Cheias no Mondego: “Desinvestimento só podia conduzir a situações desta natureza”

Por a 27 de Dezembro de 2019

“Nos últimos dez anos o desinvestimento na manutenção das infra-estruturas do país só podia conduzir a situações desta natureza e que a redução e desvalorização do papel dos engenheiros e da engenharia na administração só enfraquece o próprio Estado.”

A Ordem dos Engenheiros acusa o Estado de “incúria” e de reduzir e desvalorizar o papel dos engenheiros e da engenharia na administração, o que “só enfraquece” a prevenção de situações como esta. “Apontar o dedo à falta de manutenção é apontar o dedo à incúria do Estado que não canaliza os impostos dos contribuintes nacionais para apoio aos beneficiários locais, o que não deixa de ser uma boa questão”, lê-se no comunicado, que identifica ainda uma “escassez de meios financeiros e humanos que se agudizou na última década“.

Lembrando que chegou a existir um estudo liderado pela Ordem dos Engenheiros depois das cheias de 2016 — que tinha, garante a Ordem, sugestões de medidas para melhorar “o escoamento” e reduzir “a probabilidade de inundação das ocupações urbanas do rio” Mondego —, os representantes dos profissionais de engenharia recordam também que “para o controle de cheias foram construídas as barragens da Aguieira e Raiva (no Mondego) e a barragem de Fronhas (no rio Alva), que descarrega a jusante da Raiva, sendo que a única que tem capacidade para fazer uma significativa laminagem dos caudais é a barragem da Aguieira”.

Acresce, segundo a Ordem dos Engenheiros, que estava prevista uma central com “seis bombas de grande potência e débito” para melhor gestão do caudal do rio Mondego, mas “nunca foram instaladas na totalidade e hoje apenas uma está em funcionamento. Continuamos, pois, perante uma obra inacabada, que foi concebida para funcionar no seu todo e que urge concluir ou, no limite, revisitar a sua concepção”.

A Ordem dos Engenheiros reforça ainda a importância de “criar um modelo de gestão deste empreendimento” de gestão do vale do Mondego, que está por nascer “há décadas”. Tal como aconteceu no Alqueva, aponta a Ordem, “a criação de uma unidade gestora é crucial para assegurar a gestão, a conclusão, a monitorização, a manutenção e a defesa dos interesses dos diversos stakeholders, a partir obviamente da definição de um modelo de calendarização e financiamento sustentável”.

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