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UMinho quer melhorar eficiência energética das habitações sociais

O projecto chama-se ARCAS e conta até 2023 com 1,3 milhões de euros do Programa Interreg Sudoe/FEDER. O município de Braga (com os bairros das Andorinhas, Enguardas e Santa Tecla) está entre os parceiros associados

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UMinho quer melhorar eficiência energética das habitações sociais

O projecto chama-se ARCAS e conta até 2023 com 1,3 milhões de euros do Programa Interreg Sudoe/FEDER. O município de Braga (com os bairros das Andorinhas, Enguardas e Santa Tecla) está entre os parceiros associados

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A Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM) e cinco parceiros europeus estão a criar um modelo para tornar as habitações sociais sustentáveis e energeticamente eficientes. O projecto chama-se ARCAS e conta até 2023 com 1,3 milhões de euros do Programa Interreg Sudoe/FEDER, segundo a Universidade do Minho (UMinho).

“Queremos ajudar os governos nacionais, regionais e locais na reabilitação energética de bairros sociais e de edifícios de habitação colectiva, através da criação de uma ferramenta com indicadores-chave e as melhores técnicas ao dispor que permita maximizar a arquitectura energética, promovendo assim a eficiência, a qualidade do ar e o bem-estar social”, explica Manuela Almeida, professora do Departamento de Engenharia Civil da EEUM e investigadora do Instituto de Sustentabilidade e Inovação em Estruturas de Engenharia (ISISE).

A ferramenta vai juntar metodologias de avaliação e projecto, valorizando a reabilitação de áreas urbanas e as energias renováveis. A intenção é ser aplicável ​​e reproduzível por administrações públicas, construtores e associações profissionais, entre outros. A sua utilização visa nomeadamente o sudoeste europeu, que tem um clima mediterrânico, mas não está de parte que possa suscitar adaptações a outros contextos. O ARCAS insere-se nas políticas da UE no combate à pobreza energética, a qual atinge várias regiões e faixas populacionais.

Este projecto é coordenado pela Fundación de Estudios sobre la Edificación de Asturias, em Espanha, incluindo ainda daquele país o Governo de Cantábria, a Universidade do País Basco, bem como a Universidade La Rochelle e a Plataforma Tecnológica e Inovadora para a Eficiência Ambiental, ambas em França, além da UMinho. O Município de Braga (com os bairros das Andorinhas, Enguardas e Santa Tecla) está entre os parceiros associados, a par de entidades do país vizinho como o Ministério de Transição Ecológica, o Ministério dos Transportes e Agenda Urbana, a Direcção-Geral de Habitação das Astúrias, a Xunta da Galiza, municípios ou associações profissionais de arquitectura e construção e, do lado francês, a Comunidade Intermunicipal e o Gabinete de Habitação Pública de La Rochelle.

O consórcio já cumpriu metade do período de execução do projecto e avança com o desenvolvimento da ferramenta digital ARCAS para apoiar a reabilitação de edifícios de habitação de interesse social, centrada na poupança de energia e na qualidade do ar. Esta iniciativa multidisciplinar procura aproveitar edifícios existentes para encontrar novas alternativas e soluções para alguns problemas causados ​​pelas alterações climáticas e pela pobreza energética. A ferramenta apoia-se em tecnologias de machine learning para diagnosticar o estado inicial do edifício e propor novas estratégias de melhoria a médio e longo prazo a implementar na fase de reabilitação.

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Auscultação pública do Plano Ferroviário Nacional termina com mais de 300 contributos

A esta fase de auscultação seguir-se-á agora a elaboração, já em curso, da definição de âmbito da Avaliação Ambiental Estratégica e do Relatório de Diagnóstico, que devem estar concluídos até Dezembro

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Esta concluída a fase de auscultação do Plano Ferroviário Nacional, contabilizando-se mais de trezentos (318) contributos enviados através do site do PFN, na sua esmagadora maioria a título individual (296), mas também por entidades colectivas, associações, grupos de cidadãos e autarquias.

Dos 318 contributos, 78 continham documentos anexos que totalizavam mais de 900 páginas. As propostas colocadas a análise do grupo de trabalho são muito variadas, desde pedidos de reforço de serviços ferroviários em determinadas linhas ou estações, a propostas de novas linhas com algum nível de desenvolvimento técnico. Existem também contributos de âmbito estratégico, por exemplo, sobre o posicionamento de Portugal nas cadeias logísticas globais e o contributo da ferrovia para as exportações.

A estes contributos recebidos através do site, somam-se também todos aqueles que foram transmitidos ao grupo de trabalho durante as cinco sessões regionais de auscultação, que decorreram no mês de Julho pelo continente nacional. Nessas sessões participaram representantes de todas as Comunidades Intermunicipais e Áreas Metropolitanas do território continental, além de diversas associações e grupos de cidadãos locais e cidadãos a título individual.

A esta fase de auscultação seguir-se-á agora a elaboração, já em curso, da definição de âmbito da Avaliação Ambiental Estratégica e do Relatório de Diagnóstico. Dois passos que se estimam estar concluídos até meados de Dezembro.

Entretanto, estão também já em curso estudos e análises para a identificação de constrangimentos na rede ferroviária existente e para a configuração da futura rede ferroviária que deverá ficar definida no PFN. Estes estudos são fundamentais para a elaboração da proposta do Plano Ferroviário Nacional, que deverá ser apresentada e colocada à discussão pública no 2º trimestre de 2022.

Após esse processo, o Plano Ferroviário Nacional será aprovado em Conselho de Ministros e submetido à apreciação da Assembleia da República.

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Porto: Gabinetes nacionais passam à fase final para construção da nova ponte

Os três finalistas têm até 18 de Novembro para apresentar os projectos. A adjudicação deverá ser atribuída no início de Dezembro para que a obra esteja concluída até final de 2025

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Três propostas destacaram-se entre as 28 que chegaram para a execução da futura ponte sobre o Rio Douro. Em comum, têm o facto de serem lideradas por gabinetes de engenharia e arquitectura portugueses. Sendo esta apenas a primeira fase para a decisão final, os três finalistas, anunciados esta manhã, dia 18 de Outubro, na sede da Metro do Porto, têm até 18 de Novembro para apresentar os projectos. A adjudicação deverá ser atribuída no início de Dezembro para que a obra esteja concluída até final de 2025.

Uma solução de pórtico com efeito de arco, totalmente em betão, mas ainda assim leve e com o mínimo de apoios nas encostas é a proposta que sai em vantagem da primeira fase, apresentada por um consórcio liderado pela Edgar Cardoso, Engenharia e Laboratório de Estruturas.

Com uma forte orientação no sentido da sustentabilidade, a proposta prevê, ainda, a instalação de painéis fotovoltaicos nos carris, que permitirão a iluminação da ponte. Com um prazo de execução de 970 dias, teria um custo orçado em 50,5 milhões de euros, e ainda contempla escadas e um elevador a servir a Rua do Bicalho e a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto.

Na segunda posição, uma solução em arco apresentada pelo consórcio encabeçado pela Coba Consultores e que prevê estar finalizada em 1001 dias. Com um orçamento de 62,8 milhões de euros, o projecto apresenta um arco de 16 metros de altura no seu ponto mais alto, sustentado por pilares metálicos, sendo os pilares nas encostas em betão.

No terceiro lugar da corrida segue uma ponte com solução em pórtico e pilares inclinados assimétricos apresentada pela Betar Consultores. Orçada em 69,2 milhões de euros, tem um prazo de execução de 1004 dias.

O presidente da Metro do Porto lembrou que todas as propostas chegaram de forma anónima “para tornar todo o processo livre de qualquer avaliação menos objectiva”. Tiago Braga referiu ainda que o concurso de execução a ser lançado “no segundo trimestre de 2022, primeiro trimestre de 2023” será integral e incluirá já o da linha de metro que vai unir a Casa da Música a Santo Ovídeo.

Nesta segunda fase do concurso, explicou Tiago Braga, serão consultados os três classificados e escolhida a proposta final com base nos parâmetros qualidade de concepção (com um peso de 50%), preço (20%) e prazo de execução (30%).

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Um novo normal

Torna-se crucial que as empresas se organizem para formarem associações mais fortes e capazes de liderar os processos de concorrência, sendo que, da parte dos donos de obra, também se exige adequada programação e transparência no lançamento das obras, para que estas posturas se complementem e gerem resultados virtuosos para os interesses nacionais

Subitamente, o mundo foi abalado por um evento inesperado, causado por um inimigo invisível, que motivou um grave problema de saúde pública, uma catástrofe social e económica, abalando o nosso quotidiano e pondo em causa grande parte das vivências que julgávamos naturais e garantidas.

Forçados a alterar hábitos e conceitos, começamos agora a emergir para uma nova realidade, que muitos designam como “um novo normal”, baseado numa alteração de paradigmas que terá necessariamente de encontrar reflexos na sociedade onde vivemos, porquanto gera grandes desafios e mudanças.

Com efeito, o sucesso e o acesso à vacinação massiva adveio da ciência e da investigação que, em prazos impensáveis, permitiram desenvolver vacinas e outras soluções médicas cruciais para vencer as primeiras batalhas, nas quais o papel dos profissionais de saúde foi reconhecidamente notável, mas também o dos engenheiros e da Engenharia no seu todo, como então oportunamente assinalámos.
Mas subsiste o problema das desigualdades e desequilíbrios mundiais em termos de pobreza e desenvolvimento, que não permitem um tratamento equitativo na maior parte dos países de África, da Ásia e até da América Latina, o que poderá induzir o desenvolvimento de novas estirpes que continuarão a contagiar locais e viajantes, pelo que a pandemia está longe da erradicação.
Tal como as questões climáticas, este combate também requer atuações solidárias, concertadas e à escala global, sem as quais não será possível a erradicação ou mitigação dos seus efeitos.

Hoje todos sabemos que nada, ou apenas muito pouco, irá ser como dantes.

Teremos de repensar sistemas e infraestruturas das cidades, adaptando-as a uma nova realidade e aumentando a sua resiliência, com uma visão absolutamente transversal, seja na mobilidade, nos espaços públicos, nas áreas de trabalho e, até mesmo, nas habitações.
Projetar, a partir de agora, terá de acautelar uma futura resposta a novos eventos similares de grande dimensão, que obriguem ao distanciamento e isolamento, devendo ser tido em conta que o teletrabalho e o comércio eletrónico vieram para ficar.
Desde sempre que o foco da atividade dos engenheiros foi a procura de soluções para os mais diversos problemas que se colocam à Humanidade e às sociedades e, nesse sentido, a criação de soluções para melhorar a qualidade de vida.
Protagonistas de uma profissão transversal e impulsionadores de progressão tecnológica e civilizacional, os engenheiros passam muitas vezes despercebidos, assegurando o funcionamento das estruturas básicas do país, incluindo as de saúde, mas são os atores principais da economia, pois a sua atividade cria valor acrescentado.

Neste momento que atravessamos, de transição de época e de paradigmas, também são os engenheiros que estão melhor posicionados para perceber e perspetivar o futuro.

Um futuro cada vez mais digital e tecnológico, que exige qualificação adequada, que terá de ser capaz de responder às alterações climáticas, preocupação prioritária das Nações Unidas, e de afirmar a importância da economia circular, pondo fim à linearidade finita dos recursos naturais e impondo medidas concretas na área das eficiências material, hídrica e energética.
A par, em Portugal, entrámos numa década de grandes investimentos, na qual a questão central passa pela capacidade técnica e empresarial para conseguirmos alocar 58.000 milhões de euros em 10 anos, uma vez que, depois da crise de 2009 e da destruição de algumas das maiores empresas nacionais (em particular da construção) e de mais de 300.000 trabalhadores terem abandonado a profissão, hoje não dispomos da capacidade então existente e temos grandes carências de mão-de-obra.

Por isso, torna-se crucial que as empresas se organizem para formarem associações mais fortes e capazes de liderar os processos de concorrência, sendo que, da parte dos donos de obra, também se exige adequada programação e transparência no lançamento das obras, para que estas posturas se complementem e gerem resultados virtuosos para os interesses nacionais.

A par, teremos de combater o nosso défice demográfico e criar condições apelativas para a fixação dos jovens qualificados e com elevado potencial, o que exige melhores enquadramentos salariais, mas também mais criação de riqueza.

O mercado da construção e do imobiliário, depois de ter vindo a crescer nos últimos anos, inicialmente alavancado por investidores na área da reabilitação urbana e do turismo, a quem devemos estar agradecidos, terá de saber adaptar-se agora a todos estes desafios, aproveitando para acelerar os processos de transformação a que a indústria da construção também terá de dar resposta.
Para esse efeito e para um novo futuro, os caminhos passarão inevitavelmente pelo combate à crise climática, por práticas de sustentabilidade, pelas eficiências hídrica, energética e material, novos materiais, recursos humanos qualificados e digitalização das atividades, áreas nas quais a Engenharia continuará a ser protagonista.

NOTA: O Autor escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico

Sobre o autorCarlos Mineiro Aires

Carlos Mineiro Aires

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9 em cada 10 portugueses consideram que o país deveria investir mais em renováveis

Esta é uma das conclusões de um estudo realizado pela Marktest para a APREN e que serve de antevisão à conferência anual da associação, Portugal Renewable Energy Summit, que decorre de 9 a 10 de Novembro

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Nove em cada dez portugueses consideram que o país deveria investir mais em energias renováveis. Esta é uma das principais conclusões de um estudo sobre “Notoriedade e Imagem das Energias Renováveis” realizado pela Marktest para a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), ao longo do mês de Setembro, que envolveu mais de mil entrevistas, realizadas por todo o país, em regiões urbanas e rurais.

Cerca de 60% dos inquiridos são da opinião de que Portugal está a fazer pouco para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, e só 30% acredita que o país está a mobilizar esforços suficientes rumo à descarbonização em 2050.

Os portugueses entrevistados revelam ainda ter um conhecimento aprofundado do que consta da sua factura da electricidade, com mais de 80% a garantir conhecer parcial ou totalmente as rubricas que compõem a conta da electricidade. Quanto ao preço da electricidade, as respostas são claras: 91% dos inquiridos considera que a factura é cara. Mais de 80% acredita mesmo que o preço da electricidade em Portugal é mais elevado do que a média europeia.

Em consonância, 88% considera que se deverá fazer uma aposta em fontes de energia renovável em detrimento de combustíveis fósseis, e mais de 52% refere que o uso de energias renováveis reduz o preço de venda da electricidade.

“Os principais resultados deste estudo demostram que a população portuguesa acredita nas renováveis e defende um maior investimento nas energias verdes de forma a impulsionar a descarbonização. A APREN continuará a trabalhar no sentido de factualmente explicar e mostrar as vantagens da electricidade produzida a partir de fontes renováveis a toda a linha, nomeadamente o seu impacto muito positivo no controlo dos preços da electricidade”, sublinha o presidente da direcção da APREN, Pedro Amaral Jorge.

Investimento privado predomina nas renováveis

A população portuguesa revela ainda ter um bom conhecimento acerca das várias fontes de energia renovável. A solar e a eólica são as mais populares, alcançando uma notoriedade superior a 95%. A hídrica e a energia proveniente das ondas e marés surgem em segundo plano. Menos conhecida é a energia geotérmica, a biomassa e também o biogás. Só cinco em cada 10 portugueses já ouviu falar destas fontes.

Apesar disso, no que toca à preponderância de cada uma das tecnologias, a energia eólica é erradamente percepcionada como sendo a mais utilizada por 40% dos inquiridos, com apenas 27% a eleger a resposta correcta, a energia hídrica. A energia solar é também a primeira escolha de 28%.

Mais de 85% dos inquiridos concordam que as renováveis contribuem positivamente para a diminuição de emissões de gases de efeito de estufa e para minimizar as alterações climáticas e o seu impacto. A esmagadora maioria considera que o combate às alterações climáticas deve ser uma área prioritária de actuação do governo português e apoia a ideia de que a meta europeia e nacional para a descarbonização da economia até 2050 foi uma decisão de grande relevância.

Nem todos concordam com o aumento de impostos sobre os combustíveis mais poluentes de forma a desincentivar o seu uso, ainda assim, com 59% da população a ser favorável a esta estratégia. Consensual é a ideia de que o investimento efectuado nas renováveis é sobretudo privado. Esta opinião é partilhada por 61% dos inquiridos. Entre 2020 e 2030, segundo um estudo da Deloitte, o sector deverá atrair cerca de 20 mil milhões de euros de investimento privado em centros electroprodutores a partir de fontes de energia renovável.

Sobre o autoconsumo, as respostas são também reveladoras. No caso do autoconsumo, 87% não dispõe de autoconsumo, e apenas 20% tenciona ter no futuro, embora 95% da população concorde que deveriam existir incentivos/ apoios públicos para a aquisição e instalação de painéis solares térmicos e fotovoltaicos nas residências dos portugueses.
Já no que à eficiência energética diz respeito, 84% diz que já adoptou medidas deste género em sua casa, com 90% a referir que alterou as lâmpadas para LED, 87% a mencionar que adquiriu electrodomésticos mais eficientes e 71% a referir que não deixa os seus aparelhos em standby.

As "Renováveis”, enquanto “motor da recuperação económica", estarão em foco na conferência anual da APREN, a Portugal Renewable Energy Summit, que se realiza a 9 e 10 de Novembro, com a participação de alguns dos principais especialistas na área das energias renováveis, a nível nacional e internacional, que integram os vários painéis de debate dos principais temas do sector.

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“Ganhar dimensão é importante para o mercado internacional”

A NRV – Norvia adquiriu a Elsamex Portugal e a LCW Consult. Em entrevista ao CONSTRUIR, Tomás Espírito Santo, CEO da NRV, sublinha o impacto que este crescimento terá num grupo cujo 50% do volume de negócio já é garantido no exterior

Elsamex e LCW são as duas mais recentes entidades do universo NRV. Com estas aquisições permitiram ao grupo somar 3,5 milhões de euros em volume de negócios e integrar 50 postos de trabalho. O grupo fechará as contas de 2021 com um resultado consolidado na ordem dos 15 milhões de euros e cerca de 220 colaboradores, 20% dos quais distribuídos pelos escritórios das várias participadas no grupo no mercado internacional.

Recentemente a empresa anunciou a aquisição de duas empresas – Elsamex e LCW – o que motivou esta aquisição? Como será feita a integração destas empresas no universo do grupo/empresa NRV?

As duas operações foram concluídas em Junho, mas estavam a ser preparadas há mais de um ano. Na verdade, prefiro falar de integração mais do que aquisição. Nestas operações, como nas anteriores, trata-se de integrar empresas que conhecíamos bem, com quem já colaborávamos, e que tinham especialização em áreas complementares às nossas. Por motivos vários, tinham fragilidades no seu projecto de futuro e nós sabíamos do know-how que dispunham e da qualidade das suas equipas – ou seja, eram valor acrescentado para a nossa estrutura. Mais: os valores eram os mesmos, a vontade de aprender igual à nossa e o modelo de gestão compatível. No fundo, havia condições para fazerem parte do nosso projecto.

Em que medida e que áreas saíram reforçadas na NRV?

Com a LCW trouxemos as Estruturas Especiais e com a Elsamex Portugal a Geologia e Geotecnica. Pontes, viadutos, barragens, obras subterrâneas, túneis, pavimentos rodoviários e aeroportuários, laboratórios de ensaio e controlo de qualidade: são todas áreas acrescentadas ou reforçadas dentro do grupo. As empresas mantêm-se autónomas sendo que a Elsamex Portugal altera a sua designação para Geovia.

Túnel Santuário de Fátima

Aquisições para crescer e agregar valor

Este é já o segundo processo de aquisição do grupo nos últimos dois anos. A expansão por aquisição é a forma mais rápida de crescer no mercado?

É verdade, este é um segundo processo que levamos a cabo nos últimos anos. Em 2018 já tínhamos integrado uma empresa na área do Ordenamento do Território, a LR-Plural, que ficou na estrutura da NRV, e uma outra na área das Obras Marítimas e Portuárias, a MSW, que se mantém autónoma – tal como a LCW e a GEOVIA. Ganhar dimensão e pluridisciplinaridade é importante, sobretudo para o mercado internacional.

Antevêem novas aquisições?

Não vemos nas aquisições o veículo para sustentar o nosso crescimento ou a diversificação das áreas de actuação. Fomos sempre crescendo e diversificando sem precisar de adquirir ou integrar outras empresas. Dito isto, é verdade que as aquisições permitem saltos mais rápidos. Mas não o fazemos de ânimo leve: têm de acrescentar valor ao nosso projecto e ter estruturas que conheçamos bem, como aconteceu até agora. Se aparecerem oportunidades deste tipo podemos sempre estudá-las.

Qual o volume da vossa carteira de obras no mercado nacional? Perspectivas de crescimento?

O mercado nacional corresponde a cerca de 60 a 65% do nosso volume de negócios. O mercado internacional caiu nestes dois últimos anos, em consequência da pandemia. É de esperar que volte a ganhar mais significado e, aliás, essa retoma já se está a sentir em 2021 ao nível das contratações. E não se poderá deixar de ter presente que o programa de recuperação a implementar a nível nacional trará também por certo um crescimento da actividade no nosso sector.

Viaduto do Corgo

O peso da África Ocidental e a atracção pelo Oriente

 A nível internacional têm presença em alguns países, com a NRV Cabo verde, Angola, Moçambique e a NRV West Africa. Estas participadas têm capital local ou são empresas detidas na totalidade pela NRV?
Todas as participadas na área internacional têm capital local. A maioria qualificada é da NRV mas tivemos sempre presente a necessidade de dispor de um parceiro local. Estar num país novo é sempre um desafio em termos de aprendizagem. Integrámos sempre quadros locais nas nossas estruturas e procurámos dessa forma aprender a estar no mercado. Vemos a nossa presença como uma forma de levar e acrescentar valor e conhecimento, potenciando as capacidades existentes.

 Qual o peso das participadas no volume de negócios do grupo?

Em termos globais a NRV garante cerca de 50% do volume de negócios do grupo, estando os restantes 50% distribuídos pelas participadas.

São mercados distintos como caracterizam a vossa actividade em cada um deles?

Cada mercado tem as suas especificidades e é preciso ter uma capacidade grande de adaptação na maneira de estar. Creio que nos temos adaptado e temos sabido estar. Em cada país somos reconhecidos com uma consultora nacional e é esse modo de estar que nos caracteriza.

Qual a vossa carteira de obras nestes países? E quais os principais projectos em curso?
Em Cabo Verde estamos hoje nos Portos do Mindelo e do Maio. No Senegal, num projecto de construção de 24 pontes em vários pontos do país e, ainda, em projectos de auto-estradas com mais de 200 km. Na Gâmbia estamos a estudar um novo projecto rodoviário. Na Costa de Marfim temos o projecto do Mercado de Bouaké, um dos maiores de África, e vários projectos de edifícios e infraestruturas urbanas. Estamos no projecto da primeira secção da auto-estrada Abidjan – Lagos, entre Abidjan e Takoradi no Gana. É também no Gana que estamos com um projecto rodoviário de alargamento de uma secção de auto-estrada. Em Angola estamos no Novo Aeroporto Internacional de Luanda e no Abastecimento de Água ao Kuito. Em Moçambique no projecto da Academia Agha-Khan.

Prevêem a expansão para outros mercados?
Já tivemos várias actuações no Médio Oriente e Ásia, regiões onde continuamos a procurar oportunidades. Trabalhámos num projecto de um resort turístico no Egipto e fizemos dois projectos de aeroportos na Jordânia. Estávamos a trabalhar num projecto de aeroportos no Sri Lanka que parou com a pandemia. Tivemos um escritório em São Paulo – que foi a nossa primeira experiência internacional – e mantemos alguns trabalhos pontuais na América do Sul. Mantemos, no entanto, o nosso foco em África onde queremos ser uma consultora de referência. O crescimento recente com novos trabalhos na Gâmbia, na Costa de Marfim e no Gana são a concretização dessa estratégia.

Porto Ilha de Maio

Mercado internacional com projecção

A designação Norvia serve hoje de chapéu às várias empresas que integram o grupo, mas foi esta que esteve na origem do grupo empresarial em 1987. “A empresa mãe teve a designação Norvia, alterada mais tarde para NRV. Procurou-se com esta alteração destacar o âmbito nacional e a multidisciplinaridade em termos de áreas de actuação.  Somos uma consultora de engenharia que desenvolve a sua actividade a vários níveis, desde estudos multidisciplinares de engenharia até supervisão e gestão global de projectos. Conservou-se a marca Norvia, usada para a designação “Grupo Norvia” que engloba a NRV e as suas participadas”, conta Tomás Espírito Santo, CEO da NRV.

Hoje o grupo multiplica-se por uma série de entidades, consoante sua área de actuação e localização geográfica.  “No mercado nacional temos na Madeira a NRV Madeira, nos Açores a MSW, que garante também a especialização na área das obras marítimas e portuárias, e agora a LCW e a GEOVIA com especialização nas estruturas especiais e na geologia e geotecnia”.

No mercado internacional o grupo actua através das suas participadas locais em cada um dos mercados onde está presente. Entidades cujo capital é detido, em parte, por sócios também eles locais. Uma actuação que faz parte da estratégia e do posicionamento do grupo. Assim, “temos a NRV Cabo Verde, com sede na Praia, a NRV | Norvia West Africa no Senegal, com sede em Dakar, que é a base da nossa operação na África Ocidental, a NRV em Angola, com sede em Luanda e a NRV Moçambique, com sede na capital Maputo”, inúmera Tomás Espírito Santo.

Na carteira de clientes do grupo surgem tanto entidades privadas como públicas. Entre os privados contam-se as concessionárias rodoviárias, a ANA (Aeroportos de Portugal), a REN (Redes Energéticas Nacionais), e as principais construtoras portuguesas, “estas com maior relevo no mercado internacional”. Entre os clientes públicos estão a Infraestruturas de Portugal, as Administrações dos Portos no Continente e Regiões Autónomas, o Governo Regional da Madeira, e várias câmaras municipais um pouco por todo o país.

 

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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Quadrante renova posicionamento da Ecoprogresso

Fundada em 2002, e na Quadrante desde 2010, a Ecoprogresso é uma empresa portuguesa de consultoria em ambiente, sustentabilidade, alterações climáticas e gestão de recursos

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“Criar valor num clima em mudança” é a missão da qual resulta a nova identidade visual da Ecoprogresso, uma empresa do Grupo Quqadrante, que há 19 anos se dedica a criar estratégias de desenvolvimento sustentável. “Fomos a primeira empresa portuguesa a focar a sua actividade na gestão de carbono e alterações climáticas”, revela a empresa em comunicado, explicando que “a nova imagem é acompanhada por um novo posicionamento, que se baseia na história da empresa, mas aponta para o futuro".

Fundada em 2002, a vasta experiência da Ecoprogresso foi consolidada nos vários anos de apoio ao Governo português, no que se refere às negociações e reporte no âmbito do Protocolo de Quioto. Quatro anos depois da sua fundação, com a Fomentinvest como seu principal accionista, a criou a marca Carbonfree, primeira marca de neutralização de emissões em Portugal, tendo sido também advisor do primeiro fundo português privado de carbono, o Luso Carbon Fund e, mais tarde, do New Energy Fund.

O processo de internacionalização da empresa iniciou-se em 2007, tendo integrado o Grupo Quadrante três anos depois, abrindo agora um novo ciclo com a renovação da identidade visual da marca.

“A Sustentabilidade é um dos pilares estratégicos do Grupo Quadrante e é no contexto de um clima em constante mudança que reforçamos hoje a nossa marca e a estratégia de actuação da Ecoprogresso”, explica Margarida Magina, responsável pela area de Ambiente e Alterações Climáticas do Grupo. “Procuramos promover sinergias entre os diversos sectores de actividade em que actuamos, com vista a criar soluções sustentáveis pensadas para ajudar as empresas na transição energética, eficiência energética de edifícios e infraestruturas e na descarbonização das suas actividades, apoiando nas suas estratégias rumo a um futuro mais sustentável”, conclui.

Com um volume de vendas superior a 18 milhões de Euros, a Quadrante actua em oito sectores de actividade, nomeadamente, edifícios, transportes, indústria e energia, infraestruturas hidráulicas, ambiente, gestão da construção e supervisão, aeroportos e infraestruturas para grandes cidades.

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Novo robô português assegura desinfecção de espaços por UV-C

Com recurso a tecnologia autónoma de ponta, o Zhello combate vírus, bactérias e outros microrganismos

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A Iberlim, especialista na área das limpezas profissionais e sustentabilidade, em parceria com a JPM Industry, player mundial no mercado da intralogística, desenvolveu uma solução robótica autónoma e inteligente com capacidade para operar várias torres de desinfecção através de raios ultravioleta C (UV-C), um projecto que envolveu uma equipa de cerca de 30 pessoas e representa um investimento de cerca de quase meio milhão de euros.

De implementação simples, funcional, automática e integrada, o Zhello é uma tecnologia que ajuda no combate a doenças infecciosas causadas por bactérias, vírus – incluindo o SARS-COV-2 – e outros microrganismos, com eficácia até 99,99% na inactivação dos mesmos, promovendo o bem-estar de todas as pessoas, incluindo os utilizadores, os trabalhadores dos espaços desinfectados e quem visita as instalações.

Este robô português, cujo desenvolvimento teve a consultoria técnica especializada do INESC TEC – Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (Porto), está dotado de unidades rebocáveis de desinfecção de superfícies. Através desta inovação, única no mercado, é possível reduzir custos, já que podem ser acopladas várias unidades rebocáveis a apenas um dispositivo.

“Sendo uma solução robótica com elevada autonomia e portabilidade, pode ser operada em horários que não colidam com o normal funcionamento das instalações e permite ainda o seu transporte entre vários edifícios. É fácil e intuitivo programar o funcionamento do robô e das torres de desinfecção, ou seja, pode ser operado por qualquer pessoa, sem necessidade de formação técnica, através de uma aplicação instalada num simples tablet”, explica o administrador da Iberlim, Nuno Albernaz.

O Zhello possibilita a programação de diferentes rotas e rotinas de desinfecção. Tratando-se de uma solução de robótica multifuncional AMR (Autonomous Mobile Robot), pode ser igualmente utilizada na logística hospitalar, por exemplo, no transporte de roupas e de refeições.

O sistema robótico recorre a tecnologias evolutivas baseadas em laser scanners de segurança para que, se localize e navegue no ambiente de forma autónoma. A torre e o robô comunicam com recurso a um layer físico óptico (infravermelho) com o intuito de assegurar a conexão, mesmo quando não existe rede Wi-Fi, bem como para identificar a torre.

O dispositivo não apresenta qualquer risco de contaminação ou de exposição à radiação para as pessoas, graças a um avançado sistema que desactiva a radiação assim que é detectada a presença de alguém. Adicionalmente não requer o transporte e manuseio de agentes tóxicos ou corrosivos, que são tradicionalmente utilizados para a inactivação dos microrganismos, representando mais valias tanto para as pessoas como para o meio ambiente.

Este sistema baseia-se na mais recente tecnologia de reconhecimento de imagem recorrendo a algoritmos de inteligência artificial de identificação de seres humanos e tem por objectivo desabilitar a radiação UV-C na presença dos mesmos. A detecção recorre a imagens térmicas e a cores de forma a aumentar a sua fiabilidade e funcionar em ambientes de fraca ou nenhuma iluminação. Além de um algoritmo de inteligência artificial, existem sensores de infravermelhos passivos que detectam movimento, funcionando como um sistema complementar no aumento da fiabilidade deste módulo detetor.

"A JPM é desafiada todos os dias pelos seus clientes e parceiros, o projeto RDH4COVID é um excelente exemplo disso. A inovação sempre esteve presente no nosso ADN. Para nós, é sempre muito gratificante poder contribuir para o desenvolvimento tecnológico do nosso país", refere Fillipe Ribeiro, Innovation Manager da JPM Indústria.

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IP lança concurso para quadruplicação da Linha de Cintura

Os trabalhos, avaliados em 9,4 M€, serão realizados entre Roma/Areeiro e Braço de Prata. No mesmo âmbito será modernizada a Linha do Norte, entre Braço de Prata e Sacavém. Trata-se de um investimento integrado no PNI2030

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A Infraestruturas de Portugal (IP) lançou o concurso público internacional para a contratação do Projecto e do Estudo de Impacte Ambiental para Quadruplicação da Linha de Cintura, entre as estações de Roma/Areeiro e Braço de Prata, e para a Modernização da Linha do Norte, entre Braço de Prata e Sacavém. O concurso público tem um preço base de 9,4 milhões de euros.

Desenvolvido no âmbito do Plano Nacional de Investimentos (PNI2030), este investimento “pretende aumentar a capacidade operacional do sistema ferroviário, melhorando as condições de mobilidade, permitindo assegurar mais rapidez e maior número de comboios ao dispor dos milhares de passageiros que utilizam o transporte ferroviário nas suas deslocações diárias dentro da Área Metropolitana de Lisboa”, sublinha a IP em comunicado.

Numa extensão total de cerca de 15,5 quilómetros este projecto envolve para além da quadruplicação da Linha de Cintura, entre as Estações de Roma/Areeiro e de Braço de Prata, a modernização da Linha do Norte entre as Estações de Braço de Prata e de Sacavém, incluindo a reformulação integral do diagrama de via da Estação do Oriente, com inserção de mais três vias.

O plano contempla também a construção de novas estações em Chelas/Olaias, em Braço de Prata e do novo Apeadeiro de Marvila,” adequadas aos novos serviços ferroviários e que asseguram melhores condições de segurança, conforto e acesso aos utilizadores”. Em Chelas a nova estação será dotada de uma interface com a estação de metro das Olaias.
No âmbito deste projecto está prevista a criação de seis novas obras de arte ferroviárias: três pontes, um viaduto e dois túneis.

A par disso, está prevista a substituição integral dos sistemas de catenária na Linha de Cintura e na Linha do Norte e a construção das infraestruturas de suporte à componente de sinalização e telecomunicações.
De acordo com a IP, “estas intervenções permitirão o aumento do número de comboios nas Linhas de Cintura, do Norte e de Sintra, em particular dos suburbanos, regionais e de longo curso. A concretização destes investimentos visa criar condições para a implementação de novos serviços de Alta Velocidade entre Lisboa-Oriente e Porto Campanhã”.

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Ecoinside quer tornar empresas ecoeficientes

Assume-se como uma empresa tecnológica de energias renováveis e está a investir forte em inovação, mas não só. O ano passado a empresa criou um fundo de investimento de capitais próprios, no valor de 15 M€, destinado a apoiar as empresas portuguesas na transição energética e na redução de consumo de energia

A tecnológica de energias renováveis vai estrear um método inovador de instalação de painéis solares com recurso a estruturas de betão, em oposição à tradicional estacaria metálica. Desenvolvido em parceria com a Presdouro e a Cimenteira do Louro, este projecto é 100% português. Segundo a Ecoinside, o projecto contempla ainda “a avaliação ambiental da obra, através da contabilização dos resíduos gerados e o impacto na biodiversidade, com o objectivo de desenvolver um modelo de centrais fotovoltaicas mais sustentável, com menores impactos na biodiversidade dos locais e com menor desperdício associado”, explica Joaquim Guedes, CTO (Chief Technology Officer) e sócio-fundador da Ecoinside.

O método de instalação distingue-se pelo facto de consistir “numa estrutura em betão, adaptável a qualquer tipo de painel solar que se pretenda instalar, em oposição às tradicionais formas de fixação de painéis em projectos no solo, o que reduz custos de mão de obra, graças a uma instalação mais simples e célere, e evita a realização de estudos geotécnicos exaustivos”.
O CTO da Ecoinside refere ainda que a solução técnica em betão é composta por duas peças fabricadas em separado para permitir uma maior agilidade e eficiência no transporte e na sua montagem, “trata-se de uma solução concebida para acomodar os diferentes tamanhos de módulos e que permite o ajuste da sua inclinação, adequando-se, dessa forma, a todo o tipo de projectos e localizações”, assegura.
A nova técnica será aplicada primeiro na unidade fabril da UPREL, em Estarreja, onde a Ecoinside está a instalar uma central fotovoltaica, a qual será responsável por mais de metade da energia necessária ao funcionamento da fábrica, gerando uma poupança anual na factura de energia de cerca de 12 mil euros. “Esta técnica será utilizada na Uprel e, num período muito curto, em duas outras centrais que já temos contratualizadas e que arrancarão com os trabalhos de construção muito em breve. No entanto, não será utilizada em todas as centrais construídas pela Ecoinside. A avaliação inicial às condições do terreno é que permitirá escolher a solução mais adequada”, justifica Joaquim Guedes.

Fundo incentiva indústria a ser ecoeficiente

A Ecoinside é especialista em eficiência energética, energias limpas, sustentabilidade e mobilidade eléctrica, contando com um portfólio de mais de 200 clientes, entre indústrias, autarquias e empresas, de norte a sul do país. “Actuamos em cinco grandes áreas, energias renováveis, eficiência energética e hídrica, gestão de energia, sustentabilidade e mobilidade eléctrica”, o que lhe confere uma perspectiva de 360º sobre o sector. “Diria que temos três grandes factores que nos distinguem da concorrência: a experiência feita, o know-how em ecoeficiência e a sustentabilidade, que nos permite entender todos os vectores energéticos e recursos de uma instalação de uma forma integrada”.

O ano passado a empresa criou um fundo de investimento de capitais próprios, no valor de 15 milhões de euros, destinado a apoiar as empresas portuguesas na transição energética e na redução de consumo de energia. “O fundo permite que as empresas instalem sem investimento próprio, por exemplo, centrais fotovoltaicas que produzem electricidade a partir de energia solar, nas suas instalações, para aí ser consumida”, justifica Joaquim Guedes.

Cada vez maior é o número de empresas nacionais que opta por investir em projectos de energia para autoconsumo. Mas segundo o sócio-fundador da Ecoinside este crescimento ainda não se reflectiu nas contas da empresa. “Não nos podemos esquecer que, apesar do preço da electricidade estar a aumentar drasticamente, a crise pandémica que vivemos teve um impacto bastante negativo ao nível do adiamento de decisões de investimento, o que já em 2020, não permitiu o fecho de alguns negócios previstos com a Ecoinside”, relembra.
Com o crescimento dos preços de energia no mercado e o anúncio de novos apoios – onde se inclui a esperada alteração legislativa que facilitará os licenciamentos na instalação destes projectos – o sector deverá agora acelerar o ritmo.

“Nos últimos meses, temos sentido o retomar da confiança do mercado e isso é demonstrado pelas manifestações de interesse e pelo aumento do desenvolvimento dos projectos. No entanto, e no nosso mercado alvo, os processos são longos, desde os contactos e questões comerciais até à construção da central, são necessários vários meses. Pelo que o seu impacto no volume de facturação deverá reflectir-se sobretudo em 2022. Para este ano prevemos que o nosso volume de negócios se mantenha idêntico ao de 2020, o que é bastante positivo, mas esperamos ter um forte crescimento em 2022”, adianta Joaquim Guedes.

Uma expectativa suportada pelos vários projectos de novas centrais fotovoltaicas, de média e grande dimensão, que a empresa está a negociar e que vão ter impacto acentuado no seu volume de negócios já a partir do próximo ano.

Também em 2022 irá arrancar a construção das novas instalações da Ecoinside, as quais “contarão com um laboratório de testes e ensaios, o que nos permitirá, para além de dinamizar alguns projectos de inovação que temos em mente, dar uma resposta mais eficaz e célere aos nossos clientes. As novas instalações irão permitir o nosso crescimento em recursos humanos, com melhores condições técnicas e operacionais, pelo que estou certo que vai potenciar o nosso ecossistema criativo e de comprometimento com a nossa missão”, conclui Joaquim Guedes.

Projectos em destaque

Pedimos a Joaquim Guedes que seleccionasse alguns dos projectos já implementados pela Ecoinside. A escolha não foi fácil, mas seja pela relação com o cliente, dimensão ou impactos gerados estas foram as suas escolhas:

Plasfil
Projecto de instalação de 6.660 metros quadrados de painéis fotovoltaicos na fábrica de termoplásticos destinados ao sector automóvel, que se situa na Figueira da Foz. O projecto, cuja dimensão equivale a um campo de futebol, permite à empresa uma poupança de 19% do consumo energético. O investimento permite a eliminação de 762 toneladas de CO2 lançadas para a atmosfera, o equivalente à plantação de cerca de 11.550 árvores.

Dominó - Indústrias Cerâmicas SA
Central fotovoltaica com mais de 3 mil painéis solares na unidade fabril de cerâmica, em Condeixa-a-Nova (Coimbra). O projecto, concluído em Abril deste ano, está a permitir a diminuição em mais de 600 toneladas a quantidade de dióxido de carbono lançada para a atmosfera anualmente. Com a implementação da unidade de autoconsumo (UPAC), a empresa especializada em pavimentos cerâmicos vai poder contar com uma poupança anual de cerca de 40% na factura de electricidade. A empreitada passou também pela substituição de 5 600 m2 da cobertura em fibrocimento (material que contem amianto na sua composição) do pavilhão.
Este projecto, que contou com financiamento de mais de 600 mil euros, resultou em significativas poupanças energéticas e ambientais, equivalentes à plantação de mais de 15 600 árvores por ano.

Aguarela do Mundo
O projecto na empresa do universo do Grupo S. Martinho, teve como objectivo claro a redução dos seus custos energéticos e impactos ambientais. Com uma potência total instalada de 1,74 MW, foi considerada uma das mais interessantes instalações no sector das bebidas. Os seus resultados conquistados são equivalentes à plantação de mais de 15 mil árvores e evitaram a emissão para a atmosfera de mais de mil toneladas de CO2 por ano.

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Porto: Reabilitação da ponte D. Luís I vai custar 3,3M€

A intervenção na Ponte Luís I tem como objectivo reparar um conjunto de anomalias já identificadas, a maioria das quais relacionada com a corrosão superficial de elementos metálicos

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Está avaliado em 3,3 milhões de euros o investimento previsto para os trabalhos de reabilitação da emblemática ponte D. Luis I, no Porto, uma intervenção que vai cortar o tráfego rodoviário no tabuleiro inferior durante aproximadamente um ano. A empreitada de Reabilitação e Reforço do Tabuleiro Inferior daquela infra-estrutura sobre o Rio Douro, da responsabilidade da IP - Infraestruturas de Portugal vai permitir, no entanto, o tráfego pedonal.

Até lá, o tráfego automóvel será encaminhado por percursos recomendados. Quem circular na zona da Ribeira ou zona central do Porto, e pretender aceder à margem de Vila Nova de Gaia, deverá seguir em direcção à Ponte do Infante. Já o trânsito proveniente da zona oriental da cidade será encaminhado para a Ponte do Freixo, ao passo que o tráfego rodoviário da zona ocidental terá como acesso preferencial a Ponte da Arrábida. Todas estas recomendações estarão devidamente sinalizadas pela Câmara do Porto, que colocará, durante os próximos dias, sinalização adequada para o efeito.

Ainda que a circulação automóvel fique vedada à Ponte Luís I durante o período de obra, o mesmo não acontecerá com a circulação pedonal, que foi possível salvaguardar através de plataformas especificamente montadas para este fim.

Em comunicado, o vice-presidente da IP sublinha que, pelas características da intervenção, o encerramento da ponte ao tráfego rodoviário durante o período da obra era inevitável, tendo o mesmo assunto sido coordenado com os municípios envolvidos, nomeadamente Porto e Vila Nova de Gaia. José Serrano Gordo solicita, por isso, "a melhor compreensão pelos inconvenientes que esta situação provoca, na certeza, porém, de que de estamos a contribuir para a melhoria das condições de segurança da infraestrutura e fundamentalmente dos seus utilizadores". "A IP irá colocar todo o seu empenho para que obra decorra dentro dos prazos previstos", remata.

A intervenção na Ponte Luís I tem como objectivo reparar um conjunto de anomalias já identificadas, a maioria das quais relacionada com a corrosão superficial de elementos metálicos, e outras que venham a ser identificadas no âmbito dos trabalhos a executar.

Além da reparação das situações identificadas, "é necessária a substituição pontual de rebites, a rectificação de chapas deformadas, a manutenção dos aparelhos de apoio, a substituição das juntas de dilatação, a reparação das portas de acesso aos encontros e a reabilitação dos serviços afectados.", descreve a IP.

"A empreitada prevê também o reforço dos banzos superiores das vigas, diagonais e montantes por adição de chapas de aço, introdução de sistema de travamento longitudinal e a substituição da laje do tabuleiro", informa também o comunicado.

O projecto pretende, igualmente, conferir à ponte e, em particular, ao tabuleiro inferior uma capacidade resistente compatível com as sobrecargas rodoviárias actuais, pelo que a construção de um novo tabuleiro, permitirá eliminar a limitação de circulação de veículos com peso bruto superior a 30 toneladas, passando a ser admissível a circulação de veículos com peso bruto até 60 toneladas.

A intervenção no tabuleiro inferior tem ainda em vista a redução das vibrações induzidas pela passagem de grandes grupos de peões durante eventos festivos ou desportivos, controlando-se as vibrações horizontais à custa do aumento da rigidez e aumento da massa do tabuleiro.

A história da Ponte

A Ponte Luís I é uma ponte em estrutura metálica com dois tabuleiros, construída entre os anos 1881 e 1888, ligando as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia (margem norte e sul, respectivamente) separadas pelo rio Douro.

Esta construção veio substituir a antiga ponte pênsil que existia no mesmo local e foi realizada mediante o projecto do engenheiro belga Théophile Seyrig, que já tinha colaborado anteriormente com Gustave Eiffel na construção da ponte ferroviária Maria Pia.

A ponte foi inaugurada em 1886 (tabuleiro superior) e 1888 (tabuleiro inferior e entrada em total funcionamento). O tabuleiro inferior do Ponte Luís I assegura a mais antiga ligação rodoviária actualmente em serviço entre o Porto e Gaia e é a única feita à cota baixa.

Desde 2005, o tabuleiro superior da ponte serve a Linha D do Metro do Porto e no tabuleiro inferior circulam peões e veículos automóveis.

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