de que o ciclo da vida das coisas, dos materiais, das comunidades, mas também com os círculos que são diferentes e o modo como eles se interceptam.

Outra questão que verifica na arquitectura, é de que agora todos os edifícios deviam ser construídos em madeira, porque é um material natural, que as ignições de CO2 são muito menores, etc. Isto numa economia do Norte, onde há uma determinada abundância deste material e em que a mão de-obra tem um determinado contexto socioeconómico, fará sentido. Já num outro contexto isto pode ser considerado um disparate. Este é também outro aspecto que gostaríamos que ficasse desta Trienal.

Perante estas novas dinâmicas com que a arquitectura se confronta, quais serão os principais desafios que os jovens arquitectos têm pela frente?
CV: Sendo nós professores universitários lidamos com estas novas gerações há muitos anos, e é curioso porque sentem um certo olhar atento e de preocupação, sem dúvida. Da nossa parte estamos atentos a isso de tal maneira que nesta edição da Trienal quisemos dar voz a esta gerações e inclusive pusemos-os em parceria com as outras exposições, não fizemos uma exposição à parte porque consideramos que têm uma voz. Não significa com isto que as escolas também não tenham de estar atentas em termos de programas que estão a implementar ao nível da arquitectura, mas eu penso que os jovens são assertivos no sentido da preocupação com o Planeta, isso não tenho dúvida. As suas preocupações vão estar espelhadas, sem dúvida, naquilo que irão produzir.

DB: Estas novas gerações têm acesso a uma informação completamente diferente e por isso a grande preocupação é encontrar lugares de trabalho e modos de trabalhar e que, de algum modo, se cosam, se identifiquem com os seus valores, com aquilo que acham que é importante para a comunidade, para a sociedade, para o Planeta.

Nós temos conversas com vários estudantes que nos dizem: “Está bem, mas hoje estamos a construir isto e isto para quem e qual a sua longevidade”. O que percebemos é que esta geração, por ter um acesso a muita informação, tem um olhar mais crítico, mais predisposto a cruzar diferentes conhecimentos e isso poderá ser um certo desafio. Na nossa geração fomos das poucas pessoas em que não era normal, não era comum, pessoas saírem de Portugal para irem trabalhar e explorar outros lugares. A nossa geração e as gerações mais novas estão muito mais centradas nas oportunidades que a Europa trouxe com a adesão à comunidade europeia. As equidades, justiças sociais e económicas, transparência, informação, estão muito mais presentes nas novas gerações.

Neste sentido, e aproveitando o facto de estarem a decorrer dois concursos – para jovens arquitectos e para quem ainda está na universidade – é possível verificar que as propostas vão muito ao encontra dessa circularidade, sustentabilidade, dessa preocupação com o Planeta? É isso que retiram destas propostas?
Sem dúvida. E também aqui elogiar o papel que as escolas têm. Ainda não é generalizado, mas pensamos que a esse nível já vêm muitas escolas a programar o seu currículo no sentido da atenção a estes assuntos. Nós tivemos propostas de todo o Mundo, o que nos permite ter uma visão do que é que as diferentes escolas podem fazer.

E é possível, através das diferentes propostas, ter uma ideia das preocupações e também a origem das próprias propostas?
Apesar de sermos júri não tínhamos acesso à origem das propostas e quais eram as escolas, o que nos permitia concentrar apenas no projecto apresentado, mas é curioso que depois no final, quando se cruzaram as propostas com os lugares de onde vinham, demo-nos conta de há escolas que estão a trabalhar para diferentes partes do Mundo. Portanto até tematicamente, nota-se uma preocupação mais global e que as escolas procuram temas que sejam cruciais para o seu currículo, e que não são, necessariamente, problemáticas do País de origem. Aquele projecto que, inicialmente, poderíamos achar que seria de uma escola em África, não era de todo, o que torna bastante interessante. Ultimamente há também um factor muito comum nas escolas de arquitectura que é receber estudantes estrangeiros, o que põe em confronto ideias e perspectivas diferentes.

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