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Engenharia

Lisboa: Plano de Drenagem vai avançar; Investimento ronda 250M€

A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou uma proposta da Câmara para a contratação de um empréstimo, até 90 milhões de euros, junto do Banco Europeu de Investimentos, para aplicação exclusiva ao Plano Geral de Drenagem. O objectivo visa proteger a cidade de Lisboa de inundações nos próximos 100 anos

Ricardo Batista
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Lisboa: Plano de Drenagem vai avançar; Investimento ronda 250M€

A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou uma proposta da Câmara para a contratação de um empréstimo, até 90 milhões de euros, junto do Banco Europeu de Investimentos, para aplicação exclusiva ao Plano Geral de Drenagem. O objectivo visa proteger a cidade de Lisboa de inundações nos próximos 100 anos

Ricardo Batista
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A Câmara de Lisboa acaba de dar mais um passo em direcção à tão aguardada execução do Plano de Drenagem, depois de ter sido aprovada, em Assembleia Municipal, uma proposta para a contratação de um empréstimo, até 90 milhões de euros, junto do Banco Europeu de Investimentos, para aplicação exclusiva ao plano.

Na apresentação da proposta, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), disse que a contratação de um empréstimo de médio e longo prazo junto do Banco Europeu de Investimentos (BEI) é para a concretização do Plano Geral de Drenagem, “uma das obras mais importantes para Lisboa” no âmbito do combate às alterações climáticas, nomeadamente para preparar a cidade contra cheias de grande dimensão.

“Obra única”
Carlos Moedas reforçou que o Plano Geral de Drenagem é uma obra “extraordinária e única em termos europeus”, indicando que o empréstimo é para financiar a 100% a construção dos dois túneis previstos neste âmbito, que chegam a ter uma profundidade de 70 metros. “É uma obra que é invisível ao olho, porque é em profundidade, mas é sem dúvida a obra mais importante para a cidade para nos prepararmos para as mudanças climáticas”, reforçou o presidente da Câmara de Lisboa, explicando que um dos túneis vai implicar cinco estaleiros, nomeadamente na Avenida da Liberdade, Rua de Santa Marta, Avenida Almirante Reis, Santa Apolónia e Campolide.

Relativamente à escolha pelo BEI, o autarca referiu que, depois de consultadas várias entidades bancárias, “foi este o banco que trouxe as melhores condições”. Segundo a proposta, a contratação de um empréstimo de médio e longo prazo junto do BEI é “até ao montante de 90 milhões de euros”.

O contrato é para “aplicação exclusiva ao Plano Geral de Drenagem”, nomeadamente a implementação de duas das suas obras estruturantes, o túnel Monsanto – Santa Apolónia, com cerca de cinco quilómetros de extensão e 5,5 metros de diâmetro, e o túnel Chelas – Beato, com cerca de um quilómetro de extensão e igual diâmetro, “numa solução pensada para resolver, entre 70% a 80%, os riscos de inundações na cidade de Lisboa e, portanto, com forte impacto na resiliência da cidade e protecção dos seus habitantes e futuras gerações”, lê-se na proposta da câmara.

Percursos distintos
Os túneis são compostos por dois percursos: Monsanto – Santa Apolónia (TMSA) e Chelas – Beato (TCB). Têm 5,5m de diâmetro interno e desenvolvem-se a uma profundidade média de 30-40m (muito abaixo das edificações da cidade. Apenas em três zonas de atravessamento de vales na cidade e junto ao rio essa profundidade é menor). Estes túneis irão captar a água 11 recolhida nos 2 pontos altos (Monsanto e Chelas), bem como em pontos adicionais de captação, ao longo do seu percurso, nomeadamente Av. da Liberdade, Sta. Marta e Av. Almirante Reis, conduzindo todo esse volume de água ao rio (Sta. Apolónia e Beato). Desta forma é desviada a água que provocaria cheias e inundações, nos locais críticos de Lisboa, em picos de chuva.

O Túnel Monsanto – Santa Apolónia tem cerca de 5Km de extensão. O Túnel Chelas – Beato tem cerca de 1Km. O Plano Geral de Drenagem de Lisboa, com o período de execução 2016-2030 é, segundo a autarquia, “a obra invisível” que vai proteger a cidade para os impactos das alterações climáticas, nomeadamente evitar cheias e inundações, permitir a reutilização de águas e diminuir a factura da água potável, avançam os responsáveis municipais.

A conclusão da obra está prevista para o início de 2025, num investimento total de 250 milhões de euros. Para além de minimizar os impactes sociais, económicos e ambientais das cheias e inundações, a construção dos túneis de transvase de bacias, associadas a bacias antipoluição, trarão outras vantagens. Estas bacias antipoluição irão captar e armazenar as primeiras águas da chuva (as mais poluídas por trazerem os resíduos deposita dos na superfície dos pavimentos) conduzindo-as posteriormente às fábricas de água (ETARs), já com um prévio tratamento de decantação. Desta forma será possível aumentar significativamente os volumes de água já tratada que são conduzidas ao rio Tejo, minimizando os seus níveis de poluição. Outra vantagem na construção destas estruturas será a possibilidade de se utilizar água reciclada para lavagem de pavimentos, regas e incêndios. Isto será possível porque, nos túneis, será construída tubagem que conduzirá a água reciclada (das fábricas de água até às bacias antipoluição em sentido inverso ao da drenagem). Esta água reciclada será reservada em depósitos independentes, dentro das bacias antipoluição que por sua vez alimentarão os marcos de água reciclada a instalar na cidade (estruturas de cor roxa, distintas dos actuais hidrantes vermelhos, abastecidos com água potável).

Longo historial
As situações de inundações são frequentes na cidade de Lisboa, em particular em zonas críticas como a Baixa e Alcântara. Estes fenómenos têm tendência a agravar-se devido à crescente ocupação do território e ao efeito das alterações climáticas. Segundo adiantam os responsáveis municipais, face a esta realidade é de extrema importância implementar soluções que eliminem ou reduzam os impactes sociais, económicos e ambientais associados às cheias e inundações. Em 2004, a Câmara Municipal de Lisboa, por iniciativa do então presidente, António Carmona Rodrigues e através da Empresa Pública Municipal de Águas Residuais – EMARLIS, deu início ao processo de lançamento do Plano Geral de Drenagem de Lisboa (PGDL), que foi adjudicado ao consórcio Chiron/Engidro/Hidra em Fevereiro de 2006.

Em 2008, foi aprovado o primeiro Plano Geral de Drenagem. Nesta versão, para controlo de cheias, considerava-se a construção de reservatórios e um tempo de recorrência de 10 anos (ou seja, a maior chuvada que, estatisticamente ocorre de 10 em 10 anos). Por falta de capacidade financeira, este Plano de 2008 não foi implementado. Em 2015 foi actualizada a versão do Plano Geral de Drenagem de 2008, evoluindo para uma solução que contempla a construção de dois grandes colectores (túneis), bacias de retenção/antipoluição e um tempo de recorrência de 100 anos. Esta versão foi aprovada, por unanimidade, em Reunião de Câmara em Dezembro de 2015. Em 2021 foi celebrado contrato com o consórcio Mota Engil / SPIE Batignolles Internacional para a concepção/construção dos túneis de drenagem de Lisboa.

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Alentejo: “A Ordem está agora mais próxima dos problemas locais”

A presidente da recém-criada Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos fala dos desafios daquele organismo num território que, estando longe de ser pobre, é disperso e obriga a uma maior ‘unidade’ entre os profissionais. Cláudia Gaspar adianta ainda que o PRR não será tábua de salvação na região mas, qualquer que seja o caminho, os arquitectos querem fazer parte do processo de encomenda

Ricardo Batista

“Os princípios da Ordem mantêm-se, com as preocupações naturais da arquitectura e do momento, e de um modo transversal. A Ordem continua a ser uma, mas está agora mais próxima das entidades locais, da sociedade, mais próxima dos problemas locais”.

Dois anos depois de tomar posse como a primeira presidente do Conselho Directivo do Alentejo da Ordem dos Arquitectos, Cláudia Gaspar traça um balanço positivo da nova organização daquele organismo, sublinhando que entre as prioridades da nova secção esteve sempre “o reconhecimento das mais valias existentes localmente, dos saberes locais”.

“Estamos hoje mais próximos das dificuldades que os arquitectos têm na sua prática quotidiana, sejam os que trabalham na Administração publica, os que trabalham nos seus gabinetes privados ou os que são trabalhadores independentes, uma grande maioria da realidade do Alentejo”, salienta Cláudia Gaspar, à margem de um painel dedicado ao Território e que reuniu, no Archi Summit, os presidentes de algumas das novas secções regionais da Ordem dos Arquitectos.

Para a responsável pela estrutura do Alentejo, naquela região, extensa, os arquitectos têm a particularidade de trabalhar num território disperso, de forma dispersa e muitas vezes de costas voltadas uns para os outros.

“Uma das nossas premissas tem sido conseguir colocar os arquitectos a dialogar entre eles mas, acima de tudo, fazer a ponte entre a arquitectura e a sociedade, com uma série de actividades de divulgação da arquitectura, conferências, mesas redondas”, assegura, sublinhando que têm sido iniciativas “muito bem acolhidas”. Cláudia Gaspar destaca, essencialmente, o trabalho institucional que tem sido feito junto das 47 autarquias e das quatro comunidades inter municipais, trabalho que “tem sido um trabalho longo e será extenso, num ano particularmente difícil em que temos o PRR e as câmaras numa logica de contra relógio para conseguir alguns fundos no âmbito do Programa para, sobretudo habitação”.

“Queremos ser intervenientes do processo de encomenda e da contratação publica de arquitectos para um melhor ambiente construído, para uma melhor arquitectura e, com isso, para uma melhoria da qualidade de vida no Alentejo”, acrescenta ao CONSTRUIR a presidente da secção regional do Alentejo dos Arquitectos. “Estamos numa região em que boa parte dos municípios nunca reuniu com a Ordem dos Arquitectos, que começa agora a ser notada. E esse tem, também, de ser o nosso papel”, garante Cláudia Gaspar.

Território “riquíssimo”
Remetendo para uma imagem pré-concebida do Alentejo como território pobre, a arquitecta logo contraria essa ideia, assumindo que estamos a falar de um território “riquíssimo”. “E tem dificuldades como todos têm”, acrescenta. No entender de Cláudia Gaspar, “o Alentejo sofre, desde logo, com a diferenciação entre o que é o rural e o urbano. Temos um território com uma grande área de propriedade rural mas não é de todo pobre. A questão da paisagem, e entenda-se a paisagem cultural, urbana e rural, é altamente dinâmica. Não é agora, que existem fundos e que tanto se fala no famoso PRR, com fundos que chegam de forma transversal a todo o País, que o Alentejo vai dar o salto no seu desenvolvimento”, garante a arquitecta, que assegura que o Alentejo já está em franco desenvolvimento há muito tempo. “O Pólo tecnológico de Sines é apenas um exemplo dessa atractividade”, garante, sublinhando que os arquitectos já estão no terreno a acompanhar essas dinâmicas. Há, no entanto, desafios. Cláudia Gaspar salienta que “o Planeamento no Alentejo nem sempre é feito a pensar no longo prazo ou num ordenamento de território sustentável mas sim, muitas vezes, a pensar no benefício rápido”.

Não sendo uma prioridade, a representante dos arquitectos no Alentejo alerta para um fenómeno crescente que importa ser olhado com atenção e que merece a melhor resposta. Há, em virtude da aposta numa agricultura intensiva, um aumento considerável de população – essencialmente proveniente de países asiáticos – para trabalhar nas estufas, fenómeno que obriga a uma resposta habitacional que hoje ainda não existe. “O papel da Ordem é, mais uma vez, articular todos os agentes, colocar a sociedade em contacto com a arquitectura e desmistificar a ideia de que a arquitectura é uma disciplina para as elites”, conclui.

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A digitalização na construção não é o futuro… é o presente

A indústria da construção portuguesa terá em breve uma primeira família de normas BIM traduzida para a contexto nacional, este será um passo importante para acelerar a digitalização e industrialização do sector

Os últimos dois anos mudaram a forma como nos relacionamos, como trabalhamos ou prestamos serviços e nem a construção escapou a essa revolução e ainda bem. Vários dados apontam para que o crescimento anual da produtividade do sector nos últimos 20 anos tenha sido apenas um terço da média total da economia. A digitalização do sector é a mais baixa do que em quase todas as outras indústrias. E este é um desafio premente que o sector tem que enfrentar de forma a poder acelerar a sua industrialização, inovação e sustentabilidade. Mas este não é um desafio que se irá colocar no futuro, antes pelo contrário é algo que já está em atraso e que o sector tem hoje que enfrentar. Afinal, a revolução do sector já está em marcha. Em Portugal o Built CoLAB, o laboratório colaborativo para a digitalização da construção, está a liderar esta revolução. O Laboratório foi criado para aproximar a indústria dos centros de investigação e das universidades e tem focado o seu trabalho na transição digital e na transição verde – a Twin Transition – ou seja, na necessidade de acelerar a digitalização e sensibilizar a indústria para a sustentabilidade.

Um dos projectos em curso no Built CoLAB é o processo de tradução de normas internacionais BIM para Portugal. A normalização é um dos “pilares dos processos de implementação do BIM e uma chave para melhorar a colaboração entre todos os actores da indústria”. Nesse âmbito, o laboratório assumiu o papel de Organismos de Normalização Sectorial, sendo a entidade que coordena a Comissão Técnica de Normalização BIM 197, a CT 197, a qual inclui dezenas de outros intervenientes, entre universidades e indústria.

“A CT 197 tem aqui um trabalho de normalização que é desafiante porque a nível europeu nos últimos anos foram produzidas dezenas de normas. Estamos a falar de normas BIM e não só o âmbito do trabalho desta comissão é mais amplo”, afirma António Aguiar Costa Director de Investigação, desenvolvimento e Inovação Built CoLAB.

Se é verdade que a digitalização e inovação da indústria levou à adoptação de novas tecnologias e softwares, de que o BIM é o exemplo mais comum, também é verdade que criou novos desafios “Como é que organizo os dados? Como é que se transmitem esses dados de forma que os outros percebam? Como é que se gere a qualidade desses dados ou dessa informação? Ou do lado da entidade contratante, como é que eu contrato essa informação? Porque de repente não tenho só um projecto ou só uma obra eu tenho isso e mais um modelo digital de informação que vai crescendo ao longo do ciclo de vida do empreendimento”, explica o director de investigação, desenvolvimento e inovação do Built CoLAB.
A normalização do sector é a chave para descodificar e facilitar todo este ‘novo mundo’. “A nível internacional há várias normas, mas uma das mais relevantes é a EN ISO 19 650, que tem várias partes e que foi assumida como norma europeia e é essa família de normas que temos estado a traduzir para Portugal”, sublinha António Aguiar Costa. As normas estão traduzidas e aguardam pela publicação pelo Instituto Português de Qualidade, o que poderá acontecer já no próximo mês de Setembro.

“A norma NP EN ISO 19 650 será um referencial que no fundo vem mudar o paradigma. A adopção da norma, que é um processo voluntário, vem facilitar o processo de gestão da informação pela utilização de standards e guide lines para gerir o fluxo de informação que os novos softwares criaram. No fundo diz-nos como é que vamos comunicar e que informação partilhamos online e que obriga também a ter um ambiente comum de dados para aquele projecto ou para aquele empreendimento”, refere António Aguiar Costa.

Portugal só agora está a dar passos na introdução deste referencial, mas a nível internacional há países, entre eles o Reino Unido, a condicionar o acesso a concursos a entidades que já o adoptem.
Mas o processo de normalização de dados para produtos de construção é em si um desafio, á que é preciso definir o que é informação relevante “não gráfica” e que essa nomenclatura seja entidade por todos e “partilhável”. “A definição destas informações de uma forma normalizada pode ser realizada através da utilização de Modelos de Dados de Produtos ou Product Data Templates”.
Paralelamente à tradução da família de normas BIM a comissão CT197 está a desenvolver dois outros projectos de investigação o SECCLASS e o [email protected]

O primeiro introduz um Sistema de Classificação de Informações sobre Construção. Este sistema será orientado para a metodologia BIM e servirá não só a componente de sustentabilidade, mas também os restantes usos BIM, como a gestão do processo BIM, quantificação, compatibilização de especialidades ou planeamento de obra. “Este sistema vai ser usado por profissionais de projecto, construção e responsáveis pela gestão e manutenção de edifícios. Permitirá unificar a terminologia a todas as escalas, facilitando a comunicação, selecção de materiais e componentes, bem como uma avaliação precisa dos impactos dos edifícios ao longo do seu ciclo de vida”.

Já o [email protected] é um projecto com um financiamento de 8 milhões de euros que envolve mais de 20 entidades, entre universidades e indústria, cujo trabalho de I&D está orientado para o desenvolvimento de ferramentas digitais que facilitarão a introdução do conceito de Digital Twin na indústria de construção. Uma dessas ferramentas é a criação de uma “biblioteca” de objectos BIM. “Uma espécie de plataforma online disponível para que a indústria possa ter o seu objecto de BIM e que arquitectos e projectistas possam usar nos seus projectos”, simplifica António Aguiar Costa.

Um sector a várias velocidades
Quão envolvida está a indústria em Portugal nesta revolução? E quão preparada está para passar de 2.0 a 4.0, em menos do nada? Num país onde as pequenas e médias empresas ainda são a maioria, estas não são questões fáceis de responder. “Acredito que há aqui dois movimentos: há empresas PME, que serão a maioria, que estarão mais alheadas do investimento em tecnologia e inovação, mas há outras que nasceram neste meio e que hoje em dia fazem consultoria BIM, pré construção virtual e noto que essas empresas estão envolvidas em projectos de investimento estrangeiro associado ao sector imobiliário”, arrisca o especialista.

A “obrigatoriedade” de adopção do BIM pode ser um caminho para acelerar o processo de transformação, mas por enquanto “o Governo não quer assumir essa responsabilidade. Contudo, o que acontece é que cria desequilíbrios porque há entidades que têm força e capacidade de investimento para mudar e há outras não e ninguém se responsabiliza por estes que não têm capacidade para fazer a mudança. Uma grande parte das PME não está dentro do processo sequer, e a obrigatoriedade levava a que houvesse um movimento para criar as bases desta mudança, que tem que ser faseada, progressiva e adaptada ao contexto”, defende António Aguiar Costa.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

Manuela Sousa Guerreiro

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Empresas

APCMC quer acelerar a digitalização na indústria dos materiais de construção

Parte central do projecto Speed up: Materiais de Construções a nova plataforma da APCMC já arrancou. A Datacheck vai colocar a indústria dos materiais de construção e as empresas distribuidoras a comunicar com base nos mesmos standards, acelerando a digitalização da indústria dos materiais de construção

Designado “Speed Up: Materiais de Construção 4.0” o projecto da Associação Portuguesa dos Materiais de Construção tem como principal objectivo “acelerar a transição dos materiais de construção para uma nova realidade de adopção tecnológica e digital nos processos de negócio das pequenas e médias empresas. Estas são condições essenciais ao desenvolvimento de uma abordagem integral e integrada na fileira da construção nacional. A criação de uma plataforma nacional de produtos para a construção – a datacheck – é o elemento central deste projecto. A plataforma está pronta agora é preciso a adesão da indústria como afirma José Matos, secretário-geral da Associação Portuguesa dos Comerciantes de Materiais de Construção.

O que é a APCMC Datacheck?
É uma plataforma de gestão que será o garante da qualidade da informação sobre os produtos, a qual será directamente carregada e actualizada pelos fornecedores, num formato e com estrutura standard a nível europeu. A partir daí os comerciantes e distribuidores poderão, de forma simples fazer o download de toda a informação sobre os produtos, incluindo preços, imagens, fichas técnicas, etc, etc..

Qual o ponto de situação da implementação da Datacheck?
Este é um projecto que está a ser desenvolvido há cerca de 2 anos. Registou algum atraso devido à pandemia, mas não do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico e deverá estar totalmente operacional até ao final do ano. É parte integrante de um projecto mais amplo o “Speed Up: Materiais de Construção 4.0”, que compreende várias componentes e acções no sentido de informação sobre processos e de capacitação das empresas de forma que estas possam tirar maior partido da digitalização nos seus processos internos, sejam eles logísticos, marketing, entre outros.

Qual é a referência base deste projecto?
O elemento mais importante do ponto de vista instrumental e prático é a criação de uma plataforma nacional, um percurso idêntico ao que o resto da Europa, em especial Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália ou Áustria tem vindo a fazer ao longo dos anos. Seguindo um movimento voluntário, quer das várias associações do sector dos distribuidores quer também da associação europeia de fabricantes que está neste momento em processo formal de criação de um guia europeu que permita standardizar e harmonizar todas estas plataformas nacionais. Este é um trabalho que tem sido feito nos últimos anos e neste momento está a ser criado o standard europeu destas plataformas para que haja uma interoperabilidade entre elas e para que os fabricantes e comerciantes europeus possam receber os dados nos mesmos formatos e não estar cada país a usar formatos diferentes e estruturas de dados diferentes.

Mas há uma obrigatoriedade do ponto de vista legal ou é uma mobilização da indústria/distribuidores?
É um processo voluntário não é obrigatória, mas que está a ser ajustado face às novas regras que estão a ser propostas nesta revisão de regulamento dos produtos de o qual prevê a criação de uma base de dados europeia sobre os produtos de construção, o que por sua vez está ligado à criação de um passaporte europeu de produtos de construção… mas todo este trabalho está a ser feito com base no que já existe na indústria. Não é algo absolutamente novo. Está-se a aproveitar algo que na Europa já é comum que são estas estruturas de dados que estão a ser comunicados dentro do sector por processos deste género e era muito importante que Portugal acertasse o passo com o resto da europa porque vêm aí as obrigações regulamentares.

Em que fase do processo é que estamos?
A plataforma está a funcionar. Obviamente que há ajustamentos que estamos a fazer de funcionalidade e de adaptação do funcionamento que se mostrem necessário que vão surgindo durante a sua utilização, mas neste momento já está a funcional. Temos entre 50 a 60 distribuidores registados na plataforma nacionais e 35 fabricantes registados, embora nem todos eles tenham ainda disponibilizado todos os dados. Este está a ser um processo lento porque apesar da informação existir nas empresas estas, em especial as de média e pequena dimensão, não têm recursos humanos suficientes para tratar os dados que têm em diferentes plataformas e em diferentes formatos ou em departamentos diferentes. A Datacheck tem cerca de 150 campos de informação que podem ser actualizadas permanentemente. Mas estamos a trabalhar com as empresas no sentido de as ajudar a fazer essa adaptação e acelerar esse trabalho.

Com quantas empresas estão a trabalhar?
Estamos a trabalhar com trinta e tal empresas nacionais e internacionais. Aliás, para estas últimas este é um processo mais fácil porque estão habituados a trabalhar desta forma nos mercados europeus e entendem a necessidade de harmonização.

Mas do ponto de vista nacional esta já é uma indústria exportadora…
E por isso também é importante para a indústria nacional, que esta a ter as solicitações noutros mercados e precisa de enviar os seus dados para data pools diferentes em formatos diferentes e, portanto, digamos que se fizer o processo a nível nacional fica com uma estrutura de dados europeia, o que lhe facilita o envio da informação para os seus clientes internacionais. Além disso, este trabalho de harmonização inclui a harmonização com o sistema de classificação de produtos internacional, o eTime.

O que está interligado com recolha de informação que é pedida pela Datacheck.
Exactamente. Tudo isso está integrado na plataforma se for indicado o sistema de classificação e a classe do produto automaticamente são indicadas as características técnicas do produto na própria plataforma. Se o fabricante não utilizar um sistema de classificação vai ter que identificar as características técnicas do produto na plataforma, o que também é possível.
É preciso não esquecer que a jusante desta indústria, estão os projectistas, arquitectos, construtores para quem esta informação e estes dados são importantes e que podem passar a ter acesso a informação estandardizada e que pode ser usada por outras ferramentas e software designadamente o BIM. Um dos elementos que pode acompanhar a informação produto é o objecto BIM que passa a estar disponível logo no artigo.

Quantas empresas já completaram o processo?
Como lhe disse temos registados entre 35 a 40 empresas, mas disponíveis a ser utilizados estão cinco, as restantes estão em diferentes fases do processo e algumas estão quase em fase de arranque outras têm o seu processo interno mais atrasado. Até ao final do contamos ter em funcionamento estas 35 a 40 empresas.

Face ao universo das empresas do sector este número representa quanto?
Em termas de empresas não representará mais de 20% das empresas fabricantes, mas representará em termos de volume de negócios se calhar 80%.

Para as empresas mais pequenas tem sido fácil explicar a importância e fazê-las aderir ao projecto?
É mais complicado porque as empresas têm poucos recursos humanos e estão mais limitadas, mas a aceitação e a adesão das empresas têm sido enormes, demora é tempo a concretizar-se.

Num mundo que já é globalizado só agora a indústria dos materiais de construção está a despertar para esta necessidade de harmonização?
O sector da construção está atrasado. Todos nós gostávamos de estar como o sector automóvel. Isto é um trabalho de fundo que na Europa se está a fazer há 30 anos e nós estamos a começar agora. Claro que aproveitamos tudo o que a Europa já produziu e todo o seu processo de aprendizagem. Hoje é mais fácil porque temos as ferramentas, a experiência, temos as empresas internacionais a trabalhar nos mesmos moldes e temos standards europeus que antes não existiam.
A implementação torna-se mais rápida, mas, ainda assim, é um trabalho que irá demorar meses, devemos atingir um patamar mínimo no final deste ano e depois esperamos que em dois a três anos se complete.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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“É fundamental que os arquitectos voltem a aproximar-se dos centros de decisão”

Para a presidente do Conselho Directivo da Secção Regional de Lisboa e Vale do Tejo da Ordem dos Arquitectos, pelo papel e importância que os arquitectos têm na valorização do espaço público e numa estratégia de habitação condigna, estes têm de estar mais próximos dos centros de decisão

Ricardo Batista

“Os arquitectos afastaram-se da política e é fundamental que voltem a aproximar-se dos centros de decisão”. O alerta foi dado por Helena Botelho. A presidente do Conselho Directivo da Secção Regional de Lisboa e Vale do Tejo da Ordem dos Arquitectos alertou, durante a conferência “Arquitectura e Território”, para o facto de haver apenas um arquitecto entre os 230 deputados que compõem a XV Legislatura, sublinhando que “quando tomarmos consciência de que não temos arquitectos na política é que percebemos que muitos dos problemas de que nos queixamos resultam disso mesmo”.
No âmbito do Archi Summit 2022, que decorreu até 15 de Julho no Palácio Ford, no Porto – e do qual o CONSTRUIR foi parceiro de media-, Helena Botelho integrava um painel juntamente com responsáveis de várias outras secções regionais e dissertava sobre a importância de uma mobilização geral de arquitectos na defesa de uma melhor qualificação não apenas do espaço público, ordenamento do território, mas na defesa intransigente da melhoria de qualidade das políticas de habitação.

Pensar juntos

Ao CONSTRUIR, a presidente do Conselho Directivo da Secção Regional de Lisboa e Vale do Tejo da Ordem dos Arquitectos reconhece que não sabe de quem é a culpa, mas considera fundamental que “os arquitectos estejam próximos dos centros de decisão”. “Temos de ser chamados a participar e acredito que essa participação política é fundamental. O papel da Ordem enquanto organismo agregador pode ser determinante mas, para tal, os membros têm de estar mais unidos e mais próximos da própria Ordem”. Segundo Helena Botelho, “temos de pensar juntos, participar juntos. Somos muitos, em algumas zonas bastante dispersos mas se tivermos essa intervenção política será muito mais fácil de conquistar um território que ainda não conquistámos”. “Se olharmos para os arquitectos que têm agora 70, 80, 90 anos, eram arquitectos que eram activos politicamente, independentemente da sua filiação. E é importante que cada um, no seu território, no que conseguir, junto com a Ordem, lute por essa participação na medida em que cada um consegue mas conseguimos muito mais juntos”. Questionada sobre a possibilidade de este afastamento ser, de algum modo, reflexo de alguma desvalorização que a sociedade atribua ao papel do arquitecto, Helena Botelho recorda que “o arquitecto tem mérito reconhecido. Vale a pena dizer que, em Portugal, temos dois Pritzker. Isso significa que até internacionalmente a arquitectura portuguesa é reconhecida. Mas temos um caminho a percorrer nesta relação entre quem aprecia e quem projecta, para que consigamos estar na mesma sintonia na ideia de reconstruir melhores cidades, melhores paisagens, melhores territórios”. A presidente da Secção Regional de Lisboa e Vale do Tejo da Ordem dos Arquitectos alerta também para a legislação e o facto de esta ser um problema tanto para quem projecta como para quem avalia. “O papel activo de que falava também tem a ver com isto, para de alguma forma alterarmos alguma coisa. Não há arquitecto nenhum que não nos fale da importância de serem introduzidas alterações. Esse trabalho, essa reflexão sobre a legislação que temos em vigor, também devia ser feita”, acrescenta.

‘Clarificação’ de procedimentos
Helena Botelho revela ainda ao CONSTRUIR que está em marcha um trabalho conjunto com a Câmara de Lisboa para a sistematização das operações urbanísticas. “A ideia passa por apresentar um manual onde esteja prevista cada situação e procedimento urbanístico e, com isso, conseguirmos perceber o que é que podemos utilizar e quais são as particularidades que a Câmara de Lisboa define com cada bairro, algo que remete com o regulamento municipal”, salienta. A presidente da Secção Regional de Lisboa e Vale do Tejo da Ordem dos Arquitectos defende que as opções têm de ser claras, transparentes e iguais para todos. Não queremos que na mesma Câmara dêem pareceres diferentes. Isso não pode acontecer e descredibiliza o processo”, refere aquela responsável, para quem “importa definir critérios e princípios, que as normativas sejam transparentes e acessíveis a todos os técnicos”.

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Arquitectura

O potencial da pedra portuguesa sob o olhar da arquitectura

Para além de Lisboa, os sete grandes projectos de investigação e desenvolvimento realizados entre 2016 e 2022 pelo programa Primeira Pedra materializaram-se em exposições também em Londres, Milão, Nova Iorque, no Dubai, em São Paulo, Veneza e Weil am Rhein

“A “Primeira Pedra” é um programa internacional de pesquisa experimental que explora o vasto potencial da pedra portuguesa. Ao longo dos últimos seis anos, após o lançamento do projecto na 15ª Exposição Internacional de Arquitectura da Bienal de Veneza em Maio de 2016, o programa convidou alguns dos nomes nacionais e internacionais mais consagrados nas áreas do design e arquitectura a produzir peças que homenageiam a versatilidade desta matéria-prima”, explica Célia Marques, vice-presidente da Assimagra.

Parte desse resultado pode ser visto, até Setembro, no Museu Nacional dos Coches, em Lisboa. São mais de 70 as peças criadas no âmbito da Primeira Pedra, da autoria de 36 designers, arquitectos e artistas nacionais e internacionais, oriundos de 15 nacionalidades, que reúne os primeiros seis projectos do programa com a segunda parte das temáticas “Expanded” e “Fragile Mode Fragile”.

“Os projectos mais recentes, apresentados ao público pela primeira vez no Museu dos Coches são da autoria de vários artistas reconhecidos quer a nível nacional como internacional como é o caso do Vhils, Ai Wei Wei, Philippe Starck, Aires Mateus, Michel Rojkind, Carla Juaçaba, R2, Jonhatan Olivares, Frith Kerr e Fernanda Fragateiro, sob o tema de colecção “Fragile, Mode, Fragile”, explica Célia Marques.

A Primeira Pedra 2016 I 2022 vai, assim, interagir com o complexo museológico desenhado pelo arquitecto Paulo Mendes da Rocha, quer nos espaços exteriores, nomeadamente a grande praça, quer nos espaços interiores, “permitindo uma multiplicidade de diálogos entre passado, presente e futuro”.
“O projecto Primeira Pedra é um projecto que alia design, inovação e qualidade às competências existentes no sector da pedra natural, a nível nacional. para o fortalecimento do valor da pedra portuguesa e da indústria que agrega nos patamares mais competitivos do mercado internacional, reforçando a imagem internacional de Portugal. A incorporação de design nas vertentes estratégicas de produto e de comunicação tem, no Projecto Primeira Pedra, um papel fundamental para optimizar o potencial da indústria extractiva e transformadora de pedra natural. Cada vez mais, é necessário fazer bem e diferente e, simultaneamente, comunicar entre os que são os principais protagonistas – arquitectos, designers e artistas – e os mais importantes media e opinion makers, numa perspectiva de internacionalização e utilização de networks globais”, avança Célia Marques.

Para além de Lisboa, os sete grandes projectos de investigação e desenvolvimento realizados entre 2016 e 2022 pelo programa Primeira Pedra materializaram-se em exposições também em Londres, Milão, Nova Iorque, no Dubai, em São Paulo, Veneza e Weil am Rhein.

Sete anos depois o balanço não podia ser mais positivo, como sublinha a vice-presidente da Assimagra. “Esta iniciativa permitiu a aliança entre a indústria e o design através do desenvolvimento de mais de 70 aplicações da pedra, que desde 2016, em duas edições de projecto, enaltecem a qualidade, durabilidade, versatilidade e a elegância cromática da pedra natural nacional e a ampla indústria que está ligada à sua extracção e transformação. Esta iniciativa, desde o seu início, teve um grande impacto nacional e internacional, tanto que a iniciativa Primeira Pedra, tem hoje um reconhecimento internacional parte de países que não nossos competidores, como a Itália, Brasil, através das associações sectoriais desses países, como exemplo da excelência de promoção do sector e de um país. Para além deste reconhecimento pelos “pares”, há ainda o enorme impacto directo junto dos autores que estiveram envolvidos e que, pelo reconhecimento internacional do seu trabalho, são actualmente autênticos embaixadores desta iniciativa e da pedra portuguesa. Contudo, o impacto não se fecha apenas juntos destes autores, mas também, junto de toda a comunidade criativa, sejam eles arquitectos, designers de produto, designers gráficos e artistas. De fundamental importância importa referir ainda o impacto directo ao nível sectorial e industrial, de todo um sector que é hoje amplamente reconhecido pela sua capacidade de fazer acontecer esta iniciativa tão distinta e distintiva”, aponta Célia Marques.

“Este esforço de internacionalização, conjugado com uma campanha de comunicação, transversal a todo o projecto, permitiu gerar novas relações entre a utilização, a produção e a criatividade. Os resultados atingidos demonstram não só um reforço significativo da imagem e do valor da pedra portuguesa, colocando-a na faixa dos “trendy materials”, como um estímulo ao aparecimento de novas oportunidades de novos projectos e novos negócios para este sector de actividade”, acrescenta a vice-presidente da Assimagra.

Este não é um capítulo que se encerra, antes pelo contrário. “Estão a ser preparadas algumas novidades, as quais serão divulgadas oportunamente após o fim da exposição, a 25 de Setembro”, revela Célia Marques.

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Não é um barco, é um escritório

A Carmo Woods acaba de inaugurar os seus novos escritórios em Bordéus. Uma estrutura em madeira, com 600 metros quadrados, assente numa barcaça flutuante, representou um investimento em torno dos dois milhões de euros e, de acordo com os responsáveis do grupo, representa um projecto inovador do ponto de vista da
sustentabilidade e bem-estar dos colaboradores. O projecto de arquitectura é assinado pelos franceses 2PMA

Ricardo Batista

“Há uns barcos adaptados a escritórios, mas este foi desenhado de raiz para ser um escritório com dois andares e meio. Pode e tem de navegar por obrigações relacionadas com a manutenção mas não é um barco. É um escritório”. O statement do presidente do Conselho de Administração da Carmo Wood deixa claro o que esteve na origem do investimento de dois milhões de euros para a construção da nova sede da empresa em Bordéus, no novo bairro Bassins à flot, no Norte de Bordéus, junto à Cité du Vin. Os novos escritórios flutuantes em madeira foram apresentados formalmente num evento que contou com dezenas de convidados e onde Jorge Milne e Carmo explicou que a construção deste edifício, o primeiro do género em França, envolveu a perícia e know-how de 14 empresas (entre Portugal
e França), e uma multiplicidade de procedimentos administrativos, mas também um grande número de desafios técnicos, ambientais e estruturais.

Especialista no segmento de madeiras tratadas e com atividade tanto na área agrícola como de construção, a Carmo Woods dispõe agora de 600m2 de escritórios flutuantes, assentes numa barcaça de 30 metros por 11 metros, e que são, em si, uma atracção turística e ponto de interesse para todos os que visitam esta região da cidade. À Traço, Jorge Milne e Carmo explica que “estes escritórios nasceram de uma ideia que surgiu depois de uma conversa com um colaborador do grupo que tinha a ambição de construir uma casa flutuante. E eu pensei: “Se ele quer fazer uma casa, nós podemos fazer um escritório”.

A ideia motivou reuniões de trabalho com o ex-primeiro ministro e antigo presidente da Câmara de Bordéus, Alain Juppé, e envolveu as autoridades marítimas locais. “Tivemos de fazer um edifício o mais ecológico possível”, explica o presidente do grupo, promovendo o projecto de arquitectura do atelier 2PMA. “As paredes são feitas de uma mistura de terra crua e palha. A electricidade é gerada a partir de painéis solares e o ar condicionado aproveita a água do próprio lago onde estamos. É um edifício que recorre a materiais ecológicos e o isolamento, que não está à vista, é feito com recurso a lã de madeira”, refere. O edifício tem
uma pele exterior, de sombreamento, feita com postes de vinha, “pele que faz a ligação entre a nossa área da construção e a nossa área agrícola. São postes de madeira tratada usados nas vinhas, que simbolizam os mais de 40 anos de história da marca no mercado agrícola em França. Este novo espaço de
trabalho está equipado com a mais recente linha de mobiliário de escritório da marca e ainda soalho em pinho marítimo, igualmente lançado pela marca”, salienta Jorge Milne e Carmo.

Projecto inovador
“A inovação inerente a este projecto não se ficou pelo desafio de construir uns escritórios flutuantes em madeira, com esta dimensão e nesta região. Este é também um projecto inovador do ponto de vista da sustentabilidade e bem-estar dos colaboradores”, sublinha o presidente da Carmo Woods, que está agora de olho nas próximas oito licenças a serem lançadas. “A Câmara de Bordéus, que concedeu uma licença única, queria primeiro perceber o trabalho que seria feito. Conhecido o resultado do trabalho que desenvolvemos, tem preparadas mais oito licenças. Nós temos um know-how de tudo, desde o licenciamento à execução, projectos eléctricos, saneamento, etc. Estamos em posição privilegiada para concorrer a esses oito novos escritórios flutuantes que serão desenvolvidos”, assegura o responsável do grupo, que não descarta replicar o modelo em Portugal. “Essa hipótese está em cima da mesa, no Parque das Nações. Este projecto não representa apenas a nossa empresa como tem uma visibilidade fantástica em toda a França”, garante. “Estamos muito felizes com este novo projecto que é motivo de orgulho para a Carmo Wood e para todas as empresas que a constituem e que estiveram envolvidas, mas também para Portugal. Continuamos a fazer a diferença, como há 40 anos, num
mercado externo tão concorrencial como o mercado francês e a deixar bem claro que as empresas portuguesas podem e devem arriscar e desafiar-se a si próprias, dentro e fora de portas”, refere Jorge Milne e Carmo.

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Aquisições? “Estamos a olhar para o mercado”

“Estamos a olhar para o mercado. Para determinados nichos no mercado em que não temos competências próprias internamente e consideramos que num futuro próximo poderá existir aqui margem de progressão”

Ricardo Batista

Estamos perante a iminência de uma oportunidade perdida? Uma entrada significativa de empresas no mercado nacional com outro tipo de dimensão que possam um espaço que, em situações naturais, poderia ser preenchido por empresas portuguesas?
O facto de estas empreitadas e de estas obras terem, de certa forma, de ser lançadas grandes volumes de obra ao mesmo tempo, porque de outra forma não há hipótese de cumprir os calendários previstos, vai levar grupos internacionais a olharem para o mercado português. E isso não apenas na área do projecto como da construção. Há um outro problema: o sector da consultoria e da engenharia está muito fragmentado. Nós, que somos uma das maiores empresas de projecto de engenharia, mas se nos compararmos com a dimensão das empresas com que temos de ombrear, nomeadamente no mercado externo, estas são 10, 20 ou 100 vezes maiores que a Coba. Se as empresas portuguesas de engenharia se juntassem, iriamos ter uma empresa de média dimensão se comparadas com as grandes internacionais. Isto é um facto. O que poderá acontecer, e já aconteceu com outras empresas, é que o futuro pode trazer-nos alguma apetência dos grandes grupos internacionais para virem às compras. É uma forma fácil e rápida de entrar no mercado. Quanto mais concentração houver, mais prejudicado fica o mercado. Nós temos essa noção, mas são as leis do mercado.

Têm em cima da mesa a hipótese de ganharem dimensão pela aquisição de empresas em Portugal?
Estamos a olhar para o mercado. Para determinados nichos no mercado em que não temos competências próprias internamente e consideramos que num futuro próximo poderá existir aqui margem de progressão. Existem áreas de negócio que nós consideramos, internamente, como novas áreas de actividade, em que temos duas formas de crescer: ou adquirimos empresas com essas competências ou por via de um crescimento orgânico, que seria mais lento. Ambas são hipóteses em cima da mesa. Quando surgir a oportunidade e sempre que identificamos alguma empresa que possa vir a interessar, olharemos para esses casos.

Em que áreas isso poderá acontecer?
Diria que nas áreas ligadas à energia e à transição energética. São áreas com grande potencial. A necessidade que existe nos próximos anos a nível mundial no reforço de toda a área do sector eléctrico é gigantesco. A necessidade de armazenamento de energia, a necessidade de todos os processos e do tipo de processos associados à parte industrial, do hidrogénio, também são fundamentais. A parte dos combustíveis sintéticos…há um novo Mundo que se abriu com esta necessidade de dar resposta à transição energética e que são áreas que são completamente novas para as quais as empresas, nomeadamente a Coba, não tem experiência.

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“Temos todas as condições de isenção para fazer o melhor trabalho. Ao ministro cabe a última palavra”

“Associámo-nos à Ineco como nos podíamos ter associado a uma empresa francesa. Caso o tivéssemos feito, o que diriam? Que estaríamos, eventualmente, privilegiar uma empresa como a ANA que é detida por uma empresa francesa? “

Ricardo Batista

Ao CONSTRUIR, Fernando Prioste considera que qualquer que seja a decisão do Governo a propósito do Novo Aeroporto, a COBA está disponível para fazer parte da solução.

O CEO da COBA, a quem foi entregue, pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes, a realização da Avaliação de Impacte Ambiental do novo aeroporto de Lisboa, previsto para o Montijo, recorda que o processo está em fase de tramitação. “Fomos notificados da adjudicação e estamos a aguardar a assinatura do contrato”, sublinha Fernando Prioste.

Sobre o processo, o ministro Pedro Nuno Santos, que tutela a pasta dos Transportes, manifestou no Parlamento “dúvidas e inquietações” pela escolha da espanhola Ineco, que integra o consórcio com a COBA, para a avaliação ambiental estratégica do Novo Aeroporto de Lisboa. Segundo Fernando Prioste, “a COBA considera que este é um processo político. Não nos cabe a nós opinar sobre a decisão política que está em cima da mesa. Nós escolhemos o parceiro que achámos que teria mais competências para fazer um trabalho de qualidade. Não nos podemos esquecer que o próprio caderno de encargos não permitia a nenhuma empresa portuguesa concorrer sozinha sem parceiros internacionais. Porquê? Porque face às exigências requeridas, nenhuma empresa portuguesa conseguiria cumpri-las. Associámo-nos à Ineco como nos podíamos ter associado a uma empresa francesa. Caso o tivéssemos feito, o que diriam? Que estaríamos, eventualmente, privilegiar uma empresa como a ANA que é detida por uma empresa francesa? Qualquer solução teria sempre prós e contras. Estamos aqui há 60 anos. Temos toda a idoneidade para fazer um trabalho irrepreensível em termos técnicos e nunca estivemos associados a nenhuma força política. Não seria agora que o faríamos. Temos todas as condições de isenção para fazer o melhor trabalho. Ao ministro cabe a última palavra. Como se percebe, este deixou de ser um problema técnico.

Questionado sobre os ‘apartes’ públicos de quem tutela esta pasta, o CEO da COBA deixa claro: “Somos técnicos, não políticos. Não devo comentar as decisões tomadas por este ou outro Governo. Sabemos que tudo isto não é culpa deste ou do anterior Governo, é um processo que se arrasta há mais de 50 anos para decidir a localização do novo aeroporto de Lisboa. Contudo, é claro para toda a gente, e basta ver os noticiários, que esta decisão é mais do que urgente. Nós estamos cá para trabalhar, qualquer que seja a decisão. Se for para avançar com o Estudo de Avaliação Ambiental Estratégica, melhor. Se não for, também estaremos cá para colocar o nosso conhecimento à disposição das entidades públicas para estudar outras hipóteses”.

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Universidade do Porto tem plano para modernizar campus avaliado em 100M€

A aposta em novas residências universitárias está a ser desenvolvida em articulação com algumas autarquias do distrito, como é o caso da Câmara do Porto, com quem a U. Porto irá submeter duas candidaturas ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)

Ricardo Batista

Está avaliado em 100 milhões de euros o plano de investimentos delineado pelos responsáveis da Universidade do Porto, uma iniciativa que vai permitir não apenas a requalificação do campus universitário como a execução de um conjunto de trabalhos com implicações na forma como se vive e estuda na Área Metropolitana do Porto. O ambicioso conjunto de projectos esteve em particular destaque na sessão solene que assinalou a tomada de posse de António de Sousa Pereira para o segundo mandato, de quatro anos, enquanto reitor da Universidade. Em causa está a requalificação de alguns espaços da universidade e a construção de outros, nomeadamente, novos espaços para “estudar e investigar”, mas também novos alojamentos e espaços dedicados à cultura e arte.

Planos de expansão
Entre os projectos, destacam-se a expansão da Faculdade de Belas Artes e da Faculdade de Desporto, mas também a construção de mais três edifícios na Faculdade de Engenharia.

A requalificação da Faculdade de Medicina no edifício partilhado com o Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), a reconstrução do Aquário da Foz e a conclusão do novo Estádio Universitário são também alguns dos projectos prioritários para os próximos quatro anos. A par do investimento nas unidades orgânicas da U. Porto, António de Sousa Pereira pretende criar novas residências universitárias, sendo que esta aposta vai permitir “quase duplicar a oferta de camas da universidade”.


Articulação com a AM Porto

A aposta em novas residências universitárias está a ser desenvolvida em articulação com algumas autarquias do distrito, como é o caso da Câmara do Porto, com quem a U. Porto irá submeter duas candidaturas ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a construção de uma residência no Monte Pedral, com 200 camas, e outra no Morro da Sé, também com cerca de 200 camas.

Além destes alojamentos e da residência universitária situada no centro histórico sob a gestão da Federação Académica do Porto (FAP), que terá 20 quartos, a U. Porto tem previstas mais candidaturas ao PRR. Uma das candidaturas destina-se à reabilitação de camas já existentes em diferentes residências espalhadas pela cidade, e outras duas serão “exclusivas” da U. Porto para a construção de uma residência universitária na Rua Boa Hora, com cerca de 250 quartos, e para a construção de uma residência na Asprela, com cerca de 150 quartos.

Outro dos objectivos do reitor para este segundo mandato passa pela instalação do Centro de Investigação para a Saúde Humana e Animal no concelho da Maia, bem como o novo campus a ser desenvolvido na antiga refinaria de Leça da Palmeira, em Matosinhos, e cujo valor não está incluído nos cerca de 100 milhões de euros a investir.

Apesar de reconhecer que a situação provocada pela crise pandémica, agravada pelo recente conflito na Ucrânia, “criou, objectivamente, um impasse no processo de desenvolvimento e crescimento da Universidade”, o Reitor acredita que “os anos vindouros devem servir para recuperar dos efeitos da crise sanitária e iniciar uma nova fase de expansão sustentada e estrutural”. “Para o sucesso da retoma pós-Covid, é crucial a materialização das possibilidades abertas pela nova geração de fundos europeus. O Horizonte Europa, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e o novo quadro comunitário de apoio representam importantes oportunidades de financiamento para as instituições de ensino superior”, lembrou.

Para superar este “desinvestimento”, o Reitor aponta como receita a “actualização dos níveis de financiamento”, “fundamental para a requalificação do património, infraestruturas e equipamentos das instituições”, bem como a “desburocratização da gestão das instituições de ensino superior e de investigação científica”. Até que tal se concretize, “não tenho dúvidas de que, mesmo num contexto adverso, a Universidade do Porto não deixará de se desenvolver e de desenvolver o país”, vincou.

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Visioarq destacado internacionalmente com MG Coudelaria (c/ galeria de imagens)

A sua sustentável integração na natureza valeu à MG Coudelaria o reconhecimento da Architizer A+ Awards. Com assinatura do gabinete Visioarq Arquitectos, o projecto de elege a madeira como material principal e a natureza como inspiração

Localizada em Vila Nova de Famalicão, a MG Coudelaria está inserida numa quinta de dez hectares onde a natureza e a paisagem do Minho foram mantidas intactas e quase intocáveis. A coudelaria dedicada ao ensino equestre e à criação de cavalos da raça Puro-Sangue Lusitano, e todas as suas infraestruturas – picadeiros, cobertos e descobertos, redondéis, pista de equitação, boxes e paddocks – foi este ano distinguida pelo Architizer, com um A+ Awards, na categoria Details – Architecture + Wood.

O projecto de arquitectura tem a assinatura da Visioarq Arquitectos, fundado por Nuno Poiares, Pedro Afonso e Vicente Gouveia.  A intervenção da Visioarq teve como premissa principal o enquadramento do novo edificado com a envolvente ambiental. Assim, a madeira natural do pinho enquanto material principal e a madeira lamelada colada surgem naturalmente enquanto soluções a compor não só os revestimentos exteriores e interiores como a própria estrutura dos edifícios. “O uso da madeira impôs-se, desde logo, por uma questão de enquadramento paisagístico. Desta forma, a integração do volume na paisagem surge de uma forma muito mais natural”, revela Vicente Gouveia. Outro dos argumentos que convenceu o arquitecto e a sua equipa foi a sustentabilidade dos materiais a empregar em obra. Acresce que “sendo uma construção em CLT, o sistema construtivo dá-lhe uma estabilidade dimensional e uma resistência mecânica muito superior”, explica Vicente Gouveia

O projecto privilegiou os elementos estruturas enquanto protagonistas do edifício, a partir dos quais tudo o resto se desenvolve. “O esqueleto é base da forma e tudo o resto assume uma leitura acessória. Com esta hierarquização pretende-se, de alguma forma, que o natural não perca o protagonismo e a importância que merece crescendo ao longo do tempo, envolvendo e integrando cada vez mais o edificado proposto”. A utilização da madeira na fachada e vãos e o seu jogo de aberturas permite um maior controlo ao nível da iluminação e ventilação naturais, não descurando o conforto e a maior eficiência energética.

Em simbiose com a natureza

Independentemente de se se estar a construir uma casa ou uma coudelaria “existem dois momentos na metodologia do processo de arquitectura: um momento que tem a ver com o momento conceptual em que a ideia surge do ponto de vista volumétrico de integração na paisagem e um outro que é o momento de pragmatismo”, sublinha o arquitecto. A verdade é que deste encontro entre a ideia e a concretização do programa não resulta necessariamente um confronto, pelo contrário. No caso da MJ Coudelaria esta simbiose resultou na criação de dois núcleos distintos que permitem “diluir” a estrutura edificada no meio envolvente, que se quis quase que intocado. “São eles as cavalariças por um lado e o picadeiro coberto por outro, ambos complementados com uma guia eléctrica e um picadeiro exterior. Pretendeu-se com esta solução de fragmentação que cada unidade seja descoberta aos poucos e em momentos diferentes, à medida que se percorre a propriedade, valorizando-se o factor surpresa com a criação de vários momentos distintos”.

Mas este é também um projecto que privilegia o pormenor, ajustando o edifício à sua utilidade desportiva, aos seus utilizadores, humanos e outros, e às diferentes funções. Para isso foram essenciais os encontros “com quem vai utilizar o espaço, sejam tratadores, veterinários, treinadores e promotores que investem e necessitam de potenciar a qualidade da sua actividade”, resume Vicente Gouveia. Todas as ferragens e acessórios foram desenhadas originalmente para os picadeiros, “materializando a simplicidade pretendida para um espaço com uma identidade muito própria, onde o contacto com os protagonistas do mundo equestre se faz de forma vincadamente sensorial”.

MG Coudelaria integra-se assim entre os muitos projectos que este atelier já conta e onde predominam os muitos projectos residenciais desenvolvidos para o mercado nacional, e não só, e, mais recentemente, os projectos desenvolvidos para o sector hoteleiro, onde destacamos o novo Renaissance Park Hotel, no Porto, que resulta num investimento de 56 milhões de euros.

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