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Brasileira SPX Capital investe 148 M€ na Quinta do Lago [c/galeria de imagens]

Em conjunto com a empresa de investimento imobiliário de capitais portugueses, Green Jacket Partners, o promotor está a desenvolver o empreendimento One Green Way. Com 89 residências de luxo, o projecto conta com um conjunto arquitectos e designers – Plan Architects, Cracknell e Vilaça Interiores – que trabalham lado a lado

Cidália Lopes
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Brasileira SPX Capital investe 148 M€ na Quinta do Lago [c/galeria de imagens]

Em conjunto com a empresa de investimento imobiliário de capitais portugueses, Green Jacket Partners, o promotor está a desenvolver o empreendimento One Green Way. Com 89 residências de luxo, o projecto conta com um conjunto arquitectos e designers – Plan Architects, Cracknell e Vilaça Interiores – que trabalham lado a lado

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Arquitectura

A Vilaça Interiores, empresa portuguesa de design e arquitetura de interiores, com sede em Braga, integra o grupo de arquitectos, designers que assinam o One Green Way, um condomínio com 89 residências, na Quinta do Lago, no Algarve.

Ao longo dos dois mil hectares da Quinta do Lago, em Almancil, situa-se o mais recente empreendimento One Green Way. Um projecto de 89 residências, promovido pela brasileira SPX Capital, que se juntou à portuguesa Green Jacket Partners, num investimento superior a 148 milhões de euros.
Fundada em 2010, a SPX Capital é uma das maiores empresas de gestão de activos do Brasil com escritórios em Londres, Nova York, Rio de Janeiro, São Paulo e Cascais. Desenvolve estratégias de macro, equity, crédito, imobiliário e private equity, a SPX Capital é administrada por uma equipa de experientes gestores de portfólio com histórico de entrega de resultados superiores, combinando capital humano de alta qualidade, processos robustos e valores éticos, construindo negócios a longo prazo.
Segundo Daniel Schneider, Partner da SPX Capital, “este novo empreendimento tem tudo a ver com facilidade de vida e as residências estarão prontas para seus proprietários se mudarem”.

Já a Green Jacket é uma empresa de investimento imobiliário sediada em Portugal, servindo como plataforma profissional para investidores internacionais e institucionais na Europa e com um forte foco em transacções off-market e curto time-to-market. Sobre este investimento, Jean-Noel Bioul, representante do Conselho Consultivo da empresa, considera que, “mais do que nunca, precisamos de viver com um sentido de comunidade” e por isso, trabalhar neste projecto “verdadeiramente distinto” tem sido “extremamente empolgante e recompensador”.
Segundo Daniel Schneider, Partner da SPX Capital, “este novo empreendimento tem tudo a ver com facilidade de vida e as residências estarão prontas para seus proprietários se mudarem”.
O empreendimento maximiza todas as vantagens da sua localização privilegiada, pois está ao alcance dos trinta e um campos de golfe do Algarve, restaurantes com seis estrelas Michelin, escolas internacionais, hospitais, instalações de lazer e centros comerciais. As residências oferecem acesso a um dos melhores campos de golfe do mundo, com o campo Quinta do Lago North Golf, situado no final dos jardins da residência, redesenhado em 2014 pelo arquitecto de golfe Beau Welling e pelo ex-capitão da Ryder Cup Paul McGinley.
Com privacidade inigualável, há infinitas oportunidades para relaxar nos muitos espaços comuns socialmente ativos dentro do empreendimento, como o clube de última geração de 1.500 pés quadrados, centro de negócios, restaurantes no local, piscina comum, totalmente equipada shopping center, Trackman Golf Simulator e lounge bar na cobertura.

Arquitectura a “três mãos”
Direccionado para o segmento premium e numa vertente de lazer e investimento, o projecto conta a presença de um conjunto de arquitectos de renome. Plan Associates Architects, Cracknell e Vilaça Interiores estão a trabalhar, lado a lado, num dos mais recentes empreendimentos da Quinta do Lago.

Fundada há mais de 35 anos, e com um longo trabalho na Quinta do Lago e prémios como o Architizer A+ Award e o CNBC international Property Award, a Plan Associates Architects “é especialista em arquitectura sob medida, sustentabilidade local e padrões globais” e são, também, os responsáveis pelos projectos de arquitectura do empreendimento, das villas e apartamentos.
Com uma equipa multidisciplinar “dedicada a criar um equilíbrio entre estética, funcionalidade e inovação”, a Plan é especializada “em design urbano, hotelaria e lazer, comércio e serviços, design de interiores e arquitetura residencial de alto padrão”.

Tendo como material de referência a pedra natural, Matias dos Reis, arquitecto da Plan Architects, refere que este projecto “combina materiais naturais e elementos contemporâneos, criando uma arquitectura atemporal”.

Para a componente da arquitectura paisagística, tão importante neste tipo de empreendimentos, a escolha recaiu no atelier Cracknell. Surge em 1987, em Londres, mas é no Dubai que se tem estabelecido nos últimos anos e onde tem desenvolvido grande parte do seu trabalho, tendo-se tornado numa reconhecida empresa de arquitectura paisagística, formada por uma equipa de mais de 240 arquitectos paisagistas, designers e engenheiros de todo o mundo. Entre os vários projectos de renome mundial e prémios de reconhecimento, a Cracknell foi nomeada para planear a arquitectura paisagística e design da torre Burj Khalifa, no Dubai. O projecto One Green Way marca a entrada da Cracknell em Portugal, um local onde “a natureza, o paisagismo e a arquitectura se conectam para criar um estilo de vida perfeito e um verdadeiro sentimento de pertença, uma mistura mágica de momentos privados e experiências partilhadas”, afirma Paul Cracknell, da Cracknell Design.
A presença nacional destaca-se ainda mais no que diz respeito à arquitectura de interiores, cuja assinatura cabe ao atelier Vilaça Interiores. “Estamos muito entusiasmados com a oportunidade de trazer a nossa visão e assinatura para este projecto coletivo, bem como com a concepção criativa do stand de vendas, que será a primeira grande montra do perfil diferenciador do empreendimento”, afirma Rui Vilaça, que em conjunto com o seu irmão Tiago Vilaça, é um dos responsáveis do atelier Vilaça Interiores, com sede em Braga. A vasta experiência no sector e presença em vários mercados internacionais, com destaque para Nova Iorque, Inglaterra, Dubai, Espanha e França foram factores determinantes para a integração da Vilaça Interiores no projecto, no qual ficaram responsáveis pelo design de interiores de três moradias que constituem o One Green Way e pelo stand de vendas do empreendimento. Já a inspiração partiu, desde logo, do mar, sol, festas, gastronomia e paisagens que tornam o Algarve uma região única no mundo. “Pretendemos que a decoração se integre naturalmente na paisagem envolvente da Quinta do Lago, que seja funcional e confortável, que seja apaixonante e completa. Queremos oferecer o pacote completo de tudo aquilo que ansiamos e procuramos num paraíso”, reitera Rui Vilaça.

As Villas
As residências do One Green Way são divididas em três tipos distintos: Horizon Residences, Panorama Residences e Garden Residences. Cada villa e cada apartamento é equipado com tecnologia de ponta, permitindo uma fácil conectividade e uma maior funcionalidade. Todas as residências desfrutam de um jardim ou terraço maduro e sustentável, criado para incentivar o relaxamento com a família e amigos.
Beneficiando de jardins privados, estes apartamentos são projectados para envolver todos os estilos de vida ao ar livre, com piscinas aquecidas, cozinhas ao ar livre, áreas de jantar distintas, diversos espaços de estar sombreados e áreas de plantação. Localizados perto do Clubhouse, o empreendimento disponibiliza, ainda, uma zona de restauração, lounge e loja de design, bem como uma piscina comum, área de bar, centro desportivo e pista de jogging e fitness.

Com um intervalo de preços entre os 2,7 milhões de euros e os 9 milhões, o novo empreendimento estará ao alcance dos trinta e um campos de golfe do Algarve, restaurantes com seis estrelas Michelin, escolas internacionais, hospitais, instalações de lazer e centros comerciais, assim como do Parque Natural da Ria Formosa e a uma curta distância da Praia da Quinta do Lago.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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Visioarq destacado internacionalmente com MG Coudelaria (c/ galeria de imagens)
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Visioarq destacado internacionalmente com MG Coudelaria (c/ galeria de imagens)

A sua sustentável integração na natureza valeu à MG Coudelaria o reconhecimento da Architizer A+ Awards. Com assinatura do gabinete Visioarq Arquitectos, o projecto de elege a madeira como material principal e a natureza como inspiração

Localizada em Vila Nova de Famalicão, a MG Coudelaria está inserida numa quinta de dez hectares onde a natureza e a paisagem do Minho foram mantidas intactas e quase intocáveis. A coudelaria dedicada ao ensino equestre e à criação de cavalos da raça Puro-Sangue Lusitano, e todas as suas infraestruturas – picadeiros, cobertos e descobertos, redondéis, pista de equitação, boxes e paddocks – foi este ano distinguida pelo Architizer, com um A+ Awards, na categoria Details – Architecture + Wood.

O projecto de arquitectura tem a assinatura da Visioarq Arquitectos, fundado por Nuno Poiares, Pedro Afonso e Vicente Gouveia.  A intervenção da Visioarq teve como premissa principal o enquadramento do novo edificado com a envolvente ambiental. Assim, a madeira natural do pinho enquanto material principal e a madeira lamelada colada surgem naturalmente enquanto soluções a compor não só os revestimentos exteriores e interiores como a própria estrutura dos edifícios. “O uso da madeira impôs-se, desde logo, por uma questão de enquadramento paisagístico. Desta forma, a integração do volume na paisagem surge de uma forma muito mais natural”, revela Vicente Gouveia. Outro dos argumentos que convenceu o arquitecto e a sua equipa foi a sustentabilidade dos materiais a empregar em obra. Acresce que “sendo uma construção em CLT, o sistema construtivo dá-lhe uma estabilidade dimensional e uma resistência mecânica muito superior”, explica Vicente Gouveia

O projecto privilegiou os elementos estruturas enquanto protagonistas do edifício, a partir dos quais tudo o resto se desenvolve. “O esqueleto é base da forma e tudo o resto assume uma leitura acessória. Com esta hierarquização pretende-se, de alguma forma, que o natural não perca o protagonismo e a importância que merece crescendo ao longo do tempo, envolvendo e integrando cada vez mais o edificado proposto”. A utilização da madeira na fachada e vãos e o seu jogo de aberturas permite um maior controlo ao nível da iluminação e ventilação naturais, não descurando o conforto e a maior eficiência energética.

Em simbiose com a natureza

Independentemente de se se estar a construir uma casa ou uma coudelaria “existem dois momentos na metodologia do processo de arquitectura: um momento que tem a ver com o momento conceptual em que a ideia surge do ponto de vista volumétrico de integração na paisagem e um outro que é o momento de pragmatismo”, sublinha o arquitecto. A verdade é que deste encontro entre a ideia e a concretização do programa não resulta necessariamente um confronto, pelo contrário. No caso da MJ Coudelaria esta simbiose resultou na criação de dois núcleos distintos que permitem “diluir” a estrutura edificada no meio envolvente, que se quis quase que intocado. “São eles as cavalariças por um lado e o picadeiro coberto por outro, ambos complementados com uma guia eléctrica e um picadeiro exterior. Pretendeu-se com esta solução de fragmentação que cada unidade seja descoberta aos poucos e em momentos diferentes, à medida que se percorre a propriedade, valorizando-se o factor surpresa com a criação de vários momentos distintos”.

Mas este é também um projecto que privilegia o pormenor, ajustando o edifício à sua utilidade desportiva, aos seus utilizadores, humanos e outros, e às diferentes funções. Para isso foram essenciais os encontros “com quem vai utilizar o espaço, sejam tratadores, veterinários, treinadores e promotores que investem e necessitam de potenciar a qualidade da sua actividade”, resume Vicente Gouveia. Todas as ferragens e acessórios foram desenhadas originalmente para os picadeiros, “materializando a simplicidade pretendida para um espaço com uma identidade muito própria, onde o contacto com os protagonistas do mundo equestre se faz de forma vincadamente sensorial”.

MG Coudelaria integra-se assim entre os muitos projectos que este atelier já conta e onde predominam os muitos projectos residenciais desenvolvidos para o mercado nacional, e não só, e, mais recentemente, os projectos desenvolvidos para o sector hoteleiro, onde destacamos o novo Renaissance Park Hotel, no Porto, que resulta num investimento de 56 milhões de euros.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

Manuela Sousa Guerreiro

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“Estudos mostram o excelente desempenho térmico do betão de cânhamo”

A aplicação do cânhamo na construção foi um dos temas em destaque no evento CannaPortugal 2022. O professor César Cardoso e a arquitecta Rute Eires apresentaram o processo de recuperação de uma casa-moinho com cânhamo e o seu bom desempenho enquanto regulador da humidade e da temperatura

Cidália Lopes

Actualmente professora do departamento de Engenharia Civil e membro do Centro de Território e Ambiente Construído da Universidade do Minho, foi em 2006 com a dissertação do mestrado que Rute Eiras estudou, pela primeira vez, o betão de cânhamo, também conhecido como “hempcrete”, naquela que “terá sido a primeira dissertação portuguesa a abordar o uso do cânhamo na construção”. À boleia de um maior interesse por materiais sustentáveis, também o interesse pelo cânhamo tem crescido. Neste sentido, Rute Eiras considera ser “a altura ideal” para dar um passo na transformação e passar a produzir este material também em Portugal.

Rute Eires

A falta de apoio tem sido o principal entrave para o crescimento da indústria do cânhamo em Portugal. “Todo o processo de separação da fibra do caule, sendo este último o utilizado no betão do cânhamo, requer muito investimento financeiro”, explica Rute Eires. O maior interesse neste material construtivo surge associado a um maior procura por materiais sustentáveis e, também, graças ao enquadramento que temos sobre as alterações climáticas que levou a uma mudança de mentalidade a nível global. Neste sentido, a arquitecta considera ser a “altura certa para concretizar o passo que falta na transformação e começar a ter cânhamo produzido em Portugal para ser utilizado na construção” e, desta forma, “tornar a matéria-prima um custo mais acessível e mais sustentável ainda”.

Não obstante, já é possível adquirir misturas de cânhamo para usar directamente em obra e também já existem blocos de betão de cânhamo produzidos em Portugal, ainda que com cânhamo importado nesta primeira fase.

Sustentável e Isolante
Tendo como principal vantagem a sustentabilidade, sobretudo se for produzido em Portugal, trata-se de um material “bastante isolante em termos térmicos e acústicos e tem que a capacidade de controlar a humidade do ambiente interior”. “Além disso, o betão de cânhamo capta dióxido de carbono e compostos poluentes do ar. Como tal, proporciona um ambiente saudável, confortável e reduz os gastos com aquecimento e arrefecimento.”, reforça Rute Eires.

Enquanto solução construtiva, esta apresenta-se, também, como opção relativamente fácil, já que “apenas precisa de reboco pelo lado exterior, sendo opcional, ter ou não revestimento pelo lado interior e não precisa de nenhum material de isolamento extra para cumprir o regulamento térmico, com apenas 20 cm de espessura mínima”.

Segundo alguns estudos, o cânhamo já foi aplicado na construção desde há cerca de 800 a.C. em argamassas em Ellora Caves, na India, também há referência ao seu uso numa ponte em França no Séc. VI. Hoje em dia, este material é utilizado em diversos edifícios contemporâneos e em reabilitações, em paredes, pisos e coberturas. É aplicado de diversas maneiras, compactado no local, em blocos ou projetado. Todavia, já existem estudos que mostram o excelente desempenho térmico do betão de cânhamo comparativamente à solução mais corrente de construção, a alvenaria de tijolo cerâmico, verificando-se, por exemplo, que durante o Inverno a temperatura dentro do edifício está 4◦C a 6◦C mais quente.

O bom desempenho do betão de cânhamo deve-se ao seu comportamento higrotérmico, ou seja, consegue regular a humidade e a temperatura do ambiente interior, tal como na construção em terra, mas com o cânhamo tem-se vantagem de se poder construir paredes com menor espessura.

O projecto da Casa-Moinho
A recuperação de uma casa-moinho, provavelmente da era medieval ou da idade moderna, cuja habitação no piso superior terá sido construída em 1928 e se encontrava em estado de degradação, foi um dos projectos em que utilizámos betão de cânhamo. O conceito de projecto foi de manter um compromisso entre o antigo e o contemporâneo, tanto nas técnicas de construção como nos detalhes de arquitectura. A opção pelo uso de materiais naturais e tecnologias de construção baseadas nas técnicas tradicionais tiveram influência na arquitectura, tendo sido considerados desde o início do projecto.

Deste modo, foi possível construir com paredes de espessura reduzida, mas mantendo um bom desempenho. A estrutura de madeira e taipa de fasquio continuam presentes, mas de uma forma mais contemporânea. O uso de betão leve de cânhamo industrial (cal com aparas de cânhamo industrial e fibras de celulose), seleccionado pelo excelente conforto térmico e acústico que proporciona, tem uma forte presença na casa, mantendo-se à vista em algumas paredes e no revestimento do tecto.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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Exportação: Cimenteira do Louro com 2M€ de mercadoria afectada por problemas logísticos

A Cimenteira do Louro tem em atraso, em armazém, o equivalente a 450 camiões. São cerca de 2 milhões de euros de mercadoria que a empresa não consegue colocar nos mercados de destino por falta de transporte. O aumento dos custos e as dificuldades logísticas ameaçam o crescimento e o investimento realizado não só no aumento da produção, mas também em I&D e o problema agrava-se a cada semana

Pelo terceiro ano consecutivo a conjuntura internacional está a condicionar, e muito, a vida às empresas nacionais pondo em risco o seu crescimento e o investimento realizado. O disparar do preço dos combustíveis fez aumentar os custos com o transporte, agravando ainda mais os problemas logísticos.

Com mais de 45% da sua facturação dependente dos mercados externos A Cimenteira do Louro (ACL) tem visto a situação agravar-se nos últimos meses. Actualmente, por falta de transporte a empresa tem em armazém mais de 450 camiões de produtos que não consegue fazer chegar aquele que é o seu principal mercado de exportação, a França. “O mercado da bricolagem, do DIY, francês é um importante mercado, onde conquistámos uma importante presença. Por ano exportamos cerca de três mil camiões para França”, refere Dinis Silva, administrador da ACL em declarações ao CONSTRUIR.

De acordo com o responsável, os constrangimentos estão a afectar as vendas naquela que é a época do ano mais forte para a ACL. “Este é um mercado muito sazonal sendo que as campanhas lançadas no início da Primavera são as mais importantes para os nossos produtos neste mercado. O que está a acontecer agora é que nos preparámos, produzimos, fizemos o stock da mercadoria para conseguirmos responder a essa procura sazonal e não estamos a conseguir fazer chegar a mercadoria ao seu local de destino”, explica Dinis Silva.
Nos armazéns da ACL estão a aguardar transporte mercadoria no valor a dois milhões de euros e a situação agrava-se a cada semana que passa, uma vez que “o ritmo de escoamento dos produtos é muito lento, apesar de trabalharmos com todas as grandes empresas logísticas nacionais. São 450 camiões em atraso, com mercadoria que deveria estar nas lojas e que está a acumular-se semana após semana”.
A falta de resposta por parte da logística é explicada pelo disparo dos custos de combustível, pela falta de mão-de-obra e pelas dificuldades de garantir o transporte de mercadorias no regresso dos camiões a Portugal. Sob pena de ficarem com os motoristas retidos no estrangeiro à espera de carga, muitas preferem nem efectuar o serviço. A alternativa é aumentar ainda mais os custos para o exportador, duplicando a factura com o transporte.

Do betão à inovação: a estratégia para conquistar mercados

“Temos uma forte ligação ao saber técnico, ao design inovador, e apostamos na qualidade, na performance e na resistência dos nossos materiais e soluções”, sublinha o administrador. Esta é a segunda geração da família ao leme da ACL, uma empresa fundada na freguesia do Louro, Vila Nova de Famalicão, por Manuel Leitão, em 1975. De empresa especializada na produção de blocos em betão e canalizações em betão para infraestruturas, a empresa foi-se especializando e apostando na inovação e design.
“Temos um percurso de duas décadas de exportação, o que não é fácil porque estamos a falar de produtos em betão para construção que são pesados, pelo que o factor transporte tem uma grande componente na formação do preço. O mercado mais explorado é, sem dúvida, o francês graças ao mercado de bricolage, que tem já uma grande tradição neste país. Sendo que actualmente exportamos para mais de 40 países”, conta Dinis Silva.

A entrada em mercados maduros como o Reino Unido, Itália (onde detém uma presença física) ou os Estados Unidos foi favorecida pela aposta na diferenciação e na inovação. As suas linhas exclusivas de revestimentos e pavimentos em betão têm conquistado os mercados mais exigentes, o que não é alheio à aproximação de um público profissional composto por arquitectos e designers internacionais.
“Temos produtos únicos, desenvolvidos por nós como o Marmocim, um pavimento mono betão que hoje está presente no nosso parque escolar, na rede do metro em Portugal e no Panamá. Os nossos produtos inovadores estão em mercado distintos e é um dos factores que nos faz crescer no exterior face à concorrência nacional que tem níveis mais baixos de exportação”, explica Dinis Silva.

O ano passado a ACL facturou 22 milhões de euros, tendo crescido, pelo segundo ano consecutivo, cerca de 20%, consolidando a sua já forte posição na produção de pavimentos, revestimentos e outros produtos em betão, produzindo marcas próprias para alguns dos seus produtos exclusivos.

O Médio-Oriente é outro dos mercados de aposta do grupo, responsável por cerca de 25 milhões de facturação. “São empresas distintas que seguem linhas estratégicas diferentes. Em Omã temos duas unidades produtivas que produzem o que denominamos de commodities, os blocos de betão, os produtos para saneamentos, os lancis para as estradas, enfim tudo o que é mais tradicional e que tem uma forte procura graças ao desenvolvimento e crescimento das infraestruturas que esta região conhece”, explica o administrador.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

Manuela Sousa Guerreiro

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Museu do Tesouro Real: Conjugar o presente e preservar o antigo

Inaugurado recentemente o novo Museu do Tesouro Real é o culminar de dois grandes desafios: concluir o Palácio Nacional da Ajuda e instalar nesse remate um museu para o tesouro real. Entre a necessidade de preservar o antigo e dar relevância ao novo assim nasceu um projecto assinado pelo arquitecto João Carlos Santos e que contou com uma equipa de 150 profissionais

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O novo Museu do Tesouro Real é a nova morada permanente das jóias da coroa e das peças da ourivesaria real portuguesa. O novo equipamento cultural da capital portuguesa representou um duplo desafio. Por um lado, concluir o Palácio Nacional da Ajuda, com o remate da sua ala poente que esteve inacabada durante 226 anos e instalar nesse remate um museu para o tesouro real, tendo em conta todas as medidas de segurança necessárias para proteger um património de valor inestimável e que é constituído por raras e valiosas jóias, insígnias e condecorações, moedas e peças de ourivesaria civil e religiosa, como é disso exemplo a coroa e a laça de esmeraldas de D. Mariana, aquela que se pensa ser a maior pepita de ouro do mundo ou a caixa de tabaco encomendada por D. José ao ourives do Rei de França no século XVIII e que a amante de Luís XV não queria deixar sair de Paris.
Mas antes de pensar na protecção de todas estas jóias para o arquitecto João Carlos Santos, impôs-se desde o início a protecção do próprio monumento nacional.

“O primeiro desafio foi pensarmos como materializar este remate junto do edifício que é uma pré-existência e que tem um valor patrimonial como é o Palácio Nacional da Ajuda. Depois foi como é que se remata um palácio que era para ter o triplo da dimensão que tem hoje e nunca chegou a ser concluído. Muitas pessoas olhavam para esta parte do alçado poente do palácio e pensavam que o palácio tinha tido um problema com o próprio terramoto, mas isso não é verdade o palácio foi construído precisamente por causa do terramoto porque o antigo Paço Real na ribeira, naquilo que é hoje conhecido como a Praça do Comércio, ficou danificado com o terramoto”, explica João Carlos Santos. “Como esta estrutura para ter o triplo da dimensão, tudo o resto não foi construído e a Calçada da Ajuda não era para existir aqui”, continua o responsável, “e, portanto, conciliar estas pré-existências todas foi efectivamente um outro desafio. Esta questão da calçada parece uma questão menor, mas não o é porque nós não podíamos avançar simplesmente por cima da Calçada da Ajuda”, refere João Carlos Santos que é simultaneamente o director geral da Direcção Geral do Património Cultural, DGPC, entidade que foi a responsável pelo projecto museológico.
Na realidade, a solução para o projecto final acabou por ocupar uma parte da Calçada, “ainda que o seu traçado tenha sido mantido houve uma alteração nos perfis e traineis da mesma de modo a fazer a concordância com as quotas do projecto”, conta o arquitecto.
Imperceptível, é o facto da nova estrutura, o remate, não tocar o Palácio Nacional da Ajuda. Como nos conta João Carlos Santos “os dois edifícios não estão ligados por questões estruturais e de segurança”, como se de uma grande junta de dilatação em todo o perímetro que une os dois edifícios se tratasse. O mesmo princípio, o da separação, foi seguido nas arcadas em pedra pré-existentes, não havendo contacto físico entre estas e o edifício em betão que, aparentemente, se ergue por cima dessa estrutura pré-existente. “Mais uma vez colocou-se a necessidade de protecção estrutural, o que levou à solução de construção de uma ponte por cima das arcadas, ao longo dos 26 metros de vão, e que não toca nessa estrutura que queremos salvaguardar e preservar”.

Num projecto com inúmeras particularidades, o arquitecto ressalva outro aspecto construtivo do projecto: este está “simplesmente” pousado no chão. Ao invés das fundações habituais, a solução construtiva adoptada passou pela utilização de estacas de grande dimensão, com um metro de largura, por sete metros de profundidade, tendo sido criado um ensoleiramento geral, uma espécie de tabuleiro, onde todo o edifício assenta.

Particularidades de uma estrutura ambígua que preserva e assume a entidade cultural e histórica do monumento nacional do qual faz parte, mas ao mesmo tempo assume uma identidade própria e moderna, imediatamente perceptível para quem nela entra pelo lado da Calçada da Ajuda e olha para a sua fachada moderna, rasgada por inúmeras janelas.

Um cofre no interior
O Museu do Tesouro Real, o segundo grande desafio proposto, é ele próprio uma caixa-forte. Uma solução eficaz reforçada pela sua cobertura em espuma de alumínio pintada de ouro, visível para quem entra ao nível do piso 1. Com 40 metros de comprimento, 10 metros de largura e 10 metros de altura, esta é uma das maiores caixas-fortes do mundo, com três pisos, munida com sofisticados equipamentos de segurança e videovigilância, portas blindadas de 5 toneladas. A segurança das peças é ainda reforçada por vitrines com controlo de temperatura e humidade e vidros à prova de bala.

O museu, em si, ocupa uma pequena parte dos cerca de 12 mil m2 de área, a maior parte da qual ocupada por áreas técnicas de grande dimensão e que estão vedadas ao público.

O projecto custou 31 milhões de euros, 18 milhões de euros do Fundo de Desenvolvimento Turístico de Lisboa, 4,8 milhões de euros da DGPC e 9 milhões de euros financiados pela Associação Turismo de Lisboa

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Engenharia

Prospectiva com projecto nas Ilhas Comores no montante de 1M€

Em Abril de 2019, as Ilhas Comores foram devastadas pelo ciclone tropical Kenneth, tendo a estrada que liga Mtsangadjou a Ouroveni sido uma das infraestruturas afectadas

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Com financiamento do Banco Mundial, o Ministério do Planeamento Regional e Urbanismo das Ilhas Comores, responsável pelos Transportes Terrestres, adjudicou à Prospectiva uma prestação de serviços para os Estudos Técnicos, Económicos, Ambientais e Sociais, assim como para a Gestão, Controlo e Supervisão das Obras de Reabilitação da RN2 e RN3, troço Mtsangadjou-Mohoro-Foumbouni-Ouroveni, numa extensão de 26 km.

Tendo iniciado em Março de 2022, a prestação de serviços da Prospectiva tem uma duração prevista de seis meses para a fase de projecto e de 12 meses para a fase de fiscalização, com um montante total de cerca de um milhão de euros.

No que diz respeito à fase de projecto, a Prospectiva será responsável por diferentes estudos, nomeadamente o correspondente ao traçado entre Mtsangajou e Foumbouni e o projecto de execução do troço entre Mtsangajou e Foumbouni, incluindo elaboração do caderno de encargos para o concurso da empreitada.

A prestação de serviços inclui, também a realização de Estudos Económicos e Medidas e Instrumentos de Gestão Ambiental e Social entre Mtsangajou e Ouroveni, assim como a actualização do projecto de execução disponível (estudo financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento) para este mesmo percurso. Será, ainda, dada assistência ao lançamento do concurso da empreitada e avaliação das propostas dos empreiteiros.

Relativamente à fase de fiscalização da obra, a adjudicação comporta a Gestão, o Controlo e a Fiscalização das obras dos primeiros 14 quilómetros do troço entre Mtsangajou e Mohoro, que são prioritários, e parte do troço entre Mohoro e Ouroveni dentro dos limites do orçamento disponível seguindo a recomendação do estudo da fase de projecto, indica a empresa.

A reabilitação de troços críticos da estrada principal que liga Mtsangadjou a Ouroveni, e que passa por Foumbouni, tem uma extensão aproximada de 26 km e estende-se pelas duas estradas nacionais RN2 e RN3. Os danos mais graves ocorreram na secção da RN2 entre Mtsangajou e Mohoro (cerca de 13 km), que está completamente deteriorada desde a passagem do ciclone. O projecto financiará prioritariamente as obras de reabilitação completas deste troço, incluindo os estudos técnicos da totalidade dos 26 km. Estes poderão recomendar e priorizar as zonas críticas mais afectadas no restante do trecho (Mohoro e Ouroveni) para financiar as obras associadas dentro dos limites do orçamento que possa estar disponível.

Em Abril de 2019, a União das Comores foi atingida pela passagem do ciclone tropical Kenneth, um dos mais devastadores da história do País. O Governo declarou Estado de Calamidade Natural a nível nacional e realizou uma avaliação do impacto do ciclone com o desenvolvimento de um Plano de Recuperação e Reconstrução (PRR) em Junho de 2019.

O Projecto de Recuperação e Resiliência Pós-Kenneth faz parte de uma resposta mais ampla e abrangente do Banco Mundial para ajudar o Governo das Comores a lidar com os impactos do ciclone. O objectivo do desenvolvimento deste projecto é apoiar a recuperação de infraestrutura pública e privada direccionada em áreas afectadas e aumentar a sua resiliência a desastres naturais e climáticos.

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Judiciária de Braga terá nova casa em 2023

A Polícia Judiciária (PJ) de Braga vai instalar-se na antiga sede da Associação Industrial do Minho (AIMinho), um edifício com três pisos localizado numa área central da cidade que o Ministério da Justiça adquiriu por dois milhões e meio de euros

Ricardo Batista

Deverão estar concluídos no próximo ano os trabalhos de reconversão das instalações da extinta Associação Industrial do Minho (AIMinho), edifício que, a partir do próximo ano, vai funcionar como a nova sede da Polícia Judiciária de Braga, um investimento de 2,5 milhões de euros promovido pelo Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça.

A Polícia Judiciária (PJ) de Braga, que tem um dos maiores Departamentos de Investigação Criminal do país, vai assim mudar para novas instalações em 2023, um dado confirmado pela ministra da Justiça que, por ocasião do Roteiro para a Justiça, recorda a precaridade das condições em que estão a operar actualmente os operacionais daquela unidade de investigação criminal. Em declarações aos jornalistas, após visitar as actuais e as futuras instalações da PJ de Braga, Catarina Sarmento e Castro assumiu que “são instalações que albergam um dos maiores Departamentos de Investigação Criminal da Polícia Judiciária, onde trabalham cerca de 90 pessoas, e trabalham numa situação muito deficitária. São instalações muito exíguas”, declarou a governante.

“As instalações ainda vão precisar de obras de beneficiação, mas o espaço é muito bom, já está previsto o orçamento e, portanto, contamos durante o próximo ano conseguir fazer essa mudança”, adiantou Catarina Sarmento e Castro. O ministério da Justiça diz que “existe um investimento estimado no valor de 2,5 milhões de euros, que será financiado por fontes de investimento, nas quais se incluem fundos na área da eficiência energética do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]”.

O Ministério da Justiça adquiriu, em 2021, as antigas instalações centrais da associação empresarial, naquela que é a concretização da “satisfação de uma necessidade há muito tempo sinalizada e que a breve trecho permitirá a instalação dos recursos humanos e materiais daquele departamento da PJ”, lê-se na nota publicada pela PJ na sua página na internet. “Com uma área total de 5.991 metros quadrados, vai permitir a instalação plena do Departamento de Investigação Criminal de Braga, bem como o desenvolvimento de meios e capacidades de resposta, no âmbito das respectivas competências, ao serviço da justiça”, enfatiza a mesma entidade.

Aposta na Justiça
Do ponto de vista do investimento no sector da Justiça, o Orçamento de Estado para 2022 prevê uma verba de “87,6 milhões de euros, dos quais 38,6 milhões de euros dizem respeito ao Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ), destinados essencialmente ao financiamento de obras e/ou construção em edifícios do Ministério da Justiça (tribunais, estabelecimentos prisionais, instalações da Polícia Judiciária, entre outros), e 30,3 milhões de euros dizem respeito às verbas orçamentadas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”.

O orçamento assume “o compromisso da requalificação e modernização das Infraestruturas da Justiça, designadamente dos estabelecimentos prisionais, tutelares educativos e de reinserção”. “Estamos a redefinir uma estratégia de futuro, que se quer também orientada por ferramentas tecnológicas que permitam bem gerir, seguindo critérios de racionalidade que deverão ser, igualmente, antecipatórios, devendo ser criada uma ferramenta partilhada de gestão”, afirmou. Para o efeito, o Governo avançará com “a construção de novas infraestruturas, e, concomitantemente, não será descurada a promoção das acessibilidades nos diversos tribunais, e a realização de múltiplas outras intervenções”, mobilizando o Fundo para a Modernização da Justiça e recorrendo a fundos ambientais e de eficiência energética. “A recuperação de infraestruturas permitirá” – conforme refere – “que se assuma o compromisso prioritário com a dignificação das condições de privação da liberdade no sistema prisional e de reinserção”.

Sobre o autorRicardo Batista

Ricardo Batista

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“A palavra-chave da transformação digital é colaboração”

A Vortal, plataforma de eSourcing e eProcurement, lançou o seu novo market place para a Construção. O VBuild é, simultaneamente, uma consequência e um estímulo à maior digitalização do sector. Um processo de transformação que em Portugal está, aos poucos, a ganhar ritmo

A pretexto do lançamento do seu novo mercado electrónico totalmente dedicado à construção, a Vortal aproveitou para juntar representantes da construção, dos fornecedores e reguladores para discutir os desafios e oportunidades gerados por esta “Nova Era na Construção”.
O sector não está alheio à urgência da digitalização, da normalização e da sustentabilidade, mas passar das palavras aos actos está a revelar-se mais complicado, ainda que a pressão da actual conjuntura sirva, de certo modo, para acelerar a revolução do sector. Um sector que não obstante a pandemia e as incertezas tem crescido. “Não há dúvidas que o mercado está activo e o número de licenças atribuídas no primeiro trimestre de 2022 veio confirmar essa realidade. Neste momento o número de players no mercado supera os que havia antes da pandemia. Em 2016 tínhamos cerca de 50 mil empreiteiros e hoje temos mais de 80 mil”, avançou Fernando Baptista, presidente do IMPIC – Instituto dos Mercados Públicos do Imobiliário e da Construção.

Mas apesar do número crescente de players, o sector não tem conseguido responder a questões cruciais para o seu desenvolvimento e transformação, desde logo na resposta à exigência de maior Sustentabilidade. Ainda que a legislação já exija a incorporação de materiais reciclados na construção a proporção de empresas que o fazem ainda é pequena e isso, uma vez mais, encalha no problema da digitalização. “Apesar dos cadernos de encargos já exigirem a inclusão de 10% de materiais reciclados é muito difícil certificar esses materiais. Mesmo quando existe objectivamente a utilização de materiais reciclados, as empresas não têm os sistemas que permitem emitir os certificados”, referiu Ricardo Gomes, vice-presidente da AICCOPN e presidente da AECOPS. “Talvez seja uma questão cultural, mas nunca olhamos para as leis e regulamentos prospectivamente, mas sim reactivamente. Invariavelmente, fazemos e cumprimos porque uma legislação assim o obriga quando devíamos estar a fazer mais cedo para que fosse um instrumento indutor e um incentivo à mudança nas empresas. Estes processes geram depois problemas de aceitação e transparência”, sublinhou Ricardo Gomes.
Este é um aspecto tanto mais importante quando abordamos o tema da sustentabilidade e a sua integração nos processos de procurement. E este é um tema sensível para toda a fileira da indústria dos materiais de construção. “Ao nível da construção a regulamentação está a ser o de facto o grande driver mas é preciso garantir condições e haver uma procura que se preocupe com a sustentabilidade” sublinhou José de Matos, secretário-geral da APCMC.

“Actualmente, muitos produtos já têm uma incorporação importante de materiais reciclados. A própria indústria foi impulsionada quer pela própria carência de matérias-primas, que é ainda um problema actual, quer porque a incorporação dessas matérias acaba por ser favorável à criação de novos produtos. Mas é preciso criar ainda um sistema onde isto funcione onde os resíduos estejam devidamente caracterizados e se conheça o seu percurso e tudo isto tem que estar, por sua vez, incorporado num sistema de informação interoperável”, explicou José de Matos. Mas este ´não é, afinal, um problema exclusivo dos produtos sustentáveis, mas um problema geral da indústria. O desconhecimento das especificações de produtos pode ser um entrave à sua contratação. Nos últimos dois anos a APCMC tem implementado o projecto “Speed Up – Materiais de Construção 4.0”, que visa a construção de uma plataforma digital, a APCMC Datacheck, que reúne as classificações e informações dos materiais de construção. Esta plataforma está pronta e será apresentada no próximo dia 31 de Maio. “A informação será directamente carregada e actualizada pelos fornecedores, num formato estandardizado, e que estará disponível para clientes e comerciantes desses produtos”, anunciou José de Matos.

ISO 19650: pôr um sector a falar a mesma língua
A utilização da tecnologia Building Information Modeling, BIM, acelerou a digitalização do sector da Construção, mas urge fazer da sua utilização a regra e mais ainda colocar o sector a falar “a mesma língua” e é aqui que a par da digitalização surge a normalização. Duas palavras que terão que entrar no léxico, e nas práticas, do sector o quanto antes ou este arrisca-se a perder competitividade nos mercados externos onde os critérios de contratação, pelo menos de obras públicas, já exigem a sua adopção. “O sector em Portugal não está muito atento à normalização ou não olha a normalização como uma coisa boa, mas no contexto de digitalização a existência de protocolos de informação garante a interoperabilidade da mesma e ajuda os fornecedores e todos os intervenientes a falar a mesma língua”, sublinhou António Aguiar Costa, director de inovação do Built CoLAB /PTPC. O especialista integra a comissão técnica de normalização que está a traduzir para o contexto do país a norma internacional ISO 19650 que gere informações ao longo de todo o ciclo de vida de um activo construído através do BIM. Um processo que deverá estar concluído em 2023.

Para perceber o problema da digitalização do sector é fundamental perceber “as diferentes realidades dentro do próprio sector, perceber o nosso imobilismo perante coisas que já não deveriam existir como por exemplo regulamentos urbanísticos e técnicos que impõem regras de licenciamento obsoletas e desadequadas e há muitos outros aspectos que deveríamos pensar e fazer de forma articulada para serem instrumentos de dinâmica de um processo de digitalização que tem uma palavra básica que, infelizmente, é contrária à nossa forma de ver as coisas que é a lógica colaborativa”, contrapôs Ricardo Gomes. “A palavra-chave da transformação digital é colaboração e a nossa filosofia de contratação é separação”, sublinhou o representante dos construtores.

O VBuilt da Vortal
É na aposta da digitalização do sector que assenta o novo market place da Vortal. O VBuild assenta em quatro pilares essenciais que permitem fazer face às dificuldades da realidade actual: uma rede alargada de fornecedores, qualificação dos mesmos, inteligência de mercado para conhecimento profundo da paisagem competitiva e a identificação de projectos em fase inicial, particularmente útil para os vendedores.

“Através da plataforma VBuild, 90% dos contratos são adjudicados a novos fornecedores, permitindo cobrir possíveis carências do mercado através do acesso a propostas mais competitivas e aos vendedores mais indicados para um determinado projecto. Por outro lado, os vendedores aumentam as suas oportunidades de potenciar os seus negócios”, assegura a plataforma.
Por ser totalmente dedicado ao sector, o VBuild permite a construção de uma rede alargada de fornecedores qualificados em diversas categorias. Por ser um processo de compra totalmente digitalizado, resulta ainda em poupanças significativas para as empresas – em média poupam 22% por ano –, redução do risco e gestão de todo o processo de forma eficiente, transparente, inovadora e sustentável.
“O VBuild permite às empresas melhorar o seu desempenho, diminuir os riscos e inovar nos seus processos e organizações. Compradores e fornecedores têm agora à sua disposição uma plataforma inteligente com oportunidades de negócio e de acesso simples e fácil”, afirmou Miguel Sobral, CEO da Vortal.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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“Este ano prevemos chegar aos 150 milhões de euros em volume de negócios”

A Home Tailors Real Estate fechou 2021 com um volume de vendas de 78 milhões de euros, o que se traduziu no “melhor ano de sempre” da marca. Mas, com um plano de expansão, que visa chegar às 30 lojas até 2023, a expectativa é que este montante duplique

Cidália Lopes

Ao CONSTRUIR, David Carapinha, CEO e founder da Home Tailors Real Estate explica-nos de que forma a marca pretende colocar em prática o seu plano de expansão e quais as zonas prioritárias, cujo investimento é de 4,5 milhões de euros. Direccionados para o cliente do segmento médio / alto, assim como para o cliente estrangeiro, o responsável da marca sentiu que com a pandemia houve uma necessidade de se adaptarem aos mercados e à procura mais fora dos centros urbanos

A Home Tailors teve início há cerca de cinco anos e tem cinco lojas. São todas em sistema de franchising?
Neste momento temos duas agências próprias, as de Lisboa, Areeiro e Telheiras, e as restantes são em regime de franchising. Neste momento já chegamos as seis lojas. Abrimos recentemente a agência de Braga. As outras lojas que temos estão localizadas em Sesimbra, que foi a nossa porta de entrada para o distrito de Setúbal. Uma loja junto à praia que tem trabalhado muito o mercado internacional, um mercado bastante sazonal e que tem sido uma descoberta daquele que é o mercado da Margem Sul. Depois estamos em Mafra e na Ericeira.

São localizações muito distintas. Quando fala que têm como objectivo chegar às 30 lojas quais as principais cidades onde pretende instalar-se?
O objectivo é que a Home Tailors chegue de Norte a Sul do País e ilhas inclusive. Nesta primeira fase iremos reforçar a zona da grande Lisboa, com mais agências em Lisboa e na Margem Sul e no próximo ano contamos chegar à região Norte, depois de Braga chegar ao Porto, ao Centro e também no próximo ano chegar ao Algarve.

Até 2023?
Exactamente. O nosso plano de expansão, que já está em curso, que tem já várias unidades em análises, será para que este ano cheguemos às 15 agências e no próximo surjam novas 15 agências Home Tailors pelo País.
Dependendo da zona onde a loja se encontra, o objectivo será que cada loja se especialize num determinado mercado ou público específico?
Na verdade, há sempre uma adequação ao cliente tipo da região. O nosso target é cliente do segmento médio / alto. Ainda assim, a estratégia de comunicação em cada região é que irá ser adaptada ao tipo de cliente. Nós trabalhamos muito o cliente internacional, que representa quase metade do nosso volume de vendas, mas também trabalhamos bastante as famílias portuguesas e a classe média, daí que para nós seja importante o papel das construtoras, como das agências imobiliárias dar a conhecer Portugal no sentido de que o País não se limita apenas a Lisboa, Porto e Algarve. Nós conseguimos estar no Centro do País em muito pouco tempo e ajudar a descobrir outras regiões para estes clientes internacionais. Por outro lado, com a pandemia tivemos o outro fenómeno das famílias a querem afastarem-se dos centros urbanos. Embora estes continuem a ser o ponto de maior interesse e onde existe o maior volume de vendas, mas a procura para fora dos grandes centros urbanos também aumentou bastante, o que nos faz também adequar o nosso plano de expansão para estar próximo desses novos pontos de interesse.

É possível fazer o paralelismo do que era o mercado antes da pandemia e o que é agora? Houve uma diferença tanto em termos de mercado, como de produto disponível é isso?
O mercado adaptou-se. Nunca deixamos de trabalhar na pandemia, na verdade 2020 foi o nosso melhor ano, no qual tivemos um crescimento de 200%. Superou as expectativas muito por essa necessidade de adaptação que as famílias tiveram e que os investidores também acabaram por fazer. A ideia de que as pessoas iriam fugir todas para o campo acabou por não acontecer, mas acredito que pela primeira vez as pessoas viveram verdadeiramente as suas casas e isso fê-las perceber as necessidades que tinham de mais um quarto, uma sala maior, uma varanda ou terraço maior e por isso mesmo dentro dos centros urbanos houve esse fluxo de mudança. E após o Verão de 2020, quando todos nós percebemos que isto do Covid não ia ser algo que iria passar tão rápido como todos pensámos. Em 2021 essa diferença de procura foi muito marcante. Este fluxo de procura para casas com características diferentes levou com que os investidores tenham que fazer procuras diferentes, quem procura para reabilitar para colocar no mercado de venda ou arrendamento tem que dar resposta a esta procura. Ainda não podemos dizer que a maior procura é fora dos centros urbanos, não é verdade. Os investidores estrangeiros principalmente continuam focados nos pontos como Lisboa, Porto e algumas zonas do Algarve, mas umas das razões prende-se com a facilidade de infraestruturas, nomeadamente no que toca por exemplo aos transportes e rede viária, ou até saúde e cultura. Se estas estruturas de apoio não existirem não depois um grande investimento nessas regiões.

Mas os estrangeiros continuam a procurar mais as grandes cidades ou notam-se uma mudança neste paradigma com a pandemia e uma maior procura pelo interior do País?
Na verdade, depende do tipo de estrangeiro. Se for investidor ainda continua muito a apostar nos centros urbanos, mas surge cada vez mais o comprador estrangeiro que pensa ter o seu refúgio em Portugal e ai já começa claramente a procurar zonas como o Alentejo ou o Ribatejo, zonas até mais a Norte, próximas da fronteira com Espanha. Portanto, se for por uma questão se segurança do investimento ainda se olha para os centros urbanos de maior dimensão, quando pensamos na procura de um espaço para a reforma e para a qualidade de vida, uma segunda habitação, aí sim, o investidor estrangeiro que pensa um dia vir morar para Portugal já não está tão preocupado em estar no centro da cidade, pelo contrário.

Qual o investimento previsto para o plano de expansão da Home Tailors?
Se falarmos no plano de expansão completo estamos a falar num investimento na ordem de 4 milhões de euros, e grande parte passará pelo reforço da nossa comunicação e estruturas necessárias para que a rede se expanda. Ainda é uma rede bastante jovem, com cinco anos e a nossa estratégia de comunicação está em curso. Vamos chegar brevemente à televisão. E por outro lado, também pela formação das equipas, para que estas estejam preparadas numa maior escala de Norte a Sul do País.

Qual a perspectiva de crescimento para este ano?
2021 fechou com um volume de vendas de 78 milhões de euros e com crescimento de 21% face a 2020 e este ano vamos superar esse valor. Foi uma surpresa termos crescido tanto em 2020 e em 2021 voltar a crescer. No 1º trimestre deste ano já atingimos quase os resultados que tivemos no ano passado todo e se o mercado se mantiver como está, tudo indica que vamos duplicar esse valor este ano.
Primeiro porque teremos mais unidades em funcionamento, e por isso é uma consequência, porque a marca está a expandir-se e, portanto, o volume de clientes também aumenta e porque, este ano, se espera que seja um ano de retoma do investimento internacional, que não tendo parado, ainda assim, abrandou no seu ritmo e nas decisões e que agora começam a normalizar-se.
Obviamente, que a guerra na Ucrânia está a tornar os processos mais lentos, mas é um efeito normal perante uma situação destas, pelo menos ao nível das decisões por parte do cliente estrangeiro que está a observar com atenção o que se está a passar na Europa.

Internamente, a Home Tailors tem criado uma Academia para facultarem essa formação. Como é que se processa essa formação e o que é que a distingue?
Desde o primeiro dia da empresa apostámos sempre na formação, uma formação variada e de qualidade. Há dois anos surgiu a nossa Academia. Aliás, pouco tempo antes da pandemia surgir construímos um espaço com todas as condições e infraestruturas necessárias e quatro meses fomos para casa e tivemos que nos adaptar e em 10 dias a nossa Academia passou toda para o formato online. Nós temos formação interna e trabalhamos com muito outsourcing. este ano foi o ano em que atingimos o maior número de horas de formação – 600 horas – com uma clara aposta na área de vendas e de atendimento ao cliente, mas há depois muita formação na área legal, na imagem, no marketing, nas redes sociais, até no home staging e na área da motivação. É importante também referir que é muito trabalhado também o conceito de luxo e a forma como é vendido o imóvel.

Para quem queira abrir uma loja da Home Tailors como é que se processa e que tipo de apoio é que a marca dá?
No que diz respeito ao franchising, abrimos candidaturas em determinadas zonas e quando existe um processo de candidatura, com um business plan, com um apoio na área financeira, o candidato propõe-nos um ou dois espaços e depois existe todo o acompanhamento desde o plano de negócios até à montagem da unidade e o lançamento dessa unidade. Após a unidade estar em funcionamento, existe um acompanhamento permanente do Master e um estágio em lojas que já se encontram em funcionamento. Todos os funcionários passam por estágio pela nossa loja escola e onde, ao mesmo tempo, é iniciada a formação das equipas comerciais, com uma componente online e, numa fase inicial, também presencial.

Uma vez que trabalham muito com o cliente estrangeiro, a recente alteração do programa Golden Visa tem vos direccionado para outras zonas do País ou para outro tipo de produtos?
Existe mais procura do que oferta. muitas vezes essa é a dificuldade. E por isso é que é importante que exista realmente um estímulo para que os construtores e os promotores se instalem nestas regiões e que desenvolvam essas infraestruturas. Mas mais uma vez quem tem procurado imóveis no âmbito deste programa em regiões diferentes dos centros urbanos é na perspectiva de vir morar para Portugal, o que terá sido também a ideia do programa em si quando foi criado, para gerar riqueza e não apenas como um canal de entrada para a Europa. Acredito que este programa suscita realmente o interesse pelas regiões mais interiores para quem quer residir em Portugal, mas falta informação ainda. É certo que é uma mudança ainda muito recente e como tal não há ainda muita informação. Até porque o investidor estrangeiro não vê grande diferença quando lhe dizem que só pode investir fora dos centros urbanos e que essas áreas ficam apenas a 1h30, porque para o estrangeiro isso não é muito longe, por exemplo, para um brasileiro ou para um americano, o que falta efectivamente são infraestruturas, como os transportes, cuidados de saúde e de apoio que ajudem a fixar as pessoas.

Apesar da importância do mercado estrangeiro para a Home Tailors, o cliente nacional continua a ter um peso considerável. Sentem que o constante aumento do preço médio da habitação tem-se reflectido no vosso negócio?
A verdade é que com o aumento do preço da habitação nova, também o preço dos usados se torna mais competitivo e tende a acompanhar esta tendência. Ainda assim continua a existir uma procura muito superior à oferta e aqui é o mercado a auto regular-se e por isso os preços acabam por se balizar por cima. No caso da construção nova, a escassez de mão de obra qualificada, a falta de materiais ou os prazos de entregas muito prolongados têm sido um problema. Já em 2019, havia situações em que a construção usada atingia valores da construção nova. O comprador acabava por optar pela casa nova, com cinco anos de garantia. Actualmente, o preço aumentou porque a margem que os construtores tinham foi engolida para suprir o aumento dos custos dos materiais.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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O ano de arranque da Logística

Em 2022, o investimento imobiliário no sector logístico e industrial deverá disparar, impulsionado pela entrada de novos players no mercado e acompanhando o crescimento do sector a nível europeu, assim haja activos para comercializar

O segmento de Indústria e Logística na Europa recebeu, no ano passado, um volume de investimento de 62 mil milhões de euros, um valor 79% acima da média dos últimos cinco anos. De acordo com o estudo da Savills European Logistics Outlook, de Fevereiro, o ano passado terminou com a absorção de 40 milhões de m2 na Europa, um valor sem precedentes que se coloca 40% acima da média da área absorvida nos últimos cinco anos.

Em Portugal, o sector segue a tendência de crescimento, mas esbarra com a falta de activos para comercializar. “Ao contrário do que se verificou em diversos países europeus nos últimos anos, o investimento em activos de logística teve uma reduzida expressão em Portugal, não pela falta de interesse por parte dos investidores, mas principalmente por não existir produto disponível para venda”, refere Michael Costa Gabriel, consultor de Industrial e Logística da CBRE Portugal. Segundo o responsável, “efectivamente, em 2021, o investimento no sector Industrial & Logístico totalizou apenas 65 milhões de euros, ou seja 3% do investimento total em imobiliário comercial em Portugal (no conjunto dos países europeus representou 17% do investimento total)”. Contudo, este especialista não tem dúvidas: “Em termos de volume transaccionais, Portugal parte de uma posição abaixo dos níveis europeus, no entanto, acompanha efectivamente a tendência europeia em termos de crescimento e interesse no segmento, registando já um investimento acelerado em 2022, directamente associado à grande procura de activos logísticos”.

A opinião tende a ser unanime ao sector. “O mercado imobiliário tem vindo a sofrer mudanças bastante positivas, nomeadamente no sector logístico e já em 2021 verificámos um recorde nos valores de ocupação na ordem dos 700 000 m2”, sublinha Sérgio Nunes. O responsável, Head of Industrial, Logistics & Land da Cushman & Wakefield, afirma que “neste momento Portugal está a acompanhar a tendência de crescimento da Europa no sector. Contudo ainda existe um longo caminho pela frente para que possamos acompanhar o investimento dos outros países europeus no segmento logístico”.

O ano de 2022 arrancou da melhor forma para o segmento I&L, com um volume de investimento de aproximadamente 170 milhões de euros. Em apenas três meses mais do que duplicou o valor do investimento total do segmento registado o ano passado. “Encontram-se actualmente em negociação diversos outros activos, incluindo portefólios, e a CBRE estima que no total do ano serão canalizados para esta classe de activos mais de 750 milhões de euros, o que será certamente um valor recorde em Portugal”, avança Michael Costa Gabriel.

Os drivers do crescimento

O crescimento do segmento de I&L em Portugal tem sido impulsionado pelo aumento do comércio do e-commerce, mas também pela necessidade de as empresas aumentarem os seus stocks, de forma a poderem cumprir o normal funcionamento da sua cadeia de distribuição. Uma preocupação especial depois das dificuldades sentidas no transporte e distribuição internacionais nos anos de pandemia. “O e-commerce foi um dos principais drivers que contribui para o crescimento da indústria logística em Portugal, visto que os players necessitaram procurar espaços e armazéns que garantissem a disponibilidade dos seus produtos, no menor tempo possível, aos clientes. Contudo, este crescimento tenderá a ser influenciado, e impactado, pela guerra na Europa, uma vez que este acontecimento veio alterar trocas comerciais, as necessidades das empresas e, sobretudo, suscitar alguma preocupação nos investidores”, justifica Sérgio Nunes.

Nesse sentido, “há uma procura robusta por diversos produtos logísticos, desde naves logísticas a distribution centres. Perspectiva-se a contínua penetração do e-commerce no mercado nacional, aumentando consequentemente o interesse em activos dedicado a este segmento”, refere Michael Costa. “Registamos um maior número de operadores logísticos no panorama nacional, associado à expansão da actividade e reorganização de empresas, que inclui a restruturação de activos. Consequentemente, existe um flee to safety, com a procura de activos modernos que oferecem melhores condições de segurança e conforto aos colaboradores, com impacto na produtividade dos mesmos”, continua o mesmo especialista.

Um mercado alimentado por players internacionais
A Cushman & Wakefield perspectiva um ano com muitas transacções – desde a aquisição de terrenos para desenvolvimento de novos parques logísticos, à compra de armazéns activos com rendimento e de armazéns vazios para serem ocupados nos principais eixos, de Lisboa e Porto. “A par disso, a aposta em novos parques logísticos irá traduzir-se em mais oferta aos ocupantes, bem como um mercado mais estruturado para os players do sector logístico”, sustenta Sérgio Nunes. Para o Head of Industrial, Logistics & Land da consultora os principais “players que têm vindo a investir no mercado logístico nacional são, essencialmente, internacionais, de grande dimensão, com um perfil value-added e, cujo objectivo, consiste em reposicionar e acrescentar valor aos activos, bem como apoiar parceiros locais”.

Para Michael Costa Gabriel a procura e o interesse é partilhada tanto por investidores nacionais como internacionais alimentados, e muito, pela “grande margem de progressão do sector logístico. Para o Consultor de I&L há ainda “muito a fazer em termos de novos e melhores activos logísticos. O sucesso registado por parte destes investidores na colocação e venda de activos traduz-se numa renovada vontade de investir no sector. Há novos players que estão em Portugal para ficar, e que procuram aumentar a sua oferta.

Mas nem tudo é fácil, persiste a escassez de produto disponível uma vez que existe um grande volume em pipeline que não deverá estar concluído antes de 2023. Pelo que a escassez de oferta disponível deverá alimentar a tendência de adaptação dos espaços já existentes. O aumento de custos, quer dos combustíveis, mas também da energia e dos materiais de construção tenderão a impactar o segmento de I&L em Portugal. “Diria que a lentidão burocrática, associada a atrasos nos licenciamentos, representa a maior ameaça à expansão do sector logístico em Portugal. Em paralelo, as indefinições dos custos de construção levam a cuidados acrescidos, que podem limitar o crescimento”, alerta Michael Costa Gabriel.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

Manuela Sousa Guerreiro

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Projecto da Vanguard na Comporta avança para nova fase

As vendas da componente residencial e hoteleira do condomínio Dunas deverão arrancar a partir de Julho e as primeiras moradias deverão estar concluídas em 2024. Ainda este ano, o campo de Golfe pode começar a receber os primeiros jogadores

Cidália Lopes

Um dos mais emblemáticos projectos da Vanguard Properties, o Terras da Comporta, está prestes a entrar numa nova fase. Com as infraestruturas do condomínio Dunas concluídas no Verão deste ano, a promotora “estima dar início às vendas em planta da parte residencial e hoteleira a partir do segundo semestre de 2022”. Ao Construir, Duarte Zoio, head of corporate communications da Vanguard Properties, confirmou, ainda, “que até 2024 estão previstas terem dezenas de moradias prontas a habitar”. Os preços esses rondam os 1,7 e os 20 milhões de euros.

Também no Dunas, o campo de golfe com 18 buracos, par 72, desenhado por David McLay-Kidd, “que já está na fase final de growing, estará apto a ser jogado em Setembro deste ano”.

Refira-se que o condomínio Dunas inclui hotelaria e condomínios turísticos, uma componente comercial e cultural bem como um conjunto de serviços, entre os quais uma clínica médica, assim um Clubhouse com capacidade para eventos.

Já o condomínio Torre deverá ter as suas infraestruturas concluídas entre o final do ano e início de 2023. Também neste, inserido num pinhal com 365 hectares, estão previstas moradias, hotelaria e condomínios turísticos bem como campo de golf de 18 buracos par 72. Desenhado por dois campeões do US Open este percurso terá um Clubhouse dimensionado para eventos desportivos, culturais e corporativos.

Quanto à componente hoteleira, a Vanguard Properties “estima ter um ou dois hotéis prontos entre 2024 e 2025”.

Com um investimento global superior a três mil milhões de euros, este é um projecto para desenvolvimento a médio e longo prazo. O projecto de arquitectura dos lotes esteve a cargo da AO – LX e da OODA, tendo o atelier Saraiva + Associados assinado o Clubhouse do Dunas e da Torre, assim como a coordenação geral do restante projecto. O paisagismo do Clubhouse do Dunas coube a PB ARQ e da Torre foi da responsabilidade de Hipólito Bettencourt. A empreitada está a cargo da DST e a fiscalização é da Tecnoplano. A TPF assume os trabalhos de projectista das infraestruturas dos condomínios.

Sustentabilidade

A preocupação ambiental tem sido uma das bandeiras da promotora para este projecto que, desde que concluiu o negócio para a sua aquisição, sempre se quis distanciar de um tipo de construção massiva e abusiva. É nesse sentido, que a aposta ao nível da sustentabilidade, da economia circular e respeito das tradições locais são alguns dos pilares do Terras da Comporta.

Ao nível da qualidade e eficiência das infraestruturas, a Vanguard Properties optou por um método construtivo inovador e menos invasivo, em madeira, NZEB e C02 negativas, integradas numa Comunidade Energética.

Neste sentido, e por forma a permitir “uma autonomia energética de pelo menos 80% através da produção própria a partir de fontes renováveis”, a Vanguard Properties e a Energia Unida, do Grupo Greenvolt, anunciaram, recentemente, uma parceria para desenvolver uma comunidade de produção descentralizada de energia para o Terras da Comporta. Todos os edifícios que serão construídos no projecto estarão ligados à comunidade energética descentralizada, o que significa que serão simultaneamente produtores e consumidores de energia, o que inclui os dois campos de golfe, loteamentos residenciais, hotéis, hotéis-apartamento, aldeamentos turísticos e equipamentos logísticos e comerciais.

De acordo com a promotora, “esta será a maior comunidade energética de Europa” e deverá contar com uma produção estimada de cerca de 7MW através da instalação de 35.000 m² de painéis fotovoltaicos.

O investimento previsto é de até 11 milhões de euros, sendo que até sete milhões de euros serão investidos por parte da Energia Unida e até quatro milhões nas estruturas de car-park, a cargo da Vanguard Properties, sobre os quais serão instalados os painéis.

O conceito de comunidade energética consiste na produção descentralizada de energia e partilha com os membros da comunidade. A título de exemplo, no caso do “Terras da Comporta”, cada casa, cada unidade hoteleira ou espaço comercial terão instalados painéis fotovoltaicos que estarão a produzir energia para consumo próprio ou para partilha com a comunidade, sempre que não haja necessidade de consumo ou em caso de excesso de produção. Desta forma, há uma optimização da produção e do consumo com benefícios muito significativos para os consumidores que podem atingir uma redução do custo de energia de cerca de 40%. Por outro lado, tratando-se de produção de energia a partir de fontes renováveis vai contribuir para o grande objectivo de sustentabilidade do projeto, que passa por garantir que todos os edifícios construídos sejam neutros em emissões de carbono (Net Zero Carbon Buildings).

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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