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Portal da Construção Sustentável: Novo apoio à eficiência energética é “passo de gigante, mas para trás” 

Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis conta com nova categoria e reforço de15 M€. Contudo, “o recurso a materiais convencionais provenientes do petróleo”, quer dizer que “continuaremos a isolar os nossos edifícios com materiais baratos e altamente poluentes”

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Portal da Construção Sustentável: Novo apoio à eficiência energética é “passo de gigante, mas para trás” 

Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis conta com nova categoria e reforço de15 M€. Contudo, “o recurso a materiais convencionais provenientes do petróleo”, quer dizer que “continuaremos a isolar os nossos edifícios com materiais baratos e altamente poluentes”

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Portugal, recorrendo ao PRR e através do Fundo Ambiental, acaba de reforçar o Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis, em 15 milhões de euros, incluindo uma nova categoria que visa a melhoria da eficiência energética e ambiental dos edifícios, recorrendo a materiais convencionais para isolamento.

Uma decisão que não foi bem recebida pelo Portal da Construção Sustentável (PCS), já que recorrer a materiais “convencionais para isolamento” quer dizer que “continuaremos a isolar os nossos edifícios com materiais baratos e altamente poluentes”. Aline Guerreiro, CEO do PCS, considera que “este é um passo de gigante, mas para trás, na imperativa corrida a um desenvolvimento mais sustentável”.

Sendo o ambiente construído um dos mais poluentes, desde a extracção de matérias-primas até ao fim de vida útil de um edifício, o que significa mais de 40% das emissões, mais de 50% de resíduos, o consumo de cerca de 60% de recursos naturais e mais de 40% de energia, no mundo, “a forma de tornar os edifícios mais sustentáveis é começar pelo início, ou seja, pelas matérias-primas, que têm de deixar de ser provenientes do petróleo”, afirma a responsável pelo PCS.

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“Todo o material proveniente deste combustível fóssil já poluiu o bastante. Não esquecer que o CO2 liberado durante a queima de petróleo é o principal responsável pelo aquecimento global. O dióxido de enxofre, um dos poluentes também libertados na mesma combustão, é a causa principal da chuva ácida”.

A construção deve, por isso, optar por pré-fabricados, na medida em que esta opção pode representar uma poupança de 80% de energia, já que a eficiência energética não se refere apenas ao funcionamento de um edifício, mas também ao uso e aplicação de recursos materiais. “Os materiais convencionais e as técnicas tradicionais de construção são grandes consumidores de energia e geram resíduos sólidos que, na maioria das vezes, não são reciclados, como por exemplo, os materiais plásticos ou derivados de combustíveis fósseis. Construções modulares podem reduzir a produção de resíduos até 90%, (Waste & Resources Action Program) já que são realizadas em ambiente controlado”.

Isolar convenientemente os edifícios é outro aspecto fundamental e, também aqui, o tipo de isolamento escolhido deve ser tido em conta. “Os isolamentos devem ser naturais e não provenientes de petróleo, por todas as razões já descritas. No nosso País já temos produção e bons aplicadores de outro tipo de isolamento que não os combustíveis fósseis, como por exemplo, as lãs e a cortiça. Isolar um edifício diz também respeito às caixilharias: optar sempre por materiais duráveis e, mais uma vez, não provenientes de petróleo. Estes, aplicados a caixilharias tendem a deteriorarem-se, a alterarem a sua forma com o tempo sendo, mais uma vez, altamente poluidores”.

“Construir para desconstruir é o novo mote para uma construção mais sustentável. Se ao invés de aplicarmos colas e outros aglutinantes que dificultam a reciclagem e reutilização de materiais e optarmos por sistemas mecânicos de encaixe, estaremos a possibilitar novas vidas aos materiais quando o edifício atingir o seu fim de vida. É por isso que os projectos devem conter também as “instruções” de desconstrução”.

No mesmo sentido, “o edifício deve, no final da sua vida útil, ser desconstruído selectivamente”. Utilizando aqui, também, a regra do 3R’s – reduzir, reutilizar, reciclar – “todos os materiais devem ser separados por tipologias, os aptos a serem reutilizados e os aptos a serem reciclados. Só uma ínfima parte, senão nenhuma, deve ser considerada para aterro”.

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Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis recebe mais 15 M€

O Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis, foi reforçado em 15 milhões de euros. O programa tem agora uma dotação de 60M€, o dobro desde que foi criado em Junho de 2021

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O referido programa abriu a 21 de Junho de 2021 na plataforma do Fundo Ambiental com uma dotação inicial de 30 milhões de euros, provenientes do Plano de Recuperação e Resiliência. Esta verba foi reforçada a 26 de Novembro com outros 15 milhões. O Plano de Recuperação e Resiliência conta com um total de 135 milhões de euros para aplicar, até 2025, na eficiência energética dos edifícios.

O montante já financiado corresponde ao apoio a 16.148 candidaturas, o que envolve um apoio global de 26,8 milhões de euros, de um total de 56.552 candidaturas submetidas.

As tipologias que reúnem mais candidaturas são as referentes a painéis fotovoltaicos (38,5%), janelas mais eficientes (34,5%) e bombas de calor (27%). Por regiões, Lisboa lidera as candidaturas (22,3%), seguida do Porto (11,7%), Setúbal (9%) e Braga (9%).

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Investimento imobiliário de rendimento excedeu os 2MM€ em 2021 e deverá ultrapassar os 3MM€ em 2022

A CBRE prevê que em 2022 o volume de investimento registe um aumento de 50% face a 2021, colocando novamente o mercado no patamar acima dos três MM€

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O investimento em imobiliário de rendimento alcançou os 2.2 mil milhões de euros em 2021, de acordo com o balanço divulgado pela CBRE. Apesar da pandemia e das diversas restrições e incertezas associadas, a dinâmica verificada no último ano é muito positiva. O volume de investimento foi menor do que no ano anterior, mas ainda assim o quinto melhor de sempre. Paralelamente, não só foram transaccionados diversos portefólios de elevado valor, como também se registou um número significativo de transacções (mais de 80), um indicador apenas superado nos anos de 2018 e 2019.

Segundo a CBRE, a consultora fechou o ano como líder de mercado, tendo participado em mais de 50% do volume de transacções e em seis dos dez maiores negócios em Portugal. “Verificámos um elevado interesse nas operações que lançámos em 2021. Em algumas, recebemos mais de dez propostas. Se considerássemos todas estas intenções de investimento não concretizadas triplicaríamos o volume de investimento registado em 2021”, afirma Francisco Horta e Costa, Director-Geral da CBRE Portugal.

O mercado de investimento revelou-se bastante activo no segundo semestre do ano, depois de nos primeiros seis meses terem sido investidos pouco mais de 500 milhões de euros, devido a um novo confinamento com repercussões nas visitas aos imóveis e nas viagens e consequentemente no fecho de negócios.

Outro factor destacado pela CBRE, e revelador de que se mantém a atractividade do País como destino de investimento, é a entrada de diversos novos players internacionais, inclusivamente em transacções de elevado valor. Seis das dez maiores transacções verificadas em 2021 envolveram a estreia em Portugal de investidores internacionais, nomeadamente os franceses Tikehau e Icade Santé, os norte-americanos da Jamestown, da Tishman Speyer e da Sixth Street, e os espanhóis da Azora. No total, dez investidores investiram pela primeira vez no País.

À semelhança de 2020, os investidores domésticos foram responsáveis por 25% do capital investido em imobiliário de rendimento em Portugal, enquanto EUA e França foram os principais mercados de origem internacional.

Em termos de alocação do capital por sectores, 40% foi canalizado para activos de escritórios, 22% para imóveis residenciais de arrendamento, incluindo residências de estudantes, e 15% para hotéis. Destaque para os activos de saúde que representaram 12% do volume de investimento, um peso recorde em Portugal.

De referir que a CBRE representou a Fidelidade naquela que é a maior transacção imobiliária no sector da saúde em Portugal, nomeadamente a venda do Fundo Saudeinveste à Icade Santé. “Este processo veio confirmar a apetência dos investidores para activos com risco operacional, geralmente associados a contratos de maior duração e taxas de rentabilidade superiores às tradicionais classes de activos de investimento e com fundamentais de mercado extremamente sólidos”, sublinha Nuno Nunes, Director da área de Investimento da CBRE Portugal.

O sector de retalho, que em anos anteriores ocupou sempre a primeira ou segunda posição (intercalado com o sector de escritórios) no ranking de volume de investimento por classe de activos, registou uma quebra no montante investido em 2021. Ainda que tenha perdido esta relevância devido ao reduzido número de transacções de centros comercias, verificou-se uma elevada procura para lojas de rua e unidades de retalho alimentar. Apesar de dominar as preferências dos investidores, também o sector logístico registou um reduzido volume de investimento devido à escassez de produto disponível para venda, uma situação que se deverá alterar em 2022.

“Vamos observar um peso cada vez maior de investimento em activos com uma elevada componente de operação, tais como unidades de saúde, residências para seniores e residências de estudantes, além dos hotéis. Por outro lado, prevê-se igualmente um aumento no volume de transacções de imóveis de logística, pois a escassez deste tipo de imóvel, disponível para venda, vai reflectir-se num acréscimo de negócios de forward funding e forward purchase, ou seja, antes da conclusão da obra dos edifícios. Os escritórios, apesar das dúvidas relativas ao modelo futuro do trabalho, continuarão a ser uma classe de activos com muita liquidez e interesse por parte dos investidores”, conclui Nuno Nunes.

A CBRE prevê que em 2022 o volume de investimento registe um aumento de 50% face a 2021, colocando novamente o mercado no patamar acima dos três mil milhões de euros.

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Preço das casas em Portugal terminam 2021 com crescimento de 12,2%

Os resultados anuais do Índice de Preços Residenciais registam um crescimento. Trata-se de um dos aumentos anuais mais robustos do mercado desde 2007, revela o Índice de Preços Residenciais da Confidencial Imobiliário

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O segundo ano da pandemia ficou marcado pela forte valorização da habitação, registando-se um crescimento de 12,2% nos preços das casas em Portugal (Continental) em 2021. Trata-se de um dos aumentos anuais mais robustos do mercado desde 2007, igualando 2017 e sendo apenas superado pela valorização de mais de 15,0% observada quer em 2018 quer em 2019. Os dados resultam do Índice de Preços Residenciais da Confidencial Imobiliário apurado para Dezembro.

Em Dezembro de 2021, os preços acumulavam uma subida de 13,7% face ao início da pandemia, em Março de 2020. Grande parte desta valorização pós-Covid ocorreu nos últimos oito meses, mais concretamente a partir de Maio de 2021, já que, até Abril, a subida acumulada dos preços face ao início da pandemia mostrava-se pouco robusta, ficando em 3,5%.

O desempenho dos preços no pós-Covid, em que, como referido se acumula uma valorização de 13,7%, contrasta com o comportamento observado na anterior crise. No período em que o país esteve sob intervenção da Troika, nomeadamente entre Maio de 2011 e Maio de 2014, a habitação acumulou uma desvalorização de 7,4%.

Olhando para o desempenho dos preços apenas ao longo de 2021, identificam-se dois momentos marcantes. Por um lado, o 1º trimestre, que influenciado por um novo confinamento geral, deu ainda sequência à tendência de estabilização dos preços de venda das casas que se vinha fazendo sentir desde o início da pandemia. No final desse trimestre, registava-se um aumento trimestral nos preços de 1,2% e homólogo de 2,6%, o menos robusto dos últimos cinco anos. A partir de Abril, a subida de preços intensificou-se, destacando-se, nesse período, o último trimestre do ano, com aumentos mensais superiores a 1,0% e uma valorização trimestral que culminaria em 3,9%.

No final de 2021, o preço médio de venda das casas em Portugal atingiu os 1.822€/m2, praticando-se um valor médio de 2.826€/m2 na habitação nova e de €1.731€/m2 na habitação usada.

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Um novo centro empresarial vai nascer em Matosinhos com assinatura de Paulo Merlini Architects

Antiga fábrica da Lactogal em Matosinhos vai dar lugar a um novo centro empresarial. O novo pólo, com cerca de 18 000 m2, já tem nome – SPARK – Smart Park Matosinhos

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O Castro Group, empresa que se dedica ao investimento imobiliário, anunciou o resultado do concurso para a reabilitação daquela que foi a antiga fábrica da Lactogal, localizada em Matosinhos – Leça do Balio.

O concurso contou com as propostas de seis gabinetes de arquitectura nacionais, sendo que a vencedora pertence ao gabinete Paulo Merlini Architects. Motivados pelo lema Us Is More, este gabinete é conhecido por desenvolver projectos que “dão às pessoas os estímulos certos influenciando positivamente os seus níveis homeostáticos”.

Este concurso de ideias tinha como objectivo encontrar a melhor solução arquitectónica para a adaptação dos edifícios existentes a novos usos destinados a escritórios e serviços, mantendo a sua arquitectura industrial.
Segundo: “Neste concurso tivemos propostas de grande qualidade, onde o projecto apresentado pelo Paulo Merlini se destaca, uma vez que vai ao encontro daquilo que são os valores do Grupo e dos projectos onde queremos deixar a nossa marca. Realçamos ainda a qualidade da proposta de intervenção, onde foi privilegiada a reabilitação do existente e onde a nova construção surge enquadrada de forma harmoniosa. O gabinete escolhido foi capaz de apresentar uma abordagem onde se destaca o cuidado pela idealização de espaços que conciliam a qualidade do trabalho com a qualidade de vida e bem-estar dos seus utilizadores. Simultaneamente, encontraram na natureza o mote para potenciar e dinamizar a zona envolvente através da criação de praças abertas à comunidade e de serviços que criam um ambiente fluído e sinérgico entre o interior e o exterior”, refere Paulo Castro, CEO do Castro Group.

O novo pólo já tem nome – SPARK – Smart Park Matosinhos, e foi desenhado de forma integrada numa área total de cerca de 18 mil metros quadrados. O nome SPARK Matosinhos reflecte o conceito idealizado para este empreendimento: um edifício mais inteligente, voltado para as pessoas que o ocupam – “smart buildings” – e que, simultaneamente, está conectado com o planeta.

De acordo com “Desde a primeira visita ao edifício tornou-se imediatamente claro para nós que qualquer intervenção deveria manter e idealmente potenciar a energia da edificação pré-existente, deste que já foi um símbolo da região. Esta, tornou-se uma das premissas base de todo o projecto. Ainda que uma das directrizes do concurso fosse a ampliação da área de construção para o dobro da original, procuramos que a nossa intervenção fosse o menos invasiva possível, dando destaque a este gigante adormecido. Desenvolvemos uma solução que, se por um lado pretende potenciar a presença da edificação original, por outro procura tornar-se uma expressão do que entendemos que deverá ser o escritório do futuro, da realidade pós-pandémica. Um espaço que responda às necessidades biológicas enraizadas no nosso genoma, um edifício que se expressa numa nova fusão entre a casa e o edifício de escritórios”, explica Paulo Merlini, CEO & Founding Member do gabinete vencedor.

Este empreendimento procura manter vivo o ícone arquitectónico central e todas as suas forças e características. Esta obra tem, assim, como foco uma das primeiras unidades industriais da empresa Lactogal, tendo a sua construção iniciado em 1964 e concluída em 1967. A unidade fabril era utilizada para a produção e armazenamento de leite, tendo sido descontinuada a partir de 2009.

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Bruxelas aprovou o controlo da Lusoponte pela Vinci e Mota-Engil

A Comissão Europeia aprovou o controlo conjunto da Lusoponte, concessionária das duas pontes sobre o rio Tejo em Lisboa, pela francesa Vinci e pela Mota-Engil, depois da decisão de saída do grupo italiano

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“A Comissão Europeia aprovou, ao abrigo do Regulamento das Concentrações da UE, a aquisição do controlo conjunto da Lusoponte pela Lineas [do grupo Mota-Engil], ambas com sede em Portugal, e pela Vinci, com sede em França”, indica a agência Lusa, citando nota da instituição.

A nova estrutura accionista da Lusoponte, agora aprovada por Bruxelas, surge após a saída do grupo italiano Atlantia (ex-Autostrade), em Fevereiro do ano passado. A Atlantia detinha uma posição minoritária de 17,21% através da filial Autostrade. Por seu turno, a Mota-Engil e a Vinci tinham à data, 41,81% e 40,98% do capital da Lusoponte, respectivamente.

A Lusoponte é a concessionária das duas pontes sobre o rio Tejo em Lisboa, a Vasco da Gama e a 25 de Abril, cujo contrato expira em Março de 2030. A Lineas (do grupo Mota-Engil) gere participações em empresas que operam exclusivamente no sector público e privado de concessões rodoviárias, bem como em empresas que participam em contratos públicos e privados de concessões rodoviárias, ferroviárias e aeroportuária, estando activa em Portugal, Espanha e Brasil.

Por sua vez a Vinci actua principalmente nas concessões de autoestradas e pertence ao grupo com o mesmo nome que intervém, principalmente em França, nos domínios das concessões e infraestruturas, obras públicas e engenharia civil, engenharia eléctrica, climática e mecânica e obras rodoviárias.

“A Comissão concluiu que a transacção proposta não suscitaria preocupações em matéria de concorrência, dado o seu impacto limitado na estrutura do mercado. A operação foi examinada no âmbito do procedimento simplificado de controlo das concentrações”, adianta o executivo comunitário.

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Concreta, Export Home, IDF e Elétrica com novas datas

Ómicron obriga a Exponor a ajustar o seu calendário de feiras. As alterações abrangem algumas das feiras mais emblemáticas como a Concreta, a Export Home, a IDF e a Elétrica

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“Salvaguardando as condições de segurança para todos os visitantes e expositores”, a Exponor ajustou o calendário de alguns dos seus eventos mais emblemáticos, designadamente a Concreta, a Export Home, a IDF e a Elétrica.
Nesse sentido, depois de ter sido agendada para de 21 a 24 de Abril, a Concreta foi agendada para 13 e 16 de Outubro. Também as datas para a participação no Prémio Under 40 by CIN foram ajustadas, com a possibilidade de apresentação das candidaturas (presencial e serviço postal) alargada até ao dia 23 de Setembro de 2022.
Aquela que será a 30ª edição da bienal Concreta – Feira de Arquitectura, Construção, Design e Engenharia “regressa à Exponor num formato já consolidado e prepara-se para apresentar novidades técnicas e tecnológicas, soluções e novos materiais com um olhar sobre as tendências da construção, da arquitectura, do design e da engenharia no contexto nacional”.

Outras das novidades é realização em simultâneo com a com a Concreta, da ELETRICA – Exposição de Material Elétrico e Eletrónica. Este certame é dedicado a soluções e sistemas de electricidade e energia, apresentando as novidades em sistemas, equipamentos e componentes eléctricos e electrónicos, iluminação, soluções para a indústria automóvel, electrónica de consumo, entre outros. “Dirigida aos profissionais da área eléctrica e electrónica, a exposição apresenta grandes inovações e soluções para uma adequação ao mercado e às exigências de sustentabilidade”, sublinha a Exponor. De referir que este é um dos sectores que mais tem reflectido o aumento da construção em Portugal, tanto no mercado da reabilitação como da construção nova.

À semelhança do que acontecerá com a Concreta, a exposição é pontuada por “Praças”, que apontam holofotes à inovação e tecnologia energética. “A Praça Tromilux, por exemplo, mostra aos visitantes a gama de projectos e soluções personalizadas desta empresa portuguesa, na área da iluminação técnica”, avança a organização.
“Apesar destes ajustes necessários, dado o contexto actual, estamos confiantes para 2022. Temos já previstos mais de 30 eventos, entre os de organização própria e os de terceiros. Sentimos uma grande apetência do mercado, tanto do lado dos expositores como dos visitantes, para o regresso à realização de eventos presenciais e queremos continuar a ser a plataforma facilitadora de negócios um barómetro de novidades, tendências e dinâmicas de mercado, que permitam, aos vários scetores da economia nacional em que actuamos, continuar a evoluir e a inovar”, sustenta Diogo Barbosa, director geral da Exponor.

Sobre os desafios previstos para a próxima temporada, o director geral da Exponor considera estarem num patamar de maturidade mais consolidado para lidarem com os imprevistos, com o digital a apresentar-se como uma solução preponderante. “Estamos mais preparados para estar ao lado dos nossos parceiros e clientes na promoção dos seus negócios e na geração de valor para os diversos sectores, seja pela força do contacto presencial, que já começou a regressar no final de 2021, seja pelo nosso investimento em novas soluções digitais que permitem optimizar a presença dos expositores e a experiência dos visitantes antes, durante e após cada certame”, esclarece Diogo Barbosa.

Expor Home e IDF – Spring Edition & Paper Show em Abril

Relativamente à Export Home – Feira Internacional de Design e Mobiliário, esta passa de 24 a 27 de Fevereiro para de 21 a 24 de Abril, com o prazo para recepção das candidaturas do Prémio Export Home Sustentabilidade e Inovação a ser alargado para dia 31 de Março de 2022.

Celebrando mais de 30 anos de existência, a Export Home designa a mais importante montra de marcas portuguesas de mobiliário e iluminação e promete, sob o mote “Reconnect”, voltar a transformar-se num palco de reconexão entre profissionais e marcas de todo o mundo.

Uma das inovações trazidas pela Export Home para esta edição é uma área dedicada à hotelaria, com a curadoria do experiente designer de interiores e mobiliário Fabián Pellgrinet Conte. Além disso, disponibiliza um Design Hub, especialmente pensado para designers e dedicado às novas ideias e o espaço Talk The Future, dedicado à descoberta, interacção e (re)conexão entre profissionais do sector, com um programa rico e diversificado de workshops e conferências.

Em simultâneo com a Export Home, a próxima edição da IDF Spring – Feira de Design e Decoração passa dos dias 24 e 27 de Fevereiro para 21 a 24 de Abril, levando ao público uma mostra de soluções das mais variadas vertentes dos sectores que abrange. Entre aqueles que estarão presentes no encontro, destacam-se os do têxtil-lar, cutelaria, loiça, cerâmica, mesa, cozinha e multipreço (Home Accessories); tecidos e revestimentos de decoração (Interior Fabrics) e decoração, fragância, flores e ilustração (Loving & Flowers).

Com duas edições asseguradas por ano, a IDF Spring pretende intersectar o talento e a criatividade da nova geração de criadores com a arte e a experiência das marcas tradicionais mais antigas – que se reinventam através de um design visionário – uma simbiose que escreve as novas tendências do sector.

A IDF afirma-se com a disponibilização de quatro espaços-tendência, adaptados aos diferentes públicos, que fazem, por um lado, uma homenagem ao legado deixado por marcas já bem consolidadas no mercado e que, por outro, se impõem como uma rampa de lançamento para a visibilidade da nova geração de criadores portugueses que revolucionam o mercado.

Em simultâneo decorre a Paper Show – Feira de Papelaria, Gift e Material de Escritório, que regressa à Exponor após a sua primeira edição em 2020, pronta para reunir o sector profissional da papelaria, gift e material de escritório. Ao longo de quatro dias, as empresas fornecedoras têm a oportunidade de apresentar os seus novos produtos, colecções e soluções aos profissionais, beneficiando da presença conjunta da comunidade deste sector e, assim, fomentarem novos negócios e contactos.

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IP consigna obras de 1,2 milhões na EN 109 na Figueira da Foz

“Num investimento de cerca de 1,2 milhões de euros, a concretização desta empreitada irá assegurar importantes melhorias ao nível das condições de circulação, acessibilidade e segurança da EN 109”, salienta o comunicado da IP

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A Infraestruturas de Portugal (IP) consignou a obra de reforço da segurança rodoviária na Estrada Nacional (EN) 109 na Figueira da Foz, que representa um investimento de 1,2 ME (milhões de euros).

A IP refere, em comunicado, que a intervenção se vai desenvolver entre o quilómetro 101, no limite entre os concelhos da Figueira da Foz e de Cantanhede, no distrito de Coimbra, e o quilómetro 116, no início da Variante de Tavarede.

A obra tem um prazo de execução de 300 dias e envolve a “reformulação dos vários cruzamentos existentes ao longo deste lanço com quinze quilómetros, a beneficiação do pavimento, a substituição e reforço da sinalização e equipamentos de segurança e a melhoria da capacidade de drenagem da estrada”.

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“Num investimento de cerca de 1,2 milhões de euros, a concretização desta empreitada irá assegurar importantes melhorias ao nível das condições de circulação, acessibilidade e segurança da EN 109”, salienta o comunicado.

A nota refere que a IP tem vindo a executar um conjunto de intervenções de beneficiação daquela via, tendo concluído em Junho de 2021 a reabilitação do troço com cerca de 15,5 quilómetros, entre Figueira da Foz e Pombal.

As duas empreitadas representam mais de quatro milhões de euros na beneficiação de 30,5 quilómetros de via, “melhorando fortemente as condições de mobilidade e segurança dos milhares de automobilistas e peões que diariamente utilizam a EN109”, que liga Aveiro à Figueira da Foz e a Leiria.

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Quadrante ‘às compras’ para reforçar infra-estruturas e meio-ambiente

Em entrevista ao CONSTRUIR, o CEO do Grupo Quadrante adianta que está em marcha um plano estratégico, que se prolongará até 2025, através do qual esperam facturar 40 milhões de euros, estratégia que implicará aquisições para crescer nos transportes, indústria e energia e águas

Ricardo Batista

O CEO do Grupo Quadrante mostra-se preocupado com a falta de alunos de Engenharia Civil nas universidades portuguesas, reflexo do ostracismo estratégico a que o sector tem sido votado nos últimos anos. Nuno Costa salienta que numa altura em que se discute a execução dos fundos do PRR, as empresas portuguesas, na sua globalidade não têm dimensão para aproveitar o efeito multiplicador dos trabalhos

Há aproximadamente dois anos, numa entrevista concedida ao CONSTRUIR, disse-nos que “era fundamental haver uma estratégia nacional em que a Construção fosse encarada como estratégica”. Este tempo volvido, já atingimos esse patamar?
Estamos na mesma em relação à estratégia, mas o resultado, agora, é mais óbvio. A falta de estratégia no Sector da Construção tornou-se evidente. Não há capacidade para dar resposta às necessidades que existem e que estão em cima da mesa. Aliás, a necessidade de infra-estruturas não é nova, existe há muitos anos. Nem sempre é oportuno serem implementadas mas, agora, decidindo-se que era oportuno, não há capacidade para as construir.

O Sector, Portugal e os portugueses vão fazer um investimento enorme que vai ter de ser pago durante muitos e muitos anos por várias gerações. São, aliás, gerações que, no fundo, vão usufruir destas infraestruturas, mas o que seria inteligente para um País que tem de se desenvolver é que devia aproveitar o efeito multiplicador desse investimento para reforçar a economia do próprio país recorrendo a empresas nacionais que, ganhando capacidade e competências e track record, se reforçariam e estariam num caminho de internacionalização mais solido e, portanto, com benefícios para a economia nacional. Não fizemos isso, não preparámos a fileira da Construção e agora vamos fazer um investimento em que as infra-estruturas vão cá ficar, vão ser utilizadas pelas pessoas e pelas empresas mas sem se beneficiar com o efeito impulsionador que muito beneficiaria as empresas nacionais.

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Por onde deixámos escapar a capacidade das empresas?
Por vários campos. Desde logo pelo desaparecimento de diversas empresas do Sector. As empresas não são só grupos de pessoas. É impossível formar uma empresa apenas por um conjunto de pessoas. As empresas têm história, equipas, ensinamentos adquiridos ao longo de anos. Quando uma empresa fecha, as pessoas que lá estavam não vão formar outra empresa igual e mesmo que o quisessem, não conseguiriam. Quando uma empresa fecha perde-se capacidade permanente, capacidade que leva muito anos a recuperar mesmo que os técnicos não desapareçam. A verdade é que as empresas fecham em larga escala porque o sector estava a funcionar mal e não foi considerado estratégico. As pessoas, ao saírem das empresas que reduziram tamanho ou fecharam, vão para outros países ou simplesmente mudam de actividade e normalmente não voltam atrás. Há a perda de capacidade pelo lado das pessoas. E depois há outro efeito: as pessoas que iam para a engenharia deixaram de exercer e o sector é hoje um sector empobrecido, sem estratégia. Mais: Cada vez menos alunos querem ir para engenharia. Isso é uma realidade.

Neste momento estamos a precisar muito de engenheiros e as universidades não estão a produzir técnicos em número suficiente. Fizemos uma análise do número de alunos que concluem os cursos de engenharia civil em Portugal e percebemos que, nos últimos 15 anos, caiu 90%. Mesmo considerando que o ano passado foi um ano atípico, pois muitos alunos não terminaram os cursos pelo facto de as universidades não estarem em pleno funcionamento, até 2019 o número de alunos que se formam em Engenharia Civil caiu 60%. É avassalador. É uma redução enorme do número de alunos. Se formos junto dos alunos do 12º ano tentar perceber quem quer ir para Engenharia, o número é reduzidíssimo. A falta de capacidade do lado da engenharia é um problema que vai demorar 10 a 15 anos a ser resolvido em Portugal. Durante os próximos anos, em que haverá tanto para fazer, não vamos ter capacidade nem pessoas para reforçar as empresas que existem. O País precisa de infra-estruturas mas não sabemos se as vai conseguir fazer. Dificilmente se vai conseguir aproveitar o reforço no sector da Construção por via do investimento que o País vai fazer.

Por onde passa o caminho da necessária recuperação?
O primeiro passo passa por um trabalho de marketing a desenvolver pelas universidades para a captação de alunos. As empresas fazem um esforço comercial para captar trabalho e as Universidades devem fazer um trabalho de persuasão para captar mais alunos de engenharia. As instituições de ensino superior devem ter uma atitude mais proactiva e irem para os Liceus fazerem um esforço de divulgação dos seus cursos, nomeadamente de engenharia, um trabalho que se deve estender também junto dos Media, criando novas dinâmicas. Em simultâneo, tem de haver uma estruturação do sector. O Governo não tem essa responsabilidade, mas tem o dever de ajudar o sector a reestruturar-se, pelo que deveria haver uma estratégia de reforço das competências do sector da Arquitectura e Engenharia, um sector tradicionalmente relevante. Estes são sectores em que a capacidade de exportação de Portugal poderia ser bastante elevada pois os portugueses são muito bons a fazer isso, mas não estamos a olhar devidamente para este potencial. É claramente uma oportunidade que se perde. A indústria da Construção, em volume, é a maior do Mundo, maior mesmo que a indústria farmacêutica, automóvel ou das tecnologias de informação. É realmente uma indústria muito relevante em termos de dimensão e é uma indústria que vai sofrer uma profunda transformação por via da digitalização. Será lamentável se perdermos esta oportunidade para estar na vanguarda dessa transformação.

Estamos ainda numa zona cinzenta, onde a economia está a ganhar ritmo para recuperar dos últimos anos. No seu entender, que mercado e que empresas temos hoje? Que radiografia é possível traçar?
Em Portugal, o panorama é francamente fraco. O sector da Engenharia e Construção é um sector altamente disperso, formado por pequeníssimas empresas com muito baixa capacidade pela falta de dimensão. No segmento da Engenharia/Consultoria, as empresas em Portugal são pequenas e têm muita dificuldade em ter uma presença internacional relevante. A dimensão também nos tira capacidade de inovação e desenvolvimento e o panorama é francamente mau por esse motivo. Mas por vezes também nos questionamos: a dimensão é relevante para actuar em Portugal ou não? E eu diria que, para actuar em Portugal, não é. O cliente público em Portugal não contrata nem selecciona empresas. Selecciona, isso sim, grupos de profissionais. Os concursos públicos, a selecção do prestador de serviços de engenharia é feita demonstrando não a experiência e a capacidade das empresa mas evidenciando currículos avulso de pessoas que nem precisam de pertencer aos quadros da empresa. Isso não privilegia a dimensão das empresas. Privilegia sim que as empresas sejam pequenas e que busquem ou associações pontuais ou então profissionais independentes que possam constar nas suas propostas quando estas são apresentadas.

O Estado, escolhendo desta forma, dá um sinal ao mercado de que a dimensão é irrelevante e as empresas têm receio de crescer, mantendo-se na sua pequena dimensão. Deste modo, é o próprio Sector que perde como um todo pois perde-se capacidade de internacionalização e de inovação. Do lado da construção acontece algo muito semelhante e que resulta da crise que sofremos em 2008. As grandes empresas que existiam praticamente desapareceram todas. Apenas uma existe e essa teve uma estratégia bem delineada. Falo da Mota-Engil, que sobreviveu e se desenvolveu, não sem grandes dificuldades. Muitas vezes se fala da Mota-Engil, que é ajudada por este ou aquele. Nada mais errado. Eles fazem o seu trabalho e se fosse uma empresa ajudada não teria sucesso internacional. Aí não são os políticos portugueses que ajudam. Sem ser essa empresa, as grandes empresas não existem, desapareceram.

O que temos hoje? Uma empresa grande e um conjunto de empresas bastante mais pequenas, bastante distantes da empresa líder e com grandes dificuldades de internacionalização. Quando vemos as maiores construtoras do nível logo abaixo da Mota-Engil percebemos que são empresas com um grau de internacionalização muito reduzido, tornando difícil a sua actuação nos mercados externos. Eu vejo o sector da Construção em Portugal com grandes falhas estruturais mas, olhando para a situação pelo lado positivo, percebemos também que existem empresários com muita vontade de fazer coisas interessantes. Espero que consigam, mas sem meios e sem recursos é difícil. Vejo motivação para fazer mais e melhor e os poucos engenheiros que existem são, globalmente, muito bons. A matéria-prima é muito boa, mas com grandes deficiências estruturais.

Em que medida é que o próprio CCP é fomentador dessas deficiências?
O CCP está feito de uma forma que é destruidora para o Sector da Construção. Tem uma repartição de risco totalmente desequilibrada. O risco está todo do lado das empresas e o beneficiário das obras não tem risco nenhum Um exemplo: Hoje em dia, se houver um erro de projecto e se, por exemplo, faltar uma estaca num sítio qualquer e se se vier a descobrir que nem o projectista nem a construtora se aperceberam que faltava a estaca, a construtora tem de a executar sem qualquer custo adicional para o Estado. O que é que isto quer dizer? Se o projecto tivesse tido a estaca desde início, a entidade publica tinha de a pagar. Como houve um erro e o projecto não continha essa estaca necessária, a Entidade publica ganha o direito a ter a estaca, que teria de pagar, não pagando. Fica beneficiaria de uma parte da obra sem ter pago por ela. Isso empobrece todo o sector da Construção. O CCP é claramente desequilibrado. Mesmo admitindo que se trata de uma sobre-reacção pelos excessos que existiram no passado, o que temos hoje é manifestamente exagerado e destruidor da actividade no sector publico.
Há uma questão tantas vezes abordada mas que, por diversas razões, nunca foi equacionado verdadeiramente e que esta relacionada com os movimentos de concentração ou fusão de empresas. O estado em que estamos, e que acaba de descrever, coloca em evidência essa necessidade?
No nosso entender, a concentração de empresas faz todo o sentido. Desde logo pela maior capacidade de expansão internacional e de gerar inovação, investigação e desenvolvimento. O que acontece é que a forma como o sector está organizado e a forma como é feita a contratação não privilegia em nada a dimensão. Se não há um alinhamento entre as empresas e quem as contrata, o que acontece é que as empresas se mantêm pequenas. Neste momento, de que me serve ter uma grande empresa se, em Portugal, há uma perspectiva de grande investimento, vai haver trabalho mas que não preciso de ter risco para os próximos tempos? O Estado quando contrata não privilegia a dimensão e eu não tenho qualquer incentivo em avançar com uma operação de fusão com outra empresa.

Claro que esta é uma perspectiva desalinhada com o longo prazo, pois no momento em que o sector voltar a estar em crise, o que seguramente acontecerá, volta a estar em cima da mesa a necessidade de as empresas se juntarem e formarem grupos líderes. Mas com não há nenhum incentivo para que isso aconteça, provavelmente nada vai acontecer. Quando voltarmos aos momentos de crise, o Sector da Construção em Portugal vai, uma vez mais, passar por dificuldades em sobreviver porque não teve capacidade de se internacionalizar.

Olhando para a Quadrante, como acreditamos muito em ciclos e acreditamos que Portugal deve ter, pelo menos, dois ou três grupos champions na área da Construção e Engenharia, estamos a fazer esforços e temos intenção de liderar um movimento de concentração.
Por que áreas pode passar essa estratégia?

Por todas as áreas de negócio em que estamos. Considerando que as empresas, no mercado interno, não têm incentivo para, no presente, um movimento destes, olhamos para empresas fora de Portugal, em áreas como os transportes, indústria e energia, águas…No fundo, tudo o que tenha a ver com infra-estruturas e meio-ambiente.

E de que modo seria isso feito?
Achamos que o caminho correcto passa por aquisições e fusões. Desse modo, podemos mais rapidamente ganhar dimensão para ter uma presença internacional sólida e uma capacidade de investimento e desenvolvimento necessária na transformação da indústria da construção que vai acontecer nos próximos 10 anos.

Quais são os mercados prioritários?
Distinguimos duas perspectivas, nomeadamente de curso e longo prazo. No curto prazo, o mercado português e os mercados africanos são mercados que têm uma boa margem de desenvolvimento. No médio/longo prazo, acreditamos muito nos mercados do Norte da Europa, África e na América do Norte.

Em que é que a experiência da Quadrante, mesmo com o suporte de parceiros, vos torna competitivos nesses mercados?
A Quadrante é competitiva nestes mercados pela sua capacidade de entrega. Temos, neste momento, 220 pessoas a fazer puramente projecto e, por isso, uma capacidade de entrega bastante relevante. Temos uma fantástica capacidade técnica que se adapta a todos os códigos e locais do Mundo em que trabalhamos. Temos uma vantagem de flexibilidade grande. Muitas vezes estamos a competir com empresas que têm cinco ou 10 mil pessoas mas nós temos a vantagem de sermos mais flexíveis. Dispomos de um conjunto de partners que gerem a empresa a nível internacional de uma forma muito ágil. Isso permite que o cliente possa falar directamente com os nossos partners e que eventuais alterações de projecto ou reforço de equipas possam ser feitos de uma forma mais rápida. Somos flexíveis e isso é uma grande vantagem face a empresas muito grandes.

Há prazos para a conclusão e investimentos previstos nestas operações?
Temos definido um plano estratégico através do qual pretendemos duplicar a dimensão da empresa. Uma parte será por via do crescimento orgânico e outra parte será por via de aquisições. Até 2025, o plano estará em marcha, numa velocidade adequada para encontrar as empresas com as competências certas que façam sentido com a nossa cultura e com as competências específicas que queremos reforçar.

Essas empresas estão identificadas?
Estamos em fase de identificação. Mas temos presente que, em 2025, queremos estar a facturar 40 milhões de euros em serviços de engenharia.

Empresas em Portugal podem fazer parte desta estratégia?
Poderiam fazer mas o momento actual, em Portugal, não é um momento que motive muitas das empresas a participar num movimento de concentração. Há algumas empresas que gostaríamos que se juntassem a nós mas não acreditamos que este seja o momento certo para acontecer. Não existe, de facto, motivação. O mercado nacional aparenta ter alguma dinâmica e não existe qualquer vantagem em ter dimensão. As empresas estão bem como estão sendo mais pequenas.

Procurando um posicionamento para enfrentar este ‘novo normal’, assente em novas praticas e novos paradigmas, que papel cabe aos grupos como a Quadrante?
Eu acho, sinceramente, que não há um novo normal. O ‘novo normal’ hoje é o mesmo ‘novo normal’ de há dois anos e passa por as empresas se adaptarem e serem cada vez mais rápidas a executar e a entregar com mais qualidade. A competitividade é crescente, os nossos clientes têm desafios cada vez maiores e são muito pressionados pela velocidade. Exigem, por isso, velocidade de todo o ecossistema que trabalha em seu redor. O ‘novo normal’ é igual ao de ontem: fazer mais e melhor a todo o momento.

Esta nossa conversa decorre numa sala onde está exposta a imagem de um dos grandes investimentos públicos anunciados nos últimos anos, nomeadamente o Novo Aeroporto de Lisboa, obra que encerra em si, um conjunto de práticas recorrentes na contratação pública. Existem estudos, existem concursos, empresas envolvidas, projecto apresentado e, no fim, antes de avançar para o terreno, surge sempre um outro detalhe mais. Esta nossa forma de estar, em que é que isto nos pode ser prejudicial, sobretudo nesta fase em que estamos à beira de execução de verbas como as do PRR, montantes nunca antes implementados?

Falamos muito, em Portugal, em obras de Santa Engrácia. De facto, essas as obras demoraram muitos anos, mas o Aeroporto demorou muito mais pelo que, em rigor, deveria chamar-se ‘Obras de Aeroporto’. O Novo Aeroporto é uma obra que já há mais de 50 anos que anda a ser falada e projectada. São inúmeros os projectos. Participámos na última iteração deste aeroporto que não é, de facto, um novo aeroporto, mas sim um aeroporto complementar. Este aeroporto está inserido num plano que inclui a expansão do aeroporto existente. Tudo isto foi desenvolvido, estudado, teve o apoio do Governo durante o seu estudo, Governo que esteve a par do que se ia passando. Neste momento, o aeroporto complementar está pronto a ser construído mas, entretanto, surgiu mais uma pedra no caminho.

Algo que é habitual, no fundo. Não deixa de ser curioso que tendo Portugal muita capacidade de execução e muitas obras já executadas, como a Expo, a remodelação total da linha do Norte, muitas auto-estradas que tornam Portugal num dos países com melhor rede de auto-estradas da Europa, só este projecto é que provoca esta catarse geral. Como se esta fosse a obra mais importante a realizar em Portugal, que mereça ser pensada e repensada e que mereça que tudo seja reconsiderado a cada nova ideia. Nunca há soluções ideais. Há soluções que são tomadas ou não são tomadas e a verdade é que não tomar uma decisão é a pior decisão. Na verdade, tivemos algum alívio com a quebra do tráfego aéreo provocado pela pandemia e estamos mais descansados. Mas quando os níveis de tráfego retomarem ou superarem o que foi registado em 2019 o que vai acontecer? Uma obra que tem um custo anunciado de cerca de 1000 milhões mas totalmente paga pela concessionaria, é uma obra que caso não avance vai custar, por ano, muito mais do que o custo da obra. É obvio que este investimento tem de ser feito.

Fazendo em Alcochete, no Montijo ou onde quer que seja, era essencial tomar uma rápida decisão. Toda a gente ficou assustada com o que aconteceu em 2019, com a perda de rendimento que Portugal podia ter e agora estamos na mesma situação. Quando o tráfego voltar, vamos estar novamente em pânico porque não tomámos qualquer decisão. Isto é inexplicável. Há depois aqui um outro efeito interessante: Portugal tem uma posição periférica e se formos a ver quanto da nossa economia externa, das trocas com o exterior em serviços e produtos quanto é que passa pelo tráfego aéreo, é um peso enorme na nossa economia, Não fazer um aeroporto tem um custo tremendo. É estranho que se debata tanto uma obra de 1000 milhões e se decida fazer uma obra de 4,5 mil milhões, como é a alta-velocidade ferroviária entre Lisboa e Porto, cuja utilidade é tão ou mais duvidosa que a do aeroporto, mas ninguém discute.

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Lançado o concurso público para a reabilitação da EN362

A obra, orçada em 2M€, decorrerá num troço com cerca de nove quilómetros, na freguesia de Alcanede, concelho de Santarém, e visa a melhoria das condições de mobilidade e segurança rodoviária

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Foi publicado em Diário da República o concurso público para a empreitada de reabilitação do troço da EN362, que serve directamente a freguesia de Alcanede, no concelho de Santarém, com cerca de nove quilómetros.
A obra envolverá um investimento estimado em dois milhões de euros e pretende reforçar as condições de mobilidade e segurança da via, complementando a intervenção de reabilitação realizada anteriormente entre Alcanede (km 31,025) e Santarém (km 51,733), e que foi concluída em Março do ano passado.

No âmbito da obra está prevista a beneficiação integral do pavimento, a melhoria dos acessos da e para a rede viária local, o reforço e substituição da sinalização e dos equipamentos de segurança da via, e a reformulação dos sistemas de drenagem.

A EN362, entre os Km 22,433 e 51,733, constitui-se como um dos eixos rodoviários que assegura a ligação entre Santarém e Porto de Mós, atravessando a freguesia de Alcanede. O troço objecto da empreitada em concurso tem o início no limite de Concelho entre Porto Mós e Santarém (km 22,433) e termina em Alcanede (km 31,025).

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Norfin vende dois activos logísticos na grande Lisboa

Localizadas em zonas consolidadas de logística, as unidades foram adquiridas pela Bedrock Capital e pelo sueco Europi Property Group, que inaugura com este negócio a sua entrada em Portugal

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A Norfin, SGOIC alienou dois activos logísticos anteriormente integrados no Ibéria FEIF. Um dos imóveis está localizado no Cartaxo e integralmente arrendado por uma empresa do Grupo Sonae. O outro activo, localizado na Quinta do Adarse em Alverca do Ribatejo, também se encontra totalmente ocupado, tendo como inquilino uma empresa nacional líder no seu sector de actividade.

Os activos foram adquiridos em conjunto pela Bedrock Capital, que celebra o seu primeiro investimento em logística, e pelo Europi Property Group (EPG), um investidor internacional que estabelece o seu primeiro investimento em Portugal através desta parceria.

“Estamos muito satisfeitos com a aquisição destes dois activos, que marca a nossa primeira operação em parceria com o Europi Property Group. Estamos optimistas em relação ao mercado logístico português, o qual tem vindo a registar uma procura crescente por parte dos operadores, sendo que os armazéns se encontram localizados em dois importantes hubs logísticos de Lisboa”, explica João Tenreiro Gonçalves, Executive Partner da Bedrock Capital.
“O segmento de Industrial e Logística segue em franca expansão em toda a Europa, muito impulsionado pelo crescimento das vendas online e novas tendências de consumo. Em Portugal, no ano de 2020, o segmento alcançou um recorde de take-up, e estima-se que os números em 2021 venham a superar os do ano anterior”, assegura a consultora imobiliária internacional Savills que assessorou a Norfin neste negócio.

“Ao longo de quatro anos, a Norfin trabalhou no sentido de melhorar a qualidade dos serviços prestados aos arrendatários, na renovação e melhoria da qualidade dos edifícios. Desta forma, potenciámos o valor de mercado dos activos e, tendo vendido na altura certa, maximizámos o retorno dos nossos investidores”, explica Daniel Lopes, Manager da Norfin.

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