Ritmo e equilíbrio no novo Hospital Particular da Madeira

Por a 3 de Junho de 2018

A cidade do Funchal, na Madeira, vai contar com um novo Hospital Particular (HPM), que é assinado pelo gabinete de arquitectura Lugar Vivo, liderado por Analena Lopes. O equipamento ficará situado num terreno com “uma excelente localização”, garante a equipa projectista, explicando que, embora fora do centro da cidade, se encontra “junto a um dos eixos viários principais do Funchal, que liga ao centro e inclusive ao aeroporto”, pode ler-se na memória descritiva a que o CONSTRUIR teve acesso.
Segundo Analena Lopes, o programa pedia um “hospital tecnologicamente de vanguarda”, por forma a “garantir um serviço de qualidade suportado por uma organização funcional flexível e adaptável de acordo com as necessidades, e baseado na experiência consolidada dos seus Promotores”.
 
Ritmo e equilíbrio
Sobre a imagem exterior do edifício, Analena Lopes refere que “reflecte um estilo moderno de linhas sóbrias e soluções contemporâneas na sua materialidade, utilizando superfícies envidraçadas numa composição equilibrada de volumes e vãos, bem como elementos arquitectónicos salientes da fachada, que lhe conferem um ritmo equilibrado”. No sentido de minimizar o impacto visual “que este tipo de construção normalmente possui”, e contribuir eficazmente para a a sua correcta implantação e integração na envolvente, a implantação proposta e a volumetria apresentada, “conjugam-se com o ritmo dos elementos aplicados, a combinação de cheios/vazios das fachadas e o arranjo paisagístico proposto”, garante Analena Lopes no documento descritivo da proposta.
Segundo o mesmo documento, “o edifício está implantando tirando partido da topografia natural do terreno, e ‘vai-se reduzindo’ em altura no sentido descendente do terreno e assim integrando-se no mesmo”. No conjunto, explica Analena Lopes, “o edifício resulta numa massa volumétrica longitudinal, devido à sua implantação e à configuração do terreno, e nesse sentido, optou-se por aplicar uma estereotomia e uma conjugação simples de materiais de revestimentos da fachada, aplicados de forma a acentuar a linguagem horizontal e assim equilibrar o conjunto edificado que resulta da sua volumetria”.
Programa
De acordo com a descrição do projecto, o edifício do novo Hospital Público da Madeira (HPM), desenvolve-se em sete pisos, sendo três pisos em cave (piso –3, piso -2 e piso -1), destinados a estacionamento e a diversos serviços hospitalares, que se melhor enquadram a esta cota, e por 4 pisos acima do solo, em que o piso 0 enquadra as unidades de atendimento permanente, de bloco operatório e de ambulatório,  e os restantes pisos destinados ao internamento de utentes, UCI, maternidade e serviços administrativos.
A área de implantação total é de aproximadamente 3 600,00 m² e a área total de construção do edifício é de aproximadamente 19 100,00 m², incluindo as construções técnicas.
O edifício proposto caracteriza-se por dois blocos longitudinais, intersectados por um bloco transversal que liga ambos e onde se situam e concentram todos os acessos verticais.  “O bloco a Nascente, é o maior devido à sua implantação e é composto por 7 pisos (3 abaixo da cota de soleira e 4 acima); o bloco a Sudoeste apresenta 4 pisos, sendo 3 abaixo da cota de soleira e 1 acima, onde se desenvolve a unidade de atendimento permanente”, pode ler-se na descrição. Como referido anteriormente, ambos os blocos são ligados por um volume transversal, onde se inscreve o núcleo principal de acessos verticais, e também ao nível do piso 0 o Bloco Operatório, ao nível do piso 1, a Unidade de Cuidados Intensivos, e no piso 2, a sala de conferências e a zona administrativa.
Vazio
De acordo com Analena Lopes, no centro da edificação proposta está um vazio, “que é um dos elementos principais e caracterizadores desta edificação”, porque, explica a arquitecta, “se transforma num pátio/jardim, que resulta do desenvolvimento da topografia e que garante a iluminação e ventilação natural ao piso –1” mas não só. “Transforma-se num espaço estruturante do edifício e da sua relação com o exterior”. De salientar que, no sítio da Internet do gabinete de arquitectura, ao nome “Lugar Vivo”, segue-se a descrição de “Arquitectura de Interacção”, uma arquitectura que, pode ler-se no mesmo suporte, resulta da “interacção com o cliente e com o lugar” com o objectivo de conseguir “o projecto ideal”.

 

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