Edição digital
Assine já
Construção

Bysteelfs escolhida para “vestir” palco dos jogos olímpicos de Paris

Empresa do Dstgroup ganhou um contrato no valor de 5 M€ para a construção do “envelope arquitectónico” da Arena Porte de la Chapelle, uma fachada com cerca de 10 mil m2 em alumínio, vidro e material compósito

CONSTRUIR
Construção

Bysteelfs escolhida para “vestir” palco dos jogos olímpicos de Paris

Empresa do Dstgroup ganhou um contrato no valor de 5 M€ para a construção do “envelope arquitectónico” da Arena Porte de la Chapelle, uma fachada com cerca de 10 mil m2 em alumínio, vidro e material compósito

CONSTRUIR
Sobre o autor
CONSTRUIR
Artigos relacionados
Concurso para reabilitação do troço Pocinho e Barca d’Alva lançado no primeiro trimestre de 2023
Construção
‘Greater Porto’ une municípios de Matosinhos, Porto e Vila Nova de Gaia
Empresas
“Architecture for well-being” marca programação do Dia Mundial da Arquitectura
Arquitectura
Aquila Capital entrega à MC Sonae primeiro edifício do parque logístico na Azambuja
Imobiliário
Electrodomésticos AEG incluem filtro que impede a libertação de microplásticos
Empresas
ANI atribui Selo de Reconhecimento de Idoneidade à Carmo Wood
Empresas
“Acho que a abordagem para mitigar a crise climática precisa ser radical”
Arquitectura
Trienal 2022 revela vencedores Prémio Début e ‘Prémio Universidades’
Arquitectura
.PT inaugura “a casa da internet portuguesa”
Empresas
Filme “O Sentido da Arquitectura” marca 8º aniversário da Kronos Homes
Imobiliário

A bysteelfs, empresa do dstgroup, ganhou um contrato no valor de cinco milhões de euros para a construção do envelope arquitectónico da Arena Porte de la Chapelle. Esta arena servirá de palco para as provas de badminton e ginástica dos Jogos Olímpicos 2024 e para as provas de badminton e halterofilismo dos Jogos Paralímpicos 2024, provas que se realizam em Paris, França.

O contrato assinado com a Bouygues insere-se numa operação de 136 milhões de euros promovida pelo concelho parisiense. A arquitectura concebida em conjunto pelos gabinetes SCAU e NP2F prescreve uma fachada com cerca de 10 mil metros quadrados (m2) em alumínio, vidro e material compósito, cujo design e execução é da responsabilidade da bysteelfs e será construída em cinco meses. A obra estará pronta no Verão de 2023.

No total, a infraestrutura de 26 mil m2 contará com uma sala com capacidade para 8 mil pessoas, dois ginásios para os habitantes das comunidades mais próximas e uma zona de lazer e comércio com 2600 m2. No exterior vão ser criados 3 mil metros quadrados de zonas verdes, 6 mil m2 de jardins em coberturas e uma zona com vista panorâmica sobre a cidade.

A redução do impacto ambiental foi um desafio da maior importância tanto na fase de projeto como na gestão desta obra. Mais de 95% das 944 toneladas de resíduos produzidos na construção serão revalorizados e 45% do betão utilizado é de baixo carbono, evitando assim a emissão de 1.300 toneladas de CO2. Por outro lado, parte dos muros não portantes serão construídos com blocos de terra e as 8 mil cadeiras para espectadores serão feitas a partir de 70 toneladas de resíduos plásticos recolhidos nos quarteirões mais próximos.

“Participar numa obra com este nível de preocupação ambiental é muito importante para nós porque é uma oportunidade para confirmarmos a mudança de paradigma no setor da construção. Cada vez se investe mais e melhor em inovação, na procura de soluções mais eficientes e sustentáveis. É neste futuro mais ecológico que a bysteel e a bysteelfs se colocam” comenta Rodrigo Araújo, CEO da bysteel.

Depois dos Jogos Olímpicos 2024, a Arena Porte de la Chapelle será a residência do Paris Basketball, o maior clube de basquetebol da capital francesa, e funcionará também como o hub cultural do Norte da cidade servindo para palco de grandes espectáculos.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Artigos relacionados
Concurso para reabilitação do troço Pocinho e Barca d’Alva lançado no primeiro trimestre de 2023
Construção
‘Greater Porto’ une municípios de Matosinhos, Porto e Vila Nova de Gaia
Empresas
“Architecture for well-being” marca programação do Dia Mundial da Arquitectura
Arquitectura
Aquila Capital entrega à MC Sonae primeiro edifício do parque logístico na Azambuja
Imobiliário
Electrodomésticos AEG incluem filtro que impede a libertação de microplásticos
Empresas
ANI atribui Selo de Reconhecimento de Idoneidade à Carmo Wood
Empresas
“Acho que a abordagem para mitigar a crise climática precisa ser radical”
Arquitectura
Trienal 2022 revela vencedores Prémio Début e ‘Prémio Universidades’
Arquitectura
.PT inaugura “a casa da internet portuguesa”
Empresas
Filme “O Sentido da Arquitectura” marca 8º aniversário da Kronos Homes
Imobiliário
Construção

Concurso para reabilitação do troço Pocinho e Barca d’Alva lançado no primeiro trimestre de 2023

Estudo indica que benefícios totais são de 84,2 M€ e que a reabertura do troço irá gerar importantes impactos no sector do turismo, nomeadamente, hotelaria, restauração e transportes

O concurso público para o projecto de reactivação da Linha do Douro, entre o Pocinho e Barca d’Alva, será lançado no primeiro trimestre de 2023. O anuncio foi esta segunda-feira, dia 3 de Outubro, por Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação, que falava em Freixo de Espada à Cinta, após a apresentação dos estudos de viabilidade económica, técnica e ambiental da reactivação de 28 quilómetros do troço entre Pocinho e Barca d’Alva da Linha Ferroviária do Douro, nos quais se conclui a viabilidade de projecto. No evento esteve também a Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa.
“Vamos até ao fim e vamos explorar até ao fim o potencial desta grande região, das mais bonitas do mundo, explorar e aproveitar sempre com grande respeito ambiental este nosso diamante e com isso beneficiar toda a nossa população», disse o Ministro.
O Ministro disse também que “os estudos de viabilidade, os estudos prévios são o primeiro passo para podermos avançar para este investimento”.
Ana Abrunhosa afirmou, por sua vez, que o estudo representa um passo importante na reactivação do troço da linha férrea do Douro que liga o Pocinho à Barca d’Alva, referindo, ainda, a viabilidade do projecto não só em termos económicos e financeiros como também técnicos e ambientais.
“Obviamente que temos muitos passos a dar pelo caminho. Tecnicamente pode até ser um caso de estudo. Estes estudos são imprescindíveis para nós termos sustentabilidade para se começar a trabalhar no projecto”, frisou.
O estudo apresentado aponta para uma estimativa global de custos na ordem dos 75 milhões de euros, dos quais 60 milhões de euros serão destinados à obra de reabilitação, 3,5 milhões de euros para projectos e 11,2 milhões de euros para fiscalização e estaleiro.
Revela ainda que os benefícios totais são de 84,2 milhões de euros e que o troço reaberto irá gerar importantes impactos no sector do turismo, nomeadamente, hotelaria, restauração e transportes, permitindo mitigar a tendência de decréscimo da população residente.
Outro aspecto importante é a sua dimensão regional, com impactos económicos nos municípios directamente servidos por este troço, designadamente, Figueira de Castelo Rodrigo, Vila Nova de Foz Côa, Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta, mas que se estendem a todo o território do Douro e a concelhos da região Centro, que totalizam 22 municípios beneficiados.
A reabertura deste troço da Linha do Douro representa ainda uma redução do tempo de viagem em cerca de 30 minutos, quando comparado com a alternativa rodoviária existente.
Recorde-se que a Linha Ferroviária do Douro liga actualmente o Porto ao Pocinho (171,522 quilómetros), tendo sido desactivado, em 1988, troço entre o Pocinho (Vila Nova de Foz Côa) e Barca d’Alva (Figueira de Castelo Rodrigo).
Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Arquitectura

“Architecture for well-being” marca programação do Dia Mundial da Arquitectura

O percurso de Nuno Teotónio Pereira, falecido em 2016, estará em destaque nas comemorações com a inauguração de uma exposição do arquitecto e um debate sobre Associativismo. Também Manuel Graça Dias será lembrado com o lançamento de um prémio

Celebrou-se esta segunda-feira, dia 3 de Outubro o Dia Mundial da Arquitetura. “Architecture for well-being” foi o tema lançado este ano pela União Internacional dos Arquitectos (UIA) e que será o mote da programação um pouco por todo o mundo, que irá contar com diferentes “pontos altos” ao longo do mês de Outubro.

A 6 de Outubro inaugura a exposição “Fui sempre um sócio ativo – Do sindicato à Ordem dos Arquitectos”, que irá ficar patente na sede nacional da OA, que replica o trajecto de Nuno Teotónio Pereira, falecido em 2016, possibilitando a compreensão do seu percurso desde estudante, a participação no Sindicato Nacional dos Arquitectos (SNA), no congresso fundador da UIA (União Internacional dos Arquitectos) e a transformação da Associação dos Arquitectos Portugueses numa instituição de direito público.

Este momento conta, alguns dias depois, com o lançamento do Catálogo da Exposição e de um Debate sobre “Gerações, Associativismo”, a dia 21.

Posteriormente, a 27, acontece o lançamento do Prémio Manuel Graça Dias dst Ordem dos Arquitectos Primeira Obra e a atribuição de títulos de Membro Honorário OA.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Arquitectura

“Acho que a abordagem para mitigar a crise climática precisa ser radical”

Arquitecta, investigadora e docente, Marina Tabassum é a vencedora do Prémio Carreira Trienal de Lisboa Millenium bcp, da edição de 2022. Segundo a organização, a sua prática ao longo das últimas três décadas a partir natural do Bangladesh, de onde é natural, “é um exemplo inspirador de como o trabalho em arquitectura com comunidades locais pode ter repercussões em todo o Planeta” indo, por isso, ao encontro dos valores propostos de Terra

Cidália Lopes

Em entrevista à Traço, a Marina Tabassum aponta o importante papel da selecção de materiais e estratégias ambientais na definição do tecido do edifício como forma de minimizar os efeitos das alterações climáticas e acredita que a abordagem precisa “ser radical”. Da mesma forma, considera que a arquitectura deve assumir “um papel de agente de mudança” no que diz respeito ao trabalho junto de comunidades locais mais desfavorecidas. Uma prática que deve sobrepor-se “a um mercado orientado para o lucro”. O caminho já começou e, com este prémio, Tabassum pretende estimular, ainda mais, discussões sobre o papel da arquitectura na mudança de pensamentos e valores.

Qual é a importância desta distinção?

Os reconhecimentos são importantes, pois trazem para o foco questões e buscas que são relevantes para o nosso tempo e contexto. Estamos a viver um momento muito interessante de mudança de paradigmas. Espero que distinções como esta da Trienal de Lisboa estimulem discussões sobre o papel que a arquitectura pode ter na adaptação da paisagem à mudança dos nossos pensamentos e valores.

Qual a importância do papel da arquitectura como veículo/ferramenta social?

A indústria da construção civil, da qual nós arquitectos somos parte integrante, é um dos maiores contribuintes da crise climática, aumentando o stock de resíduos e o acesso desigual a um ambiente de vida de qualidade.

Se considerarmos o contexto actual do nosso tempo em que o ambiente natural habitável está ameaçado pelo excesso de extracção da matéria-prima e produção com o foco único no crescimento económico, isso criou uma enorme disparidade nas condições de vida tanto no contexto urbano quanto no rural. Quão responsável será nossa profissão se o continuarmos a negligenciar? A arquitectura, os arquitectos e toda a indústria da construção têm responsabilidade para com uma sociedade equitativa. Como profissão criativa temos a capacidade de reimaginar e reinventar formas de usar a arquitectura como ferramenta social.

Bait-Ur-Rouf-Mosque_©-Sandro-Di-Carlo-Darsa

A urgência de cuidar da ‘Terra’ leva a uma mudança radical na forma como a arquitectura é projectada e feita. Quais são as principais mudanças que já se fazem sentir?

A Terra pode curar-se sem intervenção humana, se reduzirmos as nossas actividades antropogénicas. Cuidar da Terra é, na verdade, cuidar do nosso ambiente habitável. Testemunhámos durante a pandemia, quando entrámos em confinamento, como a natureza se cura quando as actividades humanas são reduzidas. Precisamos restaurar o ecossistema, limpar o ar e a água, reduzir os resíduos antropogénicos não apenas para a Terra, mas para a nossa própria existência.

Porque é que construímos edifícios revestidos de vidro em regiões de climas quentes, onde a temperatura pode chegar a 55°C. Deveria ser crime desperdiçar energia na refrigeração destes edifícios.

Em vez de construir novos, precisamos nos concentrar no ambiente construído que criamos e trabalhar em estratégias de adaptação que sejam amigáveis ​​ao meio ambiente, fazendo uso dos recursos naturais como luz do dia, vento, sombra-sombra respondendo aos contextos e reduzindo nossa dependência sobre combustível fóssil. Precisamos abordar a vegetação e a segurança alimentar, que por si só pode actuar como acção restauradora.

Como prevê que sejam os próximos anos em termos de como o planeta enfrentará a crise climática? E que acções devem ser tomadas a nível global para que a profissão de arquitecta desempenhe um papel cada vez mais activo?

Em Bangladesh, já estamos a enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Os padrões climáticos imprevisíveis estão a perturbar a ecologia agrícola. A subida do nível do mar, induzida pela crise climática aumentou as inundações, a erosão das margens dos rios e afectou também a biodiversidade das zonas costeiras. Um grande número de pessoas tornou-se ‘migrantes climáticos’.

Condições climáticas extremas na forma de secas, inundações, furacões, deslizamentos de terra, incêndios florestais estão a acontecer de forma global e a afectar um grande número de pessoas. Estes fenómenos vão aumentar nos próximos anos.

Acho que a abordagem para mitigar a crise climática precisa ser radical. A arquitectura precisa de se concentrar apenas em edifícios e construções essenciais. Pelo menos durante uma década, a arquitectura devia focar-se na recuperação do desequilíbrio ambiental. Construir para os desfavorecidos e para as vítimas mais vulneráveis às alterações climáticas é mais importante do que construir apartamentos e escritórios de luxo. Mas um mercado orientado para o lucro não se concentrará em abrigar esta população. Neste sentido, os arquitectos podem assumir o papel de agentes de mudança.

Mas a nível global, não deve ser difícil reduzir a extracção, a superprodução de edifícios e materiais de construção. Podemos reduzir as longas cadeias de fornecimentos adquirindo materiais localmente, com o foco em pesquisas colaborativas sobre como transformar em materiais de construção utilizáveis os resíduos. Cada edifício deve ser resiliente ao clima e optimizar o uso de energia e isso pode ser exigido por lei. A reutilização adaptativa deve ser incentivada em vez da substituição completa dos edifícios existentes.

Museum-of-Independence-and-Independent-Monument_©-Sandro-Di-Carlo-Dars

A forma de fazer arquitectura difere do contexto, do país, das condições socioeconómicas. O que podemos aprender com o que está a ser feito em Bangladesh e nos países vizinhos?

Nem tudo que está sendo feito em Bangladesh e na região são exemplares que podem ser replicados. Mas há muitos arquitectos e escritórios de arquitectura que abordam a profissão com mais responsabilidade do que os outros. Grande parte de nossa arquitectura pretende ser ‘climate responsive’ e ao contexto e são menos dependentes de meios artificiais de controle climático. Também procuramos que os materiais utilizados sejam, normalmente, provenientes do país. Além disso, recorremos à força de trabalho local para trabalhar no sector da construção. Isso gera economia local.

Temos comunidades de jovens arquitectos que não seguem a forma convencional da prática, mas com foco no trabalho com comunidades menos privilegiadas através de processos participativos de design e construção. Mesmo quando não há clientes ou financiamento, os arquitectos estão a criar projectos e a envolver pessoas para construir os seus próprios ambientes de vida. São novas formas de práticas que se estão a mostrar muito impactantes para as comunidades de baixos rendimentos.

Quais os projectos que destacaria e porquê?

É difícil destacar projectos, pois cada um é diferente devido ao seu contexto, programa e narrativa. A mesquita Bait ur Rouf é o primeiro projecto que chamou a atenção para a nossa prática. É um projecto único onde todas as minhas preocupações arquitetónicas se manifestaram através do design.

Os projectos nos campos de refugiados são únicos pelo contexto e narrativa difíceis e também pelas restrições impostas à construção que nos obriga a procurar formas inovadoras de construção. Os projectos são o resultado do envolvimento da comunidade no design e na sua própria construção.

Por exemplo, a unidade de habitação modular móvel Khudi Bari é a nossa resposta à preparação climática para as comunidades marginalizadas de Bangladesh. Este é, também, um projecto único que ajudou a salvar as vítimas das cheias, incluindo os seus vizinhos na recente enchente de 2022.

BIO

Marina Tabassum

Arquitecta e investigadora e docente natural do Bangladesh, Marina Tabassum fundou a Marina Tabassum Architects, com sede em Dhaka, em 2005, depois de 10 anos como sócia e cofundadora do URBANA, também em Dhaka. No seu trabalho, que vai do institucional ao multi-residencial e ao cultural, Marina Tabassum procura “estabelecer uma linguagem de arquitectura que seja contemporânea, mas reflexivamente enraizada no lugar”.

Marina Tabassum é directora académico do Bengal Institute for Architecture, Landscapes and Settlements, uma plataforma intelectual para aqueles que estão empenhados a imaginar e moldar futuros ambientais na região. Leccionou na Harvard University Graduate School of Design, Technical University, Delft, University of Texas at Arlington e BRAC University, tendo sido, também, agraciada com um doutoramento honorário da Universidade Técnica de Munique.

A sua contribuição no campo da arquitectura rendeu-lhe honras e elogios, incluindo Prémios Aga Khan para Arquitectura, o Prémio Memorial Arnold W. Brunner, da Academia Americana de Artes e Letras, a Medalha de Ouro da Academia Francesa de Arquitectura, a Medalha Soane de Sir John Soane Museum e o Prémio Jameel do Victoria and Albert Museum.

Marina Tabassum está, igualmente, envolvida na organização de comércio justo Prokritee como membro do Conselho, capacitando mulheres de Bangladesh através da exportação de objectos artesanais. Iniciou, também, projectos de habitação de baixo custo em cidades ao redor de eco-resorts actualmente em construção no sul de Bangladesh e criou a FACE, com o objectivo de procurar soluções de vida resilientes ao clima para as vítimas vulneráveis ​​às mudanças climáticas.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

Jornalista
Mais artigos

Research©-Biogenic-Constructions (Premiado na categoria Investigação)

Arquitectura

Trienal 2022 revela vencedores Prémio Début e ‘Prémio Universidades’

O atelier brasileiro Vão é o vencedor do Prémio Début. Já no Prémio Universidades foram distinguidas quatro propostas ex-aequo na categoria Mestrado e uma na categoria Investigação, cujos 17 ensaios seleccionados serão compilados numa antologia a ser lançada em finais de Outubro

CONSTRUIR

Vão é o atelier vencedor do Prémio Début Trienal de Lisboa Millennium bcp. Sediado em São Paulo, no Brasil, e fundado em 2013 por Anna Juni, Enk te Winkel e Gustavo Delonero, o atelier “destacou-se pela sua originalidade, compromisso com o ambiente e elegância da sua obra, resultado da mestria do desenho arquitectónico e uma profunda compreensão dos materiais”.

Na sua obra, que integra desde a habitação ao Museu de Arte Sacra, destaca-se uma fábrica de tijolos, em Alvaré, no estado de São Paulo. Construído com 12 mil blocos de tijolos empilhados sem argamassa, Vão escolheu como material o produto da própria fábrica, evitando o impacto do transporte. “O processo de construção assemelhou-se a uma montagem, podendo ser integralmente reutilizado em caso da relocalização. A estabilidade do edifício foi obtida aumentando significativamente a volumetria das paredes, à semelhança das antigas construções megalíticas”, indica o atelier.

Na corrida ao Prémio Début estiveram 10 finalistas, ateliers e profissionais individuais provenientes dos dois hemisférios do globo. O galardão destaca uma prática profissional individual ou colectiva para impulsionar o crescimento intelectual e profissional de talentos emergentes numa fase crucial do seu percurso.  O valor pecuniário atribuído ao 1º prémio duplicou desde 2019, tendo agora um valor de 10 mil euros.

Na mesma cerimónia foram, também, reveladas as propostas vencedoras do concurso Prémio Universidades Trienal de Lisboa Millennium bcp que, pela primeira vez, incluiu duas categorias, Mestrado e Investigação.  No total das duas categorias, 18 dos projectos candidatos integram as exposições centrais da 6.ª edição da Trienal e 9 foram finalistas do Prémio. O galardão tem como principal objectivo aproximar escolas e centros de investigação, incentivando a criação de novas pontes com a prática da arquitectura.

“Pela elevada qualidade e pertinência das propostas”, foram distinguidas quatro propostas vencedoras ex-aequo na categoria Mestrado, nomeadamente, aAquatic Livelihoods, da Universidade de Harvard, nos E.U.A., patente na exposição Visionárias, Coastal Interference, da Bergen School of Architecture, na Noruega, e The Theater of the People da Spitzer School of Architecture, City College of New York, nos E.U.A., patentes na exposição Multiplicidade e The (in)visible traces of the landscape, da ENSA École Nationale Supérieure d’Architecture de Versailles da Université Paris-Saclay, em França, apresentada na exposição Ciclos.

Na categoria Investigação, o galardão foi para Biogenic Construction, do Institute of Architecture and Technology, que pertence ao The Royal Danish Academy, na Dinamarca, um projecto apresentado na exposição Ciclos e com um ensaio no respectivo livro.

Em finais de Outubro, é lançada uma antologia — Emerging voices on new architectural ecologies — com dezessete ensaios de projectos seleccionados neste concurso, reunindo diversas abordagens para trabalhar com a natureza e as comunidades rumo a uma nova linguagem arquitectónica e revelando algumas das ideias mais progressistas das escolas de arquitectura de hoje.

Os Prémios Trienal de Lisboa Millennium bcp foram revelados numa cerimónia que decorreu na passada sexta-feira, dia 30 de Setembro, na Academia de Ciências de Lisboa, com a presença de finalistas, premiados e premiadas, incluindo a arquitecta Marina Tabassum, Prémio Carreira Trienal de Lisboa Millennium bcp.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Construção

Mota-Engil vai construir mais três linhas de metro no México

Em consórcio com a China Railway Rolling Stock Corporation, CRRC, a Mota-Engil México assinou um contrato para a realização de um projecto ferroviário avaliado em 1,3 mil milhões de euros

CONSTRUIR

A Mota-Engil informa que a sua participada Mota-Engil México, em consórcio com a CRRC, assinou um contrato para a realização de um projecto ferroviário no montante de 1,3 mil milhões de euros.

De acordo com a informação enviada à Comissão do Mercados de Valores de Capital, o projecto “consiste na construção das linhas 4, 5 e 6 do Metro de Monterrey, com uma extensão de 36 km, apresenta uma duração prevista de 5 anos e irá contribuir para melhorar as soluções de mobilidade na cidade de Monterrey”, refere o grupo.

Com a adjudicação deste projecto, “a Mota-Engil consolida a sua posição no México como um dos maiores players no segmento ferroviário”, afirma nota do grupo

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Construção

Mafra lança concurso de 5,1M€ para instalação do Museu Nacional de Música

A autarquia aprovou a abertura de procedimento, por concurso público, para a empreitada referente à instalação do Museu Nacional da Música no Palácio Nacional de Mafra , com um preço preço-base de cerca de 5,1 milhões de euros, acrescido de IVA à taxa legal em vigor

CONSTRUIR

Para a execução desta intervenção, foi celebrado um contrato interadministrativo que estabelece as condições de cooperação entre a Direcção-Geral do Património Cultural e o Município de Mafra, estando o apoio financeiro para a realização do investimento previsto no contrato de financiamento celebrado entre o Município de Mafra e o Fundo de Salvaguarda do Património Cultural.

Esta empreitada visa a implementação do projecto vencedor do concurso público de concepção para a elaboração do projecto de instalação do Museu Nacional da Música no Palácio Nacional de Mafra. O referido projecto visa potenciar a colecção existente no Museu com a sua ligação à condição de Mafra como edifício-instrumento. Como a intervenção tem a particularidade de ser um museu dentro de um palácio, pretende-se que o espaço de exposição, proporcionando experiências e actividades pedagógicas, possa permitir a descoberta dos conteúdos musicais, mas também a contemplação do magnífico edifício que é Património Mundial da UNESCO.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Imobiliário

Sonae Sierra aumenta o portefólio de activos sob gestão na Europa e Marrocos

Nos primeiros 9 meses de 2022, a Sierra assinou mais 23 novos contratos de serviços de property management e leasing. Actualmente a empresa gere mais de 2,4 milhões de m2 de ABL, tendo mais de 125 activos sob gestão

CONSTRUIR

Nos primeiros nove meses de 2022, a Sierra reforçou e diversificou o seu portefólio de activos sob gestão na Europa e em Marrocos com a assinatura de 23 novos contratos e captação de novos clientes. Desde o início do ano, a empresa conta com mais 11 novos contratos da área de property management e 12 de leasing, ao serviço de diferentes perfis de clientes, de institucionais a investidores privados.

A Sierra tem vindo a apostar num crescimento internacional abrangendo diferentes tipologias de activos imobiliários. Desde o início do ano, o crescimento da prestação de serviços de property management é bem reflectido em países como Alemanha, Espanha, Itália, Polónia, Portugal, Marrocos e Kosovo.

“Estamos muito satisfeitos com o incremento relevante de novos contratos de serviços conseguido nestes primeiros 9 meses do ano, para além de reforçarmos a nossa posição como gestores e agentes de comercialização de centros comerciais e retail parks, salientamos a entrada em novas tipologias de activos, como edifícios de uso misto e comercialização de escritórios, assim como a expansão do nosso negócio em novos países, com a captação de novos clientes”, sublinha Cristina Santos, directora executiva da área de property management da Sierra

Um dos activos recentemente adicionados ao portefólio de gestão foi o Atrium Saldanha, um edifício emblemático de uso misto, sendo um dos mais importantes centros de escritórios em Portugal com uma componente relevante de retalho.

Em Espanha, a Sierra é, desde Setembro, responsável pela comercialização do Breogán Park, em La Coruña, o maior projecto de retail park e de uso misto em desenvolvimento no país, contando mais de 60.000m2 de ABL. Na Alemanha, a Empresa começou a gerir o Europa Galerie em Saarbrücken, num país onde conta com um portefólio de 7 activos sob gestão. Outro contrato relevante foi o serviço de leasing para o centro Vulcano, em Itália, situado na área metropolitana de Milão, e que conta com cerca de 160 lojas.

Entre os vários activos adicionados ao portefólio de gestão fora da Europa, destaca-se o Aeria Mall, em Casablanca, onde a Sierra é responsável pela gestão e comercialização. Em Marrocos, a Sonae Sierra gere um portefólio diversificado, com 3 centros comerciais sob serviços de property management e mais 3 contratos de leasing para outros 3 activos diversos incluindo uma das principais estações de comboio de Rabat.

Finalmente, durante este período, a Sierra firmou um contrato para prestar um amplo leque de serviços com o Prishtina Mall, aquele que deverá ser o maior centro comercial do Sudeste da Europa. Localizado na capital do Kosovo, trata-se de um activo com um ABL de 115 mil m2 e cerca de 235 lojas.

Mais de 2,4 milhões de m2, com mais de 125 activos sobre gestão

Hoje, a Sierra gere uma carteira de activos imobiliários diversificada em termos geográficos e de tipologia. Durante o ano de 2022, a taxa de ocupação dos centros comerciais geridos pela empresa no continente Europeu e em Marrocos manteve-se nos 97%, um resultado que demonstra uma gestão resiliente e ágil após o recente período de pandemia.

A Sierra é também responsável pela gestão de seis mil contratos com lojistas, cobrindo cerca de 2,4 milhões de m2 de ABL (Área Bruta Locável) na Europa e Marrocos.

“Estamos empenhados em continuar a criar experiências diferenciadoras e multicanal nos nossos activos sob gestão, o que gera mais valor para todos: consumidores, lojistas e parceiros. Isto sem nunca esquecer a sustentabilidade, parte fundamental do nosso ADN, e cada vez mais uma preocupação dos nossos clientes. Esta é uma das nossas prioridades, num mundo em constante evolução, o que leva as nossas equipas a procurarem melhores práticas para dar as melhores respostas às necessidades dos nossos clientes e investidores nas diferentes geografias onde nos encontramos”, acrescenta a diretora executiva.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Arquitectura

“Uma das nossas vontades era ‘dar voz a uma diversidade e pluralidade de perspectivas’”

Cristina Veríssimo e Diogo Burnay falaram à Traço, na primeira pessoa, enquanto curadores da 6ª edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa, que nos traz o tema Terra, um nome que optaram por não traduzir exactamente pela força que acarreta, sendo não só o lugar em que habitamos, mas também aquele lugar que nos dá o sustento e nos fornece os recursos para vivermos

Cidália Lopes

O pretexto foi a Trienal, cuja edição de 2022 está prestes a começar. Mas a conversa, a dois, extrapolou para lá do tema escolhido e das iniciativas previstas. Se o tema escolhido pretendia reforçar preocupações ambientais e ser um passo importante para um novo paradigma na arquitectura, o impacto da covid-19 e, mais recentemente, da Guerra, vieram “ajustar agulhas” quanto ao programa. A uma só voz, que ser quer cada mais activa, fica a certeza do impacto do seu trabalho hoje e amanhã.

Quando idealizaram o tema Terra terá sido na óptica das alterações climáticas, pressuponho, mas depois deu-se uma pandemia o que terá tornado ainda mais importante esta reflexão. Houve em algum momento alguma necessidade de ajustar aquilo que tinham pensado inicialmente em termos de programa? Como é que foi este processo de quase três anos de idealização?

CV: O processo foi um crescendo. Quando se tem a vantagem de uma Trienal tem-se muito tempo para pensar e para cimentar ideias. Neste caso, quando nós começamos a Trienal, para nós curadores o tema Terra pareceu-nos ser o tema ideal. Como sabe nós temos vivido e trabalhado em muitos sítios do Globo e este pareceu-nos para nós o Tema. Claro que a vinda da pandemia reforçou muito esta nossa ideia e pensamos: “Olha afinal isto agora está a complicar-se mais e é um período em que isto se está a aprofundar” e neste sentido a ideia foi maturando. Fomos aprendendo com a pandemia, mas não foi necessariamente um mudar de agulhas, foi um ajustar de agulhas.

Aquilo que talvez fosse menos expectável foi a Guerra da Rússia contra a Ucrânia, que despertou e alertou, sobretudo na Europa, de que todos os países, mesmo os que vivem numa situação mais confortável podem ser atingidos. Para nós não nos afectou porque abrimos esta Trienal ao Mundo e demos voz a vários sítios do Globo. A actual situação é um alerta para os Europeus, mas há países que vivem com a sensação de insegurança constantemente, e, a ideia de dar voz a esses países já estava no embrião da Trienal.

Aproveitando a questão da Guerra, pergunto se têm sentido algum tipo de constrangimentos em relação a participações russas, que estão sempre muito presentes na Trienal, de arquitectos oriundos desta região?

CV: Nós temos, por acaso, um projecto de uma universidade russa, e estamos a tentar que os seus autores venham à Trienal. Uma das nossas curadoras tem felizmente dupla nacionalidade já que vive em Roterdão há muitos anos e, nesse caso, não teremos problemas. Curiosamente, estas restrições não estão apenas relacionadas com a Rússia, mas também com países africanos onde estas questões são sempre muito burocráticas e muitas vezes políticas até. Por exemplo, um dos nossos curadores está com muita dificuldade para conseguir o Visto para vir a Portugal. Portanto estas questões existem e não se prendem só com a questão da Guerra.

Voltando ao tema Terra e o facto de terem optado por não o traduzir existe aqui alguma tentativa de afirmação da nossa portugalidade?

DB: Essa é uma excelente questão e com a qual já tínhamos sido confrontados. Uma das vontades que tínhamos com esta Trienal era exactamente dar voz a uma diversidade e pluralidade de perspectivas, trazendo para Lisboa um conjunto de sensibilidades e modos de olhar para estes desafios problemáticos ligados à construção e do papel que a arquitectura pode ter em continuar a construir um Planeta que seja sustentável e onde seja possível continuar a construir.

A nossa preocupação era, talvez, mais centrada em trazer para Lisboa aquilo que Lisboa sempre teve, se quisermos alguma centralidade e que assim foi durante muitos séculos, mas que corresponde também a uma abertura para com o outro, para com essa pluraridade e diversidade de saberes e de modos de estar na vida que Lisboa sempre teve. Há imagens do século XV, XVI que mostram cenas urbanas em que se percebe que este era um lugar de grande pluralidade.

É obvio que há aqui uma herança colonial e um espaço pós-colonial que nós queremos celebrar e isso tem a ver com a nossa preocupação em trazer curadores de várias partes do Planeta, trazer temas que aproximem a arquitectura das questões de justiça social, equidades socioeconómicas, no sentido de reforçar o papel que a arquitectura pode ter perante a sociedade, perante estas comunidades, mas sobretudo dando voz a estas diferenças para que não fosse uma Trienal centrada no olhar especifico, anteriormente por vezes criticado, muito europeísta sobre problemáticas e sensibilidades que são muito diferentes.

Esta portugalidade e estes valores de generosidade, se quisermos até, gastronómicos, culturais, afectivos, penso que será muito adequado o facto desta Trienal pretender ser mais extrovertida, não reclamando uma centralidade, isso poderá ser conotado ainda restos de um pensamento ainda colonial, mas um lugar de encontro dessas diferentes sensibilidades.

Temos tanto nas exposições das universidades, como nas quatro exposições como no prémio Debut, um conjunto de entrada de concorrentes que se candidataram de todo o Mundo e ai sim nesses concursos abertos estão presentes trabalhos e conhecidos de estudantes e arquitectos portugueses sediados em Portugal e não só.

CV: Só acrescentar também, que a própria força da palavra Terra é uma palavra que tem estes significados que nós temos falado, que as línguas latinas percebem. Esta força desta palavra não se transmite noutras línguas e por isso é que quisemos manter Terra também, até pela própria forma como pronunciamos a palavra.

Antecipando um pouco a realização da edição, o que gostariam que perdurasse além da Trienal?

CV: Desde o início tentamos que esta Trienal não fosse só feita para arquitectos mas para toda a população. temos esta ambição de chegar ao Mundo. Acho que queremos sobretudo, deixar uma mensagem que nos parece importante: A preservação deste Planeta que está a gritar por ajuda. Não basta pensar que são instituições, que são eventos deste género que nos darão as respostas ao que o Planeta precisa, mas sim que cada um de nós tem um papel fundamental a desempenhar. Acho que é isso que nós queremos com esta Trienal, que as pessoas tomem consciência, que não depende dos outros, depende também de nós.

DB: Além do que se pode denominar como o campo específico da arquitectura, queremos trazer para Lisboa, que está um pouco na periferia da Europa, trabalhos e modos de olhar sobre estas problemáticas espalhados pelo Mundo. Que a nossa disposição para aprender com os outros, com aquilo que, não necessariamente nos identificamos, que nos é diferente, que deixe de ser indiferente, que seja um problema de todos e que passe também a ser um problema transformado em oportunidade e esta disponibilidade de percebermos que o Planeta é diverso.

Isto inscreve-se, também, na ideia de que temos de pensar na nossa actividade em enquanto arquitectos numa perspectiva de economia circular, segundo a ideia de que o ciclo da vida das coisas, dos materiais, das comunidades, mas também com os círculos que são diferentes e o modo como eles se interceptam.

Outra questão que verifica na arquitectura, é de que agora todos os edifícios deviam ser construídos em madeira, porque é um material natural, que as ignições de CO2 são muito menores, etc. Isto numa economia do Norte, onde há uma determinada abundância deste material e em que a mão de-obra tem um determinado contexto socioeconómico, fará sentido. Já num outro contexto isto pode ser considerado um disparate. Este é também outro aspecto que gostaríamos que ficasse desta Trienal.

Perante estas novas dinâmicas com que a arquitectura se confronta, quais serão os principais desafios que os jovens arquitectos têm pela frente?
CV: Sendo nós professores universitários lidamos com estas novas gerações há muitos anos, e é curioso porque sentem um certo olhar atento e de preocupação, sem dúvida. Da nossa parte estamos atentos a isso de tal maneira que nesta edição da Trienal quisemos dar voz a esta gerações e inclusive pusemos-os em parceria com as outras exposições, não fizemos uma exposição à parte porque consideramos que têm uma voz. Não significa com isto que as escolas também não tenham de estar atentas em termos de programas que estão a implementar ao nível da arquitectura, mas eu penso que os jovens são assertivos no sentido da preocupação com o Planeta, isso não tenho dúvida. As suas preocupações vão estar espelhadas, sem dúvida, naquilo que irão produzir.

DB: Estas novas gerações têm acesso a uma informação completamente diferente e por isso a grande preocupação é encontrar lugares de trabalho e modos de trabalhar e que, de algum modo, se cosam, se identifiquem com os seus valores, com aquilo que acham que é importante para a comunidade, para a sociedade, para o Planeta.

Nós temos conversas com vários estudantes que nos dizem: “Está bem, mas hoje estamos a construir isto e isto para quem e qual a sua longevidade”. O que percebemos é que esta geração, por ter um acesso a muita informação, tem um olhar mais crítico, mais predisposto a cruzar diferentes conhecimentos e isso poderá ser um certo desafio. Na nossa geração fomos das poucas pessoas em que não era normal, não era comum, pessoas saírem de Portugal para irem trabalhar e explorar outros lugares. A nossa geração e as gerações mais novas estão muito mais centradas nas oportunidades que a Europa trouxe com a adesão à comunidade europeia. As equidades, justiças sociais e económicas, transparência, informação, estão muito mais presentes nas novas gerações.

Neste sentido, e aproveitando o facto de estarem a decorrer dois concursos – para jovens arquitectos e para quem ainda está na universidade – é possível verificar que as propostas vão muito ao encontra dessa circularidade, sustentabilidade, dessa preocupação com o Planeta? É isso que retiram destas propostas?
Sem dúvida. E também aqui elogiar o papel que as escolas têm. Ainda não é generalizado, mas pensamos que a esse nível já vêm muitas escolas a programar o seu currículo no sentido da atenção a estes assuntos. Nós tivemos propostas de todo o Mundo, o que nos permite ter uma visão do que é que as diferentes escolas podem fazer.

E é possível, através das diferentes propostas, ter uma ideia das preocupações e também a origem das próprias propostas?
Apesar de sermos júri não tínhamos acesso à origem das propostas e quais eram as escolas, o que nos permitia concentrar apenas no projecto apresentado, mas é curioso que depois no final, quando se cruzaram as propostas com os lugares de onde vinham, demo-nos conta de há escolas que estão a trabalhar para diferentes partes do Mundo. Portanto até tematicamente, nota-se uma preocupação mais global e que as escolas procuram temas que sejam cruciais para o seu currículo, e que não são, necessariamente, problemáticas do País de origem. Aquele projecto que, inicialmente, poderíamos achar que seria de uma escola em África, não era de todo, o que torna bastante interessante. Ultimamente há também um factor muito comum nas escolas de arquitectura que é receber estudantes estrangeiros, o que põe em confronto ideias e perspectivas diferentes.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

Jornalista
Mais artigos

Arq. José Mateus, Presidente da Trienal de Arquitectura de Lisboa 5.7.2017 © Luisa Ferreira

Arquitectura

“A reflexão é o Mundo, a cidade de encontro é Lisboa”

Entre 29 de Setembro e 5 de Dezembro, Lisboa recebe a 6ª edição da Trienal de Arquitectura. Ao incidir na degradação das condições ambientais, alterações climáticas e todas as suas consequências globais, a Trienal procura um novo paradigma para o qual estão convocados, não só os arquitectos, mas também o público não especializado e a classe politica. Até Outubro decorrem as candidaturas para a curadoria da 7ª edição, a acontecer em 2025

Cidália Lopes

À Traço, José Mateus, presidente da Trienal de Arquitectura de Lisboa, falou sobre a importância desta edição que “direcciona o seu olhar para o mundo e que convida esse mundo para se encontrar em Lisboa”. Um “envolvimento planetário”, que se destaca pelo temas escolhidos, mas também nas equipas de curadores que escolhe e na exigência de alargamento geográfico. Esta edição é disso exemplo, que convoca as universidades de todo o Mundo, pela sua capacidade de investigação e cruza esse conhecimento com quem trabalha na profissão diariamente

Esta é a 6ª edição. Quais as principais diferenças em termos de evento das primeiras edições?

Essencialmente o tema, que é totalmente focado nas questões ambientais e sociais daí decorrentes. De resto, seguimos o modelo que fomos consolidando ao longo do amadurecimento da Trienal. Elegemos um tema fundamental em termos públicos ou disciplinares e com a equipa de curadores designados estabelecemos e partilhamos uma reflexão e um debate profundo dividido em diversos sub-temas, que correspondem às exposições principais. Como extensão e aprofundamento das exposições publicamos livros, que não são catálogos, mas estudos e reflexões mais densas e completas, que continuam a partilha do tema da Trienal após o seu encerramento. Depois, como sempre, temos os dias de debate com conferencistas indicados pelos diversos curadores, de forma a estabelecermos um debate que cruze os temas das várias exposições.

Uma particularidade desta edição é o facto do envolvimento das universidades ser transversal a todas as quatro exposições principais. No fundo, dada a extrema complexidade e urgência do tema desta edição, queríamos convocar e cruzar todo o conhecimento e capacidade de investigação que emana das universidades com o de quem trabalha na prática da profissão no dia-a-dia. Nas edições anteriores, o contributo das universidades debruçava-se sobre um tema específico e dava lugar a uma exposição com uma certa autonomia. Preferimos este modelo.

Um outro aspecto importante em termos de organização, é o facto de termos decidido que a sede da Trienal, o Palácio Sinel de Cordes, é o lugar principal para acolher os projectos independentes, que, pela sua grande variedade de abordagens e formato, vai tornar a nossa sede um espaço de encontro diário, de um dinamismo muito forte.

De resto, naturalmente que mais uma vez vamos atribuir, com a Fundação Millennium Bcp, os prémios Carreira; Début e Universidades.

Sintetizando, teremos 4 exposições,  “Ciclos“ no CCB – Garagem Sul, “Retroactivar“ no MAAT, “Multiplicidade“ no MNAC e “Visionárias“ na Culturgest, todas elas acompanhadas de um livro cada e de um debate cruzado ao longo dos dias das Talk Talk Talk na Fundação Calouste Gulbenkian.

E em termos do seu efeito pós evento? Até que ponto a própria Trienal tem permitido determinar novos paradigmas sobre e para a arquitectura?

Diria que o “pós evento“, as consequências ou influência daquilo que apresentamos, será seguramente o que mais nos interessa. Mas, não nos interessa a arquitectura como disciplina isolada, que na realidade nunca o pode ser, como é o caso do tema desta edição.

Em termos disciplinares, o nosso objectivo é abordar os temas de uma forma profunda, crítica e credível em termos disciplinares, teóricos ou académicos e assim dar um contributo relevante para a nossa profissão. Por outro lado, interessa-nos estabelecer um contacto forte com o público não especializado, que inclui o público adulto, juvenil e infantil. A esse nível, temos cada vez mais uma programação extensa em termos de actividades pedagógicas ligadas às várias exposições e que estabelecem a ponte com essa grande diversidade de públicos. Mas, tudo isto interessa-nos porque só com conhecimento novo, partilhado, assimilado e entendido é que a sociedade se questiona a si própria e avança. Por isso é que é sempre muito importante mas em particular nesta edição chegarmos à classe política, que evidentemente tem um papel decisivo na mudança de paradigmas, como aquela que precisamos de activar nos dias de hoje face à degradação das condições ambientais, alterações climáticas e todas as suas consequências globais.

 

Arq. José Mateus, presidente da Trienal de Arquitectura de Lisboa © Luísa Ferreira

A Trienal é, de certa forma, um legado para as gerações futuras. O que gostaria de dizer a quem está agora a começar?

A arquitectura é uma profissão extraordinária, pois toca profundamente na vida das pessoas, mas que obriga a um trabalho permanente de aquisição de conhecimento, de experiência, que é consolidada combinando prática, investigação técnica e aprofundamento teórico. Mais do que antes, neste tempo em que a realidade avança a uma velocidade vertiginosa e em que a regeneração e manutenção do equilíbrio ambiental passam também muito pelo campo de trabalho dos arquitectos, a nossa profissão necessita do contributo de todos aqueles que tenham a capacidade para lhe dedicarem as suas vidas, de modo profundo. É um desafio muito exigente e difícil, que nos obriga a uma disposição de permanente aprendizagem, de questionamento de práticas e pensamento que antes eram para nós dados adquiridos, mas também por isso maravilhoso.

Pela diversidade de iniciativas que a Trienal abrange diria que mais do que ser a Trienal de Lisboa, é a Trienal do Mundo, sem fronteiras: É este o propósito destes eventos e será assim o seu futuro?

É a Trienal de Lisboa, que direcciona o seu olhar para o mundo e que convida esse mundo para se encontrar em Lisboa para escutar, partilhar, debater, estabelecer laços com a cidade e com quem nela se encontra em torno de um tema.

Sempre foi assim, mas gosto da expressão “Trienal do Mundo“, pois apesar de acontecer em Lisboa, envolve sempre contributos de gente de partes muito diversas do mundo e porque tem subjacente uma ideia de pertença, que é mais bela e com maior potencial nesse alargamento ao mundo. Somos uma Trienal que convoca esse envolvimento planetário, desde logo nos temas que elege, nas equipas de curadores que escolhe e na exigência de alargamento geográfico do projecto curatorial que debate e aprova. Esta edição, é um exemplo muito claro disso. Respondendo directamente à pergunta, sim, é esse o propósito destes eventos. Quanto ao futuro, afirmá-lo seria retirar espaço a quem nos sucederá na frente da Trienal, coisa que não gostaria de fazer.

Tendo em conta a dimensão da Trienal, existe a intenção de criar uma ramificação da mesma no Porto, à semelhança do que já é feito com a Open House, por exemplo?

Não temos intenção de criar uma ramificação da Trienal no Porto. Já analisámos no passado essa possibilidade, tal como em Madrid, Londres e Nova Iorque, mas percebemos que seria uma má estratégia, pois a dispersão de atenção operativa e de meios financeiros, que sempre são insuficientes, iria enfraquecer a clareza, intensidade e profundidade do trabalho que estamos a fazer em Lisboa. A reflexão é o Mundo, a cidade de encontro é Lisboa. Tal como acontece em Oslo, Veneza  e em outras Bienais.

Alguma novidade para a edição de 2025?

Está lançado o call para apresentação de candidaturas à direcção curatorial da 7ª edição, que deverão ser entregues em Outubro. Como sempre, alargamos ao máximo possível o tempo para os curadores trabalharem. É a primeira condição fundamental para se conseguir assegurar qualidade, três anos de trabalho.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

Jornalista
Mais artigos
Imobiliário

Henderson Park investe 25M€ na modernização do Lagoas Park

Em comunicado, a imobiliária revela que está “a investir no futuro do Lagoas Park, para proporcionar um ambiente e uma comunidade que garantam as necessidades e expectativas em constante mudança das cerca de 90 empresas e 7.000 pessoas que visitam e trabalham diariamente no Lagoas Park”

CONSTRUIR

A Henderson Park Capital, empresa imobiliária de capitais privados, que adquiriu o Lagoas Park em 2020, anunciou esta quinta-feira um programa de investimento de 25 milhões de euros para a modernização do Lagoas park. O projeto, a realizar ao longo dos próximos quatro anos, contará com a modernização de instalações e espaços colaborativos, quer para visitantes, quer para os colaboradores que trabalham no Parque. As áreas exteriores serão remodeladas, incluindo a praça central, a galeria comercial e áreas comuns, em conjugação com a remodelação dos interiores dos edifícios de escritórios.

Em comunicado, a imobiliária revela que está “a investir no futuro do Lagoas Park, para proporcionar um ambiente e uma comunidade que garantam as necessidades e expectativas em constante mudança das cerca de 90 empresas e 7.000 pessoas que visitam e trabalham diariamente no Lagoas Park”. As obras iniciaram-se em 2021, com melhorias já concluídas em alguns dos edifícios e espaços de escritórios. O investimento vem também reforçar as credenciais de sustentabilidade do Lagoas Park, com o objetivo de obter certificação BREEAM, em todos os edifícios no Parque com uma classificação mínima de ‘Very Good’.

“Em 2002, ano da sua inauguração, o Lagoas Park foi considerado “Best-in-Class” Office Park. Este plano de investimento vai garantir que o Parque permaneça entre os principais parques empresariais da Europa e se adapte às exigências em constante mudança dos inquilinos nacionais e internacionais na dinâmica do mercado de escritórios de Lisboa” diz Ronan Webster, Diretor de Gestão de Ativos, Henderson Park. “Os parques de escritórios de sucesso do futuro, como o Lagoas Park, vão adaptar-se às necessidades em evolução permanente de todos os inquilinos, para dar resposta ao novo ambiente de trabalho e disponibilizar instalações modernas, com preocupações de bem-estar, serviços e espaços comunitários colaborativos para que todas as atividades que decorrem no parque possam crescer”, acrescenta.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos

Navegue

Sobre nós

Grupo Workmedia

Mantenha-se conectado

©2021 CONSTRUIR. Todos os direitos reservados.