APFAC alerta para o desfasamento entre o consumo de cerâmica porosa e cimentos cola com “propriedades com desempenho não determinado”

Por a 19 de Maio de 2020

A Associação Portuguesa dos Fabricantes de Argamassas e ETICS (APFAC) alerta para a “existência no mercado português de algumas argamassas destinadas à colagem de revestimentos cerâmicos, que apresentam algumas propriedades com desempenho não determinado”, fruto em grande parte de “alterações importantes no que respeita às características dos materiais cerâmicos que é necessário colar e da natureza dos suportes presentes em obra nova ou renovação/reabilitação”.

Em comunicado, a associação revela que “há uma presença crescente de materiais de natureza diferente das tradicionais betonilhas (pavimento) e rebocos (parede), como sejam madeira, metal, gesso cartonado, tinta, cerâmico pré-existente” e que, por isso, se criou ” uma realidade mais complexa. Torna-se, portanto, claro que as variáveis a ter em consideração na selecção da solução de colagem dos revestimentos cerâmicos são cada vez mais e requerem um nível de informação adequado quanto à adequada resposta às questões enunciadas, visando a obtenção de soluções construtivas seguras e com durabilidade adequada”

Segundo a APFAC, “é razoável considerar que a colagem de revestimentos cerâmicos constitui, para além de evidentes benefícios estéticos e técnicos, um acto de responsabilidade”, recordando que “a norma define os desempenhos mínimos a observar por argamassas designadas por ‘cimentos-cola’ destinadas à colagem em ‘interiores’ e ‘interiores e exteriores’, num conjunto de propriedades que visam garantir a segurança da utilização”. “É possível encontrar produtos no mercado em que em uma ou mais dessas propriedades, o desempenho apresenta-se como ‘não determinado”’ (DND) na documentação aplicável (Declaração de Desempenho e/ou etiqueta de Marcação CE na embalagem). Assim, nesse caso, o sistema válido será então: Cimento cola ‘DND’ – Cerâmica porosa – Ambiente interior. De acordo com estatísticas realizadas anualmente, é também uma realidade a existência de um enorme desfasamento entre a quantidade de cimento cola “DND” e a quantidade de cerâmica porosa produzida, com o primeiro a superar largamente o segundo produto do sistema”.

Para a APFAC, este facto vai aumentar a probabilidade do aparecimento de patologias relacionadas com descolamento da cerâmica. “É razoável pensar que a utilização deste tipo de argamassas acarreta riscos de desempenho importantes, quando utilizadas na colagem de revestimentos cerâmicos com porosidade baixa, dimensões elevadas, sobre suportes de menor absorção e em situações de exterior ou com exposição a radiação solar”, acrescentando que “o descolamento do revestimento passa a ser uma probabilidade elevada, causado pelo desempenho técnico limitado da argamassa de colagem, conduzindo a insatisfação, prejuízo económico e mesmo riscos de segurança em situações mais delicada”.

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