IMOPPI debate futuro de um sector dividido

Por a 3 de Junho de 2005

Ponce Leão

Decorreu no passado dia 30 de Abril, no Centro Cultural de Belém, o Fórum «Construção, que Futuro? Respostas: Temos?», promovido pelo Instituto dos Mercados das Obras Públicas e Particulares do Imobiliário (IMOPPI). Propunha-se lançar uma série de perguntas às quais os vários convidados, intervenientes no sector, teriam de responder, com o objectivo de lançar soluções ou ideias para resolver os maiores problemas do sector da construção.

As questões dos alvarás, a intervenção do Estado, a imagem do sector, os promotores imobiliários, as garantias do comprador, o custo do imóvel, a Ficha Técnica de Habitação, a fiscalidade, e a sustentabilidade foram os temas mais discutidos naquela sessão, que contemplava um total de 93 perguntas. Mas foi o futuro e a imagem do sector as principais questões em cima da mesa. «Somos um sector dividido, despido, disperso, sem dono, sem patrão», disse Oliveira Fernandes, engenheiro responsável, ainda que indirecto, pela criação da regulamentação térmica dos edifícios. Segundo este engenheiro, o sector da construção é um sistema com demasiada diferenciação. «Temos uma série de associações e a nível do governo não acredito que alguma vez tenha havido uma tutela geral da construção», salientou, apresentando três bandeiras importantes que o sector deveria investir. Uma delas passa pela criação de uma plataforma para a inovação dos materiais de construção; outra por uma maior preocupação para com a sustentabilidade e por fim, uma última sugestão daquele responsável, passa pela organização documental, uma vez que existe demasiada burocracia e pouco desempenho.

Ponce de Leão, presidente do IMOPPI, avançou também com alguns dos objectivos daquele organismo, nomeadamente a criação da Agência para a Inovação e Segurança e do tribunal arbitral, este último também um dos objectivos do Ministério das Obras Públicas, e que o secretário de Estado adjunto, Paulo de Campos, assegurou naquele evento como uma das charneiras do governo. A Ficha Técnica de Habitação (FTH) foi outra das questões debatidas por Paulo de Campos. «A FTH veio traduzir-se num documento pesado e para nós é um objectivo alterá-la e simplificá-la, criando uma informação única e articulada com outros documentos», referiu o secretário de Estado, adiantando que dentro de 90 dias já se começaão a ver ver avanços nesse sentido.


Contudo, a maioria dos intervenientes é da opinião de que o Estado não tem toda a responsabilidade na resolução dos problemas da construção. «Algo está mal e temos de deixar de dizer que o Estado é que tem de fazer qualquer coisa. A responsabilidade é também nossa, dos empresários», referiu António Mota, presidente da Mota Engil.