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Porto recebe primeira edição da conferência ‘Eco-Cidades’

Evento dedicado ao estudo e debate da sustentabilidade e eficiência das cidades dos dias de hoje e do futuro acontece na Alfândega do Porto, nos dias 9 e 10 de Dezembro

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A Alfândega do Porto recebe, nos dias 9 e 10 de Dezembro de 2021, a primeira edição da conferência Eco-Cidades. Um evento dedicado ao estudo e debate da sustentabilidade e eficiência das cidades dos dias de hoje e do futuro.

A arquitectura sustentável ou como muitos lhe chamam a arquitectura verde ou ecoarquitectura, é a forma de conceber um projecto amigo do ambiente, procurando optimizar os recursos naturais e sistemas de edificação que minimizem o impacto ambiental sobre o meio ambiente e seus habitantes.

Este ciclo de conferências de arquitectura sustentável e eficiente tem como objectivo “ampliar o debate sobre sustentabilidade para a vida das pessoas e o desenvolvimento das cidades”. Além disso, pretende “promover a procura de soluções e novas práticas sustentáveis e eficientes energicamente na concepção de projectos no século XXI, assim como reflectir sobre o papel dos projectos de arquitectura enquanto indutores de um processo de transformação social e ambiental, de forma a melhorar a qualidade de vida nas cidades”.

Ao longo dos dois dias da conferência passarão pelo palco da Eco-Cidades mais de uma dezena de especialistas para debater esta temática, entre os quais Mário Alves, Paula Teles, Maria Manuela Almeida, Vasco Freitas, Armando Silva Afonso, Ana Antunes, Aline Guerreiro, Ricardo Mateus, Patrícia Marchante, Helena Corvacho, Bento Adriano de Machado Aires e Aires, Ana Velosa, Sérgio Carmo, Nuno Valentim, entre outros.

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Álvaro Siza inaugura exposição sobre Piscina de Marés na FAUP

Exposição será inaugurada no dia 18 de Maio, pelas 18 horas, no Auditório Fernando Távora e conta com presença do Director da FAUP, João Pedro Xavier e curadores Teresa Cunha Ferreira e Luís Urbano. Mostra estará patente até 1 de Julho

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‘Nenhum Sítio é Deserto. Álvaro Siza: Piscina de Marés’, com curadoria de Teresa Cunha Ferreira e Luís Urbano, ilustra as múltiplas vidas de uma das mais emblemáticas obras da arquitectura do século XX, integrando um conjunto de elementos desenhados, fotográficos, audiovisuais, maquetas e objectos, muitos deles inéditos, que nos permitem reconstituir uma narrativa crítica do processo de projecto, construção e reabilitação do edifício ao longo das últimas seis décadas.

O título da exposição parte do célebre aforismo formulado pelo autor a propósito da multiplicidade de referências – naturais, topográficas, construídas, imateriais – que o arquitecto encontra no lugar e que servem de catalisador criativo do projecto. Com efeito, ao contrário do que se possa pensar, o complexo da Piscina de Leça da Palmeira, desenhado e construído entre 1960 e 2021, não foi concebido como um projecto único, mas sim resultado de consecutivas encomendas e revisões que foram ditando o crescimento paulatino do conjunto balnear, desde a edificação de um tanque de marés até à sua recente renovação e extensão para Norte.

Ao longo de três secções, a exposição apresenta no primeiro núcleo uma leitura temporal do processo de projecto e construção (1960-1995), através de uma cronologia fotográfica, peças desenhadas e escritas, publicações, maquetas e filmes, sendo, por exemplo, reveladas as várias preexistências do local anteriores à construção da Piscina de Marés: a ‘piscina natural’ ou a ‘poça’, onde Siza ia a banhos na infância; o ‘tanque de lagostas’; ou a ‘meia laranja’, um alargamento do passeio da marginal sobre a praia. A segunda secção é dedicada à recente intervenção (2018-2021), testemunhada através de fotografias de Inês d’Orey, exibidas em paralelo com fotografias de obra, objectos resgatados do estaleiro, um documentário e maquetas que documentam a evolução do edifício. A terceira secção reúne imagens, captadas entre 1979 e 2022, de fotógrafos como Brigitte Fleck, Giovanni Chiaramonte, Roberto Collovà, Mimmo Jodice, Luís Ferreira Alves, Fernando Guerra, João Morgado, Niccolò Galeazzi, Marta Ferreira e Inês d’Orey.

A Piscina de Marés, classificada como Monumento Nacional em 2011 e incluída no “Conjunto de Obras Arquitectónicas de Álvaro Siza” inscritas na Lista Indicativa do Património Mundial (2017), destaca-se neste âmbito pelos seus excepcionais valores culturais e paisagísticos, e por ser uma referência internacional da arquitectura moderna ainda em pleno uso pelas comunidades locais.

“Nenhum sítio é deserto. Álvaro Siza: Piscina de Marés (1960-2021)” propõe, assim, um olhar renovado sobre esta obra de referência no contexto da arquitectura mundial, abrindo novas perspectivas interpretativas e, simultaneamente, inspirando o ensino e a prática da arquitectura para as gerações futuras.

A exposição é acompanhada pela edição de um catálogo que propõe uma viagem temporal sobre a obra, sem prejuízo de alguns desvios para maior clarificação das fases projectuais. Porém, os diferentes suportes documentais (desenhos, fotografias, peças escritas) aparecem aqui combinados em sequência cronológica, permitindo um olhar mais filológico sobre as diferentes estratigrafias do conjunto edificado. Apresentam-se, então, diferentes possibilidades de leitura da obra, abertas a múltiplas perspectivas de análise e interpretação.

A exposição enquadra-se no projecto da FAUP financiado através da iniciativa ‘Keeping It Modern’ da Fundação Getty, e integrado na Cátedra UNESCO “Património, Cidades e Paisagens. Gestão Sustentável, Conservação, Planeamento e Projeto”, atribuída à Universidade do Porto através da FAUP.

A iniciativa integra o programa de celebração dos 40 anos da FAUP (1979-2019).

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Prémio Nacional da Reabilitação Urbana distingue projectos em cinco cidades [c/ galeria de imagens]

As cidades de Lisboa, Porto, Guimarães, Viseu e Ponta Delgada acolhem os melhores projectos de reabilitação urbana do país em 2022, recebendo as intervenções vencedoras da edição deste ano do Prémio Nacional de Reabilitação Urbana

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As cidades de Lisboa, Porto, Guimarães, Viseu e Ponta Delgada acolhem os melhores projectos de reabilitação urbana do país em 2022, recebendo as intervenções vencedoras da edição deste ano do Prémio Nacional de Reabilitação Urbana.

Foram distinguidos nove projectos em 10 categorias distintas, eleitas por um júri independente de entre um leque de 74 projectos oriundos de 25 concelhos do país, naquele que é um recorde em termos de dispersão geográfica dos candidatos.

A cidade do Porto recebe o maior número de projectos vencedores, incluindo a melhor reabilitação de comércio & serviços, a melhor reabilitação para turismo, a melhor reabilitação estrutural (ex aequo com Lisboa) e a melhor reabilitação em termos de sustentabilidade. Para Lisboa vão os prémios de reabilitação nas categorias de habitação e reabilitação estrutural, enquanto Guimarães vê reconhecida a reabilitação com impacto social, Viseu vence na categoria de restauro e Ponta Delgada na categoria melhor reabilitação com área inferior a 1.000 m2. A estas categorias acrescem ainda as distinções para o melhor projecto no contexto da cidade de Lisboa e o melhor no contexto do Porto, que este ano coincidem com os dois projectos vencedores ex aequo da melhor reabilitação estrutural.

Vencedores Prémio Nacional de Reabilitação Urbana 2022:

Prémio nacional de reabilitação urbana 2022 – residencial
Rua Ivens 18-28 (Lisboa)

Prémio nacional de reabilitação urbana 2022 – comercial & serviços
Palácio dos Correios (Porto)

Prémio nacional de reabilitação urbana 2022 – turístico
Hotel M.Ou.Co. (Porto)

Prémio nacional de reabilitação urbana 2022 – impacto social

Edifício Teatro Jordão e Garagem Avenida (Guimarães)

Prémio nacional de reabilitação urbana 2022 – cidade de Lisboa
The Editory Riverside Santa Apolónia Hotel (Lisboa) (na imagem)

Prémio nacional de reabilitação urbana 2022 – cidade do Porto
Hotel Eurostars Aliados (Porto)

Prémio nacional de reabilitação urbana 2022 – intervenção inferior a 1000 m2
Casa na Mãe de Deus (Ponta Delgada)

Prémio nacional de reabilitação urbana 2022 – intervenção de restauro
Edifício Municipal Casa da Calçada (Viseu)

Prémio nacional de reabilitação urbana 2022 – reabilitação estrutural (ex-aequo)
The Editory Riverside Santa Apolónia Hotel (Lisboa)
Hotel Eurostars Aliados (Porto)

Prémio nacional de reabilitação urbana 2022 – sustentabilidade

Edifício Litografia Lusitana

O Prémio Nacional de Reabilitação Urbana celebra este ano a sua 10ª edição. Ao longo destes dez anos quase 700 intervenções de reabilitação urbana situados em todo o país concorreram ao Prémio Nacional de Reabilitação Urbana, tendo sido distinguidos 89 projectos em 19 concelhos do país.

Os vencedores foram eleitos por um júri composto por cinco personalidades de reconhecido mérito académico e profissional, designadamente: o professor Raimundo Mendes da Silva, doutorado em engenharia civil e coordenador da equipa do projecto de investigação aplicada «Reabilitar como Regra»; o economista e professor, João Duque; o arquitecto e antigo Presidente da Ordem dos Arquitectos (triénio 2017-2019), José Manuel Pedreirinho; o arquitecto e Director-geral da DGPC, João Carlos Santos; e o engenheiro e Presidente da AICCOPN e CPCI, Manuel Reis Campos. Destacar a colaboração da Adene – Agência para a Energia responsável pela avaliação e pré-selecção dos candidatos elegíveis na categoria de Sustentabilidade.

A concurso estiveram dez categorias, sendo elegíveis projectos concluídos entre 1 de Janeiro de 2020 e 31 de Dezembro de 2021, desde que não tenham sido candidatos em edições anteriores do Prémio. As categorias a concurso incluem: 1) Cidade de Lisboa; 2) Cidade do Porto; 3) Impacto Social; 4) Residencial; 5) Turismo; 6) Comércio & Serviços; 7) Reabilitação Estrutural; 8) Restauro; 9) Intervenção inferior a 1.000 m2; 10) Sustentabilidade.

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Open House 2022: “O interior dos edifícios é, muito mais do que o exterior, um campo de exploração arquitectónica”

Apartamentos, edifícios, palácios, palacetes, escritórios, hotéis, restaurantes, num total de 70, entre Lisboa e Almada, são algumas das muitas possibilidades que podem ser visitadas na Open House de 2022. A partir da pergunta: Se retirássemos as fachadas, que cidade ficaria à vista?, a “A Rebeldia do Invisível”, procura explorar o que está no interior, o que não se vê

Cidália Lopes

A dupla de arquitectos do atelier Aurora são os curadores convidados da 11ª Open House. Ao Construir, Sérgio Antunes revela-nos de que forma esta edição nos pode mostrar o que está além das fachadas dos edifícios, “a dissociação entre o interior e o exterior, a identidade invisível das cidades e que só está acessível a alguns e que esconde, na sua maioria das vezes, novas formas de habitar a cidade”.

Como é que surgiu o convite para serem os curadores da edição de 2022 da Open House?

O convite foi feito pela Trienal e normalmente a escolha recai em gabinetes de arquitectos com um plano mais teórico. Mas, pela segunda vez, (julgo que com as irmãs Almada Negreiros foi a primeira) voltaram a apostar em alguém que vem da prática e como nós temos tido alguma atenção na nossa prática profissional no que diz respeito às questões relacionadas com o património, à identidade da cidade e as cidades de uma forma geral, talvez isso tenha pesado na decisão da Trienal. Mas confesso que nunca explorei muito porque é que isso aconteceu, mas imagino que tenha sido algo deste género.

Mais uma vez o público é convidado a conhecer a arquitectura, mas também as ruas e a sua envolvência. Qual o tema que definiram para esta edição?

O texto que nós produzimos como sinopse acho que é revelador do próprio tema, “A Rebeldia do Invisível”, no sentido daquilo que está no interior, do que não se vê. Em todo em caso e, explicando um pouco a ideia, é que há de facto nas cidades todas, e em Lisboa também, características que são próprias da cidade, que fazem com que, quando vemos uma fotografia desta cidade, nós a reconheçamos pelas características dos edifícios, dos materiais e da luz. Portanto, a nós interessava-nos explorar esta ideia de que existe uma arquitectura que é mais ou menos anónima, que é mais ou menos não excepcional, portanto contínua, quase se quisermos, igualitária e que, depois, a pouco e pouco, por dentro, no interior destes edifícios, tem-se alterado. O interior dos edifícios é, muito mais do que o exterior, um campo de exploração arquitectónica. Há uma maior liberdade no interior porque é menos controlado e por isso mesmo o interior tem sido fonte de exploração arquitectónica muito mais do que o exterior. E a nós interessa-nos esta dissociação entre interior e exterior e pouco e pouco os edifícios são cada vez mais diferentes por dentro do que são por fora e interessa-nos explorar, nessas visitas que fazemos, estes edifícios.

É também por isso que lançam, na própria sinopse da página oficial da Open House 2022, a questão “Se retirássemos as fachadas, que Lisboa ficaria à vista?”

Exacto. Provavelmente os nossos interiores já não correspondem, nem sociologicamente, nem arquitectonicamente, à imagem que temos do exterior. É frequente, hoje em dia, existirem casas em prédios de rendimento com uma única fracção por piso, onde cada pessoa tinha o seu apartamento. Sociologicamente há mudanças que depois do exterior são invisíveis. E, portanto, a pergunta que queremos fazer é: Que identidade de Lisboa é essa agora que está por trás das fachadas?

No fundo a identidade dessa Lisboa tem muito a ver com todas as mudanças sociologias e turísticas que a cidade tem vindo a sofrer?

Claro, e também com um esvaziamento dos bairros tradicionais, porque as pessoas formam família e muitas vezes não tem capacidade económica para se manterem nos bairros e isso a pouco e pouco esvazia as cidades das suas soluções tradicionais. E depois, os novos habitantes, quem vem, transforma o interior das habitações muitas vezes, mas não é autorizado a fazê-lo no exterior, porque não pode fazê-lo e, portanto, o exterior não é um espelho desses novos habitantes. Há uma dissociação entre o interior e o exterior.

Não se consegue olhar para o exterior e perceber o que está no interior….

Exacto, há uma dissociação entre estes dois aspectos. Por outro lado, percebemos também que esta dissociação acontece não só em edifícios mais contemporâneos, fruto dessas mudanças sociológicas, também em edifícios mais antigos, por exemplo. Alguns dos edifícios escolhidos para a Open House reforçam exactamente esta ideia. Edifícios, que nos séculos XVII ou XVIII, estavam integrados na cidade, em que não havia nada de reconhecível no exterior e que eram iguais aos edifícios que estavam ao lado e que depois por dentro eram palacetes e edifícios extraordinários e, portanto, construídos assim de raiz. Não foi só a transformação ao longo do tempo que fez essa dissociação entre o exterior e o interior, mas é que verificamos que há edifícios que sempre o foram.

Haveria nessas situações então alguma intenção?

Havia claramente. Um dos edifícios que faz parte da Open House este ano é o do Manteigueiro, que é um palacete no Chiado, onde hoje funciona o Ministério da Economia, que do exterior não difere em nada de um prédio de rendimento, mas depois quando se entra é que se nota a diferença logo a começar pela escadaria fantástica. Em si mesmo já construído para ser continuo e discreto, mas depois quem entra tem essa explosão e é interessante termos essa perspectiva também.

Pelo segundo ano, a Open House atravessa o Tejo e divide os seus percursos com a cidade de Almada. Que semelhanças e diferenças podemos esperar em relação à edição do ano passado?

Não há propriamente diferenças entre Lisboa e Almada no que diz respeito a este lado conceptual, essa diferença entre o interior e o exterior, aliás as tipologias construtivas repetem-se de um lado e doutro. Portanto, se víssemos uma fotografia de Almada iriamos confundi-la com uma Lisboa neste sentido conceptual e, em muitas coisas, é uma cidade só. Como é evidente há menos disponibilidade de edifícios em Almada do em que em Lisboa, por ser uma cidade com muito maior diversidade, ainda assim, nós repetimos alguns edifícios que já tinham estado na edição anterior e acrescentamos outros que são muito particulares, alguns palacetes e algumas quintas que vão ser possíveis ver este ano.

Além do Tejo, que une ambas as cidades, qual o fio condutor que une as edições?

Prende-se com aquilo que dizia: com o facto de procuramos uma Lisboa e uma Almada onde não existem grandes diferenças, onde as tipologias habitacionais são basicamente as mesmas e que, à semelhança de Lisboa, também sofreu com a saída da população do centro e uma alteração dos usos dos edifícios.

Tal como qualquer centro histórico, Almada acaba por ter que manter as suas fachadas e isso acaba até por ser transversal a todas as cidades de certa forma…

O que eventualmente existirá em Lisboa de forma mais acentuada e de forma muito particular é de facto esta obrigação de continuidade, que tem sido sempre defendida pelas políticas publicas, de preservação das fachadas e com isso uma certa preservação da imagem da cidade e isso tem sido de facto muito de forte em Lisboa e essa diferença entre o interior e o exterior é mais marcante por causa disso. Ou seja, Lisboa acaba por transmitir uma imagem que de facto já não existe…

Em termos programáticos, é possível avançar qual o roteiro ou os percursos previstos para este ano?

São por volta de 70 edifícios ou fracções de edifícios, no conjunto entre Lisboa e Almada. À semelhança dos anos anteriores existem edifícios que são de visita livre e outros que necessitam de marcação para poderem ser visitados. Vamos manter o percurso sonoro e para este ano foram convidados quatro especialistas, que não pertencem necessariamente ao mundo da arquitectura, que vão fazer roteiros e visitas guiadas na rua, são também artistas plásticos, jornalistas. Não é só uma Lisboa de arquitectos.

No fundo, a programação será muito idêntica ao modelo pré-pandemia, altura em que excepcionalmente o programa teve que ser muito mais fechado e circunscrito.

Sofia Couto e Sérgio Antunes, Aurora Arquitectos
@Elia Diez

BIO

Fundado em 2010 por Sofia Couto e Sérgio Antunes, o atelier Aurora Arquitectos foi a consequência natural de um trabalho desenvolvido em conjunto nos anos anteriores. O percurso começou durante o período académico, tendo-se fortalecido com a experiência profissional com o colectivo Kaputt!

Actualmente com uma equipa ampliada a outros elementos, o atelier tem como objecto de trabalho projectos das mais variadas escalas, de pequenas casas a edifícios de habitação, bem como equipamentos culturais. Recentemente, a área mais desenvolvida é a reabilitação urbana, que representa um foco de especialização e investigação para o atelier.

Na sua abordagem é particularmente importante a reacção ao local que se encontra, daquilo que faz parte da existência desse espaço e de outros elementos da construção (por vezes, com centenas de anos). O desafio é, por isso, interpretar, esmiuçar, copiar, distorcer e até ironizar essas matérias-primas, para que sejam devolvidas ao local de uma forma nova e inesperada.

Cada caso é acompanhado de uma forma atenta e personalizada, procurando-se assim uma solução distinta, que torna cada projecto uma experiência singular. Perante os condicionalismos encontrados (legais, orçamentais, programáticos ou de constrangimentos de obra), os esforços vão no sentido de vencer os momentos chave do projecto, momentos esses que culminam no espaço construído, dando sentido a tudo o resto.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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Open House Lisboa 2022 põe à vista a Rebeldia do Invisível

No fim-de-semana de 14 e 15 de Maio, o evento que anualmente promove o livre acesso à arquitectura, volta a abrir portas de espaços públicos e privados, entre Lisboa e Almada

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Em 2022, o Open House Lisboa regressa mais cedo do que o habitual. No fim-de-semana de 14 e 15 de Maio, o evento que anualmente promove o livre acesso à arquitectura da cidade, volta a abrir portas de espaços públicos e privados, contemporâneos ou históricos, através de visitas guiadas, percursos urbanos desvendados por especialistas e um passeio sonoro para se fazer em qualquer altura.

Na sua 11.ª edição, o Open House Lisboa apresenta 69 espaços em Lisboa e Almada, 40 dos quais em estreia absoluta. Comissariado pelos Aurora Arquitectos, tem como tema A Rebeldia do Invisível.

A proposta do atelier fundado por Sofia Couto e Sérgio Antunes passa por pensar a dualidade entre a intervenção interior e exterior. Numa cidade em permanente transformação, cada novo projecto contribui para um património colectivo. Os exteriores, mais limitados pelas normas urbanísticas que procuram preservar essa identidade colectiva, contrastam com espaços surpreendentes nos interiores, cuja transformação invisível no domínio do privado mostra novas formas de habitar.

Sofia Couto e Sérgio Antunes (Atelier Aurora)

Nesta 11.ª edição coube ao artista Daniel Blaufuks presentear-nos com o Passeio Sonoro de tom intimista Do Cais do Sodré ao Rossio, que nos acompanha por uma Lisboa feita arquivo de recordações cristalizadas com nitidez fotográfica. Este passeio –  tal como os passeios sonoros das edições anteriores – estão disponíveis no SoundCloud e no Spotify do Open House Lisboa.

Destaque para as Visitas Acessíveis e actividades Júnior que este ano oferecem um conjunto de visitas sensoriais para pessoas cegas e com baixa visão, com deficiência cognitiva, crianças dos 6 aos 12 anos e famílias. O programa inclui uma visita em Língua Gestual Portuguesa à sede da Trienal de Arquitectura de Lisboa, o Palácio Sinel de Cordes.

O Open House Lisboa propõe ainda cinco Percursos Urbanos acompanhados em Lisboa por Flávio Lopes, Joana Stichini Vilela, Lucinda Correia e Vítor Belanciano e em Almada por Paula Melâneo.

As colecções são roteiros temáticos com a sugestão de espaços com visitas livres ou para explorar bairros, de modo a simplificar a experiência neste evento e o programa Plus, que complementa e valoriza as visitas com performances, concertos, ensaios e exposições.

O Open House Lisboa é co-produzido pela Trienal de Lisboa e a EGEAC e conta uma vez mais com as parcerias estratégicas da Câmara Municipal de Lisboa e da Câmara Municipal de Almada

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Cidade BI4ALL integra roteiro do Open House Lisboa 2022

A Cidade BI4ALL será um dos 70 espaços a serem visitados no roteiro denominado “A Rebeldia do Invisível”, que pretende mostrar espaços de arquitectura exemplar da cidade de Lisboa, habitualmente escondidos do olhar do público

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A Cidade BI4ALL, a nova sede da empresa líder em serviços de Data Analytics e Inteligência Artificial, inaugurada em 2021, foi um dos espaços seleccionados para integrar o roteiro da 11ª edição da iniciativa “Open House Lisboa 2022”, uma coprodução Trienal de Arquitectura de Lisboa e EGEAC, que irá decorrer no fim-de-semana de 14 e 15 de Maio.

A Cidade BI4ALL será um dos 70 espaços a serem visitados no roteiro denominado “A Rebeldia do Invisível”, que pretende mostrar espaços de arquitectura exemplar da cidade de Lisboa, habitualmente escondidos do olhar do público e cuja transformação invisível no domínio privado mostra novas formas de habitar, contrastando com os exteriores que procuram preservar uma identidade colectiva.

A nova sede da tecnológica portuguesa foi um dos edifícios escolhidos, por ser um espaço de trabalho inovador, cosmopolita e vanguardista, que responde às expectativas dos clientes actuais e futuros e oferece um conjunto de benefícios associados ao bem-estar aos mais de 300 colaboradores que trabalham diariamente para entregar um serviço de excelência.

“É com grande orgulho que vemos a nossa Cidade ser reconhecida por esta iniciativa de prestígio internacional, que pretende celebrar a boa arquitectura. A Cidade BI4ALL foi idealizada para ser um espaço disruptivo, criativo, internacional e cosmopolita, sempre com a preocupação de manter o conceito industrial original. A importância da arte, nomeadamente a arquitectura, é algo que está muito presente nesta nossa nova casa, e em que queremos continuar a apostar no futuro”, refere José Oliveira, CEO da BI4ALL.

Situada na Avenida Marechal Gomes da Costa, em Lisboa, a Cidade BI4ALL foi inaugurada no Verão de 2021, e é resultado de um investimento que ronda os oito milhões de euros. O projecto de arquitectura e decoração do edifício esteve a cargo do atelier Pedra Líquida Arquitectura e Engenharia, que manteve o conceito industrial na renovação do edifício, elevando a experiência com elementos arquitectónicos únicos e uma decoração vintage.

Composta por dois edifícios que perfazem uma dimensão de 7 mil metros quadrados, a Cidade BI4ALL tem capacidade para mais de 500 postos de trabalho, inclui várias áreas de trabalho colaborativas, auditório, ginásio, zona de restauração onde está integrado um campo de padel, quartos para clientes e colaboradores, terraço e outras zonas de lazer e bem-estar.

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Cooperativas ou como a arquitectura pode ser uma ferramenta “para intervir de maneira crítica em ambientes locais”

Serão as cooperativas de habitação uma solução para a escassez da habitação em Portugal? A pergunta foi o ponto de partida para mais uma conferência realizada no âmbito do ciclo Campo Comum, da Trienal de Arquitectura de Lisboa

Cidália Lopes

Através de exemplos de peso que nos chegam da Catalunha e de Zurique, fomos saber de forma é que o modelo cooperativas de habitação, seja através de um sistema multiforme ou directo, pode dar resposta às problemáticas económicas, urbanísticas, sociais e políticas que têm vindo a deteriorar as condições habitacionais das populações residentes em contexto urbano, nomeadamente nos grandes centros urbanos como Lisboa e Porto onde a especulação imobiliária exerce uma pressão tão grande que não permite que outros sistemas de habitação possam desenvolver-se.

A pergunta “Serão as cooperativas de habitação uma solução para a escassez da habitação em Portugal?” foi o ponto de partida para mais uma conferência realizada no âmbito do ciclo Campo Comum, da Trienal de Arquitectura de Lisboa, com curadoria de Diana Menino e Felipe de Ferrari e que teve lugar no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém.

O desenvolvimento destes modelos de habitação extrapola, também, em muito o conceito de arquitectura. Há aqui uma intervenção social e económica, até porque o trabalho destes projectos não se esgota na sua conclusão fisica, mas continua diariamente atráves da comunidade que nela reside.

“Usar a arquitectura como ferramenta para para intervir de maneira crítica em ambientes locais” é desta forma que Cristina Gamboa vê o seu é o trabalho, cujo resultado será sempre a “transformação social”. Mas não só. O trabalho com a comunidade, no sentido de alcançar “uma transição para a sustentabilidade da maneira mais ampla possível: política, social, económica e ambiental”.

A problemática com a habitação e a especulação imobiliária é também, desde há vários anos, a principal preocupação de Andreas Hofer, promotor de projectos cooperativos como o Kraftwerk1, que reúne já 700 moradores e 232 apartamentos. e o mehr als wohnen (mais do que habitar), ambos em Zurique.

Cooperativas é a segunda conferência do terceiro e último ano do ciclo Campo Comum (2020-2022), que arrancou no passado mês de Março com uma primeira sessão sobre Espaço Colectivo e com a presença em Portugal de Markus Bader, do atelier Raumlaborberlin, Leão de Ouro da 17.ª Bienal de Arquitectura de Veneza, e de Alain Trévelo, co-fundador do atelier parisiense TVK. Campo Comum convoca figuras internacionais em sessões duplas, para olhar para a arquitectura como imperativo de mudança. O ciclo encerra com a conferência Coexistência, a 25 de Maio.

BIO

Cristina Gamboa é arquitecta e professora. Estudou na ETSAB e na Universidade de Estugarda. É co-fundadora da Lacol, uma cooperativa de 14 arquitectos, estabelecida em 2014 em Barcelona, que se foca na investigação de abordagens participativas para o design e no desenvolvimento de habitações cooperativas e políticas habitacionais, testadas em projectos em curso. Actualmente lecciona na AA (MPhil em Arquitectura e Design Urbano – Cidades Projectivas) e na ETSAB. O trabalho colectivo da cooperativa tem sido reconhecido e exibido local e internacionalmente, incluindo o Prémio de Arquitectura da Cidade de Barcelona em 2018, o Prémio do Grupo Zumtobel atribuído à cooperativa ‘La Borda’ em 2021, o Prémio Moira Gemmil em 2021 (prémio feminino atribuído pela The Architectural Review), estando ainda indicada para o Prémio EUMies de 2022.

Andreas Hofer estudou Arquitectura no Instituto Suíço para a Tecnologia em Zurique. Em 2018, foi eleito director da Exposição Internacional de Construção em Estugarda (IBA 27). Em Zurique, foi sócio do atelier de planeamento e arquitectura Archipel. Trabalhou principalmente como consultor e promotor de projectos de habitação cooperativos inovadores como o Kraftwerk1 e o mehr als wohnen (mais do que habitar), escreve regularmente sobre desenvolvimento urbano e problemas de habitação, é membro em júris de competições de arquitectura e lecciona em várias universidades.

Sobre o autorCidália Lopes

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A+A apresenta caderno de arquitectura de Carrilho da Graça

Editado pela TC Cuadernos, o livro contém as principais obras realizadas pelo arquitecto desde 1995 até à actualidade. O lançamento é esta quinta-feira, na sede da Ordem dos Arquitectos

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Reconhecido essencialmente pela “dimensão territorial, radical e ainda artística da sua obra”, João Luís Carrilho da Graça, define a sua arquitetura como “possibilidade artística que tem sempre como referência a construção”. É esta perspectiva que a A+A Books dá a conhecer através das 446 páginas da mais recente edição da TC Cuadernos e que pretende observar este aspecto menos estudado da sua obra. Esta edição, que percorre as suas principais obras realizadas desde 1995 até à actualidade, ao longo de uma selecção de 18 obras, situadas maioritariamente em Portugal, é apresentada dia 5 de Maio, pelas 18h30, no auditório da Ordem dos Arquitectos, em Lisboa.

Ao longo das suas páginas descobrimos as diferentes sensibilidades que integram a ampla trajectória de Carrilho da Graça. A sua sensibilidade estrutural, com a defesa de propostas arriscadas, e também a sua sensibilidade em relação ao património nas suas diferentes intervenções. Destacamos também a sua defesa da autonomia do arquitecto, a incorporação ou criação de materiais que vão para além das soluções disponíveis no mercado, e assim responder à problemática de cada projecto.

Carrilho da Graça, arquitecto desde 1977, vive e trabalha em Lisboa. À sua obra foram atribuídos diversos prémios e distinções, nomeadamente o Prémio da Associação Internacional dos Críticos de Arte (1992); Prémio Secil de Arquitectura (1994); Prémio Valmor (1998, 2008, 2010, 2017, Menção em 1993, 2007, 2013); Prémio FAD Ibérico (1999); Ordem de Mérito da República Portuguesa (1999); Prémio Bienal Internacional da Luz – Luzboa (2004); Prémio Pessoa (2008); Prémio Piranesi – Prix de Rome (2010); Ordre des Arts et des Lettres – República Francesa (2010); Medalha da “Académie d’Architecture”, Paris (2012); Prémio Internacional de Arquitectura Sacra Frate- Sole (2012); Prémio Bienal Ibero Americana de Arquitectura e Urbanismo (2012); International Fellowship do Royal Institute of British Architects (2015); Membro Honorário da Ordem dos Arquitectos (2015); Prémio Bienal Internacional de Arquitectura de Buenos Aires (2018); Prémio Leon Battista Alberti do Politecnico di Milano, Mantova (2018); Prémio arpaFil, Guadalajara, México (2018); Ordem da Instrução Pública da República Portuguesa (2019). Nomeado e/ou finalista para o prémio de arquitectura Mies Van der Rohe em diversas edições. Participou na representação oficial de Portugal à 12a, 13a e 16a Bienal de Arquitectura de Veneza e na exposição central da 15a Bienal. Professor na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa entre 1977 e 1992 e, posteriormente, entre 2014 e 2019; Universidade Autónoma de Lisboa entre 2001 e 2010; Universidade de Navarra entre 2005 e 2015; Cornell University, New York, em 2015; Haute École du Paysage, d’Ingénierie et d’Architecture de Genève, em 2019. CátedraUnesco Leon Battista Alberti do Campus de Mantova do Politecnico di Milano de 2017 a 2019, e actualmente da Accademia di Architettura da Università della Svizzera Italiana,em Mendrisio. Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa.

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Braga recebe congresso sobre digitalização da indústria da construção

“Até aqui fazíamos desenhos para construir casas, pontes e outros edifícios, mas a tendência internacional é fazê-lo através de modelos, navegáveis por realidade virtual, onde se vê muito além das paredes, como as redes hidráulicas e até as propriedades dos materiais

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Braga recebe, entre 4 e 6 de Maio, o 4º Congresso Português de Building Information Modelling (ptBIM), iniciativa promovida pelas Escolas de Engenharia e de Arquitectura, Arte e Design da Universidade do Minho, com o apoio das universidades do Porto e de Lisboa. A meta é debater, divulgar e adequar directrizes sobre construção virtual, em especial nos países lusófonos, que vão estar bem representados no evento que se realiza no Espaço Vita.

A sessão de abertura realiza-se no dia 4, às 9h, com intervenções previstas do reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro, do vereador do Urbanismo de Braga, João Rodrigues, dos directores da Região Norte da Ordens dos Arquitectos e dos Engenheiros, respectivamente Conceição Melo e Bento Aires, e do coordenador do congresso, Miguel Azenha.

O programa inclui sessões plenárias e paralelas, seminários, reuniões e um prémio a melhor tese de mestrado na área, entre outros. Os oradores principais são o norte-americano Patrick MacLeamy (BuildingSMART International), a canadiana Susan Keenliside (House of Commons), o francês Christophe Castaign (European Federation of Consulting Associations), o esloveno Veljko Janjic (Bexel Consulting) e o português Décio Ferreira (Foster+Partners). As inscrições estão abertas em www.ptbim.org. Neste site também se pode ver, por curiosidade, a representação 3D ou BIM dos espaços do congresso.

“Até aqui fazíamos desenhos para construir casas, pontes e outros edifícios, mas a tendência internacional é fazê-lo através de modelos, navegáveis por realidade virtual, onde se vê muito além das paredes, como as redes hidráulicas e até as propriedades dos materiais. Esses benefícios vão reduzir muitas despesas de mau planeamento, aproximar os vários envolvidos na obra e permitir edifícios mais sustentáveis na certificação energética, no conforto e na segurança”, resume o professor Miguel Azenha, que está ligado ao Departamento de Engenharia Civil da UMinho e ao centro de investigação ISISE.

“O método BIM é colaborativo, baseado num modelo digital que integra a informação de formas que eram impensáveis até há alguns anos e a sua utilidade na arquitectura/construção exprime-se de muitas maneiras”, frisa. No entanto, acrescenta, “há desafios importantes para os profissionais, pois exige novos modos de trabalhar e colaborar, obrigando a um processo de aprendizagem; e há também um conjunto de novas normas, como a ISO19650, às quais o tecido empresarial do sector se está a adaptar”.

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AGEAS Portugal: Mais do que escritório, uma comunidade de trabalho

Com a sua fachada em diferentes volumes e que permite um constante jogo de sombras, ao qual dificilmente se consegue ficar indiferente, fruto do desenho de Capinha Lopes, o edifício AGEAS marca a paisagem urbana do Parque das Nações

Cidália Lopes

O novo edifício-sede do Grupo AGEAS Portugal, no Parque das Nações, já se encontra a funcionar. A nova sede não será apenas um escritório ou um espaço físico de trabalho, mas sim uma comunidade de trabalho, um espaço onde se pode estar, alimentar novas ideias e construir o futuro da empresa. O edifício distingue-se, também, pela inovação tecnológica, preocupação ambiental, eficiência e flexibilidade privilegiando a qualidade de acabamentos, conforto e bem-estar dos colaboradores para quem a seguradora pretende criar condições de trabalho alicerçadas na partilha e comunidade.

Com um total de 17.400 m2 e distribuído por 12 pisos, com um rooftop com vista para o rio Tejo, uma horta solidária, uma brand room, uma área de espólio de material histórico da Axa e do Grupo AGEAS Portugal e ainda um posto de abastecimento para carros eléctricos.
De referir, que os pisos 3 e 4 não serão ocupados pelos serviços da AGEAS, através do arrendamento a outras empresas, não sendo conhecidas quais até ao momento.

Com projecto de arquitectura de Eduardo Capinha Lopes, o edifício permite “um jogo constante de sombras”. No interior, o fit-out dos escritórios coube à Broadway Malyan, que preparou o edifício de acordo com as novas premissas do trabalho híbrido.

Visão de cidade e de futuro
Partindo da premissa dos promotores para que o edifício AGEAS fosse um “objecto marcante, elegante, sustentável e ambicioso” e que transmitisse uma visão muito própria de cidade e de futuro. “Fruto de opções pessoais, julgo, quiçá erradamente, ter conseguido, parcialmente, o objectivo”, afirma Capinha Lopes, o que de certa forma terá resultado num volume “egoísta”, pelas opções de desenho tomadas.

Não obstante, a sua localização “excepcional” possibilita a sua integração, “assumindo toda essa responsabilidade”, bem como “uma descoberta constante, através de múltiplos e ocasionais olhares”. Por outro lado, “a sua fachada, através dos seus volumes, permite um jogo constante de sombras, em constante mutação”.

Se o trabalho conceptual do edifício foi desenvolvido muito antes de sequer ouvirmos falar em Covid-19, já o mesmo não se pode dizer da sua construção, cuja parte considerável decorreu nos períodos mais complicados da pandemia. Ainda assim, todo o edifício foi concebido segundo o princípio de que os funcionários devem poder trabalhar em qualquer lugar e de que nenhum espaço tem uma única função e poucos são os que devem ser fixos e rígidos.

Para Capinha Lopes, houve aqui necessidade de “cumprir um programa”, ainda que pessoalmente, esta não seja, ainda, uma realidade que se reflicta nos seus projectos e que “demorará algum tempo a “assimilar” e a correctamente concluir sobre a total abrangência dessas novas necessidades, por exemplos, espaciais ou mecânicas”.

Espaços de trabalho colaborativos
Embora ainda profundamente enraizado na prática, o local de trabalho também se está a tornar um lugar que responde não apenas às necessidades dos seus utilizadores, mas também aos seus valores e aspirações. Ocupando vários edifícios em Lisboa, a seguradora belga Ageas consolidou as suas operações num novo edifício sede e contratou a Broadway Malyan para criar um espaço que respondesse às tendências de trabalho actuais e futuras, ao mesmo tempo que reflectisse a forte cultura e propósito da empresa. Este foi um conceito que a AGEAS já havia antecipado antes do surgimento do Covid-19 e que já vinha a implementar internamente desde 2018 para que quando o edifício estivesse concluído fosse possível incorporar na filosofia da empresa este conceito de trabalho híbrido.

Subjacente à abordagem de design para o novo edifício da sede da Ageas está o princípio de que os funcionários devem poder trabalhar em qualquer lugar. Nenhum espaço tem uma única função e poucos são os espaços que devem ser fixos e rígidos. Pelo contrário. A fluidez das práticas e expectativas de trabalho em evolução é totalmente incorporada nos layouts e na atmosfera.
O lobby principal evoluiu além do tradicional espaço de boas-vindas para colegas e visitantes para se tornar algo mais experiencial, desafiando sua função preconcebida e proporcionando aos utilizadores uma gama de experiências.
O design contemporâneo, luminárias e móveis como poltronas, mesas baixas e sofás transmitem uma atmosfera diferente e onde é possível ficar e trabalhar com uma informalidade mais próxima de um hotel. Essa informalidade e o reconhecimento de que momentos importantes de trabalho podem acontecer em qualquer lugar de um espaço de trabalho significam que questões como a acústica e manter um ambiente confortável são essenciais e essa foi uma abordagem manifestada em todo o projecto.

A outra área comum principal é um restaurante com cafetaria e zona de buffet no 2º piso que liga a uma esplanada exterior de 470m2. O restaurante tem uma variedade de áreas de estar diferentes, desde mesas quadradas e redondas tradicionais até mesas altas, áreas de sofá e uma grande mesa comum que funciona como um ponto central do espaço.

Essas áreas são demarcadas por diferentes elementos de tecto e luminárias, criando uma gama de experiências para os usuários. Essa importante sensação de familiaridade e a autenticidade acentua-se neste espaço e em todo o edifício pela sua materialidade natural e orgulhosamente portuguesa. Isso inclui azulejos tradicionais portugueses, cortiça e burel, o tecido tradicional português usado pelos pastores para suas capas.

Na maioria das áreas do edifício existe uma solução moderna de tecto aberto com M&E exposta que é visualmente estimulante e facilita o acesso para manutenção. Os tectos são tratados acusticamente juntamente com materiais absorventes de som, como carpetes e acabamentos de parede para criar espaços que melhoram a experiência de trabalho.
Em todo o edifício há uma variedade de diferentes áreas privadas e semi-privadas, cada uma adaptável às necessidades de mudança do espaço, cada espaço de trabalho uma peça que pode ser movida para atender às circunstâncias.
O design das áreas de trabalho mais focadas inclui uma gama de soluções, incluindo bancos tradicionais com assentos de tarefas, mesas altas, salas de reuniões e áreas de lounge para trabalho informal e reuniões. Também não há escritórios fechados no andar executivo com uma uniformidade de abordagem em todo o edifício, ampliando o espírito de colaboração.

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Cidália Lopes

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Prémios de Arquitectura Mies van der Rohe 2022

Nesta que é a última edição com participação do Reino Unido, o prémio europeu de arquitectura contemporânea Mies de van der Rohe de 2022 foi atribuído ao The Town House – Kingston University, em Londres. O projecto é da autoria do estúdio Grafton Architects

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Grafton Architects, de Dublin é o vencedor do Prémio de Arquitectura Mies van der Rohe 2022 pelo projecto The Town House – Kingston University, em Londres. A distinção é uma “recompensa pela sua notável qualidade ambiental que cria uma excelente atmosfera para estudar, dançar, reunir e estar juntos. O edifício cria uma experiência emocional de dentro e através da colunata da fachada de vários níveis cria uma atmosfera em diferentes níveis. Acomoda espaços de dança, biblioteca e estudo usando camadas de silêncio e camadas de som que funcionam perfeitamente bem juntas”, justificou o júri.

É a primeira vez que um edifício universitário ganha o prémio de arquitectura e aponta o caminho que ainda é preciso percorrer em projectos educacionais públicos que “dignifiquem a vida das pessoas”. O atelier Grafton Architects, foi co-fundado em 1978 por Yvonne Farrell e Shelley McNamara, e conta já com uma forte experiência em edifícios educacionais, tendo visto vários dos seus projectos sido nomeados para prémios internacionais de arquitectura como sejam os projectos Toulouse School of Economics, em Toulous, ou a Universidade Luigi Bocconi, em Milão.

O segundo prémio desta edição Prémio de Arquitectura Emergente de 2022, foi atribuído à cooperativa de habitação La Borda da Lacol em Barcelona. “Este projecto cooperativo é transgressivo em seu contexto porque, embora a produção habitacional seja predominantemente dominada por interesses macro-econômicos, neste caso, o modelo é baseado na co-propriedade e co-gestão de recursos e capacidades compartilhadas. O modelo vai além do projecto específico de cooperativa de habitação: o estúdio também funciona como uma cooperativa onde catorze profissionais de diferentes especialidades oferecem um modelo e uma ferramenta activa para promover mudanças políticas e urbanas a partir do sistema, com base em princípios sociais, ecológicos e sustentabilidade económica”, refere a organização do prémio.
Os dois projectos premiados foram escolhidos de uma lista de 532 trabalhos de 41 países. Cinco finalistas de arquitectura foram seleccionados e visitados pelo júri: Z33 House for Art, Architecture and Design em Hasselt; Town House – Kingston University em Londres; a Fazenda Ferroviária em Paris; 85 unidades de habitação social em Cornellà de Llobregat; e Frizz23 em Berlim.

Esta é a última edição do Prémio que conta com a participação do Reino Unido. No período de financiamento de 2021 a 2027, as entidades do Reino Unido não são elegíveis para participar nos procedimentos de subvenções da UE por padrão, uma vez que o Reino Unido se tornou um país terceiro com o Brexit, em vigor desde 1 de Fevereiro de 2020.

O prémio bienal foi lançado em 1987 para destacar a contribuição dos arquitectos europeus para o desenvolvimento de novas ideias e tecnologias no desenvolvimento urbano contemporâneo. É co-financiado pelo Programa Europa Criativa e pela Fundació Mies van der Rohe.

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