E a banda continua a tocar!

Por a 15 de Janeiro de 2018

Texto: Cristina Arouca, Diretora de Research da CBRE

O contexto macroeconómico Europeu é dos mais favoráveis que já observámos neste século. O crescimento do PIB da Zona Euro em 2017 é dos mais elevados na história – uma estimativa de 2,4%, de acordo com a Oxford Economics – e as previsões apontam para que se mantenha robusto em 2018. Simultaneamente, as taxas de juro deverão manter-se reduzidas ao longo de 2018, uma vez que se prevê que só em setembro o Banco Central Europeu tome uma posição relativamente ao fim do programa de Quantitative Easing, um processo que, provavelmente, deverá ser gradual. Deste modo, tudo leva a antecipar que a elevada liquidez que se verificou nos mercados Europeus, nos últimos dois anos, irá continuar em 2018. Face às rentabilidades que oferece, o setor imobiliário irá continuar a captar uma quota importante do investimento e Portugal está no radar.

Os fundamentos do mercado imobiliário em Portugal estão mais fortes que nunca. A economia cresce a um ritmo como nunca visto desde o inicio do século, a procura mantém-se sólida –  quer de unidades residenciais, quer de espaços de escritórios – mas a oferta é escassa face à procura, o que tem vindo a pressionar a subida dos valores de comercialização. Facto é que, ao longo dos últimos anos, a promoção foi essencialmente canalizada para o mercado residencial de segmento alto e, atualmente, deparamo-nos com uma acentuada escassez de produto para a classe média, nomeadamente de escritórios e de habitação.

O research da CBRE prevê que o ritmo de desenvolvimento de imóveis residenciais deverá manter-se robusto ao longo dos próximos três anos. Atualmente, existem 118 edifícios com mais de 1.000m2 em construção e mais de 180 em fase de planeamento, sendo que os projetos em pipeline já se estendem para fora do centro histórico de Lisboa. Em 2017, assistimos um conjunto relevante de transações de terrenos, outras encontram-se em curso e diversos projetos de maior dimensão, quer de escritórios ou de habitação, estão em fase de licenciamento, devendo arrancar construção em 2018.

Em 2018 continuarão ainda a surgir novos investidores, nomeadamente family offices e fundos de private equity estrangeiros, com interesse em promover imóveis para habitação. Paralelamente, observamos que os investidores institucionais estrangeiros, tipicamente mais vocacionados para o imobiliário comercial, revelam agora interesse pela promoção de raiz de habitação ou escritórios, na expetativa de obter rentabilidades mais elevadas.

Ainda assim, tendo em conta o ritmo da construção, não será ainda em 2018 que teremos produto novo disponível no mercado em matéria de escritórios e habitação para classe média. O número de vendas em planta, no caso de habitação, e de contratos de pré-arrendamento ou construção à medida, no caso dos escritórios, irá ser elevado.

Continuam assim reunidos todos os elementos para que o animado ritmo que se observou no mercado imobiliário, nos últimos dois anos, se mantenha em 2018 e que se verifique um incremento e diversificação ao nível da promoção.

NOTA: O CONSTRUIR manteve a grafia original do artigo

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