Construção do Palácio de Justiça de Beja “de Carvalho Araújo” em concurso público

Por a 13 de Agosto de 2019

Deverão estar concluídos dentro de três anos os trabalhos de construção do novo Palácio da Justiça de Beja, um investimento estimado em 5,2 milhões de euros para o qual decorre, até ao próximo dia 6 de Setembro, o concurso público para aferir a construtora responsável pela empreitada.

Trata-se da segunda iniciativa do género, depois de em Fevereiro ter sido lançado um outro concurso público que acabou por ficar vazio pela ausência de empresas interessadas na execução dos trabalhos.

O projecto a materializar é da autoria do gabinete do arquitecto Carvalho Araújo, que concebeu uma proposta mais completa do que inicialmente tinha sido proposto. A equipa do atelier de Braga propõe aos promotores deste projecto uma alteração à implantação definida em Plano de Pormenor, nomeadamente a alteração do complexo desportivo / parque de campismo, a norte do terreno de intervenção, para uma situação de parque verde, “redefinindo e eliminando barreiras físicas que condicionavam a relação de prolongamento visual a sul, sobre a paisagem rural envolvente de Beja”. O projecto propõe adaptação ao lote com uma implantação trapezoidal, com o desenvolvimento maior no sentido Norte / Sul, adaptando as laterais Este / Oeste às respectivas orientações das malhas urbanas adjacentes. Dentro deste trapézio é implantado o volume principal do edifício, de implantação rectangular, com 3 pisos, com o desenvolvimento do maior lado no sentido Norte / Sul. Do lado Oeste, segundo a memória descritiva do projecto, “é criada uma praça que define o principal enquadramento do edifício e a relação com a cidade a Norte. Funciona como praça que define o principal acesso ao edifício e como ‘terraço’ com a vista sobre a envolvente de Beja, redefinido os limites de transição entre o espaço urbano e o espaço agrícola”.
edifício está em linha com volumetria envolvente e a concepção de uma praça a poente e de um pátio de serviço a nascente permite criar um enquadramento que separa tipologicamente da envolvente habitacional e reforça o carácter institucional do edifício. Simultaneamente permite criar espaços de transição que permitam criar simultaneamente interacção e privacidade na relação entre novo edifício e envolvente urbana habitacional.


Desenvolvendo-se como remate do parque a norte, a continuidade de envolvente verde permite reforçar a relação de transição entre as malhas urbanas.

A praça e o pátio de serviços são enquadradas por um embasamento que por um lado eleva a praça e por outro limita o pátio, permitindo realizar uma transição entre as cotas do terreno. Sobre esta base “pousam” os restantes dois pisos do edifício, realizando o fecho nascente da praça.

De acordo com a descrição dos trabalhos, o edifício está organizado em duas alas, acessíveis através de átrios comuns, localizados no centro do edifício, nos 3 pisos. Essas alas correspondem a diferentes entidades, com gestão autónoma. Na ala Norte situa-se o TAF (Tribunal Administrativo e Fiscal) e na ala Sul a Instância Central Secção de Famílias e Menores, a Instância Central Secção do Trabalho e a Instância Local Secção Cível.

Genericamente os grandes grupos funcionais estão divididos pelos pisos. No piso 1 localiza-se a entrada principal do público, feita através da praça do Palácio da Justiça, dando acesso ao átrio principal e à recepção. Nestes pisos localizam-se os principais serviços dos tribunais e das instâncias com acesso ao público. Entre estes estão as secretarias e os serviços do ministério público. No piso 2, com acesso através de escadas e elevadores, localizam-se as zonas de gabinetes de magistrados e no piso 0, com acesso através de um pátio de serviço, localizam-se as salas de audiências e espaços conexos, as zonas de arquivos e zonas de detidos.

As circulações do edifício estão organizadas com uma total separação das circulações de serviço das circulações do público. A localização dos grupos de acesso verticais permitem uma total separação das circulações assim como uma autonomia funcional das alas.


Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *