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    Sismos: Engenheiros asseguram segurança em edifícios e infraestruturas

    Os alertas não são de agora mas a discussão volta a assumir papel de destaque a reboque da tragedia que abalou, na última semana, a Turquia e a Síria: a edificação em Portugal continua a não responder às necessidades de reforço da resistência sísmica, nem ao nível das obras de reabilitação nem de construção nova. Especialistas falam em “irresponsabilidade criminosa” por parte dos decisores políticos

    Ricardo Batista
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    Sismos: Engenheiros asseguram segurança em edifícios e infraestruturas

    Os alertas não são de agora mas a discussão volta a assumir papel de destaque a reboque da tragedia que abalou, na última semana, a Turquia e a Síria: a edificação em Portugal continua a não responder às necessidades de reforço da resistência sísmica, nem ao nível das obras de reabilitação nem de construção nova. Especialistas falam em “irresponsabilidade criminosa” por parte dos decisores políticos

    Ricardo Batista
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    À data de fecho desta edição, está ainda distante o momento em que serão concluídos os trabalhos de recuperação de sobreviventes e recolha de corpos de quem não resistiu aos efeitos de uma série de sismos e consequentes réplicas que sacudiram a Turquia e a Síria. Na noite de 6 de Fevereiro, ambos os países foram abalados por um potente sismo com 7,8 graus de magnitude, um dos mais fortes registados na região em mais de um século. O abalo ocorreu pelas 4h17 [1h17 em Lisboa] a 33 quilómetros da capital da província de Gaziantep, no sudeste da Turquia. O sismo inicial foi sucedido por vários abalos, entre os quais um outro de magnitude 7,5. As réplicas que atingiram a região horas mais tarde causaram ainda mais devastação, sendo que o número de mortos ultrapassa largamente os 10 mil.

    O que [não] está a ser feito
    Esta tragédia, cuja dimensão ainda não é possível apurar com rigor, como tantas outras situações, mais ou menos nefastas, tem o condão de colocar na ordem do dia um conjunto de matérias que parecem arredadas da ordem do dia. A propósito da crise sísmica da Turquia, vários têm sido os especialistas a alertar para o que não está a ser feito no reforço estrutural do edificado existente que possa atenuar, de uma forma mais eficaz, os efeitos da deslocação das placas tectónicas em que assenta o território nacional.

    Vai acontecer
    Havendo certezas, uma delas é de que Lisboa, o Vale do Tejo e possivelmente a região do Algarve vão voltar a sentir um fenómeno semelhante ao que em 1755 destruiu a capital, provocando entre 40 mil a 80 mil mortes no País, 20 mil dos quais em Lisboa. Segundo o simulador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, um novo sismo poderá matar entre 17 mil e 27 mil pessoas, dada a vulnerabilidade de Lisboa, sobretudo ao nível dos edifícios. A grande dúvida é saber quando isso acontecerá. Até lá, há trabalho a fazer como recorda Eduardo Cansado de Carvalho. Para o engenheiro civil, ligado à fundação da Gapres, não sendo possível reduzir a perigosidade de um sismo, é sim possível reduzir a vulnerabilidade do edificado. Em declarações à CNN, Cansado de Carvalho admite que não é possível comparar a situação sismológica e de sismicidade da Turquia com a de, por exemplo, Lisboa, do mesmo modo que não é, todavia, possível comparar a qualidade de construção de Lisboa com a da generalidade do território turco. Contudo, alertou para a necessidade imperiosa de “melhorar a qualidade dos projectos, melhorar a sua fiscalização e melhorar a responsabilização das pessoas que intervêm na construção”.

    “Temos de fazer isso o mais rápido possível. Tem de ser feito em relação aos edifícios novos, aos edifícios que estão por construir e aos edifícios que vão ser reabilitados”, disse. Mais caustico, João Appleton chama a atenção para um conjunto de práticas que colocam em causa não apenas a engenharia como os próprios engenheiros. Para o Investigador Coordenador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil e antigo conselheiro do Conselheiro do Conselho Superior de Obras Públicas, “em obras particulares e mesmo em muitas obras públicas não são feitas verificações do projecto”. “Como aquilo que se aceita é um termo de responsabilidade, uma declaração em que o projectista diz que cumpre os regulamentos, parte-se do princípio que quem diz e escreve uma coisa destas, não mente. Mas eu acho que os portugueses não são diferentes dos outros e mentem. Mentem muito”. Para Appleton, “os engenheiros são, desse ponto de vista, muito razoavelmente mentirosos. Assinam termos de responsabilidade e violam de forma metódica os regulamentos existentes, fazem batota, sem que isso tenha consequências. Alguns explicarão isto porque os níveis de honorários atingiram a indigência. É curioso que a soma dos valores dos honorários de todos os projectos para uma determinada obra, por exemplo de um edifício valem muito menos que a comissão que é paga à empresa de mediação que fica responsável pela venda dos edifícios. Isto é impensável”.

    O engenheiro civil lembra os resultados de inquéritos recentes que apontam para a desvalorização do mérito. “Os portugueses, em relação ao mérito, são razoavelmente relutantes. Aliás, olhando para algumas das respostas, percebe-se que engenheiros e arquitectos são vistos como alguém que gosta de complicar as coisas, querem ‘coisas a mais’. ‘Que é isso da segurança sísmica? Haverá mesmo sismos ou isso é uma invenção vossa, dos engenheiros?’”, acrescenta. Nos últimos dias, a propósito da capacidade de resposta em caso de ocorrência de um grande sismo, Mário Lopes, professor do Instituto Superior Técnico e doutorado em Engenharia Sísmica pelo Imperial College, de Londres alertou para o facto de os principais hospitais da região da capital ou mesmo do Sul do País nunca terem recebido obras de reforço sísmico, correndo o sério risco de colapsar.

    “Receio que, por várias razões, há um conjunto de edifícios que tenham problemas, mesmo com estruturas de betão, tão graves, por vezes mais graves do que edifícios mais antigos”, relatou Mário Lopes também à CNN, recordando que o projecto do Hospital de Todos os Santos, que devia estar concluído em 2022 mas que tão pouco ainda foi começado, e que seria uma unidade de referência na região de Lisboa (vai substituir quatro velhos edifícios, nomeadamente São José, Santa Marta, Dona Estefânia e Capuchos), não contempla nenhum reforço sísmico. “O Governo não está nada preocupado se o hospital de Todos os Santos vai ou não funcionar depois do sismo para acolher todos os doentes que precisam de ser tratados para não morrer. É uma atitude de uma irresponsabilidade criminosa porque vai morrer gente por causa destas decisões que estão a ser tomadas agora”, assegura Mário Lopes, que adianta que a unidade será construída sem isolamento de base, sistema que garante a sua operacionalidade em caso de sismo.

    Hospital da Luz com isolamento base

    Os fenómenos sísmicos são eventos naturais que não são susceptíveis de ser controlados nem previstos com rigor. Uma das formas de prevenção é a aplicação de sistemas de protecção sísmica que permite dar às diversas estruturas uma maior capacidade para resistir às acções sísmicas. Um desses sistemas é o isolamento de base, composto por um conjunto de apoios de borracha que são inseridos na base das estruturas. Se em relação a pontes e infraestruturas são vários os casos em que isso está implementado, em relação a grandes edifícios apenas foram projectados e concretizados dois em todo o país: o complexo do Hospital da Luz, em Lisboa e o Laboratório Regional de Veterinária dos Açores, em Angra do Heroísmo. No caso do Hospital da Luz, cujo projecto da engenharia é assinado por Segadães Tavares, a opção pela instalação de um sistema de protecção sísmica deveu-se ao facto de existirem linhas de metropolitano a atravessar o terreno de construção. Como o Hospital iria utilizar aparelhos de alta tecnologia na área de saúde, onde a precisão das medições é muito exigente, estes não poderiam estar sujeitos a quaisquer vibrações estruturais devido à passagem das carruagens do metropolitano no subsolo. Pelo facto de Lisboa ser uma região sismicamente activa e pelo facto de o dono de obra não querer o registo de quaisquer vibrações estruturais no edifício da residência derivadas do exterior, o gabinete projectista avançou com a introdução do sistema de isolamento de blocos elastoméricos de alto amortecimento, os HDRB. Foram instalados 195 apoios no hospital e 120 na residência, prevalecendo um total de 315 aparelhos de apoios.

    ISQ integra projecto europeu que estuda resposta a catástrofes naturais
    O ISQ vai integrar, juntamente com mais 9 parceiros de cinco países europeus, o projecto OVERWATCH (Integrated holographic management map for safety and crisis events). Coordenado pela empresa italiana ITHACA, este projecto, que conta com um investimento de três milhões de euros nos próximos três anos, irá desenvolver um sistema holográfico integrado para apoio aos operacionais na gestão dos meios de combate a incêndios e inundações, com recurso a inteligência artificial. Para Pedro Matias, presidente do ISQ, “a utilização de algoritmos de aprendizagem automática é da maior relevância no mundo atual. Este novo sistema irá permitir analisar e consolidar dados recebido através da Observação da Terra e por Veículos Aéreos Não-Tripulado, e identificar zonas alvo de catástrofe naturais, por exemplo incêndios florestais e inundações, e até mesmo auxiliar na busca e salvamento. Os algoritmos de inteligência artificial serão, no fundo, utilizados no processamento de dados, permitindo delimitar frentes de incêndio/água, identificar pontos de água, etc., e contribuir para a disponibilização, ao utilizador, de ferramentas de ajuda à decisão. Tudo com o objectivo de fornecer informação relevante e mais detalhada aos decisores no terreno por forma a que a tomada de decisão seja mais rápida, levando a uma gestão mais eficiente dos meios disponíveis. Hugo Silva, investigador do INESC TEC acredita que “o OVERWATCH é um projecto que visa capacitar as equipas de emergência com uma ferramenta avançada de perceção sensorial de elevada resiliência em cenários de catástrofe”.

    Sobre o autorRicardo Batista

    Ricardo Batista

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    IP avança com modernização da linha entre Porto de Setúbal e Praias do Sado

    Com um preço base de 17,5 milhões de euros, esta intervenção visa eliminar “constrangimentos de exploração ferroviária”, onde se destaca a construção do desnivelamento rodoviário da passagem de nível da Cachofarra

    CONSTRUIR

    A Infraestruturas de Portugal (IP) lançou o concurso público para empreitada de Modernização da Linha do Sul, entre o Porto de Setúbal e Praias do Sado. Com um preço base de 17,5 milhões de euros, esta intervenção visa eliminar os “constrangimentos de exploração ferroviária” existentes na estação de Praias-Sado, assim como em diversos ramais e infraestruturas ferroviárias do Porto de Setúbal, “melhorando as condições de exploração do sistema ferroviário”.

    Este investimento tem, também, como objectivo reforçar a ligação ferroviária ao Porto de Setúbal e aos ramais existentes, de modo a viabilizar um transporte ferroviário de mercadorias eficiente.

    Em termos gerais, as principais intervenções a realizar na Linha do Sul, estão relacionadas com a electrificação de linhas e ligações e/ou à construção de linhas na Estação de Setúbal-Mar e Ramal do Porto de Setúbal e à construção de um desnivelamento rodoviário, que permitirá a supressão da Passagem de Nível da Cachofarra, ao quilómetro 31,670.

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    SISTEMA TRADITERM MINERAL. ETICS COM LÃ MINERAL.

    COMPOSIÇÃO DO SISTEMA TRADITERM MINERAL

    Sistema TRADITERM Mineral. Etics com lã Mineral do Grupo Puma

    O Código Técnico da Edificação está a ser cada vez mais exigente quanto aos requisitos mínimos para a envolvente, o isolamento acústico, a proteção contra a humidade e a proteção contra incêndios. Isto unido às exigências das novas subvenções europeias fazem dos sistemas ETICS (Sistemas de Isolamento Térmico pelo Exterior) uma solução ideal para dar cobertura a muitos destes conceitos ao mesmo tempo

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    Em tudo isto, a lã mineral também adquire uma grande relevância uma vez que, graças às suas propriedades, não só oferece um grande isolamento técnico, mas acrescenta isolamento acústico e é altamente resistente ao fogo.

    Por isso, o GRUPO PUMA coloca à disposição o seu SISTEMA TRADITERM MINERAL, juntamente com todos os seus serviços, para conseguir o melhor resultado com a maior assistência técnica.

    VANTAGENS DE UTILIZAR LÃ MINERAL FRENTE A OUTROS ISOLAMENTOS

    O SISTEMA TRADITERM MINERAL supera as exigências do CTE no comportamento contra incêndios.

    A lã mineral utilizada é bidensidade, com a condutividade mais baixa do mercado em lã de rocha (0,035 W/mK), pelo que requer menores espessuras.

    O sistema utiliza buchas de fixação com rutura de ponte térmica.

    Grande durabilidade da fachada graças à alta flexibilidade do acabamento superficial e ao isolamento de lã mineral ser duradouro, imputrescível e estável dimensionalmente, o que mantém as prestações durante toda a vida útil.

    É um sistema sustentável e contribui, de forma positiva, para a redução do impacto ambiental.

    Contribui para o isolamento térmico do edifício.

    Numa das suas variantes, graças à argamassa de cor branca utilizada na camada base, evita uma cura incorreta por excessiva radiação solar durante a sua aplicação e secagem, facilitando a sua colocação em obra.

    PROTEÇÃO CONTRA FOGO DO SISTEMA TRADITERM MINERAL

    A redação do ponto 4 da Secção SI 2 – Propagação exterior (paredes médias e fachadas) pode gerar confusão na altura de interpretar os requisitos exigidos a um ETICS, pelo que desde a ANFAPA fez-se uma consulta a respeito e a resposta resume-se ao facto de que não é preciso que um sistema de construção esteja coberto por um revestimento exterior pelo menos EI30 para cumprir com a exigência do ponto 4 do parágrafo 1 da Secção SI2. Um sistema de construção que no seu estado final de utilização tenha a classe exigida neste ponto, em função da sua altura, cumpre a exigência sem este revestimento exterior.

    Mas, então, que classificação de reação ao fogo tem o SISTEMA TRADITERM MINERAL?

    Todos os nossos Sistemas Traditerm superam as exigências do CTE, mas o nosso SISTEMA TRADITERM MINERAL, especificamente, tem uma classificação A2-s1,d0, muito acima do indicado na normativa vigente.

    Em seguida, indicamos os certificados que têm à vossa disposição sobre os Sistemas Traditerm:

    • Avaliação Técnica Europeia 07/0054 (ETA).
    • Declaração Ambiental de Produto (sistema completo).

    SERVIÇOS OFERECIDOS PELO GRUPO PUMA

    O GRUPO PUMA põe à nossa disposição todos os serviços do seu Escritório Técnico:

    • Relatório de pré-dimensionamento de espessura do isolamento de acordo com CTE.
    • Biblioteca de detalhes de construção em PDF e DWG, bem como a base de dados BIM.
    • Realização de detalhes de construção personalizados se assim o necessitar.
    • Bancos de preços.
    • Assessoria personalizada sobre qualquer dos seus produtos ou sistemas.

    OBRAS DE REFERÊNCIA:

    Instituto de Investigación y Clínica López Ibor (Madrid)

    Edifício de Vivendas de Obra Nova (País Basco)

     

     

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    Lisboa: Mais 68 fogos para renda acessível no Loteamento das Forças Armadas

    Dos 476 fogos previstos para este Loteamento, a Câmara já cumpriu cerca de metade do objectivo, o que se traduz 220 já construídos ou em fase de conclusão. Com um valor de empreitada de mais de 9 M€, a construção está a cargo do Grupo Casais

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    Créditos: DR

    O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas, visitou esta quarta-feira, dia 10 de Abril, a obra do Lote 10, em Entrecampos. Esta empreitada, iniciada durante o actual mandato autárquico, vai permitir a disponibilização de mais 68 habitações com rendas acessíveis.

    Inserido no Loteamento das Forças Armadas, que contempla a construção de 476 habitações integradas no Programa de Renda Acessível da CML, assim como a criação de espaços verdes, comércio de proximidade e equipamentos de apoio às famílias, este edifício irá permitir atingir metade do objectivo proposto para esta localização.

    “Do total de fogos previstos para este loteamento já temos concluídos ou em fase de conclusão 220, por isso estamos sensivelmente a metade do objectivo”, afirmou Carlos Moedas.

    Sobre o total de fogos previstos para renda acessível na cidade, Carlos Moedas preferiu não avançar com números para não criar expectativas erradas. “Prefiro falar do que vamos fazendo e à medida que vamos entregando as casas, do que fazer promessas vagas que depois se podem não concretizar”, afirmou. “Estamos a concretizar os objectivos da Carta da Habitação”, reiterou.

    Com um valor de empreitada de mais de 9 milhões de euros, a construção está a cargo do Grupo Casais. Tendo iniciado a 30 de Janeiro de 2023, é expectável que a obra esteja no prazo de 22 meses.

    Não obstante a construção do edifício ser “tradicional”, a Casais está a incorporar os seus módulos off-site para as casas de banho e cozinhas conseguindo, desta forma, ganhar algum tempo na empreitada.

    Com nove pisos, o edifícios irá disponibilizar 15 unidades de tipologia T0, 23 unidades de tipologia T1 e 30 unidades T2, além de espaços comuns de uso exclusivo para os moradores e áreas técnicas, nomeadamente, sala multiusos, área de cacifos/arrumações; parqueamento de bicicletas e logradouro. Do piso 1 ao piso 8 será composto por habitação, sendo o piso 9 a cobertura técnica. O primeiro piso estará ainda provido de duas áreas comerciais.

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    Transações de Alojamentos aumentam em valor no final de 2023

    De acordo com a Análise de Conjuntura do Sector da Construção, divulgada esta quarta-feira pela AICCOPN, no mês de Janeiro de 2024, ao nível da área licenciada, pelas autarquias, registaram-se reduções de 12,6% nos edifícios habitacionais, e de 14,7% nos edifícios não residenciais, face a Janeiro de 2023

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    No 4.º trimestre de 2023, de acordo com os dados recentemente divulgados pelo INE, foram transaccionados 34.126 alojamentos familiares, num montante global de 7.174 milhões de euros, o que corresponde a variações, face ao trimestre precedente, de -0,4% e de +1,4% em número e em valor, respectivamente. Relativamente à evolução dos preços dos imóveis, verificou-se uma manutenção da tendência de valorização, com o índice de preços da habitação a aumentar 1,3%, face ao trimestre anterior.

    De acordo com a Análise de Conjuntura do Sector da Construção, divulgada esta quarta-feira pela AICCOPN, no mês de Janeiro de 2024, ao nível da área licenciada, pelas autarquias, registaram-se reduções de 12,6% nos edifícios habitacionais, e de 14,7% nos edifícios não residenciais, face a Janeiro de 2023.

    Quanto ao número de fogos licenciados em construções novas, nesse mês, assistiu-se a um decréscimo de 16,4% em termos homólogos, para 2.394. No que concerne ao índice de custos de construção de habitação nova, no mês de Janeiro observou-se um aumento de 1,9%, em termos homólogos, em resultado de variações de -0,9% na componente dos materiais e de +5,7% na componente referente à mão de obra.
    Até ao final do mês de Fevereiro de 2024, o consumo de cimento no mercado nacional totalizou 646,3 milhares de toneladas, o que corresponde a um crescimento de 13,4%, face às 569,8 milhares de toneladas registadas no mesmo período de 2023.

    No segmento das obras públicas, nos primeiros dois meses de 2024, apuram-se crescimentos significativos, face ao período homólogo de 2023. Com efeito, no que concerne ao montante dos concursos de empreitadas de obras públicas promovidos registou-se um expressivo aumento de 173%, em termos homólogos, para 2.624 milhões de euros, com a abertura de um concurso para a Concessão da Linha Ferroviária de Alta Velocidade, no montante de 1.661,4 milhões de euros, a ser determinante para esta evolução. Quanto ao volume total dos contratos de empreitadas de obras públicas celebrados até Fevereiro e objecto de reporte no Portal Base até ao passado dia 15 de Março, apresenta uma subida de 15%, em termos de variação homóloga temporalmente comparável, para 414 milhões de euros.

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    Programa de Governo revoga medidas do “Mais Habitação” e aposta no “aumento significativo da Oferta”

    A decisão consta do Programa de Governo entregue à Assembleia da República que será alvo de discussão nos próximos dois dias

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    O Governo confirmou esta quarta-feira vai revogar as medidas do programa Mais Habitação que considera “erradas”, entre as quais o arrendamento forçado, os congelamentos de rendas e as “medidas penalizadoras” do alojamento local.

    A decisão consta do Programa de Governo entregue à Assembleia da República que será alvo de discussão nos próximos dois dias. No que diz respeito ao alojamento local, o Programa do Governo indica que serão revogadas, “de imediato”, a contribuição extraordinária sobre esta atividade e a caducidade das licenças anteriores ao programa Mais Habitação.

    O executivo adianta ainda que vai rever “outras limitações legais” sobre o alojamento local “consideradas desproporcionais”.

    No conjunto de propostas, em matéria de Habitação, consta “a flexibilização das limitações de ocupação dos solos, densidades urbanísticas (incluindo construção em altura) e exigências e requisitos construtivos, bem como a possibilidade de aumento dos perímetros urbanos, garantindo uma utilização do território de forma sustentável e socialmente coesa e harmoniosa como forma de garantir acesso à
    habitação; a criação de condições de “habitação agrícola” a preços mais acessíveis nas zonas rurais e do interior, nomeadamente pela criação de novas áreas urbanizáveis nos Planos Diretores
    Municipais (PDM), principalmente em concelhos ameaçados pela perda de população; ou a injeção no mercado, quase-automática, dos imóveis e solos públicos devolutos ou subutilizados.

    O Governo vai ainda procurar promover um Programa de Parcerias Público-Privadas para a construção e reabilitação em larga escala, quer de habitação geral quer de alojamento para estudantes; assim como estimular a facilitação de novos conceitos de alojamento no mercado português, incluindo com regulatory sand box (build to rent, mixed housing com bónus de densidade urbanística para habitação a custos moderados, co-living, habitação modular, cooperativas de habitação, utilização flexível dual das residências de estudantes).

    O Governo vai ainda isentar o pagamento do Imposto Municipal sobre Transações Onerosas (IMT) e do Imposto de Selo aos jovens até 35 anos na compra de habitação própria e permanente. Estas medidas já constavam do programa eleitoral com que a Aliança Democrática (coligação pré-eleitoral entre PSD, CDS-PP e PPM) se apresentou nas eleições legislativas.

    O Programa de Governo, conhecido esta quarta-feira, não indica o impacto financeiro destas medidas. No documento, o Governo refere que vai também aumentar a abrangência do programa Porta 65 nos limites da sua aplicação, sem adiantar mais informação.

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    Governo quer avançar com construção do novo aeroporto “com a maior brevidade possível”

    O novo Governo conta com um relatório, elaborado pela Comissão Técnica Independente (CTI), publicado em 11 de Março e que mantém a recomendação de uma solução única em Alcochete ou Vendas Novas. Ainda assim, apontou que Humberto Delgado + Santarém “pode ser uma solução”

    Ricardo Batista

    “Concluir o processo de escolha do Novo Aeroporto de Lisboa e iniciar com a maior brevidade possível a sua construção, bem como de outras infra-estruturas indispensáveis, nomeadamente a Ferrovia e o TGV (Alta Velocidade)”.

    Esta é a proposta que consta no programa de Governo sobre a construção do novo aeroporto de Lisboa, uma mensagem lacónica que pouco adianta em relação a um dos principais processos pendentes que o executivo agora liderado por Luís Montenegro tem em mãos, nomeadamente a definição de prazos para ser conhecida a decisão.

    Em Setembro de 2022, o primeiro-ministro António Costa anunciava um acordo de convergência com o presidente do PSD sobre a metodologia a ser usada na definição dos critérios em que assentaria a decisão. A solução encontrada previa a constituição de uma comissão técnica independente, designada de uma forma plural por um conjunto de entidades” e uma comissão de acompanhamento que envolve também um conjunto vasto de entidades.

    Já em Dezembro de 2023, Montenegro anunciava a constituição de um grupo de trabalho interno que se dedicaria a analisar as conclusões da Comissão Técnica Independente, deixando claro que não se comprometia com o resultado das análises promovidas pela equipa liderada por Rosário Partidário.

    O novo Governo conta com um relatório, elaborado pela Comissão Técnica Independente (CTI), publicado em 11 de Março e que mantém a recomendação de uma solução única em Alcochete ou Vendas Novas. Ainda assim, apontou que Humberto Delgado + Santarém “pode ser uma solução”.

    No que respeita à ferrovia, é desejada ainda a “transferência modal das mercadorias para a ferrovia corrigindo os desequilíbrios na taxação da infraestrutura e aumentando a produtividade e eficiência do transporte”.

    No documento, fala-se em “aumentar a capacidade e eficiência de todo o setor da aviação e aeroportuário, tanto no lado dos passageiros, como no lado da carga”.

    Um dos caminhos passa pela introdução de “soluções inovadoras e digitais, que permitam melhorar o controlo de entradas e saídas de passageiros e carga, por via aérea, potenciando a utilização das infraestruturas à procura variada existente”.

    Sobre o autorRicardo Batista

    Ricardo Batista

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    Litehaus quer “imprimir” 100 casas por ano em Portugal

    O arquitecto Rui Barbosa é o vencedor do concurso de arquitectura lançado pela Litehaus para desenhar a casa impressa em 3D na Comporta. Com vários projectos já em carteira a empresa estabeleceu como meta a construção de 100 unidades/ano

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    A Litehaus, lançou em Março o concurso de arquitectura, direccionado a estudantes e profissionais de arquitectura residentes em Portugal para desenhar o projecto de uma casa impressa em 3D para o empreendimento na zona da Comporta, perto de Melides.
    “Sendo a impressão 3D a mais recente tecnologia capaz de revolucionar o sector da construção, foi com grande entusiasmo que participei neste desafio lançado pela Litehaus e sinto-me muito honrado por ver o meu projecto seleccionado como vencedor. Na proposta com a qual concorri, procurei aliar este novo método de construção à repetição modular, fácil de ajustar às várias necessidades dos futuros utilizadores e desafios criados pelo ambiente envolvente. Procurei conjugar elementos contemporâneos com a linguagem arquitectónica tradicional de Melides, respeitando sempre o contexto urbanístico”, comenta Rui Marta Barbosa.
    A unidade destaca-se pelo seu carácter modular. O azulejo da piscina, que confere uma cor avermelhada à água, e os tons acastanhados e beges presentes nos materiais que compõem a volumetria da casa dão um toque convidativo, acolhedor e quente ao edifício. Adicionalmente, a disposição e número das divisões da casa podem ser organizadas e ajustadas de acordo com a vontade dos clientes e condicionantes do terreno, devido aos espaços modulares e ao corredor central que os conecta.

    Esta nova villa vai integrar a rede habitacional zero waste construída com recurso à tecnologia de impressão 3D, desenvolvida pela espanhola Cosmos e que a Litehaus trouxe para Portugal.

    A empresa está já desenvolver vários projectos habitacionais no mercado nacional. “Prevê-se que o mercado da construção com impressão 3D cresça 88%, anualmente, podendo valer 400 mil milhões de dólares em 2030, e nós pretendemos fazer parte dessa evolução, contribuindo para um marco na história da arquitectura portuguesa. O nosso objectivo é o de construir 100 habitações por ano em Portugal. Estamos a construir 13 casas em Torres Vedras e estão mais 50 planeadas, temos 73 apartamentos modulares turísticos contratados em Braga e estamos prestes a fechar um empreendimento de 108 acomodações para estudantes em Famalicão”, afirma Simi Launay, chief creative officer da Litehaus.

    A tecnologia de impressão em 3D desenvolvida pela Cosmos permite que sejam erguidas 45 m2 de paredes em menos de 24 horas. O segredo para tornar estas casas mais amigas do ambiente centra-se, principalmente, na construção das paredes, compostas, maioritariamente, por ECOMortar, um material que substitui o cimento e produz entre 40 a 50% menos de emissões de CO2. Adicionalmente, a tecnologia modular e de impressão 3D aplicadas na fabricação destas paredes reduz o desperdício em 90%.

    A elevada eficiência dos materiais e técnicas de construção utilizados resulta do facto de os módulos serem impressos num local fechado, sob condições ambientais controladas e sem produção em excesso, uma vez que é apenas impressa a quantidade necessária. Nos módulos são, ainda, previamente instalados isolamento, electricidade e canalização, acelerando significativamente a montagem no local.

     

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    IP lança concurso público de 58,3M€ para Variante Nascente de Évora

    No final da semana passada a IP lançou o concurso para a construção da Variante Nascente de Évora. Já esta semana foi lançado concurso público, no valor de 5,5M€ para reabilitação da Ponte da Arrábida

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    A empreitada a contratar visa a construção de uma nova ligação rodoviária alternativa ao actual troço do IP2, com início no Nó de Évora Nascente da A6/IP7, imediatamente após a praça de portagem, e termina na conexão com o actual IP2, em S. Manços.

    A futura Variante terá cerca 12,8 quilómetros de extensão com dupla faixa de rodagem. Ao longo do traçado serão construídos restabelecimentos desnivelados, sendo a interligação com a rede existente assegurada através dos seguintes nós: Nó de Vale de Figueiras; Nó da Fonte Boa do Degebe; Rotunda de Ligação à EN18.

    O empreendimento prevê ainda a construção de 8 Passagens Superiores, duas das quais sobre linhas de caminho de ferro.

    O projecto da Variante Nascente de Évora constitui o maior investimento a executar pela Infraestruturas de Portugal no âmbito do PRR. Integrado na Componente C7 – Infraestruturas, investimentos em Missing Links e Aumento de Capacidade da Rede, este empreendimento irá contribuir decisivamente para a melhoria das ligações rodoviárias na região de Évora, melhorar a segurança rodoviária e promover a competitividade das empresas e a mobilidade das populações da região.

    Concurso público de 5,5 M€ para reabilitação da Ponte da Arrábida
    Já esta segunda-feira foi publicado o concurso público com um preço base de 5,5 milhões de euros para reabilitar a face interior do tabuleiro e pilares da Ponte da Arrábida. O prazo para apresentação de propostas vai até ao dia 17 de Maio e a empreitada tem um prazo de execução de 540 dias.

    Neste concurso público, o preço tem um factor de ponderação de 80% e a qualidade 20%, estando ainda este último ponto dividido em três subfactores de ponderação: programa de trabalhos (60%), memória descritiva e justificativa (30%) e cronograma financeiro (10%).
    Esta operação de manutenção, cuja despesa foi autorizada pela IP, compreende uma dotação de 2,8 milhões de euros a alocar em 2025 e 2,7 milhões de euros em 2026. Ao montante fixado para cada ano pode “ser acrescido do saldo apurado no ano anterior”.

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    MAP vai diversificar áreas de actuação e estuda aquisições

    Prevendo facturar 80 milhões de euros em 2024, o dobro do que foi apurado no último ano, os responsáveis da MAP Engenharia estão atentos às oportunidades do mercado e estudam diversificar a sua actividade para outras áreas. Projectos públicos são uma hipótese e não está descartada a aquisição de empresas em nichos específicos. Diogo Guerra Abecasis, Co-Founder & Managing Director da MAP Engenharia explica, ao CONSTRUIR, que a falta de mão de obra, qualificada ou operacional, pode tornar-se um grave problema

    Ricardo Batista
    tagsMAP

    Ao CONSTRUIR, Diogo Guerra Abecasis, Co-Founder & Managing Director da MAP Engenharia, explica a estratégia de crescimento de uma empresa que tem apostado, nos últimos anos, na certificação dos seus processos. “Creio que o mercado reconhece claramente o valor deste processo porque é um selo de garantia e qualidade”, explica. Com uma carteira de 150M€ assegurada para os próximos dois anos, os responsáveis da MAP esperam duplicar a facturação no final de 2024 face aos 40M€ apurados no final do ano passado.

    Diogo Guerra Abecassis, co-founder & managing director da MAP EngenhariaEstamos no final do primeiro trimestre do ano. Já há dados sobre os resultados de 2023?

    O ano de 2023 foi de fato muito desafiante, por um lado o mercado a sofrer de instabilidade económica com o aumento das taxas de juro e da inflação, mas por outro lado, foi um ano de forte investimento na MAP, reforçamos as nossas equipas, optimizámos os nossos processos e parte deles através de novas certificações, tudo para estarmos preparados para o futuro próximo, que será de forte crescimento e consolidação.

    Quais as variações face a 2022, seja em facturação, resultados líquidos?

    Embora as contas finais de 2023 ainda não estejam formalmente concluídas, esperamos fechar o ano com uma facturação semelhante à de 2022, em torno dos 40 milhões de euros, e com resultados líquidos positivos.

    Como está repartido esse Volume de Negócios? A maior fatia cabe à construção? Reabilitação?

    De facto, verifica-se uma inversão no peso da reabilitação vs construção nova, sendo que em 2023, a construção nova representou mais de 70% do volume de negócios da MAP.

    Quais as estimativas para 2024?

    Estamos a entrar em 2024 com muita confiança e uma enorme expectativa. Será novamente um ano de forte crescimento na MAP, onde prevemos praticamente duplicar o nosso volume de facturação, para 80M€.

    É possível quantificar que investimentos têm em carteira de momento?

    Actualmente, a nossa carteira de projectos contratados para 2024 e 2025 totaliza aproximadamente 150 milhões de euros. Trata-se de projectos bastante diversificados e que abrangem várias áreas, incluindo residencial, turismo, escritórios, retalho, indústria e comércio.

    Existem dois grandes desafios, o primeiro e o mais crucial, é a falta generalizada de mão de obra, quer a mais qualificada, quer a mais operacional, o que pode vir a ser um problema mais grave no futuro com o crescimento do volume de construção, tanto em Obras públicas, como nas Privadas

    Algum projecto que destaquem pela sua natureza, pelo rasgo face à actual oferta, pelas características?

    Tendo em consideração um dos maiores problemas da actualidade, a habitação, podemos destacar a Obra que temos em curso da Cooperativa Vale Formoso, em Marvila, que representa precisamente uma resposta à falta de oferta de habitação para a classe média com a construção de 70 fracções, numa modalidade de investimento colectivo que esteve muito em voga no início dos anos 2000, mas que infelizmente foi desaparecendo. Além das 70 fracções estamos a falar de uma oferta residencial integrada com creche, serviços e espaços verdes. Estamos também a construir a última fase do projecto Gago Coutinho 30 em Lisboa, com 200 quartos de Hotel, e todas as zonas comuns de apoio. No Porto, decorre a bom ritmo a remodelação de um icónico edifício de escritórios no Campo Alegre, com 15.000 m2, que será totalmente renovado e transformado num espaço moderno, sofisticado e sustentável, para escritórios com classificação Green.

    Nessa carteira, que margem existe para responder à falta de oferta para a classe média? Têm projectos que se adequam a esse segmento?

    Creio que o mercado imobiliário tem vindo a procurar dar uma resposta positiva a esta carência de oferta habitacional para a classe média, e isso constata-se claramente nas obras que temos actualmente em curso, com vários empreendimentos residenciais para o segmento médio, de onde podemos destacar, as Villas em Loures (130 fogos), Jardins Altear na Alta de Lisboa (130 fogos) e a Cooperativa Vale Formoso em Marvila, conforme já referido, entre outros Projectos em Lisboa e no Porto para a classe média / alta.

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    Olhando para a ‘crise na habitação’, que papel podem ter os promotores na sua resolução e que condições seriam necessárias para que essa resposta fosse mais eficaz? E as construtoras, são importantes nesta equação?

    Tendo em consideração a situação actual, naturalmente os promotores têm um papel fundamental, mas cabe ao Estado criar as condições favoráveis para aumentar fortemente esse investimento na habitação, por exemplo através de incentivos fiscais, passando por exemplo o IVA da construção nestes casos para a taxa reduzida a 6%, quer também pela criação de PPP que possam desenvolver projectos em terrenos, ou edifícios devolutos pertencentes às autarquias ou ao governo central. As construtoras são essenciais nesta equação, porque terão de estar preparadas para dar resposta a todas estas solicitações e concretizar no terreno a construção destes projectos Residenciais, e é precisamente para dar esta resposta que a MAP se tem vindo a preparar!

    Que desafios se colocam hoje às construtoras no mercado nacional?

    Na minha opinião, no mercado actual, existem dois grandes desafios, o primeiro e o mais crucial, é a falta generalizada de mão de obra, quer a mais qualificada, quer a mais operacional, o que pode vir a ser um problema mais grave no futuro com o crescimento do volume de construção, tanto em Obras públicas, como nas Privadas. O outro desafio é a instabilidade criada pela inflação dos preços dos materiais e da mão de obra, devido a factores externos que não controlamos. Na MAP, felizmente, temos vindo a ultrapassá-lo sempre de uma forma justa e equilibrada com os nossos clientes e parceiros.

    Em que medida o Simplex que está em desenvolvimento (independentemente de qual for a composição do próximo Governo) pode ser uma resposta eficaz na questão dos licenciamentos?

    O mercado ainda está a assimilar as alterações introduzidas pelo Simplex, que são muitas, e creio que na generalidade são positivas, porque vão certamente acelerar os processos de licenciamento que todos verificávamos que eram excessivamente morosos, mas é provável que tenham de ser feitos alguns ajustes para tornar os processos ainda mais claros e objectivos.

    Há quem defenda, até mesmo do lado das autarquias, que o novo Decreto que procede à reforma e simplificação dos licenciamentos “aumenta o perigo” de voltarem a existir em território nacional várias “obras em esqueleto de betão. Teme que se tenha avançado em demasia na rapidez, ignorando a segurança jurídica?

    Não há modelos perfeitos, mas os vários players que tanto criticaram a mora dos processos de licenciamento, têm de ser responsáveis para desenvolver os projectos de acordo com as normas e legislação em vigor e certamente que irão ultrapassar as dúvidas que se coloquem num trabalho conjunto com as autarquias.

    Não há modelos perfeitos, mas os vários players que tanto criticaram a mora dos processos de licenciamento, têm de ser responsáveis para desenvolver os projectos de acordo com as normas e legislação em vigor

    A MAP conseguiu elevar a certificação da ISO9001 para um sistema de gestão integrado em QSA. O que é que isto quer dizer na prática e, no fundo, que reconhecimento é que o mercado faz deste tipo de aposta das empresas?

    De facto, fechámos em 2023 o processo de tripla certificação da MAP em Segurança e Ambiente, para juntar à Certificação de Qualidade que já detínhamos há uns anos, todas certificadas pela prestigiada Bureau Veritas. Creio que o mercado reconhece claramente o valor deste processo porque é um selo de garantia e qualidade, onde o cliente e todos os stakeholders têm a certeza de como determinados processos são realizados/alcançados. A MAP reflecte a preocupação e comprometimento de toda a empresa com estas áreas de actuação tão importantes, a Qualidade, a Segurança e o Ambiente.

    Sendo reconhecida a escassez de mão de obra no mercado nacional, de que modo têm respondido a este problema?

    É, de facto, o maior desafio para o futuro, por isso temos investido muito em formação, tendo em curso várias parcerias com Escolas Técnicas e Faculdades reconhecidas no mercado, em que acolhemos e formamos novos profissionais, tanto para uma vertente mais de acompanhamento de Obra no terreno (Encarregados), como também engenheiros estagiários para Direcção de Obra. Naturalmente que outro dos caminhos também terá que passar por receber emigrantes, com mais ou menos qualificações, e integrá-los no nosso mercado da construção.

    Vínhamos de um ciclo em que, pelo menos em pipeline, estavam em equação um conjunto significativo de investimentos, fosse na ferrovia, plano rodoviário, Aeroporto, Alta Velocidade. Como olha a MAP para esses planos de investimentos e de que modo se posicionam para fazer parte (ou não) dessa carteira de investimentos públicos?

    Apesar do historial da MAP ser praticamente no sector privado, apostar também no sector público é um dos desafios que temos para o ano de 2024, obviamente com uma selecção criteriosa dos projectos, mas posso confidenciar que estamos já envolvidos em concursos públicos que estão actualmente a decorrer.

    Por onde passa o crescimento da MAP? Como esperam aumentar a carteira de obras?

    A MAP continua com um forte crescimento, sempre de uma forma sustentada, mas acreditamos que 2024 será um ano marcante e transformador na realidade da empresa. Prevemos diversificar o negócio para nichos de mercado mais específicos, como as moradias de luxo e o fitout de espaços interiores, consolidaremos a construtora com grandes projectos, os que estão em curso e novos que aí vêm, e iremos também “atacar” as Obras públicas onde existem boas oportunidades. Muito em breve haverá muitas mais novidades para partilhar sobre o Universo MAP.

    E aquisições de empresas complementares, estão abertos a isso?

    Temos de facto estado bem atentos ao mercado e analisado algumas oportunidades interessantes de investimento, principalmente visando a área da indústria, pré-fabricação e sustentabilidade, podendo num futuro próximo fechar alguma aquisição ou parceria.

    Sobre o autorRicardo Batista

    Ricardo Batista

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