Shared services, co-working e sector tecnológico impulsionam transacções de escritórios

Por a 11 de Outubro de 2018


O mercado imobiliário atravessa desde 2014 um óptimo momento, revelado em todos os sectores, mas cada vez com maior destaque no segmento de escritórios, que é hoje o principal enfoque dos investidores imobiliários à escala europeia.

A muito dinâmica actividade ocupacional sustenta esta preferência dos investidores. O volume de procura de escritórios entre Janeiro e  Setembro de 2018 subiu 17% face a 2017, com cerca de 133.300 m2 transaccionados. A zona 6 (Corredor Oeste) concentrou o maior volume de área contratada, 40% do total, seguida pela Zona 1 (Prime CBD), responsável por 18% da procura, cerca de 24.000 m2. A Zona 5 (Parque das Nações) registou o maior negócio conhecido do ano: a ocupação integral por parte da Teleperformance de um edifício com 8.000 m2 na Avenida Infante Dom Henrique.

Os sectores tecnológicos e de serviços a empresas, nos quais se enquadram os centros de serviços partilhados e os espaços de coworking, revelam-se os mais dinâmicos, protagonizando alguns dos maiores negócios do ano. Para além da já referida ocupação da Teleperformance, destacam-se: a Regus, que se prepara para abrir um novo centro de escritórios no Marquês de Pombal 14 em 5.200 m2 e o Lisbon Art Center & Studios, um conceito de coworking localizado na zona ribeirinha que ocupa 5.000 m2.

A forte actividade do mercado, aliada a um ainda reduzido volume de nova oferta em construção (apenas 40.100 m2) traduz-se em recordes mínimos em termos de oferta disponível. A taxa de desocupação na Grande Lisboa situa-se nos 7,2%, 170 pontos base abaixo do ano passado, e retratando um volume de oferta disponível de apenas 334.000 m2.

Os valores de arrendamento e as yields acompanham naturalmente este dinamismo e retratam o bom momento do mercado. A renda prime em Lisboa encontra-se nos 21€/m2/mês e a yield para os activos de investimento situa-se no valor mais baixo de sempre, 4,25%.

A forte actividade ocupacional no mercado de escritórios motiva o crescimento do interesse dos investidores, e nos primeiros nove meses do ano o investimento em activos de escritórios atingiu um novo máximo histórico à data de Setembro, situando-se nos 650 milhões de euros. O investimento estrangeiro lidera largamente a actividade, representando mais de 96% do capital investido. Os investidores originários do Reino Unido foram responsáveis pela maior parcela, 71% do total, seguidos pelos espanhóis e alemães com pesos muito inferiores na ordem dos 6% e 5%.

O maior negócio de investimento em escritórios do ano foi a venda do Lagoas Park, da Teixeira Duarte, aos britânicos da Kildare Partners, por um valor de 375 milhões de euros. Destacam-se também dois negócios no Parque das Nações (Zona 5): a compra por parte dos espanhóis da Merlin da Torre Zen, por €33 milhões, e a venda do Expo Finanças propriedade da Selecta a um investidor estrangeiro.

As estimativas da Cushman & Wakefield para o volume de investimento em escritórios até ao final do ano ultrapassam os 1.000 milhões de euros, retratando um máximo histórico e um crescimento superior a 36% face a 2017

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