Arquitectura mais pobre. Morreu Hestnes Ferreira

Por a 12 de Fevereiro de 2018

Crédito: Ordem dos Arquitectos / Secção Regional Norte

“Um percurso solitário e de serena independência”. Foi desta forma que a Universidade de Coimbra reconheceu, em 2007, o percurso, a vida e obra de Raul Hestnes Ferreira. O arquitecto morreu este domingo, em Lisboa, aos 86 anos, deixando para trás um percurso que fica, desde logo, marcado pela fundação do Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra, instituição que lhe atribuiu, em 2007, o grau de Doutor Honoris Causa.

Na ocasião, como revelou o CONSTRUIR, instituição sublinha que “a obra de Hestnes Ferreira é marcada pela procura da universalidade, das origens da cultura arquitectónica ocidental e dos modelos da arquitectura romana”. “O percurso de Raul Hestnes Ferreira é um percurso solitário e de serena independência, em que cada obra é um acontecimento imprevisível a promover, antes de mais, a sua própria razão de ser, universal e única”, revelou Alexandre Alves Costa, arquitecto e docente naquela instituição, na proposta de atribuição do Doutoramento Honoris Causa. Aquele responsável acrescentou ainda que “neste curso e nesta Universidade, ele deu as suas provas maiores de competência didáctica e profissional, dedicação e generosidade que transformaram a sua presença de cerca de 12 anos numa referência essencial e estrutural do actual Departamento que o tem como um dos seus fundadores e garantia de excelência da sua aprendizagem”, sublinhou Alexandre Alves Costa.
Estudou na Escola Superior de Belas Artes, em Lisboa, onde recebeu o diploma de arquitecto, em 1961, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, nos Estados Unidos, na Universidade de Yale e na Universidade de Pensilvânia, depois de ter passado pela escola de Helsínquia, na Finlândia.
Na sua obra, destacam-se o complexo do ISCTE, Instituto Universitário de Lisboa, a Escola Secundária de Benfica, baptizada com o nome do seu pai, o poeta e escritor José Gomes Ferreira, o projecto do Bairro Fonsecas e Calçada, no Campo Grande, em Lisboa, criado no âmbito das brigadas SAAL, de que foi membro, ou a Casa da Cultura e da Juventude de Beja.  A Biblioteca de Marvila, em Lisboa, inaugurada em 2016, é a sua obra mais recente.

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