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Ferpinta vai investir perto 50 M€ até 2023

O investimento abrange a construção de uma nova unidade, aumento e modernização da capacidade de produção e a aposta na criação de novos produtos

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Ferpinta vai investir perto 50 M€ até 2023

O investimento abrange a construção de uma nova unidade, aumento e modernização da capacidade de produção e a aposta na criação de novos produtos

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Entre 2021 e 2023 a Ferpinta pretende realizar um investimento no valor de 49,98 milhões de euros, envolvendo uma nova unidade industrial, novos produtos e o aumento da capacidade actual, avançou o ECO. De acordo com este órgão de comunicação “este investimento irá também incidir na aposta em tecnologias mais inovadoras e integrá-las nos processos de fabrico, numa abordagem integral do conceito Indústria 4.0”.

A empresa de metalomecânica vai receber um crédito fiscal de 4,99 milhões de euros e um apoio a fundo perdido do Compete 2020 de 5,99 milhões de euros. Apoios concedidos para a criação da nova unidade industrial “para a manipulação e transformação de chapa, nomeadamente ao nível do seu corte em diferentes formatos e espessuras”. Esta unidade será construída nos pavilhões industriais mandados construir pela empresa chinesa Wuhan Industries, na zona industrial de Loureiro. O “pavilhão chinês”, como é conhecido, foi comprado pela Ferpinta em Agosto do ano passado, num investimento que rondou 13,7 milhões de euros.

O investimento, que já arrancou a 18 de Outubro do ano passado, deverá está concluído no final de Junho de 2023, deverá criar 14 novos postos de trabalho e compromete-se a manter os actuais 380.

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Setúbal prevê projectos de energias renováveis na ordem dos 35,5 M€

A suspensão parcial do Plano Director Municipal possibilita a concretização de dois projectos para produção de energias renováveis: uma central fotovoltaica, de 24 megawatts de potência nominal com recurso a energia solar e uma central de produção de hidrogénio verde, com 7,23 megawatts e capaz de produzir 870,6 toneladas de hidrogénio verde por ano

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A suspensão parcial do Plano Director Municipal viabiliza a concretização de dois projectos para produção de energias renováveis no concelho de Setúbal, numa área com mais de 45 hectares e num investimento superior a 35,5 milhões de euros.

Em causa, está a implementação de uma central fotovoltaica, de 24 megawatts de potência nominal com recurso a energia solar e entrega total da produção à Rede Eléctrica de Serviço Público, e uma central de produção de hidrogénio verde, com 7,23 megawatts e capaz de produzir 870,6 toneladas de hidrogénio verde por ano.

O valor do investimento na central fotovoltaica ronda os 17,5 milhões de euros, enquanto na de central de produção de hidrogénio supera os 10,6 milhões de euros, comparticipados em 5 milhões de euros por fundos comunitários, através do PO SEUR, a que acrescem 7,4 milhões de euros para a execução da componente fotovoltaica que vai gerar a energia necessária para o respetivo funcionamento.

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A área de implementação destes projectos totaliza 45,87 hectares na zona de Poçoilos, concelho de Setúbal, e compreende um conjunto de prédios rústicos e urbanos (uso industrial) classificados no PDM em vigor, datado de 1994, mas cuja regulamentação actualmente em eficácia impossibilita a concretização de ambos os projectos, pelo que a Câmara Municipal de Setúbal aprovou esta quinta-feira, dia 20 de Janeiro, em reunião pública ordinária, a suspensão parcial para a área abrangida, com adopção de medidas preventivas por esta ocupação estar de acordo com a revisão do PDM de Setúbal.

Embora o município de Setúbal já tenha aprovado em Setembro de 2021 a revisão do PDM, que incorpora e adequa na planificação do território respostas a várias problemáticas ambientais e climáticas da atualidade, tendo sido elogiado em diferentes quadrantes do país, o mesmo ainda não se encontra em vigor por estar pendente de ratificação do Governo.

O novo Plano Director Municipal já introduz “um regime-regra de localização e instalação de equipamentos para a produção ou ensaio de energias alternativas não poluentes em qualquer espaço do território municipal”, pelo que, sublinha a proposta aprovada, “estes projectos vão ao encontro dessa estratégia e permitirão contribuir para a prossecução dos interesses públicos em matéria energética e climática, constituindo uma mais-valia económica e um factor de desenvolvimento local”.

A presente deliberação, que será submetida a apreciação da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região de Lisboa e Vale do Tejo, para emissão de parecer, e posterior aprovação pela Assembleia Municipal, justifica-se, por se “verificar a alteração significativa das perspetivas de desenvolvimento económico e social local”.

De realçar que a central fotovoltaica tem potência de ligação atribuída pela Direção Geral de Energia e Geologia, que a central de produção de hidrogénio, devido à comparticipação comunitária, está sujeita à programação aprovada na candidatura, com início de execução definido para Junho.

A suspensão de um plano de âmbito municipal, por iniciativa da câmara municipal, no caso, o PDM de 1994 em vigor, “pode ser determinada quando se verifiquem circunstâncias excecionais resultantes de alteração significativa de desenvolvimento económico e social local ou de situações de fragilidade ambiental incompatíveis com a concretização das opções estabelecidas no plano”.

A proposta frisa, também, que estão reunidos, assim, os pressupostos necessários para a suspensão parcial do actual Plano Director Municipal, nomeadamente do n.º 1 do artigo 13.º, os artigos 14.º e 15.º do regulamento do PDM e a alínea a) do artigo 49.º do mesmo regimento.

Em paralelo, são aplicadas medidas preventivas, “com conteúdo material adequado e necessário para a salvaguarda dos interesses público a proteger com a suspensão do Plano”, ato que, reforça a proposta, salvaguarda o efeito útil do procedimento de revisão do PDM, que se encontra já em fase de ratificação.

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Sesimbra: MAP Engenharia conclui construção do condomínio Jardins do Mar (c/ galeria e vídeo)

Diogo Guerra Abecasis, cofundador e administrador da MAP Engenharia, explica em primeira mão ao CONSTRUIR que “este foi sem dúvida um projecto residencial diferente e muito desafiante, dos demais construídos pela MAP”

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Estão concluídos os trabalhos de construção do mais recente empreendimento, uma obra promovida pela CETIM e cuja construção esteve a cargo da MAP Engenharia.

O condomínio Jardins do Mar, desenhado pelo atelier Fragmentos, é constituído por 28 apartamentos de luxo, de tipologias T2 e T3 e áreas entre os 90 e os 200m2, distribuídos por 7 pisos, que se desenvolvem ao longo da encosta. A obra, que se distingue pela proximidade à praia e pelo seu design e arquitectura moderna, está marcada por acabamentos de alta qualidade, com amplos terraços ou jardins, “com uma incrível luminosidade e vista para o mar, bem como arrecadação e estacionamento subterrâneo privativo”.

Diogo Guerra Abecasis, cofundador e administrador da MAP Engenharia, explica em primeira mão ao CONSTRUIR que “este foi sem dúvida um projecto residencial diferente e muito desafiante, dos demais construídos pela MAP. Desde vários imprevistos relacionados com as condições do Edifício existente, à sua localização geográfica, só foi mesmo possível atingir este resultado final, de alta qualidade,
graças ao excelente trabalho realizado por todas as equipas envolvidas neste projecto ao longo de todo o processo.”

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Para Michael Van Cutsem, Project Manager da CETIM, empresa que lidera a operação e da qual fazem igualmente parte investidores belgas, mostra-se igualmente orgulhoso por “este projecto de revitalização de um edifício abandonado, que conferia uma má imagem à vila de Sesimbra. Hoje, a qualidade e a originalidade do novo edifício destacam-se de uma forma muito positiva na região. Estamos satisfeitos por termos sido capazes de vender todas as fracções disponíveis, muito em particular graças à criação de um apartamento modelo,
que permitiu aos compradores projectar o seu futuro apartamento enquanto o edifício estava a ser construído.”

Por sua vez, o arquitecto Pedro Silva Lopes, sócio do atelier Fragmentos, acrescenta que “este foi um projecto muito desafiante, partindo de uma pré-existência construída na transição das décadas 80 e 90, que, apesar de concluída, nunca tinha sido utilizada, tendo sido vandalizada até um estado de degradação próximo da ruína”. Segundo o autor do projecto, “tirámos partido de uma estrutura existente e alterámos a lógica de organização das fracções, para uma organização horizontal, que tirou partido dos espaços exteriores e da fantástica vista de mar. Transformámos pequenos apartamentos, entre corredores, em menos unidades e maiores com terraços generosos, explorando o espaço exterior, a sua vivência e a vista de mar. Do projecto à obra foi um processo complexo, mas o resultado final enche o atelier de orgulho, bem como o árduo trabalho de todos os envolvidos, desde o Promotor, Projectistas e Empreiteiro Geral.”

Já para Carlos Oliveira, director geral da DDN, empresa responsável pela fiscalização dos trabalhos, “esta foi uma obra que iniciou em 1991 com outro Promotor, esteve inacabada cerca de 33 anos e foi agora concluída com um padrão completamente novo, que atende aos desafios actuais, graças às Equipas de excelência envolvidas.”

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ifrru 2021
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IFRRU potenciou 1084 M€ para reabilitação urbana em 2021

IFRRU 2020 bate recorde em 2021 com 307M€ de investimento em reabilitação urbana, tendo terminado o ano com um total acumulado de 360 contratos assinados, que correspondem a 1084 M€ de investimento para a reabilitação de edifícios

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O IFFRU 2020 conseguiu, em 2021, o melhor resultado de sempre, ao atingir 307 milhões de euros de investimento contratado em reabilitação urbana, superando assim o ano pré-pandemia de 2019.

O ano de 2021 terminou com um total acumulado de 360 contratos assinados, que correspondem a 1084 milhões de euros de investimento para a reabilitação integral de edifícios e melhoria do seu desempenho energético.

Após a reabilitação, 162 destes edifícios terão uso habitacional, sendo os restantes 182 destinados a actividades económicas e 16 a equipamentos de utilização colectiva abrangendo equipamentos culturais públicos e sociais e de apoio social bem como as residências para estudantes. Na sua maioria (281) os projectos são promovidos por empresas e os restantes por particulares, IPSS e Câmaras Municipais.

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Com já 101 edifícios reabilitados, os projectos em execução localizam-se nas Áreas de Reabilitação Urbana, delineadas pelos respectivos Municípios, garantindo-se, assim, o seu alinhamento com a política urbana local, sendo já 82 os Municípios das várias regiões do país com financiamentos IFRRU 2020.

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Gabriel Couto ganha obras de 145M€ no Gana

A construtora Gabriel Couto ganhou o concurso internacional lançado pelo Governo do Gana para a construção de duas estradas, no valor global de 145 M€. As novas empreitadas marcam o regresso da construtora portuguesa a África ocidental

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É o regresso da construtora portuguesa à África Ocidental. Depois do Senegal a Gabriel Couto vai iniciar duas empreitadas no Gana no valor global de 145 milhões de euros.

O primeiro contrato foi adjudicado pelo valor de 95 milhões de euros e diz respeito à construção de uma estrada que ligará Tarkwa à cidade de Nkwanta, passando pelo município de Agona, numa extensão de 66 quilómetros. A empreitada tem a duração de 1095 dias, cerca de três anos. A obra é considera vital para o desenvolvimento destas três cidades, bem como para a dinamização económica do país, já que esta é uma zona central da exploração de minérios que são a base das exportações do Gana. A cidade de Tarkwa dá o nome a uma grande mina de ouro a céu aberto, uma das maiores do sul de Gana, onde são produzidas aproximadamente 24 toneladas de ouro por ano e ainda a mina de ouro Iduapriem localizada a 10 quilómetros do sul da cidade.

O segundo concurso adjudicado à construtora pelo Ministério das Infraestruturas Rodoviárias ganês, refere-se à reconstrução da ligação rodoviária entre Bechem e Akumadan, numa extensão de 40 quilómetros. Avaliada em 50 milhões de euros, a obra deverá estar concluída em 730 dias. Localizada na zona central do Gana, a região é predominantemente agrícola, sendo a ligação rodoviária o meio para escoar os produtos para as zonas mais carenciadas do país.

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A Gabriel Couto está na Zâmbia e Moçambique, países da África Oriental, tendo concluído nos últimos anos várias empreitadas em Essuatíni, ex-Suazilândia, na África Austral. “O cumprimento rigoroso de todos as alíneas dos contratos assinados e a qualidade evidenciada das obras é também uma imagem da nossa marca que vamos espalhando pelo continente africano”, sublinha Tiago Couto, director da construtora e responsável pelos projectos internacionais e de infra-estruturas.

Em Portugal a construtora terminou o ano de 2021 com a conclusão da extensão do taxiway do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto. A ampliação do aeroporto que serve a região norte do país custou 30 milhões de euros e incluía a expansão de 1300 metros da via de circulação que liga a pista e a placa de estacionamento dos aviões. A obra possibilita, assim, uma maior sequência de descolagens e aterragens, acompanhadas com uma saída rápida da pista, contribuindo para o aumento da capacidade do aeroporto.

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Mercadona investe mais 24,5 M€ no Bloco Logístico da Póvoa de Varzim

O novo investimento amplia a capacidade logística da operação Bloco Logístico da Póvoa de Varzim que arrancou em 2019 e cujo o investimento ultrapassa já os 84M€

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A Mercadona ampliou a capacidade de armazenamento do Bloco Logístico da Póvoa de Varzim com a criação de uma nave de 12.000 m2. Este novo armazém, construído num terreno de 50.000 m2, adjacente ao que já tem a funcionar desde 2019, vem dar resposta à evolução do projecto de expansão da empresa em Portugal e representou um investimento de 24,5 milhões de euros.

Com a criação desta nave, que se junta às outras duas que a empresa já tinha em funcionamento, procedeu-se a uma reconfiguração total do espaço. Assim, os novos 12.000 m2 passarão a armazenar as frutas e legumes que diariamente saem para os supermercados da cadeia em Portugal. Além disso, fruto do seu modelo de logística sustentável e em colaboração com a Logifruit, haverá uma área, com cerca de 3.000 m2, dedicada à gestão de embalagens.

Adicionalmente, a superfície onde está inserido o novo armazém conta com uma área de 17.000 m2 de zonas verdes e 100 lugares de estacionamento, sendo que 2 são destinados ao carregamento de veículos eléctricos, ligados à rede MOBI.E.

Em 2019, a Mercadona arrancou com a operação do Bloco Logístico da Póvoa de Varzim com duas naves, tendo investido 60 milhões de euros. No total, a empresa já investiu 84,5 milhões de euros no desenvolvimento do Bloco Logístico da Póvoa de Varzim, que conta com três naves construídas numa área total de 100.000 m2, contabilizando 350 postos de trabalho, dos quais 20 foram criados para dar resposta a este novo projecto de ampliação.

“Estamos muito orgulhosos com a expansão do Bloco Logístico da Póvoa de Varzim, que representou, além da criação de mais emprego local, uma grande aposta na garantia de melhor serviço às nossas lojas, tendo em conta as necessidades dos “Chefes” (clientes). Acreditamos que esta é uma evolução natural para respondermos às necessidades de expansão em Portugal e esperamos que com o reforço da rede logística continuemos a assegurar a satisfação dos portugueses que escolhem diariamente a Mercadona como o seu supermercado de confiança” afirma Carlos Lopes, Director do Bloco Logístico da Póvoa de Varzim

Em 2021, a empresa anunciou o desenvolvimento de um futuro Bloco Logístico localizado em Almeirim, distrito de Santarém, cujo início das obras está previsto para este ano.

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IHRU tem 20 M€ para aquisição de habitações em Lisboa, Porto e Algarve

O IHRU – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, I.P., lançou uma consulta ao mercado para aquisição de prédios e fracções habitacionais nas áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e da Região do Algarve

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O IHRU – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, I.P., lançou uma consulta ao mercado para aquisição de prédios e fracções habitacionais nas áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e da Região do Algarve.

Segundo informação do instituto “os imóveis a adquirir localizam-se em vários concelhos das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e da região do Algarve”. No total são cerca de 43 os concelhos abrangidos pelo anúncio.

Podem apresentar propostas no âmbito da referida consulta qualquer pessoa singular ou pessoa colectiva que seja proprietária dos imóveis objecto da proposta, bem como empresas de mediação imobiliária devidamente licenciadas.
Relativamente aos valores, de acordo com o anúncio publicado, os valores máximos de proposta de venda não devem ultrapassar os 213 mil euros, para T1, 295 mil euros para T2, 373 mil euros no caso de T3 e 430 mil euros para a tipologia T4.

As propostas devem ser entregues até ao dia 11 de Fevereiro.

“Esta é mais uma iniciativa do IHRU integrada na sua estratégia para alargar a oferta habitacional pública a custos acessíveis e, desse modo, para garantir o acesso à habitação às famílias que não têm resposta por via do mercado, nomeadamente as populações com rendimentos intermédios”. A dotação para a aquisição de imóveis pelo IHRU, I.P., no âmbito da presente consulta é de 20 milhões de euros.

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O Orçamento de Lisboa para 2022, o novo retail de Portimão e as tendências no segmento das casas-de-banho no CONSTRUIR 450

A proposta de Orçamento da Câmara de Lisboa, recentemente apresentada, contempla um reforço das verbas destinadas à habitação. Saiba qual vai ser a aposta de Moedas numa edição onde lhe mostramos as linhas do novo retail de Portimão, assinado pela Ventura+Partners

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Lisboa: Aposta na Habitação
vai crescer em 2022

A proposta de orçamento da Câmara Municipal de Lisboa tem inscrita uma despesa de 1160 milhões de euros para este ano. Mas o orçamento não esta fechado, em particular no que à área da Habitação diz respeito

Metro de Lisboa: APA avalia
linha vermelha

O prolongamento da linha Vermelha está enquadrado no Plano de Recuperação e Resiliência 2021-2026 com um financiamento no montante global de 304 milhões de euros

Ventura+Partners recebe prémio internacional
Bouganvillas vence International Residential Architecture Awards, na categoria habitação multifamiliar. A distinção é atribuída pela The Architecture Community 2021

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20M€ para o novo retail park em Portimão
O novo espaço terá 22 mil metros quadrados de área bruta locável. O projecto de arquitectura tem assinatura da Broadway Malyan e a abertura está prevista para o primeiro semestre de 2023

Estética e conforto dominam tendências
Cada vez mais, a casa de banho caminha no sentido de ser um “prolongamento” da restante casa, no que diz respeito às tendências arquitectónicas. Afinal, dizem, é um dos sítios onde passamos mais tempo

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Arquitectura

Um novo centro empresarial vai nascer em Matosinhos com assinatura de Paulo Merlini Architects

Antiga fábrica da Lactogal em Matosinhos vai dar lugar a um novo centro empresarial. O novo pólo, com cerca de 18 000 m2, já tem nome – SPARK – Smart Park Matosinhos

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O Castro Group, empresa que se dedica ao investimento imobiliário, anunciou o resultado do concurso para a reabilitação daquela que foi a antiga fábrica da Lactogal, localizada em Matosinhos – Leça do Balio.

O concurso contou com as propostas de seis gabinetes de arquitectura nacionais, sendo que a vencedora pertence ao gabinete Paulo Merlini Architects. Motivados pelo lema Us Is More, este gabinete é conhecido por desenvolver projectos que “dão às pessoas os estímulos certos influenciando positivamente os seus níveis homeostáticos”.

Este concurso de ideias tinha como objectivo encontrar a melhor solução arquitectónica para a adaptação dos edifícios existentes a novos usos destinados a escritórios e serviços, mantendo a sua arquitectura industrial.
Segundo: “Neste concurso tivemos propostas de grande qualidade, onde o projecto apresentado pelo Paulo Merlini se destaca, uma vez que vai ao encontro daquilo que são os valores do Grupo e dos projectos onde queremos deixar a nossa marca. Realçamos ainda a qualidade da proposta de intervenção, onde foi privilegiada a reabilitação do existente e onde a nova construção surge enquadrada de forma harmoniosa. O gabinete escolhido foi capaz de apresentar uma abordagem onde se destaca o cuidado pela idealização de espaços que conciliam a qualidade do trabalho com a qualidade de vida e bem-estar dos seus utilizadores. Simultaneamente, encontraram na natureza o mote para potenciar e dinamizar a zona envolvente através da criação de praças abertas à comunidade e de serviços que criam um ambiente fluído e sinérgico entre o interior e o exterior”, refere Paulo Castro, CEO do Castro Group.

O novo pólo já tem nome – SPARK – Smart Park Matosinhos, e foi desenhado de forma integrada numa área total de cerca de 18 mil metros quadrados. O nome SPARK Matosinhos reflecte o conceito idealizado para este empreendimento: um edifício mais inteligente, voltado para as pessoas que o ocupam – “smart buildings” – e que, simultaneamente, está conectado com o planeta.

De acordo com “Desde a primeira visita ao edifício tornou-se imediatamente claro para nós que qualquer intervenção deveria manter e idealmente potenciar a energia da edificação pré-existente, deste que já foi um símbolo da região. Esta, tornou-se uma das premissas base de todo o projecto. Ainda que uma das directrizes do concurso fosse a ampliação da área de construção para o dobro da original, procuramos que a nossa intervenção fosse o menos invasiva possível, dando destaque a este gigante adormecido. Desenvolvemos uma solução que, se por um lado pretende potenciar a presença da edificação original, por outro procura tornar-se uma expressão do que entendemos que deverá ser o escritório do futuro, da realidade pós-pandémica. Um espaço que responda às necessidades biológicas enraizadas no nosso genoma, um edifício que se expressa numa nova fusão entre a casa e o edifício de escritórios”, explica Paulo Merlini, CEO & Founding Member do gabinete vencedor.

Este empreendimento procura manter vivo o ícone arquitectónico central e todas as suas forças e características. Esta obra tem, assim, como foco uma das primeiras unidades industriais da empresa Lactogal, tendo a sua construção iniciado em 1964 e concluída em 1967. A unidade fabril era utilizada para a produção e armazenamento de leite, tendo sido descontinuada a partir de 2009.

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Concreta, Export Home, IDF e Elétrica com novas datas

Ómicron obriga a Exponor a ajustar o seu calendário de feiras. As alterações abrangem algumas das feiras mais emblemáticas como a Concreta, a Export Home, a IDF e a Elétrica

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“Salvaguardando as condições de segurança para todos os visitantes e expositores”, a Exponor ajustou o calendário de alguns dos seus eventos mais emblemáticos, designadamente a Concreta, a Export Home, a IDF e a Elétrica.
Nesse sentido, depois de ter sido agendada para de 21 a 24 de Abril, a Concreta foi agendada para 13 e 16 de Outubro. Também as datas para a participação no Prémio Under 40 by CIN foram ajustadas, com a possibilidade de apresentação das candidaturas (presencial e serviço postal) alargada até ao dia 23 de Setembro de 2022.
Aquela que será a 30ª edição da bienal Concreta – Feira de Arquitectura, Construção, Design e Engenharia “regressa à Exponor num formato já consolidado e prepara-se para apresentar novidades técnicas e tecnológicas, soluções e novos materiais com um olhar sobre as tendências da construção, da arquitectura, do design e da engenharia no contexto nacional”.

Outras das novidades é realização em simultâneo com a com a Concreta, da ELETRICA – Exposição de Material Elétrico e Eletrónica. Este certame é dedicado a soluções e sistemas de electricidade e energia, apresentando as novidades em sistemas, equipamentos e componentes eléctricos e electrónicos, iluminação, soluções para a indústria automóvel, electrónica de consumo, entre outros. “Dirigida aos profissionais da área eléctrica e electrónica, a exposição apresenta grandes inovações e soluções para uma adequação ao mercado e às exigências de sustentabilidade”, sublinha a Exponor. De referir que este é um dos sectores que mais tem reflectido o aumento da construção em Portugal, tanto no mercado da reabilitação como da construção nova.

À semelhança do que acontecerá com a Concreta, a exposição é pontuada por “Praças”, que apontam holofotes à inovação e tecnologia energética. “A Praça Tromilux, por exemplo, mostra aos visitantes a gama de projectos e soluções personalizadas desta empresa portuguesa, na área da iluminação técnica”, avança a organização.
“Apesar destes ajustes necessários, dado o contexto actual, estamos confiantes para 2022. Temos já previstos mais de 30 eventos, entre os de organização própria e os de terceiros. Sentimos uma grande apetência do mercado, tanto do lado dos expositores como dos visitantes, para o regresso à realização de eventos presenciais e queremos continuar a ser a plataforma facilitadora de negócios um barómetro de novidades, tendências e dinâmicas de mercado, que permitam, aos vários scetores da economia nacional em que actuamos, continuar a evoluir e a inovar”, sustenta Diogo Barbosa, director geral da Exponor.

Sobre os desafios previstos para a próxima temporada, o director geral da Exponor considera estarem num patamar de maturidade mais consolidado para lidarem com os imprevistos, com o digital a apresentar-se como uma solução preponderante. “Estamos mais preparados para estar ao lado dos nossos parceiros e clientes na promoção dos seus negócios e na geração de valor para os diversos sectores, seja pela força do contacto presencial, que já começou a regressar no final de 2021, seja pelo nosso investimento em novas soluções digitais que permitem optimizar a presença dos expositores e a experiência dos visitantes antes, durante e após cada certame”, esclarece Diogo Barbosa.

Expor Home e IDF – Spring Edition & Paper Show em Abril

Relativamente à Export Home – Feira Internacional de Design e Mobiliário, esta passa de 24 a 27 de Fevereiro para de 21 a 24 de Abril, com o prazo para recepção das candidaturas do Prémio Export Home Sustentabilidade e Inovação a ser alargado para dia 31 de Março de 2022.

Celebrando mais de 30 anos de existência, a Export Home designa a mais importante montra de marcas portuguesas de mobiliário e iluminação e promete, sob o mote “Reconnect”, voltar a transformar-se num palco de reconexão entre profissionais e marcas de todo o mundo.

Uma das inovações trazidas pela Export Home para esta edição é uma área dedicada à hotelaria, com a curadoria do experiente designer de interiores e mobiliário Fabián Pellgrinet Conte. Além disso, disponibiliza um Design Hub, especialmente pensado para designers e dedicado às novas ideias e o espaço Talk The Future, dedicado à descoberta, interacção e (re)conexão entre profissionais do sector, com um programa rico e diversificado de workshops e conferências.

Em simultâneo com a Export Home, a próxima edição da IDF Spring – Feira de Design e Decoração passa dos dias 24 e 27 de Fevereiro para 21 a 24 de Abril, levando ao público uma mostra de soluções das mais variadas vertentes dos sectores que abrange. Entre aqueles que estarão presentes no encontro, destacam-se os do têxtil-lar, cutelaria, loiça, cerâmica, mesa, cozinha e multipreço (Home Accessories); tecidos e revestimentos de decoração (Interior Fabrics) e decoração, fragância, flores e ilustração (Loving & Flowers).

Com duas edições asseguradas por ano, a IDF Spring pretende intersectar o talento e a criatividade da nova geração de criadores com a arte e a experiência das marcas tradicionais mais antigas – que se reinventam através de um design visionário – uma simbiose que escreve as novas tendências do sector.

A IDF afirma-se com a disponibilização de quatro espaços-tendência, adaptados aos diferentes públicos, que fazem, por um lado, uma homenagem ao legado deixado por marcas já bem consolidadas no mercado e que, por outro, se impõem como uma rampa de lançamento para a visibilidade da nova geração de criadores portugueses que revolucionam o mercado.

Em simultâneo decorre a Paper Show – Feira de Papelaria, Gift e Material de Escritório, que regressa à Exponor após a sua primeira edição em 2020, pronta para reunir o sector profissional da papelaria, gift e material de escritório. Ao longo de quatro dias, as empresas fornecedoras têm a oportunidade de apresentar os seus novos produtos, colecções e soluções aos profissionais, beneficiando da presença conjunta da comunidade deste sector e, assim, fomentarem novos negócios e contactos.

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Quadrante ‘às compras’ para reforçar infra-estruturas e meio-ambiente

Em entrevista ao CONSTRUIR, o CEO do Grupo Quadrante adianta que está em marcha um plano estratégico, que se prolongará até 2025, através do qual esperam facturar 40 milhões de euros, estratégia que implicará aquisições para crescer nos transportes, indústria e energia e águas

Ricardo Batista

O CEO do Grupo Quadrante mostra-se preocupado com a falta de alunos de Engenharia Civil nas universidades portuguesas, reflexo do ostracismo estratégico a que o sector tem sido votado nos últimos anos. Nuno Costa salienta que numa altura em que se discute a execução dos fundos do PRR, as empresas portuguesas, na sua globalidade não têm dimensão para aproveitar o efeito multiplicador dos trabalhos

Há aproximadamente dois anos, numa entrevista concedida ao CONSTRUIR, disse-nos que “era fundamental haver uma estratégia nacional em que a Construção fosse encarada como estratégica”. Este tempo volvido, já atingimos esse patamar?
Estamos na mesma em relação à estratégia, mas o resultado, agora, é mais óbvio. A falta de estratégia no Sector da Construção tornou-se evidente. Não há capacidade para dar resposta às necessidades que existem e que estão em cima da mesa. Aliás, a necessidade de infra-estruturas não é nova, existe há muitos anos. Nem sempre é oportuno serem implementadas mas, agora, decidindo-se que era oportuno, não há capacidade para as construir.

O Sector, Portugal e os portugueses vão fazer um investimento enorme que vai ter de ser pago durante muitos e muitos anos por várias gerações. São, aliás, gerações que, no fundo, vão usufruir destas infraestruturas, mas o que seria inteligente para um País que tem de se desenvolver é que devia aproveitar o efeito multiplicador desse investimento para reforçar a economia do próprio país recorrendo a empresas nacionais que, ganhando capacidade e competências e track record, se reforçariam e estariam num caminho de internacionalização mais solido e, portanto, com benefícios para a economia nacional. Não fizemos isso, não preparámos a fileira da Construção e agora vamos fazer um investimento em que as infra-estruturas vão cá ficar, vão ser utilizadas pelas pessoas e pelas empresas mas sem se beneficiar com o efeito impulsionador que muito beneficiaria as empresas nacionais.

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Por onde deixámos escapar a capacidade das empresas?
Por vários campos. Desde logo pelo desaparecimento de diversas empresas do Sector. As empresas não são só grupos de pessoas. É impossível formar uma empresa apenas por um conjunto de pessoas. As empresas têm história, equipas, ensinamentos adquiridos ao longo de anos. Quando uma empresa fecha, as pessoas que lá estavam não vão formar outra empresa igual e mesmo que o quisessem, não conseguiriam. Quando uma empresa fecha perde-se capacidade permanente, capacidade que leva muito anos a recuperar mesmo que os técnicos não desapareçam. A verdade é que as empresas fecham em larga escala porque o sector estava a funcionar mal e não foi considerado estratégico. As pessoas, ao saírem das empresas que reduziram tamanho ou fecharam, vão para outros países ou simplesmente mudam de actividade e normalmente não voltam atrás. Há a perda de capacidade pelo lado das pessoas. E depois há outro efeito: as pessoas que iam para a engenharia deixaram de exercer e o sector é hoje um sector empobrecido, sem estratégia. Mais: Cada vez menos alunos querem ir para engenharia. Isso é uma realidade.

Neste momento estamos a precisar muito de engenheiros e as universidades não estão a produzir técnicos em número suficiente. Fizemos uma análise do número de alunos que concluem os cursos de engenharia civil em Portugal e percebemos que, nos últimos 15 anos, caiu 90%. Mesmo considerando que o ano passado foi um ano atípico, pois muitos alunos não terminaram os cursos pelo facto de as universidades não estarem em pleno funcionamento, até 2019 o número de alunos que se formam em Engenharia Civil caiu 60%. É avassalador. É uma redução enorme do número de alunos. Se formos junto dos alunos do 12º ano tentar perceber quem quer ir para Engenharia, o número é reduzidíssimo. A falta de capacidade do lado da engenharia é um problema que vai demorar 10 a 15 anos a ser resolvido em Portugal. Durante os próximos anos, em que haverá tanto para fazer, não vamos ter capacidade nem pessoas para reforçar as empresas que existem. O País precisa de infra-estruturas mas não sabemos se as vai conseguir fazer. Dificilmente se vai conseguir aproveitar o reforço no sector da Construção por via do investimento que o País vai fazer.

Por onde passa o caminho da necessária recuperação?
O primeiro passo passa por um trabalho de marketing a desenvolver pelas universidades para a captação de alunos. As empresas fazem um esforço comercial para captar trabalho e as Universidades devem fazer um trabalho de persuasão para captar mais alunos de engenharia. As instituições de ensino superior devem ter uma atitude mais proactiva e irem para os Liceus fazerem um esforço de divulgação dos seus cursos, nomeadamente de engenharia, um trabalho que se deve estender também junto dos Media, criando novas dinâmicas. Em simultâneo, tem de haver uma estruturação do sector. O Governo não tem essa responsabilidade, mas tem o dever de ajudar o sector a reestruturar-se, pelo que deveria haver uma estratégia de reforço das competências do sector da Arquitectura e Engenharia, um sector tradicionalmente relevante. Estes são sectores em que a capacidade de exportação de Portugal poderia ser bastante elevada pois os portugueses são muito bons a fazer isso, mas não estamos a olhar devidamente para este potencial. É claramente uma oportunidade que se perde. A indústria da Construção, em volume, é a maior do Mundo, maior mesmo que a indústria farmacêutica, automóvel ou das tecnologias de informação. É realmente uma indústria muito relevante em termos de dimensão e é uma indústria que vai sofrer uma profunda transformação por via da digitalização. Será lamentável se perdermos esta oportunidade para estar na vanguarda dessa transformação.

Estamos ainda numa zona cinzenta, onde a economia está a ganhar ritmo para recuperar dos últimos anos. No seu entender, que mercado e que empresas temos hoje? Que radiografia é possível traçar?
Em Portugal, o panorama é francamente fraco. O sector da Engenharia e Construção é um sector altamente disperso, formado por pequeníssimas empresas com muito baixa capacidade pela falta de dimensão. No segmento da Engenharia/Consultoria, as empresas em Portugal são pequenas e têm muita dificuldade em ter uma presença internacional relevante. A dimensão também nos tira capacidade de inovação e desenvolvimento e o panorama é francamente mau por esse motivo. Mas por vezes também nos questionamos: a dimensão é relevante para actuar em Portugal ou não? E eu diria que, para actuar em Portugal, não é. O cliente público em Portugal não contrata nem selecciona empresas. Selecciona, isso sim, grupos de profissionais. Os concursos públicos, a selecção do prestador de serviços de engenharia é feita demonstrando não a experiência e a capacidade das empresa mas evidenciando currículos avulso de pessoas que nem precisam de pertencer aos quadros da empresa. Isso não privilegia a dimensão das empresas. Privilegia sim que as empresas sejam pequenas e que busquem ou associações pontuais ou então profissionais independentes que possam constar nas suas propostas quando estas são apresentadas.

O Estado, escolhendo desta forma, dá um sinal ao mercado de que a dimensão é irrelevante e as empresas têm receio de crescer, mantendo-se na sua pequena dimensão. Deste modo, é o próprio Sector que perde como um todo pois perde-se capacidade de internacionalização e de inovação. Do lado da construção acontece algo muito semelhante e que resulta da crise que sofremos em 2008. As grandes empresas que existiam praticamente desapareceram todas. Apenas uma existe e essa teve uma estratégia bem delineada. Falo da Mota-Engil, que sobreviveu e se desenvolveu, não sem grandes dificuldades. Muitas vezes se fala da Mota-Engil, que é ajudada por este ou aquele. Nada mais errado. Eles fazem o seu trabalho e se fosse uma empresa ajudada não teria sucesso internacional. Aí não são os políticos portugueses que ajudam. Sem ser essa empresa, as grandes empresas não existem, desapareceram.

O que temos hoje? Uma empresa grande e um conjunto de empresas bastante mais pequenas, bastante distantes da empresa líder e com grandes dificuldades de internacionalização. Quando vemos as maiores construtoras do nível logo abaixo da Mota-Engil percebemos que são empresas com um grau de internacionalização muito reduzido, tornando difícil a sua actuação nos mercados externos. Eu vejo o sector da Construção em Portugal com grandes falhas estruturais mas, olhando para a situação pelo lado positivo, percebemos também que existem empresários com muita vontade de fazer coisas interessantes. Espero que consigam, mas sem meios e sem recursos é difícil. Vejo motivação para fazer mais e melhor e os poucos engenheiros que existem são, globalmente, muito bons. A matéria-prima é muito boa, mas com grandes deficiências estruturais.

Em que medida é que o próprio CCP é fomentador dessas deficiências?
O CCP está feito de uma forma que é destruidora para o Sector da Construção. Tem uma repartição de risco totalmente desequilibrada. O risco está todo do lado das empresas e o beneficiário das obras não tem risco nenhum Um exemplo: Hoje em dia, se houver um erro de projecto e se, por exemplo, faltar uma estaca num sítio qualquer e se se vier a descobrir que nem o projectista nem a construtora se aperceberam que faltava a estaca, a construtora tem de a executar sem qualquer custo adicional para o Estado. O que é que isto quer dizer? Se o projecto tivesse tido a estaca desde início, a entidade publica tinha de a pagar. Como houve um erro e o projecto não continha essa estaca necessária, a Entidade publica ganha o direito a ter a estaca, que teria de pagar, não pagando. Fica beneficiaria de uma parte da obra sem ter pago por ela. Isso empobrece todo o sector da Construção. O CCP é claramente desequilibrado. Mesmo admitindo que se trata de uma sobre-reacção pelos excessos que existiram no passado, o que temos hoje é manifestamente exagerado e destruidor da actividade no sector publico.
Há uma questão tantas vezes abordada mas que, por diversas razões, nunca foi equacionado verdadeiramente e que esta relacionada com os movimentos de concentração ou fusão de empresas. O estado em que estamos, e que acaba de descrever, coloca em evidência essa necessidade?
No nosso entender, a concentração de empresas faz todo o sentido. Desde logo pela maior capacidade de expansão internacional e de gerar inovação, investigação e desenvolvimento. O que acontece é que a forma como o sector está organizado e a forma como é feita a contratação não privilegia em nada a dimensão. Se não há um alinhamento entre as empresas e quem as contrata, o que acontece é que as empresas se mantêm pequenas. Neste momento, de que me serve ter uma grande empresa se, em Portugal, há uma perspectiva de grande investimento, vai haver trabalho mas que não preciso de ter risco para os próximos tempos? O Estado quando contrata não privilegia a dimensão e eu não tenho qualquer incentivo em avançar com uma operação de fusão com outra empresa.

Claro que esta é uma perspectiva desalinhada com o longo prazo, pois no momento em que o sector voltar a estar em crise, o que seguramente acontecerá, volta a estar em cima da mesa a necessidade de as empresas se juntarem e formarem grupos líderes. Mas com não há nenhum incentivo para que isso aconteça, provavelmente nada vai acontecer. Quando voltarmos aos momentos de crise, o Sector da Construção em Portugal vai, uma vez mais, passar por dificuldades em sobreviver porque não teve capacidade de se internacionalizar.

Olhando para a Quadrante, como acreditamos muito em ciclos e acreditamos que Portugal deve ter, pelo menos, dois ou três grupos champions na área da Construção e Engenharia, estamos a fazer esforços e temos intenção de liderar um movimento de concentração.
Por que áreas pode passar essa estratégia?

Por todas as áreas de negócio em que estamos. Considerando que as empresas, no mercado interno, não têm incentivo para, no presente, um movimento destes, olhamos para empresas fora de Portugal, em áreas como os transportes, indústria e energia, águas…No fundo, tudo o que tenha a ver com infra-estruturas e meio-ambiente.

E de que modo seria isso feito?
Achamos que o caminho correcto passa por aquisições e fusões. Desse modo, podemos mais rapidamente ganhar dimensão para ter uma presença internacional sólida e uma capacidade de investimento e desenvolvimento necessária na transformação da indústria da construção que vai acontecer nos próximos 10 anos.

Quais são os mercados prioritários?
Distinguimos duas perspectivas, nomeadamente de curso e longo prazo. No curto prazo, o mercado português e os mercados africanos são mercados que têm uma boa margem de desenvolvimento. No médio/longo prazo, acreditamos muito nos mercados do Norte da Europa, África e na América do Norte.

Em que é que a experiência da Quadrante, mesmo com o suporte de parceiros, vos torna competitivos nesses mercados?
A Quadrante é competitiva nestes mercados pela sua capacidade de entrega. Temos, neste momento, 220 pessoas a fazer puramente projecto e, por isso, uma capacidade de entrega bastante relevante. Temos uma fantástica capacidade técnica que se adapta a todos os códigos e locais do Mundo em que trabalhamos. Temos uma vantagem de flexibilidade grande. Muitas vezes estamos a competir com empresas que têm cinco ou 10 mil pessoas mas nós temos a vantagem de sermos mais flexíveis. Dispomos de um conjunto de partners que gerem a empresa a nível internacional de uma forma muito ágil. Isso permite que o cliente possa falar directamente com os nossos partners e que eventuais alterações de projecto ou reforço de equipas possam ser feitos de uma forma mais rápida. Somos flexíveis e isso é uma grande vantagem face a empresas muito grandes.

Há prazos para a conclusão e investimentos previstos nestas operações?
Temos definido um plano estratégico através do qual pretendemos duplicar a dimensão da empresa. Uma parte será por via do crescimento orgânico e outra parte será por via de aquisições. Até 2025, o plano estará em marcha, numa velocidade adequada para encontrar as empresas com as competências certas que façam sentido com a nossa cultura e com as competências específicas que queremos reforçar.

Essas empresas estão identificadas?
Estamos em fase de identificação. Mas temos presente que, em 2025, queremos estar a facturar 40 milhões de euros em serviços de engenharia.

Empresas em Portugal podem fazer parte desta estratégia?
Poderiam fazer mas o momento actual, em Portugal, não é um momento que motive muitas das empresas a participar num movimento de concentração. Há algumas empresas que gostaríamos que se juntassem a nós mas não acreditamos que este seja o momento certo para acontecer. Não existe, de facto, motivação. O mercado nacional aparenta ter alguma dinâmica e não existe qualquer vantagem em ter dimensão. As empresas estão bem como estão sendo mais pequenas.

Procurando um posicionamento para enfrentar este ‘novo normal’, assente em novas praticas e novos paradigmas, que papel cabe aos grupos como a Quadrante?
Eu acho, sinceramente, que não há um novo normal. O ‘novo normal’ hoje é o mesmo ‘novo normal’ de há dois anos e passa por as empresas se adaptarem e serem cada vez mais rápidas a executar e a entregar com mais qualidade. A competitividade é crescente, os nossos clientes têm desafios cada vez maiores e são muito pressionados pela velocidade. Exigem, por isso, velocidade de todo o ecossistema que trabalha em seu redor. O ‘novo normal’ é igual ao de ontem: fazer mais e melhor a todo o momento.

Esta nossa conversa decorre numa sala onde está exposta a imagem de um dos grandes investimentos públicos anunciados nos últimos anos, nomeadamente o Novo Aeroporto de Lisboa, obra que encerra em si, um conjunto de práticas recorrentes na contratação pública. Existem estudos, existem concursos, empresas envolvidas, projecto apresentado e, no fim, antes de avançar para o terreno, surge sempre um outro detalhe mais. Esta nossa forma de estar, em que é que isto nos pode ser prejudicial, sobretudo nesta fase em que estamos à beira de execução de verbas como as do PRR, montantes nunca antes implementados?

Falamos muito, em Portugal, em obras de Santa Engrácia. De facto, essas as obras demoraram muitos anos, mas o Aeroporto demorou muito mais pelo que, em rigor, deveria chamar-se ‘Obras de Aeroporto’. O Novo Aeroporto é uma obra que já há mais de 50 anos que anda a ser falada e projectada. São inúmeros os projectos. Participámos na última iteração deste aeroporto que não é, de facto, um novo aeroporto, mas sim um aeroporto complementar. Este aeroporto está inserido num plano que inclui a expansão do aeroporto existente. Tudo isto foi desenvolvido, estudado, teve o apoio do Governo durante o seu estudo, Governo que esteve a par do que se ia passando. Neste momento, o aeroporto complementar está pronto a ser construído mas, entretanto, surgiu mais uma pedra no caminho.

Algo que é habitual, no fundo. Não deixa de ser curioso que tendo Portugal muita capacidade de execução e muitas obras já executadas, como a Expo, a remodelação total da linha do Norte, muitas auto-estradas que tornam Portugal num dos países com melhor rede de auto-estradas da Europa, só este projecto é que provoca esta catarse geral. Como se esta fosse a obra mais importante a realizar em Portugal, que mereça ser pensada e repensada e que mereça que tudo seja reconsiderado a cada nova ideia. Nunca há soluções ideais. Há soluções que são tomadas ou não são tomadas e a verdade é que não tomar uma decisão é a pior decisão. Na verdade, tivemos algum alívio com a quebra do tráfego aéreo provocado pela pandemia e estamos mais descansados. Mas quando os níveis de tráfego retomarem ou superarem o que foi registado em 2019 o que vai acontecer? Uma obra que tem um custo anunciado de cerca de 1000 milhões mas totalmente paga pela concessionaria, é uma obra que caso não avance vai custar, por ano, muito mais do que o custo da obra. É obvio que este investimento tem de ser feito.

Fazendo em Alcochete, no Montijo ou onde quer que seja, era essencial tomar uma rápida decisão. Toda a gente ficou assustada com o que aconteceu em 2019, com a perda de rendimento que Portugal podia ter e agora estamos na mesma situação. Quando o tráfego voltar, vamos estar novamente em pânico porque não tomámos qualquer decisão. Isto é inexplicável. Há depois aqui um outro efeito interessante: Portugal tem uma posição periférica e se formos a ver quanto da nossa economia externa, das trocas com o exterior em serviços e produtos quanto é que passa pelo tráfego aéreo, é um peso enorme na nossa economia, Não fazer um aeroporto tem um custo tremendo. É estranho que se debata tanto uma obra de 1000 milhões e se decida fazer uma obra de 4,5 mil milhões, como é a alta-velocidade ferroviária entre Lisboa e Porto, cuja utilidade é tão ou mais duvidosa que a do aeroporto, mas ninguém discute.

Sobre o autorRicardo Batista

Ricardo Batista

Director Editorial
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