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Abordagem “art nouveau” renova antigo restaurante no centro histórico de Guimarães

Em pleno centro histórico de Guimarães do Restaurante 34 foi ampliado, mas o objectivo era que não perdesse as suas principais características: os elementos vegetais e em madeira que o tornavam intimista e que lhe conferiam identidade. Para o atelier REM’A, esta ideia levou-os a explorar uma abordagem desconstruída do movimento “art nouveau”

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Abordagem “art nouveau” renova antigo restaurante no centro histórico de Guimarães

Em pleno centro histórico de Guimarães do Restaurante 34 foi ampliado, mas o objectivo era que não perdesse as suas principais características: os elementos vegetais e em madeira que o tornavam intimista e que lhe conferiam identidade. Para o atelier REM’A, esta ideia levou-os a explorar uma abordagem desconstruída do movimento “art nouveau”

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O projecto Restaurante 34 surgiu da necessidade do cliente mudar um espaço existente para um espaço maior, sem perder algumas características do antigo espaço: intimista, com elementos vegetais e elementos em madeira que conferem identidade ao restaurante. Esta condição levou os arquitectos Romeu Ribeiro e José Pedro Marques, do atelier REM’A, a explorarem um conceito estético-espacial que pressupunha uma abordagem desconstruída do movimento “art nouveau”, desde características cromáticas (castanho/verde), às formas curvas/ondulantes e assimétricas que estruturam os espaço, a repetição de elementos decorativos (madeira dos tectos e sancas) ao invés dos “entrelaçados” típicos deste movimento artístico, bem como a utilização de elementos vegetais, desintegrados dos elementos estruturantes do projecto.

O novo espaço, em pleno centro histórico da cidade de Guimarães, caracteriza-se por uma parcela tipicamente medieval que define um edifício com uma geometria irregular, que afunila até ao logradouro. Perante esta característica espacial, optou-se por circunscrever as salas com elementos ao nível do solo e ao nível do tecto, através de sofás corridos, concorrentes com sancas ao nível dos tectos, que permitiam embeber infraestruturas técnicas. “Com esta opção pretendíamos fluidez no espaço e diluir a sensação de irregularidade espacial. Entre esses elementos exploramos uma dualidade entre identidade da marca e identidade construtiva: de um lado, as alvenarias originais do edifício (em algumas situações, após remoção de revestimentos adicionados ao longo dos anos), que nos reportam à génese construtiva do mesmo, e na parede oposta, os elementos vegetais, identidade da marca”.

Os tectos em madeira, circunscritos pelas referidas sancas perimetrais, pretendem recriar o ambiente do antigo restaurante, aproveitando o sentido longitudinal das salas para dar sensação de profundidade, bem como permitir mover ligeiramente os pendurais de iluminação, consoante localização das mesas.

A intervenção abrange os três primeiros pisos do edifício, a primeira sala ao nível do rés-do-chão, a cozinha no primeiro piso (entre salas) e a segunda sala com zona lounge no segundo piso com as instalações sanitárias situadas nos patamares de transição entre pisos. A matriz conceptual é fortemente implementada nas salas, com excepção da derivação efectuada na zona lounge que serve de antecâmara para a sala do piso 2, o único espaço ortogonal que pretende provocar efeito-surpresa sobre a vista privilegiada para a Praça do Toural, coração da cidade de Guimarães.

Ficha Técnica
Escritório: REM’A
Arquitecto responsável: Romeu Ribeiro e José Pedro Marques
Engenharia: Fortunato & Paulo
Construção: CC LOBO
Ano de conclusão da obra: 2021
Área total construída (m2): 175,00m2
Fotógrafo: Ivo Tavares Studio
Fabricantes (EGGER – Termolaminado H3734 “Nogueira Borgonha natural” e INGARDEN – Jardins Verticais)

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Gravity, Pure Stone e Slim Tech na reabertura do showroom da Margrés e Love Tiles

O conceito de família esteve por trás dos projectos que destacam as funcionalidades e versatilidade das três colecções

Ricardo Batista

“Era importante para as marcas Love Tiles e Margrés que, quando reabrissem, reabrissem com significado, com um projecto com que os visitantes, de algum modo, se identificassem e que não pensassem que era uma coisa sem planeamento ou apenas um mero showroom”.
Ao CONSTRUIR, Nair Silva, responsável de comunicação da Gres Panaria, empresa que gere as marcas Love Tiles e a Margrés, explica as linhas orientadoras dos projectos desenhados para a reabertura do Showroom de Lisboa, praticamente um ano e meio depois de uma ‘pausa forçada’ causada pelas limitações da crise pandémica.
Para os projectos de 2021, os ateliers Spaceroom, através de Mariana Esteves Serra, e Às Duas por 3, de Inês Cesteiro e Sónia Rodrigues, foram convidados para explorar as novas colecções no espaço de exposição de excelência da empresa, no Parque das Nações.

“Voltar à normalidade”
“Todos os anos abrimos com projectos incríveis e nunca menosprezámos os projectos anteriores ou achámos que os projectos anteriores não deram a resposta pretendida. Nada disso. Todos eles tiveram o seu timing, responderam às necessidades certas. No entanto, este ano precisávamos de responder a uma enorme necessidade: como voltar à normalidade e como fazer com que as pessoas voltassem a sentir-se seguras”, explica Nair Silva, justificando assim o conceito que esteve por trás das propostas apresentadas para a decoração do espaço. No caso da Love Tiles, a responsável de comunicação da Grés Panaria explica que a proposta de Mariana Esteves Serra assenta na necessidade de retractar a “realidade de todos nós”. “A Mariana Esteves Serra trouxe-nos o conforto, a família e a criatividade para dentro das próprias casas.

Ao passarmos por estes espaços do showroom, entendemos que mais do que as historias que estamos a contar, tanto para a casa da família ou da criatividade, é o conforto que sentimos ao caminhar aqui, ao vivê-los. A Mariana conseguiu rasgar isso muito bem. Partiu de um conceito de família, uma casa ajustada a uma família de três que precisava de ter espaço exterior que todos sentimos durante o confinamento…Quem vivia num apartamento ansiava por um espaço exterior, mais não fosse para passear o cão… e a Mariana entendeu muito bem esse conceito. O que a família precisava? O que era vital para eles? O que era funcional? Transformou aquela casa numa habitação super prática, adaptada às novas realidades, de teletrabalho e tele-escola, uma casa que consegue ter a dinâmica da prática de exercício físico, uma casa adaptada a uma criança, em que a criança precisa de espaço para brincar, para libertar energias e, sobretudo, uma casa com linhas simples, adaptada a uma família muito jovem que não complicasse e que mostrasse a cerâmica pelo lado, mais funcional que pode ter”, justifica Nair Silva.

“Do outro lado, temos uma casa com um conexão um pouco diferente. Uma casa tipicamente mais antiga, que foi recuperada e modernizada. Aqui sim, era importante mais do que a funcionalidade termos a harmonia de cores e materiais. É uma casa habitada por duas mulheres. Ou seja, tínhamos de ter aqui a dimensão do Mundo feminino. Era super importante para nós passarmos essa informação para o cliente. E a Mariana conseguiu, uma vez mais, ter dois conceitos muito diferentes mas, ao mesmo tempo, complementares. Há uma ligação continua na passagem de ambientes”. No caso da Margres, a linguagem da marca é muito diferente da Love Tiles. Inês Cesteiro e a Sónia Rodrigues, designers de interiores da Às Duas por 3 e responsáveis pelo desenho do espaço, partiram de um bloco central e conseguiram “trazer a sumptuosidade, a robustez e a obra prima do grés lamina”. “O grés lamina ali ganha uma outra dimensão. Está aplicado num jogo de luzes e dimensão absolutamente fora do comum e aquelas peças parecem ter mais do que três metros. Parece que estamos num espaço aparentemente enorme e estamos, na verdade, a falar de poucos metros quadrados. São novas colecções que fazem parte da SlimTech da Margrés e são tendência”, acrescenta Nair Silva, sublinhando que “o preto Marquina Nero é realmente um produto que está a ser procurado a nível Mundial e a Margrés tinha de seguir essa tendência, era importante para nós”. “Depois, apresentamos algo disruptivo e à imagem da Margrés. A linguagem arquitectónica, a utilização da fina espessura é algo que o arquitecto valoriza, que permite embelezar espaços”, conclui.

Sobre o autorRicardo Batista

Ricardo Batista

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“Tempestade perfeita” pode comprometer recuperação da economia e crescimento do Sector

Crise na energia, aumento dos custos das matérias-primas e logísticos e falta de mão de obra… A conjuntura não se afigura fácil para a Construção

2021 tem sido marcado pelo aumento constante do preço das matérias-primas, entre os 50 a 150% em alguns casos, dos custos logísticos, da energia e dos combustíveis. Soma-se ainda, desde a semana passada, o da incerteza governativa marcado pelo chumbo do Orçamento Geral de Estado. Depois da pandemia, a conjuntura permanece incerta e os próximos tempos não se afiguram fáceis. O CONSTRUIR falou com algumas associações representantes da fileira da construção para perceber de que forma estes factores estão a impactar a actividade das empresas e as perspectivas de investimento futuro.

“O aumento generalizado dos preços da energia e das matérias-primas tem origem no que alguns designam por “tempestade perfeita”, ou seja, uma conjuntura particular onde se combinam: um forte aumento da procura mundial desses produtos na sequência do fim do confinamento decorrente da pandemia; os limites da oferta mundial e o nível reduzido de stocks disponíveis; as perturbações na logística, nas cadeias globais de abastecimento e nos transportes internacionais, que ainda não recuperaram totalmente da crise; o agravamento dos conflitos geopolíticos e geoeconómicos; e, por fim, mas não menos importante, os custos e as incertezas da própria transição energética”, explica Ricardo Pedrosa Gomes, presidente da Associação de Empresas de construção e Obras Públicas e Serviços (AECOPS).

Os culpados deste aumento podem ser todos de cariz internacional, mas os efeitos, esses, já são sentidos internamente e estão a originar a escalada dos custos de construção. “O aumento dos preços começou por ter maior incidência em materiais como o aço, os betumes e o cobre, mas já estamos a viver o início de um ciclo de aumento generalizado dos custos da construção”, refere Ricardo Pedrosa Gomes.
E, no curto prazo, não há como o sector fugir a esta subida dos preços e a escassez de materiais é inevitável. Não há novos mercados, novos materiais ou processos construtivos que funcionem como alternativa eficaz ao impacto da subida dos preços e as possíveis transformações tecnológicas não têm efeito a curto/médio prazo. “O surto inflacionista nos inputs da construção e, nalguns casos, a ausência de materiais criam sérias perturbações na organização dos processos produtivos, na execução das obras e, consequentemente, na relação com os subempreiteiros e com os clientes”, adianta o presidente da AECOPS.

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Ricardo Pedrosa Gomes avança que “importa ter presente que uma crise inflacionária desta dimensão, num sector com um ciclo produtivo longo e com um volume muito significativo de obras em curso, orçamentadas antes do surto inflacionário, não pode ser ultrapassada sem que o aumento estratosférico e inesperado dos custos e os atrasos, por ausência de matérias-primas, se repercutam no preço final dos trabalhos, tanto nas obras públicas como nas privadas. Ainda não há falta de materiais e produtos em Portugal, mas já se começam a observar atrasos significativos na sua disponibilidade.

O aumento da actividade da construção à escala global, e em especial na Europa, fruto dos diferentes PRR nacionais, poderá introduzir outra pressão no sector em especial ao nível do custo da mão de obra e da escassez de recursos humanos especializados
“Na ausência de medidas que permitam acomodar as perturbações nos mercados primários internacionais da Construção, podemos assistir a um movimento de conflitualidade entre empreiteiros, subempreiteiros e clientes, com o risco de paralisação das obras, de insolvências e de desemprego, justamente, numa conjuntura favorável, com um momento de forte aumento da actividade e quando o investimento público e a construção desempenham um papel fundamental na recuperação económica. Nesta perspectiva e para não comprometer a recuperação económica, é fundamental mitigar os efeitos da subida dos preços” alerta Ricardo Pedrosa Gomes.

A opinião é partilhada por Hugo Santos Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII). “Este é um sector que se tem mantido unido durante a crise, o que contribuiu para a dinamização da economia durante este período. Temo que numa conjuntura onde há escassez de materiais e de mão de obra, que será quase inevitável se atendermos ao aumento da actividade da construção por toda a Europa, haja uma maior litigância, que não é de todo o que desejamos”, afirma o responsável.

O compromisso com o clima vs custos de construção

Segundo Hugo Santos Ferreira o cenário de aumento de custos das matérias-primas que temos assistido tem sido um dos principais responsáveis pelo adiamento de projectos imobiliários em especial aqueles que são dirigidos à classe média. “Esta não é uma queixa só da promoção privada, também ao nível de promoção pública se sente esta dificuldade no lançamento de novos projectos. O custo de habitação é uma conta de somar com várias parcelas e neste momento só com os custos da construção ultrapassamos aquilo que uma classe média em
Portugal pode pagar”, constata o presidente da APPII.
Para o responsável existe um outro agravante a este cenário que são “as novas exigências a nível ambiental”. “Estamos todos comprometidos com o ambiente e conhecemos os números: os edifícios são responsáveis por 40% do consumo de energia na europa e por 36% dos gases de efeito de estufa e que 75% do parque edificado europeu não é eficiente. Nos projectos dirigidos a classe média alta e alta os níveis de eficiência energética são altos e esta questão não se coloca, mas pode ser mais um agravante do custo nos projectos dirigidos à classe média”.
Mas este é um factor actual e incontornável. “A Transição Climática é o tema importante da actualidade. A Estratégia de Longo Prazo Renovação do Edificado (ELPRE), identificou a renovação dos edifícios, públicos ou privados, como uma iniciativa-chave para impulsionar a eficiência energética no sector e cumprir os objectivos de descarbonização. A qualidade da intervenção é essencial para melhorar a qualidade de vida e para a mitigação das alterações climáticas, seja por via da eficiência energética e redução/eliminação da pegada carbónica, seja pelo factor tempo e a durabilidade da intervenção, tanto em reabilitação como em construção nova. A construção economicista do menor preço é antagónica aos princípios da sustentabilidade ambiental e aos compromissos de redução de emissões de GEE. É necessário criar programas e instrumentos para investir na durabilidade da construção e reduzir o desperdício de materiais e mão-de-obra”, sustenta Gonçalo Byrne, presidente da Ordem dos Arquitectos.

Para estes representantes do sector não é preciso temer a conjuntura. “As coisas são como são e não podemos mudar o que não depende de nós agora devemos, isso sim, é criar as condições para criarmos uma estratégia de longo prazo para o sector”, afirma Hugo Santos Ferreira. “Para reduzir o impacto do aumento dos custos de construção no imobiliário é preciso mexer nas outras parcelas da tal conta de somar, como por exemplo acelerar o licenciamento. Só para ter uma ideia, cada ano de atraso no licenciamento tem um impacto de 500€ no custo do metro quadrado. Em Lisboa e no Porto os licenciamentos dos projectos chegam a demorar 4 a 5 anos”, refere Hugo Santos Ferreira. O IVA dedutível na habitação nova, as Green Bonds e a utilização eficaz das verbas do PRR destinadas à habitação são alguns dos factores que podem contrariar os efeitos da conjuntura e alavancar a construção imobiliária.

A Transição Digital é outro desafio e coloca-se simultaneamente no desenvolvimento das
ferramentas BIM – Building Information Modeling. “É necessário apoiar técnica e financeiramente as diversas empresas e agentes do sector na transição digital para o sistema BIM, com especial atenção para as entidades licenciadoras, câmaras municipais, direcções regionais, direcções nacionais. Este sistema introduz uma nova lógica de projecto, com o objectivo de reduzir omissões de projecto, aumentando a produtividade e acelerando o tempo de projecto. Esta transição deve ter eco no controle prévio dos projectos sendo necessário rever a legislação em vigor, de modo a permitir a entrega dos projectos em modelo BIM para licenciamento ou comunicação prévia nas câmaras municipais e/ou outras entidades nacionais ou regionais” acrescenta Gonçalo Byrne.

2022 entre expectativa e apreensão
Por enquanto, os efeitos a média e longo prazo desta crise do investimento e a sua, eventual, repercussão no crescimento do sector são incertos. Ainda assim, “há três notas que importa reter para perspectivar a dinâmica futura do Sector: em primeiro lugar, a incerteza sobre a duração da crise inflacionária internacional nos mercados internacionais das matérias-primas e da energia, que depende da eficácia e da coordenação da resposta global aos factores da crise, da gestão internacional da procura e da oferta; em segundo lugar, o risco e o nível de propagação desta inflação primária ao conjunto da actividade económica e aos mercados financeiros. A estabilidade macroeconómica da economia mundial depende da capacidade de evitar que a inflação se torne num problema estrutural. De facto, se a inflação não for controlada os seus efeitos na gestão da política monetária pelos Bancos Centrais e, por consequência, no nível das taxas de juro, na disponibilidade de crédito e na sustentabilidade da divida pública e privada não deixarão de comprometer a evolução do mercado imobiliário global, a capacidade de investimento público dos vários países e, como tal, o crescimento do Sector; em terceiro lugar, a continuidade da actual política monetária. Na verdade, se não existir uma alteração significativa da política monetária por parte dos Bancos Centrais, assegurando a liquidez dos mercados, o crescimento dos custos da construção resultante da conjuntura actual não deverá alterar o ciclo de taxas de juro baixas, a dinâmica de valorização dos activos imobiliários e, portanto, não deverá comprometer o investimento imobiliário”, relembra Ricardo Pedrosa Gomes.

A instabilidade política interna adensa a incerteza e pode adiar por alguns meses o investimento público. “No entanto, continuam a parecer-nos realistas, desde logo pelo efeito dos fundos comunitários, as perspectivas favoráveis de desempenho da economia portuguesa em 2022, partilhadas pela generalidade das instituições internacionais e pelo Banco de Portugal”, defende o presidente da AECOPS

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

Manuela Sousa Guerreiro

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“Pandemia atrasou investimentos no build-to-rent”

Com a conjuntura a evoluir favoravelmente é de esperar que os valores pré-pandemia possam rapidamente ser recuperados, com o residencial e a logística a manterem-se dinâmicos e com um pipeline crescente de projectos. É, também, esperado um crescimento no segmento de ‘Built to Rent’

Cidália Lopes

Fundada em 2008, a Hipoges é uma das plataformas de referência no sector de Asset Management, com mais de 26 mil milhões de euros em activos sob gestão, entre os quais hipotecas residenciais e corporativas, empréstimos às PMEs e Grandes Empresas, crédito ao consumo, contas com a Administração Pública e bens imobiliários residenciais e terciário. Ao CONSTRUIR, Luís Silveira, real estate director da Hipoges Iberia em Portugal, traça o retrato do actual estado do sector imobiliário

Luís Silveira, real estate director da Hipoges Iberia em Portugal

Quais os sectores que demonstram mais dinâmica nesta fase em que se percebe que o imobiliário já está a recuperar valores pré-pandemia?

O sector residencial continua a manter uma forte dinâmica, que foi resiliente mesmo durante o período de pandemia. As necessidades de habitação no País continuam por satisfazer devido a diversos anos de investimento insuficiente, quer por falência de inúmeros projectos no sector que pararam o pipeline para alimentar o mercado com habitação nova, quer por dificuldades de financiamento em que o País mergulhou dada a crise do sector financeiro, cujas consequências se fizeram sentir por todos os sectores. Com particular incidência no imobiliário, por efeito das restrições que sentiram, os promotores solventes não conseguiram o Financiamento necessário, assim como se assistiu a uma redução do financiamento de Crédito Habitação às famílias e falta de liquidez para operar a manutenção do parque habitacional, que, entretanto, foi-se degradando um pouco por todo o País.

Como tal, não é de estranhar que, dada a falta de oferta de habitação nova, só nos últimos anos viu chegar novos projectos ao mercado e em conjugação com a forte procura, o sector residencial mostre uma dinâmica que bate recordes atrás de recordes em termos de número e valor/m2 das transacções.

Outro sector que continua dinâmico é o da Logística, cuja procura se mantém, também resiliente. É bom ver que os novos hábitos de consumo, que foram até potenciados pela pandemia (e estamos a falar do comércio online), vêm introduzir desafios à organização das cadeias de logística para fazer face ao aumento de encomendas e à procura crescente por este tipo de serviços e capacidade instalada. Isto tem efeito no escoamento de espaços de armazém e plataformas logísticas que registam um grande interesse e procura sustentada.

Outros microfenómenos acabaram por se verificar, mas aos quais não se pode atribuir uma grande expressão pelo número reduzido de transacções e pela explicação conjuntural. Talvez o caso mais curioso e que explica estes microfenómenos seja a procura, ainda que surpreendente, de grandes propriedades rústicas. Dado o processo de descarbonização das fontes de energia, com alguns benefícios e incentivos públicos, acabou por fazer crescer o interesse por este tipo de propriedades, para instalação de parques solares fotovoltaicos. Embora não se possa falar de um mercado na verdadeira acepção da palavra, devido ao baixo número de transacções, foi um microfenómeno, como outros, que pontualmente acabam por responder a necessidades ocasionais ou à própria conjuntura económica.

Esperamos que, evoluindo a conjuntura favoravelmente no que toca aos efeitos da pandemia, os valores pré-pandemia possam ser recuperados, a bem do mercado imobiliário e da economia em geral, dado que vivem em harmonia.

E dentro dos diferentes sectores quais as principais tendências que apontam para este ano e já para o próximo ano?

Enquanto a procura residencial e logística não virem satisfeitas as necessidades ao nível da oferta o que podemos esperar, dado o desequilíbrio entre estas, é que a dinâmica se mantenha.

Entretanto, e para os sectores mais afectados pela pandemia, ao nível do imobiliário, como são o retalho de proximidade ou a hotelaria e o sector dos escritórios, esperamos assistir a uma recuperação gradual, nomeadamente com o retorno das pessoas ao trabalho presencial e em função da abertura da sociedade, a um crescimento do consumo no sector do turismo. De facto, notou-se um abrandamento nestes sectores, que somente esperamos ver regressar a níveis pré-pandemia se a situação evoluir favoravelmente como todos esperamos.

Não tendo sido um dos sectores mais afectados é possível, contudo, apontar valores em termos de quebra durante o período mais crítico de Covid19?

No período mais critico do Covid verificou-se um abrandamento sendo rapidamente recuperado logo no terceiro trimestre de 2020. O mercado residencial deu sinais de alta resiliência e os níveis de desempenho estiveram alinhados com os anos anteriores. Os dados publicados pelo INE mostram que foram vendidas 45.136 casas em Portugal entre Julho e Setembro de 2020, quase mais 12.000 que entre Março e Junho e pouco abaixo das 45.830 vendas registadas no 3º trimestre de 2019.

No primeiro trimestre de 2021 o Índice de Preços da Habitação (IPHab) aumentou 5,2% em termos homólogos, o que são indicadores positivos para quem investe no sector imobiliário.

O ‘Built to Rent’ será, talvez, um dos produtos que mais se ouviu falar nos últimos tempos, com promotores estrangeiros e portugueses a demonstrarem vontade em investir neste segmento. Mas a verdade é que não se vêem projectos concretos. O risco é ainda muito elevado? Os promotores acabam por mudar de estratégia?

Cremos que a incerteza introduzida pela pandemia veio atrasar o investimento nesta área. Portugal é um país em que a bolsa de habitação e alojamento de rendimento tem uma expressão reduzida, quando se efectua um benchmark com outros países.

O sector onde o crescimento ocorreu foi no Alojamento Local à boleia do turismo, essencialmente. No entanto, em consequência da pandemia, este estagnou e em certos casos, regrediu. Veja-se que alguns proprietários, por falta de ocupação dos seus espaços reorientaram a estratégia de exploração, procurando Clientes tradicionais por falta dos turistas.

Outras soluções, seja de habitação própria ou outros, como as residências universitárias ou seniores, mercado onde há alguns players a entrar, efectivamente não descolaram.

Esta incerteza e estes movimentos conjunturais, com impacto ao nível das rendas e tendências, acabam por induzir alguma cautela nos investidores que atrasam os investimentos quando não percebem qual o efeito na procura, acabando por diferir o

pipeline para um momento posterior onde seja mais óbvio o comportamento do mercado ao nível dos tempos de absorção do mercado e com isto serem mais eficientes financeiramente.

Veremos como evolui o futuro desta área, sendo certo que a Hipoges neste último ano fez uma aposta forte na gestão de imóveis arrendados, porque acredita no desenvolvimento do sector em Portugal.

Enquanto Asset Management aconselham muitos Fundos Internacionais. O que procuram mais este tipo de Fundos em Portugal?

A Hipoges é uma das plataformas líderes na Gestão de Activos na Península Ibérica, como tal os Investidores internacionais procuram carteiras de Activos Financeiros e imobiliários numa perspectiva de optimização do investimento a medio prazo em termos de soluções de A a Z, que passam pela análise e avaliação de activos, gestão financeira, incorporação de activos em carteiras e a gestão destas, property management, valorização de activos, development e vendas.

Neste momento, e ligando com a pergunta anterior, a nova área de negócio de gestão de imóveis arrendados e investimentos de rendimento, foi um passo numa linha de negócio nova para nós, onde estamos a reforçar competências, que capitalizamos e alavancamos durante o percurso como servicer de referência no País, e que apostamos no curto a médio prazo, ser uma área na qual estaremos com uma presença mais ainda forte.

As tecnologias são a grande base de desenvolvimento do vosso trabalho, nomeadamente através do vosso Portal. De que forma é que esta forma de “fazer” imobiliário conseguiu tornar-se completamente disruptiva e permitiu, também, acelerar os negócios e o mercado?

A tecnologia e os meios digitais passaram a fazer parte do nosso dia a dia, sendo que o mercado imobiliário teve necessidade de acompanhar essa tendência. A Hipoges utiliza diversas ferramentas tecnológicas para interacção com o mercado imobiliário, entre as quais o Portal NOW direccionado a quem procura imóveis e HIPOGESWORKS, direcccionado aos profissionais do sector. Assim, a adaptação dos meios digitais, vieram permitir dominar melhor o ciclo de venda, captação de leads, posicionamento e visibilidade dos activos sob gestão.

Que novidades podemos esperar quanto à vossa estratégia de digitalização?

Continuaremos a investir e acompanhar as tendências dos meios digitais relacionados com o mercado imobiliário. No futuro breve, iremos assistir a alterações na forma de interacção dos compradores, quer por novos hábitos adquiridos em período de COVID, quer pelas tendências das novas gerações, entre elas os “filmes” e a realidade virtual.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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Berkshire Hathaway HomeServices acelera plano de expansão em Portugal

A rede internacional de intermediação imobiliária acrescenta dois parceiros à sua rede para oferecer serviços nas regiões de Lisboa, Porto, Costa Litoral Alentejana e Algarve, no segmento do imobiliário de luxo

Cidália Lopes

A Berkshire Hathaway HomeServices, rede de intermediação imobiliária internacional que opera em Portugal em parceria com a Berkshire Hathaway HomeServices Portugal Property e com a Berkshire Hathaway HomeServices Atlantic Portugal continua a sua estratégia de expansão “acelerada” no País, “tendo em conta as potencialidades verificadas no mercado imobiliário português”.

A Berkshire Hathaway HomeServices tem vindo a conduzir uma análise aprofundada do mercado para encontrar parceiros estratégicos com perfil para integrar a sua rede.

Apesar do desaceleramento da economia mundial causado pela crise sanitária global, segundo a Berkshire Hathaway HomeServices, a procura de propriedades de prestígio em Portugal manteve um forte atractivo por parte dos investidores estrangeiros. Esta forma de investimento é, aliás, muito interessante devido ao baixo risco de desvalorização económica em caso de crise.

O plano estratégico de expansão da Berkshire Hathaway HomeServices em Portugal começou pelas áreas de Lisboa, Porto e Algarve, zonas que continuam a ser muito procuradas por investidores de alto nível, às quais se acrescenta, agora, a Costa Litoral Alentejana, com a zona da Comporta a ser apontada como um dos destinos mundiais favoritos para o investimento imobiliário no segmento de luxo.

“Fazer parte de uma rede de intermediação global permite atrair investidores de todas as partes do mundo e gerir patrimónios imobiliários exclusivos, desfrutando ao máximo das potencialidades do imobiliário português”, afirma Michael Vincent, CEO da Berkshire Hathaway HomeServices – Portugal Property. “Os incentivos fiscais para investidores estrangeiros são uma força motriz para as transacções imobiliárias internacionais, especialmente no segmento exclusivo do luxo. As zonas seleccionadas para o desenvolvimento em Portugal representam locais de interesse significativo para o perfil dos investidores estrangeiros”, acrescenta César Santos, CEO da Berkshire Hathaway HomeServices – Atlantic Portugal.

Parcerias com agências imobiliárias

O objectivo da Berkshire Hathaway HomeServices é expandir-se no território português através de parcerias com agências imobiliárias líderes na sua área de influência e realizar operações de relevância estratégica para o panorama imobiliário português. “A empresa é muito selectiva porque privilegia relações de longo prazo, que permita reforçar a sua presença no mercado e oferecer aos investidores um portfolio exclusivo de imóveis de prestígio, assente nos seus valores de confiança, integridade, estabilidade e longevidade”, reforça o responsável
Inglaterra, EUA e França.

Em relação aos principais investidores estrangeiros, os Estados Unidos da América, Reino Unido e França são os países com quem a Berkshire Hathaway HomeServices Atlantic Portugal mais trabalha, destaca, César Santos, CEO da empresa. E se Portugal já era há muito um lugar que despertava curiosidade para este tipo de investidores, o interesse aumentou, consideravelmente, com o crescimento de projectos na zona do Litoral Alentejano. Uma zona “claramente estratégica” para a Berkshire Hathaway HomeServices Atlantic Portugal.

Ainda a dar os primeiros passos, “não é possível para já ter uma estimativa quantificada”. “Esperamos, no entanto, investimentos de ordem superior dada a atractividade e exclusividade da região que atrai cada vez mais investidores de elite, interessados no segmento do luxo”.

Processo de compra e venda mais eficiente

Com oito escritórios de Norte a Sul e mais de 50 agentes, a Berkshire Hathaway HomeServices Portugal Property abrange o Porto, a Costa de Prata, Lisboa e o Algarve, representando resorts, propriedades urbanas e de luxo.
Especialistas no processo Golden Visa, com as alterações ao regime nos grandes centros urbanos como o Porto e Lisboa a entrar em vigor no final deste ano, a empresa foca-se também noutras regiões do Pais, tendo como principal estratégia “tornar todo o processo de compra e venda de um imóvel em Portugal o mais eficiente possível”, afirma Michel Vicent, CEO.

Também este responsável destaca o crescente número de britânicos como sendo os principais investidores estrangeiros em Portugal. Se em 2015 eram apenas 17 230 mil os cidadãos britânicos oficialmente registados no SEF, este número aumentou drasticamente atingindo os 46 mil em 2020, afirma Michel Vicent, naquilo que este responsável considera ser um claro “efeito indirecto do Brexit”. “No entanto, assistimos cada vez mais a uma maior movimentação de americanos devido à estabilidade política do país e ao sistema de saúde, assim como de brasileiros e italianos”.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

Jornalista
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Um novo normal

Torna-se crucial que as empresas se organizem para formarem associações mais fortes e capazes de liderar os processos de concorrência, sendo que, da parte dos donos de obra, também se exige adequada programação e transparência no lançamento das obras, para que estas posturas se complementem e gerem resultados virtuosos para os interesses nacionais

Subitamente, o mundo foi abalado por um evento inesperado, causado por um inimigo invisível, que motivou um grave problema de saúde pública, uma catástrofe social e económica, abalando o nosso quotidiano e pondo em causa grande parte das vivências que julgávamos naturais e garantidas.

Forçados a alterar hábitos e conceitos, começamos agora a emergir para uma nova realidade, que muitos designam como “um novo normal”, baseado numa alteração de paradigmas que terá necessariamente de encontrar reflexos na sociedade onde vivemos, porquanto gera grandes desafios e mudanças.

Com efeito, o sucesso e o acesso à vacinação massiva adveio da ciência e da investigação que, em prazos impensáveis, permitiram desenvolver vacinas e outras soluções médicas cruciais para vencer as primeiras batalhas, nas quais o papel dos profissionais de saúde foi reconhecidamente notável, mas também o dos engenheiros e da Engenharia no seu todo, como então oportunamente assinalámos.
Mas subsiste o problema das desigualdades e desequilíbrios mundiais em termos de pobreza e desenvolvimento, que não permitem um tratamento equitativo na maior parte dos países de África, da Ásia e até da América Latina, o que poderá induzir o desenvolvimento de novas estirpes que continuarão a contagiar locais e viajantes, pelo que a pandemia está longe da erradicação.
Tal como as questões climáticas, este combate também requer atuações solidárias, concertadas e à escala global, sem as quais não será possível a erradicação ou mitigação dos seus efeitos.

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Hoje todos sabemos que nada, ou apenas muito pouco, irá ser como dantes.

Teremos de repensar sistemas e infraestruturas das cidades, adaptando-as a uma nova realidade e aumentando a sua resiliência, com uma visão absolutamente transversal, seja na mobilidade, nos espaços públicos, nas áreas de trabalho e, até mesmo, nas habitações.
Projetar, a partir de agora, terá de acautelar uma futura resposta a novos eventos similares de grande dimensão, que obriguem ao distanciamento e isolamento, devendo ser tido em conta que o teletrabalho e o comércio eletrónico vieram para ficar.
Desde sempre que o foco da atividade dos engenheiros foi a procura de soluções para os mais diversos problemas que se colocam à Humanidade e às sociedades e, nesse sentido, a criação de soluções para melhorar a qualidade de vida.
Protagonistas de uma profissão transversal e impulsionadores de progressão tecnológica e civilizacional, os engenheiros passam muitas vezes despercebidos, assegurando o funcionamento das estruturas básicas do país, incluindo as de saúde, mas são os atores principais da economia, pois a sua atividade cria valor acrescentado.

Neste momento que atravessamos, de transição de época e de paradigmas, também são os engenheiros que estão melhor posicionados para perceber e perspetivar o futuro.

Um futuro cada vez mais digital e tecnológico, que exige qualificação adequada, que terá de ser capaz de responder às alterações climáticas, preocupação prioritária das Nações Unidas, e de afirmar a importância da economia circular, pondo fim à linearidade finita dos recursos naturais e impondo medidas concretas na área das eficiências material, hídrica e energética.
A par, em Portugal, entrámos numa década de grandes investimentos, na qual a questão central passa pela capacidade técnica e empresarial para conseguirmos alocar 58.000 milhões de euros em 10 anos, uma vez que, depois da crise de 2009 e da destruição de algumas das maiores empresas nacionais (em particular da construção) e de mais de 300.000 trabalhadores terem abandonado a profissão, hoje não dispomos da capacidade então existente e temos grandes carências de mão-de-obra.

Por isso, torna-se crucial que as empresas se organizem para formarem associações mais fortes e capazes de liderar os processos de concorrência, sendo que, da parte dos donos de obra, também se exige adequada programação e transparência no lançamento das obras, para que estas posturas se complementem e gerem resultados virtuosos para os interesses nacionais.

A par, teremos de combater o nosso défice demográfico e criar condições apelativas para a fixação dos jovens qualificados e com elevado potencial, o que exige melhores enquadramentos salariais, mas também mais criação de riqueza.

O mercado da construção e do imobiliário, depois de ter vindo a crescer nos últimos anos, inicialmente alavancado por investidores na área da reabilitação urbana e do turismo, a quem devemos estar agradecidos, terá de saber adaptar-se agora a todos estes desafios, aproveitando para acelerar os processos de transformação a que a indústria da construção também terá de dar resposta.
Para esse efeito e para um novo futuro, os caminhos passarão inevitavelmente pelo combate à crise climática, por práticas de sustentabilidade, pelas eficiências hídrica, energética e material, novos materiais, recursos humanos qualificados e digitalização das atividades, áreas nas quais a Engenharia continuará a ser protagonista.

NOTA: O Autor escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico

Sobre o autorCarlos Mineiro Aires

Carlos Mineiro Aires

Bastonário da Ordem dos Engenheiros
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Engenharia

“Ganhar dimensão é importante para o mercado internacional”

A NRV – Norvia adquiriu a Elsamex Portugal e a LCW Consult. Em entrevista ao CONSTRUIR, Tomás Espírito Santo, CEO da NRV, sublinha o impacto que este crescimento terá num grupo cujo 50% do volume de negócio já é garantido no exterior

Elsamex e LCW são as duas mais recentes entidades do universo NRV. Com estas aquisições permitiram ao grupo somar 3,5 milhões de euros em volume de negócios e integrar 50 postos de trabalho. O grupo fechará as contas de 2021 com um resultado consolidado na ordem dos 15 milhões de euros e cerca de 220 colaboradores, 20% dos quais distribuídos pelos escritórios das várias participadas no grupo no mercado internacional.

Recentemente a empresa anunciou a aquisição de duas empresas – Elsamex e LCW – o que motivou esta aquisição? Como será feita a integração destas empresas no universo do grupo/empresa NRV?

As duas operações foram concluídas em Junho, mas estavam a ser preparadas há mais de um ano. Na verdade, prefiro falar de integração mais do que aquisição. Nestas operações, como nas anteriores, trata-se de integrar empresas que conhecíamos bem, com quem já colaborávamos, e que tinham especialização em áreas complementares às nossas. Por motivos vários, tinham fragilidades no seu projecto de futuro e nós sabíamos do know-how que dispunham e da qualidade das suas equipas – ou seja, eram valor acrescentado para a nossa estrutura. Mais: os valores eram os mesmos, a vontade de aprender igual à nossa e o modelo de gestão compatível. No fundo, havia condições para fazerem parte do nosso projecto.

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Em que medida e que áreas saíram reforçadas na NRV?

Com a LCW trouxemos as Estruturas Especiais e com a Elsamex Portugal a Geologia e Geotecnica. Pontes, viadutos, barragens, obras subterrâneas, túneis, pavimentos rodoviários e aeroportuários, laboratórios de ensaio e controlo de qualidade: são todas áreas acrescentadas ou reforçadas dentro do grupo. As empresas mantêm-se autónomas sendo que a Elsamex Portugal altera a sua designação para Geovia.

Túnel Santuário de Fátima

Aquisições para crescer e agregar valor

Este é já o segundo processo de aquisição do grupo nos últimos dois anos. A expansão por aquisição é a forma mais rápida de crescer no mercado?

É verdade, este é um segundo processo que levamos a cabo nos últimos anos. Em 2018 já tínhamos integrado uma empresa na área do Ordenamento do Território, a LR-Plural, que ficou na estrutura da NRV, e uma outra na área das Obras Marítimas e Portuárias, a MSW, que se mantém autónoma – tal como a LCW e a GEOVIA. Ganhar dimensão e pluridisciplinaridade é importante, sobretudo para o mercado internacional.

Antevêem novas aquisições?

Não vemos nas aquisições o veículo para sustentar o nosso crescimento ou a diversificação das áreas de actuação. Fomos sempre crescendo e diversificando sem precisar de adquirir ou integrar outras empresas. Dito isto, é verdade que as aquisições permitem saltos mais rápidos. Mas não o fazemos de ânimo leve: têm de acrescentar valor ao nosso projecto e ter estruturas que conheçamos bem, como aconteceu até agora. Se aparecerem oportunidades deste tipo podemos sempre estudá-las.

Qual o volume da vossa carteira de obras no mercado nacional? Perspectivas de crescimento?

O mercado nacional corresponde a cerca de 60 a 65% do nosso volume de negócios. O mercado internacional caiu nestes dois últimos anos, em consequência da pandemia. É de esperar que volte a ganhar mais significado e, aliás, essa retoma já se está a sentir em 2021 ao nível das contratações. E não se poderá deixar de ter presente que o programa de recuperação a implementar a nível nacional trará também por certo um crescimento da actividade no nosso sector.

Viaduto do Corgo

O peso da África Ocidental e a atracção pelo Oriente

 A nível internacional têm presença em alguns países, com a NRV Cabo verde, Angola, Moçambique e a NRV West Africa. Estas participadas têm capital local ou são empresas detidas na totalidade pela NRV?
Todas as participadas na área internacional têm capital local. A maioria qualificada é da NRV mas tivemos sempre presente a necessidade de dispor de um parceiro local. Estar num país novo é sempre um desafio em termos de aprendizagem. Integrámos sempre quadros locais nas nossas estruturas e procurámos dessa forma aprender a estar no mercado. Vemos a nossa presença como uma forma de levar e acrescentar valor e conhecimento, potenciando as capacidades existentes.

 Qual o peso das participadas no volume de negócios do grupo?

Em termos globais a NRV garante cerca de 50% do volume de negócios do grupo, estando os restantes 50% distribuídos pelas participadas.

São mercados distintos como caracterizam a vossa actividade em cada um deles?

Cada mercado tem as suas especificidades e é preciso ter uma capacidade grande de adaptação na maneira de estar. Creio que nos temos adaptado e temos sabido estar. Em cada país somos reconhecidos com uma consultora nacional e é esse modo de estar que nos caracteriza.

Qual a vossa carteira de obras nestes países? E quais os principais projectos em curso?
Em Cabo Verde estamos hoje nos Portos do Mindelo e do Maio. No Senegal, num projecto de construção de 24 pontes em vários pontos do país e, ainda, em projectos de auto-estradas com mais de 200 km. Na Gâmbia estamos a estudar um novo projecto rodoviário. Na Costa de Marfim temos o projecto do Mercado de Bouaké, um dos maiores de África, e vários projectos de edifícios e infraestruturas urbanas. Estamos no projecto da primeira secção da auto-estrada Abidjan – Lagos, entre Abidjan e Takoradi no Gana. É também no Gana que estamos com um projecto rodoviário de alargamento de uma secção de auto-estrada. Em Angola estamos no Novo Aeroporto Internacional de Luanda e no Abastecimento de Água ao Kuito. Em Moçambique no projecto da Academia Agha-Khan.

Prevêem a expansão para outros mercados?
Já tivemos várias actuações no Médio Oriente e Ásia, regiões onde continuamos a procurar oportunidades. Trabalhámos num projecto de um resort turístico no Egipto e fizemos dois projectos de aeroportos na Jordânia. Estávamos a trabalhar num projecto de aeroportos no Sri Lanka que parou com a pandemia. Tivemos um escritório em São Paulo – que foi a nossa primeira experiência internacional – e mantemos alguns trabalhos pontuais na América do Sul. Mantemos, no entanto, o nosso foco em África onde queremos ser uma consultora de referência. O crescimento recente com novos trabalhos na Gâmbia, na Costa de Marfim e no Gana são a concretização dessa estratégia.

Porto Ilha de Maio

Mercado internacional com projecção

A designação Norvia serve hoje de chapéu às várias empresas que integram o grupo, mas foi esta que esteve na origem do grupo empresarial em 1987. “A empresa mãe teve a designação Norvia, alterada mais tarde para NRV. Procurou-se com esta alteração destacar o âmbito nacional e a multidisciplinaridade em termos de áreas de actuação.  Somos uma consultora de engenharia que desenvolve a sua actividade a vários níveis, desde estudos multidisciplinares de engenharia até supervisão e gestão global de projectos. Conservou-se a marca Norvia, usada para a designação “Grupo Norvia” que engloba a NRV e as suas participadas”, conta Tomás Espírito Santo, CEO da NRV.

Hoje o grupo multiplica-se por uma série de entidades, consoante sua área de actuação e localização geográfica.  “No mercado nacional temos na Madeira a NRV Madeira, nos Açores a MSW, que garante também a especialização na área das obras marítimas e portuárias, e agora a LCW e a GEOVIA com especialização nas estruturas especiais e na geologia e geotecnia”.

No mercado internacional o grupo actua através das suas participadas locais em cada um dos mercados onde está presente. Entidades cujo capital é detido, em parte, por sócios também eles locais. Uma actuação que faz parte da estratégia e do posicionamento do grupo. Assim, “temos a NRV Cabo Verde, com sede na Praia, a NRV | Norvia West Africa no Senegal, com sede em Dakar, que é a base da nossa operação na África Ocidental, a NRV em Angola, com sede em Luanda e a NRV Moçambique, com sede na capital Maputo”, inúmera Tomás Espírito Santo.

Na carteira de clientes do grupo surgem tanto entidades privadas como públicas. Entre os privados contam-se as concessionárias rodoviárias, a ANA (Aeroportos de Portugal), a REN (Redes Energéticas Nacionais), e as principais construtoras portuguesas, “estas com maior relevo no mercado internacional”. Entre os clientes públicos estão a Infraestruturas de Portugal, as Administrações dos Portos no Continente e Regiões Autónomas, o Governo Regional da Madeira, e várias câmaras municipais um pouco por todo o país.

 

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

Manuela Sousa Guerreiro

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Arquitectura

Intervenção na Bateria da Crismina devolve espaço ao público

A proposta de intervenção da Barbiniarquitectos resultou num novo espaço para restauração que encaixa entre os muros pré-existentes mantendo, desta forma, proporções e escala volumétrica

Cidália Lopes

A Bateria da Crismina faz parte de um conjunto de três fortes da antiga linha de defesa da costa de Cascais, construídas durante o reinado de D. José I, no ano de 1762, na sequência do conflito entre Portugal e Espanha. Entre 1830 e 1832 as baterias sofreram trabalhos de reparação incluindo o fecho da fortificação com um muro de gola.

A proposta de intervenção para a instalação de um espaço para restauração, insere-se neste recinto de muros com cerca de três metros de altura que se consideram ser o ponto de partida da composição arquitectónica e ao mesmo tempo elementos a consolidar e valorizar.

O resultado é um objecto arquitectónico de um só piso, de carácter abstracto em vidro e pedra, de geometria irregular, resultante dos principais alinhamentos das paredes e limites do forte, cuja cota de cumeeira alinha pela cota superior máxima dos muros à sua volta. Desta forma mantem-se as proporções e escala volumétrica do existente sem retirar protagonismo à história que as ruínas da bateria representam.

O espaço exterior entre muros, é constituído por dois pátios descobertos, um a sul e outro a nascente, ambos protegidos dos ventos predominantes, e por uma plataforma orientada a poente voltada para o Atlântico.

BIO

Flavio Barbini e a arquitecta Maria João Silva fundaram, em 1955, o atelier Barbiniarquitectos. Juntos desenvolveram a sua actividade em Portugal e Itália, envolvendo diferentes ambientes disciplinares como a transformação urbana, planeamento, arquitectura paisagística, projecto de arquitectura, arquitectura sustentável, design de interiores e design de mobiliário, obtendo prémios nacionais e internacionais.  Além da Bateria da Crismina, em Cascais, no seu portfolio constam projectos como a área desportiva do Colégio Maristas, em Lisboa (2020), o edifício de apoio à prática de pesca tradicional, em Viana do Castelo, e a Frente Marítima no Cabedelo, um modelo de eco cabana em cortiça, em Cascais (2007), o Largo Cidade Vitória, em Cascais (2007) e o Centro de Coordenação Operacional da Brisa, em co-autoria com Carrilho da Graça, em Carcavelos (2003).

Foram, também, vários, os prémios alcançados nos últimos anos, nomeadamente, o 2º prémio “for the Housing in Oeiras for elderly people”, o 2º prémio para o conjunto “in Oeiras”, o 1º prémio para a Frente Marítima no Cabedelo, em Viana do Castelo, o 3º Prémio para a Renovação da Frente Maritima e Praia de Almograve, o 2º prémio para a Escola Primária em Porto Covo, o 2º Prémio para o Teatro em in Ponte de Lima. O Barbiniarquitectos foi, ainda, distinguido por duas vezes, em dois projectos distintos, em Itália, com o 3º prémio para o conjunto habitacional “Living in Milano 2” e o 2º prémio para a reabilitação de parte do centro histórico e parque em Spilamberto.

Entre 2006 e 2012, o atelier marcou presença em diversas exposições, tanto em Portugal, como no estrangeiro, com destaque para a “barbiniarquitectos recent works”, na Ordem dos Arquitectos, em Março de 2006 e que voltaria a figurar na Cordoaria Nacional por ocasião da Trienal de Arquitectura de Lisboa de 2007.

“Portugal fora de Portugal”, levou o atelier até Berlim, em Fevereiro de 2009 e a exposição “Partire, restare, tornare”, até Selinunte, em Itália, em Abril de 2012.

Ficha Técnica

Cliente / Empreiteiro Geral: Imonómio

Projecto: 2005-2017

Obra: 2019-2021

Estruturas: Engº Luis Gião Marques

Instalações Eléctricas: GPIC Projectos, Consultadoria e Instalações

Águas e Esgotos: Engº Filipe Furtado

AVAC: GPIC Projectos, Consultadoria e Instalações

SCIE: Arqº Philip Kirkby

Acústica: Sopsec

Gás: Sopsec

Arranjos Exteriores: Arqº João Ceregeiro

Iluminação: Arqª Joana Forjaz

 

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

Jornalista
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Imobiliário

2021 deverá fechar investimento na ordem dos 2 MM€

As previsões Marketbeat, da Cushman & Wakefield, apontam para uma recuperação do mercado imobiliário nacional ao longo da segunda metade do ano, sustentada pela resolução da situação pandémica. Procura deverá ser “diferenciada” e com “alguma cautela”, dependendo dos sectores

CONSTRUIR

O volume de investimento em 2021 deverá situar-se na ordem dos 2 mil milhões de euros, segundo as estimativas da Cushman & Wakefield. “Um montante que, apesar de implicar uma quebra na ordem dos 27% face a 2020, a ser atingido representará o quarto maior resultado registado no mercado nacional”, considera a consultora imobiliária internacional.
Os dados foram revelados na apresentação do mais recente Marketbeat Portugal, realizado pela Cushman & Wakefield e aponta alguns indicadores sobre a evolução futura da actividade.
“As previsões apontam para uma recuperação do mercado imobiliário nacional ao longo da segunda metade do ano, sustentada pela resolução da situação pandémica. Não obstante, poderá manter-se alguma cautela por parte da procura, ainda que diferenciada entre os diversos sectores imobiliários. Se por um lado se prevê que a procura de industrial e logística se mantenha dinâmica, os segmentos de retalho e hotelaria estão envoltos em maior incerteza. No que se refere ao sector de escritórios, está ainda por apurar o real impacto que o teletrabalho terá na forma de ocupação futura dos espaços de escritório”, revela Eric van Leuven, director geral da consultora.

Em relação ao mercado de investimento institucional, antecipa-se uma manutenção do interesse dos players internacionais, ainda que com um maior enfoque em produto prime. “Os activos em localizações prime, com contratos bons e inquilinos sólidos irão dominar a procura, por oposto a activos mais periféricos, ou com um perfil de rendimento menos estabilizado. Em termos de distribuição por sector, verifica-se uma preferência por categorias com escassez de oferta em Portugal, nomeadamente nos segmentos de logística e residencial para arrendamento (ou PRS – private rented sector)”, acrescenta Erica van Leuven.

Imobiliário comercial
Após um forte impacto da pandemia no sector de investimento em imobiliário comercial de rendimento no primeiro semestre de 2021, com um volume de negócios de apenas um terço do registado no período homólogo de 2020; o mês de Julho indiciou um acelerar da retoma, com 500 milhões de euros de transacções. Não obstante a dinamização recente, os 1.130 milhões de euros registados entre Janeiro e Agosto reflectem uma quebra de 40% face a 2020 (em que se atingiu um máximo histórico por influência de duas grandes transacções), sendo a redução de 29% se comparada com 2019. À semelhança dos anos anteriores, manteve-se o peso relevante das transacções de grande dimensão, com os três maiores negócios a representar 37% do volume investido e o capital estrangeiro a dominar a actividade do mercado, sendo responsável por 72% do volume total registado.
A alocação de capital por sector demonstra a contínua aposta no mercado de escritórios, responsável por mais de metade do volume transaccionado. Para tal contribuíram a aquisição pela Sixth Street (em parceria com a Acacia Point Capital Advisors) de 15 edifícios (de um total de 22) no parque de escritórios Quinta da Fonte à Signal Capital por um valor de 125-130 milhões de euros e a compra do portfolio Navigator (maioritariamente de escritórios) através da compra das participações no fundo Maxirent pela South (grupo Castel) à Rivercrown por 120 milhões de euros. Com 280 milhões de euros, seguiu-se o sector hoteleiro, em grande parte devido à aquisição dos Tivoli Marina Vilamoura e Tivoli Carvoeiro pela Azora à Minor International por 148 milhões de euros. Os sectores alternativos, afirmam-se cada vez mais junto dos investidores institucionais, tendo sido responsáveis por 16% do total investido, influenciado pela transacção de um portfólio de activos residenciais. A fraca atractividade dos activos de retalho ficou evidenciada pela segunda mais baixa alocação de capital da última década (10%) e o peso diminuto de Industrial e Logística (3%) continua a ser justificado pela escassez de produto de qualidade disponível para venda, não dando desta forma resposta à elevada procura.
Por seu lado, o sector de promoção e reabilitação urbana registou uma recuperação da actividade no primeiro semestre do ano, tendo sido identificado um volume total transaccionado de 320 milhões de euros. Entre estes, destacam-se a aquisição por parte da Norfin do Projecto Vilamoura, que conta com 21 terrenos por um valor de 100-125 milhões de euros, a venda, pelo Millennium BCP ao Grupo Pestana, do projecto Madeira Palácio, que integra dois edifícios com 262 apartamentos e um terreno com um potencial de 150 quartos, por 45 milhões de euros.

Escritórios
O mercado de escritórios da Grande Lisboa manteve um abrandamento da actividade entre Janeiro e Agosto de 2021, com 74.300 m² transaccionados, uma quebra homóloga de 24%. O Parque das Nações (zona 5) concentrou o maior volume de área contratada neste período (29%), assim como um dos principais negócios do ano: o pré-arrendamento de cerca de 10.000 m² na K Tower pela Critical Techworks.
Face ao abrandamento da procura, a taxa de desocupação aumentou 10 pontos percentuais (p.p.) no primeiro semestre, para os 5,6%. Suportado por uma expectativa de recuperação a curto prazo, o volume de oferta futura manteve-se estável, actualmente nos 403.400 m2 para os próximos três anos. De entre este volume de nova oferta, 174.100 m2 encontram-se já em construção, dos quais 44% conta com ocupação assegurada.
No Grande Porto, a maior resiliência do ano passado manteve-se em 2021, com uma quebra homóloga na procura de 15%, num volume de ocupação de 25.900 m² até Agosto de 2021. Esta evolução foi influenciada pela concretização de alguns negócios de dimensão relevante, incluindo a expansão de 3.540 m2 pela Concentrix no Porto Office Park, contribuindo para a ocupação integral deste edifício.
A taxa de desocupação aumentou para os 8,8%, em parte devido à conclusão de dois novos edifícios com um total de 7.300 m2. Relativamente à oferta futura, é esperada a entrada no mercado de 83.500 m2 nos próximos três anos, dos quais 40.700 m2 se encontram já em construção (65% desta área tem ocupação garantida).

Retalho
Na primeira metade de 2021, de acordo com o INE, o volume de vendas a retalho registou um aumento homólogo de 4,1%, atingindo desta forma valores semelhantes ao primeiro semestre de 2019. Para esta retoma terá contribuído, para além da melhoria da situação pandémica, um maior investimento dos retalhistas no comércio online e uma mudança dos hábitos de consumo dos habitantes, que reforçaram a afluência ao comércio de conveniência e proximidade.
A procura de retalho agregada pela Cushman & Wakefield evidencia uma quebra homóloga de 8%, com 180 novas aberturas no primeiro semestre de 2021. Apesar da manutenção do domínio do comércio de rua (62% do número de operações), o maior interesse por lojas de grande dimensão, em retail parks e unidades stand alone foi também evidente. Ainda que o sector da restauração tenha mantido a primazia, com 45% das novas unidades, o sector alimentar registou também um importante dinamismo, com 45 aberturas.

Industrial & Logística
A maior actividade registada o ano passado manteve-se ao longo do primeiro semestre de 2021, com uma absorção total de 270.500 m2. Entre os principais negócios, destaque para o pré-arrendamento pela Rádio Popular dos 30.000 m² do projecto da promotora belga VGP em Santa Maria da Feira; e as ocupações pela Rangel e Olicargo num total de 18.900 m² na recentemente concluída Plataforma Logística Lisboa Norte da Merlin Properties na Castanheira do Ribatejo. As regiões de Lisboa e Porto mantiveram o domínio, com 50% e 21% da absorção respectivamente
Pela primeira vez em muitos anos, verifica-se finalmente uma aposta no crescimento da oferta, através da reabilitação ou nova promoção. Destaque para a promoção pela Green Logistics by Aquila Capital de um parque logístico na Azambuja com 116.000 m² e para os três projectos da VGP em Santa Maria da Feira, Loures e Sintra num total de cerca de 60.000 m². Com um potencial de desenvolvimento adicional de 180.000 m², a Merlin Properties na Azambuja deverá também avançar em breve com a segunda fase da Plataforma Logística Lisboa Norte.

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Ecoinside quer tornar empresas ecoeficientes

Assume-se como uma empresa tecnológica de energias renováveis e está a investir forte em inovação, mas não só. O ano passado a empresa criou um fundo de investimento de capitais próprios, no valor de 15 M€, destinado a apoiar as empresas portuguesas na transição energética e na redução de consumo de energia

A tecnológica de energias renováveis vai estrear um método inovador de instalação de painéis solares com recurso a estruturas de betão, em oposição à tradicional estacaria metálica. Desenvolvido em parceria com a Presdouro e a Cimenteira do Louro, este projecto é 100% português. Segundo a Ecoinside, o projecto contempla ainda “a avaliação ambiental da obra, através da contabilização dos resíduos gerados e o impacto na biodiversidade, com o objectivo de desenvolver um modelo de centrais fotovoltaicas mais sustentável, com menores impactos na biodiversidade dos locais e com menor desperdício associado”, explica Joaquim Guedes, CTO (Chief Technology Officer) e sócio-fundador da Ecoinside.

O método de instalação distingue-se pelo facto de consistir “numa estrutura em betão, adaptável a qualquer tipo de painel solar que se pretenda instalar, em oposição às tradicionais formas de fixação de painéis em projectos no solo, o que reduz custos de mão de obra, graças a uma instalação mais simples e célere, e evita a realização de estudos geotécnicos exaustivos”.
O CTO da Ecoinside refere ainda que a solução técnica em betão é composta por duas peças fabricadas em separado para permitir uma maior agilidade e eficiência no transporte e na sua montagem, “trata-se de uma solução concebida para acomodar os diferentes tamanhos de módulos e que permite o ajuste da sua inclinação, adequando-se, dessa forma, a todo o tipo de projectos e localizações”, assegura.
A nova técnica será aplicada primeiro na unidade fabril da UPREL, em Estarreja, onde a Ecoinside está a instalar uma central fotovoltaica, a qual será responsável por mais de metade da energia necessária ao funcionamento da fábrica, gerando uma poupança anual na factura de energia de cerca de 12 mil euros. “Esta técnica será utilizada na Uprel e, num período muito curto, em duas outras centrais que já temos contratualizadas e que arrancarão com os trabalhos de construção muito em breve. No entanto, não será utilizada em todas as centrais construídas pela Ecoinside. A avaliação inicial às condições do terreno é que permitirá escolher a solução mais adequada”, justifica Joaquim Guedes.

Fundo incentiva indústria a ser ecoeficiente

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A Ecoinside é especialista em eficiência energética, energias limpas, sustentabilidade e mobilidade eléctrica, contando com um portfólio de mais de 200 clientes, entre indústrias, autarquias e empresas, de norte a sul do país. “Actuamos em cinco grandes áreas, energias renováveis, eficiência energética e hídrica, gestão de energia, sustentabilidade e mobilidade eléctrica”, o que lhe confere uma perspectiva de 360º sobre o sector. “Diria que temos três grandes factores que nos distinguem da concorrência: a experiência feita, o know-how em ecoeficiência e a sustentabilidade, que nos permite entender todos os vectores energéticos e recursos de uma instalação de uma forma integrada”.

O ano passado a empresa criou um fundo de investimento de capitais próprios, no valor de 15 milhões de euros, destinado a apoiar as empresas portuguesas na transição energética e na redução de consumo de energia. “O fundo permite que as empresas instalem sem investimento próprio, por exemplo, centrais fotovoltaicas que produzem electricidade a partir de energia solar, nas suas instalações, para aí ser consumida”, justifica Joaquim Guedes.

Cada vez maior é o número de empresas nacionais que opta por investir em projectos de energia para autoconsumo. Mas segundo o sócio-fundador da Ecoinside este crescimento ainda não se reflectiu nas contas da empresa. “Não nos podemos esquecer que, apesar do preço da electricidade estar a aumentar drasticamente, a crise pandémica que vivemos teve um impacto bastante negativo ao nível do adiamento de decisões de investimento, o que já em 2020, não permitiu o fecho de alguns negócios previstos com a Ecoinside”, relembra.
Com o crescimento dos preços de energia no mercado e o anúncio de novos apoios – onde se inclui a esperada alteração legislativa que facilitará os licenciamentos na instalação destes projectos – o sector deverá agora acelerar o ritmo.

“Nos últimos meses, temos sentido o retomar da confiança do mercado e isso é demonstrado pelas manifestações de interesse e pelo aumento do desenvolvimento dos projectos. No entanto, e no nosso mercado alvo, os processos são longos, desde os contactos e questões comerciais até à construção da central, são necessários vários meses. Pelo que o seu impacto no volume de facturação deverá reflectir-se sobretudo em 2022. Para este ano prevemos que o nosso volume de negócios se mantenha idêntico ao de 2020, o que é bastante positivo, mas esperamos ter um forte crescimento em 2022”, adianta Joaquim Guedes.

Uma expectativa suportada pelos vários projectos de novas centrais fotovoltaicas, de média e grande dimensão, que a empresa está a negociar e que vão ter impacto acentuado no seu volume de negócios já a partir do próximo ano.

Também em 2022 irá arrancar a construção das novas instalações da Ecoinside, as quais “contarão com um laboratório de testes e ensaios, o que nos permitirá, para além de dinamizar alguns projectos de inovação que temos em mente, dar uma resposta mais eficaz e célere aos nossos clientes. As novas instalações irão permitir o nosso crescimento em recursos humanos, com melhores condições técnicas e operacionais, pelo que estou certo que vai potenciar o nosso ecossistema criativo e de comprometimento com a nossa missão”, conclui Joaquim Guedes.

Projectos em destaque

Pedimos a Joaquim Guedes que seleccionasse alguns dos projectos já implementados pela Ecoinside. A escolha não foi fácil, mas seja pela relação com o cliente, dimensão ou impactos gerados estas foram as suas escolhas:

Plasfil
Projecto de instalação de 6.660 metros quadrados de painéis fotovoltaicos na fábrica de termoplásticos destinados ao sector automóvel, que se situa na Figueira da Foz. O projecto, cuja dimensão equivale a um campo de futebol, permite à empresa uma poupança de 19% do consumo energético. O investimento permite a eliminação de 762 toneladas de CO2 lançadas para a atmosfera, o equivalente à plantação de cerca de 11.550 árvores.

Dominó – Indústrias Cerâmicas SA
Central fotovoltaica com mais de 3 mil painéis solares na unidade fabril de cerâmica, em Condeixa-a-Nova (Coimbra). O projecto, concluído em Abril deste ano, está a permitir a diminuição em mais de 600 toneladas a quantidade de dióxido de carbono lançada para a atmosfera anualmente. Com a implementação da unidade de autoconsumo (UPAC), a empresa especializada em pavimentos cerâmicos vai poder contar com uma poupança anual de cerca de 40% na factura de electricidade. A empreitada passou também pela substituição de 5 600 m2 da cobertura em fibrocimento (material que contem amianto na sua composição) do pavilhão.
Este projecto, que contou com financiamento de mais de 600 mil euros, resultou em significativas poupanças energéticas e ambientais, equivalentes à plantação de mais de 15 600 árvores por ano.

Aguarela do Mundo
O projecto na empresa do universo do Grupo S. Martinho, teve como objectivo claro a redução dos seus custos energéticos e impactos ambientais. Com uma potência total instalada de 1,74 MW, foi considerada uma das mais interessantes instalações no sector das bebidas. Os seus resultados conquistados são equivalentes à plantação de mais de 15 mil árvores e evitaram a emissão para a atmosfera de mais de mil toneladas de CO2 por ano.

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“2022 será o ano de afirmação”

Constituída em plena pandemia, a Fundação Mestre Casais participa em estudos, firma parcerias, organiza conferências e está a preparar o lançamento de prémios e ensaios. O seu director executivo, José Gomes Mendes, refere que este é só um ano de arranque. Já 2022, esse será o ano de afirmação, na sua dimensão temática e nacional

Completados quatro de meses de actividade, José Gomes Mendes, director executivo da Fundação Mestre Casais fala sobre os projectos já em curso pela entidade que lidera e que se desenvolvem em torno de três áreas críticas da sustentabilidade: ambiente, sociedade e governação.

Que papel está reservado à Fundação Mestre Casais?
A criação da Fundação era um desejo de longa data da família do Mestre Casais. Em 2021, esse desígnio foi concretizado pelo Grupo Casais, enquanto entidade instituidora, com o objectivo de nela reflectir a vontade e os valores da família que, desde há três gerações, lidera e desenvolve um universo empresarial, hoje presente em mais de 15 países.
A Fundação tem por missão central a promoção da sustentabilidade, através da geração e partilha de novo conhecimento, do debate independente e do reconhecimento dos bons exemplos, contribuindo para uma sociedade melhor preparada para enfrentar os desafios ambientais, climáticos, sociais e humanos e económicos.

Qual o plano de acção para 2021 – 2023 e quais suas áreas prioritárias? E qual o montante do orçamento previsto?
No plano estratégico está previsto um conjunto alargado de actividades que se podem tipificar em seis categorias: o programa de estudos, os prémios, as bolsas de estudo, as conferências e seminários, os debates e a produção e divulgação de conteúdos, incluindo publicações. Estas actividades expressam-se no âmbito das três áreas críticas da sustentabilidade: a ambiental e climática; a social e humana; e a financeira e de governação. Considerando tratar-se do ano de arranque, ainda por cima em contexto de pandemia, foi constituído um fundo inicial de 300 mil euros.

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Enquanto instituição, como está organizada a Fundação e dá emprego a quantas pessoas?
A Fundação tem um Conselho de Administração constituído por cinco membros da segunda geração da família, que tem a responsabilidade estatutária de definir e aprovar a estratégia. O trabalho de liderança das operações está a cargo do Director Executivo. Nesta fase inicial estamos a contratar ao exterior os serviços necessários para a operação, tendo também a colaboração de alguns quadros do Grupo Casais.

As prioridades na agenda

Que actividades estão já programadas?
Este é um período muito particular, devido à pandemia, pelo que nos temos dedicado muito às questões da organização. Mesmo assim, arrancaram já dois projectos de estudo, um sobre a descarbonização das frotas de transporte urbano em Portugal e um segundo sobre a qualidade do ar exterior. Também fechámos um acordo com uma editora para a criação da colecção de ensaios sobre sustentabilidade e estamos a preparar o lançamento dos prémios de jornalismo para a sustentabilidade.

Organizaram já duas conferências, uma delas sobre financiamento de projectos, as PME podem encontrar na Fundação um interlocutor válido?
A conferência inaugural foi um sucesso e reflectiu bem o espírito da fundação. Numa mesa redonda, juntámos actores do sector social, das empresas e do ambiente, naquilo que foi um debate aberto e inspirador. Já em Setembro organizámos na Greenfest uma sessão sobre o financiamento de projectos de sustentabilidade, com a participação do Fundo Ambiental e dos EEA Grants. O nosso propósito é dar a conhecer estas possibilidades e não prestar serviços directos a empresas.

Sobre os dois estudos em curso: porquê começar por estas áreas? Noto uma proximidade à sua área de investigação, na Universidade do Minho.
O Protocolo com a Ordem dos Engenheiros visa uma colaboração mais próxima com esta importante entidade e materializa-se no projecto da rede experimental de sensores de avaliação da qualidade do ar exterior. Quanto ao estudo da descarbonização do transporte urbano, estamos a desenvolvê-lo com a participação do Instituto da Mobilidade e Transportes, com os operadores e com os fabricantes de veículos. Trata-se de oportunidades que surgiram em áreas críticas da sustentabilidade e o facto de eu ter sido investigador nestes domínios não é de todo limitador da nossa acção.

Lançada a instituição, formadas as primeiras parcerias e colaborações, o que se segue?
O ano de 2022 será o da afirmação da Fundação, na sua dimensão temática e nacional. Iremos percorrer o país com debates sobre sustentabilidade, continuaremos a desenvolver o plano de estudos e conferências, iniciaremos a publicação da colecção de ensaios e começaremos as obras da nossa sede, num imóvel que está já destinado para o efeito.

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