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JPS GROUP ganha prémio internacional “Luxury Lifestyle Awards 2022” em 4 categorias

A promotora foi premiada na categoria de “Best Luxury Real Estate Developer in Portugal”, já o seu empreendimento SKYCITY foi galardoado “Best Luxury Residential Development”, “Best Luxury Apartment Living” e “Best Luxury Sustainable Residential Development”

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JPS GROUP ganha prémio internacional “Luxury Lifestyle Awards 2022” em 4 categorias

A promotora foi premiada na categoria de “Best Luxury Real Estate Developer in Portugal”, já o seu empreendimento SKYCITY foi galardoado “Best Luxury Residential Development”, “Best Luxury Apartment Living” e “Best Luxury Sustainable Residential Development”

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A JPS GROUP ganhou o prémio internacional “Luxury Lifestyle Awards 2022” em 4 categorias, incluindo “Best Luxury Real Estate Developer in Portugal”, e para o empreendimento SKYCITY “Best Luxury Residential Development”, “Best Luxury Apartment Living” e “Best Luxury Sustainable Residential Development”.

O objectivo destes prémios é reconhecer a excelência em toda a gama dos sectores da indústria e manter os mais altos padrões na indústria imobiliária em todo o mundo.

O comité de organização do Luxury Lifestyle Awards, após um processo de pesquisa e selecção, distinguiu a JPS GROUP como “uma das melhores promotoras no mercado imobiliário em Portugal” e reconheceu a sua “reputação impecável” e o “desempenho profissional” neste mercado. Segundo o júri deste prémio internacional, a JPS GROUP alcançou um resultado impressionante ao ganhar quatro prémios e vê agora o seu trabalho reconhecido.

O empreendimento SKYCITY, um dos maiores projectos do portfólio da JPS GROUP em construção em Portugal, foi distinguido pelo júri deste prémio em 3 notáveis categorias. Desenvolvido sobre um conceito de excelência, o SKYCITY propõe a integração da arquitectura e do design na natureza como linha de força que preside à sua concepção estratégica.

Localizado na Serra de Carnaxide, o SKYCITY é composto por 47 moradias isoladas, 50 moradias em banda, 16 moradias geminadas, 250 apartamentos e 24 espaços comerciais. Cada espaço foi criteriosamente pensado para tirar o máximo proveito da paisagem, de rio, mar e serra. Com preços altamente competitivos, condições únicas de aquisição e uma envolvente que contempla o rio, mar e serra, sem nunca se afastar das zonas nobres da cidade de Lisboa, o SKYCITY é um condomínio residencial de luxo que tem todas as comodidades necessárias.

“Não podíamos estar mais orgulhosos de termos sido seleccionados não só para um, mas para os quatro prémios Luxury Lifestyle Awards 2022. A equipa da JPS GROUP dedicou-se completamente ao SKYCITY, apesar de todas as adversidades com que nos deparamos, inclusivamente a pandemia entre outras questões, e temos prestado atenção a todos os detalhes para fazer do SKYCITY o empreendimento de prestígio em que se tornou. Queremos agradecer aos especialistas da Luxury Lifestyle Awards por nos reconhecerem pelo nosso grande esforço e dedicação que colocamos neste projecto, assim como à JPS Group como um todo”, afirma João Sousa, CEO da JPS GROUP.

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“Uma das nossas vontades era ‘dar voz a uma diversidade e pluralidade de perspectivas’”

Cristina Veríssimo e Diogo Burnay falaram à Traço, na primeira pessoa, enquanto curadores da 6ª edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa, que nos traz o tema Terra, um nome que optaram por não traduzir exactamente pela força que acarreta, sendo não só o lugar em que habitamos, mas também aquele lugar que nos dá o sustento e nos fornece os recursos para vivermos

O pretexto foi a Trienal, cuja edição de 2022 está prestes a começar. Mas a conversa, a dois, extrapolou para lá do tema escolhido e das iniciativas previstas. Se o tema escolhido pretendia reforçar preocupações ambientais e ser um passo importante para um novo paradigma na arquitectura, o impacto da covid-19 e, mais recentemente, da Guerra, vieram “ajustar agulhas” quanto ao programa. A uma só voz, que ser quer cada mais activa, fica a certeza do impacto do seu trabalho hoje e amanhã.

Quando idealizaram o tema Terra terá sido na óptica das alterações climáticas, pressuponho, mas depois deu-se uma pandemia o que terá tornado ainda mais importante esta reflexão. Houve em algum momento alguma necessidade de ajustar aquilo que tinham pensado inicialmente em termos de programa? Como é que foi este processo de quase três anos de idealização?

CV: O processo foi um crescendo. Quando se tem a vantagem de uma Trienal tem-se muito tempo para pensar e para cimentar ideias. Neste caso, quando nós começamos a Trienal, para nós curadores o tema Terra pareceu-nos ser o tema ideal. Como sabe nós temos vivido e trabalhado em muitos sítios do Globo e este pareceu-nos para nós o Tema. Claro que a vinda da pandemia reforçou muito esta nossa ideia e pensamos: “Olha afinal isto agora está a complicar-se mais e é um período em que isto se está a aprofundar” e neste sentido a ideia foi maturando. Fomos aprendendo com a pandemia, mas não foi necessariamente um mudar de agulhas, foi um ajustar de agulhas.

Aquilo que talvez fosse menos expectável foi a Guerra da Rússia contra a Ucrânia, que despertou e alertou, sobretudo na Europa, de que todos os países, mesmo os que vivem numa situação mais confortável podem ser atingidos. Para nós não nos afectou porque abrimos esta Trienal ao Mundo e demos voz a vários sítios do Globo. A actual situação é um alerta para os Europeus, mas há países que vivem com a sensação de insegurança constantemente, e, a ideia de dar voz a esses países já estava no embrião da Trienal.

Aproveitando a questão da Guerra, pergunto se têm sentido algum tipo de constrangimentos em relação a participações russas, que estão sempre muito presentes na Trienal, de arquitectos oriundos desta região?

CV: Nós temos, por acaso, um projecto de uma universidade russa, e estamos a tentar que os seus autores venham à Trienal. Uma das nossas curadoras tem felizmente dupla nacionalidade já que vive em Roterdão há muitos anos e, nesse caso, não teremos problemas. Curiosamente, estas restrições não estão apenas relacionadas com a Rússia, mas também com países africanos onde estas questões são sempre muito burocráticas e muitas vezes políticas até. Por exemplo, um dos nossos curadores está com muita dificuldade para conseguir o Visto para vir a Portugal. Portanto estas questões existem e não se prendem só com a questão da Guerra.

Voltando ao tema Terra e o facto de terem optado por não o traduzir existe aqui alguma tentativa de afirmação da nossa portugalidade?

DB: Essa é uma excelente questão e com a qual já tínhamos sido confrontados. Uma das vontades que tínhamos com esta Trienal era exactamente dar voz a uma diversidade e pluralidade de perspectivas, trazendo para Lisboa um conjunto de sensibilidades e modos de olhar para estes desafios problemáticos ligados à construção e do papel que a arquitectura pode ter em continuar a construir um Planeta que seja sustentável e onde seja possível continuar a construir.

A nossa preocupação era, talvez, mais centrada em trazer para Lisboa aquilo que Lisboa sempre teve, se quisermos alguma centralidade e que assim foi durante muitos séculos, mas que corresponde também a uma abertura para com o outro, para com essa pluraridade e diversidade de saberes e de modos de estar na vida que Lisboa sempre teve. Há imagens do século XV, XVI que mostram cenas urbanas em que se percebe que este era um lugar de grande pluralidade.

É obvio que há aqui uma herança colonial e um espaço pós-colonial que nós queremos celebrar e isso tem a ver com a nossa preocupação em trazer curadores de várias partes do Planeta, trazer temas que aproximem a arquitectura das questões de justiça social, equidades socioeconómicas, no sentido de reforçar o papel que a arquitectura pode ter perante a sociedade, perante estas comunidades, mas sobretudo dando voz a estas diferenças para que não fosse uma Trienal centrada no olhar especifico, anteriormente por vezes criticado, muito europeísta sobre problemáticas e sensibilidades que são muito diferentes.

Esta portugalidade e estes valores de generosidade, se quisermos até, gastronómicos, culturais, afectivos, penso que será muito adequado o facto desta Trienal pretender ser mais extrovertida, não reclamando uma centralidade, isso poderá ser conotado ainda restos de um pensamento ainda colonial, mas um lugar de encontro dessas diferentes sensibilidades.

Temos tanto nas exposições das universidades, como nas quatro exposições como no prémio Debut, um conjunto de entrada de concorrentes que se candidataram de todo o Mundo e ai sim nesses concursos abertos estão presentes trabalhos e conhecidos de estudantes e arquitectos portugueses sediados em Portugal e não só.

CV: Só acrescentar também, que a própria força da palavra Terra é uma palavra que tem estes significados que nós temos falado, que as línguas latinas percebem. Esta força desta palavra não se transmite noutras línguas e por isso é que quisemos manter Terra também, até pela própria forma como pronunciamos a palavra.

Antecipando um pouco a realização da edição, o que gostariam que perdurasse além da Trienal?

CV: Desde o início tentamos que esta Trienal não fosse só feita para arquitectos mas para toda a população. temos esta ambição de chegar ao Mundo. Acho que queremos sobretudo, deixar uma mensagem que nos parece importante: A preservação deste Planeta que está a gritar por ajuda. Não basta pensar que são instituições, que são eventos deste género que nos darão as respostas ao que o Planeta precisa, mas sim que cada um de nós tem um papel fundamental a desempenhar. Acho que é isso que nós queremos com esta Trienal, que as pessoas tomem consciência, que não depende dos outros, depende também de nós.

DB: Além do que se pode denominar como o campo específico da arquitectura, queremos trazer para Lisboa, que está um pouco na periferia da Europa, trabalhos e modos de olhar sobre estas problemáticas espalhados pelo Mundo. Que a nossa disposição para aprender com os outros, com aquilo que, não necessariamente nos identificamos, que nos é diferente, que deixe de ser indiferente, que seja um problema de todos e que passe também a ser um problema transformado em oportunidade e esta disponibilidade de percebermos que o Planeta é diverso.

Isto inscreve-se, também, na ideia de que temos de pensar na nossa actividade em enquanto arquitectos numa perspectiva de economia circular, segundo a ideia de que o ciclo da vida das coisas, dos materiais, das comunidades, mas também com os círculos que são diferentes e o modo como eles se interceptam.

Outra questão que verifica na arquitectura, é de que agora todos os edifícios deviam ser construídos em madeira, porque é um material natural, que as ignições de CO2 são muito menores, etc. Isto numa economia do Norte, onde há uma determinada abundância deste material e em que a mão de-obra tem um determinado contexto socioeconómico, fará sentido. Já num outro contexto isto pode ser considerado um disparate. Este é também outro aspecto que gostaríamos que ficasse desta Trienal.

Perante estas novas dinâmicas com que a arquitectura se confronta, quais serão os principais desafios que os jovens arquitectos têm pela frente?
CV: Sendo nós professores universitários lidamos com estas novas gerações há muitos anos, e é curioso porque sentem um certo olhar atento e de preocupação, sem dúvida. Da nossa parte estamos atentos a isso de tal maneira que nesta edição da Trienal quisemos dar voz a esta gerações e inclusive pusemos-os em parceria com as outras exposições, não fizemos uma exposição à parte porque consideramos que têm uma voz. Não significa com isto que as escolas também não tenham de estar atentas em termos de programas que estão a implementar ao nível da arquitectura, mas eu penso que os jovens são assertivos no sentido da preocupação com o Planeta, isso não tenho dúvida. As suas preocupações vão estar espelhadas, sem dúvida, naquilo que irão produzir.

DB: Estas novas gerações têm acesso a uma informação completamente diferente e por isso a grande preocupação é encontrar lugares de trabalho e modos de trabalhar e que, de algum modo, se cosam, se identifiquem com os seus valores, com aquilo que acham que é importante para a comunidade, para a sociedade, para o Planeta.

Nós temos conversas com vários estudantes que nos dizem: “Está bem, mas hoje estamos a construir isto e isto para quem e qual a sua longevidade”. O que percebemos é que esta geração, por ter um acesso a muita informação, tem um olhar mais crítico, mais predisposto a cruzar diferentes conhecimentos e isso poderá ser um certo desafio. Na nossa geração fomos das poucas pessoas em que não era normal, não era comum, pessoas saírem de Portugal para irem trabalhar e explorar outros lugares. A nossa geração e as gerações mais novas estão muito mais centradas nas oportunidades que a Europa trouxe com a adesão à comunidade europeia. As equidades, justiças sociais e económicas, transparência, informação, estão muito mais presentes nas novas gerações.

Neste sentido, e aproveitando o facto de estarem a decorrer dois concursos – para jovens arquitectos e para quem ainda está na universidade – é possível verificar que as propostas vão muito ao encontra dessa circularidade, sustentabilidade, dessa preocupação com o Planeta? É isso que retiram destas propostas?
Sem dúvida. E também aqui elogiar o papel que as escolas têm. Ainda não é generalizado, mas pensamos que a esse nível já vêm muitas escolas a programar o seu currículo no sentido da atenção a estes assuntos. Nós tivemos propostas de todo o Mundo, o que nos permite ter uma visão do que é que as diferentes escolas podem fazer.

E é possível, através das diferentes propostas, ter uma ideia das preocupações e também a origem das próprias propostas?
Apesar de sermos júri não tínhamos acesso à origem das propostas e quais eram as escolas, o que nos permitia concentrar apenas no projecto apresentado, mas é curioso que depois no final, quando se cruzaram as propostas com os lugares de onde vinham, demo-nos conta de há escolas que estão a trabalhar para diferentes partes do Mundo. Portanto até tematicamente, nota-se uma preocupação mais global e que as escolas procuram temas que sejam cruciais para o seu currículo, e que não são, necessariamente, problemáticas do País de origem. Aquele projecto que, inicialmente, poderíamos achar que seria de uma escola em África, não era de todo, o que torna bastante interessante. Ultimamente há também um factor muito comum nas escolas de arquitectura que é receber estudantes estrangeiros, o que põe em confronto ideias e perspectivas diferentes.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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Arq. José Mateus, Presidente da Trienal de Arquitectura de Lisboa 5.7.2017 © Luisa Ferreira

Arquitectura

“A reflexão é o Mundo, a cidade de encontro é Lisboa”

Entre 29 de Setembro e 5 de Dezembro, Lisboa recebe a 6ª edição da Trienal de Arquitectura. Ao incidir na degradação das condições ambientais, alterações climáticas e todas as suas consequências globais, a Trienal procura um novo paradigma para o qual estão convocados, não só os arquitectos, mas também o público não especializado e a classe politica. Até Outubro decorrem as candidaturas para a curadoria da 7ª edição, a acontecer em 2025

Cidália Lopes

À Traço, José Mateus, presidente da Trienal de Arquitectura de Lisboa, falou sobre a importância desta edição que “direcciona o seu olhar para o mundo e que convida esse mundo para se encontrar em Lisboa”. Um “envolvimento planetário”, que se destaca pelo temas escolhidos, mas também nas equipas de curadores que escolhe e na exigência de alargamento geográfico. Esta edição é disso exemplo, que convoca as universidades de todo o Mundo, pela sua capacidade de investigação e cruza esse conhecimento com quem trabalha na profissão diariamente

Esta é a 6ª edição. Quais as principais diferenças em termos de evento das primeiras edições?

Essencialmente o tema, que é totalmente focado nas questões ambientais e sociais daí decorrentes. De resto, seguimos o modelo que fomos consolidando ao longo do amadurecimento da Trienal. Elegemos um tema fundamental em termos públicos ou disciplinares e com a equipa de curadores designados estabelecemos e partilhamos uma reflexão e um debate profundo dividido em diversos sub-temas, que correspondem às exposições principais. Como extensão e aprofundamento das exposições publicamos livros, que não são catálogos, mas estudos e reflexões mais densas e completas, que continuam a partilha do tema da Trienal após o seu encerramento. Depois, como sempre, temos os dias de debate com conferencistas indicados pelos diversos curadores, de forma a estabelecermos um debate que cruze os temas das várias exposições.

Uma particularidade desta edição é o facto do envolvimento das universidades ser transversal a todas as quatro exposições principais. No fundo, dada a extrema complexidade e urgência do tema desta edição, queríamos convocar e cruzar todo o conhecimento e capacidade de investigação que emana das universidades com o de quem trabalha na prática da profissão no dia-a-dia. Nas edições anteriores, o contributo das universidades debruçava-se sobre um tema específico e dava lugar a uma exposição com uma certa autonomia. Preferimos este modelo.

Um outro aspecto importante em termos de organização, é o facto de termos decidido que a sede da Trienal, o Palácio Sinel de Cordes, é o lugar principal para acolher os projectos independentes, que, pela sua grande variedade de abordagens e formato, vai tornar a nossa sede um espaço de encontro diário, de um dinamismo muito forte.

De resto, naturalmente que mais uma vez vamos atribuir, com a Fundação Millennium Bcp, os prémios Carreira; Début e Universidades.

Sintetizando, teremos 4 exposições,  “Ciclos“ no CCB – Garagem Sul, “Retroactivar“ no MAAT, “Multiplicidade“ no MNAC e “Visionárias“ na Culturgest, todas elas acompanhadas de um livro cada e de um debate cruzado ao longo dos dias das Talk Talk Talk na Fundação Calouste Gulbenkian.

E em termos do seu efeito pós evento? Até que ponto a própria Trienal tem permitido determinar novos paradigmas sobre e para a arquitectura?

Diria que o “pós evento“, as consequências ou influência daquilo que apresentamos, será seguramente o que mais nos interessa. Mas, não nos interessa a arquitectura como disciplina isolada, que na realidade nunca o pode ser, como é o caso do tema desta edição.

Em termos disciplinares, o nosso objectivo é abordar os temas de uma forma profunda, crítica e credível em termos disciplinares, teóricos ou académicos e assim dar um contributo relevante para a nossa profissão. Por outro lado, interessa-nos estabelecer um contacto forte com o público não especializado, que inclui o público adulto, juvenil e infantil. A esse nível, temos cada vez mais uma programação extensa em termos de actividades pedagógicas ligadas às várias exposições e que estabelecem a ponte com essa grande diversidade de públicos. Mas, tudo isto interessa-nos porque só com conhecimento novo, partilhado, assimilado e entendido é que a sociedade se questiona a si própria e avança. Por isso é que é sempre muito importante mas em particular nesta edição chegarmos à classe política, que evidentemente tem um papel decisivo na mudança de paradigmas, como aquela que precisamos de activar nos dias de hoje face à degradação das condições ambientais, alterações climáticas e todas as suas consequências globais.

 

Arq. José Mateus, presidente da Trienal de Arquitectura de Lisboa © Luísa Ferreira

A Trienal é, de certa forma, um legado para as gerações futuras. O que gostaria de dizer a quem está agora a começar?

A arquitectura é uma profissão extraordinária, pois toca profundamente na vida das pessoas, mas que obriga a um trabalho permanente de aquisição de conhecimento, de experiência, que é consolidada combinando prática, investigação técnica e aprofundamento teórico. Mais do que antes, neste tempo em que a realidade avança a uma velocidade vertiginosa e em que a regeneração e manutenção do equilíbrio ambiental passam também muito pelo campo de trabalho dos arquitectos, a nossa profissão necessita do contributo de todos aqueles que tenham a capacidade para lhe dedicarem as suas vidas, de modo profundo. É um desafio muito exigente e difícil, que nos obriga a uma disposição de permanente aprendizagem, de questionamento de práticas e pensamento que antes eram para nós dados adquiridos, mas também por isso maravilhoso.

Pela diversidade de iniciativas que a Trienal abrange diria que mais do que ser a Trienal de Lisboa, é a Trienal do Mundo, sem fronteiras: É este o propósito destes eventos e será assim o seu futuro?

É a Trienal de Lisboa, que direcciona o seu olhar para o mundo e que convida esse mundo para se encontrar em Lisboa para escutar, partilhar, debater, estabelecer laços com a cidade e com quem nela se encontra em torno de um tema.

Sempre foi assim, mas gosto da expressão “Trienal do Mundo“, pois apesar de acontecer em Lisboa, envolve sempre contributos de gente de partes muito diversas do mundo e porque tem subjacente uma ideia de pertença, que é mais bela e com maior potencial nesse alargamento ao mundo. Somos uma Trienal que convoca esse envolvimento planetário, desde logo nos temas que elege, nas equipas de curadores que escolhe e na exigência de alargamento geográfico do projecto curatorial que debate e aprova. Esta edição, é um exemplo muito claro disso. Respondendo directamente à pergunta, sim, é esse o propósito destes eventos. Quanto ao futuro, afirmá-lo seria retirar espaço a quem nos sucederá na frente da Trienal, coisa que não gostaria de fazer.

Tendo em conta a dimensão da Trienal, existe a intenção de criar uma ramificação da mesma no Porto, à semelhança do que já é feito com a Open House, por exemplo?

Não temos intenção de criar uma ramificação da Trienal no Porto. Já analisámos no passado essa possibilidade, tal como em Madrid, Londres e Nova Iorque, mas percebemos que seria uma má estratégia, pois a dispersão de atenção operativa e de meios financeiros, que sempre são insuficientes, iria enfraquecer a clareza, intensidade e profundidade do trabalho que estamos a fazer em Lisboa. A reflexão é o Mundo, a cidade de encontro é Lisboa. Tal como acontece em Oslo, Veneza  e em outras Bienais.

Alguma novidade para a edição de 2025?

Está lançado o call para apresentação de candidaturas à direcção curatorial da 7ª edição, que deverão ser entregues em Outubro. Como sempre, alargamos ao máximo possível o tempo para os curadores trabalharem. É a primeira condição fundamental para se conseguir assegurar qualidade, três anos de trabalho.

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Henderson Park investe 25M€ na modernização do Lagoas Park

Em comunicado, a imobiliária revela que está “a investir no futuro do Lagoas Park, para proporcionar um ambiente e uma comunidade que garantam as necessidades e expectativas em constante mudança das cerca de 90 empresas e 7.000 pessoas que visitam e trabalham diariamente no Lagoas Park”

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A Henderson Park Capital, empresa imobiliária de capitais privados, que adquiriu o Lagoas Park em 2020, anunciou esta quinta-feira um programa de investimento de 25 milhões de euros para a modernização do Lagoas park. O projeto, a realizar ao longo dos próximos quatro anos, contará com a modernização de instalações e espaços colaborativos, quer para visitantes, quer para os colaboradores que trabalham no Parque. As áreas exteriores serão remodeladas, incluindo a praça central, a galeria comercial e áreas comuns, em conjugação com a remodelação dos interiores dos edifícios de escritórios.

Em comunicado, a imobiliária revela que está “a investir no futuro do Lagoas Park, para proporcionar um ambiente e uma comunidade que garantam as necessidades e expectativas em constante mudança das cerca de 90 empresas e 7.000 pessoas que visitam e trabalham diariamente no Lagoas Park”. As obras iniciaram-se em 2021, com melhorias já concluídas em alguns dos edifícios e espaços de escritórios. O investimento vem também reforçar as credenciais de sustentabilidade do Lagoas Park, com o objetivo de obter certificação BREEAM, em todos os edifícios no Parque com uma classificação mínima de ‘Very Good’.

“Em 2002, ano da sua inauguração, o Lagoas Park foi considerado “Best-in-Class” Office Park. Este plano de investimento vai garantir que o Parque permaneça entre os principais parques empresariais da Europa e se adapte às exigências em constante mudança dos inquilinos nacionais e internacionais na dinâmica do mercado de escritórios de Lisboa” diz Ronan Webster, Diretor de Gestão de Ativos, Henderson Park. “Os parques de escritórios de sucesso do futuro, como o Lagoas Park, vão adaptar-se às necessidades em evolução permanente de todos os inquilinos, para dar resposta ao novo ambiente de trabalho e disponibilizar instalações modernas, com preocupações de bem-estar, serviços e espaços comunitários colaborativos para que todas as atividades que decorrem no parque possam crescer”, acrescenta.

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Castro Marim vai alocar 4,6M€ à Estratégia Local de Habitação

A ELH de Castro Marim articula diferentes esforços para o objetivo comum de promover habitações condignas para 109 famílias, um universo de 282 pessoas

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O município de Castro Marim, no Algarve, estabeleceu um acordo com o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) com vai permitir o acesso ao financiamento do programa “1º Direito”., mais concretamente 4,6 milhões de euros dedicados à Estratégia Local de Habitação (ELH).

Com este financiamento, o município algarvio vai promover habitações condignas para 109 famílias, um universo de 282 pessoas, ao abrigo do Programa 1.º Direito, no período de 2022-2025.

Por forma a abranger os agregados familiares sinalizados em situação de vulnerabilidade, a Câmara Municipal de Castro Marim vai investir 4,6 milhões de euros até ao final de 2025, repartidos entre a reabilitação e a construção de novas habitações. Paralelamente, sublinhou a vice-presidente da autarquia Filomena Sintra, o Município procura encontrar soluções para as famílias que, embora não fragilizadas, também não conseguem aceder à habitação, mediante a situação imobiliária que o país atravessa. Assim, a política de habitação de Castro Marim privilegia também um novo regulamento de benefícios fiscais municipais, a construção de habitação para a venda a custos controlados, o Programa Arrendamento Acessível e a venda de lotes para construção de habitação a custos controlados.

O presidente da autarquia, Francisco Amaral, destacou a importância da criação de instrumentos de apoio à criação ou reabilitação de habitações num município que é dos que “mais segundas residências tem no país”, com cerca de “65% do parque habitacional”, e onde os preços das casas “quase duplicam” os de outras regiões do país, à exceção de Lisboa.

“Castro Marim não é exceção à região do Algarve, que é a segunda do país onde é mais caro comprar ou arrendar cassa, só Lisboa nos supera, nas restantes regiões do país, à exceção de Lisboa e Madeira, os valores de compra ou arrendamento são, em média, menos de metade. Esta realidade cria grandes assimetrias territoriais e constrangimentos”, afirmou o autarca.

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Howden formaliza acordo de ‘Parceiro Principal’ com a APPII

Sendo um Full Service Provider neste sector através do seu Real Estate Practice Group, a consultora e correctora de seguros dispõe de uma equipa especializada multidisciplinar que providencia aconselhamento e soluções de transferência de risco que abrangem todo o investimento imobiliário

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A consultora e corretora de seguros Howden, formalizou o acordo de Parceiro Principal com a Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), em cerimónia realizada esta quarta-feira, dia 28 de Setembro. 

Presente em Portugal com escritório em Lisboa, e na Península Ibérica através de 16 escritórios, a Howden é um dos quatro maiores correctores de seguros da Península Iberica. Sendo um Full Service Provider neste sector através do seu Real Estate Practice Group, dispõe de uma equipa especializada multidisciplinar que providencia aconselhamento e soluções de transferência de risco que abrangem todo o investimento imobiliário, destacando-se a cobertura de riscos da transacção (M&A) logo nos processos de compra e venda, a prestação de garantias, protecção de erros e omissões de projecto, a cobertura de responsabilidades dos intervenientes em todas as fases, a cobertura dos riscos de construção e de perdas de exploração antecipadas, bem como a cobertura de todos os riscos de exploração dos activos e da sua venda institucional ou distribuição a retalho.

“Este acordo é o corolário natural da presença crescente da Howden Portugal nesta área de prática, na qual dispomos de soluções que abrangem todo o ciclo de vida dos projetos de investimento imobiliário” declarou Joao Portugal Mendonça, director geral da Howden em Portugal.

Já Francisco Alvim, responsável pela área de M&A em Portugal, acrescentou que “a Howden se consolida assim como player principal num dos setores mais dinâmicos do mercado, onde temos assessorado diversos investidores nomeadamente em operações de grande volume”, concluindo que “a APPII é o parceiro certo para alavancar essa experiência e continuar a trazer soluções inovadoras para o mercado de M&A e imobiliário”.

Por sua vez, Hugo Santos Ferreira, presidente da APPII declarou ser “um orgulho enorme” ter a Howden como seu parceiro, o que permite a Associação capacitar-se na consultoria de risco da transacção e do vida do projecto, de A a Z, perante os associados, que representam os maiores e mais relevantes promotores e investidores imobiliários, nacionais e estrangeiros, com actividade em Portugal e que representam 15% do PIB em volume de investimento anual.

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Maya Capital estreia-se em Portugal com investimento de 65 M€

Vocacionado para investidores que procurem novas oportunidades de rendimento e elegível para Golden Visa, o Conceição 123 é a primeira aposta do FII em Lisboa. A comercialização, em regime de exclusividade, está a cargo da JLL

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A JLL, através do departamento Residencial, acompanha o Maya Capital na comercialização, em regime de exclusividade, naquele que é o seu primeiro projecto imobiliário em Lisboa. Com um investimento de 65 milhões em activos residenciais, o fundo de investimento imobiliário estreia-se com o Conceição 123. Vocacionado para investidores que procurem novas oportunidades de rendimento e elegível para Golden Visa, o imóvel insere-se numa localização premium da cidade, em plena Baixa, trazendo para o mercado 13 novas fracções de uso turístico.

Situado no número 123 da rua da Conceição, este é um empreendimento de uso turístico pensado de raiz como um produto de investimento numa óptica de rendimento, garantindo aos seus compradores um rendimento fixo anual por um período de cinco anos. Os 13 apartamentos estão disponíveis nas tipologias T0 a T2 e serão entregues para exploração turística, com gestão a cargo da Lisbon Serviced Apartments.

Concebidos com elevados padrões de qualidade e exigência, todas as unidades serão equipadas com um pack mobília e algumas possuem varanda. Os apartamentos têm áreas entre os 30 e os 104 m2, distribuindo-se pelos cinco pisos do edifício situado numa das zonas nevrálgicas do turismo de Lisboa.

Situado numa das ruas históricas da Baixa Pombalina, o Conceição 123 está a uma curta distância a pé da estação de metro da Baixa-Chiado, do Terminal de Cruzeiros de Lisboa, do Cais do Sodré e do Terreiro do Paço, contando com uma ampla oferta de restaurantes, comércio, serviços e transportes mesmo à porta de casa.

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Openbook: arquitectura pragmática

Criada há 15 anos por três arquitectos e um financeiro, a Openbook Architecture é hoje uma referência internacional na arquitectura corporate. A recente criação da NOBK e a entrada de Diana Noronha como partner trouxe uma nova linguagem e dinâmica a uma arquitectura, sobretudo, pragmática. Paulo Jervell e Diana Noronha Feio, dois dos seus cinco partners, falaram com a Traço sobre este processo de mudança e crescimento da empresa

Paulo Jervell, partner fundador da Openbook Architecture  e Diana Noronha Feio, que recentemente se juntou à equipa como co-partner, aliaram-se para uma conversa aberta sobre os caminhos percorridos nos últimos quinze anos onde perspectivaram o futuro de um gabinete que já nos habituou a uma arquitectura pragmática, na forma como aborda os projectos. Depois do corporate, a Openbook tomou de assalto o segmento de hotelaria e turismo e a NOBK é o seu Cavalo de Tróia.

A Openbook Architecture completa este ano 15 anos. Como é que tem sido este percurso?

Paulo Jervell (PJ): Começamos com quatro partners: o Rodrigo Sampayo, João Cortes e Pedro Pires, para além de mim. Recentemente entrou a Diana Noronha Feio que veio complementar a actuação do Openbook e trazer valor acrescentado em áreas que identificámos com potencial, não só para diversificar a nossa actuação, mas, acima de tudo, para acrescentar valor aos nossos projectos com a introdução de um conjunto de serviços adicionais que se identificam com o perfil, com a identidade e com a linguagem do Openbook.

Já colaborávamos com o atelier da Diana em alguns projectos e realmente havia uma sintonia muito forte e uma identificação muito forte em termos de identidade e de linguagem e fez sentido fazermos aqui uma espécie de incorporação do atelier da Diana. Surgiu assim a NOBK como uma empresa complementar aos projectos do Openbook, mas também autónoma para projectos com o perfil e no âmbito dos serviços de design de interiores e decoração.

15 anos depois, mantêm o foco no segmento corporate?

PJ: Eu diria que isso é uma percepção do mercado. A Openbook surge em 2007, com a criação de uma empresa e eu reforço o termo empresa porque todos nós temos percursos diferentes, nomeadamente o Rodrigo e o João vêm de um atelier tradicional de arquitectura, o Pedro Pires tem um percurso muito ligado à componente financeira e eu próprio embora seja arquitecto, estava mais ligado à gestão de projectos consultoria imobiliária. Três arquitectos e um financeiro. Decidimos na altura criar uma empresa que tivesse um atelier de arquitectura dentro da empresa, muito mais focada para o mercado institucional, e com um conjunto de valências e de serviços que fossem para além do projecto de arquitectura e muito focados no cliente, mas também nos prazos, na rentabilidade e eficiência dos projectos.

O que não é, propriamente, uma característica que associamos à arquitectura em Portugal…

PJ: Precisamente. Por isso eu reforço que somos uma empresa de arquitectura. Não obstante, o nosso grande impulsionador era, e é, o de fazer boa arquitectura, tal como um tradicional atelier de arquitectura. Isto significa que não olhamos apenas para a rentabilidade ou para a eficiência dos projectos, embora estes sejam, cada vez, factores fundamentais face ao enquadramento económico e social que vivemos.  Temos de responder aos objectivos e às expectativas e exigências dos clientes, não estamos a fazer arquitectura para nós, mas para o utilizador/cliente, mas estamos a introduzir o nosso conhecimento e o nosso traço.

Essa foi uma das razões de nos chamarmos Openbook, ao invés de associarmos o nome dos partners à designação do gabinete. Somos uma empresa, liderada pelos partners, mas que acima de tudo tem uma equipa por detrás, uma equipa de muita qualidade e entrega. E esse continua a ser o nosso driver estratégico.

Voltando um pouco atrás e falando dessa percepção do mercado.

PJ: Em 2007 estamos a arrancar com uma empresa nova em pleno início de crise que abalou muito o mercado imobiliário, mas também o mercado da construção e, principalmente, de obra nova.

Começar uma empresa nestas circunstâncias teve, desde logo, um grande desafio que foi não só o de ultrapassar as dificuldades que essa crise acarretou para o mundo, para a Europa e, nomeadamente, para Portugal, mas que, por um lado, motivou desde cedo a necessidade da nossa internacionalização, enquanto nos focou numa área de negócio e de construção que embora estivesse a ser impactada pela crise ainda era uma área que tinha alguma procura que era o mercado corporativo.

Solidificámos a nossa actuação nesse segmento, que nos permitiu ganhar uma expertise que, eu diria, nos distingue. Esse reconhecimento foi crescendo ao longo destes 15 anos e a estratégia da empresa foi se adaptando a outras áreas de negócios. Actualmente o mercado corporativo continua a ter um peso muito considerável no volume de projectos da empresa, cerca de 60%, mas no começo chegou a ter uma relevância de mais de 80%.  Os outros restantes 40% estão hoje distribuídos pela área residencial, área hospitalar e a área de turismo.

A entrada no segmento da hotelaria e turismo foi reforçada com a criação da NOBK?

PJ: Já trabalhávamos neste mercado, mas o complemento que nos é dado por esta nova vertente de design de interiores permite-nos entrar numa área de negócio muito mais abrangente. Uma coisa é construirmos o edifício, o hotel, outra coisa é podemos fazer uma intervenção muito mais transversal.

Diana Noronha Feio: Ao fim ao cabo é conseguimos dominar duas escalas diferentes do projecto.  Penso que é algo que é sempre muito sensível a quem está habituado a trabalhar numa determinada escala, a escala do projecto do edifício em si, poder depois entrar numa escala que exige outra aproximação. Uma forma de olhar para o mesmo edifício numa óptica muito mais sensorial e, no fundo, a criação de um departamento e uma marca que está focada nessa segunda fase de interacção com a arquitectura que é quando entra o interiorismo, potencia o vivermos o edifício até ao fim.

Que projectos já desenvolveram com a nova marca?

PJ: A nossa colaboração iniciou-se mais na área corporativa e na área residencial, depois tivemos uma consolidação com o projecto do Hotel Ritz que foi o projecto eu diria mais recente, mais emblemático em que realmente conjugámos a intervenção da arquitectura com a intervenção em termos de design.

DNF: Houve uma intervenção arquitectónica que foi um projecto muito profundo e que já tinha alguns anos de desenvolvimento aqui na Openbook, mas a criação deste resort urbano no Ritz já surge numa fase mais tardia e essa nossa aproximação ao interiorismo e de resolver o projecto de A a Z e concebermos o Bar do Hotel e todo o mobiliário da piscina que foi criado para o espaço… significou uma entrega muito grande na definição dos detalhes, do pormenor, de materialização do espaço.

Da internacionalização e das mudanças

Como é que a pandemia influenciou o vosso trabalho, dada as transformações que observamos no modo como se vivenciam os escritórios?

PJ: Estamos sempre em mudança. Depois vamos sendo confrontados com alguns acontecimentos que, de alguma forma, precipitam essas mudanças ou nos fazem pensar para que lado devemos caminhar e de facto a pandemia veio acelerar um conjunto de mudanças. Mas já estávamos a percorre esses caminhos com várias empresas que estavam já a reequacionar a forma de trabalhar e de ocupar os edifícios e a sua própria forma de estar.

É interessante perceber, e contrariamente áquilo que seria expectável, que o take up de escritórios está a crescer e continua a bater recordes. Sempre defendemos que o espaço de trabalho não ia acabar porque as empresas e as pessoas não estão preparadas para ficarem eternamente a trabalhar de forma remota. A questão é como é que o espaço de trabalho se vai adaptar às novas exigências não só das empresas, mas também das pessoas. O que estamos a observar é que grande parte das empresas estão a ter uma necessidade de transformar e adaptar os seus espaços de trabalho, os seus escritórios, porque os colaboradores querem trabalhar de forma diferente e ter um conjunto de condições que entram em ruptura com aquelas que existiam anteriormente à pandemia.

Isso acrescenta mais desafios ao design?

DNF:  Desafios de perceber estas mudanças de cultura em todos os aspectos. É importante as empresas manterem uma cultura viva e ao mesmo tempo que a cultura da empresa é uma apropriação das pessoas e acaba contaminada, no bom sentido, pelos seus colaboradores e pelas suas necessidades e por essa nova forma de trabalhar que também se ganhou com a experiência da pandemia.

Nós estamos sempre em mudança, como o Paulo referiu. Mas integrar outras culturas nos nossos espaços de trabalho é uma preocupação e um desafio. Como é que os nossos projectos reflectem os valores destes clientes que são simultaneamente idênticos e diferentes a nós? A nossa abordagem passa por responder às questões: Quem é o nosso cliente?  O que é que este nosso cliente precisa?

PJ: Todos os dias estamos em mudança. Trabalharmos com todas estas marcas internacionais permite-nos estar sempre um pouco à frente do que são estas novas tendências e estamos a falar de tendências em termos de design e de materiais, em termos de preocupações de inclusão, de sustentabilidade. E focando nesta colaboração entre a NOBK e a Openbook e na integração deste serviço, não estamos só a abordar a questão funcional e a questão da resposta às métricas e às necessidades funcionais da empresa, mas trazer sim uma preocupação e um valor acrescentado no que é o design de interiores. A definição do desenho do mobiliário, a própria integração da decoração e da arte nos escritórios que pode ser arte física, a arte digital, pode ser a arte metaverso, realidade aumentada…

DNF: No final do dia, tudo se resume à experiência.

Que projectos têm actualmente em curso e que podemos destacar?

PJ: Em termos corporativos estamos com um volume de trabalho muito grande. Temos um desafio muito interessante em mãos que é o projecto da nova sede do Novo Banco, que riá passar para o Tagus Park, que é um projecto para o qual fomos seleccionados para  fazer toda a componente do fit out e design de interiores. O projecto da remodelação do campus está a cargo de um arquitecto espanhol. É um desafio grande porque estamos a facilitar através do espaço uma transformação organizacional no Novo Banco que irã passar de localização muito urbana e privilegiada da Avenida da Liberdade para o Tagus Park  e que acreditamos que terá um conjunto de factores muito atractivos  É um projecto com cerca de 30 mil m2 o que é uma dimensão bastante grande.

Continuamos a fazer projectos para as chamadas Big Four estamos a fazer a nova remodelação da nova sede da Mckinsey. Já tínhamos feito a Deloitte, KPMG e PwC e temos agora a oportunidade de estar a fazer a Mckinsey e dar continuidade a esse serviço. Estamos a fazer também fomos seleccionadas para o novo Campus do BNP Paribas no Parque das Nações, um projecto muito desafiante…

DNF: E isso é só no corporate. Estamos a avançar com projectos residências e na área da hotelaria e turismo, estamos a trabalhar num resort numa ilha tropical, hotéis de charme, a transformar um antigo convento numa unidade hoteleira, estamos a desenvolver um projecto de um palácio do século XIX… só para nomear alguns e perceber a diversidade do trabalho que estamos a desenvolver.

A Openbook irá crescer em termos orgânicos?

PJ: Temos uma equipa com 50 pessoas e uma forte expectativa de virmos a crescer 20 a 25% em termos de equipa até ao final deste ano.

Com todos estes projectos a internacionalização da Openbook será reforçada?

PJ: A internacionalização da Openbook começou precisamente em 2008, mas estamos a reforçar essa vertente e estamos a diversificar o mercado de internacionalização.

Acompanhámos alguns clientes que tínhamos cá nos mercados de internacionais como o Brasil, onde abrimos um escritório em 2011, e em Angola. Países com forte relação a Portugal. Assistimos agora a uma forte procura no mercado angolano e vamos dar continuidade à nossa internacionalização para o norte e centro da Europa. Estamos a realizar um projecto de relevância no Luxemburgo e estamos com uma demanda interessante na Bélgica e em França.

Pensamos abrir em breve um escritório no Luxemburgo para cobrir essa área e dar suporte a este conjunto de projectos que estamos a desenvolver na região.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

Manuela Sousa Guerreiro

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ABB constrói “Ciclovia Circular” de Barcelos

Junto às paragens onde se prevê maior procura, existirão pequenos edifícios modulares colocados em áreas próximas à rede de ciclovias, módulos esses que serão um apoio ao passageiro dos Transportes Coletivos

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A ABB (Alexandre Barbosa Borges) vai ser responsável pelos trabalhos de construção da nova ‘Ciclovia Circular’ de Barcelos, um investimento avaliado em 4,6 milhões de euros e promovido pelo município liderado por Mário Constantino.

Segundo o edil, “Barcelos ficará dotada da possibilidade de uma circulação acessível, amiga do ambiente, menos perigosa e mais vantajosa para quem quiser usar a bicicleta como modalidade de deslocação, tanto em trabalho, como em lazer”.

A empreitada cujos trabalhos vão ter agora início, engloba a execução da rede de ciclovia a par de um projeto de melhoria das condições operacionais e de rebatimento do Transporte Público. O objetivo é otimizar a compatibilidade entre o modo ciclável e o transporte público, cuja oferta vai aumentar já no início do próximo ano. Nesse sentido, foram selecionados alguns pontos notáveis onde interessa promover um perfeito rebatimento entre esses dois modos de transporte. Serão locais onde se beneficia o acesso aos veículos de transporte público, criando pontos de paragem que facilitem o acesso de pessoas de mobilidade condicionada aos Transportes Coletivos.

Assim, junto às paragens onde se prevê maior procura, existirão pequenos edifícios modulares colocados em áreas próximas à rede de ciclovias, módulos esses que serão um apoio ao passageiro dos Transportes Coletivos, enquanto os utentes esperam pelo seu autocarro, sendo que, paralelamente, esses equipamentos também apoiam quem circula de bicicleta. Esses módulos irão dispor de tomadas para utilização dos clientes, bem como rede de dados wi-fi.

Estes edifícios, pela sua forma e cor, poderão tornar-se uma imagem de marca da nova estratégia de Mobilidade da cidade, aparecendo pontualmente nas ruas de Barcelos, contribuindo assim para captar novos utilizadores para os transportes mais sustentáveis.

A rede urbana de ciclovias em Barcelos tem como princípio orientador a adoção de políticas públicas de sustentabilidade, capazes de promover a descarbonização e o combate às alterações climáticas, com a diminuição das emissões poluentes, a diminuição do ruído, a melhoria da saúde e bem-estar da população e a segurança de todos os utilizadores da via pública”.

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Mapei adquire a Profilpas

“Com a nossa entrada no grupo Mapei, estamos convencidos de que se abrirão novas oportunidades de crescimento e desenvolvimento

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A Mapei anunciou esta terça-feira que chegou a acordo para a aquisição da Profilpas que, assim, passa a integrar o grupo da empresa , especialista na área de adesivos, impermeabilizantes e produtos químicos para a construção.

A lógica desta operação é entendida, pelos responsáveis da companhia com “a sua estratégia de crescimento e com o objetivo de expandir a sua gama de produtos e soluções para a indústria da construção em benefício dos seus cliente”. Já no entender dos responsáveis da Proflpas, A Profilpas é hoje uma empresa multinacional com mais de 160 empregados, especializada na produção e venda de perfis para revestimentos de pavimentos e parede e acessórios de assentamento.

O grupo Profilpas produz em Itália e Polónia nas suas duas fábricas de Cadoneghe e Kutno e tem filiais come rciais em França, Espanha, Portugal, Alemanha, República Checa, Rússia e Emirados
Árabes Unidos.

Marco Squinzi, administrador-delegado da Mapei, defende que a gama exclusiva de produtos, a Profilpas, que inclui perfis técnicos e de acabamento, ralos de duche, espaçadores e sistemas de nivelamento para pavimentos e paredes, a Mapei amplia a sua oferta, tornando-se ainda mais um
ponto de referência para projetistas, aplicadores e distribuidores”.

Barbara e Marco Pasquali, diretores da Profilpas, declaram que “com a nossa entrada no grupo Mapei, estamos convencidos de que se abrirão novas oportunidades de crescimento e desenvolvimento. O osso objetivo é levar a marca e as tecnologias Profilpas para o mundo”.
Veronica Squinzi, administrador-delegado da Mapei, conclui que “a aquisição da Profilpas e das suas filiais está em linha com a nossa estratégia de crescimento, também através de aquisições específicas que reforçam o nosso grupo em termos de mercados e produtos. Em particular, com a adição de duas fábricas em Itália e na Polónia e com a presença de empresas locais, estamos a aumentar a nossa capacidade de responder às necessidades do mercado e de estar cada vez mais perto dos nossos clientes”.

Graças a esta aquisição, a Mapei reforça a sua presença interrnacional e está agora presente, a nível mundial, com 100 filiais distribuídas por 57 países e 86 fábricas, para um total de mais de 11.000 empregados.

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Norfin lança futuro Oriente Green Campus

O espaço, para onde anteriormente esteve pensado o projecto Multiusos Oriente, contará com uma área total de escritórios de 41,100 m2 e ainda 18,700 m2 de zonas exteriores

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A Norfin, uma das referências nacionais na gestão de investimentos imobiliários, em representação do Fundo Multiusos Oriente FEIIF, detido pelos Orion European Real Estate Funds, acaba de anunciar o início das obras para a construção do Oriente Green Campus. A construção deverá estar finalizada no decorrer do segundo semestre de 2023 e promete trazer “um novo impulso à zona norte do Parque das Nações”.

O futuro Oriente Green Campus, localizado em Moscavide, no espaço onde anteriormente esteve pensado o projecto Multiusos Oriente, contará com uma área total de escritórios de 41,100 m2 e ainda 18,700 m2 de zonas exteriores e servirá de extensão ao Parque das Nações estando dotado de várias alternativas de acessibilidade. Idealizado para estar na vanguarda da sustentabilidade, o edifício contará com variadas amenities, como um food court de uso exclusivo dos utilizadores, ginásio, auditório, extensas zonas verdes e estacionamento para veículos, incluindo bicicletas, bem como um sistema de ventilação natural que permitirá uma maior renovação do ar no interior e uma redução do consumo energético.

O projecto de arquitetura, desenvolvido em colaboração pelos reconhecidos ateliers de arquitectura Kohn Pedersen Fox Associates (KPF), com vasta presença internacional, tendo desenvolvido projectos para algumas das maiores empresas mundiais, incluindo alguns dos gigantes tecnológicos, e Saraiva + Associados, pretende proporcionar “uma experiência de trabalho inovadora e acolhedora”, o que se reflecte na incorporação de vastas zonas verdes, nas áreas amplas de iluminação natural, na qualidade dos equipamentos e acabamentos e, ainda, num rooftop único em Portugal.

Com uma área bruta total de construção de 41.000m2, o programa distribui-se por três pisos acima do solo, com floorplates únicos de até 14.000m2 por piso. O edifício contará com três entradas independentes o que lhe confere flexibilidade e conveniência.

O complexo estará habilitado a albergar mais de 3.500 funcionários, nas suas duas formas: como utilizadores individuais – em gabinetes – ou em open space, complementados pelas salas de reuniões formais ou zonas de encontro informais e de pausa. Incluem-se ainda o átrio principal, um food court, uma zona de ginásio, um auditório, um espaço para estacionamento de bicicletas e um delivery locker.

O Oriente Green Campus será, ainda, o primeiro edifício LEED Platinum do mercado da Grande Lisboa, garantindo assim o mais alto nível de certificação da construção sustentável, com grande foco na redução da pegada carbónica. Este será ainda dotado do selo WELL Gold, que visa nomeadamente a saúde, segurança e o bem-estar dos seus utilizadores. “O equilíbrio entre as práticas verdes e a tradição local estará também reflectido na fachada do edifício, que incorpora peças de azulejo, privilegiando a paleta de cores azul e branco, típicas da cidade de Lisboa”, reafirma a promotora.

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