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    Floating University, em Berlim

    Arquitectura

    Trienal de arquitectura participa em novo programa europeu de cooperação

    O primeiro evento do New Cross National Temporality tem lugar esta sexta-feira, 1 de Julho, em Berlim, onde a Trienal de Lisboa e a Bienal de Tbilisi se juntam para uma conversa sobre as convergências das temáticas dos respectivos festivais de 2022

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    Trienal de arquitectura participa em novo programa europeu de cooperação

    O primeiro evento do New Cross National Temporality tem lugar esta sexta-feira, 1 de Julho, em Berlim, onde a Trienal de Lisboa e a Bienal de Tbilisi se juntam para uma conversa sobre as convergências das temáticas dos respectivos festivais de 2022

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    Abrimos agora um novo ciclo de cooperação europeia entre sete países, apoiada pelo programa Europa Criativa. Com o objectivo de fortalecer o sector cultural no continente, esta rede documenta, investiga e promove espaços temporários comuns, integrando micro-instituições e organizações de base, o que inclui a Trienal. O primeiro evento tem lugar esta sexta-feira, 1 de Julho, na Floating University, em Berlim, onde a Trienal de Lisboa e a Bienal de Tbilisi – parceiro principal responsável pela coordenação – se juntam para uma conversa sobre as convergências das temáticas dos respectivos festivais de 2022.

    A candidatura do projecto New Cross National Temporality foi aprovada pelo programa de financiamento Europa Criativa até 2025 o que irá dar início a uma  programação conjunta com entidades culturais e instituições académicas de sete países europeus, entre os quais Portugal. Questionando as noções de permanência e estabilidade associadas à dimensão material e espacial da arquitectura, o foco dirige-se para as temporalidades quotidianas e efémeras dos seus processos.

    O New Cross National Temporality promove o acesso e interacção de novos públicos através da co-criação, mediação e disseminação da cultura arquitectónica. A acção da Trienal dedica cada um dos quatro anos a um formato diferente: debate, seminário, residência urbana e lançamento de um livro, e o primeiro evento deste calendário tem lugar dia 1 de Julho.

    Em contagem decrescente para Terra, a próxima edição da Trienal, e para a Bienal de Arquitectura de Tbilisi sob o tema What’s Next?, os dois festivais juntam-se para uma conversa sobre as convergências das suas temáticas e pensar em conjunto o papel destes festivais no contexto europeu.

    A Bienal de Arquitectura de Tbilisi é o parceiro principal responsável pela coordenação, bem como por todas as actividades culturais na Geórgia e que contam, ainda, como parceiros a Universidade Barleti (Tirana, Albânia), a Dekabristen e.V. (Berlim, Alemanha), a Fundació Mies van der Rohe (Barcelona, Espanha) a APSS Institute (Podgorica, Montenegro), o Pavilion Kultury (Kiev, Ucrânia) e a Trans-Media-Akademie Hellerau e.V. (Dresden, Alemanha).

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    Arquitectura

    “A beleza é a razão de ser da arquitectura e o primeiro serviço a prestar pelo arquitecto”

    As palavras são do arquitecto Álvaro Siza, a propósito da nova ala de Serralves, inaugurada recentemente e a qual recebeu o nome do arquitecto, revelando a relação forte entre instituição e arquitecto. Serralves seria Serralves sem Álvaro Siza?

    Créditos: Filipe Braga

    No início de 2024, a nova ala do Museu de Serralves, a Ala Álvaro Siza abrirá ao público com duas grandes exposições: uma dedicada à colecção de Serralves e outra dedicada à obra de Álvaro Siza. Até lá será possível ao público admirar e vivenciar o edifício tal como ele se apresenta, despido de artefactos.

    A nova ala do museu de Serralves adopta o nome de arquitecto português que a projectou, denunciando a relação próxima entre o arquitecto e a instituição. Uma relação de mais de 30 anos já materializada no Museu de Arte Contemporânea de Serralves (1999), na Casa do Cinema Manuel de Oliveira (2019), na Casa dos Jardineiros (em 2021) e na recuperação da Casa de Serralves (em 2021). Ao conjunto de obras junta-se agora a Ala Álvaro Siza, o que faz de Serralves o lugar que reúne o maior número de edifícios da autoria de um dos nomes maiores da arquitectura mundial.

    “Em 2015, Álvaro Siza doou a Serralves uma parte importante do seu arquivo que, desde aí, Serralves tem vindo a tratar e divulgar em múltiplas exposições, publicações e conferências, levando a obra de Siza ao conhecimento de um vasto e diversificado público, dentro e fora de Portugal. Esta cumplicidade, preenchida sobretudo de uma enorme ligação afectiva a este espaço e a este projecto cultural em permanente construção, leva a que a Fundação de Serralves, profundamente agradecida por este percurso conjunto, tenha decidido dar a este novo edifício o nome de Ala Álvaro Siza”, lê-se num dos vários suportes que contam a história da nova Ala, divulgados por Serralves e que ajudam a perceber esta ligação.

    A preservação das espécies vegetais protegidas obriga o corpo construído a contorcer-se. Poder-se-á dizer que a plantação das árvores desenha a nova ala e contribui à definição dos espaços interiores por paredes, a um tempo ortogonais e cumpridoras dos ângulos a que o exterior se obriga” (Álvaro Siza)

    Uma ode à natureza e à beleza

    O arquitecto projectou o novo edifício para se integrar “completamente” na natureza, ou não tivesse ele sido implantado numa área do parque classificada. As suas linhas rectas acomodam-se ao terreno, fundindo-se com o espaço e abraçando as espécies vegetais protegidas. A descrição feita pelo próprio arquitecto é, todavia, mais prosaica: “A preservação das espécies vegetais protegidas obriga o corpo construído a contorcer-se. Poder-se-á dizer que a plantação das árvores desenha a nova ala e contribui à definição dos espaços interiores por paredes, a um tempo ortogonais e cumpridoras dos ângulos a que o exterior se obriga”, explicou Álvaro Siza na cerimónia de inauguração do novo edifício.

    Uma ponte liga-o ao Museu, acrescentando-lhe área, de exposição do acervo e de reserva. A Ala Álvaro Siza é constituída por três pisos (um piso de arquivos e dois pisos de exposição), e vem acrescentar 44% de área expositiva e 75% da área de reservas.

    Construído em tempo recorde, 18 meses, o novo edifício tem uma volumetria enquadrada no arvoredo envolvente e uma cércea inferior à do Museu, estando a este ligado por uma galeria elevada, não obstruindo a via existente entre os dois edifícios.

    “De algum modo a convergência encontrada reconciliou-me com a minha existência em ser ainda arquitecto e não dispensar a procura da beleza, plenitude e não ameaça à funcionalidade e à viabilidade como às vezes se ouve dizer.  A beleza é a razão de ser da arquitectura e o primeiro serviço a prestar pelo arquitecto”, lembrou o arquitecto.

    Um dos elementos mais identificadores do projecto é a sua janela em forma de triângulo invertido, a partir do qual se observa o jardim. “Localizada na fachada do novo edifício, imediatamente oposta à ponte que liga com o actual Museu, observa-se uma janela especial, de formato triangular, como que chamando a atenção para o facto de estarmos a entrar num edifício diferente, permitindo uma vista panorâmica para o jardim”, descreve Álvaro Siza.

    De algum modo, a convergência encontrada reconciliou-me com a minha existência em ser ainda arquitecto e não dispensar a procura da beleza, plenitude e não ameaça à funcionalidade e à viabilidade, como às vezes se ouve dizer.  A beleza é a razão de ser da arquitectura e o primeiro serviço a prestar pelo arquitecto” (Álvaro Siza)

    Um espaço também ele dedicado à Arquitectura

    Créditos: Filipe Braga

    A nova Ala irá abrigar as colecções que fazem parte do acervo de Serralves, que compreende mais de 4.500 obras de arte e arquivos de arquitectura, como os do arquitecto Álvaro Siza, que estarão expostas em permanência, “mas de forma dinâmica”.

    “No ano em que o museu abriu ao publico Serralves teve 80 mil visitantes. Este ano devera receber mais de um milhão e cem mil pessoas.  O museu merecia mais.  Merecia ultrapassar as limitações do seu espaço físico, que condicionavam o seu crescimento e capacidade de difusão artística. Este foi um projecto de grande complexidade também por se inscrever numa área que é monumento nacional e tudo fizemos para garantir a protecção das espécies vegetais classificadas que o rodeiam.  Decidimos, no entanto, abrir o novo edifício sem colocarmos nenhuma exposição durante um período inicial para que desta forma o público possa admirar este magnifico projecto de arquitectura na sua plenitude”, Ana Pinho presidente da Fundação Serralves.

    Assim, “neste novo edifício serão apresentadas exposições dedicadas à Colecção de Serralves que estará assim exposta em permanência, mas de forma dinâmica, e à Arquitectura, um dos eixos estratégicos da missão de Serralves”.

    Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

    Manuela Sousa Guerreiro

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    Casa da Arquitectura celebra aniversário com actividades gratuitas

    Casa da Arquitectura celebra sexto aniversário com diversas actividades nos dias 17, 18 e 19 de Novembro, entre visitas guiadas e inclusivas, debates, instalações, oficinas, quiz, workshops, conferências, entre outras

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    A Casa da Arquitectura, no Quarteirão da Real Vinícola, em Matosinhos, celebra este mês de Novembro o seu sexto aniversário. Neste sentido, irão realizar nos dias 17, 18 e 19 de Novembro, haverá visitas guiadas e inclusivas, debates, instalações, oficinas, quiz, workshops, conferências e muito mais. A entrada é livre em todos os eventos.  

    A “Arquitetura em Contexto de Emergência”, uma iniciativa que conta com o apoio do Ministério do Ambiente e da Acção Climática, reúne na sexta-feira dia 17, no Espaço Álvaro Siza, Lígia Nunes, fundadora dos Arquitectos sem Fronteiras – Portugal, Maria Neto, vencedora do Prémio Távora 2015/16 e Pedro Gadanho, arquitecto e autor do livro “Climax Change – How Architecture must transform in the age of ecological emergency”.

    Já no Espaço Luís Ferreira Alves, estará patente uma instalação-vídeo que aborda os desafios que se colocam na actualidade à arquitectura e que respostas é possível dar num mundo em turbulência. 

    No Sábado, dia 18 de Novembro, festejam-se a partir das 15h30, no Espaço Álvaro Siza, os seis anos de vida da Casa com a atribuição do título de Associados Honorários a duas figuras primordiais no panorama da arquitectura contemporânea: os arquitectos Kenneth Frampton e Jean-Louis Cohen, este último recentemente falecido e a quem será dedicado um especial tributo pelo arquitecto Joaquim Moreno.  

    De seguida, integrada no Programa Paralelo das exposições de Paulo Mendes da Rocha patentes, caberá a Kenneth Frampton dar uma conferência sobre o arquitecto e Pritzker brasileiro, intitulada “Mendes da Rocha: Territorial Architect 1958-2008”. A conferência será proferida em inglês, com tradução simultânea.  

    No domingo, dia 19, a partir das 15h30, o Espaço Álvaro Siza recebe a apresentação do projecto “50 anos de Arquitectura Portuguesa em Democracia” que conta com as participações de Nuno Sampaio, João Belo Rodeia, Graça Correia, Jorge Figueira, Carlos Machado e Moura, Paula Melâneo, Ana Neiva, Atelier do Corvo, Ana Resende e João Castro. O projecto está na base da exposição “O Que Faz Falta”, dedicada aos 50 anos de arquitectura em democracia que abre para o ano na Casa da Arquitectura.  

    No âmbito de uma parceria com o Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery, também este equipamento estará aberto, no Sábado, à visita sob a orientação do arquitecto Alexandre Alves Costa.

     A Casa da Arquitectura preparou, ainda, actividades a pensar nas crianças e famílias que, ao longo dos três dias, poderão visitar a instalação metálica da Catari, que estará montada no Pavilhão Central, assim como oficinas promovidas pelos ateliers de arquitectura Pablo Pita Arquitectos, Atelier Murmuro, Masslab e Diogo Aguiar Studio e pela cenógrafa Patrícia Pescada, este último também no âmbito da parceria com o Constantino Nery. 

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    Luís Rebelo de Andrade

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    Luís Rebelo de Andrade recebe Prémio Rafael Manzano 2023

    O prémio será entregue no âmbito do IV Congresso Internacional de Construção, Arquitectura e Urbanismo Tradicionais, no próximo dia 16 de Novembro, em Cascais, no Palácio da Cidadela, a partir das 18h30

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    No âmbito do IV Congresso Internacional de Construção, Arquitectura e Urbanismo Tradicionais, o Prémio Rafael Manzano 2023 vai ser entregue a Luís Rebelo de Andrade no próximo dia 16 de Novembro, em Cascais, numa cerimónia que decorre no Palácio da Cidadela em Cascais, a partir das 18h30.

    O IV Congresso Internacional de Construção, Arquitectura e Urbanismo Tradicionais prevê, ainda, um conjunto de conferências com a participação de diversos arquitectos portugueses. A começar, no dia 16, estão previstas três conferências em Porto Brandão, na Rua Bento de Jesus Caraça, 43 e, no dia 17, o Congresso prossegue com mais conferências na sede nacional da Ordem dos Arquitectos, em Lisboa, entre as 9h30 e as 13 horas. A conferência de Luís Rebelo de Andrade, “Lugar e Identidade” encerra os trabalhos.

    O Prémio distingue o percurso profissional do arquitecto, no seu contributo para a continuidade da tradição arquitectónica, tanto em obras de reabilitação do património arquitectónico e urbano como em obras novas, que sendo baseadas nas tradições locais, sejam capazes de integrar-se harmoniosamente nos respetivos conjuntos.

    O Prémio é convocado pela Fundação Culturas Construtivas Tradicionais, com o apoio da International Network for Traditional Building, Architecture and Urbanism (INTBAU), Kalam, Fundação Serra Henriques e Real Academia de Bellas Artes de San Fernando e conta com o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República de Portugal.

    Atribuído pela primeira vez em Outubro de 2012, em Espanha, o Prémio Rafael Manzano de Nova Arquitetura Tradicional foi, em 2017, ampliado a Portugal com o apoio da Ordem dos Arquitectos. Entre os arquitectos portugueses, foram anteriormente distinguidos, em 2017, José Baganha, e em 2019, António Maria Braga e Alberto Castro Nunes.

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    Terminal Intermodal de Campanhã ganha 9ª edição do Prémio Enor

    Júri destacou o projecto como uma “infraestrutura que aborda a complexidade morfológica em que se insere, apresentando-se como um primeiro passo para aproximar as partes dispersas”

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    Num concurso com mais de 300 projectos submetidos, foram destacadas sete obras portuguesas para a final, entre as quais o Terminal Intermodal de Campanhã (TIC). O projecto, da Brandão Costa Arquitectos, foi considerado a melhor arquitectura de Portugal e venceu o Grande Prémio Enor 2023.

    O júri, constituído pelos arquitetos Inês Lobo, Carlos A. Pita Abad, Francisco Vieira de Campos, Anatxu Zabalbeascoa e Carlos Quintans, viu o TIC como “um projecto de infraestrutura que aborda a complexidade morfológica em que se insere, apresentando-se como um primeiro passo para aproximar as partes dispersas”.

    Inaugurado em Julho de 2022, o Terminal Intermodal de Campanhã nasceu para melhorar a mobilidade de quem visita e de quem reside na cidade do Porto. Até ao momento, passaram pelo terminal mais de sete milhões de pessoas.

    Recorde-se que este projecto já tinha sido distinguido, em 2021, pela Associação Internacional de Críticos de Arte, como “um dos mais relevantes projectos públicos em curso no Porto”. Já este ano, o terminal conquistou os prémios “Melhor Empreendimento Imobiliário – Espaços Públicos” e “Prémio Imobiliário – Projeto de Impacto Económico, Social e Ambiental”, pelo Salão Imobiliário de Portugal e a SIC/Expresso, respectivamente.

    Esta foi a nona edição do Prémio de Arquitectura Ascensores Enor e tem na “inovação” um dos seus valores centrais. Várias décadas depois, a Enor continua a ser uma das empresas de referência no sector das acessibilidades e da mobilidade sustentável que, de forma permanente, desde 2005, segue com a aposta neste Prémio que reconhece, divulga e promove a melhor arquitectura desenvolvida na Península Ibérica.

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    ‘Arquitectura e Metaverso’ em masterclass na Roca Lisboa Gallery

    A masterclass, dia 15 de Novembro, às 18h30, conta com o arquitecto Leonardo Marchesi. Neste evento será possível embarcar numa “viagem visionária” que explora a transição do design arquitectónico convencional para o metaverso

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    O Roca Lisboa Gallery vai receber, a 15 de Novembro, a masterclass Arquitectura e Metaverso, com o arquitecto Leonardo Marchesi. Neste evento “transformador”, será possível embarcar numa “viagem visionária” que explora a transição do design arquitectónico convencional para o reino de vanguarda do metaverso.

    “À medida que a paisagem digital revoluciona a forma como interagimos com espaços e experiências, mergulhamos na fusão de criatividade, tecnologia e inovação, moldando o futuro da evolução arquitectónica”, indica a Roca em comunicado.

    O encontro pretende, ainda, “desbloquear o potencial ilimitado na combinação entre aquilo que conhecemos como tradicional com as possibilidades ilimitadas do metaverso, capacitando os arquitectos a projectar mundos imersivos e interconectados como nunca foi feito”

    Este é um evento presencial, de entrada livre, mas requer inscrição obrigatória uma vez que os lugares são limitados.

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    Siza Talks 2023 regressam a Serralves

    A 5ª edição do “The Álvaro Siza Talks” regressa este ano com o tema “Conversas e Intercâmbios”, no Auditório de Serralves, de 8 a 10 de Novembro

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    A 5ª edição do “The Álvaro Siza Talks” regressa este ano com o tema “Conversas e Intercâmbios”, no Auditório de Serralves, de 8 a 10 de Novembro. O colóquio internacional que reúne alguns dos mais conceituados arquitectos nacionais e estrangeiros, bem como académicos e estudantes para a discussão de temas relevantes para a arquitectura contemporânea, enquanto celebra o espírito da obra de Álvaro Siza.

    O tema proposto pretende reflectir sobre o quanto as viagens, os períodos de estudo no estrangeiro e o trabalho em países e culturas diferentes dos seus locais de origem, transformaram e enriqueceram a prática da arquitectura através de diferentes formas de intercâmbio. A arquitectura, na verdade, é o resultado de uma série de transplantes e enxertos sucessivos que alimentam uma forma específica de conversação entre diferentes culturas e lugares.

    Este intercâmbio sempre se verificou, mas alargou-se e acelerou-se nas últimas décadas. Devido a este processo de difusão e aceleração sem precedentes, talvez não tenha sido dada a devida atenção a esta questão. Destacar o valor deste intercâmbio – e das diferentes formas de mestiçagem que dele resultam – na formação e no trabalho dos arquitetos contemporâneos será um dos objetivos deste evento.

    Os arquitectos que participam na edição deste ano das Siza Talks representam, de diferentes maneiras, todas as formas possíveis destes intercâmbios, quer através da sua formação, do seu trabalho ou do seu ensino, tendo frequentemente atravessado as fronteiras físicas e conceptuais do vasto território da arquitectura.

    A abertura estará a cargo de Yvonne Farrell e Shelley Mcnamara (Grafton Architects, Pritzker Prize 2020), e os outros oradores serão Ahmadreza Schricker, Francesca Torzo, João Pedro Serôdio, Stéphanie Bru e Emanuel Christ.

    Para além de Álvaro Siza, o comité científico das “The Álvaro Siza Talks” é composto por Eduardo Souto de Moura, Farrokh Derakhshani, director do Prémio Aga Khan de Arquitectura, Philippe Vergne, director do Museu de Arte Contemporânea de Serralves e Carles Muro,curador das The Álvaro Siza Talks.

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    Cortiça no centro da Revolução Sustentável da Arquitectura Portuguesa

    A Corticeira Amorim associa-se à exposição “Generation Proxima: Emerging Environmental Practices in Portuguese Architecture”, em exibição até 23 de Março de 2024 no Center for Architecture em Nova Iorque e que tem a curadoria do arquitecto Pedro Gadanho. Sete ateliers participam na mostra

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    A primeira grande exposição de arquitectura na cidade desde 2019 é, simultaneamente, uma montra de destaque para a arquitectura portuguesa, promovida pela secção nova-iorquina do American Institute of Architects (AIA) e onde participam sete ateliers portugueses.

    Nesta exposição internacional, a cortiça desempenha um papel vital, destacando-se como um material de excelência em termos de performance e sustentabilidade. A sua presença na exposição não é apenas decorativa: underlays e aglomerados da Amorim Cork Composites, bem como aglomerados de cortiça expandida da Amorim Cork Insulation, foram utilizados em várias aplicações, desde a construção de maquetes a elementos de design que revestem partes das paredes das galerias.

    Os sete ateliers portugueses que participam nesta exposição são: Artéria, Coletivo Warehouse, Gorvell, Nuno Pimenta, Oficina de Arquitectura Pedrez, OODA e Ponto Atelier. Estes ateliers estão não só a aplicar os recursos de forma ambientalmente consciente, mas também a promover o avanço da investigação no domínio da construção sustentável. Como o curador da exposição, e arquitecto, Pedro Gadanho indica, o evento foca “no potencial de uma ‘viragem ambiental’ no contexto da arquitectura portuguesa mundialmente reconhecida”, sublinhando a urgência de “metas de descarbonização, equilíbrio ecológico, aumento da biodiversidade e menor uso de recursos”.

    Jesse Lazar, Diretor Executivo do AIANY e do Center for Architecture, complementa: “Arquitectos devem ser pioneiros numa mudança de paradigma para combater a crise ecológica, não perpetuá-la. O Center for Architecture está entusiasmado por apresentar uma exposição que defende um artesanato sensível ao contexto e design inovador”, afirma.
    Assim, este apoio não só potencia a visibilidade da arquitectura portuguesa a nível global, como também reforça a importância da cortiça e da Corticeira Amorim na vanguarda da construção sustentável e do design inovador. É uma parceria que celebra o melhor do design e da arquitectura portuguesa, ao mesmo tempo que sublinha o compromisso contínuo com a sustentabilidade, um valor que é mais crucial do que nunca nos desafios ambientais que enfrentamos actualmente.

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    Trienal de Lisboa marca presença na Bienal Mugak

    A convite da plataforma Rhizoma, a Trienal viaja até San Sebastian para participar na quarta Bienal de Arquitectura do País Basco, que durante o mês de Novembro de 2023, acolhe conferências, debates, instalações e workshops

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    A convite da plataforma Rhizoma, a Trienal viaja até San Sebastian para participar na quarta Bienal de Arquitectura do País Basco, que durante o mês de Novembro de 2023, acolhe conferências, debates, instalações e workshops, no museu do escultor Eduardo Chillida em Leku.

    Este ciclo parte do conceito de Baserri, o modelo de quinta basca da qual o museu é exemplo, para pensar novos modos de habitar o meio rural que recuperem a relação quebrada pela industrialização entre esta unidade elementar que estrutura a paisagem com a terra e o solo.

    José Mateus, presidente da Trienal, abre a conferência e debate esta sexta-feira, dia 3 de Novembro, em conjunto com Roger Boltshauser, docente da ETH Zurique e fundador do atelier Boltshauser Architekten. O mote desta sessão é o termo basco para terra, Lurra, que define o planeta que contém vida, mas também se refere à superfície que contém essa vida.

    O ciclo Rhizoma, comissariado por Victoria Collar, Jon Garbizu, Gonzalo Peña e Diego Sologuren (autor do desenho expositivo de Cuidar: Contos do Invisível), reúne outras figuras que marcaram presença nas edições da Trienal ao longo dos anos: o curador Sébastien Marot, a artista Lara Almarcegui e Cristina Gamboa, do colectivo Lacol.

    Organizada pelo Governo Basco, em 2023 a Bienal Mugak centra-se nos temas Reconstruir, Re-habitar e Repensar para abrir um espaço onde repensar o papel da arquitectura, a sua responsabilidade, capacidade de transformação e áreas de acção espacial, económica, política e social.

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    Trienal lança Open call ‘Portas de Lisboa e Budapeste’

    Open call tem como objectivo criar uma exposição pop-up a partir de fotografias e textos ligando a Baixa Chiado à Inner City District, em Budapeste, cidade originária do KÉK – Centro Húngaro de Arquitectura Contemporânea. As candidaturas estão abertas até 10 de Novembro

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    Portas, fechaduras, chaves e as histórias reais ou ficcionadas sobre a vida escondida por trás, são o mote do open call que tem como objectivo criar uma exposição pop-up a partir de fotografias e textos ligando a Baixa Chiado, em Lisboa, à Inner City District de Budapeste, cidade originária do KÉK – Centro Húngaro de Arquitectura Contemporânea. As candidaturas estão abertas até 10 de Novembro.

    A exposição estará patente nos dias 23, 24 e 25 de Novembro de 2023, no Palácio Sinel de Cordes, com vista sobre o Panteão, durante o KÉK Takeover. A iniciativa explora o tema do turismo sustentável focando-se na vida dos bairros históricos que circundam a sede da Trienal – Alfama, Costa do Castelo e São Vicente – no centro da reflexão.

    KÉK Takeover responde com um programa participativo que combina passeios urbanos, workshop, serão de cinema, noite de intercâmbio gastronómico e uma nova cartografia deste território criada por ateliers ou profissionais de arquitectura lisboetas, cujo programa completo estará em breve disponível no site da Trienal de Lisboa.

    Com entrada livre, este evento faz parte da plataforma europeia LINA, financiada pela Europa Criativa e a partir do projecto de cooperação liderado pela Trienal de Lisboa.

    O Centro Húngaro de Arquitectura Contemporânea é uma instituição independente que partilha muitos objectivos em comum com a Trienal de Lisboa. O seu programa diversificado de exposições, festivais e workshops combina uma participação alargada, uma análise complexa e conteúdos inovadores centrados no ambiente construído e na sua relação com as comunidades.

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    “Os arquitectos que se habituem porque vão ter de aprender a trabalhar com outros materiais e com outras soluções, que não o betão e o tijolo”

    A arquitectura vive de mudanças e impõem mudanças, mas nunca como hoje esta assunção foi tão verdadeira. A discussão sobre a maior utilização da madeira na construção e as mudanças que ela origina deu-nos o pretexto perfeito para falar com o arquitecto Luís Rebelo de Andrade e rever parte da sua obra onde a madeira é a grande protagonista. Mas mais do que o passado falámos do futuro, do papel e das responsabilidades da profissão, da pesquisa e utilização de novos materiais, às vezes “com carácter experimental”, confessa

    (Esta entrevista foi originalmente publicada no suplemento de Arquitectura TRAÇO, de Setembro)

    De onde lhe vem esta reverência à utilização da madeira nos seus projectos?
    Hoje fala-se muito da sustentabilidade e de facto a madeira é dos materiais renováveis mais interessantes e importantes. Portugal sempre teve um certo estigma na utilização da madeira face às amplitudes térmicas e à sua manutenção. Embora eu ache que isso se deve muitas vezes, não com a utilização da madeira, mas com a utilização errada da madeira. E, portanto, desde cedo que comecei a investir no conhecimento da construção em madeira. Realizámos Pedras Salgadas, com as eco houses e as snake houses. Usámos muita criptoméria também num projecto que fizemos em Longroiva. Temos algum trabalho feito nesta matéria.
    Entretanto, aqui há uns seis anos realizámos uma casa que surge, por uma série de circunstâncias, designadamente de análise do projecto, do programa, do sítio e do local, como, se não o primeiro, seguramente um dos primeiros projectos em Portugal em CLT.

    Está a falar do projecto da “Casa 3000”?
    A “Casa 3000”, que é um projecto fruto das circunstâncias. Havia pouca disponibilidade de pessoas para trabalhar na construção, a casa era completamente deslocada de qualquer centro urbano, tinha problemas de abastecimento de energia e água, o ponto de energia mais próximo estava a uma distância de 2 km, e este conjunto de circunstâncias levou-nos a fazer uma casa 100% auto-suficiente. Ou quase porque, obviamente, que não existem casas 100% auto-suficiente, haverá sempre um pequeno gerador para os dias, como se costuma dizer, para os dias de festa. E decidimos construir em CLT.

    Essa foi uma decisão fácil?
    Eu desde sempre defendi esta tecnologia e o tempo tem vindo a dar-me razão. Na altura era uma tecnologia pouco conhecida em Portugal e se eu falasse com um engenheiro de estruturas, parecia que lhe estava a tirar o pão da boca, porque ele não sabia fazer os cálculos. Se estivesse a falar com um empreiteiro este desvaloriza por completamente a solução, porque fazia comparações demasiadamente simples relativamente aos custos. Ou seja, se tiver de comparar exclusivamente o custo do CLT com outra mais tradicional até pode ser uma construção que é mais cara. Mas esta não é a verdadeira questão.

    A responsabilidade da arquitectura

    E qual é?
    A construção em CLT permite várias coisas. Desde logo fazer uma construção em seco, reduzindo brutalmente o número de operações dentro de uma obra. Os painéis vêm cortados e tudo é milimétrico. É uma montagem rigorosa e muito eficaz, com um número muito reduzido de pessoas em obra. É preciso reconhecer que Portugal tem hoje em várias áreas, e não só na construção, um grave problema com a contratação de pessoal especializado.
    O CLT é uma tecnologia que é a favor dos novos tempos, no sentido em que permite aumentar substancialmente os volumes de pré-fabricação numa obra, permite controlar melhor os custos e obter melhores resultados em termos de custo final da obra e em termos de prazo de execução. Traz uma série de vantagens adicionais. Por exemplo, muitas vezes fala-se do perigo do fogo, ora também nesse aspecto o CLT é uma vantagem porque sendo madeira laminada, cruzada e colada é uma madeira que não arde, ela carboniza, reduzindo substancialmente o risco de incêndio. Aumenta substancialmente a segurança a sísmica do edifício, porque é um material que, como sabemos, bastante flexível e tem uma resistência melhor. Ao nível do conforto a madeira melhora o conforto acústico e térmico. Eu tenho defendido que a construção em Portugal vai seguir o caminho da pré-fabricação, é inevitável. E se os portugueses não perceberem isso agora, vão perceber daqui a uns tempos, quando acabar a guerra na Ucrânia e esta iniciar a sua reconstrução. Aí iremos assistir a um êxodo de trabalhadores e de empresas de construção.

    Mas não sente que as coisas estão a evoluir para uma maior utilização do CLT e da pré-fabricação na construção, no geral?
    Sem dúvida. Hoje as empresas começam de facto a aperceber-se das vantagens, a estudar e a envolverem-se no processo. Estão a formar-se uma série de engenheiros com conhecimento do cálculo, que é fundamental, já que a construção em madeira, como sabemos, não permite grandes coeficientes de cagaço. Eu estou completamente convencido que o caminho vai no sentido da pré-fabricação, seja pré-fabricação com CLT ou seja pré-fabricação com outras tecnologias, que há mais de 100 tecnologias diferentes no mundo quando falamos de pré-fabricação. Este é o caminho que a construção em Portugal vai seguir e os arquitectos que se habituem porque vão ter de aprender a trabalhar com outros materiais e com outras soluções que não o betão e o tijolo.

    A formação é uma preocupação no seu atelier?
    Claro que é! Nós temos esta preocupação há muito tempo. A sustentabilidade não pode ser uma palavra vã… um cliché. A sustentabilidade é algo que é muito real. E é fundamental que nós, enquanto arquitectos, percebamos que temos uma responsabilidade nesta matéria. O que é uma pena é que assistimos a um autismo muito grande por parte dos nossos governantes relativamente aos problemas da arquitectura e não ouvimos a nossa Ordem a intervir nos momentos dos grandes fogos ou das grandes cheias, nos momentos que, no fundo, são resultado o resultado do mau planeamento e do mau urbanismo. Vamos ter, sem dúvida, que caminhar no sentido da pré-fabricação, esta é uma questão que para mim não traz qualquer tipo de dúvida. Inclusive, estamos a desenvolver uma série de projectos nesta área, o que nos obriga a trabalhar no nosso atelier nuns moldes diferentes do que se trabalhava aqui há uns anos. Hoje todo o atelier está a trabalhar em BIM e procurámos equipas de engenharia que nos acompanhem nessa forma de trabalhar, porque o projecto tem que de ter um grande rigor. Mas para isso é necessário que os empresários na área imobiliária sejam capazes de pagar aos arquitectos aquilo que lhes é devido para conseguirem desenvolver bons projectos. Não vamos a concursos públicos pura e simplesmente e salvo raríssimas excepções porque são escandalosamente mal pagos e depois as equipas que ganham são equipas mal preparadas, com projectos que estão mal elaborados e carregados de indefinições, o que origina os grandes desvios nas obras e nos valores finais de investimento. Não há milagres. A única forma de reduzir os valores da construção é seguir o caminho da pré-fabricação, não é exigir aos arquitectos que estão no princípio da cadeia que façam “baratinho”, porque esse “baratinho” depois sai caro.

    O regresso ao CLT

    Nos vários projectos que tem em curso volta a utilizar o CLT em algum deles?
    Neste momento estamos numa face em que ainda é difícil convencer os nossos clientes, os nossos promotores que CLT é uma boa solução, mas estamos convencidos ao longo dos próximos dois a três anos já vamos ter uns milhares largos de metros quadrados construídos nesta tecnologia. Não tenho dúvidas, estamos a preparar vários projectos nesse sentido

    Começou com a “Casa 3000”. Mudaria alguma coisa do que fez nesta que foi a sua primeira experiência com o CLT?
    Não mudaria nada. É um projecto do qual nos orgulhamos muito no ateliê, como todos os projectos que fazemos. Não olhamos para trás, olhamos para o projecto a seguir. A nossa paixão é o projecto que temos a seguir, os outros ficam na história. Tentamos fazer todos os projectos com a mão direita, mas há alguns projectos que nos saem com a mão esquerda, mas mesmos nesses tenho tido a sorte de poder vir a emendar. Temos uma grande preocupação em olhar para trás e não nos envergonharmos daquilo que colocamos na paisagem. Eu costumo dizer que nós, arquitectos, somos os Guardiões da Paisagem. Não temos um cliente, temos vários clientes. Somos chamados pelo cliente que nos paga, somos controlados por uma câmara que nos fiscaliza, muitas vezes mal, e mal por ignorância dos próprios técnicos que têm medo de avaliar um projecto e de apoiar bons projectos por ignorância, e depois temos um outro cliente que é um cliente invisível que é toda aquelas pessoas que têm de viver com aquilo que fazemos e construímos na paisagem. E por isso para mim os grandes prémios são as pessoas que me abordam na rua para agradecer porque o bairro tem outro cheiro [a propósito do projecto Casa das Fragâncias, na rua do Patrocínio] ou nas Pedras Salgadas por conseguimos devolver vida àquela localidade. Esses são para nós os grandes prémios, os que fazem da nossa profissão uma Profissão Grande.

    A utilização do CLT ou da madeira, numa forma genérica, muda a forma como faz arquitectura?
    A madeira passou a ser uma matéria-prima e é com ela que vamos trabalhar e que não nos impõe limites à criatividade. Não nos sentimos limitados com o facto de estarmos a desenhar com base numa matéria-prima que parece muito rígida. Faz parte da análise, faz parte do processo. Em todos os projectos que trabalhamos têm um racional muito grande por trás. Nada acontece por acaso. Na Casa 3000, que pode parecer uma brincadeira, nada daquilo que ali está aconteceu por acaso. Eu tenho uma grande desconfiança hoje nos projectos de engenharia porque os engenheiros fazem o by the book, e não olham para o ADN das coisas, como nós arquitectos olhamos. E quando se tratou de uma casa totalmente em CLT e uma casa totalmente auto-suficiente, a minha primeira preocupação foi falar com Universidade de Aveiro para nos monitorizar e fiscalizar todos os projectos da especialidade, para garantir que aquilo que estava a ser projectado realmente estava certo e funcionava. E nós recorremos muito a esse apoio das universidades para garantir que o que fazemos está bem feito.
    Hoje fala-se de sustentabilidade, mas depois vemos edifícios de vidro a surgir. Fui outro dia a Aveiro e fiquei estupefacto porque a nova arquitectura em Aveiro é toda ela preta…

    Fala-se de sustentabilidade, mas não se constrói sustentável?
    Privilegia-se o bonito, mas na sequência de um projecto o bonito não pode ser a primeira preocupação. Antes do bonito têm que acontecer uma série de coisas primeiro, para que as coisas sejam boas e quando as coisas são boas as coisas tornam-se bonitas. Mas estamos a estudar outros processos de construção pré-fabricada porque há situações em que o CLT pode não ser a resposta. Estamos a investigar novos processos e novas formas de construir porque o mundo está a mudar e não se pode desperdiçar a matéria-prima da forma como nos últimos 60 anos o fizemos. O mundo tem de ser capaz de construir melhor.

    A busca por novos materiais

    A utilização da madeira é uma constante no seu trabalho?
    Gosto muito da madeira. A madeira, o ferro e a pedra são os grandes materiais de construção. A madeira agrada-me, sobretudo, por ser um material reciclável. Eu planto hoje uma árvore e daqui a dez anos com ela construo uma casa. A madeira faz todo o sentido. Obviamente, que não pode ser qualquer madeira, estas têm características totalmente diferentes e a escolha tem de ser feita com critério.
    Confesso que temos feito alguns projectos muito com carácter experimental, tínhamos pouco obra feita com madeira e houve muito experimentalismo. Usámos muito criptoméria que vem dos Açores e é uma madeira fantástica para construção, usa-se muito no Japão. Mas neste momento estamos a estudar muito seriamente o CLB.

    Em que consiste o CLB?
    No CLB é utilizada exactamente a mesma tecnologia que no CLT, mas com bambu. O bambu tem um ritmo de crescimento muito acelerado e pode ser uma solução muito interessante. Em Moçambique e noutros países onde estamos a trabalhar colocamos a hipótese de podermos vir a utilizar CLB na construção. É uma madeira que tem um comportamento extraordinário em termos de longevidade e depois tem a parte da reprodução que é muito interessante.
    Mas estamos a fazer uma coisa que é completamente o contrário do que devia ser feito e que está a acontecer noutros países que têm um ordenamento do território extraordinário, como a Áustria. A cadeia começa na produção florestal, depois passa para a serração e só depois acaba no CLT. Ou seja, aqui estamos ao contrário. Estamos a começar pelo CLT ainda não temos serração e muito menos exploração florestal.
    Já há produção de CLT em Portugal, mas não temos produção florestal que possa apoiar esta indústria, quando ela se tornar de facto uma indústria. E não tenho dúvidas que isso irá acontecer.

    O que está a ser feito para dinamizar a construção de CLB nos países africanos onde estão a trabalhar?
    É um processo que está um embrião. Estamos a fazer uma série de projectos em Moçambique e sabemos que na África do Sul e na Tanzânia já se já se produz muito CLT. O CLB ainda é um projecto em embrião estamos a fazer contactos com especialistas no bambu para aperceber como é que conseguimos transformar o bambu em CLB. Mas é algo que só irá produzir resultados daqui a cinco ou seis anos. Há que percorrer primeiro “o caminho das pedras”…

    Sente-se sozinho nesse percurso em Portugal?
    Defendemos aquilo em que acreditamos. Pensamos pela nossa cabeça, fazendo o nosso curso e os outros têm obrigação de fazer o mesmo. Não me sinto órfão de nada. Tenho uma equipa fabulosa, extraordinária, estamos a preparar o futuro do atelier. Hoje, quem nos vem vender soluções ao atelier, fá-lo a dar uma aula para os nossos arquitectos para que essas conversas depois não se percam no arquivo dos materiais e dos catálogos. Da mesma forma que promovemos debates e palestras no nosso auditório. Não somos uma academia, mas queremos ser um atelier escola.
    O atelier hoje é comandado pelo Tiago, meu filho, e pelo Pedro Barros Silva, meu genro, que são quem comanda aquela banda. Eu estou mais por fora, a apoiá-los que toca à credibilidade, no que toca à defesa de soluções que apresentamos junto dos clientes.

    E eles seguem este seu interesse e paixão por estas novas soluções?

    Estas soluções que defendo são coisas que descobrimos em conjunto no atelier. Eles estão completamente alinhados. Este discurso não e só meu, é o resultado de discussões em torno destes temas que nos inspiram. A inspiração leva à discussão e a discussão leva à inspiração. As primeiras três ou quatro linhas orientadoras da Casa 3000 surgiram de uma conversa que tive com o dono de obra quando visitámos o terreno. A solução surgiu ali, naquele momento, e depois foi ganhando massa critica.

    Isso ainda o surpreende?
    Eu chego a esta idade e realmente acontecem coisas extraordinárias que nunca me tinham acontecido enquanto arquitecto. Uma é chegar a um território que não tinha qualquer referência. É como construir uma casa no deserto, não há nada que nos ajude a começar uma história ou a criar um racional à volta de uma história e a Casa 3000 é muito isso. Assim como a reabilitação da igreja de São José dos Carpinteiros foi um projecto por subtracção. Ao contrário daquilo que a maioria dos clientes nos pedem, que é sempre mais… mais um andar… mais…
    Da mesma forma que hoje volto ao projecto onde trabalho há 30 anos. Enfim, tenho tido a sorte de voltar ao projecto [Six Sense], de o repensar e melhorar. Fruto da maturidade, da idade, da pressão, da densidade houve coisas que percebo que não correram tão bem. Voltar a trabalhar naquele projecto permite-me torná-lo mais sólido.

    Onde vai incidir a intervenção?
    Num dos edifícios do conjunto turístico, ao qual não acho muita graça ou que não correu muito bem. O cliente pôs me à vontade para o demolir e voltar a construir, o que eu nunca farei mas retirar-lhe pisos isso com certeza que vou fazer. Este vai ser mais um projecto por subtracção ou, se quiser, numa discussão de conceito em que que menos pode ser mais. Essa noção de que vale a pena construir menos para construir melhor e ao construir melhorar pode ter-se margens de lucro muito mais eficientes. O Six Sense deve ser o hotel mais rentável e considerado internacionalmente, talvez o melhor hotel em Portugal. Tem cerca de 80 chaves e 250 a 260 colaboradores directos e um grande problema ao nível da contratação de pessoal e querem reduzir a taxa de ocupação. São outras formas de olhar para as coisas. Às vezes fazer muito não significa que se ganhe muito dinheiro, às vezes é preferível fazer menos, com mais qualidade e daí retirar mais resultado financeiro no final da operação.

    Como vê o futuro a médio prazo para a construção em madeira?
    Neste momento já há uma série de promotores despertos para estas soluções e que já estão a investir. Veja por exemplo a Vanguard que adquiriu uma fábrica para construir em madeira, para os seus projectos na Comporta ou a dst. Há várias empresas no mercado que estão neste momento a considerar muito seriamente a montagem de fábricas de CLT. Os empreiteiros estão muito interessados em aumentar o nível de pré-fabricação na construção e de controlar essa pré-fabricação. Não tenho dúvidas nenhumas que este é o caminho, seja com a utilização da madeira, seja apostando noutras tecnologias. Para mim a Madeira é sem dúvida nenhuma aquela que numa lógica de sustentabilidade é a mais correcta a que me parece ser o caminho natural.

    Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

    Manuela Sousa Guerreiro

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