Ateliê à lupa…AN – Arquitectos, Lda.

Por a 24 de Maio de 2006

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O ateliê de arquitectura surge integrado num grupo mais vasto, o Focus Group – , onde também pontificam empresas de engenharia, estruturas, arquitectura paisagista e ambiente, de interiores, e design. Nuno Malheiro da Silva e a sua equipa explicam as vantagens do conceito

Em Portugal mas com o «Focus» na Europa

São os autores do novo estádio do Varzim, que em breve entrará na fase de obra, assim como do projecto de um novo edifício de escritórios no Parque das Nações que irá ocupar o último dos pavilhões temporários da Expo’98 ainda de pé – o Pavilhão da Realidade Virtual. Os arquitectos Nuno Malheiro da Silva, Luís Moreira, Elsa Malho, Rita Pires, João Rosado e Rita Ogando são as caras de uma equipa que começa a dar cartas.

Quando é que foi fundada a AN- Arquitectos?

Nuno Malheiro da Silva (NMS): Começou em 1997 com um escritório nas Olaias. Logo no arranque juntou-se o Luís Moreira e o João Rosado. No final de 1998 mudámo-nos para o Largo do Camões, onde depois se juntou a Elsa Malho e a Rita Pires. Em 2003 viemos para este edifício no Parque das Nações e entrou para a AN a Rita Ogando. Em 2004, passámos a ser uma das empresas participadas do Focus Group. Actualmente estamos a entrar numa nova fase, em que os quatro arquitectos mais antigos vão também passar a ser sócios do ateliê.

Qual foi o vosso primeiro projecto construído?

Foi o projecto da ExpoSalão na Batalha. Ganhámos um concurso privado para criar um hall de entrada da ExpoSalão que unificasse os salões que já existiam. Outro foi a remodelação do bar/restaurante do Inatel na Costa da Caparica, que fizemos em parceria com o arquitecto Vasco Massapina. Estes foram os primeiros. Depois começámos a entrar em alguns concursos e a ganhá-los. Realizámos também a sede da Optimus no Porto. Ganhámos ainda o Palácio da Justiça de Almodôvar, o de Águeda e o de Valongo. Não estamos sempre a entrar em concursos públicos, mas quando o fazemos tentamos entrar em concepção/construção, com parcerias pré-estabelecidas com algumas construtoras. Depois temos o mercado privado, com uma predominância grande dos serviços, de que é exemplo a sede da Reditus, da Dot One, entre outros.

E nesses projectos todos há alguma linguagem comum, uma marca de água da identidade da AN?

Cada projecto é um projecto. Funcionamos muito com trabalho de equipa e tentamos encontrar as soluções específicas para cada projecto.

Dos trabalhos que já realizaram, qual foi o mais desafiante?

Luís Moreira (LM): O primeiro projecto que fiz na AN, o da Exposalão, foi de referência. Mas há outros que nos marcam com pequenas coisas.

Em que projectos estão a trabalhar agora?

O novo estádio do Varzim. Há um efeito interessante de sinergia com outras empresas do grupo. Tanto a Marbal como a Engicraft já participaram em projectos desta índole. A Marbal fez os projectos de engenharia dos Estádios da Luz e do Algarve; eu próprio enquanto director da Marbal participei activamente nas reuniões de obra do Estádio da Luz, o que nos trouxe algum know-how na construção deste tipo de infraestruturas. Claro está que o caso do Varzim é diferente, até pela sua dimensão (10 mil lugares), onde o promotor é uma entidade privada. Mas não é apenas mais um estádio. O Varzim vai incorporar um centro de estágio e formação e um hotel. Foi um desafio porque foi necessário fazer em menos de 15 dias o concept design do estádio.

Há alguma inovação que o diferencie dos outros?

Primeiro estará inserido num parque urbano da cidade e não queríamos que fosse fechado para o parque. Daí a opção do estádio ter apenas três lados fechados, passando a ser o prolongamento do próprio parque. Depois, procurámos evitar que por debaixo das bancadas se tornasse uma habitual zona escura durante o dia. A cobertura tem zonas translúcidas, o que permite uma iluminação natural das bancadas. E à noite essa própria estrutura translúcida poderá ser iluminada. Para a própria viabilização do estádio, terá também uma zona destinada a uma clínica e outra a um ginásio.

Para além disso estão a fazer uma obra de referência no Parque das Nações…

Outro projecto de grande importância que também estamos a desenvolver é o do edifício que irá substituir o último dos edifícios efémeros que foram criados para a Expo 98, o Pavilhão da Realidade Virtual, da autoria do arquitecto Manuel Vicente. A promotora Pavilhão Virtual adquiriu o terreno e nós estamos a desenvolver o projecto de um edifício de escritórios. Aqui há uma grande preocupação pela sua localização, que o obriga a ser um edifício de referência na zona. Simultaneamente permite-nos alguma liberdade criativa e confere-nos uma grande responsabilidade. Estamos a falar de seis mil metros quadrados acima do solo (escritórios) e mais quatro mil abaixo do solo (estacionamento). A forma do lote, que não era fácil, obrigou-nos a criar um eixo central, por onde se faz o acesso do estacionamento e de pessoas, com um jardim central. Houve também uma grande preocupação com a eficiência energética do edifício, e daí termos criado uma dupla fachada, com lâminas em madeira, para recobrir a fachada por completo ao nível do piso 1 e 2. No último piso, mais recuado, temos um outro tipo de protecção solar, com lâminas metálicas para dar a imagem de um volume interceptado por outro. O custo da obra está orçado em cerca de sete milhões de euros.

Houve envolvimento de outras empresas do grupo no projecto?

Tanto o do Varzim como este do Parque das Nações envolveram várias empresas do grupo, o que facilita bastante a elaboração do projecto, evita mal entendidos, e acelera a própria obra.

E há projectos de internacionalização?

Em termos de grupo a estratégia passa por alguns mercados europeus – Espanha e Inglaterra e Leste, para além de Angola. Apresentámos um projecto de internacionalização, que foi bem aceite, e durante este ano estamos à procura de um parceiro nacional para arrancarmos. Isto tem de ser feito de uma forma muito estruturada e bem pensada.

Para a cidade de Lisboa, que projecto imaginário gostariam de conceber?

LM: Achava muito interessante a revisão, de uma vez por todas, de toda a zona ribeirinha da cidade. Desde o Parque das Nações, que deixou de ser limítrofe, até à zona de Belém. Seria interessante criar não só espaços exteriores como zonas de habitação, para além de resolver a barreira que existe dada a existência naquela zona da linha de comboio.

ficha técnica

Nome – AN-Arquitectos, Lda

Morada – Rua do Mar da China, Lote 1.07.2.3, Bloco A – Piso 2 – 1990-138 Lisboa

Telefone – 218923600 Fax – 218923609

E-mail – [email protected]

URL – www.an-arquitectos.pt

Projectos – Edifício de escritórios no Parque das Nações, Lisboa; Palácio da Justiça de Valongo, Valongo; Estádio do Varzim Sport Club, Póvoa do Varzim; Stand SEAT – exposição, oficinas e escritórios, Caldas da Rainha; Hall de entrada da EXPOSALÃO, Lisboa; Palácio da Justiça de Águeda, Águeda; Nova sede da Casa do Algarve, Lisboa; Palácio da Justiça de Almodôvar, Almodôvar; Escritórios e Call Center da Novis, Lisboa; Escritórios Optimus, Matosinhos; Conjunto habitacional Aljezur, Aljezur; Hotel em Portalegre, Portalegre; Hotel Rural, Loulé.