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Castanheira e Bastai requalificam Mercado de Oliveira Azeméis

O júri, liderado pelo vereador Hélder Simões, responsável pela pasta da gestão dos espaços e equipamentos municipais, destacou o facto de aquela ser uma “proposta perfeitamente integrada com a envolvente, quer em termos volumétricos quer em termos de linguagem de fachada

Ricardo Batista
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Castanheira e Bastai requalificam Mercado de Oliveira Azeméis

O júri, liderado pelo vereador Hélder Simões, responsável pela pasta da gestão dos espaços e equipamentos municipais, destacou o facto de aquela ser uma “proposta perfeitamente integrada com a envolvente, quer em termos volumétricos quer em termos de linguagem de fachada

Ricardo Batista
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A autarquia de Oliveira de Azeméis escolheu a proposta dos arquitectos Carlos Castanheira e Clara Bastai para a “Requalificação do Mercado Municipal e instalação de Estação Multimodal de Transportes” daquela localidade do distrito de Aveiro, proposta essa que se destacou entre os três projectos a concurso.

Proposta ”integrada”
O júri, liderado pelo vereador Hélder Simões, responsável pela pasta da gestão dos espaços e equipamentos municipais, destacou o facto de aquela ser uma “proposta perfeitamente integrada com a envolvente, quer em termos volumétricos quer em termos de linguagem de fachada. Apresenta-se a uma escala perfeitamente adequada e integrada à escala do edificado envolvente”. O júri explica que o projecto apresentado “soube manter presente as memórias do edificado arquitectónico do edifício existente, tão característico da época do regime, contudo perfeitamente conciliada com uma imagem de contemporaneidade. É um edifício bem distribuído em termos do seu conteúdo programático”. “Percebe-se perfeitamente a localização de cada uma das suas funções e a sua interligação e articulação com o espaço público envolvente”, assegura o júri. Ainda de acordo com o relatório da avaliação das propostas apresentadas, a ideia apresentada por Carlos Castanheira e Clara Bastai “apresenta uma solução que visa a revitalização e restruturação do conceito de Mercado Municipal, como polo de dinamização económica e cultural à escala das actuais necessidades. A solução proposta referente à instalação do Centro Multimodal de Transportes Públicos de Passageiros e ao Estacionamento Público, encontra-se devidamente equacionada em termos de localização, acessibilidade e funcionalidade, quer no apoio ao Mercado Municipal, quer para o público em geral”. Estão previstos, para além dos lugares de apoio à Mobilidade Reduzida, lugares de estacionamento para Táxis e E-bikes. “O edifício proposto representa sobriedade, simplicidade e contemporaneidade”, assegura o júri.

Pouca vivência
Os arquitectos explicam que “o edifício do Mercado Municipal e Salão Nobre de Oliveira de Azeméis é o que ocupa maior área no Centro da Cidade e é também o edifício com menor uso, ocupação e vivência”. “Embora o uso e ocupação do Mercado Municipal, desde há muitos anos, se limitar às quartas-feiras e sábados de manhã, durante muitos anos foi um pólo importante do abastecimento dos habitantes do centro da – então – Vila, mas também dos habitantes das freguesias limítrofes que não só se vinham abastecer como também vinham vender os seus produtos, particularmente os hortícolas. Para a dupla de arquitectos, do ponto de vista da funcionalidade, o Mercado Municipal existente peca por estar distribuído em três patamares de coras diferentes, adaptando-se à topografia do terreno, prejudicando a sua ocupação e as circulações de vendedores e de compradores. Neste sentido o mercado é extremamente disfuncional”, asseguram.

Reestruturação de funções
A pensar nisso, a proposta passa pela criação de condições para uma reestruturação das funções de Mercado Municipal de Frescos, numa visão actual e de acordo comas exigências de salubridade, higiene e métodos contemporâneos, sem esquecer as características e hábitos da população que ainda preserva a produção de bens essenciais por métodos tradicionais e biológicos. A ideia passa igualmente pela introdução de uma Estação Multimodal de Transportes, permitindo deste modo acessos fáceis e confortáveis ao mercado, mas também ao Centro. Segundo os autores da proposta vencedora, o objectivo passa por “revitalizar o belo espaço do Salão Nobre, dando-lhe uma ocupação ou função integrada não só no edifício de que faz parte mas também dinamizando o Centro ou Jardim Público”. “Apesar da necessária reestruturação e adaptação a uma contemporaneidade, pretende-se manter a memória da grande qualidade arquitectónica do Edifício, tornando-se no Edifício regenerador da renovação urbana, tão necessária em Oliveira de Azeméis.

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‘Babel’: Souto Moura facturou 248 mil euros em projectos para a Fortera

A Fortera encomendou a Souto Moura quatro projetos de arquitetura, nomeadamente um hotel 5 estrelas, um SPA, um centro de congressos e a praça envolvente (que inclui um parque de estacionamento)

CONSTRUIR

O arquiteto Eduardo Souto de Moura, cujo gabinete foi alvo de buscas no âmbito da Operação Babel, adiantou hoje ter-lhe sido encomendada por uma das empresas visadas na investigação quatro projetos pelos quais recebeu, até agora, 248 mil euros.

“No âmbito dos contratos celebrados para o efeito e na decorrência dos trabalhos já realizados, cuja elevada complexidade é manifesta em projetos desta natureza e grandeza, foi unicamente faturada e liquidada a quantia global de 247.980,00 euros (acrescida de IVA)”, referiu o gabinete do arquiteto, em comunicado enviado às redações.

O arquiteto explicou que o Grupo Fortera, cujo diretor-executivo, Elad Dror, foi detido no âmbito desta investigação e ficado, após primeiro interrogatório judicial, em liberdade mediante pagamento de uma caução de um milhão de euros, encomendou à sociedade “Eduardo M. – Arquitecto, Lda.” quatro projetos de arquitetura, nomeadamente um hotel 5 estrelas, um SPA, um centro de congressos e a praça envolvente (que inclui um parque de estacionamento).

Contudo, os pedidos de licenciamento ainda não foram submetidos à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, sublinhou.

Eduardo Souto de Moura confirmou ainda que a PJ fez buscas a 17 de Maio no seu gabinete, no Porto, na sequência das quais facultou toda a documentação solicitada e disponibilizou “total colaboração” com a investigação em curso. Não tendo nem a sociedade “Eduardo M. – Arquitecto, Lda.”, de que o arquiteto é sócio, nem Eduardo Souto de Moura, nem os seus colaboradores sido constituídos arguidos, sublinhou.

O arquiteto garantiu pautar a sua atividade profissional “pelo respeito e cumprimento das normas legais e regulamentares que regem os projetos em que aceita participar”.

Além do gabinete de Eduardo Souto de Moura, a PJ fez buscas em vários locais como as câmaras de Vila Nova de Gaia, Porto e Braga, na Metro do Porto e na Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN).

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Ordem dos Arquitectos lança novo inquérito do Observatório da Profissão

A iniciativa em vigor até 11 de Junho, visa auscultar os diplomados em arquitectura que nunca se inscreveram na Ordem dos Arquitectos, com o intuito de compreender e valorizar a actividade em Portugal

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A Ordem dos Arquitectos (OA) lançou um novo inquérito, no âmbito do Observatório da Profissão. Destaa vez destinado, exclusivamente, aos diplomados em arquitectura que nunca se inscreveram na Ordem, trabalhem ou não no sector. O objectivo deste estudo é conhecer o estado da arquitetura em Portugal e, com recurso a dados concretos, poder desenhar o futuro da profissão.

O questionário online, desenvolvido por investigadores do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP), estará disponível até 11 de Junho e conta com as mais relevantes faculdades portuguesas e outras entidades como parceiras na sua divulgação.

Depois do sucesso alcançado com o resultado “muito positivo”, obtido no inquérito anterior, que tinha como alvo os membros da Ordem dos Arquitectos, é agora tempo de auscultar também estes profissionais e obter dados da sua realidade e actividade profissional.

“Depois do sucesso do primeiro questionário aos membros é, pois, agora essencial ouvirmos também aqueles diplomados que nunca se inscreveram na Ordem, percebermos as áreas em que actuam e as suas preocupações para que, juntos, possamos compreender a realidade da profissão, em Portugal, e desenhar perspectivas fundamentadas e eficazes para o seu futuro”, ressalva Gonçalo Byrne, presidente da OA.

As conclusões obtidas nos dois inquéritos serão anunciadas no terceiro trimestre do ano, depois de serem analisados e cruzados os principais dados. “Os resultados a apresentar vão facilitar a tomada de decisão e constituir o grande alicerce para o futuro da arquitetura”, indica, ainda, a Ordem em comunicado.

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Miguel Souza, Adriana Scartatis e Tiago Rodrigues

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A “vila criativa” que explora o potencial do metaverso

Fundado pelo empresário português, Paulo André, e a artista e empresária brasileira, Adriana Scartaris, o Coletivo 284 é o denominador comum da parceria responsável pela criação do “284 Village”, um projecto co-desenvolvido em consórcio com a Ambits e Metaphoric e teve na génese a criação de um espaço que fosse familiar, mas com algum “design”

Cidália Lopes

No “284 Village”, além do espaço “284 Meta”, que é o ponto de partida da imersão e funciona como o centro de cultura, grandes eventos, exposições e congressos, já estão instaladas as empresas titulares Ambits Arquitetura e Metaphoric, responsáveis pela concepção arquitectónica e pela implantação técnica do projecto. Somam-se as empresas Madremedia, a P55, a Traços Interiores e o artista David Reis Pinto. Cada qual tem o seu espaço onde apresenta as suas valências, produtos ou serviços, sempre numa lógica de interacção e evolução contínua.

O “284 Village” resulta também da reflexão e implementação de iniciativas por parte do Coletivo 284 em torno da inovação e de uma visão partilhada sobre o papel da arte, do património artístico e da cultura na vida das empresas e organizações e enquanto pilar de desenvolvimento económico e social.

Numa entrevista a “três vozes”, os responsáveis pelo projecto explicaram ao CONSTRUIR a importância deste tipo de abordagem e de que forma o metaverso possibilita o crescimento das empresas

Como surgiu a ideia e a necessidade de criar este projecto?

Adriana Scartaris (AS)- Há dois anos que venho a investigar as possibilidades de criar um projecto com as características que agora se revelam. Era imperativo alargar o âmbito de acção da empresa 284, tal como se costuma dizer no Brasil, “escalar”, dentro do universo empresarial. É impossível conceber a escalada de um projecto, de uma empresa ou de um conceito, sem uma presença consistente no mundo digital. O metaverso representa um terreno novo e fértil e isso é profundamente motivador, uma vez que a inovação está enraizada no nosso ADN e é um dos nossos pilares. Contudo, o espaço virtual não poderia ser apenas um espaço para o 284. Tínhamos de reproduzir o nosso lema “Se queres ir rápido, vai sozinho; se queres ir longe, vai em grupo”. Por isso, a ideia evoluiu para uma vila criativa. A excelente notícia é que, no metaverso, podemos ir longe e rápido em grupo.

Miguel Souza (MS) – A ideia foi o resultado evolutivo de vários encontros entre as três partes criadoras do projecto. Inicialmente, a primeira ideia era ter apenas o espaço do ‘Coletivo 284’ representado no mundo digital, mas facilmente percebeu-se que era possível expandir essa ideia e criar algo inovador e único em Portugal. Percebeu-se que era uma oportunidade não só para nós como autores do projecto, mas também para os futuros envolvidos no projecto, termos a possibilidade de ter um espaço acessível e imersivo que está disponível 24 horas, isto permite tanto a grandes empresas como novos artistas de partilharem o mesmo espaço e dar conhecimento e visão dos seus trabalhos e produtos. Não pretendemos com o projecto substituir a experiência física, mas sim criar uma extensão do mundo físico para o mundo digital e estes coexistirem em harmonia.

Tiago Rodrigues (TR) – A ideia surgiu devido ao sucesso dos eventos no ‘Coletivo 284’. Ver artistas a interagir com potenciais clientes e a passar a mensagem das suas obras aos mesmo, motivou-nos a criar algo parecido em formato digital. Apesar de nunca ir substituir a experiência real, esta dá a oportunidade, de forma semelhante, ao artista de estar a vender uma obra a um potencial comprador, à distância, mantendo o factor humano activo, ao contrário de uma página de internet.

Além das empresas que constam no ‘284 Village’ têm como objetivo aumentar a ‘aldeia’ com mais empresas? Qual o objetivo?

AS – Com efeito, temos objectivos ambiciosos e dedicamo-nos a superá-los antecipadamente. O ‘284 Village’ surge com grande potencial para se tornar um espaço altamente produtivo, repleto de partilha de informações, activação de marcas, exposições de arte, eventos culturais, sinergias e oportunidades para a economia criativa. Além disso, estamos a trazer muitas empresas, um processo já em curso e acelerado, e a preparar uma programação de grandes eventos culturais e artísticos, que terão lugar a partir do segundo semestre e ocuparão todo o espaço do Village.

MS – Pretendemos criar uma comunidade criativa e empreendedora, onde é possível expor trabalhos, produtos e arte com maior facilidade e com menor logística que seria no mundo físico. Não só é interessante para os potenciais clientes/curiosos terem tudo num só espaço, também o é para quem reside na vila. Os participantes da ‘284 Village’ podem estabelecer novos contactos aumentando o seu networking, criar novas perspectivas de negócios através de outros residentes e aumentar a sua exposição e alcance do seu trabalho/produto.

TR – Somos três empresas a desenvolver este projecto com o mesmo foco. Tornar este espaço vivo, prático e ir aumento consoante a necessidade. Apesar de o centro ser focado em arte, idealmente no futuro o objectivo será ter várias indústrias de forma a gerar visualização para todo o tipo de empresas. Sendo que, se uma empresa de construção convidar um cliente a ir ao local, durante a deslocação, o cliente pudera ver outras lojas/empresas de diferentes indústrias e visitar as mesmas.

Falam num espaço “familiar”, mas que tem por base a “identidade 284”. De que forma esta identidade se torna perceptível?

AS – A nossa essência está presente em cada pormenor. A partilha é um valor que começa por estar inscrito no ‘284 Village’, situado em pleno Oceano, o que sugere o que se “vive” por lá. É possível passear pelas ruas, sentar num dos bancos sob uma árvore e realizar uma reunião, ao som do mar e das gaivotas. A sensação é profundamente agradável e reconfortante. A geometria que envolve todo o projecto é circular, e o círculo, na minha opinião, é a forma mais perfeita, pois todos os pontos são equidistantes do centro. Basta percorrer o ‘284 Village’ para sentir-se em casa, num ambiente acolhedor e amistoso. Esta é a essência do 284.

MS – A identidade 284 está ligada à essência do que é o ‘Coletivo 284’. Um espaço alternativo que se distingue pela diferença de como funciona uma galeria e a sua relação com os artistas e empresas. Houve uma preocupação de transpor essa identidade no espaço físico e no 284 Village de modo a ambos os espaços reflectirem essa identidade.

TR – Facilmente o projecto é identificado como o Coletivo 284, sendo que ao entrar no espaço irá sempre iniciar na galeria, que contem o nome em grande do 284, bem como as obras, e adicionalmente, serão feitos eventos ao vivo dentro do espaço com anúncios ao 284.

A arquitectura é provavelmente uma das indústrias que beneficiará mais em projectos de metaverso, porque permite ao cliente/investidor/empresa, experienciar o projecto final, escolher materiais com um simples toque e estar no local com um equipamento de realidade virtual, dando a sensação de espaço real e tudo isto acompanhado por uma ou várias pessoas” (Tiago Rodrigues, CEO da Metaphoric, responsável técnico pelo projecto)

Do ponto de vista da arquitectura como pode esta disciplina tirar partido desta ferramenta?

AS – Na minha perspectiva, a arquitectura, assim como as artes e o design de interiores, revelam-se como importantes vantagens desta tecnologia. No metaverso, é possível transcender as expectativas e proporcionar uma experiência quase realista, permitindo antever as sensações que o cliente irá experienciar ao habitar o espaço. O potencial de maximizar projectos arquitectónicos através de experiências no metaverso é, sem dúvida, uma revolução para a área. A possibilidade de atingir um índice de percepção do projecto muito próximo dos 100%, algo que outras ferramentas não permitem, é realmente notável. Os utilizadores podem imergir no espaço e descobrir como se sentem, antes mesmo de este ser construído, o que é extraordinário. Além disso, esta tecnologia abre novas oportunidades de negócios para profissionais da arquitectura, construtoras e outros intervenientes no sector.

MS – Em arquitectura é uma ferramenta que já está a ser usada entre arquitectos e clientes, onde os mesmos poderão experienciar os seus projectos de uma forma imersiva e ter uma maior noção da sua escala, volumetria, materiais e espaço antes de serem construídos. Esta ferramenta permite testar opções e fazer alterações em real-time no 3D, de modo a encontrar a solução ideal para o cliente, que, por conseguinte, acaba por tornar o processo entre arquitectos e clientes mais imersivo e colaborativo.

TR – A arquitectura é provavelmente uma das indústrias que beneficiará mais em projectos de metaverso, porque permite ao cliente/investidor/empresa, experienciar o projecto final, escolher materiais com um simples toque e estar no local com um equipamento de realidade virtual, dando a sensação de espaço real e tudo isto acompanhado por uma ou varias pessoas.

 

Pode esta ser uma forma de fomentar o crescimento de algumas empresas que de outra forma não o conseguiriam fazer?

AS – De facto, acredito que a entrada no metaverso traz inúmeras vantagens para a empresa, entre elas a oportunidade de consolidar a presença da marca em um ambiente virtual que perdura além das fronteiras físicas. A possibilidade de actuar em diferentes mercados simultaneamente, sem se preocupar com questões geográficas, amplia as oportunidades de negócio e de expansão da marca.

Além disso, estar no metaverso permite a criação de um vínculo mais próximo com os consumidores do futuro, influenciando o comportamento de consumo e moldando a visão de mundo desses potenciais clientes. É uma forma de preparar-se para o futuro, criando um público fiel que estará sempre presente nas iniciativas da empresa, seja no mundo físico ou virtual.

Assim, acredito que a inserção da empresa no metaverso é uma estratégia inteligente e eficaz para garantir a perenidade do negócio, pois ao criar novos modelos de negócio e interagir com o público de forma inovadora, estaremos a consolidarmo-nos como líderes de mercado e referência no sector em que actuamos.

 MS – Esta foi uma das principais razões para a criação deste projecto. O ‘284 Village’ permite fortalecer, e noutros casos aumentar, a exposição e alcance de empresas, marcas e artistas. Um artista que se tenha lançado há relativamente pouco tempo pode ter um espaço dentro do ‘284 Village’ e encaminhar futuros clientes para verem as suas obras e até apresentar amostras de futuros trabalhos. Uma marca, por exemplo, de mobiliário, pode lançar a sua nova colecção no espaço onde se poderá ver todas as peças em 3D e as opções disponíveis. Os residentes desta comunidade poderão ver o seu trabalho a ser exposto de uma forma única, imersiva e inovadora que aliando à realização de concursos, exposições, eventos e publicidade, aumentar a exposição e alcance desse mesmo trabalho.

TR – Sem duvida! E dou um exemplo: Se eu sou convidado por uma empresa construtora a visitar o seu espaço na ‘284 Village’, pelo caminho, eu posso passar por uma loja de automóveis e necessitar de um, acabando por visitar a mesma ou passar por um anúncio de take-away e aceder ao serviço, sendo que nenhum destes eram objectivos da minha adesão ao espaço. Conseguimos assim chamar a atenção de vários clientes para os diferentes tipos de negócios.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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Crédito: Marco Cremascoli

Arquitectura

O “Encontro” de Siza “no Jardim”

“Amizade social: Encontro no jardim” é o nome da exposição que marca o regresso da Santa Sé à Exposição Internacional de Arquitectura – Bienal de Veneza. Um regresso marcado também pela participação do arquitecto português Álvaro Siza que celebra a cultura do encontro

(Crédito imagem: Marco Cremascoli)
“Amizade social: Encontro no jardim” é o nome da exposição que marca o regresso da Santa Sé à Exposição Internacional de Arquitectura – Bienal de Veneza. O novo Dicastério para a Cultura e a Educação participará da 18ª Mostra Internacional de Arquitectura, que decorrerá entre 20 de Maio e 26 de Novembro, dedicando o Pavilhão Nacional da Santa Sé ao tema do encontro “Laboratório do Futuro”, proposto pela curadora, a arquitecta de origem ganesa, nascida na Escócia, Lesley Lokko.

Uma participação da qual destacamos, desde logo, dois nomes: o do Cardeal português Tolentino de Mendonça, que, enquanto perfeito do Dicastério do Vaticano para a Cultura e a Educação, é o comissário do pavilhão do Vaticano e o arquitecto Álvaro Siza cuja obra recria a visão social do Papa Francisco, neste que é o 10.º aniversário do pontificado de Francisco.

A exposição será montada nos edifícios do Mosteiro Beneditino e nos Jardins da Abadia de San Giorgio Maggiore, integrando-se no tema da mostra “O laboratório do Futuro”. Crentes, e não crentes, são convidados a “cuidar do planeta como cuidamos de nós mesmos e celebramos a cultura do encontro”. O curador, o arquitecto Roberto Cremascoli, usou estas palavras para sintetizar os ensinamentos do Papa Francisco em suas encíclicas Laudato si’ (2015) e Fratelli tuttti (2020) que, por sua vez, servem de guia para o itinerário da exposição.

O Percurso
A primeira parte do percurso desenvolvesse nas salas de exposições do mosteiro beneditino de San Giorgio Maggiore, administrado pela Benedicti Claustra Onlus, que colabora activamente no projecto.

“Os visitantes serão recebidos por uma narração em vídeo de Mattia Borgioli, descrevendo o processo que levou à criação de todas as instalações, desde a concepção dos primeiros protótipos até a chegada à Ilha de S. Jorge (uma das que se situam à frente da emblemática Praça de S. Marcos). Esta introdução abre a área expositiva da galeria, que por meio de gráficos, croquis originais e fotografias de Marco Cremascoli estabelece a narrativa.

A instalação “O Encontro” de Álvaro Siza acolhe os visitantes e leva-os aos espaços exteriores, num permanente diálogo com as ‘figuras’ desenhadas pelo “maestro”: grandes presenças cujas geometrias e dinâmicas de movimento aludem fisicamente à visão social do Papa Francisco.

A sua interacção sugestiva gera um movimento incessante, pontuado por pausas e surpresas, rumo ao último monólito, que chega ao jardim, conduzindo-nos à horta redescoberta do mosteiro e aos espaços de acolhimento especialmente criados”, descreve o Vaticano.

A nova configuração do jardim, projectada pelo colectivo italiano Studio Albori (Emanuele Almagioni, Giacomo Borella, Francesca Riva), que aqui se junta ao arquitecto português, propõe um passeio parcialmente sombreado, graças às pérgulas de madeira e bambu, e parcialmente ao ar livre, em meio às novas plantações.
Toda a madeira utilizada neste projecto goza de uma “segunda vida”, numa analogia clara à “segunda oportunidade que deve ser oferecida a todos os lugares, culturas e seres vivos”

Este novo espaço e o seu layout permitem, assim, que os visitantes caminhem por entre as hortas, o galinheiro, depósito de sementes e áreas de descanso, num misto de reconexão e contemplação. “Este enquadramento material e espiritual aproxima-nos do quotidiano de um mosteiro beneditino e da sua Regra, abrindo a possibilidade de um diálogo renovado com aqueles espaços emblemáticos da tradição arquitectónica”, conclui o Vaticano.

Esta não é a primeira vez que a arquitectura portuguesa faz “parceria” com a Santa Sé. Já em 2018 naquela que foi a estreia do Vaticano na Bienal de Arquitectura de Veneza, Eduardo Souto de Moura integrou o projecto ‘Vatican Chapels’, um conjunto de dez capelas de arquitectos internacionais, uma das quais com a assinatura do arquitecto português.

O Futuro Fértil
Portugal integra o grupo de 63 países que marcará presença nesta 18ª edição da Bienal de Veneza. Com a curadoria de Andreia Garcia (Architectural Affairs) Fertile Futures defenderá “a pertinência do contributo da Arquitectura no redesenho do futuro descarbonizado, descolonizado e colaborativo”, numa resposta directa à convocatória de Lesley Lokko.

O projecto português foi seleccionado no âmbito de um concurso promovido pela Direcção-Geral das Artes e representa um investimento de 800 mil euros.

O foco de Fertile Futures é a escassez de água doce e o impacto da acção do homem, tendo como ponto de partida a experiência concreta de sete bacias hidrográficas localizadas em território nacional – o impacto da Gigabateria na bacia do Tâmega, a quebra da convenção no Douro Internacional, a extracção mineira no Médio Tejo, a imposição de interesses na Albufeira do Alqueva, a anarquia no perímetro de rega do Rio Mira, a sobrecarga das lagoas, na Lagoa das Sete Cidades e o risco de aluviões nas Ribeiras Madeirenses. O projecto português pretende ser um estímulo à reflexão sobre novas estratégias para a gestão dos recursos hídricos, uma reflexão para a qual é pedida a colaboração da arquitectura, a par de outras especialidades, para a apresentação de modelos “para um amanhã mais sustentável, saudável e equitativo”. Esta proposta envolve ainda a realização de um conjunto de laboratórios de debate. A Representação Oficial Portuguesa ficará instalada no Palácio Franchetti, situado nas margens do Grande Canal de Veneza.

A 18.ª Exposição Internacional de Arquitectura – Bienal de Veneza conta com representações oficiais de 63 países, a lusofonia faz-se representar por Portugal e Brasil. As exposições e projectos especiais dedicados ao “Laboratório do Futuro” contam ainda com 89 arquitectos e gabinetes de arquitectura, na maioria de África e da diáspora africana, entre os quais o Banga Colectivo, gabinete de arquitectura de Luanda e Lisboa, e o ateliê brasileiro Cartografia Negra.

“Esta será a primeira edição a experimentar um caminho para alcançar a neutralidade carbónica, ao ponto de a exposição se estruturar nos temas da descolonização e descarbonização”, explicou o presidente da Bienal, Roberto Cicutto, na abertura da apresentação da mostra.

O continente africano é o grande protagonista desta 18ª edição, “porque se há lugar neste planeta onde todas as questões de equidade, raça, esperança e medo convergem e se junta, é África”, justificou na ocasião a curadora Lesley Lokko.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

Manuela Sousa Guerreiro

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18 finalistas no Prémio de Arquitectura Ascensores Enor 2023

Entre os projectos seleccionados estão obras destinadas à habitação, reabilitação e intervenções urbanas. A decisão final será anunciada em Outubro deste ano e a cerimónia de entrega de prémios será realizada em Novembro na sede da ENOR, em Vigo

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tagsEnor

Desde que o seu início, em 2005, o Prémio Enor Elevadores de Arquitectura vem crescendo em participação, chegando neste ano aos mais de 300 projectos apresentados. Do total de candidaturas apresentadas, foram seleccionados 18 finalistas. A decisão final será anunciada em Outubro deste ano e a cerimónia de entrega de prémios será realizada em Novembro na sede da ENOR, em Vigo.

Entre os projectos seleccionados estão obras destinadas à habitação, reabilitação e intervenções urbanas.

O júri, composto por profissionais de diferentes áreas ligadas à arquitectura, nomeadamente Inês Lobo, Carlos A. Pita Abad, Francisco Vieira de Campos, Anatxu Zabalbeascoa e Carlos Quintáns, destacou que esta selecção de projectos “reflecte a mudança e a evolução que está a viver a arquitectura actual”.

Os prémios ENOR são divididos em duas categorias: o Grande Prémio Enor, para a melhor obra construída em Portugal e em Espanha e o Prémio Enor de Arquitetura Jovem, para o melhor projecto de arquitectura realizado por um profissional com menos de 40 anos de idade.

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‘Arquitectura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneos’ em debate no CIUL

Organizado no âmbito do Doutoramento em Arquitetura os Territórios Metropolitanos Contemporâneos (ATMC) do ISCTE-IUL, o colóquio pretende abordar a arquitectura de uma perspectiva multidisciplinar

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Integrado na rubrica de “Aulas Abertas” promovidas pelo Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL) e resultante de uma estreita colaboração entre este e o ISCTE-IUL, terá lugar no próximo dia 26 de Maio mais uma edição do colóquio de Arquitectura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneo, onde serão apresentadas e discutidas as linhas temáticas de investigação em desenvolvimento no Doutoramento em Arquitetura os Territórios Metropolitanos Contemporâneos (ATMC) do ISCTE-IUL.

O Programa de Doutoramento em ATMC elege o território contemporâneo como tema central de debate, privilegiando por essa via o estabelecimento de ramificações de pesquisa numa ampla rede.

A linha científica que orienta este ciclo de estudos é acolhida pelas unidades de investigação DINAMIA’CET-IUL e ISTAR-IUL, resultando do cruzamento entre a arquitectura, a arquitectura paisagista, a arte pública e o desenvolvimento urbano. “A construção deste corpo multidisciplinar clarifica a percepção relativa aos fenómenos metropolitanos e respectiva cultura contemporânea”.

O colóquio resulta de uma componente lectiva obrigatória do segundo ano curricular do programa doutoral que se destina a enquadrar e acompanhar a investigação em curso. Integra intervenções de curta duração proferidas por alunos do curso e por docentes e investigadores do ISCTE-IUL, com o objectivo de partilhar e debater os resultados da investigação que o programa doutoral em ATMC tem originado com uma audiência abrangente, que inclua cidadãos e especialistas não-académicos.

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4ª edição do Prémio Januário Godinho em fase de candidaturas

Instituído pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, o prémio pretende “promover a salvaguarda e valorização do património edificado”

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Encontra-se a decorrer, até ao dia 12 de Junho, o prazo para entrega de candidaturas à 4ª edição do Prémio Januário Godinho, instituído pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, cuja composição do júri conta com a participação de um arquitecto designado pelo CDRN.

O Prémio, de edição bienal, pretende “promover a salvaguarda e valorização do património edificado” e “valorizar e promover a divulgação do trabalho desenvolvido por projectistas, construtores e promotores”.

Poderão candidatar-se ao Prémio todas as entidades privadas que tenham promovido intervenções de reabilitação de edifício, sendo admitidas as obras concluídas “nos dois anos anteriores ao ano civil de cada edição do Prémio”.

As candidaturas “podem ser efetuadas por iniciativa do proprietário do edifício intervencionado e/ou equipa de projecto, representada pelo coordenador dos projectos, desde que a candidatura seja acompanhada de autorização do proprietário”.

De acordo com a autarquia, o Prémio Januário Godinho tem o valor de sete mil euros, cabendo dois mil euros ao promotor e cinco mil euros à equipa projectista, havendo ainda a possibilidade de atribuição de Menções Honrosas, de carácter não pecuniário.

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Aires Mateus assina futura estação do Metro em Alcântara

Das quatro novas estações de metro, previstas no plano de expansão da Linha Vermelha, em Lisboa, apenas a de Alcântara será em viaduto e à superfície. A sua construção prevê tornar-se um interface para futuras ligações ao LIOS e à futura estação de comboio do Alvito. Com um investimento total superior a 405 M€, cerca de 304 M€ corresponde a fundos europeus

Cidália Lopes

Além de integrar o Plano de Expansão da Linha Vermelha do Metropolitano de Lisboa, numa óptica de reorganização da mobilidade urbana e incrementar as alternativas ao automóvel, a localização escolhida para receber a estrutura à superfície da nova estação vai, também, alterar por completo a forma de aceder àquele local, assim como estabelecer uma nova ligação entre o bairro de Alcântara e o bairro do Alvito que, desde a construção da Ponte 25 de Abril, em 1966, se viram separados geograficamente.

Neste sentido, passa a existir apenas duas faixas de rodagem, uma no sentido descendente e outra no sentido ascendente apenas para transportes público, sendo que será criado um novo acesso ao bairro do Alvito, no mesmo sentido. O actual acesso pedonal que liga os dois bairros vai ser retirado e essa ligação será feita através de uma plataforma pedonal que passará por baixo da estrutura criada para receber a nova estação e que ficará à cota de superfície.

O corpo principal da estação – com implantação retangular de 120mx21,19m – apresenta-se alinhado no sentido nascente / poente e que irá permitir a ligação com toda a sua envolvente através da abertura de acessos exteriores.
O projecto é assinado pelo atelier Aires Mateus e sua construção terá uma duração prevista de 25 meses, cuja obras deverão dar início no final deste ano ou até ao primeiro trimestre de 2024. O investimento total é superior a 405 milhões de euros, dos quais cerca de 304 milhões de euros correspondem a fundos europeus

Viaduto recupera memória das estações antigas
O projecto pretende relacionar-se com a envolvente nas suas várias frentes, evocando a espacialidade iconográfica inerente às estações ferroviárias históricas do século XIX e início do século XX. A sua grande escala advém das limitações impostas pelas condicionantes urbanas e viárias, assim como das necessidades funcionais internas da estação. A estação encontra-se parcialmente enterrada, com os três pisos interiores ocultos pelo terreno e por uma grande concha de proteção.

“Será inevitavelmente um marco urbano excepcional na sua função, mas também na sua forma. No seu interior propõe-se um espaço amplo que recebe o tráfego das carruagens de metro, oferecendo a condição única de uma espacialidade generosa e de grandes dimensões”. A estrutura metálica que compõe os pisos interiores permite uma eventual adaptação e evolução programática futura.

Para o troço de linha compreendido entre a Estação e o Baluarte do Livramento é proposto um viaduto em treliça com secção de 9,70m x 6,30m e apoiado em quatro conjuntos de pilares. O viaduto proposto cumpre todas as definições técnicas de cotas e de traçados recebidas de projectos mais abrangentes na cidade.

“Uma vez que passará a fazer parte da paisagem urbana, pretende-se que o viaduto seja o mais transparente possível de forma a não introduzir mais informação e ruído ao contexto urbano. Consequentemente, é desenhado tendo como referência a ligeireza, adaptabilidade e rapidez de construção presente em viadutos históricos”, indica o atelier.

Ligação à futura LIOS e apeadeiro do Alvito
A implantação dos seus pilares foi cuidadosamente analisada de maneira a respeitar as diferentes condicionantes impostas: a situação existente, o traçado viário proposto, a possível rotunda de Alcântara, o subsolo – caneiro e via-férrea, e ainda a possibilidade de prolongamento do LIOS.
O interface desenvolve-se em três níveis: nível do cais ML à cota +15.85m, nível do átrio à cota +10.35m e nível do cais LIOS à cota +5.30m e é composta por um sistema de acessos verticais de ligação cais/átrio. A solução proposta permite que os dois níveis dos cais funcionem de forma independente, garantindo a possibilidade de fechar parcialmente a estação sem comprometer o seu funcionamento.

No piso 1 – Metro Lisboa – localizam-se os cais laterais de acesso ao veículo, com um comprimento de 116.40m. Os acessos ao cais situam-se nos topos e centro, existindo três escadas mecânicas, uma escada fixa e um elevador em cada cais. Sob o nível das plataformas dos cais ML haverá ainda um sub-cais destinado ao encaminhamento das infraestruturas.

O piso 0 – Átrio – permite ligar todos os acessos da estação, facilitando o atravessamento entre a encosta do Alvito, as zonas de Alcântara Sul e Alcântara Nascente. É também neste piso que é feita a distribuição dos acessos verticais ao cais do metro e cais do LIOS, através de escadas mecânicas, escadas fixas e dois conjuntos de elevadores. Neste nível estão localizadas as bilheteiras e máquinas de validação de bilhetes e constitui passagem obrigatória para todos os passageiros que pretendam aceder à plataforma do metro.

Por último, o piso -1 – LIOS – desenvolve-se em cais laterais com comprimento de 45m. Os acessos exteriores situam-se nos extremos e no centro e os acessos verticais para o átrio encontram-se ao centro e são compostos por uma escada mecânica, uma escada fixa e um elevador em cada cais. Uma vez que o LIOS apenas ocupa 45m dos 117m de comprimento do cais da Estação, o topo Poente é ocupado por dois volumes independentes que contêm as áreas técnicas necessárias para o funcionamento do Lios. Todas as áreas técnicas necessárias ao funcionamento do Metro encontram-se enterradas ao nível do cais do metro e do átrio no topo poente da estação. A Norte estão também enterradas as instalações de pessoal ML e pessoal externo, a sala de limpeza e sala de lixo com acesso direto a partir da zona não controlada do átrio.

Além da ligação ao LIOS, o novo interface vai também ligar ao Apeadeiro do Alvito, como primeira paragem da Fertagus na margem Norte. Esta estrutura foi pensada logo aquando da construção do comboio da Ponte mas nunca chegou a ser utilizada. A mesma será alvo de uma requalificação e construção das devidas infraestruturas para possa servir de ponto de ligação com a nova estação de Alcântara.

Demolição e valorização do espaço público
Durante a fase de construção do viaduto e túnel a guarita do Baluarte do Livramento será desmontada e posteriormente será recolocada. Esta medida deve-se à necessidade de garantir a integridade da guarita durante os trabalhos no interior e exterior do Baluarte. A memória dos edifícios que se propõem demolir na Rua da Costa e na Travessa do Livramento é mantida através da reconstrução das suas fachadas simplificadas e com diminuição das suas alturas e da representação no pavimento das paredes existentes.

Desta forma, “aproveita-se a oportunidade para criar novos espaços públicos encerráveis, através de gradeamento, e de carácter comunitário, cujo programa será definido pela CML nas próximas fases de projecto. Propõe-se ainda a criação de novas ligações pedonais, em colaboração com a CML, entre a cota alta e a cota baixa melhorando a fluidez, o arejamento e a acessibilidade desta área urbana”.

Consequentemente é desenhado um circuito urbano que interliga a cota superior da Calçada da Tapada, à cota do muro avançado do Baluarte, à cota intermédia da Tv. do Livramento e às cotas mais baixas da e Rua da Costa e Rua Maria Pia. Este projecto constitui uma oportunidade de transformação e requalificação das áreas abrangidas pela estação e viaduto, através do desenho de novos percursos viários e pedonais, da requalificação do Baluarte do Livramento e ainda da criação de zonas verdes e tratadas paisagisticamente.

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“Vive-se hoje um novo paradigma da Arquitectura”

A sustentabilidade, a transição energética e a digitalização estão a mudar o paradigma da profissão. Quem o afirma é a arquitecta Marlene Roque, perita e formadora responsável na Ordem dos Arquitectos pelas áreas térmica e acústica. Apaixonada pela arquitectura bioclimática, não tem receio de apontar o dedo à classe para os muitos erros que continuamos a ver no edificado português. “Os muitos anos e as muitas horas de formação que já leccionei fazem-me crer, sem querer ofender ninguém, que há muitos arquitectos que se focaram no exercício do objecto, da estética e se foram despindo das outras áreas que compunham a ideia do arquitecto, do mestre arquitecto renascentista, que dominava tudo”, afirma

A sustentabilidade é cada vez mais um factor decisivo e a regulamentação que a exige está aí. Como é que estas alterações, que agora são obrigatórias, muda a Arquitectura?
Eu costumo dizer aos meus alunos que temos o privilégio de viver a mudança do paradigma do acto da profissão. Eu equiparo estas mudanças às mudanças que vivemos há uns 40 anos quando se abandonou o desenho feito em estirador, à mão, e passámos a usar o ‘rato’ e o computador para o fazer.
Estão a acontecer muitas coisas em paralelo. Desde logo, estamos em plena transição energética e isso espelha-se na nossa profissão, o que faz todo o sentido. Nós [arquitectos] somos os decisores, se construímos uma casa com um determinado sistema construtivo, com mais ou menor maior menor pegada carbónica, a emitir mais ou menos CO2, a decisão é nossa. Se a construção é pobre energeticamente, esta é, primeiramente, uma decisão do arquitecto. O que eu penso é que em Portugal nós não temos esta tradição, até pedagógica, de pensar o edifício como uma máquina que consome energia.

Este é, então, um problema de base, de formação?
Temos uma formação muito trabalhada pelos arquitectos da ‘velha-guarda’ de trabalhar o objecto como uma peça estética que se vai esculpir e polir. Mas a Arquitectura não é só arte. A Arquitectura é técnica e tecnologia. Este é o paradigma que temos de mudar. Temos que inverter este processo, que não tem que ser propriamente uma inversão, mas é repensar o edifício com esta matéria-prima, em vez de ser só a estética. Porque cada vez mais o conceito que o edifício é apenas um abrigo está a mudar. Já não é o abrigo do homem primitivo queremos que esse abrigo tenha Wi-Fi, conforto, queremos comer e que as refeições sejam feitas rapidamente… o nosso estilo de vida, as nossas necessidades vão além do conforto térmico, queremos tecnologia. E tudo isto obriga a um maior gasto de energia… e por enquanto continuamos muito dependentes da energia fóssil.

Como é que a arquitectura bioclimática pode fazer a diferença?
Quando o arquitecto que projecta o edifício dá mais importância a outras premissas, que não ao sol, ao vento, à humidade… Quando constrói e projecta da mesma forma seja para Faro ou para Bragança, seja para o Alasca ou para a Suécia, só por sorte é que o resultado é bom. Nos meus 16 anos como consultora e projectista em eficiência energética concluo que hoje a forma como se constrói, não é bem o resultado da globalização, mas queremos imitar o que se faz bem pelo resto da Europa e do mundo e esquecemo-nos do clima.
Tenho uma espécie de bíblia, e que é de facto a minha bíblia quando ensino e quando formo arquitectos, que é de um autor italiano que se chama “Projectar para o clima”, isso é a arquitectura bioclimática e isso é o que a União Europeia nos está a dizer, a todos os arquitectos, que temos que fazer obrigatoriamente.

O que é que se exige hoje ao Arquitecto?
O Arquitecto tem de ser um maestro de uma orquestra. Pode não saber tocar os instrumentos todos, mas tem de pôr aquilo a funcionar. Os muitos anos e as muitas horas de formação que já leccionei fazem-me crer, sem querer ofender ninguém, que há muitos arquitectos que se focaram no exercício do objecto, da estética e se foram despindo das outras áreas que compunham a ideia do arquitecto, do mestre arquitecto renascentista, que dominava tudo. Com a especialização foram abandonando essas componentes mais técnicas, até certo ponto tudo bem mas não ao ponto de não conseguirem espelhar a informação que lhes é fornecida pelos consultores e especialistas nos seus projectos. E isso os arquitectos não fazem.

E isso é culpa da formação… ou da falta dela?
Acho que em Portugal foi-se adquirindo esta ideia de que “isso é para o engenheiro pensar” e eu vejo este desinteresse dos alunos por tudo o que é esta componente mais técnica. Porquê? Porque eles vêm, de alguma maneira, já formatados para a ideia de que o objecto, o conceito, a ideia, isso é que é fazer arquitectura, mas isso já não chega e eles ainda não o estão a perceber. Acaba por ser um choque quando começam a actividade profissional num atelier e depois percebem que estão um pouco despidos de informação e acabam por fazer formações na Ordem dos Arquitectos ou noutros locais para se poderem munir dessas ferramentas.
Mas a legislação é clara é preciso saber projectar edifícios eficientes e os atelieres que o não souberem fazê-lo correm o risco de deixar de ser competitivos.

É isso que nos diz o Decreto-Lei 101-D, de 2020, que entrou em vigor em Julho último?

Esta legislação responsabiliza o arquitecto e os engenheiros autores de projecto das especialidades onde há recurso de energia a cumprirem os requisitos de eficiência energética, logo no início do processo de licenciamento camarário. isto um perito qualificado quando faz a avaliação do desempenho energético do edifício e não obtém uma classificação de que o edifício é bastante eficiente e se não demonstra que produz, pelo menos, 50% das necessidades de energia do edifício, então não há licenciamento camarário e em minha opinião muito bem.
Até aceito que aos arquitectos não queiram aprofundar estas questões, mas então têm de respeitar muito bem o seu consultor nesta área e espelhar os seus inputs nos projectos.

O impacto da digitalização
O que é que efectivamente muda na forma de pensar um projecto quando estamos a projectar para o clima?

Quando fazemos um primeiro esquisso e temos uma parcela de terreno e podemos implantá-lo A primeiro coisa a fazer é olhar ao sol e ao vento naquele local. Portanto é conhecer os dados climáticos do local e tem de se conhecer a humidade relativa do ar, que não é igual em Sintra ou em Beja ou, por exemplo, em Montalegre. Temos a influência das montanhas, dos rios, do mar, até a situação de vale ou uma altitude mais elevada, portanto o tema da humidade e que gera as patologias de que as pessoas depois se queixam, deriva de um desconhecimento, da falta de um olhar para esses parâmetros climáticos. Um exemplo máximo disto é casa Jacobs, projectada pelo arquitecto Frank Lloyd Wright há 100 anos.
Hoje pedem-nos para fazer isto, mas primeiro o arquitecto tem de conhecer bem os dados climáticos do local, tem que começar a desenhar as paredes, as coberturas, os pavimentos, aquilo que nós chamamos os sistemas opacos de acordo com a necessidade do local. Ou seja, se estou no Algarve o meu problema é o Verão, mas se estiver em Bragança o meu problema é o Inverno. E o que é que eu quero dizer com isto é olhar às temperaturas, é olhar a orientação dos ventos e aos níveis de humidade e, com esses dados, eu decido então a espessura do isolamento, que tipo de isolamento, se o coloco pelo interior ou exterior, se coloco preenchendo as duas camadas de um material que pode ser tijolo, betão, pedra, a posição do isolamento, em toda esta envolvente. E isto dá trabalho porque o arquitecto tem que conhecer física das construções, tem que conhecer os materiais e a sua performance.

As empresas de materiais de construção têm apresentado novidades nesse sentido e estão mais conscientes para as novas exigências…
Porque estão sob pressão de ter de produzir produto neutro em carbono. A indústria está a adaptar-se. Porque paralelamente temos os grandes consumidores – hospitais, centros comerciais, edifício de escritórios e outros – a apostarem na bandeira da certificação da sustentabilidade, seja por via do sistema americano LEED (Leadership in Energy & Environmental Design), ou pelo britânico BREEAM (Building Research Establishment).
Ainda neste contexto de mudança da indústria há um outro factor que irá acelerar a mudança que é o BIM e a legislação que está a ser preparada para tornar a sua utilização obrigatória.

Como é que o BIM e a digitalização da construção influenciam este processo?
O projecto de lei está em cima da mesa, em discussão, e prevê a obrigação de todo sistema que gera construção, desde arquitectos e engenheiros, ao empreiteiro, até ao gestor do edifício, ter de trabalhar com a ferramenta BIM. Em conjunto a digitalização e a transição energética estão, de facto, a mudar e muito o acto da profissão.

“É errada a noção que o NZEB é mais caro”
Como é que a Arquitectura Bioclimática se tornou central no trabalho que desenvolve?

Não foi ao acaso porque eu sou muito consciente do que faço, mas não foi planeado. Quando terminei o meu curso de arquitectura terminei com mérito e achei que não valia esse mérito muito honestamente.
Tive a vantagem de ter vivido em diferentes países por conta das opções profissionais dos meus pais o que me permitiu ir comparando. Tenho uma história gira que conta aos meus alunos. Quando era pequena dizia que gostava muito de vir a Portugal em Agosto porque vinha à praia, mas que a casa dos meus avós era fria no Inverno o que eu detestava. Os meus avós viviam em Óbidos e no Verão não entendia porque é que a minha avó tinha sempre a casa às escuras. A minha avó tinha um conhecimento que todas as nossas avós tinham daquilo que é viver os edifícios da arquitectura popular. Ela percebia que se fechasse as portadas na hora de maior calor, a casa era fresca, quando atirava um balde de água para o chão de baldosa de barro era para arrefecer e nós dormíamos a sesta e o chão não estava tão quente. Hoje valorizo isto. Tínhamos hábitos de utilização da casa que fomos perdendo e depois é o fruto da evolução da arquitectura. As paredes deixaram de ser estruturais e já podemos abrir mais vidro. O vidro é caro, então optamos por vidros menos eficientes e hoje temos um problema que as casas aquecem demais no Verão e depois temos que as arrefecer. Eu senti, terminada a licenciatura, que a arquitectura tinha de facto um papel a dizer, mas faltava-me perceber mais. Não conseguia desenhar, detalhar, sem saber o porquê das coisas então a minha opção foi trabalhar para uma construtora e fui trabalhar para a Mota Engil e posso dizer que chorei todos os dias do primeiro mês de trabalho.

Quando é que nasceu o seu atelier? E há algum projecto que a tenha marcado mais?
Tenho formalmente empresa desde 2010, mas desde 2003 que faço projectos. Hoje somos quatro arquitectas e em breve irá entra uma outra. É difícil escolher um projecto porque todos tiveram os seus desafios. Este último que foi apresentado há poucas semanas, localizado em Sintra foi bastante desafiante. O lote era muito pequenino, que tinha tudo para correr mal: orientado a norte, com edifício sul a fazer sombra localizado em Sintra com a particularidade de ficar localizado numa freguesia muito húmida e ventosa e, no entanto, conseguimos fazer. O Cliente também não tinha muito dinheiro e isso quebra desde logo um mito, não é preciso ter muito dinheiro para construir NZEB. O custo maior está nos equipamentos e não nos materiais. O estudo que apresentámos mostramos isso, mas podia a presentar o mesmo estudo em todos os projectos. Em média o investimento acrescido para torná-lo eficiente não representa mais que 10%, sendo que, e esta é a parte mais interessante, é amortizado ao fim de três a quatro anos, porque depois não tenho que gastar energia para repor os níveis de conforto. Passados esses três anos de amortização estamos a poupar dinheiro, não estamos a gastar dinheiro para manter estes níveis. Eu posso provar isto fazendo as contas de uma forma muito aberta e transparente. Isto é real e as pessoas sentem isto depois de viver nas suas casas e esse é o melhor feedback

Isso quebra um mito de que é caro ser eficiente, ser NZEB
E o mais interessante é que não se aplica apenas à construção nova, também o podemos fazer para os edifícios existentes. Temos em curso um projecto de umas ruínas em Óbidos e estamos a transformá-las numa casa que será altamente eficiente. As ruínas já lá estão implantadas no terreno, mas há formas de nós pensarmos o edifício para ir buscar o Sol para o proteger do vento, mesmo os edifícios existentes. Para isso acontecer é preciso fazer um estudo, o que acontece é que as pessoas saltam essa etapa e “auto medicam-se”, o que pode correr bastante mal. Se tomarmos em conta que o ciclo de vida de um edifício que pode ser bastante longo e durante esse tempo todo vai se estar a pagar energia basta fazer umas contas para se perceber que vamos estar a gastar muito mais do que se fizermos este esforço inicial. Há quem prefira investir em equipamentos ao invés da arquitectura passiva, o que é tão errado porque depois investem no equipamento e, o resto da vida, na energia para alimentar esse equipamento.

Lá fora, como é que se vive esta revolução?
Estamos a par do que está a acontecer em Itália onde o custo da electricidade e do gás triplicou. A pressão é grande, em especial no norte de Itália onde as temperaturas no Inverno são baixas. Os arquitectos estão a sentir esta pressão impressão para de facto pensar de uma forma diferente, à semelhança do que se passa na Europa do Norte. Espanha estão um pouquinho mais frente que nós, a França está noutro campeonato e na Alemanha já estão a exigir os 70% de produção de energia. Também é preciso ver que há muito mais financiamento e muito mais apoio a incentivar a sustentabilidade e a eficiência energética. Esse apoio existe em Portugal, mas é pouco e chego a muito poucos. Também por culpa dos arquitectos que fazem mal, e não informam os seus clientes ou potenciais clientes. É preciso tocar na ferida, os arquitectos não estão a fazer este papel, que eu até acho que é de cidadania. O arquitecto tem um código ético e deontológico e não devem esconder essa informação e deve usar o conhecimento para promover o conceito NZEB junto dos clientes, mas só o pode fazer se o souber e, portanto, o que eu acho é que ainda não sabe o suficiente.

Essa é uma crítica forte.
Que estou à vontade para a fazer. No trabalho de formação que tenho feito na Ordem, tenho esta noção, mas não critico por criticar. Partilho tudo o que tenho e gostaria muito que houvesse uma mudança porque quando isto acontecer vamos sentir o impacto. E aí vamos deixar de ter este discurso de pobreza energética em Portugal que a mim pessoalmente já me cansa ouvir. É preciso olhar para o copo meio cheio, fazer mais formação e queiramo-nos comparar aos alemães e não estar sempre a vender a imagem de “coitadinhos”. A desculpa do dinheiro não é desculpa porque eu consigo provar que o acréscimo no custo da obra é insignificante, face a um retorno que é rápido.

Portugal tem uma história da arquitectura popular que é bastante sábia. Perdemos alguns dos ensinamentos do passado?
A arquitectura popular portuguesa é super sábia. Quando no Alentejo se caiam as paredes de branco, quando decidimos fazer terraços planos para captar as águas e reutilizá-las, quando se construía paredes de taipa com a espessura certa que, por saber popular se foi aprimorando, não por uma questão de resistência estrutural mas para que o calor não entrasse, com vão pequeninos, protegidos, hábitos como o que a minha avó tinha em Óbidos. Quando na Guarda construíamos em pedra, com a pedra local, construíamos sustentável e construíamos eficiente. É curioso e ao mesmo tempo estranho, não é? Hoje nós importamos e pedimos que uma transportadora faça quilómetros para trazer o material. Ao não usamos o material local a sustentabilidade é zero que estamos a gastar combustível e estamos a gastar recursos para transportar o material para o qual depois não há know-how. Depois com a globalização imitamos o que se faz em Amesterdão ou em Nova Iorque e imitamos mal porque não ajustamos ao clima. Foram publicados dois livros sobre Arquitectura Popular Portuguesa, que acho que todos os arquitectos deveriam conhecer. Esta arquitectura popular era ajustada às necessidades e à capacidade financeira, mas era feita de uma forma muito sustentável, com a matéria local por isso é que em Óbidos se construía com calcário, na Guarda com o granito e no Alentejo com a taipa. Dominava-se a técnica e o material e a espessura das paredes resultava daquilo que se necessitava ali no Inverno e no Verão. Quando hoje construímos de uma maneira indiferenciada para o clima e para os materiais locais é difícil fazer arquitectura passiva, bioclimática, eficiente … não é passiva porque é às custas de equipamentos, não é bioclimática porque não olhamos para o clima e não é passiva porque não é eficiente pois não conseguimos a temperatura de conforto de uma forma natural e económica. Era muito importante voltarmos aos princípios porque em Portugal já se fez bem e perdemos…

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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Há dois finalistas portugueses nos prémios internacionais Architizer A+Awards

A Openbook concorre para o prémio “Best Commercial Firm” e Fábio Ferreira Neves, com o projecto da casa Refugium, está seleccionado para o prémio, “Sustainable Interior Project”

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Depois de na edição de 2018 ter vencido o prémio o prémio Architecture + Workplace com os escritórios da VdA – Vieira de Almeida, um projecto em co-autoria com a PMC Arquitetos, a Openbook está entre os cinco finalistas que concorrem ao prémio “Best Commercial Firm” nos prémios internacionais da reconhecida plataforma de arquitetura Architizer.

O atelier português surge lado a lado com empresas de todos os cantos do mundo – os restantes candidatos ao mesmo galardão têm sede nos Estados Unidos, China e Índia.

“Esta nomeação tem um significado especial porque é uma apreciação do nosso trabalho e projectos de forma global”, sublinha Paulo Jervell, Partner da Openbook. “Temos trabalhado para atingir os melhores resultados nas áreas em que actuamos, dos projectos de escritórios, aos residenciais ou industriais e esta nomeação é um reconhecimento do caminho que temos vindo a traçar”, refere o responsável.

Com a assinatura do arquitecto Fábio Ferreira Neves, “Refugium”, um apartamento à beira mar cujo processo de renovação foi buscar inspiração as casas dos pescadores do século XVIII, representa um regresso ao essencial, na simplicidade das formas originais, mantidas e preservadas, e na escolha criteriosa dos materiais. Uma ode ao novo prémio que a Architizer inaugura nesta edição “Sustainable Interior Project”. 

O arquitecto português volta a estar em destaque, depois de em 2019 com o projecto “Pátio do Meco”, ter vencido na categoria Residencial – Casa Privada.

Ao todo são 119 prémios divididos por 14 categorias. Até ao dia 12 de Maio está a decorrer a votação do público e os vencedores serão anunciados a 30 de Maio. Assumindo-se como a maior comunidade online de arquitectos no mundo, a Architizer convida especialistas e leigos a votar na arquitectura mais marcante de 2022. Poderá fazê-lo aqui e aqui 

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