Edição digital
Assine já
    PUB

    Tomas Suter, senior advisor & partner da Mexto Property Investment

    Imobiliário

    Mexto diversifica estratégia e direcciona investimentos para Sul

    Depois de obra feita no sector da reabilitação, que mantém ainda com alguns projectos em Lisboa, o futuro da Mexto passa agora, também, pelo turismo residencial. Meco, Melides e Monte Gordo são as novas localizações. Projectos já estão incluídos no plano de investimentos avaliado em 240 M€

    CONSTRUIR

    Tomas Suter, senior advisor & partner da Mexto Property Investment

    Imobiliário

    Mexto diversifica estratégia e direcciona investimentos para Sul

    Depois de obra feita no sector da reabilitação, que mantém ainda com alguns projectos em Lisboa, o futuro da Mexto passa agora, também, pelo turismo residencial. Meco, Melides e Monte Gordo são as novas localizações. Projectos já estão incluídos no plano de investimentos avaliado em 240 M€

    CONSTRUIR
    Sobre o autor
    CONSTRUIR
    Artigos relacionados
    Câmara de Penafiel vai investir 4,7M€ na construção e requalificação de Centros de Saúde
    Construção
    Mota-Engil assegura contratos de 350M€ na América Latina
    Construção
    Comercialização do ‘Gaia Hills’ avança ainda em Maio
    Imobiliário
    Remax Portugal: Mês de Abril foi o que registou maior número de transacções
    Imobiliário
    Adecco Recruitment lança guia salarial para sector da construção
    Construção
    Lisbon Design Week com ênfase na criação nacional
    Arquitectura
    NBS Summit com programa extenso
    Construção
    Nature Based Solutions em conferência
    Construção
    Sector da engenharia debate ‘megaprojectos’
    Engenharia
    Vanguard avança com Terraços do Monte
    Imobiliário

    Tomas Suter, senior advisor & partner da Mexto Property Investment

    (NOTA: Entrevista revista após publicação)

    Pensado para o segmento premium, onde o antigo se encontra com o contemporâneo, o empreendimento Rodrigo da Fonseca foi o cenário escolhido para abordar os projectos da Mexto e a sua estratégia de negócio. Ao CONSTRUIR, Tomas Suter, senior advisor & partner da Mexto Property Investment, revelou que, embora mantenham o core business na reabilitação de luxo, 2024 irá marcar uma importante mudança na estratégia da promotora. Com o mercado do turismo residencial em crescimento, a empresa pretende alargar o seu investimento para três grandes projectos a desenvolver neste segmento. A parceria com branded residences é, também, um dos objectivos.

    Antes de começarmos a nossa conversa, gostaria de saber como é que o Thomas veio parar esta área? Como foi o seu percurso até aqui?

    Eu sou suíço e italiano, a minha mãe é italiana, o meu pai é suíço, mas eu nasci e cresci na Suíça, em Zurique, na parte alemã. Fiz lá o meu percurso escolar e estudei Economia também em Zurique. Entretanto, durante os estudos, comecei a trabalhar no sector financeiro, como bancos, asset managers, home managers e aí continuei. Em 2012, tive uma oportunidade, um trabalho muito interessante para um investidor alemão. O negócio assentava em investimentos imobiliários, mas não era promoção, nem construção, mas sim financiamento de projectos imobiliários, com foco na Alemanha, na Suíça e na Áustria.

    Nessa altura, comecei a aprender e a gostar muito deste sector, porque entendo que é algo muito diferente de trabalhar só em números. Trabalhar para um projecto imobiliário, não é só a parte de financiamento, porque depois consegue-se ver o resultado final. Temos o lado visível do nosso trabalho e pensamos que contribuímos um pouco para realizar um projecto.

    Entretanto, a empresa teve um crescimento muito impressionante e foi vendida a uma outra empresa cotada em bolsa, em Frankfurt. Para mim, era o momento certo para sair e aceitar um novo desafio. Em paralelo, já antes de eu sair dessa empresa, tínhamos começado a olhar para o mercado português, porque um dos nossos sócios é de origem portuguesa, então tive sempre essa ligação.

    Ainda na Suíça?

    Sim, na Suíça. Desde 2012 ou 2013 que ele nos tentava convencer a investir em Portugal, mas ainda era muito cedo, porque foi pouco depois da crise. Por isso, só começámos a investir em Portugal em 2017.

    Nessa altura, foi quando começou o boom da reabilitação…

    Exactamente. Começámos com a aquisição do primeiro prédio algures em 2018.

    Como é que têm sido, então, estes últimos anos? Que balanço fazem deste vosso percurso?

    O balanço é muito positivo. Com muitos desafios, muitos ‘ups and downs’, como é normal. No início não acreditámos, mas muita gente nos avisou que com a burocracia e com o licenciamento ia ser muito complicado. Por um lado, já temos muitos sucessos e com os quais comprovámos que conseguimos fazer coisas rápidas, mas, por outro, temos projectos que estão há cinco anos na Câmara para aprovação.

    Acredito que em Portugal o mercado é muito diferente da Suíça…

    Muito diferente. Eu gosto de dizer que não é que na Suíça se aprove um projecto muito mais rápido ou muito mais facilmente. Não, porque o mercado na Suíça também é um mercado muito controlado, muito pequenino, mas acho que a diferença é que temos uma comunicação mais fácil com as entidades. As entidades estão organizadas de uma maneira mais eficaz e parece que estamos a trabalhar com qualquer outra empresa do sector privado. Mas aqui sentimos o verdadeiro significado de ‘sector público’. Esta é a grande diferença.

    Qual a maior dificuldade?

    Cada câmara tem a sua forma de trabalhar e quando chegámos foi muito complicado. Arrancámos a operação em Portugal quase do zero, com nenhum conhecimento nessa área. A nossa vantagem é que temos um network muito grande e fomos conseguindo o apoio e a informação necessários. Nós queríamos fazer tudo bem, dentro das regras, trabalhámos em conjunto com os arquitectos para cada projecto. E acho que conseguimos fazer um bom trabalho. Tenho muito orgulho do que conseguimos fazer em tão pouco tempo.

    Pelo que tenho verificado, há uma dinâmica muito particular na vossa carteira de empreendimentos. Tanto têm projectos em desenvolvimento, como têm alguns que foram vendidos. É uma estratégia?

    Exactamente. Para um promotor e investidor é sempre um mix dos dois. Quando compramos um activo, é sempre com a perspectiva de o fazer até o final. Mas é normal, é natural que, no decorrer do desenvolvimento de um projecto, possa acontecer essa mudança na estratégia se nos apresentarem uma boa proposta

    Em que situações é que isso pode acontecer?

    Sobretudo prédios que nós comprámos numa determinada altura por um determinado preço e, depois, com as variações de mercado, há uma considerável valorização e aí pode representar uma oportunidade. De qualquer modo, ao vendermos um imóvel com o projecto já aprovado, por exemplo, sentimos que temos ali uma parte também nossa, do nosso trabalho, porque o conceito é nosso.

    Falando de investimento, é possível quantificar quanto já investiram em Portugal?

    Desde o arranque da Mexto contabilizamos um investimento total de cerca de 240 milhões de euros.

    E está dentro da expectativa que vocês tinham planeado?

    Sim. Podia ter sido mais, mas também depois é sempre a questão…digamos, de timing, não é? Precisamos dos fundos e precisamos também das oportunidades.

    Sentem que já perderam algum negócio por causa dessa questão?

    Provavelmente. Sobretudo porque os prazos praticados são sempre muito longos. Perdemos negócios no sentido em que os investidores não conseguiram identificar a atractividade de algumas coisas que nós apresentámos.

    Então, neste momento quantos projetos ou quantos empreendimentos é que vocês têm em desenvolvimento?

    Em construção, neste momento, temos dois, que estamos a acabar: o O’Living e o Mason Eduardo Coelho. Estão ambos numa fase final da construção e esperamos que até ao Verão estejam concluídos. E, entretanto, temos mais seis projectos em fase de licenciamento. Alguns estão muito perto do início da construção, outros ainda vão demorar um pouco mais. E temos dois já concluídos, este onde estamos, o Rodrigo da Fonseca e o Avencas, que foi o primeiro a ficar terminado.

    Em termos de público-alvo, de segmento, a vossa estratégia tem sido mais ou menos a mesma…

    Verdade.  Para nós é muito importante manter sempre o foco no segmento de luxo e de reabilitação, em zonas muito boas dentro da cidade. E isso é algo que vamos continuar a fazer.

    Curiosamente, lançaram-se num projecto completamente diferente, o O’Living, que além de ser construção nova, também é para um tipo de cliente diferente….

    Foi uma aposta diferente de tudo o que já tínhamos feito. E que teve como intenção diversificar um pouco o nosso investimento, colocar no mercado produto para o mercado nacional. Sentimos que também temos essa obrigação.

    Qual o balanço?

    Estamos muito felizes porque no O’living, mais ou menos 90% são compradores nacionais. Famílias portuguesas, pais que compram para filhos. Estamos muito satisfeitos porque no início tivemos algum receio de que pudesse não resultar. Houve um conjunto de factores com que tivemos de lidar, desde logo porque se trata de uma escala completamente diferente. Aqui falamos de 86 apartamentos e na reabilitação estamos a falar entre cinco e 10 apartamentos.

    Temos dois que estamos a acabar a construção e temos mais seis projectos que estão, alguns em já em construção, outros a aguardar licenças.

    Não querendo entrar no detalhe de cada projecto, posso dizer que temos, no geral, três projectos em Lisboa na área da reabilitação.

    E, pela primeira vez, estamos a apostar em projectos de maior dimensão fora da Grande Lisboa. Temos um projecto em desenvolvimento em Melides, é um empreendimento turístico e outro também muito grande no Algarve e outro no Meco, a 30 minutos de Lisboa.

    Estão, então, a explorar outros mercados e outras opções, é isso?

    Sim. Actualmente, já é cada vez mais difícil encontrar boas oportunidades dentro da cidade e as que temos identificado estão a preços muito altos, o que torna difícil tornar esses investimentos rentáveis ou atractivos.

    Houve aquele boom, não é?

    Exacto. Mas agora espero que o mercado se vá ajustar um pouco, porque acho que ainda existem tantos prédios em Lisboa que poderiam resultar em operações interessantes. Só que os preços são proibitivos. Os proprietários perceberam, nos últimos anos, que podiam ganhar muito com este tipo de imóveis em localizações do centro e começaram a subir os preços, achando que podem pedir o que querem.

    Esses novos projectos mais virados para o turismo são completamente diferentes do que fizeram até ao momento. É uma estratégia para o futuro?

    É uma estratégia, embora mantenhamos o nosso ‘fio condutor’ que é a reabilitação. Vamos iniciar brevemente a construção do empreendimento Castilho 3. E, neste âmbito, temos também um na Graça e outros dois mais pequenos na Ajuda. Estes dois últimos fazem parte de um terreno maior que compramos e para onde também prevemos fazer um empreendimento com cerca de 50 apartamentos. Mas esta fase não será para já.  É um daqueles em que estamos há quase cinco anos a aguardar licença.

    Nesse caso o Simplex será positivo?

    Vamos ver. Temos uma grande expectativa. Mas acho que pode ser positivo, pelo menos no que diz respeito ao arranque das obras. Contudo, há ainda muitos pormenores por esclarecer. Tenho falado com alguns promotores que acreditam que, de certa forma, vem melhorar ou, pelo menos, não vem complicar. Há também a questão dos bancos que vão ter de se adaptar a uma nova realidade.

    Pelo menos podem começar os projectos ou podem ir avançando com os projectos. Mesmo com as questões do licenciamento, não conseguindo aquele prazo que eles dão…entre 150 a 180 dias e, em casos em que os projectos ultrapassam os cinco mil metros quadrados são 200 dias, o máximo. Mesmo assim, sabemos que 200 dias é o máximo e, portanto, conseguimos planear. Neste momento, não sabemos se são 200, 300 ou 600…

    Mas com o projecto que têm para Melides pretendem aproveitar as sinergias que agora se criaram com o projecto da Comporta?

    Sim, mas é mais na Serra de Grândola, numa área mais interior, a 20 minutos da praia. São 10 casas, com aproximadamente 500 m2 cada uma e com terrenos entre dois a três hectares. Privacidade total. Neste espaço vamos ter, ainda, um hotel, que vai ser operado por outra empresa, porque não é o nosso core. Neste projecto estamos a trabalhar em parceria com uns sócios que irão ser responsáveis pela componente hoteleira e a Mexto fará a componente residencial.

    E o do Algarve? É um empreendimento maior, não é?

    Sim, o do Algarve é um terreno muito grande, um dos últimos terrenos, mesmo à frente do mar, numa zona privilegiada, entre Monte Gordo e a Praia Verde. A nossa ideia é fazer mais ou menos 150 apartamentos. É uma zona com muito potencial, e que, pela proximidade a Espanha, também queremos que responda às necessidades dos turistas espanhóis que vêm para Portugal.

    Qual é que é o valor de investimento que prevêem, englobando já esses projetos?

    Estes projectos já estão contabilizados no plano de investimentos que falei dos 240 milhões.

    Esses projectos serão para desenvolver ao longo de quanto tempo? Tem uma previsão?

    É difícil dar uma data exacta, mas eu diria durante os próximos quatro a cinco anos. Os licenciamentos todos já estão aprovados, porque já existe um plano pormenor e um PIP aprovado. E agora com o Simplex, teremos que fazer só uma comunicação prévia. No fundo é dar início à obra e ir trabalhando no processo da comercialização.

    Dos projectos que têm em carteira qual será o que vai arrancar primeiro?

    O da Castilho. É um prédio localizado na parte baixa da Rua Castilho, próxima da Rua do Salitre, muito perto da Avenida da Liberdade. Falamos de um prédio de 1940 ou 1950, um prédio de charme, apalaçado, onde vamos fazer uma reconstrução total, como fizemos, por exemplo, na Rodrigo da Fonseca. Vamos manter as fachadas, mas o resto vai ser uma construção nova, mantendo e respeitando muito o passado do edifício, com os tectos trabalhados, com muitos elementos característicos do prédio, e vamos lá fazer seis apartamentos para o segmento premium.

    Em termos de clientes, quem são os principais compradores dos projectos da Mexto?

    Quando começámos a fazer projectos neste segmento, pensámos que os compradores iriam ser quase 100% estrangeiros que estivessem à procura casa em Lisboa, mas temos tido muitos clientes nacionais que, ainda assim, consegue responder a estes produtos de segmento alto.

    Foi uma surpresa que em cada projecto que temos, tenhamos tido sempre procura do mercado nacional e não há um projecto em que não tivéssemos vendido alguma unidade também a portugueses. Mas é verdade que. na maior parte dos casos. são estrangeiros de diferentes nacionalidades, desde americanos, brasileiros, ingleses ou mesmo sul africanos.

    Franceses?

    Curiosamente, até ao momento não temos tido clientes franceses. Eu acho que o cliente francês em Lisboa está mais à procura de um apartamento mesmo com charme antigo. Quer dizer, por exemplo, um Rodrigo da Fonseca para esses clientes já pode ser demasiado moderno. Repare: tivemos um cliente francês que não comprou na Rodrigo da Fonseca, porque como as portadas já não eram as antigas o edifício tinha perdido um pouco o seu charme.

    No seu entender, o que é o cliente estrangeiro, de uma forma geral, procura em Portugal?

    Alguns são surpreendidos, outros vêm por indicação de outras pessoas. O cliente americano está agora a descobrir o Portugal. E depois depende muito dos clientes. Há clientes que querem mesmo só fazer investimentos em zonas boas e que tenham um valor seguro em termos de rentabilidade. No fundo. são clientes que estão à procura de produtos com uma qualidade altíssima, um cliente mais exigente. Não se trata só de vender um produto, mas da atenção que se dá no after-sales.

    Falámos há pouco também na questão que, de certa forma, não vinham a pensar de fazer projectos para um segmento médio. Que outros projectos têm pensados nesta óptica, de um all-living?

    No meu entender, o projecto de Monte Gordo enquadra-se nesse segmento porque tanto é para o cliente estrangeiro –  como ingleses, franceses, e claro, espanhóis-, como ainda, historicamente, é um sítio com muitas famílias portuguesas. Acredito que este é um projecto que tem muito potencial.

    Algum dos vossos produtos poderão também no mercado de arrendamento?

    O da Graça foi uma compra que fizemos em 2019, é um prédio muito pequenino, não tem muito interesse histórico, nem nada, mas a localização é muito boa. São três apartamentos, o T1, o T2 e o T2 duplex. Ainda não sabemos muito bem se isto é um produto mais para a nossa carteira para depois fazer, talvez, arrendamento ou para vender os apartamentos.

    Os valores das rendas não são atractivos ou, por outro lado, será mais fácil comprar do que arrendar. Na Suíça temos um mercado de arrendamento forte, implementado. Isto também acontece porque, por exemplo, na Suíça o sistema bancário é diferente, não se fazem empréstimos com prazos quase infinitos. No máximo são 25 a 30 anos, o que permite ter uma igualdade ao nível dos valores que se pagam, seja em caso de arrendamento, seja em caso de compra. A ideia é que se trata sempre de um activo que não perde valor e que se o cliente não conseguir pagar, facilmente se coloca no mercado novamente. Em Portugal, alguém que compra para arrendar já tem um custo muito elevado de juros. Para ter alguma rentabilidade, a renda tem que se muito mais alta. Na Suíça, com menos equity, consegue-se uma rentabilidade muito mais interessante.

    O que seria necessário para facilitar esse processo?

    A parte legislativa é fundamental.  Se não houver esse empurrão, dificilmente será possível. Mas acho que seria também muito importante a redução do IVA na construção nova, como é na reabilitação. Não estou errado quando digo que entre 40 e 50% do valor é referente ao IVA, um valor que acaba por se repercutir no cliente final.

    Ainda na óptica da reabilitação, por exemplo, o Porto ou outras cidades mais a Norte, são hipóteses?

    Olhamos muitas vezes para oportunidades, por exemplo no Porto. Mas depois, para nós, às vezes é melhor ficar onde nós conhecemos as coisas, onde nós conhecemos muito bem o mercado.

    Porque, por exemplo, se vou comprar um prédio nessa avenida, eu sei que do outro lado é melhor do que deste lado. Conheço as micro-organizações. Eu não conheço bem o Porto. E depois sentimos quase a obrigação para nos associarmos a com alguém lá no Porto, encontrar parceiros que conheçam aquela realidade. E é complicado. Pode ser muito bom, mas é sempre um desafio.

    Não é, portanto, algo que esteja nos vossos horizontes por agora…

    Não.

    Vão entrar no mercado mais turístico. Acreditam que estão aqui a fazer uma mudança no vosso core? É para continuar?

    Com a carteira que temos actualmente, temos trabalho para os próximos anos. E até aí vamos descobrir, com certeza, outras oportunidades. Nós crescemos muito rápido. Comprámos muita coisa em pouco tempo. Agora estamos mais focados em dar continuidade e avançar para esses projectos. Mas sempre a olhar para as oportunidades que possam surgir.

    Actualmente, há toda aqui uma mística à volta de Portugal, não é? Acredita que isto é algo que vai continuar, que será sustentável, não só do ponto de vista ambiental, mas também económico?

    Eu acho que sim. De qualquer forma, gostamos de ter uma visão mais conservadora. Não podemos sempre pensar que os últimos anos foi agora o indicador para os próximos sempre que vai continuar igual. Não. Porque já atingimos um nível de preços altos. Mas acho que foi importante porque o País precisava mesmo dessa mudança, desse impulso. Mas agora também acho que os compradores estão mais cuidadosos.

    Tem que estabilizar, é isso?

    Exactamente. Acho que vamos entrar numa fase de consolidação e estabilização. Mesmo assim, acho que Portugal vai continuar forte. Acho que tem tudo para continuar a ser o sucesso que teve nos anos passados. É um País muito agradável para se viver. Tem um clima óptimo. Tem a segurança que hoje em dia é muito importante. O que para nós é completamente normal, como andar na rua a que horas for ou andar nos transportes, para quem vive nos EUA, no Brasil ou até em França, como alguns casos que conheço, não é assim.

    Como é que se imaginam daqui a 10 anos, com o portefólio que já alcançaram e com os novos projectos que vão agora desenvolver?

    Continuar a investir em Portugal, mas também ter alguns desses novos projectos que já estivemos a falar, acabados e também como são projectos turísticos, é uma coisa que vai ficar.

    Vão ficar com a gestão desses projectos é isso?

    Talvez uma parte, sim. É isto que gostaria de ter daqui a 10 anos. Falamos de algo diferente da promoção ou da construção, mas também de ter algo com rendimentos diferentes. Criar uma carteira para alugar. Mas continuando a fazer o que sabemos fazer: reabilitação.

    Os números:

    240 M€ – Volume de investimento

    71 mil m2 – Área de Construção

    269 – Apartamentos

    361 – Lugares de estacionamento

    16 – Espaços comerciais

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos
    Artigos relacionados
    Câmara de Penafiel vai investir 4,7M€ na construção e requalificação de Centros de Saúde
    Construção
    Mota-Engil assegura contratos de 350M€ na América Latina
    Construção
    Comercialização do ‘Gaia Hills’ avança ainda em Maio
    Imobiliário
    Remax Portugal: Mês de Abril foi o que registou maior número de transacções
    Imobiliário
    Adecco Recruitment lança guia salarial para sector da construção
    Construção
    Lisbon Design Week com ênfase na criação nacional
    Arquitectura
    NBS Summit com programa extenso
    Construção
    Nature Based Solutions em conferência
    Construção
    Sector da engenharia debate ‘megaprojectos’
    Engenharia
    Vanguard avança com Terraços do Monte
    Imobiliário
    PUB
    Construção

    Câmara de Penafiel vai investir 4,7M€ na construção e requalificação de Centros de Saúde

    Para Daniela Oliveira, vereadora com o Pelouro da Saúde da Câmara Municipal de Penafiel, “para responder a estes desafios, e no âmbito da transferência de competências da Saúde para o município, procuramos desde logo, desenvolver todos os mecanismos para responder a todas as necessidades, sempre em articulação com a ARSNORTE e o ACES TÂMEGA II Vale do Sousa Sul.”

    A Câmara Municipal de Penafiel vai investir 4,7 milhões de euros num conjunto de obras que procuram, de acordo com os responsáveis municipais, responder aos “importantes desafios associados à evolução das necessidades em saúde e ao aumento das exigências e expectativas da população”.

    Em comunicado, o executivo municipal explica que se trata da construção de mais um Centro de Saúde, junto à futura Central de Transportes, em Novelas, e requalificar o atual Centro de Saúde da cidade, junto à Escola D. António Ferreira Gomes, num investimento total de cerca de 4,7 milhões de euros, com financiamento Municipal e do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência).

    Para Daniela Oliveira, vereadora com o Pelouro da Saúde da Câmara Municipal de Penafiel, “para responder a estes desafios, e no âmbito da transferência de competências da Saúde para o município, procuramos desde logo, desenvolver todos os mecanismos para responder a todas as necessidades, sempre em articulação com a ARSNORTE e o ACES TÂMEGA II Vale do Sousa Sul.”

    O futuro Centro de Saúde de Penafiel irá integrar a Unidade de Saúde Familiar de S. Martinho, o Centro de Diagnóstico Integrado (CDI), os serviços de Saúde Oral e ainda o Centro de Diagnóstico Pneumológico (CDP). O valor total da obra é de cerca de 3 milhões de euros, com uma comparticipação PPR a rondar os 2 milhões de euros e um investimento municipal na ordem de 1 milhão de euros.

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos

    Mota Engil – Eng. Carlos Mota Santos

    Construção

    Mota-Engil assegura contratos de 350M€ na América Latina

    Com estes contratos, a Mota-Engil acumula cerca de 420 milhões de euros de novos contratos angariados em 2024 no Peru, neste que é um dos seus mercados core

    A Mota-Engil anunciou, esta quinta-feira, o reforço da sua carteira de negócios na América Latina por via da assinatura de dois novos contratos no Peru, avaliados em mais de 350 milhões de euros.

    Segundo adianta a empresa, em comunicado veiculado pela Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), as participadas naquele mercado celebraram dois novos contratos, no valor de cerca de 150 milhões de euros, com o
    estado peruano. Um dos contratos está relacionado com a construção de uma ponte rodoviária na província de San
    Martin, com um prazo de execução de 36 meses, sendo o segundo contrato relativo ao serviço de manutenção de
    uma rede viária na província de Juliaca – Puno com uma extensão total de 450 Km, tendo uma duração prevista de
    60 meses.

    Com estes contratos, a Mota-Engil acumula cerca de 420 milhões de euros de novos contratos angariados em 2024 no Peru, neste que é um dos seus mercados core. Adicionalmente, a Mota-Engil angariou também diversos novos contratos de infraestruturas na região que totalizam 200 milhões de euros, reforçando assim a sua presença na América Latina, mercado estratégico e no qual o Grupo detinha, até Março, uma carteira de encomendas de 4,2 mil milhões de euros.

    A empresa fechou o primeiro trimestre com uma carteira de encomendas de 14,2 mil milhões de euros, revelou a Mota-Engil na apresentação dos resultados do primeiro trimestre, em que obteve um lucro de 20 milhões de euros, o melhor resultado de sempre do grupo neste período.

    Sobre o autorRicardo Batista

    Ricardo Batista

    Director Editorial
    Mais artigos

    Gaia Hills

    Imobiliário

    Comercialização do ‘Gaia Hills’ avança ainda em Maio

    A morosidade do licenciamento e a conjuntura internacional levou-nos a ter de fazer ajustes ao valor de venda por m2. Vamos, contudo, colocar no mercado 251 apartamentos para a classe média, que é o principal core business da Thomas & Piron”, afirma David Carreira, da Thomas & Piron

    O empreendimento Gaia Hills, em Vila Nova de Gaia, vai começar a sua comercialização ainda no mês de Maio, com o início da construção apontada para o último trimestre do ano. Uma confirmação avançada esta quinta-feira, dia 23 de Maio, na ocasião da apresentação oficial do projecto, que decorreu no World of Wines, em Vila Nova de Gaia e que contou com a presença de António Miguel Castro, presidente da Gaiaurb, de Pedro Silveira, presidente do Grupo SIL, e ainda de arquitecto Paulo de Sousa, em representação do gabinete de arquitetura da Saraiva + Associados, responsável pelo projecto.

    Promovido pelos promotores Thomas & Piron e pela Promiris, o ‘Gaia Hills’ é um projecto direccionado para famílias e para o segmento médio / médio-alto que vai contemplar a construção de oito edifícios com 4 e 5 pisos, divididos em quatro lotes, num total de 251 apartamentos de tipologias de T1 a T5.

    “A morosidade dos processos de licenciamento levou a que só agora estivéssemos em condições de iniciar a construção do Gaia Hills, passados que estão seis anos da sua aquisição. Este facto a par da conjuntura internacional que bem conhecemos, levou-nos a ter de fazer ajustes ao valor de venda por metro quadrado (m2). Vamos, contudo, colocar no mercado 251 apartamentos para a classe média, que é o principal core business da Thomas & Piron”, afirma David Carreira, da Thomas & Piron.

    As dimensões dos apartamentos variam entre 62 m2 (T1) e 278 m2 (T5) e o preço médio de venda será de 4.800 €/ m2. Todas as fracções beneficiarão de áreas de terraço amplas com uma vista deslumbrante para o rio Douro, para a cidade do Porto ou para o Parque Urbano de Lazer a Sul.

    Com uma área total de construção a rondar os 30.500 metros quadrados (m2) será, numa primeira fase, construída uma área residencial de 16.200 m2, 640 m2 de área comercial e 9.100 m2 de parques de estacionamento subterrâneo, áreas técnicas e arrecadações, dos quais 1.600 m2 serão dedicados a um parque de estacionamento de uso público.

    Na segunda fase, será construída uma área total de construção residencial de 15 mil m2 e de 6.600 m2 subterrâneos para parques de estacionamento, áreas técnicas e arrecadações.

    O início da construção da primeira fase está previsto para o quarto trimestre de 2024 e a sua conclusão para o final de 2026. O início da construção da segunda fase está planeado para 2027, com previsão de início de comercialização cerca de três meses antes, e a sua conclusão em 2029.

    Situado em plena zona ribeirinha, entre um parque de aproximadamente três hectares e o rio Douro, está ainda prevista a construção de uma praça central denominada de Ágora. A Sul, as áreas verdes serão transformadas num parque natural, que será posteriormente cedido ao município para utilização pública.

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos
    Imobiliário

    Remax Portugal: Mês de Abril foi o que registou maior número de transacções

    Entre Janeiro e Abril, a rede mediadora alcançou um total de volume de preços na ordem dos 1,99 MM€, relativos às 21.422 transacções, com o mês de Abril a registar um incremento de 21% em volume de preços e 20% no número de transacções face ao período homólogo

    Nos primeiros quatro meses do ano, a Remax Portugal fechou com um volume de preços de cerca de 1,99 mil milhões de euros, relativos a 21 422 transacções. Destes valores, 4942, ou seja, 23.1%, corresponderam ao arrendamento e 16480, na ordem dos 76,9%, relativos a compra e venda de imóveis.

    Estes resultados permitiram à empresa fechar este período com um aumento do volume de preços, na ordem dos 9,5%, e no número total de transacções (5,5%) quando comparado com igual período homólogo. Destaca-se, ainda, o mês de Abril como o “mais dinâmico”, com um aumento de 20% no número de transacções e 21% em volume de preços.

    Neste período, assistiu-se a um reforço da participação dos clientes nacionais, com a Remax a transaccionar mais 9% do total de imóveis face ao ano anterior. Entre os investidores estrangeiros, os brasileiros reforçaram a sua posição de liderança entre aqueles que mais negoceiam em imobiliário. Destaque, ainda, para os clientes norte-americanos, já bem próximos de serem a segunda nacionalidade estrangeira. Nos primeiros quatro meses do ano, o número de transações imobiliárias com esta nacionalidade cresceu 3%.

    Numa análise por distrito e apenas considerando aqueles que registaram mais de 200 transacções, o distrito de Lisboa representou mais de um terço das transacções (35,1%) nos primeiros quatro meses do ano, o que demonstra bem o enorme peso que representa na rede.

    Coimbra e Braga foram outros dos distritos que registaram crescimentos acima dos 20%, concretamente 27,4% e 24%, respectivamente. Já Viseu cresceu 15,2% no número de transacções face a igual período de 2023 e o Porto foi o distrito que consolidou a segunda posição nacional com quase 2.900 transacções.

    Face ao período homólogo, registou-se um decréscimo do peso dos apartamentos nas transações da rede, colmatado pelo aumento verificado nas moradias, pelo que os imóveis habitacionais continuaram a representar cerca de 80% das transacções. Já os terrenos, tradicionalmente a terceiro tipo de imóvel mais movimentado, manteve o seu peso praticamente inalterado.

    “A julgar pelas tendências que vão sendo mais claras, esperamos que o ano de 2024 seja sinónimo de um reforço da posição de liderança no mercado por parte da nossa rede, com um crescimento na ordem dos dois dígitos, quer em facturação, quer em transacções”, afirma Manuel Alvarez, presidente da Remax Portugal.

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos
    Construção

    Adecco Recruitment lança guia salarial para sector da construção

    “A nossa análise revela a importância de competências digitais e comportamentais, comunicação aberta, trabalho flexível e inclusão de colaboradores mais seniores, como pilares para um ambiente de trabalho mais “harmonioso e produtivo””, refere Bernardo Samuel, Adecco Recruitment director

    A especialista em soluções de Recursos Humanos, Adecco, divulgou esta quinta-feira, dia 23 de Maio, o seu Guia Salarial da área de recrutamento especializado, para o sector da Construção, para o ano de 2024.

    O documento apresenta uma análise detalhada das tendências salariais, em Lisboa e no Porto, para as várias funções dentro destes sectores, assim como, as competências e benefícios mais valorizados e as perspectivas do mercado de trabalho.

    Desta forma, este estudo foi desenvolvido em resposta aos desafios enfrentados desde 2023, incluindo a inflação elevada, a crise energética mundial e as políticas restritivas dos bancos centrais, factores esses que têm contribuído para uma desaceleração do crescimento económico global, prevendo-se uma redução de 3,5% em 2022 para 3% em 2023 e 2024. Neste contexto, as empresas enfrentam dificuldades significativas na atracção e fidelização de talentos, exigindo estratégias robustas para superar esses obstáculos.

    “Neste período de transformação acelerada, é essencial que as empresas adoptem estratégias inovadoras de empregabilidade. Este Guia não só destaca as tendências salariais, mas também fornece uma orientação clara sobre como as organizações podem atrair e fidelizar talentos qualificados, uma vez que a nossa análise revela a importância de competências digitais e comportamentais, comunicação aberta, trabalho flexível e inclusão de colaboradores mais seniores, como pilares para um ambiente de trabalho mais harmonioso e produtivo, refere Bernardo Samuel, Adecco Recruitment Director.

    Neste sentido, o Guia identifica cinco tendências fundamentais às quais as empresas devem estar atentos. Em primeiro lugar, há um défice de competências persistente, com 38,5% dos candidatos a acreditarem que os empregadores têm requisitos irrealistas, enquanto seis em cada 10 trabalhadores precisarão de uma actualização de competências até 2027. A dimensão da Great Resignation continua a ser uma variável incerta, com 26% dos colaboradores a indicarem que pretendem mudar de emprego no espaço de 12 meses, sublinhando a necessidade de melhores estratégias de retenção de talentos.

    O trabalho híbrido, por sua vez, mantém-se como uma tendência forte, com 39% dos profissionais a trabalharem num ambiente híbrido até ao final de 2023, reflectindo a procura por um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

    O fenómeno do ghosting no mercado de trabalho também se destaca, com 62% dos trabalhadores a relatar terem sido alvo de ghosting por parte dos empregadores e 25% dos candidatos a emprego a admitirem ter praticado ghosting. Por fim, observa-se um crescimento do unretirement, com mais pessoas entre os 50 e os 64 anos a regressar ao mercado de trabalho, impulsionadas pela escassez de mão-de-obra e pela inflação.

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos
    Arquitectura

    Lisbon Design Week com ênfase na criação nacional

    Lisboa acolhe até 26 de Maio a segunda edição da Lisbon Design Week (LDW). Serão mais de 80 os espaços seleccionados que irão participar num evento que funde design, arte e ofícios. O programa a de actividades é extenso e terá como tema comum o design e os materiais de origem portuguesa

    Decorre até 26 de Maio a segunda edição da Lisbon Design Week. À semelhança da primeira edição, o evento quer mostrar o que de melhor se faz nas áreas do design e do artesanato contemporâneo em Portugal.

    Durante cinco dias, somos, visitantes e residentes, convidados a percorrer um roteiro extenso, que inclui 80 espaços espalhados pelos vários bairros da cidade, numa organização própria para atender à LDW: Estrela; Lapa & Santos; Infanto Santo & Alcântara; Campo de Ourique & Rato; Príncipe Real; Chiado & Bairro Alto; Alfama, Graça & Anos; Saldanha & Arroios; Avenida da Liberdade; e Belém.

    Para esta edição foram seleccionados atelieres, estúdios criativos, lojas, galerias, gabinetes de arquitectura e de design de interiores, escolas e hotéis. Numa multiplicidade de espaços e autores “desafiados a destacar peças de design português e materiais de origem portuguesa”, o que gerou colaborações únicas entre artistas, designers, artesões, arquitectos e marcas. Este “cruzamento entre o design e as artes e ofícios”, traduzir-se-á em exposições, masterclasses, talks, workshops, lançamento de novas peças e produtos.

    Atender à LDW obriga, pois, a aceitar um convite para palmilhar as ruas da capital e descobrir os diferentes espaços.

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos
    Construção

    NBS Summit com programa extenso

    Até ao final desta semana o NBS Summit Urban Edition trará à cidade do Porto alguns dos maiores especialistas, académicos e lideres do sector para debater temas como a conservação dos ecossistemas urbanos, as infraestruturas verdes, a eficiência energética ou a gestão da água 

    Durante os dois dias do evento, a 23 e 24 de Maio, a Super Bock Arena será palco de partilha e debate dos principais focos das metas europeias de sustentabilidade para o ambiente urbano construído. Um leque de especialistas, académicos e líderes do sector abordarão temas cruciais como a conservação de ecossistemas urbanos, infraestruturas verdes, gestão sustentável de águas pluviais, eficiência energética e energias renováveis, com o intuito de partilharem as suas ideias e soluções para tornarem as nossas cidades mais sustentáveis, biodiversas, resilientes e verdes.
    O arquitecto paisagista Kongjin Yu é o nome mais sonante. Yu é reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho inovador na criação de espaços urbanos que harmonizam de forma única a natureza e a função humana nomeadamente pelo conceito Sponge Cities que visa enfrentar os desafios de inundações urbanas e escassez de água por meio de infraestruturas naturais e sustentáveis. Mas o evento trará “outros líderes visionários no campo das Soluções Baseadas na Natureza”, como Laura Gatti, co-autora do famoso Bosco Verticale, em Milão, ou Per Malmos, responsável pelo Copenhill, a cobertura verde que também é uma pista de ski e que está localizada em Copenhaga, na Dinamarca.

    Para além dos projectos, nacionais e internacionais, Luigi Petito, especialista em assuntos públicos europeus, abordará os últimos desenvolvimentos nas políticas e regulamentações relacionadas com a infraestrutura verde na Europa. O discurso de Petito será fundamental para a compreensão do contexto político em evolução na Europa, especialmente no ano de 2024, que marca um período com mudanças significativas previstas nas políticas e regulamentações que impactam directamente a sustentabilidade urbana. Entre estas destaca-se o acordo político entre os Estados Membros e o Conselho da UE sobre o Regulamento Restauro da Natureza e as revisões das directivas de Tratamento de Águas Residuais Urbanas (UWWTD) e de Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), salientando-se, em todos os casos, o compromisso da UE em promover Soluções Baseadas na Natureza para enfrentar desafios ambientais das cidades contemporâneas.

    O NBS Summit contará também com a presença de Martin Košťál e Jürgen Preiss que falarão das políticas a ser implantadas nas cidades europeias de Brno e Viena, respectivamente.

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos
    Construção

    Nature Based Solutions em conferência

    Arranca hoje a NBS Summit Urban Edition. O evento trará ao Porto especialistas, investigadores e profissionais. Durante dois dias (23 e 24 de Maio) o debate e a partilha irão centrar-se nas soluções baseadas na natureza (Nature Based Solutions, NBS) e a sua importância no desenvolvimento urbano sustentável e no combate às alterações climáticas. A organização é da Associação Nacional de Coberturas Verdes, com o apoio do município através da Águas e Energia do Porto

    O NBS Summit Urban Edition pretende ser um palco para a partilha de conhecimento, de práticas e de exemplos de soluções para tornar as cidades mais sustentáveis. A urgência é real e este é um momento decisivo para começar a delinear cidades mais resilientes e capazes de se adaptar às alterações climáticas como nos conta Ana Mesquita, membro da direcção da Associação Nacional de Coberturas Verdes (ANCV), que em conjunto com o município do Porto, através da Águas e Energia do Porto organiza o encontro que durante dois dias reúne especialistas, investigadores e profissionais em torno de um tema cada vez mais vital.

    Ana Mesquita, , membro da direcção da Associação Nacional de Coberturas Verdes

    Como é que surge a NBS Summit e qual a sua relevância para o momento actual?
    Este encontro nasce da relevância do tema para as cidades, que têm de se adaptar às alterações e ao stress que terão nas próximas décadas. A intenção é a de criar um evento que agrega todas as partes interessadas: os municípios, os projectistas, a indústria e os centros de investigação e as universidades. Surge também em sequência de um outro evento que realizámos com a Câmara do Porto, o Internacional Green Infrastructure Conference, em 2018, que contou com a presença de uma série de especialistas internacionais.

    Agora, seis anos depois, o palco do debate é o Superbock Arena, podemos fazer a analogia com o significado e a importância destes temas no momento actual?
    Estes temas estão no centro do debate e da discussão de hoje sobre as cidades do futuro e o futuro da urbanização. Estamos todos muito felizes por ir à praia em Abril, mas não temos noção do que é que isso significa, na verdade, não é? Há uma certa ingenuidade da nossa parte, quando estas situações devem-nos alertar.
    As coisas estão a mudar a uma velocidade maior do que aquela que era o expectável, e temos de alterar a forma como pensamos as cidades e desenhamos os edifícios, temos de perceber que já não é uma questão de combate às alterações climáticas, mas é uma questão de tentar adaptar-nos. De sermos resilientes. Este termo que está muito na moda, mas que é uma propriedade física dos corpos de sofrer um impacto, um stress, e voltar à sua forma original. E é isso que as cidades vão ter de conseguir fazer. Vão ter de conseguir lidar com temperaturas extremas e, de alguma forma, conseguir manter algum microclima dentro das ruas. Vão ter de conseguir lidar com grandes volumes de água em curtos períodos de tempo, sem riscos de inundações.

    Como é que em Portugal é percepcionada esta questão?
    Está a demorar a ser percepcionado quer pelas cidades, pelas entidades públicas e também pelos projectistas. E já nem falo pelos donos de obra.
    Eu diria que a indústria e os centros de investigação, as universidades, estão um passo mais à frente. A indústria está preparada para fornecer esse tipo de soluções, para dar apoio técnico à instalação desses materiais. Os grupos de investigação têm já dados e estudos que comprovam os benefícios e a viabilidade económica das nature based solutions. Onde é que esbarramos? Muitas vezes nos municípios, que estão a começar a acordar para o assunto, nos projectistas e profissionais que ainda têm algum receio, ou falta de conhecimento, mas sentimos que as coisas estão a mudar. O caminho que percorremos nos últimos 10 anos foi gigante, claro que ainda há um caminho a percorrer.

    Para além das coberturas verdes

    Que soluções falamos quando falamos em soluções baseadas na natureza? Em coberturas verdes?
    O summit não irá falar só de coberturas verdes, soluções de base natural são soluções que tentam simular e mimetizar os processos naturais, trabalhando com a natureza e não contra a natureza. Podemos usar as soluções de base natural em conjunto com as soluções de engenharia estática, que são aquelas que estamos mais habituados a fazer. Por exemplo, os túneis de drenagem que Lisboa está a construir. As soluções de base natural não são a única solução ou uma solução no singular, mas têm de entrar para a ordem do dia quando planeamos as cidades e, sobretudo, quando desenhamos edifícios.
    Porque se pensarmos no que vai acontecer nos próximos 30 a 40 anos e nos desafios que as cidades vão ter, que os edifícios vão ter, e se pensarmos que estamos a construir hoje os edifícios que vão existir daqui a 30 anos, percebemos que estamos a agir demasiado tarde. É hoje que temos de agir, não é daqui a 20 anos que vamos começar a pensar nisso, quando sentirmos os problemas na pele. É hoje porque estes são os edifícios que vão estar cá nas próximas décadas.

    E por isso o summit foca-se em soluções para as cidades.
    Porque são as cidades que vão sofrer esse impacto. Até 2050 estimamos que mais de 70% da população viva nas cidades e 2050 é quase amanhã. As cidades têm um impacto muito grande na natureza, são paisagens altamente artificializadas. Pegamos nas paisagens naturais e artificializamos em cidades. Para quê? Porque precisamos de um ambiente construído, para aquilo que são as nossas actividades económicas, sociais… e acabamos por ter um impacto muito grande nos ecossistemas, na natureza…

    Os casos práticos
    O NBS Summit irá focar-se muito em exemplos, que soluções nacionais estarão em destaque?
    Em termos de exemplos do que temos em Portugal, teremos o novo Terminal Intermodal da Campanhã
    É um excelente case study. Estamos a falar de uma zona da cidade que estava degradada e muito esquecida e o projecto alavancou toda uma nova urbanidade e mobilidade urbana, unindo ali três tipos de transporte públicos e isso também é um factor importante. Estamos a falar de perto de 13 mil m2 de cobertura verde, para além do parque urbano que não está sobre o edifício.
    Aliada à componente ambiental, o projecto teve também uma componente social e até estratégica para a cidade e para aquilo que é a vivência na cidade e a movimentação da população, da sua mobilidade.

    Que outros exemplos serão debatidos e estudados?
    Teremos várias visitas nestes dois dias de encontro que se irão centrar no Porto, que é a cidade onde o summit se realiza. Teremos a Praça de Lisboa, junto aos Clérigos, que é outro exemplo de uma área que esteve degradada e ao abandono e que mudou por completo com a instalação de uma cobertura verde que devolveu a natureza ao centro consolidado do Porto. Se perguntasse há uns anos, “é possível ter um jardim ao lado dos Clérigos, ao lado da reitoria, no meio da Praça dos Leões quase, um jardim com árvores, com oliveiras, com relevado, onde as pessoas possam estar?”. A resposta seria “não é possível”, a cidade do Porto está consolidada, a malha urbana está já completamente definida, portanto, não há espaço para trazer a vegetação. Mas, de facto, houve espaço, houve espaço para uma nature based solution. Lá está, uma cobertura verde. E isso também é algo importante, ou seja, em muitos locais, onde já não é possível pôr jardins e parques, as coberturas verdes podem ser a solução. Não queremos que seja percepcionada de alguma forma que as coberturas verdes são a única solução. De todo!
    Outro exemplo bastante emblemático da cidade do Porto, é a Escola do Falcão, que é uma escola que foi também renovada no ano passado e que tem uma série de nature-based solutions.

    Depois teremos também os exemplos internacionais. (Ver mais à frente)
    O nosso convidado mais especial é o Kongjin Yu, o reconhecido arquitecto chinês, criador do conceito das Sponge Cities, e que nos vem falar exactamente sobre este conceito e sobre a forma como nós lidamos com a água. Yu é reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho inovador na criação de espaços urbanos que harmonizam de forma única a natureza e a função humana nomeadamente pelo conceito Sponge Cities que visa enfrentar os desafios de inundações urbanas e escassez de água por meio de infraestruturas naturais e sustentáveis.

    Este evento irá chegar a quantas pessoas?
    Esperamos casa cheia, cerca de 400 a 500 participantes. É essa a nossa expectativa. Não vamos abrir streaming, porque o objectivo foi trazer os especialistas, os profissionais, os investigadores ao local, para uma experiência muito mais imersiva.

    Os últimos dez anos foram importantes, mas como vê que estas questões venham a evoluir nos próximos cinco anos?
    Eu quero acreditar que daqui a cinco anos estamos a lidar com estas temáticas – com a vegetação, com as coberturas, com as paredes, com as soluções para a água – como quem lida com o resto das componentes de um edifício. Tem de ser. Como é que vamos lidar com a água neste edifício? Como é que vamos conseguir reter a água no edifício? Além da eficiência energética os edifícios têm de ser hidricamente eficientes e isso não é só focarmos na torneira, mas temos de pensar na grande torneira que vem do céu. Como é que aproveitamos a água? Como vamos retê-la para depois reutilizá-la? Como vamos reciclá-la? São grandes desafios!

     

    Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

    Manuela Sousa Guerreiro

    Mais artigos
    Engenharia

    Sector da engenharia debate ‘megaprojectos’

    A conferência ‘Megaprojetos – Liderança e Governance’ acontece nos dia 3 e 4 de Julho, no auditório da OERS, em Lisboa

    CONSTRUIR
    tagsOERS

    A Ordem dos Engenheiros – Região Sul (OERS), promove, nos dia 3 e 4 de Julho, no auditório da OERS, em Lisboa, a conferência e formação complementar ‘Megaprojetos – Liderança e Governance’. Esta conferência, conduzida por Nuno Gil, professor da Universidade de Manchester, tem como objectivo “debater e aprofundar” a gestão de megaprojectos de infraestruturas como aeroportos, ferrovias ou centrais eléctricas e como “liderar” os mesmos por forma a garantir a sua legitimidade ao longo de todo o ciclo de vida.

    O evento contará com um painel de convidados do Reino Unido e de Portugal, com experiência no planeamento e execução de megaprojectos, nomeadamente Rita Moura, vice-presidente da OERS e directora de Inovação na Teixeira Duarte, Miguel Cruz, presidente da Infraestruturas de Portugal, Miguel Mateus, vogal do Conselho de Administração da ANA Aeroportos de Portugal e José Moreira da Silva, sócio da SRS Legal.

    Face ao contexto actual, nomeadamente, a questão da construção de um novo aeroporto e da rede ferroviária, a gestão de megaprojectos ganha uma “relevância ímpar” e, desta forma, a OERS pretende continuar a promover o “entendimento e a inovação” na implementação de grandes infraestruturas.

    “Num contexto que se antevê de grandes projectos de infraestruturas em Portugal, com a tão aguardada decisão sobre a localização do novo Aeroporto de Lisboa em Alcochete, a Terceira Travessia do Tejo, as Linhas de Alta Velocidade, bem como investimentos em obras portuárias e na expansão das redes eléctricas para suportar o crescimento das renováveis, é crucial uma abordagem inovadora para a concretização de grandes projectos”, refere Rita Moura.

    A forma como estes projectos são geridos actualmente, de um modo meramente técnico-financeiro, não permite maximizar o seu valor para a sociedade e com um melhor desempenho do ponto de vista ambiental.

    “É necessária uma mudança disruptiva ao nível da Liderança e Governance de Megaprojetos, que se irá discutir com personalidades envolvidas no design operacional de grandes projetos europeus, como sejam o Crossrail, High Speed 2, entre outros”, acrescenta.

    O evento irá começar com uma conferência, onde será traçado um paralelismo com a realidade actual portuguesa e como os gestores portugueses de megaprojectos podem lidar com os desafios nos ecossistemas financeiros, sociais e ambientais com que se vão deparar nas próximas décadas, seguido de uma formação prática opcional, dividida em dois dias, orientada por especialistas internacionais como Dev Amratia, cofundador e CEO da nPLan, Dan Doron, vice-presidente e director-geral da Fab Construction na Intel Corporation, e Cuong Quang, director executivo e co-fundador da Octant AI.

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos

    default

    Imobiliário

    Vanguard avança com Terraços do Monte

    Nove anos depois de ter dado entrada com o projecto para licenciamento, finalmente, a Vanguard Properties recebeu luz verde para avançar com a construção dos Terraços do Monte, num investimento de 40M€. O projecto, localizado na Graça, foi lançado esta semana e a empreitada de fundações e contenções, a cargo da Casais, arranca na próxima semana. O projecto deverá estar concluído em 24 meses

    CONSTRUIR

    A Vanguard Properties lança o seu novo projecto habitacional em Lisboa: os Terraços do Monte. localizado no icónico bairro da Graça, em Lisboa. Este empreendimento, que representa um investimento superior a 40 milhões de euros, promete tornar-se um dos edifícios mais exclusivos e emblemáticos da cidade.

    Com assinatura dos arquitectos Nuno Mateus e José Mateus da ARX Portugal Arquitectos e o interior design a cargo de Gracinha Viterbo, a mesma equipa responsável pelo premiado Castilho 203, Terraços do Monte oferece uma das vistas mais deslumbrantes de Lisboa, a partir da encosta da Senhora do Monte.

    O design do projecto é caracterizado por linhas simples e depuradas, materiais excelsos e intemporais e uma atenção minuciosa aos detalhes. Destaque para a utilização de cores suaves, da pedra e azulejo numa reinterpretação da tradição lisboeta, bem como para a qualidade e a durabilidade dos materiais, como as rochas ornamentais e as madeiras nobres maciças. Os fornecedores são nacionais e muitos dos elementos que compõem estes apartamentos foram desenhados de propósito para este projecto.

    Terraços do Monte conta com 15 apartamentos distribuídos por cinco pisos, com tipologias que variam entre T2, T3 e T5, incluindo duas penthouses com terraços privativos e áreas espaçosas. O empreendimento oferece também 55 lugares de estacionamento e um conjunto de amenities de excelência, como piscina interior e exterior, ginásio, banho turco, sauna, jardim e serviço de concierge.

    “Este projecto será um marco na paisagem de Lisboa devido à sua localização privilegiada, linhas arquitectónicas, serviço e qualidade dos materiais. Terraços do Monte vai proporcionar aos seus residentes uma qualidade de espaços e um conjunto de serviços únicos e de excelência. Trata-se, de facto, de um projecto inovador e inigualável em Portugal que marcará a diferença”, sublinha José Cardoso Botelho, CEO Vanguard Properties.

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB

    Navegue

    Sobre nós

    Grupo Workmedia

    Mantenha-se informado

    ©2021 CONSTRUIR. Todos os direitos reservados.