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Escritórios da PHC Software distinguidos pela Architecture MasterPrize

Os escritórios sede da PHC Software, no Taguspark (Oeiras), valeram à OPENBOOK o prémio na categoria de interior design/workplaces, pela Architecture MasterPrize

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Escritórios da PHC Software distinguidos pela Architecture MasterPrize

Os escritórios sede da PHC Software, no Taguspark (Oeiras), valeram à OPENBOOK o prémio na categoria de interior design/workplaces, pela Architecture MasterPrize

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Open House Lisboa 2022 põe à vista a Rebeldia do Invisível
Arquitectura

Os escritórios sede da PHC Software, no Taguspark (Oeiras), valeram à OPENBOOK o prémio na categoria de interior design/workplaces, pela Architecture MasterPrize.

O edifício Simulador I, onde está a multinacional de origem portuguesa, tem quatro mil e 500 metros quadrados acima do solo e é uma imponente estrutura de betão e vidro. A formalidade do exterior é complementada com o ambiente moderno e descontraído do interior: a enorme entrada convida a ficar, um espaço amplo que serve simultaneamente como hall, auditório e hub social. Ao todo o edifício da PHC conta com três pisos onde se multiplicam as áreas de trabalho, salas de reuniões e zonas de convívio e lazer (como sala de jogos e de música, biblioteca digital ou sala de massagens).

Nesta entrega de prémios internacional, a OPENBOOK arrecadou, ainda, uma segunda menção honrosa na categoria architectural design/commercial architecture pelo projecto de arquitectura realizado para uma moradia unifamiliar em Cascais. A moradia criada através de um jogo de volumes com diferentes texturas e materiais – como o betão, a pedra e a madeira – conjuga a geometria sóbria das suas linhas rectangulares com o terreno acidentado, criando uma ligação harmoniosa com a natureza em redor.

“Estes prémios são o reconhecimento internacional da qualidade do trabalho que temos vindo a desenvolver em diferentes áreas, dos projectos corporativos aos residenciais”, explica Paulo Jervell da OPENBOOK.

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Open House Lisboa 2022 põe à vista a Rebeldia do Invisível
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Open House Lisboa 2022 põe à vista a Rebeldia do Invisível

No fim-de-semana de 14 e 15 de Maio, o evento que anualmente promove o livre acesso à arquitectura, volta a abrir portas de espaços públicos e privados, entre Lisboa e Almada

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Em 2022, o Open House Lisboa regressa mais cedo do que o habitual. No fim-de-semana de 14 e 15 de Maio, o evento que anualmente promove o livre acesso à arquitectura da cidade, volta a abrir portas de espaços públicos e privados, contemporâneos ou históricos, através de visitas guiadas, percursos urbanos desvendados por especialistas e um passeio sonoro para se fazer em qualquer altura.

Na sua 11.ª edição, o Open House Lisboa apresenta 69 espaços em Lisboa e Almada, 40 dos quais em estreia absoluta. Comissariado pelos Aurora Arquitectos, tem como tema A Rebeldia do Invisível.

A proposta do atelier fundado por Sofia Couto e Sérgio Antunes passa por pensar a dualidade entre a intervenção interior e exterior. Numa cidade em permanente transformação, cada novo projecto contribui para um património colectivo. Os exteriores, mais limitados pelas normas urbanísticas que procuram preservar essa identidade colectiva, contrastam com espaços surpreendentes nos interiores, cuja transformação invisível no domínio do privado mostra novas formas de habitar.

Sofia Couto e Sérgio Antunes (Atelier Aurora)

Nesta 11.ª edição coube ao artista Daniel Blaufuks presentear-nos com o Passeio Sonoro de tom intimista Do Cais do Sodré ao Rossio, que nos acompanha por uma Lisboa feita arquivo de recordações cristalizadas com nitidez fotográfica. Este passeio –  tal como os passeios sonoros das edições anteriores – estão disponíveis no SoundCloud e no Spotify do Open House Lisboa.

Destaque para as Visitas Acessíveis e actividades Júnior que este ano oferecem um conjunto de visitas sensoriais para pessoas cegas e com baixa visão, com deficiência cognitiva, crianças dos 6 aos 12 anos e famílias. O programa inclui uma visita em Língua Gestual Portuguesa à sede da Trienal de Arquitectura de Lisboa, o Palácio Sinel de Cordes.

O Open House Lisboa propõe ainda cinco Percursos Urbanos acompanhados em Lisboa por Flávio Lopes, Joana Stichini Vilela, Lucinda Correia e Vítor Belanciano e em Almada por Paula Melâneo.

As colecções são roteiros temáticos com a sugestão de espaços com visitas livres ou para explorar bairros, de modo a simplificar a experiência neste evento e o programa Plus, que complementa e valoriza as visitas com performances, concertos, ensaios e exposições.

O Open House Lisboa é co-produzido pela Trienal de Lisboa e a EGEAC e conta uma vez mais com as parcerias estratégicas da Câmara Municipal de Lisboa e da Câmara Municipal de Almada

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Cidade BI4ALL integra roteiro do Open House Lisboa 2022

A Cidade BI4ALL será um dos 70 espaços a serem visitados no roteiro denominado “A Rebeldia do Invisível”, que pretende mostrar espaços de arquitectura exemplar da cidade de Lisboa, habitualmente escondidos do olhar do público

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A Cidade BI4ALL, a nova sede da empresa líder em serviços de Data Analytics e Inteligência Artificial, inaugurada em 2021, foi um dos espaços seleccionados para integrar o roteiro da 11ª edição da iniciativa “Open House Lisboa 2022”, uma coprodução Trienal de Arquitectura de Lisboa e EGEAC, que irá decorrer no fim-de-semana de 14 e 15 de Maio.

A Cidade BI4ALL será um dos 70 espaços a serem visitados no roteiro denominado “A Rebeldia do Invisível”, que pretende mostrar espaços de arquitectura exemplar da cidade de Lisboa, habitualmente escondidos do olhar do público e cuja transformação invisível no domínio privado mostra novas formas de habitar, contrastando com os exteriores que procuram preservar uma identidade colectiva.

A nova sede da tecnológica portuguesa foi um dos edifícios escolhidos, por ser um espaço de trabalho inovador, cosmopolita e vanguardista, que responde às expectativas dos clientes actuais e futuros e oferece um conjunto de benefícios associados ao bem-estar aos mais de 300 colaboradores que trabalham diariamente para entregar um serviço de excelência.

“É com grande orgulho que vemos a nossa Cidade ser reconhecida por esta iniciativa de prestígio internacional, que pretende celebrar a boa arquitectura. A Cidade BI4ALL foi idealizada para ser um espaço disruptivo, criativo, internacional e cosmopolita, sempre com a preocupação de manter o conceito industrial original. A importância da arte, nomeadamente a arquitectura, é algo que está muito presente nesta nossa nova casa, e em que queremos continuar a apostar no futuro”, refere José Oliveira, CEO da BI4ALL.

Situada na Avenida Marechal Gomes da Costa, em Lisboa, a Cidade BI4ALL foi inaugurada no Verão de 2021, e é resultado de um investimento que ronda os oito milhões de euros. O projecto de arquitectura e decoração do edifício esteve a cargo do atelier Pedra Líquida Arquitectura e Engenharia, que manteve o conceito industrial na renovação do edifício, elevando a experiência com elementos arquitectónicos únicos e uma decoração vintage.

Composta por dois edifícios que perfazem uma dimensão de 7 mil metros quadrados, a Cidade BI4ALL tem capacidade para mais de 500 postos de trabalho, inclui várias áreas de trabalho colaborativas, auditório, ginásio, zona de restauração onde está integrado um campo de padel, quartos para clientes e colaboradores, terraço e outras zonas de lazer e bem-estar.

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Cooperativas ou como a arquitectura pode ser uma ferramenta “para intervir de maneira crítica em ambientes locais”

Serão as cooperativas de habitação uma solução para a escassez da habitação em Portugal? A pergunta foi o ponto de partida para mais uma conferência realizada no âmbito do ciclo Campo Comum, da Trienal de Arquitectura de Lisboa

Cidália Lopes

Através de exemplos de peso que nos chegam da Catalunha e de Zurique, fomos saber de forma é que o modelo cooperativas de habitação, seja através de um sistema multiforme ou directo, pode dar resposta às problemáticas económicas, urbanísticas, sociais e políticas que têm vindo a deteriorar as condições habitacionais das populações residentes em contexto urbano, nomeadamente nos grandes centros urbanos como Lisboa e Porto onde a especulação imobiliária exerce uma pressão tão grande que não permite que outros sistemas de habitação possam desenvolver-se.

A pergunta “Serão as cooperativas de habitação uma solução para a escassez da habitação em Portugal?” foi o ponto de partida para mais uma conferência realizada no âmbito do ciclo Campo Comum, da Trienal de Arquitectura de Lisboa, com curadoria de Diana Menino e Felipe de Ferrari e que teve lugar no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém.

O desenvolvimento destes modelos de habitação extrapola, também, em muito o conceito de arquitectura. Há aqui uma intervenção social e económica, até porque o trabalho destes projectos não se esgota na sua conclusão fisica, mas continua diariamente atráves da comunidade que nela reside.

“Usar a arquitectura como ferramenta para para intervir de maneira crítica em ambientes locais” é desta forma que Cristina Gamboa vê o seu é o trabalho, cujo resultado será sempre a “transformação social”. Mas não só. O trabalho com a comunidade, no sentido de alcançar “uma transição para a sustentabilidade da maneira mais ampla possível: política, social, económica e ambiental”.

A problemática com a habitação e a especulação imobiliária é também, desde há vários anos, a principal preocupação de Andreas Hofer, promotor de projectos cooperativos como o Kraftwerk1, que reúne já 700 moradores e 232 apartamentos. e o mehr als wohnen (mais do que habitar), ambos em Zurique.

Cooperativas é a segunda conferência do terceiro e último ano do ciclo Campo Comum (2020-2022), que arrancou no passado mês de Março com uma primeira sessão sobre Espaço Colectivo e com a presença em Portugal de Markus Bader, do atelier Raumlaborberlin, Leão de Ouro da 17.ª Bienal de Arquitectura de Veneza, e de Alain Trévelo, co-fundador do atelier parisiense TVK. Campo Comum convoca figuras internacionais em sessões duplas, para olhar para a arquitectura como imperativo de mudança. O ciclo encerra com a conferência Coexistência, a 25 de Maio.

BIO

Cristina Gamboa é arquitecta e professora. Estudou na ETSAB e na Universidade de Estugarda. É co-fundadora da Lacol, uma cooperativa de 14 arquitectos, estabelecida em 2014 em Barcelona, que se foca na investigação de abordagens participativas para o design e no desenvolvimento de habitações cooperativas e políticas habitacionais, testadas em projectos em curso. Actualmente lecciona na AA (MPhil em Arquitectura e Design Urbano – Cidades Projectivas) e na ETSAB. O trabalho colectivo da cooperativa tem sido reconhecido e exibido local e internacionalmente, incluindo o Prémio de Arquitectura da Cidade de Barcelona em 2018, o Prémio do Grupo Zumtobel atribuído à cooperativa ‘La Borda’ em 2021, o Prémio Moira Gemmil em 2021 (prémio feminino atribuído pela The Architectural Review), estando ainda indicada para o Prémio EUMies de 2022.

Andreas Hofer estudou Arquitectura no Instituto Suíço para a Tecnologia em Zurique. Em 2018, foi eleito director da Exposição Internacional de Construção em Estugarda (IBA 27). Em Zurique, foi sócio do atelier de planeamento e arquitectura Archipel. Trabalhou principalmente como consultor e promotor de projectos de habitação cooperativos inovadores como o Kraftwerk1 e o mehr als wohnen (mais do que habitar), escreve regularmente sobre desenvolvimento urbano e problemas de habitação, é membro em júris de competições de arquitectura e lecciona em várias universidades.

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A+A apresenta caderno de arquitectura de Carrilho da Graça

Editado pela TC Cuadernos, o livro contém as principais obras realizadas pelo arquitecto desde 1995 até à actualidade. O lançamento é esta quinta-feira, na sede da Ordem dos Arquitectos

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Reconhecido essencialmente pela “dimensão territorial, radical e ainda artística da sua obra”, João Luís Carrilho da Graça, define a sua arquitetura como “possibilidade artística que tem sempre como referência a construção”. É esta perspectiva que a A+A Books dá a conhecer através das 446 páginas da mais recente edição da TC Cuadernos e que pretende observar este aspecto menos estudado da sua obra. Esta edição, que percorre as suas principais obras realizadas desde 1995 até à actualidade, ao longo de uma selecção de 18 obras, situadas maioritariamente em Portugal, é apresentada dia 5 de Maio, pelas 18h30, no auditório da Ordem dos Arquitectos, em Lisboa.

Ao longo das suas páginas descobrimos as diferentes sensibilidades que integram a ampla trajectória de Carrilho da Graça. A sua sensibilidade estrutural, com a defesa de propostas arriscadas, e também a sua sensibilidade em relação ao património nas suas diferentes intervenções. Destacamos também a sua defesa da autonomia do arquitecto, a incorporação ou criação de materiais que vão para além das soluções disponíveis no mercado, e assim responder à problemática de cada projecto.

Carrilho da Graça, arquitecto desde 1977, vive e trabalha em Lisboa. À sua obra foram atribuídos diversos prémios e distinções, nomeadamente o Prémio da Associação Internacional dos Críticos de Arte (1992); Prémio Secil de Arquitectura (1994); Prémio Valmor (1998, 2008, 2010, 2017, Menção em 1993, 2007, 2013); Prémio FAD Ibérico (1999); Ordem de Mérito da República Portuguesa (1999); Prémio Bienal Internacional da Luz – Luzboa (2004); Prémio Pessoa (2008); Prémio Piranesi – Prix de Rome (2010); Ordre des Arts et des Lettres – República Francesa (2010); Medalha da “Académie d’Architecture”, Paris (2012); Prémio Internacional de Arquitectura Sacra Frate- Sole (2012); Prémio Bienal Ibero Americana de Arquitectura e Urbanismo (2012); International Fellowship do Royal Institute of British Architects (2015); Membro Honorário da Ordem dos Arquitectos (2015); Prémio Bienal Internacional de Arquitectura de Buenos Aires (2018); Prémio Leon Battista Alberti do Politecnico di Milano, Mantova (2018); Prémio arpaFil, Guadalajara, México (2018); Ordem da Instrução Pública da República Portuguesa (2019). Nomeado e/ou finalista para o prémio de arquitectura Mies Van der Rohe em diversas edições. Participou na representação oficial de Portugal à 12a, 13a e 16a Bienal de Arquitectura de Veneza e na exposição central da 15a Bienal. Professor na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa entre 1977 e 1992 e, posteriormente, entre 2014 e 2019; Universidade Autónoma de Lisboa entre 2001 e 2010; Universidade de Navarra entre 2005 e 2015; Cornell University, New York, em 2015; Haute École du Paysage, d’Ingénierie et d’Architecture de Genève, em 2019. CátedraUnesco Leon Battista Alberti do Campus de Mantova do Politecnico di Milano de 2017 a 2019, e actualmente da Accademia di Architettura da Università della Svizzera Italiana,em Mendrisio. Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa.

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Braga recebe congresso sobre digitalização da indústria da construção

“Até aqui fazíamos desenhos para construir casas, pontes e outros edifícios, mas a tendência internacional é fazê-lo através de modelos, navegáveis por realidade virtual, onde se vê muito além das paredes, como as redes hidráulicas e até as propriedades dos materiais

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Braga recebe, entre 4 e 6 de Maio, o 4º Congresso Português de Building Information Modelling (ptBIM), iniciativa promovida pelas Escolas de Engenharia e de Arquitectura, Arte e Design da Universidade do Minho, com o apoio das universidades do Porto e de Lisboa. A meta é debater, divulgar e adequar directrizes sobre construção virtual, em especial nos países lusófonos, que vão estar bem representados no evento que se realiza no Espaço Vita.

A sessão de abertura realiza-se no dia 4, às 9h, com intervenções previstas do reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro, do vereador do Urbanismo de Braga, João Rodrigues, dos directores da Região Norte da Ordens dos Arquitectos e dos Engenheiros, respectivamente Conceição Melo e Bento Aires, e do coordenador do congresso, Miguel Azenha.

O programa inclui sessões plenárias e paralelas, seminários, reuniões e um prémio a melhor tese de mestrado na área, entre outros. Os oradores principais são o norte-americano Patrick MacLeamy (BuildingSMART International), a canadiana Susan Keenliside (House of Commons), o francês Christophe Castaign (European Federation of Consulting Associations), o esloveno Veljko Janjic (Bexel Consulting) e o português Décio Ferreira (Foster+Partners). As inscrições estão abertas em www.ptbim.org. Neste site também se pode ver, por curiosidade, a representação 3D ou BIM dos espaços do congresso.

“Até aqui fazíamos desenhos para construir casas, pontes e outros edifícios, mas a tendência internacional é fazê-lo através de modelos, navegáveis por realidade virtual, onde se vê muito além das paredes, como as redes hidráulicas e até as propriedades dos materiais. Esses benefícios vão reduzir muitas despesas de mau planeamento, aproximar os vários envolvidos na obra e permitir edifícios mais sustentáveis na certificação energética, no conforto e na segurança”, resume o professor Miguel Azenha, que está ligado ao Departamento de Engenharia Civil da UMinho e ao centro de investigação ISISE.

“O método BIM é colaborativo, baseado num modelo digital que integra a informação de formas que eram impensáveis até há alguns anos e a sua utilidade na arquitectura/construção exprime-se de muitas maneiras”, frisa. No entanto, acrescenta, “há desafios importantes para os profissionais, pois exige novos modos de trabalhar e colaborar, obrigando a um processo de aprendizagem; e há também um conjunto de novas normas, como a ISO19650, às quais o tecido empresarial do sector se está a adaptar”.

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AGEAS Portugal: Mais do que escritório, uma comunidade de trabalho

Com a sua fachada em diferentes volumes e que permite um constante jogo de sombras, ao qual dificilmente se consegue ficar indiferente, fruto do desenho de Capinha Lopes, o edifício AGEAS marca a paisagem urbana do Parque das Nações

Cidália Lopes

O novo edifício-sede do Grupo AGEAS Portugal, no Parque das Nações, já se encontra a funcionar. A nova sede não será apenas um escritório ou um espaço físico de trabalho, mas sim uma comunidade de trabalho, um espaço onde se pode estar, alimentar novas ideias e construir o futuro da empresa. O edifício distingue-se, também, pela inovação tecnológica, preocupação ambiental, eficiência e flexibilidade privilegiando a qualidade de acabamentos, conforto e bem-estar dos colaboradores para quem a seguradora pretende criar condições de trabalho alicerçadas na partilha e comunidade.

Com um total de 17.400 m2 e distribuído por 12 pisos, com um rooftop com vista para o rio Tejo, uma horta solidária, uma brand room, uma área de espólio de material histórico da Axa e do Grupo AGEAS Portugal e ainda um posto de abastecimento para carros eléctricos.
De referir, que os pisos 3 e 4 não serão ocupados pelos serviços da AGEAS, através do arrendamento a outras empresas, não sendo conhecidas quais até ao momento.

Com projecto de arquitectura de Eduardo Capinha Lopes, o edifício permite “um jogo constante de sombras”. No interior, o fit-out dos escritórios coube à Broadway Malyan, que preparou o edifício de acordo com as novas premissas do trabalho híbrido.

Visão de cidade e de futuro
Partindo da premissa dos promotores para que o edifício AGEAS fosse um “objecto marcante, elegante, sustentável e ambicioso” e que transmitisse uma visão muito própria de cidade e de futuro. “Fruto de opções pessoais, julgo, quiçá erradamente, ter conseguido, parcialmente, o objectivo”, afirma Capinha Lopes, o que de certa forma terá resultado num volume “egoísta”, pelas opções de desenho tomadas.

Não obstante, a sua localização “excepcional” possibilita a sua integração, “assumindo toda essa responsabilidade”, bem como “uma descoberta constante, através de múltiplos e ocasionais olhares”. Por outro lado, “a sua fachada, através dos seus volumes, permite um jogo constante de sombras, em constante mutação”.

Se o trabalho conceptual do edifício foi desenvolvido muito antes de sequer ouvirmos falar em Covid-19, já o mesmo não se pode dizer da sua construção, cuja parte considerável decorreu nos períodos mais complicados da pandemia. Ainda assim, todo o edifício foi concebido segundo o princípio de que os funcionários devem poder trabalhar em qualquer lugar e de que nenhum espaço tem uma única função e poucos são os que devem ser fixos e rígidos.

Para Capinha Lopes, houve aqui necessidade de “cumprir um programa”, ainda que pessoalmente, esta não seja, ainda, uma realidade que se reflicta nos seus projectos e que “demorará algum tempo a “assimilar” e a correctamente concluir sobre a total abrangência dessas novas necessidades, por exemplos, espaciais ou mecânicas”.

Espaços de trabalho colaborativos
Embora ainda profundamente enraizado na prática, o local de trabalho também se está a tornar um lugar que responde não apenas às necessidades dos seus utilizadores, mas também aos seus valores e aspirações. Ocupando vários edifícios em Lisboa, a seguradora belga Ageas consolidou as suas operações num novo edifício sede e contratou a Broadway Malyan para criar um espaço que respondesse às tendências de trabalho actuais e futuras, ao mesmo tempo que reflectisse a forte cultura e propósito da empresa. Este foi um conceito que a AGEAS já havia antecipado antes do surgimento do Covid-19 e que já vinha a implementar internamente desde 2018 para que quando o edifício estivesse concluído fosse possível incorporar na filosofia da empresa este conceito de trabalho híbrido.

Subjacente à abordagem de design para o novo edifício da sede da Ageas está o princípio de que os funcionários devem poder trabalhar em qualquer lugar. Nenhum espaço tem uma única função e poucos são os espaços que devem ser fixos e rígidos. Pelo contrário. A fluidez das práticas e expectativas de trabalho em evolução é totalmente incorporada nos layouts e na atmosfera.
O lobby principal evoluiu além do tradicional espaço de boas-vindas para colegas e visitantes para se tornar algo mais experiencial, desafiando sua função preconcebida e proporcionando aos utilizadores uma gama de experiências.
O design contemporâneo, luminárias e móveis como poltronas, mesas baixas e sofás transmitem uma atmosfera diferente e onde é possível ficar e trabalhar com uma informalidade mais próxima de um hotel. Essa informalidade e o reconhecimento de que momentos importantes de trabalho podem acontecer em qualquer lugar de um espaço de trabalho significam que questões como a acústica e manter um ambiente confortável são essenciais e essa foi uma abordagem manifestada em todo o projecto.

A outra área comum principal é um restaurante com cafetaria e zona de buffet no 2º piso que liga a uma esplanada exterior de 470m2. O restaurante tem uma variedade de áreas de estar diferentes, desde mesas quadradas e redondas tradicionais até mesas altas, áreas de sofá e uma grande mesa comum que funciona como um ponto central do espaço.

Essas áreas são demarcadas por diferentes elementos de tecto e luminárias, criando uma gama de experiências para os usuários. Essa importante sensação de familiaridade e a autenticidade acentua-se neste espaço e em todo o edifício pela sua materialidade natural e orgulhosamente portuguesa. Isso inclui azulejos tradicionais portugueses, cortiça e burel, o tecido tradicional português usado pelos pastores para suas capas.

Na maioria das áreas do edifício existe uma solução moderna de tecto aberto com M&E exposta que é visualmente estimulante e facilita o acesso para manutenção. Os tectos são tratados acusticamente juntamente com materiais absorventes de som, como carpetes e acabamentos de parede para criar espaços que melhoram a experiência de trabalho.
Em todo o edifício há uma variedade de diferentes áreas privadas e semi-privadas, cada uma adaptável às necessidades de mudança do espaço, cada espaço de trabalho uma peça que pode ser movida para atender às circunstâncias.
O design das áreas de trabalho mais focadas inclui uma gama de soluções, incluindo bancos tradicionais com assentos de tarefas, mesas altas, salas de reuniões e áreas de lounge para trabalho informal e reuniões. Também não há escritórios fechados no andar executivo com uma uniformidade de abordagem em todo o edifício, ampliando o espírito de colaboração.

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Prémios de Arquitectura Mies van der Rohe 2022

Nesta que é a última edição com participação do Reino Unido, o prémio europeu de arquitectura contemporânea Mies de van der Rohe de 2022 foi atribuído ao The Town House – Kingston University, em Londres. O projecto é da autoria do estúdio Grafton Architects

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Grafton Architects, de Dublin é o vencedor do Prémio de Arquitectura Mies van der Rohe 2022 pelo projecto The Town House – Kingston University, em Londres. A distinção é uma “recompensa pela sua notável qualidade ambiental que cria uma excelente atmosfera para estudar, dançar, reunir e estar juntos. O edifício cria uma experiência emocional de dentro e através da colunata da fachada de vários níveis cria uma atmosfera em diferentes níveis. Acomoda espaços de dança, biblioteca e estudo usando camadas de silêncio e camadas de som que funcionam perfeitamente bem juntas”, justificou o júri.

É a primeira vez que um edifício universitário ganha o prémio de arquitectura e aponta o caminho que ainda é preciso percorrer em projectos educacionais públicos que “dignifiquem a vida das pessoas”. O atelier Grafton Architects, foi co-fundado em 1978 por Yvonne Farrell e Shelley McNamara, e conta já com uma forte experiência em edifícios educacionais, tendo visto vários dos seus projectos sido nomeados para prémios internacionais de arquitectura como sejam os projectos Toulouse School of Economics, em Toulous, ou a Universidade Luigi Bocconi, em Milão.

O segundo prémio desta edição Prémio de Arquitectura Emergente de 2022, foi atribuído à cooperativa de habitação La Borda da Lacol em Barcelona. “Este projecto cooperativo é transgressivo em seu contexto porque, embora a produção habitacional seja predominantemente dominada por interesses macro-econômicos, neste caso, o modelo é baseado na co-propriedade e co-gestão de recursos e capacidades compartilhadas. O modelo vai além do projecto específico de cooperativa de habitação: o estúdio também funciona como uma cooperativa onde catorze profissionais de diferentes especialidades oferecem um modelo e uma ferramenta activa para promover mudanças políticas e urbanas a partir do sistema, com base em princípios sociais, ecológicos e sustentabilidade económica”, refere a organização do prémio.
Os dois projectos premiados foram escolhidos de uma lista de 532 trabalhos de 41 países. Cinco finalistas de arquitectura foram seleccionados e visitados pelo júri: Z33 House for Art, Architecture and Design em Hasselt; Town House – Kingston University em Londres; a Fazenda Ferroviária em Paris; 85 unidades de habitação social em Cornellà de Llobregat; e Frizz23 em Berlim.

Esta é a última edição do Prémio que conta com a participação do Reino Unido. No período de financiamento de 2021 a 2027, as entidades do Reino Unido não são elegíveis para participar nos procedimentos de subvenções da UE por padrão, uma vez que o Reino Unido se tornou um país terceiro com o Brexit, em vigor desde 1 de Fevereiro de 2020.

O prémio bienal foi lançado em 1987 para destacar a contribuição dos arquitectos europeus para o desenvolvimento de novas ideias e tecnologias no desenvolvimento urbano contemporâneo. É co-financiado pelo Programa Europa Criativa e pela Fundació Mies van der Rohe.

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Ordem dos Arquitectos: Aula Aberta com Mariana Correia fecha ciclo de iniciativas

Última conferência do Módulo 1 – Do Ecossistema às Ideias, do Ideal ao Projecto, terá lugar dia 22 de Abril, com transmissão na página do Facebook e do Youtube

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A arquitecta Mariana Correia é convidada da Aula Aberta de encerramento do Módulo 1 – Do Ecossistema às Ideias, do Ideal ao Projecto, numa iniciativa promovida pela Ordem dos Arquitectos (OA) e que irá decorrer esta sexta-feira, dia 22 de Abril, às 18 horas, numa transmissão em directo através do Facebook e do canal de Youtube da OA.
Mariana Correia é professora e directora do Departamento de Arquitectura e Multimédia Gallaecia e do Centro de Investigação Gallaecia na UPT – Universidade Portucalense, desde 2021, depois de dirigir a Escola Superior Gallaecia, entre 2004 e 2021. É presidente do Conselho Consultivo do ICOMOS-Portugal (2021-23), membro do Conselho de Direcção do ICOMOS-ISCEAH (2021-2023).

Foi Project-Leader de projectos de investigação da União Europeia (VerSus3DPAST) e da FCT (SEISMIC-V). É assessora de Património Mundial do ICOMOS International, tendo realizado várias missões de monitorização reactiva, de avaliação técnica, de assessoria e de upstream em África, Europa, Médio Oriente e Asia. Coordenou e deu aulas em cursos internacionais da UNESCO, ICOMOS, ICCROM, IUCN, AWHF e ARC-WH. Foi presidente do ICOMOS-ISCEAH/Comité Científico Internacional de Património Arquitectónico em Terra (2018-2020) e coordenadora internacional da Rede Ibero-Americana PROTERRA (2011-2014).

Em 2017, ganhou o European Award of Architectural Heritage Intervention (AADIPA – cat. D); e foi distinguida pela Comissão Europeia como Project-Leader de projetos de sucesso.

Co-coordena, desde 2011, o Prémio Ibérico de Investigação de Arquitetura Tradicional. É, ainda, autora e coeditora de 23 livros.

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Atelier Brenne Architekten em conferência no Porto

Integrada no evento “Mário Bonito. 100 anos”, a FAUP recebe os arquitectos Winfried Brenne e Fabien Brenne, do atelier de arquitetura alemão Brenne Architekten em conferência a 21 de Abril, pelas 18h30

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Sob o princípio de que “The existing fabric of a building is a resource of inestimable value. Preserving it should always take priority over new building work”, o atelier Brenne Architekten vem a construir, há mais de 40 anos, uma carreira exemplar no restauro e na promoção do Movimento Moderno, actuando tanto na construção em contextos preexistentes como na reabilitação de edifícios Modernistas e do Moderno do pós-guerra, muitos dos quais classificados como Património Mundial pela UNESCO.

Integrada no evento “Mário Bonito. 100 anos”, organizada por Matéria.ConferênciasBrancas em parceria com a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), com o patrocínio de Jofebar – Panoramah!, os arquitectos Winfried Brenne e Fabien Brenne, do atelier de arquitetura alemão Brenne Architekten participam numa conferência na FAUP a 21 de Abril, pelas 18h30.

A sua obra integra, entre outros, as intervenções na Escola da Bauhaus em Dessau e nas Casas dos Mestres Muche-Schlemm e Kandinsky-Klee (de Walter Gropius), na ADGB Trade Union School em Bernau bei Berlin (de Hannes Mayer) e em conjuntos de habitação dos anos de 1920 em Berlim como Waldsiedlung Onkel Toms Hütte, Wohnstadt Carl Legien e Großsiedlung Siemensstadt.

A partir de uma abordagem interdisciplinar, que implica arquitectos, arquitectos de interiores, historiadores de arte, investigadores da área da construção e especialistas em reabilitação, o atelier Brenne Architekten estuda cada edifício em detalhe e, aceitando respeitosamente a sua história, desenvolve estratégias de intervenção sustentáveis que permitem, simultaneamente, restaurar o seu carácter autêntico e original, com o mínimo de alterações à sua estrutura histórica, e adequá-lo aos actuais padrões de eficiência estrutural, técnica e energética.

Winfried Brenne foi distinguido, em 2021, com o “Exemplary lifetime achievement Award in promoting the legacy of the Modern Movement” no primeiro Docomomo Rehabilitation Award (DRAW).

A conferência de Winfried Brenne e Fabien Brenne será proferida em inglês e será de entrada livre. O atelier Brenne Architekten será apresentado por Helder Casal Ribeiro.

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Longa vida ao ‘novo’ Castelo de Leiria [c/ galeria de imagens]

Tal como quando Isabel de Aragão saiu do Castelo de Leiria para entregar pães aos mais desfavorecidos, a autarquia propôs, séculos mais tarde, nova ‘oferenda’ à população, promovendo um conjunto profundo de intervenções naquele património. A equipa liderada por Nuno Santos Pinheiro e Vasco Santos Pinheiro conferiram ao ‘novo’ Castelo uma valorização arquitectónica, arqueológica e paisagística que permitem um alargado uso deste equipamento ao serviço do turismo e da cultura

Ricardo Batista

É inquestionável que se trata de um dos símbolos máximos da cidade e o cuidado na sua preservação não deixa grandes dúvidas sobre a delicadeza e a pertinência da intervenção. A realidade é que aproximadamente dois anos após o inicio dos trabalhos, o Castelo de Leiria
voltou a abrir as suas portas aos visitantes e à cidade que, em 1300, viu D. Dinis doar a Isabel, Rainha Santa, este importante património.

A coordenação dos trabalhos esteve a cargo dos arquitectos Nuno Santos Pinheiro e Vasco Santos Pinheiro que, em mãos, tiveram o arranjo dos espaços exteriores do recinto do Castelo, a recuperação da Casa do Guarda, a recuperação das Cisternas Medievais, assim como a
recuperação e a cobertura da Igreja da Nossa Senhora da Pena. Da equipa fazem igualmente parte o arquitecto paisagista João Junqueira e as empresas PMP Consultores e CORE Projects nas áreas de engenharia.

Actualização histórica
Apontado como um dos ilustres exemplares da arquitectura militar medieval da região e do país, tendo desempenhado um papel de relevo, a par de outros castelos vizinhos, na defesa de Coimbra e ofensivas afonsinas de conquista de territórios mouros a sul da linha do Mondego, o Castelo de Leiria chegou a receber, em 2019, perto de 100 mil visitantes. A pandemia acabaria por baixar consideravelmente os números e tornou evidente a importância de ‘actualizar’ este importante património, adaptando-o a usos mais actuais de forma a promover a captação de público, a valorização do património arquitectónico, arqueológico e paisagístico, adaptando a situação actual a uma utilização mais fácil e mais informada do visitante, promovendo a descoberta e a sua permanência no castelo.

Protecção cuidada do património
Nos dados revelados à Traço pela Santos Pinheiro Arquitectos Associados, pode perceber-se que a premissa da actuação das equipas envolvidas assenta sobre a importância da protecção, conservação, recuperação e revitalização dos valores arqueológicos, históricos, arquitectónicos, estéticos e urbanísticos do Castelo de Leiria. Na descrição dos trabalhos, a equipa liderada por Nuno Pinheiro e Vasco Santos Pinheiro assegura que “foram respeitados os princípios vigentes em conservação do património, nomeadamente a utilização de materiais reversíveis e compatíveis, e o recurso a técnicas diferenciadas para a identificação da intervenção”. “Para
além de criar um ambiente que transporta o visitante e utilizador para a beleza de um castelo de origem medieval, procurou-se dar resposta às comodidades exigidas na actualidade, oferecendo não apenas conforto e qualidade, mas tornando o castelo mais acessível e
inclusivo, para fruição de todos”.

Igreja da Pena coberta
Uma das intervenções mais relevantes deste conjunto de trabalhos passou pela recuperação, restauro e construção de uma cobertura para o edifício da igreja de Nossa Senhora da Pena, “possibilitando dotar o espaço de novas funcionalidades de carácter cultural”. De acordo com a descrição dos trabalhos, a intervenção partiu desde logo de um edificado com sinais evidentes
de degradação, “causado não apenas pela acção do tempo, como pela do próprio Homem”. “Intervir nesta estrutura patrimonial, face ao seu actual estado de conservação constituiu uma obrigação natural e necessária face ao imperativo de garantir a travagem do processo de
degradação”, pode ler-se na descrição da intervenção, onde a equipa de arquitectos acrescenta que foi pretensão do município, enquanto promotor da obra, dotar o edifício de novas condições, proporcionadas por uma nova cobertura, que permitissem assegurar a utilização
continuada do espaço, ao longo do ano, contrariando a sazonalidade a que, até então, se encontrava sujeito, conseguindo, também com isso, diversificar a sua utilização e vocacionar o espaço para actividades diversas de carácter cultural, devidamente adequadas à dignidade e história do monumento. Em rigor, é a primeira vez que, exceptuando os registos históricos, a Igreja da Pena é vista com a cobertura completa, numa estrutura que tem a particularidade de privilegiar, entre outras funcionalidades, a entrada de luz natural pela acção de clarabóias.

Casa do Guarda e arranjos exteriores
Além da intervenção na Igreja da Pena, deste conjunto de trabalhos coordenado pelos arquitectos Nuno e Vasco Santos Pinheiro faz igualmente parte a recuperação da Casa do Guarda. Na descrição da proposta, os arquitectos da Santos Pinheiro Arquitectos Associados
explicam que a intervenção, além da recuperação geral do edifício, teve como principal finalidade dotar o espaço do castelo de uma estrutura para o acolhimento dos visitantes centralizando uma recepção, um posto de atendimento e bilheteira, instalações sanitárias
públicas, loja, apoio administrativo e uma cafetaria e zona de estar. “A proposta desenvolvida considerou a reabilitação do edifício existente e a sua ampliação sobre um pátio existente onde, inicialmente teria existido outro edifício”, pode ler-se na descrição dos trabalhos. Neste conjunto de contractos estabelecido com o município consta ainda o projecto de recuperação das Cisternas Medievais que teve como finalidade a “conservação e consolidação da estrutura existente e a possibilidade de tornar o seu espaço acessível sem uma utilização específica. No âmbito da intervenção no Castelo, este espaço reabilitado passou a considerar-se como lugar
simbólico e espaço interpretativo”. Relevante foi também a intervenção ao nível dos espaços exteriores do recinto do Castelo, uma intervenção que visou, sobretudo, a valorização do património arquitectónico, arqueológico e paisagístico, adaptando a situação actual a uma utilização mais fácil e mais informada do visitante, promovendo a descoberta e a sua permanência no castelo. “A metodologia de intervenção pautou-se pela salvaguarda das estruturas existentes com valor patrimonial e cultural e pela introdução de novos elementos
que contribuíssem para a sua valorização permitindo a utilização plena dos espaços”, asseguram os arquitectos, para quem “a introdução de novos elementos, ao nível dos pavimentos, protecções, mobiliário, sinalética, iluminação, entre outros, foi feita com materiais
idênticos aos existentes ou que permitissem uma integração adequada, sem nunca se imporem”. Os responsáveis pelos diversos projectos acreditam que há um efeito ‘matriz’ nesta intervenção, desde logo porque pode ser encarada como “um modelo de intervenção em
estruturas patrimoniais semelhantes, na medida em que, por um lado foram respeitados os valores artísticos, históricos e culturais do monumento seguindo metodologias de intervenção apropriadas e validadas pela comunidade científica e de acordo com os princípios
estabelecidos pelas Cartas Patrimoniais e convenções internacionais”. “Por outro, com a conclusão da obra, verificou-se que a intervenção atingiu os principais objectivos estabelecidos, tendo contribuído positivamente para o desenvolvimento da Cidade e do
Concelho, demonstrando dessa forma a sua relevância sócio-económica para a cidade e população em geral”, asseguram, acrescentando que “a intervenção permitiu comprovar a possibilidade de intervir num monumento nacional recorrendo a tecnologias e materiais
contemporâneos preservando a autenticidade e identidade do lugar”

Sobre o autorRicardo Batista

Ricardo Batista

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