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Filipa Fleming decora villa-modelo no condomínio 5º Porto

“Um estilo de vida familiar e urbano num ambiente acolhedor e confortável”. Foi este o ponto de partida para a criação do projecto de decoração de interiores

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“Um estilo de vida familiar e urbano num ambiente acolhedor e confortável”. Foi este o ponto de partida para a criação do projecto de decoração de interiores da autoria de Filipa Fleming, numa villa do condomínio privado 5º Porto, que está a nascer junto à Foz do Douro, no Porto, promovido pela Avenue.

A villa (de tipologia V2 duplex com 114 m²) ainda não está habitada e o projecto foi idealizado para um casal com filhos ou que pretenda ter um quarto de hóspedes para receber visitas. Respondendo ao desafio “a decoração apostou nos tons neutros em bege e cinzento, com apontamentos de cores quentes e vibrantes, como a telha, o verde e amarelo açafrão, que de certa forma vêm ‘desconstruir’ o conceito dominante, dando-lhe ritmo e luz”, explica Filipa Fleming.

“À fusão de cores alia-se a conjugação de diferentes texturas nas peças têxteis, como linho, algodão e lã, criando um ambiente de conforto. Além disso, foram ainda conjugados diversos materiais, como a madeira, azulejos, ferro preto e dourado, num contraste constante entre o brilho e mate”, conta a decoradora.

Aniceto Viegas, CEO da Avenue, refere ainda que “sabíamos que podíamos contar com o rigor, criatividade e profissionalismo da Filipa Fleming para criar o ambiente desejado para a decoração desta villa no 5º Porto, depois do excelente trabalho desenvolvido no 266 Liberdade”.

Cada uma das principais divisões da casa (suite, quarto e sala) foi pensada para se tornar funcional e adequada para quem a irá habitar. Na suite predominam os tons neutros em lã e linho, tendo sido criado um toucador que pode também ser usado como zona de trabalho.

O quarto tem um ambiente mais descontraído e juvenil pontuado pelo amarelo açafrão, onde sobressai a cabeceira da cama – um conjunto criado pelo atelier Filipa Fleming – que se caracteriza pela sua versatilidade, que tanto pode ser uma cama de casal como duas camas individuais, juntando ou separando os almofadões.

Na sala foram concebidas duas zonas distintas – de estar e de refeições – e ganhou amplitude ao prolongar o espaço para a varanda, que foi transformada num jardim interior repleto de plantas, lanternas, além de um confortável sofá. Destaque ainda para “a harmonia e profundidade criada pela caixa de luz que reflete uma moldura com uma fotografia da emblemática Ponte D. Luiz, captada pela fotógrafa Joana Lemos/Spot On, natural do Porto especificamente para este projecto”, revela Filipa Fleming.

O hall das escadas é outro ambiente que merece ser evidenciado. Por ser uma zona com menos luz natural era essencial trazer o máximo de luminosidade e criar impacto, tendo sido conseguido através da produção de um painel de azulejos brilhantes.

“Inicialmente, a nossa ideia era colocar os painéis todos certinhos voltados para baixo, como se fossem escamas, mas ao montá-los resolvemos desconstruir o padrão, o que acabou por resultar muito bem ao transformarmos um vão de escada num espaço único e cheio de identidade”, salienta Filipa Fleming.

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‘Together’ em Lisboa

Lisboa recebe, no próximo mês de Novembro, o 15º World Architecture Festival. Uma edição que traz a concurso e destaca mais de quatro centenas dos projectos de arquitectura. Destes, quatro são em Portugal e outros tantos têm a assinatura de arquitectos portugueses

O World Architecture Festival 2022 está agendado para 30 de Novembro a 2 de Dezembro e terá como palco Lisboa. Este é a segunda vez a capital portuguesa está designada para receber aquele que é considerado um dos maiores eventos internacionais, anuais, da arquitectura.

Em 2021 a pandemia trocou, uma vez mais, os planos e o evento acabou por ser digital, tal como já tinha acontecido em 2020.  Por isso o tema desta edição de 2022, “Together”, tem um duplo sentido.

Em meados de Julho a organização anunciou a sua shortlist que inclui cerca de 420 projectos, aos prémios WAF e Inside. Prémios que reúnem os projectos de arquitectura mais inovadores e surpreendentes. Mas este leque de projectos, que poderão ser vistos e discutidos em Lisboa no final deste ano, assumem, também, algumas das maiores mudanças que a sociedade enfrenta, como a maior preocupação com a sustentabilidade e a ligação com a natureza.

Em 2021 o projecto de um hotel e adega de Tabuaço, do atelier Sérgio Rebelo, venceu então o prémio do WAF na categoria de projectos de lazer, tornando-se candidato a “edifício do ano”. Para esta edição encontramos vários arquitectos e gabinetes portugueses entre os finalistas ao prémio WAF 2022.

Shortlist do WAF com projectos portugueses  

Entre os 420 projectos escolhidos pelo júri do World Architecture Festival, de entre as várias centenas de projectos oriundos de mais de 50 países, cinco são em Portugal. Os projectos distribuem-se por três grandes categorias, Completed Buildings, Future Projects e Landscape, e, depois, por mais de uma dezena de subcategorias.

Nova sede Grupo Ageas Portugal

A nova sede da seguradora Ageas Portugal, desenhado pelo arquitecto Eduardo Capinha Lopes para o Martinhal Group, está localizada no Parque das Nações, em Lisboa, e concorre na categoria de edifício de escritórios. O projecto desenvolve-se em 17.400 m2, distribuído por 12 pisos. A sua fachada, através dos seus volumes permite um jogo constante de sombras. Mais do que um escritório, o edifício foi pensado para albergar uma comunidade de trabalho, um conceito que a pandemia veio reforçar. Distingue-se também pela inovação tecnológica e pela preocupação ambiental, consubstanciada na certificação BREEAM.

Também nesta subcategoria concorre o “Porto Office Park”, do atelier Broadway Malyan. Localizado na zona da Boavista o empreendimento é composto por dois edifícios, cada um com 15.544 m² distribuídos por 9 pisos acima do solo, e áreas amplas por piso de 1.850 m². Entre as suas valências contam-se restaurante, ginásio e três campos de padel, que se desenvolvem em três edifícios de pequenas dimensões, além de um auditório de 150 lugares e cafetarias nos dois edifícios principais. As duas torres são revestidas a vidro e lâminas de alumínio com sistema de sombreamento.

Este atelier integra ainda a shortlist com a Yoo Forest House (subcategoria House and Villa (Rural/Coastal), um projecto idealizado e construído para um cliente privado e localizado na cidade de Lechlade-on-Thames, no Reino Unido.

Na categoria “Completed Building” encontramos também a “Flores House”, do gabinete de arquitectura Ventura+ Partners (subcategoria House & Villa Urban/Suburban)). Uma vivenda familiar na aldeia de São Félix da Marinha, em Vila Nova de Gaia. Um projecto que se destaca pelo seu “programa habitacional simples para uma moradia de três quartos, de áreas amplas, fluídas”, que teve como ponto de partida uma “volumetria que se desconstrói e se adapta a elementos pré-existentes no terreno – os sobreiros”. Salvaguardar as árvores era “mandatório” e assim o edifício, de apenas um piso, se foi desenhando. Dois elementos são contantes, o primeiro, a luz natural que através de generosos vãos, pátio e clarabóias, beneficia todas as divisões, e a pala, de contornos angulares que unifica espaços e reúne alinhamentos.

Projectos futuros

Com assinatura do atelier de arquitectura MJARC, fundado por Maria João Andrade e Ricardo Cordeiro, o projecto do “Hotel Vinyard”, localizado no Douro, concorre entre os “Future Project” (subcategoria Leisure Led Development).

Esta futura unidade hoteleira enquadrada no Vale do Douro pretende combinar a experiência rural de produção de vinho com as comodidades de destino de lazer. Para além dos quartos com vista sobre a vinha e o vale o seu programa contempla restaurantes, SPA, ginásio e piscina exterior, para além de uma adega onde será possível vivenciar pate do processo vinícola.

A sua inserção tira partido do local e das suas fontes de energia renováveis, geotérmica e solar.

Mas a preocupação com a eficiência reflecte-se no uso da água. A água da chuva é filtrada e utilizada para as necessidades de águas cinzentas do edifício, 100% da água negra será posteriormente tratada por uma estação de tratamento de águas residuais.

Nesta categoria foram também seleccionados dois projectos concebidos pelo gabinete de arquitectura de Tiago Sá, o “Gardabaer Kindergarten”, um jardim de infância projectado para a Islândia. E na vertente Civic um parque comunitário, em Leiðarhöfði, ambos na Islândia. Apesar de programas distintos ambos os projectos têm em comum o facto de tirarem partido da natureza que os circunscreve, de privilegiarem materiais sustentáveis e locais e de terem uma capacidade de se adaptarem e crescerem com a comunidade que servem.

Ainda nesta categoria encontramos o projecto para o complexo do Hospital Universitário da Corunha, em Espanha, concebido pelo atelier ARC, em conjunto com a Abalo, Intecsa + GIS, e, na vertente cultural o projecto Wonderlab: The Bramall Gallery at the National Railway Museum, York, do atelier De Matos Ryan, da dupla José Esteves De Matos e Angus Morrogh-Ryan.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

Manuela Sousa Guerreiro

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Casa da Arquitectura: “The Reasons Offsite” e a arquitectura modular e pré-fabricada

Com curadoria e projecto expositivo do estúdio Summary, a exposição, “The Reasons Offsite” debruça-se sobre sistemas construtivos modulares e pré-fabricados. Patente na Casa da Arquitectura até 25 de Setembro

“The Reasons Offsite” oferece uma experiência imersiva através da realidade virtual. Trata-se de uma exposição sobre arquitectura modular e pré-fabricada que esteve patente na Salt Gallery do Boston Society of Architects (EUA, Março de 2019), na Neufert Box Weimar, integrando o programa oficial do Centenário da Bauhaus (Alemanha, Setembro de 2019), e no KÉK – Contemporary Architecture Centre Budapest (Hungria, Outubro de 2019), está agora em exposição na Galeria da casa da Arquitectura, no Porto, até 25 de Setembro.

Com curadoria e projecto expositivo do estúdio Summary, a exposição virtual/imaterial “The Reasons Offsite” debruça-se sobre sistemas construtivos modulares e pré-fabricados, desde o século XVII até à contemporaneidade, através de uma visão crítica e prospectiva e conta com as participações de Pedro Ignacio Alonso & Hugo Palmarola, Jorge Christie & Martín Alvarez, Pablo Jimenez-Moreno e Yona Friedman.

“The Reasons Offsite” apresenta 25 edifícios ou sistemas construtivos que tenham desempenhado o papel de percursores no campo da construção pré-fabricada e modular, incluindo neste grupo projectos anónimos, mas também obras de autores mundialmente conhecidos como Jean Prouvé, Buckminster Fuller, Shigeru Ban ou MVRDV.

Em formato virtual, a exposição dá-se a conhecer através de imagens, textos e maquetas. Através dos Oculus Rift Kit, os visitantes são transportados para um espaço virtual de 20x20m, onde podem percorrer a exposição, seleccionar de forma interactiva os conteúdos que pretendem observar e até manusear as maquetas expostas para conseguirem analisá-las de todos os ângulos. Trata-se, portanto, de uma exposição essencialmente imaterial, que não implica o transporte e a instalação e grandes objectos, e que, por conseguinte, não produz lixos ou resíduos após as sucessivas montagens e desmontagens. Este aspeto contribui ainda para a flexibilidade deste projecto, que pode ser exibido em locais com diferentes dimensões ou configurações.

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Ordem dos Arquitectos do Norte prepara 4ª edição do Seminário Norte 41°

Intitulada “2051: Odisseia dos Espaços. (Eco)Ficções do ambiente construído”, a iniciativa compreende a realização de quatro painéis temáticos, em Póvoa de Varzim, Guimarães, Vila Real e Porto, que se realizarão nos dias 10, 17 e 24 de Setembro e 1 de Outubro de 2022, respectivamente

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A Ordem dos Arquitectos Secção Regional Norte (OASRN) realiza a 4ª edição do Seminário Norte 41°, intitulada “2051: Odisseia dos Espaços. (Eco)Ficções do ambiente construído”. Organizada em articulação com a plataforma Architects Declare, esta iniciativa pretende “abordar noções de sustentabilidade a partir da paisagem construída”.

O seminário compreende a realização de quatro painéis temáticos, em diferentes cidades da área geográfica afecta à OASRN, nomeadamente, Póvoa de Varzim, Guimarães, Vila Real e Porto e que se realizarão nos dias 10, 17 e 24 de Setembro e 1 de Outubro de 2022,  respectivamente. Todas as actividades serão de frequência gratuita, embora com inscrição obrigatória.

Compreendendo os Objectivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, este seminário “promoverá o encontro interdisciplinar para discutir sustentabilidade ambiental, económica, e social, no percurso do ambiente construído”, explica a organização

“Pretende-se lançar o mote para imprimir na consciência colectiva a urgente necessidade de repensar as práticas do sector da construção e instigar uma análise futurológica do European Green Deal, que permita reflectir sobre o território após o cumprimento das metas de 2050. Procura-se deste modo pensar as realidades que poderemos ter em 2051 e os passos que a elas nos conduzirão”, acrescenta a OASRN em comunicado.

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Antiga LUFAPO ‘renasce’ como “Hub criativo e inovador”

O Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro pretende recuperar a memória da antiga fábrica de cerâmica, com base nos conceitos arquitectónicos New European Bauhaus. O espaço vai recuperar, ainda, o espólio da antiga LUFAPO, que se encontra na Universidade de Coimbra

Cidália Lopes

No ano em que se assinalam 35 anos sobre a sua criação, o Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV), em Coimbra, pretende transformar aquele que foi um dos maiores complexos industriais cerâmicos do país, num Hub criativo e empreendedor de cocriação, coworking, startups e scaleups. Actualmente sede do CTCV, a LUFAPO prepara-se, quase 100 anos depois do seu aparecimento, para ganhar uma nova vida.

O futuro LUFAPO Hub, além da componente de empreendedorismo industrial, tem como finalidade ser “um centro de indústrias criativas e um local inspirador que concilie arte, inovação, sustentabilidade e inclusão”, ao mesmo tempo que pretende “atrair criadores mundiais, privilegiando a cocriação e o desenvolvimento de ideias de negócio, aproveitando o conhecimento existente e reforçando as sinergias entre as indústrias tradicionais, criativas e tecnológicas”, destacou Jorge Marques dos Santos, presidente do Conselho de Administração do CTCV, por ocasião do lançamento do projecto, numa cerimónia que contou também com a presença de Ana Abrunhosa, ministra da Coesão Territorial.

Segundo a CTCV, para o efeito será desenvolvido um projecto de reabilitação do edifício, que ainda não se encontra concluído, contudo sabe-se já que as premissas terão como referência o conceito New European Bauhaus, assente na utilização de materiais inovadores e que consiste na criação de uma Europa mais sustentável e mais inclusiva. A administração da CTCV avançou, ainda, que prevê a conclusão do projecto dentro de cinco anos, sendo que após esta reabilitação, o LUFAPO Hub prevê a criação de mais 400 postos de trabalho.

Actualmente estão já em funcionamento 25 projectos neste espaço, entre empresas de base tecnológica, startups ou scaleups e criadores, que empregam mais de 80 pessoas, maioritariamente jovens qualificados, tendo-se estabelecido um protocolo com o CEARTE – Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património – escola de ofícios essencialmente dedicada à cerâmica, com vista à instalação de um atelier de cocriação para ceramistas neste espaço.

Adicionalmente vai ser introduzida uma forte componente tecnológica, com impressão de cerâmica em 3D, sem esquecer os novos materiais e a economia circular.

Outra das ideias para atrair novos projectos inspiradores para o LUFAPO Hub passa por criar uma residência criativa, em regime de ‘co-living’, na cobertura do edifício-sede, que possa atrair nómadas digitais e criadores de todo o mundo, preferencialmente ligados ao sector cerâmico.

O LUFAPO Hub não esquece a perspectiva cultural e económica das cerâmicas e vai constituir um espaço dedicado a essa memória histórica. Neste sentido, o espaço vai recuperar, ainda, o espólio da antiga LUFAPO, que se encontra na Universidade de Coimbra, no âmbito de uma recolha efectuada na década de 70, pelo físico Mário Silva, para integrar as colecções do Museu Nacional da Ciência e da Técnica e estudar a possibilidade de revitalizar a produção de algumas peças inspiradas nos desenhos e moldes antigos.

O edifício está equipado com um auditório para 120 pessoas, um refeitório, seis salas de reunião, que podem ser também convertidas em salas de formação, e um espaço de coworking para 15 pessoas que já se encontra em funcionamento.

Unidade fabril chegou a ser “uma das maiores do Pais”

A história da LUFAPO começará talvez nos primórdios do século XX, mas ainda com outra denominação. Todavia, sabe-se com exatidão que, em 21 de junho de 1923, já existiria como “A Cerâmica Limitada”, uma vez que os sócios-gerentes Francisco Ferreira e Ezequiel dos Santos Donato, representantes da empresa, escrituraram um terreno situado no Vale Paraíso, no Loreto, freguesia de Eiras, onde já estaria construído o edifício principal do que mais tarde viria a ser um dos maiores complexos industriais cerâmicos do país!

Julga-se que surgiu neste local, junto à linha do caminho-de-ferro, em consequência da necessidade de se deslocalizarem as inúmeras cerâmicas que abundavam na baixa de Coimbra durante o século XIX, impedidas de se desenvolverem por se encontrarem estranguladas pela própria cidade.

Considera-se que esta unidade fabril iniciou a época da grande indústria cerâmica em Coimbra, tendo registado um crescimento rápido nos primeiros anos de produção, “chegando a empregar cerca de 1000 operários e a ser, no seu género, uma das maiores do país”.

Esta indústria, localizada num terreno com cerca de 9 hectares, foi também inovadora para o seu tempo, tendo construído algumas casas para operários, um campo de futebol, laboratórios, escolas e creches para os filhos dos trabalhadores, entre outras inovações. A fábrica era constituída por múltiplos edifícios ligados entre si e construído em vários patamares.

Em 1929, a Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia adquiriu este complexo industrial, à semelhança da fábrica de Massarelos, no Porto.

A designação e a marca LUFAPO é construída a partir das palavras LUsitânia, FAianças e POrcelanas, tendo surgido em meados da década de 1940, no âmbito da reconversão da indústria cerâmica portuguesa após a II Guerra Mundial.

Sabe-se que a marca LUFAPO foi usada em louças domésticas e decorativas, louças sanitárias, louças eletrotécnicas, azulejos lisos e decorados, mosaicos cerâmicos, ladrilhos hidráulicos, grés para canalizações e produtos refratários, estando a maioria dos seus produtos intrinsecamente ligados ao modernismo e ao movimento Bauhaus em Portugal.

À semelhança das outras indústrias cerâmicas de Coimbra, este complexo industrial entrou em declínio culminando na sua insolvência e, em 1977, o município de Coimbra fica com a sua penhora.

Entretanto, nos anos 80 foi construído o loteamento do Loreto, demolindo todos os edifícios do antigo complexo industrial da LUFAPO, incluindo as inúmeras chaminés tão marcantes da paisagem local. Daí, sobreviveram apenas o edifício principal e a antiga escola primária, os únicos que chegam aos nossos dias.

Em 1987, o edifício principal passa para a gestão do CTCV, onde até hoje se mantém a sede, embora quase toda a actividade do Centro esteja actualmente localizada no iParque.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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Open Call ‘Casas no Alentejo’ com candidaturas até 15 de Setembro

Para o efeito, podem concorrer as obras com programa de habitação unifamiliar, seja nova construção ou reabilitação, concluídas nos últimos 10 anos na região

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Até 15 de setembro, encontra a decorrer a Open Call Casas no Alentejo. A iniciativa da Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos (OASRALT), pretende, através de uma exposição local e de uma publicação internacional impressa, dar visibilidade a obras de habitação unifamiliar de referência na região e respectivos arquitectos, contribuindo para a promoção da qualidade arquitectónica, como legado cultural.

Para o efeito, podem concorrer as obras com programa de habitação unifamiliar, seja nova construção ou reabilitação, concluídas nos últimos 10 anos na região do Alentejo.

A divulgação dos resultados será feita de 1 a 30 de Outubro, que irá coincidir com uma exposição pública dos trabalhos no mesmo período.

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Plano de urbanização da Estação Coimbra-B vai ser revisto

A Infraestruturas de Portugal (IP) celebrou um contrato com o ateliê catalão BAU, liderado por Joan Busquets, para rever o plano de urbanização da estação de Coimbra, elaborado por este atelier há mais de dez anos

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De acordo com a notícia avançada esta semana pelo semanário de Coimbra “Campeão” o ajuste directo foi celebrado a 29 de Julho entre a IP e a B.Landscap Arquitectura y Urbanismo SL (BAU), com sede em Barcelona, por um montante de 262 mil euros e um prazo de execução de 224 dias.

O arquitecto e urbanista Joan Busquets, foi o autor do “Plano de Urbanização da Entrada Poente e Nova Estação Central de Coimbra”, realizado em 2012. Doze anos depois, o plano de urbanização que agora será revisto estará também integrado no projecto que o actual Governo tem para a linha de alta velocidade, inscrito na primeira fase, correspondente ao troço Porto-Soure, com obras entre 2026 e 2028.

A objectivo é um novo desenho que “dignifique e requalifique a cidade”. “Precisamos de construir finalmente uma estação intermodal, que integre de forma articulada todos os modos de transporte e que potencie uma nova centralidade urbana, catapultando o desenvolvimento urbanístico, económico e social do espaço envolvente e de todo o município. Depois do diálogo que desenvolvemos com a IP, e com as mudanças introduzidas, estamos crentes que assim vai ser, o que nos apraz registar”, afirmou José Manuel Silva, presidente da Câmara de Coimbra, citado pelo semanário.

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2ª edição do Prémio de Arquitetura do Algarve recebe candidaturas

Nesta 2ª edição, poderão concorrer todas as obras concluídas entre o dia 1 de Janeiro de 2017 e 31 de dezembro de 2021

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No sentido de divulgar a importância da arquitectura da região algarvia e consequentemente reconhecendo o mérito dos seus membros, a Secção Regional do Algarve da Ordem dos Arquitectos encontra-se lançou a segunda edição do Prémio de Arquitectura do Algarve. As candidaturas decorrem até 31 de Agosto.

Esta distinção consiste na atribuição de um prémio anual à melhor proposta apresentada a concurso, em cada uma das categorias propostas, nomeadamente Habitação unifamiliar ou bifamiliar, Habitação coletiva, Equipamentos, serviços e indústria, Reabilitação e Arquitectura e paisagem.

Apenas podem candidatar-se obras da autoria de membros da Ordem dos Arquitectos, com inscrição e situação regularizada e as mesmas deverão estar concluídas e localizadas na área geográfica dos 16 municípios da região do Algarve, com alvará de utilização emitido, ou no caso de obras públicas, com documento da respectiva recepção provisoria emitida, entre 1 de Janeiro de 2017 e 31 de Dezembro de 2021.

O prémio será entregue em Outubro de 2022, por ocasião da cerimónia do Dia Mundial do Arquitecto.

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Exposição “Prisma” de Vhils vista por 90 mil visitantes

‘Prisma’ é uma obra composta por imagens que representam o quotidiano de nove metrópoles: Cidade do México, Cincinnati, Hong Kong, Lisboa, Los Angeles, Macau, Paris, Pequim e Xangai. A exposição foi inaugurada no dia 30 de Março e termina a 5 de Setembro. Até ao momento já contou com mais de 90 mil visitantes

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A exposição “Prisma” de Vhils, já conta com mais de 90 mil visitantes até ao momento. Pode ainda ser visitada até ao dia 5 de setembro na Galeria Oval do maat – Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, em Lisboa.

Nesta exposição, Vhils mostra uma proposta monumental e inesperada realizada em vídeo, uma das linguagens que tem vindo a aprofundar recentemente. Prisma guia os visitantes por uma interacção imediata com realidades e situações do dia-a-dia de nove cidades estrangeiras – Cidade do México, Cincinnati, Hong Kong, Lisboa, Los Angeles, Macau, Paris, Pequim e Xangai. O artista transforma a Galeria Oval do museu num labirinto urbano e proporciona uma experiência imersiva, onde efeitos de escala, tempo e luz são manipulados.

O processo criativo para a exposição começou há alguns anos, mas teve o seu culminar durante o pico da pandemia, momento em que toda a humanidade foi afectada por um acontecimento global. Com esta obra, o autor pretende reflectir sobre o avanço das forças da globalização, que nem a estagnação da pandemia conseguiu travar. Além disso, permite uma reflexão sobre a homogeneização das sociedades e um apelo à unidade.

Também até 5 de Setembro pode ser visitada a exposição Interferências – Culturas Urbanas Emergentes, que afirma diferentes expressões da cultura urbana, explorando itinerários narrativos da cidade através de um diálogo que privilegia o museu enquanto espaço crítico e lugar de encontro entre várias comunidades e sensibilidades.

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9M€ e um concurso de arquitectura para reabilitar Fábrica do Arquinho

A Câmara Municipal de Guimarães vai lançar um concurso de arquitectura para reabilitar a Fábrica do Arquinho, adquirida pela autarquia em 2020. O espaço irá acolher os laboratórios de Engenharia Aeroespacial da Universidade do Minho e a Fibrenamics

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A Câmara Municipal de Guimarães adquiriu, em Julho 2020, a antiga Fábrica do Arquinho, localizada na área citadina, envolvida pela Avenida D. Afonso Henriques, pela Rua da Caldeiroa e pela Rua Colégio Militar.
Depois de terminado o levantamento topográfico e geométrico do imóvel, o Município de Guimarães está agora em condições de receber propostas para o espaço que irá acolher os laboratórios de Engenharia Aeroespacial da Universidade do Minho e a Fibrenamics.

As obras de requalificação e adaptação da Fábrica do Arquinho serão realizadas com recurso a verbas do Município de Guimarães e da Universidade do Minho. Serão necessários entre 7,5 a 9 milhões de euros para executar o projecto na totalidade. O executivo municipal está já a preparar uma candidatura para conseguir o apoio de fundos comunitários de modo a assegurar o financiamento necessário.

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Alentejo: “A Ordem está agora mais próxima dos problemas locais”

A presidente da recém-criada Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos fala dos desafios daquele organismo num território que, estando longe de ser pobre, é disperso e obriga a uma maior ‘unidade’ entre os profissionais. Cláudia Gaspar adianta ainda que o PRR não será tábua de salvação na região mas, qualquer que seja o caminho, os arquitectos querem fazer parte do processo de encomenda

Ricardo Batista

“Os princípios da Ordem mantêm-se, com as preocupações naturais da arquitectura e do momento, e de um modo transversal. A Ordem continua a ser uma, mas está agora mais próxima das entidades locais, da sociedade, mais próxima dos problemas locais”.

Dois anos depois de tomar posse como a primeira presidente do Conselho Directivo do Alentejo da Ordem dos Arquitectos, Cláudia Gaspar traça um balanço positivo da nova organização daquele organismo, sublinhando que entre as prioridades da nova secção esteve sempre “o reconhecimento das mais valias existentes localmente, dos saberes locais”.

“Estamos hoje mais próximos das dificuldades que os arquitectos têm na sua prática quotidiana, sejam os que trabalham na Administração publica, os que trabalham nos seus gabinetes privados ou os que são trabalhadores independentes, uma grande maioria da realidade do Alentejo”, salienta Cláudia Gaspar, à margem de um painel dedicado ao Território e que reuniu, no Archi Summit, os presidentes de algumas das novas secções regionais da Ordem dos Arquitectos.

Para a responsável pela estrutura do Alentejo, naquela região, extensa, os arquitectos têm a particularidade de trabalhar num território disperso, de forma dispersa e muitas vezes de costas voltadas uns para os outros.

“Uma das nossas premissas tem sido conseguir colocar os arquitectos a dialogar entre eles mas, acima de tudo, fazer a ponte entre a arquitectura e a sociedade, com uma série de actividades de divulgação da arquitectura, conferências, mesas redondas”, assegura, sublinhando que têm sido iniciativas “muito bem acolhidas”. Cláudia Gaspar destaca, essencialmente, o trabalho institucional que tem sido feito junto das 47 autarquias e das quatro comunidades inter municipais, trabalho que “tem sido um trabalho longo e será extenso, num ano particularmente difícil em que temos o PRR e as câmaras numa logica de contra relógio para conseguir alguns fundos no âmbito do Programa para, sobretudo habitação”.

“Queremos ser intervenientes do processo de encomenda e da contratação publica de arquitectos para um melhor ambiente construído, para uma melhor arquitectura e, com isso, para uma melhoria da qualidade de vida no Alentejo”, acrescenta ao CONSTRUIR a presidente da secção regional do Alentejo dos Arquitectos. “Estamos numa região em que boa parte dos municípios nunca reuniu com a Ordem dos Arquitectos, que começa agora a ser notada. E esse tem, também, de ser o nosso papel”, garante Cláudia Gaspar.

Território “riquíssimo”
Remetendo para uma imagem pré-concebida do Alentejo como território pobre, a arquitecta logo contraria essa ideia, assumindo que estamos a falar de um território “riquíssimo”. “E tem dificuldades como todos têm”, acrescenta. No entender de Cláudia Gaspar, “o Alentejo sofre, desde logo, com a diferenciação entre o que é o rural e o urbano. Temos um território com uma grande área de propriedade rural mas não é de todo pobre. A questão da paisagem, e entenda-se a paisagem cultural, urbana e rural, é altamente dinâmica. Não é agora, que existem fundos e que tanto se fala no famoso PRR, com fundos que chegam de forma transversal a todo o País, que o Alentejo vai dar o salto no seu desenvolvimento”, garante a arquitecta, que assegura que o Alentejo já está em franco desenvolvimento há muito tempo. “O Pólo tecnológico de Sines é apenas um exemplo dessa atractividade”, garante, sublinhando que os arquitectos já estão no terreno a acompanhar essas dinâmicas. Há, no entanto, desafios. Cláudia Gaspar salienta que “o Planeamento no Alentejo nem sempre é feito a pensar no longo prazo ou num ordenamento de território sustentável mas sim, muitas vezes, a pensar no benefício rápido”.

Não sendo uma prioridade, a representante dos arquitectos no Alentejo alerta para um fenómeno crescente que importa ser olhado com atenção e que merece a melhor resposta. Há, em virtude da aposta numa agricultura intensiva, um aumento considerável de população – essencialmente proveniente de países asiáticos – para trabalhar nas estufas, fenómeno que obriga a uma resposta habitacional que hoje ainda não existe. “O papel da Ordem é, mais uma vez, articular todos os agentes, colocar a sociedade em contacto com a arquitectura e desmistificar a ideia de que a arquitectura é uma disciplina para as elites”, conclui.

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Ricardo Batista

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