Repercussão do Covid-19 no mercado imobiliário português

Por a 30 de Março de 2020


É inequívoca a paragem abrupta da actividade económica por causa do Covid-19, uma paragem que terá uma repercussão negativa na maioria dos sectores e à qual o mercado imobiliário não irá escapar. Com a paragem abupta da procura nas últimas semanas, à qual se junta o adiamento, se não mesmo o cancelamento, das intenções de investimento, muitos são os que temem uma crise no sector semelhante à que se verificou em 2008. A crise está à vista, é certo, mas o contexto é diferente. “De forma geral, acredito, contudo, que a viragem de página desta crise poderá ser mais rápida do que a que se iniciou em 2008. Tendo em conta que todas as pandemias anteriores (1918;1958;1968;2002) tiveram associadas, do ponto de vista do ciclo económico, uma curva em V, temos razões para acreditar que o mesmo acontecerá com este inédito Covid-19. Acresce que, desta vez, Portugal não reagirá com o hiato de tempo que caracteriza a nossa recuperação face aos nossos congéneres europeus, visto que também todos eles estão na mesma situação que nós”, sustenta Nelson Rêgo, CEO da Prime Yield, parte da Gloval.

De acordo com este especialista à travagem das transacções na habitação seguir-se-á uma esperada normalização dos preços “que estavam bastante aquecidos”. “Esta travagem da procura acaba por ser “artificial” e temporária, pelo que os compradores voltarão ao mercado, mas de forma mais cautelosa mesmo num cenário de oferta limitada, o que impactará no ritmo de subida dos preços”, defende Nelson Rêgo.

Ao nível dos segmentos de escritório, devido ao teletrabalho, e do retalho, influenciado pelo fecho dos centros comerciais, a pressão poderá levar a uma forte redução de rendas. “Antevemos um período de ajuste em baixa das rendas contratadas em ambos os segmentos, bem como períodos de carência por paragem de actividade”, sugere CEO da Prime Yield.

Nelson Rêgo destaca ainda a área do investimento de NPL & REO, “onde se deverá assistir ao adiamento da transacção das grandes carteiras, visto que o cumprimento dos rácios por parte dos bancos será relegado para segundo plano”.

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