FAUP recebe exposição sobre Alfredo Matos Ferreira

Por a 5 de Dezembro de 2017

Sede das Caixas de Previdência (1973),Porto, Rua António Patrício, n.º 262, Vista poente, pormenor do sistema de lâminas, fotografia de Alfredo Matos Ferreira [anos 1970]

A Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) e a Fundação Marques da Silva, apresentam de 11 de Dezembro de 2017 a 2 de Fevereiro de 2018, na Galeria da FAUP, a Exposição “Alfredo Matos Ferreira. Da condição da arquitectura como expressão e sentido do comum” que propõe uma abordagem ao percurso profissional do arquitecto Alfredo Matos Ferreira (1928-2015), iniciado em 1950 e que se prolongou até 2001.

Em nota de imprensa enviada ao CONSTRUIR, a FAUP explica que a exposição, é realizada no contexto do programa delineado por ocasião da doação do acervo do arquitecto Alfredo Matos Ferreira à Fundação Marques da Silva (Dezembro de 2016) e constitui o seu terceiro módulo expositivo, depois de “Terra d´Alva” e “Construir um paraíso perdido / Por uma casa livre” apresentadas na Casa-Atelier José Marques da Siva.

A FAUP, espaço herdeiro da Escola de formação e local de exercício da prática docente, acolhe esta “abordagem ao todo da obra do arquitecto”. Desenhada e coordenada por Manuel Mendes, a exposição apresentará um panorama da obra construída, centrando-se depois em núcleos: escola, formação, ensino e, na Galeria, projecto-de-arquitectura.

“Em ‘Alfredo Matos Ferreira. Da condição da arquitectura como expressão e sentido do comum’ visa-se uma abordagem ao todo da obra do arquitecto. Tomou-se como referência o que em 1994 escreveu numa das introduções de ‘Memória – a via possível e talvez única é a de sistematizar um conjunto de conhecimentos que se situam, na área da arquitectura, dentro da tríade vitruviana, nas componentes funcional e técnica – utilitas e firmitas – para, dentro da terceira componente estética – venustas – não analisável como as duas primeiras, promover a pesquisa livre mas consciente e enraizada, no sentido de evitar o vazio e a sempre tentadora emergência de novos cânones’ – para proceder a uma desconstrução do que Alfredo Matos Ferreira partilhou como leitura pessoal da sua obra, mostrando o que o seu arquivo reservou de documentação de época relativa ao processo projectual de cada trabalho”, refere Manuel Mendes, coordenador da Exposição.

Biografia
Alfredo Matos Ferreira (1928-2015), filho de pai médico e mãe pintora, nasceu em Lisboa, mas as suas raízes, por motivos familiares, estão profundamente mergulhadas em Trás-os-Montes, circunstância que decididamente o orienta como pessoa, e lhe marca emoções e afectos, convicções e valores de vida. Arquitecto formado pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, foi colega de Alberto Neves, António Menéres, Álvaro Siza, Luís Botelho Dias e Joaquim Sampaio, os amigos da “sala 35” da Praça da Liberdade. Colaborou com Arménio Losa entre 1971 e 1972, foi sócio de Fernando Távora no exercício profissional entre 1972 e 1982. O seu percurso arquitetónico estendeu-se por mais de 50 anos. É autor de obra importante, mas pouco conhecida, no quadro da produção arquitectónica portuguesa da segunda metade do século XX. No seu arquivo reúne-se acervo patrimonial-artístico de assinalável valor documental de uma época, duma geração e, mais particularmente, do seu exercício de arquitecto: desenho, modelo, fotografia, filme. Ao longo dos últimos anos de vida reuniu memória(s) do seu trabalho profissional, movido pela curiosidade de revisitar o que tinha produzido, sintetizando os passos essenciais, os ensinamentos adquiridos, os vários intervenientes.

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