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Francisco Barroca
Opinião

2022: aposta na qualidade

“Se queremos um país que se posicione de forma diferente (…) é preciso que se assuma de vez a opção entre o recurso sistemático a regimes de exceção e se assuma a qualidade como uma imagem de marca”

Francisco Barroca
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2022: aposta na qualidade

“Se queremos um país que se posicione de forma diferente (…) é preciso que se assuma de vez a opção entre o recurso sistemático a regimes de exceção e se assuma a qualidade como uma imagem de marca”

Sobre o autor
Francisco Barroca

Quando no final do ano passado escrevemos sobre os novos desafios que se colocariam neste 2022 estávamos longe de adivinhar esta evolução súbita dos efeitos da Covid e do seu impacto em termos de confinamento, com centenas de milhares de pessoas em isolamento ou quarentena, retirando-as do seu local de trabalho e afetando, na maioria dos casos, os processos produtivos em que se inserem.

Muitas medidas tomadas de forma pouco consistente e obrigando a confinamentos claramente exagerados, porque não seguidos de medidas eficazes, colocaram em causa a viabilidade de setores em que o trabalho presencial não pode ser substituído por outras formas de trabalho. Mas, as empresas foram resistindo, enquanto o apoio do setor público se pautava, salvo raras exceções, por uma dificuldade em obter respostas pelo facto de estarem em teletrabalho e sem soluções. São exemplo bem demonstrativo as dificuldades em obter um cartão de cidadão ou determinadas certidões para apoio a transações imobiliárias. Se bem que a construção tenha passado um pouco ao lado da crise que vivemos, apesar de todos os constrangimentos que, quer direta quer indiretamente, sofreu, há, neste momento, um conjunto de limitações que começam a fazer-se sentir em todas as atividades.

À alta do preço das matérias-primas, aliada às dificuldades e custo dos transportes, juntou-se a escalada dos preços da energia e uma taxa de inflação a que já não estávamos habituados e que, muito provavelmente, vai levar a uma subida das taxas de juro, o que terá também impacto no setor da construção e dos produtos de construção.

O tão desejado PRR, embora com todas as críticas de que está focado no setor público e não nas empresas, ou seja, na produção de riqueza, trará, certamente, um impulso à economia e aí incluindo o setor da construção, nomeadamente, no que se refere a obras públicas anunciadas. O PRR não é um programa que tenha os organismos de certificação como destinatários, mas também não é esse o desejo destes. O impacto que o PRR deveria ter nos organismos de certificação seria por força dos seus clientes.

Se queremos um país que se posicione de forma diferente não basta ter algumas empresas e alguns setores que se impõem nos mercados, é preciso que assuma de vez a opção entre o recurso sistemático a regimes de exceção e assuma a qualidade como uma imagem de marca. É fundamental que os projetos sejam feitos cumprindo todos os requisitos e que os produtos cumpram, no mínimo as exigências legais.

Temo-lo referido, a certificação de produtos é um aliado natural das empresas exportadoras, cada vez mais uma exigência dos mercados, como provam as novas solicitações que, mesmo em pandemia, continuamos a receber por parte dos clientes. E, se falamos de produtos de construção, não podemos esquecer a exigência da marcação CE para a colocação no mercado de muitos milhares de produtos, requisito este que ainda deixa muito a desejar no que se refere ao seu cumprimento.

Mas, sendo a certificação uma garantia dada por uma terceira parte, é necessário que os clientes tenham confiança nessa certificação, e os primeiros interessados deverão ser as empresas que certificam os produtos. Vem este comentário a propósito da marcação da data da auditoria. Agora que estamos no início do ano convém lembrar que a marcação da data da auditoria, normalmente definindo o mês, é da exclusiva responsabilidade do organismo de certificação. O acordo sobre o dia, ou os dias, da auditoria já é estabelecido entre o auditor e o auditado. Esta situação presta-se a muitas confusões e não podemos deixar aqui de reconhecer que, por vezes, os organismos de certificação cedem aos seus clientes, não contribuindo, assim, em nossa opinião, para o reforço da imagem e confiança do processo. Há, obviamente, justificações para ligeiras alterações de data, mas não é a essas que nos referimos, claro. Esperemos, pois, que este ano seja um ano de aposta na qualidade e que todos saibamos defender a imagem e a credibilidade da qualidade enquanto fator de competitividade.

NOTA: O autor escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico

Sobre o autorFrancisco Barroca

Francisco Barroca

Director geral da CERTIF – Associação para a Certificação
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