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“Fábrica” vai criar nova centralidade na Amadora

“Em parceria com o BNPP Real Estate, estamos a realizar um dos primeiros projectos de requalificação urbana fora de França, tornando possível dinamizar um bairro sem alterar negativamente a natureza dos solos”, referiu Mathieu Descout, presidente da Novaxia Investissement

Manuela Sousa Guerreiro
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“Fábrica” vai criar nova centralidade na Amadora

“Em parceria com o BNPP Real Estate, estamos a realizar um dos primeiros projectos de requalificação urbana fora de França, tornando possível dinamizar um bairro sem alterar negativamente a natureza dos solos”, referiu Mathieu Descout, presidente da Novaxia Investissement

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Manuela Sousa Guerreiro
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A francesa Novaxia Investissement concluiu a compra de cinco terrenos na Amadora, os quais perfazem uma área total de 72 mil m2, que têm um potencial construtivo de 107 mil m2 acima do solo.

“Entre os vários usos permitidos, destaca-se a capacidade para a construção de serviços, habitação e equipamentos diversos, incluindo nas áreas de saúde, educação ou cultura. Os primeiros estudos propõem também a criação de muitos espaços verdes, que irão transformar radicalmente um espaço anteriormente ocupado por actividades industriais”, refere a JLL que assessorou o Millennium BCP, que detinha os terrenos, no processo de venda ao fundo detido pela Novaxia Investissement. O processo de negociação, estudos iniciais e introdução do investidor ao Vendedor, foi efectuado pelo BNP Paribas Real Estate.

Um factor determinante para a conclusão do negócio foi a “localização estratégica” do activo, que o colocam junto das principais vias rodoviárias do concelho e da sua rede pública de transportes, estando bastante próximo da estação de metro Amadora Este e das estações de metro e comboio da Reboleira. A proximidade à CRIL permite também um rápido acesso às diferentes zonas das cidades da Amadora e de Lisboa. Localizado na fronteira com a freguesia de Benfica, considerado um dos bairros residenciais mais consolidados de Lisboa, o desenvolvimento deste projecto estruturante permitirá consolidar e harmonizar a ligação entre os dois concelhos.

“Este é um projecto de requalificação urbana emblemático, uma especialidade da Novaxia Investissement. Em parceria com o BNPP Real Estate, estamos a realizar um dos primeiros projectos de requalificação urbana fora de França, tornando possível dinamizar um bairro sem alterar negativamente a natureza dos solos”, referiu Mathieu Descout, presidente da Novaxia Investissement por ocasião da concretização de negócio.

A fase de estudos, que está em estado avançado, está a ser articulada com a Câmara Municipal da Amadora, tendo em conta o processo de revisão do actual Plano Director Municipal que está em curso.

“Identificámos o projecto da “Fábrica” com um enorme potencial de desenvolvimento e procurámos fazer esta parceria com a Novaxia para trazer para o concelho da Amadora uma nova centralidade ao serviço da cidade e das pessoas. Com efeito, antes da concretização desta aquisição pela Novaxia, foram realizados importantes estudos técnicos e urbanísticos em proximidade com a equipa técnica do município da Amadora e com o apoio do Mbcp e da JLL”, explicou Pedro Alves Torgo, head of BNPP RE Portugal e Property Development Director Iberia.

Sem o plano fechado ainda não é possível estabelecer qual o valor do investimento na reconversão imobiliária e no renascimento de uma nova área residencial e de comércio no concelho.

“O futuro projecto imobiliário a nascer nestes terrenos, pela sua escala, vai dar um contributo importante para a regeneração de que este território tem sido alvo nos últimos anos”, referiu Gonçalo Ponces, head of development da JLL.  O especialista chamou ainda a atenção para o facto da transacção, que ficou concluída no final de Julho, confirmar a forte procura internacional por projectos de desenvolvimento imobiliário de grande escala. “A realidade é que já há alguns anos que existe forte interesse e procura por parte de capital estrangeiro por terrenos que permitam desenvolver projectos mais ajustados à capacidade das famílias (quando falamos de habitação nova) e das empresas de média/menor dimensão (quando falamos de escritórios de qualidade). Relativamente à habitação, os fundamentais para este mercado continuam sólidos, tendo em mente que existe ainda uma franja de mercado considerável (classe média) que não tem sido servida ao nível de construção nova.”, justificou Gonçalo Ponces que comparou a “Fábrica” a projectos como a Alta de Lisboa e Miraflores, os quais “têm tido um enorme sucesso, com uma taxa de absorção muito positiva. Relativamente aos escritórios, a premência da crescente exigência ESG e a cada vez maior exigência por parte dos recursos humanos qualificados, poderão no futuro levar a que as empresas de menor dimensão sigam o que já tem sido feito pelas maiores empresas ao procurarem espaços que ofereçam uma experiência de maior qualidade aos seus ocupantes. Projectos como este poderão responder a esta oportunidade no futuro”, sublinhou.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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Arquitectura

“Acho que a abordagem para mitigar a crise climática precisa ser radical”

“A arquitectura, os arquitectos e toda a indústria da construção têm responsabilidade para com uma sociedade equitativa. Como profissão criativa temos a capacidade de reimaginar e reinventar formas de usar a arquitectura como ferramenta social”, assegura à TRAÇO a arquitecta e investigadora Marina Tabassum, vencedora do Prémio Carreira Trienal de Lisboa 2022

Cidália Lopes

Em entrevista à Traço, a Marina Tabassum aponta o importante papel da selecção de materiais e estratégias ambientais na definição do tecido do edifício como forma de minimizar os efeitos das alterações climáticas e acredita que a abordagem precisa “ser radical”. Da mesma forma, considera que a arquitectura deve assumir “um papel de agente de mudança” no que diz respeito ao trabalho junto de comunidades locais mais desfavorecidas. Uma prática que deve sobrepor-se “a um mercado orientado para o lucro”. O caminho já começou e, com este prémio, Tabassum pretende estimular, ainda mais, discussões sobre o papel da arquitectura na mudança de pensamentos e valores.

Qual é a importância desta distinção?
Os reconhecimentos são importantes, pois trazem para o foco questões e buscas que são relevantes para o nosso tempo e contexto. Estamos a viver um momento muito interessante de mudança de paradigmas. Espero que distinções como esta da Trienal de Lisboa estimulem discussões sobre o papel que a arquitectura pode ter na adaptação da paisagem à mudança dos nossos pensamentos e valores.

Qual a importância do papel da arquitectura como veículo/ferramenta social?
A indústria da construção civil, da qual nós arquitectos somos parte integrante, é um dos maiores contribuintes da crise climática, aumentando o stock de resíduos e o acesso desigual a um ambiente de vida de qualidade.

Se considerarmos o contexto actual do nosso tempo em que o ambiente natural habitável está ameaçado pelo excesso de extracção da matéria-prima e produção com o foco único no crescimento económico, isso criou uma enorme disparidade nas condições de vida tanto no contexto urbano quanto no rural. Quão responsável será nossa profissão se o continuarmos a negligenciar? A arquitectura, os arquitectos e toda a indústria da construção têm responsabilidade para com uma sociedade equitativa. Como profissão criativa temos a capacidade de reimaginar e reinventar formas de usar a arquitectura como ferramenta social.

A urgência de cuidar da ‘Terra’ leva a uma mudança radical na forma como a arquitectura é projectada e feita. Quais são as principais mudanças que já se fazem sentir?
A Terra pode curar-se sem intervenção humana, se reduzirmos as nossas actividades antropogénicas. Cuidar da Terra é, na verdade, cuidar do nosso ambiente habitável. Testemunhámos durante a pandemia, quando entrámos em confinamento, como a natureza se cura quando as actividades humanas são reduzidas. Precisamos restaurar o ecossistema, limpar o ar e a água, reduzir os resíduos antropogénicos não apenas para a Terra, mas para a nossa própria existência. Porque é que construímos edifícios revestidos de vidro em regiões de climas quentes, onde a temperatura pode chegar a 55°C. Deveria ser crime desperdiçar energia na refrigeração destes edifícios.

Em vez de construir novos, precisamos nos concentrar no ambiente construído que criamos e trabalhar em estratégias de adaptação que sejam amigáveis ao meio ambiente, fazendo uso dos recursos naturais como luz do dia, vento, sombra-sombra respondendo aos contextos e reduzindo nossa dependência sobre combustível fóssil. Precisamos abordar a vegetação e a segurança alimentar, que por si só pode actuar como acção restauradora.

Como prevê que sejam os próximos anos em termos de como o planeta enfrentará a crise climática? E que acções devem ser tomadas a nível global para que a profissão de arquitecta desempenhe um papel cada vez mais activo?
Em Bangladesh, já estamos a enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Os padrões climáticos imprevisíveis estão a perturbar a ecologia agrícola. A subida do nível do mar, induzida pela crise climática aumentou as inundações, a erosão das margens dos rios e afectou também a biodiversidade das zonas costeiras. Um grande número de pessoas tornou-se ‘migrantes climáticos’.

Condições climáticas extremas na forma de secas, inundações, furacões, deslizamentos de terra, incêndios florestais estão a acontecer de forma global e a afectar um grande número de pessoas. Estes fenómenos vão aumentar nos próximos anos.

Acho que a abordagem para mitigar a crise climática precisa ser radical. A arquitectura precisa de se concentrar apenas em edifícios e construções essenciais. Pelo menos durante uma década, a arquitectura devia focar-se na recuperação do desequilíbrio ambiental. Construir para os desfavorecidos e para as vítimas mais vulneráveis às alterações climáticas é mais importante do que construir apartamentos e escritórios de luxo. Mas um mercado orientado para o lucro não se concentrará em abrigar esta população. Neste sentido, os arquitectos podem assumir o papel de agentes de mudança.

Mas a nível global, não deve ser difícil reduzir a extracção, a superprodução de edifícios e materiais de construção. Podemos reduzir as longas cadeias de fornecimentos adquirindo materiais localmente, com o foco em pesquisas colaborativas sobre como transformar em materiais de construção utilizáveis os resíduos. Cada edifício deve ser resiliente ao clima e optimizar o uso de energia e isso pode ser exigido por lei. A reutilização adaptativa deve ser incentivada em vez da substituição completa dos edifícios existentes.

A forma de fazer arquitectura difere do contexto, do país, das condições socioeconómicas. O que podemos aprender com o que está a ser feito em Bangladesh e nos países vizinhos?
Nem tudo que está sendo feito em Bangladesh e na região são exemplares que podem ser replicados. Mas há muitos arquitectos e escritórios de arquitectura que abordam a profissão com mais responsabilidade do que os outros. Grande parte de nossa arquitectura pretende ser ‘climate responsive’ e ao contexto e são menos dependentes de meios artificiais de controle climático. Também procuramos que os materiais utilizados sejam, normalmente, provenientes do país. Além disso, recorremos à força de trabalho local para trabalhar no sector da construção. Isso gera economia local.

Temos comunidades de jovens arquitectos que não seguem a forma convencional da prática, mas com foco no trabalho com comunidades menos privilegiadas através de processos participativos de design e construção. Mesmo quando não há clientes ou financiamento, os arquitectos estão a criar projectos e a envolver pessoas para construir os seus próprios ambientes de vida. São novas formas de práticas que se estão a mostrar muito impactantes para as comunidades de baixos rendimentos.
Quais os projectos que destacaria e porquê?

É difícil destacar projectos, pois cada um é diferente devido ao seu contexto, programa e narrativa. A mesquita Bait ur Rouf é o primeiro projecto que chamou a atenção para a nossa prática. É um projecto único onde todas as minhas preocupações arquitetónicas se manifestaram através do design.

Os projectos nos campos de refugiados são únicos pelo contexto e narrativa difíceis e também pelas restrições impostas à construção que nos obriga a procurar formas inovadoras de construção. Os projectos são o resultado do envolvimento da comunidade no design e na sua própria construção.

Por exemplo, a unidade de habitação modular móvel Khudi Bari é a nossa resposta à preparação climática para as comunidades marginalizadas de Bangladesh. Este é, também, um projecto único que ajudou a salvar as vítimas das cheias, incluindo os seus vizinhos na recente enchente de 2022.

A ‘bio’ de Marina Tabassum

Arquitecta e investigadora e docente natural do Bangladesh, Marina Tabassum fundou a Marina Tabassum Architects, com sede em Dhaka, em 2005, depois de 10 anos como sócia e cofundadora do URBANA, também em Dhaka. No seu trabalho, que vai do institucional ao multi-residencial e ao cultural, Marina Tabassum procura “estabelecer uma linguagem de arquitectura que seja contemporânea, mas reflexivamente enraizada no lugar”.

Marina Tabassum é directora académico do Bengal Institute for Architecture, Landscapes and Settlements, uma plataforma intelectual para aqueles que estão empenhados a imaginar e moldar futuros ambientais na região. Leccionou na Harvard University Graduate School of Design, Technical University, Delft, University of Texas at Arlington e BRAC University, tendo sido, também, agraciada com um doutoramento honorário da Universidade Técnica de Munique.

A sua contribuição no campo da arquitectura rendeu-lhe honras e elogios, incluindo Prémios Aga Khan para Arquitectura, o Prémio Memorial Arnold W. Brunner, da Academia Americana de Artes e Letras, a Medalha de Ouro da Academia Francesa de Arquitectura, a Medalha Soane de Sir John Soane Museum e o Prémio Jameel do Victoria and Albert Museum.

Marina Tabassum está, igualmente, envolvida na organização de comércio justo Prokritee como membro do Conselho, capacitando mulheres de Bangladesh através da exportação de objectos artesanais. Iniciou, também, projectos de habitação de baixo custo em cidades ao redor de eco-resorts actualmente em construção no sul de Bangladesh e criou a FACE, com o objectivo de procurar soluções de vida resilientes ao clima para as vítimas vulneráveis às mudanças climáticas.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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Construção

Grupo CVM vai investir 140M€ até 2024

O grupo nortenho Construções Vila Maior (CVM) anuncia o investimento de 140 milhões de euros, a realizar até 2024, com vista ao desenvolvimento de vários projectos imobiliários para o segmento residencial que irão criar 825 novas fracções. Os investimentos concentram-se a Norte

Do total previsto, 425 fracções estão já em desenvolvimento/construção e as restantes quatro centenas irão iniciar-se até ao final de primeiro trimestre de 2023, como conta ao CONSTRUIR Severino José Ponte, CEO do Grupo CVM.

O grupo CVM foi fundado em 1999, dedica-se à construção e promoção imobiliária e centra a sua actividade essencialmente entre Espinho e Leça da Palmeira. Uma concentração geográfica que irá ser reforçada nos próximos dois anos. O objectivo do grupo é “consolidar e expandir o negócio de promoção imobiliária, e liderar o sector em Vila Nova de Gaia, reforçar no Porto, Espinho e Matosinhos”.

O grupo é já um forte player na área da construção, reabilitação e promoção, com soluções que abrangem diversas dimensões, desde a construção de habitação prime, à reabilitação integral de edifícios, tendo, nos últimos 10 anos, construído 900 fracções no Porto e Vila Nova de Gaia. Em 2021, o grupo CVM facturou 24 milhões de euros e estima atingir os 32milhões de euros em 2022.

A empresa lançou, recentemente, sete novos projectos imobiliários no valor de 49,7 milhões de euros. Que projectos são estes, dirigidos para que segmentos de mercado?
Todos os projectos lançados e que estão em construção e em fase de comercialização são de habitação e destinam-se ao segmento de mercado médio-alto. Temos o empreendimento Pedras da Mare, em São Félix, Vila Nova de Gaia, está em fase de obra e será um edifício com 34 fracções de habitação de tipologia T1, T2, T3 e T4 e está já 90% vendido. O empreendimento Rua Trinta e Seis, em Espinho, está em fase de obra e será um edifício com 20 fracções de habitação. Ainda em Espinho, o edifício Rua Cinco está em início de construção e tem 19 fracções de habitação.

Já o edifício Aires Ornelas, localizado em pleno centro do Porto, está em início de construção e tem 16 fracções. O edifício Encosta do Infante 2ª fase, em Vila Nova de Gaia, terá 65 fracções.

As Casas da Marinha vão nascer em São Félix da Marinha e serão contempladas por 4 Moradias T4 e T5. O início de obra está previsto para Outubro 2022. Depois temos o edifício Pacífico, em Vila Nova de Gaia, com 62 fracções, também deverá arrancar em Outubro deste ano, tal como o edifício Encosta do Infante 3ª fase, em Vila Nova de Gaia, que terá 48 fracções

No último ano, Vila Nova de Gaia foi um dos concelhos que mais investimento imobiliário captou. Sendo este também um dos locais onde a empresa está mais activa, pergunto-lhe quais os factores por detrás deste boom?
O conhecimento do mercado de Vila Nova de Gaia, resultado da nossa actividade nos últimos anos nesse concelho, associado ao reconhecimento da nossa marca pelos clientes levaram a nossa empresa a reforçar o investimento não só no centro da cidade como também na zona litoral. Gaia é historicamente um bom mercado com elevada procura de habitação de qualidade. Neste momento verificamos além da procura de habitação própria também a existência de clientes nacionais e internacionais que procuram investimentos seguros.

Essa procura estendesse a outros concelhos do grande Porto. São mercados onde a empresa vai actuar?
Porto, Matosinhos e Espinho são mercados que pela proximidade da nossa zona de intervenção também despertaram o nosso interesse para investimento. Neste momento mantemos a nossa presença no Porto com o projecto de Aires Ornelas, em Matosinhos com um novo projecto com arranque previsto para o início de 2023 e em Espinho com três projectos novos, Espinho 36 (1 e 2 fase), Espinho 5 e um outro projecto ainda em estudo prévio.

Qual o valor do investimento a realizar nos próximos dois anos?
Na verdade, pretendemos investir 140 milhões de euros, até 2024, na construção de quinze edifícios, o que corresponde a 825 fracções. Deste total, 425 já estão em curso e as restantes 400 irão iniciar-se até final do primeiro trimestre de 2023.
O objectivo do grupo é consolidar e expandir o negócio de promoção imobiliária, e liderar o sector em Vila Nova de Gaia, reforçar no Porto, Espinho e Matosinhos.

Que projectos vão nascer? E onde?
Além dos projectos que já mencionei, estão programados para arrancar no primeiro trimestre 2023 os seguintes projectos imobiliários: o da Rua 36 2ª fase, em Espinho, o projecto para 15 apartamentos está em fase de; o da Rua de Brito em São Félix da Marinha, Vila Nova de Gaia, o projecto para 35 apartamentos; o da Rua D João I em Matosinhos Sul, o projecto para 9 apartamentos. Todos eles estão em fase de licenciamento. E temos previsto mais um projecto de 75 fracções na Avenida da República, em Vila Nova de Gaia.

A CVM estará sozinha nestes projectos ou em parceria com outras entidades? Como está estruturado este investimento?
Do total do investimento a realizar de 140 milhões de euros, a área de promoção imobiliária do grupo, a Dunaplana, que é detida a 100% pelo grupo, assumirá 60 milhões de euros, os restantes 80 milhões de euros serão realizados através de empresas participadas do Grupo CVM.

Todos estes projectos destinam-se ao segmento residencial?
Nem todos eles serão residenciais. O grupo CVM está a investir também na área do arrendamento industrial, onde investirá até final de 2023 quinze milhões de euros em Santa Maria da Feira no Parque Empresarial A32, um empreendimento que terá 25.000m2.

É uma estratégia ambiciosa. Este volume de investimento destina-se a aproveitar o bom momento do mercado?
O nosso grupo de empresas tem como base a empresa de construção, Construções Vila Maior, uma empresa com mais de 30 anos de experiência e que nos permite garantir a execução dos empreendimentos com qualidade e prazo propostos. O volume de projectos que temos em curso é resultado de uma estratégia que foi traçada nos últimos anos, com a compra de terrenos e com a realização de parcerias estratégicas com outras empresas de promoção imobiliária. A CVM acredita que a união faz a força e as parcerias que fizemos são prova disso mesmo.

Não teme um abrandamento da procura no mercado da construção nova no Grande Porto?
O objectivo do grupo ao avançar com todos estes projectos é, na verdade, antecipar as mudanças de fundo que surgirão a cinco anos no mercado em Portugal. Desta forma, estamos a reposicionar-nos fortemente para combater as actuais dificuldades que o sector enfrenta com os preços das matérias-primas e com a escassez de mão de obra qualificada.

A curto prazo construir será ainda mais difícil, devido à falta de mão de obra qualificada, e mais caro, resultado do crescimento de preços que se verifica não só nos materiais, mas também nos terrenos. Verificamos que os terrenos bem localizados são cada vez mais escassos.
Acreditamos que este é o momento de crescer e aproveitar desta forma a nossa capacidade construtiva que será certamente uma vantagem para a colocação do nosso produto no mercado.

Construir para a classe média é um desafio? De que forma os altos preços das matérias-primas condicionam (ou não) a vossa actividade?
Estamos certos de que o aumento de preços vai continuar a sentir-se e terá de se reflectir no preço final da habitação. Trabalhamos de forma a optimizar soluções para que o preço final se enquadre no nosso mercado.

O nosso modelo de negócio traz muitas vantagens para que o produto seja competitivo, uma vez que participamos activamente em todas as fases do desenvolvimento dos projectos. Os projectos são pensados e desenvolvidos do zero o que nos permite colocar todo o conhecimento adquirido ao longo dos anos, as soluções arquitectónicas e construtivas são estudadas de forma que o produto final seja o pretendido pelo cliente.

O grupo CVM trabalha muito para investidores estrangeiros, mas o nosso mercado principal é o mercado nacional. A nossa preocupação é sempre o custo final das habitações, obviamente que não podemos desligar-nos dessa preocupação quando desenvolvemos um projecto.

Os investimentos que realizaram e que pretendem realizar obrigaram ao reforço da estrutura? Em que sentido?
Para podermos realizar os projectos em curso a empresa teve a necessidade de crescer nos últimos anos quer ao nível de mão de obra qualificada e quadros técnicos como no investimento de equipamentos e novas instalações.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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Arquitectos: Revisão do CCP é “lesiva do interesse público”

A redacção da iniciativa legislativa, no entender dos responsáveis da Ordem, “é francamente lesiva do interesse público por uma arquitectura de qualidade, qualidade essa que o legislador propõe passar a desconhecer, pois a escolha do melhor projecto que serve o interesse público não será, em primeira instância, feita pelo Estado”

Ricardo Batista

O projecto de Decreto-Lei 32/XXIII/2022, relativo às novas alterações propostas para o Código dos Contratos Públicos (CCP), cuja consulta pública decorreu até ao passado dia 16 de Agosto, continua a gerar críticas por parte dos arquitectos.

Em comunicado, a Ordem dos Arquitectos (OA), através do seu Conselho Directivo Nacional (CDN), considera que o actual documento “vem na senda da inicial Proposta de Lei n.º 41/XIV/1.ª (GOV)”, cuja gravidade sublinhámos em sede de audição da Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação (CEIOPH), no dia 29 de Setembro de 2020″, por se pretende estabelecer como regra um regime que é de excepção. Essa proposta viria então a ser retirada em favor de um texto de substituição, que recuava na alteração proposta ao regime de concepção-construção. Deste modo, a OE encara com “redobrada apreensão” as consequências do actual diploma, nomeadamente, “as suas graves implicações para o território e a paisagem edificada, bem como para o exercício da profissão de arquitecto, estando em causa questões da maior relevância para a salvaguarda da Arquitectura e do interesse público”, na medida em que a nova leitura volta a propor um procedimento dito especial face àquilo que é regra, de acesso excepcional à modalidade de concepção-construção. “Verificamos que, na verdade, não existe excepção, mas antes a possibilidade do encomendador, de forma livre, arbitrária, generalizada e definitiva, recorrer ao regime de concepção-construção, hoje consagrado como excepcional e de âmbito claramente (e bem) restringido. E por que razão? Possibilitar a eliminação de dispêndios de tempo e recursos desnecessários, por parte da entidade adjudicante, nos casos em que esta considere que o mercado está em melhor posição de elaborar um projecto de execução de determinada obra, concluindo que tal prerrogativa concorrerá para uma pretendida agilização procedimental”, explica a OE no mesmo comunicado.

Desburocratizar sim, mas…
Ainda que se entenda a necessária “desburocratização e flexibilização”, estas “não podem justificar preterir os mecanismos que melhor protegem o interesse e os recursos públicos”. “Ora, a solução que se apresenta é especialmente gravosa e fortemente limitadora do acesso à encomenda de projecto, sendo preteridos serviços de dezenas de milhares de projectistas – arquitectos e engenheiros – em favor de construtoras de maior dimensão e de maior capacidade técnica e financeira”, salienta. Considerando que “o projecto não é um dispêndio desnecessário”, mas antes um investimento elementar na boa aplicação do dinheiro público, a Ordem considera que “através da solução que agora se discute, abre-se a porta, mais do que à simplificação e à eliminação de tempos e recursos desnecessários, à própria extinção de procedimentos, e fecham-se as janelas à transparência e livre concorrência”. “Insistimos na defesa da solução que separa a actividade de projecto da actividade da construção e da preservação do livre acesso de projectistas à encomenda de obra pública”, já que “com a proposta que agora se apresenta não descortinamos qualquer passo em frente no que toca ao bom uso dos dinheiros públicos e combate à corrupção”, nem que a mesma “assegure um benefício efectivo para a generalidade dos trabalhadores de toda a fileira económica da construção, mas apenas e tão só para alguns (poucos) dos seus actores”, assim como “não se antecipa que resulte numa contribuição positiva para a paisagem do país e, nessa medida, para a futura qualidade de vida dos portugueses”. Neste sentido, a Ordem solicita nova alteração do Projecto de Decreto-Lei “em favor de uma redacção que garanta o interesse público por uma arquitectura de qualidade e mantenha as condições de livre acesso de projectistas à encomenda de obra pública”.

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Fortera com investimentos de 500 milhões de euros mas conjuntura pode levar a novos ajustes

Prosseguindo a sua estratégia de implementar o conceito Alice by Fortera em Portugal, o Grupo israelita continua a desenvolver projectos que vão ao encontro deste modo de vida. Edifícios que além da componente residencial, incluem também um conjunto de serviços e ‘amenities’, num investimento global de mais de 500 milhões

Cidália Lopes

Com um investimento inicial de cerca de 115 milhões de euros, a previsão de é que ao longo de cinco anos, o investimento global supere os 500 milhões de euros, em 1000 novas habitações. A empresa justifica o lançamento do conceito Alive by Fortera por ter identificado que, com a pandemia, o paradigma habitacional mudou, e que a forma como se habitam as casas nunca mais será a mesma.

“Quisemos fazer evoluir os nossos edifícios nesse sentido e criar condições para as pessoas usufruírem do espaço com a capacidade de multifunções, mais precisamente por haver cada vez mais falta de ligações significativas entre vizinhos e percebemos a importância de criar relações, construir confiança, viver num ambiente seguro onde as pessoas se possam relacionar e ajudar mutuamente. Quisemos desenvolver uma ferramenta que ajude as pessoas a terem melhor qualidade de vida e melhores experiências”, conclui Elad Dror

A Fortera vai criar infraestruturas nos seus edifícios e introduzir o conceito ‘Alive by Fortera’, que consiste numa série de novos serviços e “amenities” que facilitam a vida das pessoas, e vão de encontro a esta nova forma de estar: desde espaços de partilha de conhecimento, a actividades lúdicas, passando também por momentos de interacção, espaços conjuntos para coworking, entre outros.

Este novo conceito habitacional que pretende criar sinergias, aproximar pessoas, e proporcionar uma habitabilidade plena no século XXI, lança mão da tecnologia e do desenvolvimento, e coloca-a ao serviço das pessoas. Outro objectivo subjacente ao conceito é o desenvolvimento de contextos de proximidade e combate à solidão, ou seja, reduzir a solidão, aumentar a solidariedade, a interajuda e a segurança entre vizinhos.

O grupo já seleccionou os dois primeiros empreendimentos que vão integrar este novo conceito, sendo o primeiro o Espinho Downtown – cujo edifício de habitações se chama Alive Espinho, com 84 fracções e que comporta um investimento inicial de 15 milhões de euros. Haverá ainda lugar a escritórios e, numa segunda fase, irá ter uma torre que será também destinada a escritórios. Com uma área superior a 22 mil m2, sendo será a “ponte” do RECAFE para a parte sul da cidade, nomeadamente as belas praias de Silvalde e o Oporto Golf Club, jóia secular da cidade.

O segundo empreendimento que incorporará o conceito será em Vila Nova de Gaia, no Alive Riverside, que comporta um investimento de 110 milhões de euros para a construção de cerca de 300 apartamentos. A sua construção está prevista arrancar no final deste ano, com o início da primeira fase que incluirá 122 apartamentos.

Torre Skyline avança só para o ano
Inicialmente orçamentado em 110 milhões de euros, o investimento do projecto Skyline foi revisto em alta para 150 milhões de euros. Os expressivos aumentos no sector da construção e, por conseguinte, a necessidade de proceder a alterações no projecto ditaram o ajuste do investimento. Com cinco fases e sendo até ao momento o maior projecto da Fortera em Portugal, o início da construção está previsto para 2023. Elad Dror, CEO do Grupo, espera que o empreendimento fique concluído em três anos.

O projecto imobiliário, que se transformará no prédio mais alto do País e que conta com a assinatura do arquitecto Souto Moura, terá 28 andares, 160 quartos de hotel e 111 “serviced apartments”, um roof top, uma piscina infinita, um centro de bem-estar, um bar, dois restaurantes e vista panorâmica infinita. Nestas residências, que terão apartamentos entre os 40 e 100 metros quadrados de tipologias de T0 a T2, o preço do metro quadrado rondará os sete mil euros.
O projecto começará com o parque de estacionamento público e a praça do centro de congressos que é o catalisador deste empreendimento de uso misto e que mudará, para sempre, Gaia como cidade. Além disso, terá impacto em toda a região Norte. Irá criar diretamente, pelo menos, 500 postos de trabalho.

Convento do Carmo em 2024
O Convento do Carmo Boutique Hotel vai nascer na cidade de Braga. O início do projecto, que irá requalificar e transformar o antigo Convento dos Carmelitas, edifício datado de 1655, junto ao Largo do Carmo e junto à igreja como mesmo nome, arranca em Outubro deste ano e estará pronto em 2024, e dará lugar a uma unidade hoteleira de quatro estrelas.
À semelhança de outros projectos do Grupo também este sofreu atrasos e ajustes devido à actual conjuntura, já que a data prevista do início das obras era 2021 e o investimento inicial era de 10 milhões de euros, tendo sido reavaliado para cerca de 11 milhões. Valores que já englobam a aquisição do imóvel, o projecto e a empreitada.

O Convento do Carmo Boutique Hotel, classificado como de “interesse público”, terá 71 quartos, com 141 camas, piscina, espaços para reuniões, ginásio, salão, restaurante e cafetaria. Três dos quartos serão em formato apartamento/estúdio, equipados para estadias curtas e médias. O edifício terá quatro pisos e uma cave, sendo o estacionamento dos clientes feito no parque do Campo da Vinha, por acordo com a Bragaparques.

Bonfim e Bonfim To Be no centro do Porto
Num quarteirão do Bonfim, no centro do Porto, a Fortera fará nascer dois empreendimentos. Um hotel de 5 estrelas, Bonfim To Be, que terá 258 quartos e um aparthotel com 21 unidades. Além disso, arrancará este ano, na mesma localização, o empreendimento residencial Bonfim, constituído por 210 serviced apartments.

Azul Boutique Hotel em construção
Em construção desde Fevereiro deste, o Azul Boutique Hotel, em Vila Nova de Gaia, representa um investimento para o seu desenvolvimento de 11,5 milhões de euros e deverá estar concluído em 2023.

O novo hotel do Grupo Fortera, com 4 estrelas e a 50 metros da Ponte D. Luís I, na Rua General Torres, será constituído por 64 quartos com vista sobre o rio Douro, contando ainda com restaurante, esplanada e solário com piscina no piso 4, perfazendo uma área total de 4200 m2.

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Cidália Lopes

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Construção

Construção de Barragem no Pisão classificada como “interesse nacional”

O Governo classificou como ‘interesse público nacional’ a construção do Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos (EAHFM) do Crato, no distrito de Portalegre, um investimento estimado em 170 milhões de euros

Ricardo Batista

O Conselho de Ministros aprovou (finalmente) o decreto-lei que constitui o Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos (EAHFM) do Crato, no distrito de Portalegre, como empreendimento de interesse público nacional.

De acordo com o documento, esta aprovação permite proceder à delimitação da respectiva área de intervenção, adoptando medidas especiais necessárias à sua concretização no prazo de vigência do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) através de uma “maior flexibilidade e celeridade” ao nível dos procedimentos administrativos aplicáveis às diferentes componentes do empreendimento.

De acordo com o presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), Hugo Hilário, este decreto-lei visa “facilitar” e “dar um regime especial” ao projecto de construção do empreendimento, também conhecido por Barragem do Pisão, para que o mesmo seja executado. “Este diploma vem facilitar, dar um regime especial a este projecto, para que esses procedimentos administrativos obrigatórios sejam mais ágeis”, explicou.

De acordo com o presidente da CIMAA, entidade responsável pela execução do projecto, um processo desta “dimensão” e desta “complexidade” conta com uma série de procedimentos “administrativos, formais e jurídicos”, que são “complexos” ao longo da sua execução. A título de exemplo, Hugo Hilário referiu matérias como o Plano Director Municipal (PDM), as obras, as expropriações ou o realojamento da população da aldeia de Pisão.

Investimento inscrito no PRR
O empreendimento vai envolver um investimento total de 171 milhões de euros, dos quais 120 milhões estão inscritos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Segundo o cronograma submetido à Comissão Europeia, as obras estarão terminadas em 2025. O futuro empreendimento, cujo principal objectivo é garantir a disponibilidade de água para consumo urbano, vai surgir numa área de 10 mil hectares e beneficiar cerca de 110 mil pessoas nos 15 municípios do distrito de Portalegre. Além disso, a CIMAA já explicou que a barragem visa reconfigurar a actividade agrícola e criar oportunidades para novas actividades económicas, nomeadamente ao nível da agricultura, do turismo e no sector da energia”, já que engloba também uma central fotovoltaica flutuante. A Barragem do Pisão é uma aspiração e reivindicação histórica das populações do Alto Alentejo, com mais de meio século. O empreendimento, que prevê a submersão da pequena aldeia do Pisão, com 60 habitantes, já foi anunciado por três primeiros-ministros – Mário Soares, António Guterres e Durão Barroso-, mas continua por construir.

Ambientalistas contestam
As associações ambientalistas GEOTA e Quercus contestaram o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da Barragem do Pisão, no Crato (Portalegre), alegando que o projecto “não cumpre os objectivos ambientais” do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR). Em comunicado, o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), que participou na consulta pública do EIA do projecto, alerta para o “não cumprimento do princípio de não prejudicar significativamente o ambiente’”, que consta do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR). O GEOTA propõe que se “reavalie o cumprimento dos objectivos ambientais dispostos no MMR, considerando as conclusões do EIA apresentado”. “Há fortes indícios de que uma nova avaliação do princípio de não prejudicar significativamente o ambiente, considerando os impactes identificados pelo EIA, apontaria para o não cumprimento do próprio princípio, pelo Governo português, contrariando assim o princípio fundamental para aceder ao financiamento do MMR”, frisa Lígia Figueiredo, uma das especialistas do GEOTA. Também em comunicado, o Núcleo Regional de Portalegre da associação ambientalista Quercus, que apresentou igualmente “uma participação de discordância” na fase de consulta pública do EIA, lembra que este admite “significativos impactes negativos” a gerar pelo projecto. Por isso, para a Quercus, “não é clara a justificação do principal objectivo da construção da barragem de abastecimento público” porque a albufeira de Póvoa e Meadas “é suficiente” para esse fim” e o projecto “não cumpre os objectivos ambientais estabelecidos no princípio de não causar dano significativo (DNSH) do MRR”, entre outros argumentos.

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Proprietário dos Cinema City procura investidores para megaprojecto em Setúbal

O promotor procura vender a totalidade dos lotes pelo valor de 26 150 000 euros, mas não descarta outros cenários. A comercialização está a cargo da consultora JLL

Cidália Lopes

Anunciado em 2017 o futuro projecto, designado como ‘Nova Sintra’, em Setúbal, nos terrenos em frente ao centro comercial Alegro, nunca chegou a sair do papel. O proprietário do terreno, a New Lineo City, o mesmo dos Cinemas City, procura agora investidores que possam dar seguimento ao projecto idealizado por Elad Edery, o anterior CEO e pai de Eyal Edery, actual responsável do Grupo.

Com uma área total de terreno de 77768 metros quadrados (m2) e alvará de loteamento aprovado para 16 lotes, sendo que 1850 m2 são correspondentes a espaços comerciais, o Grupo NLC detém aqueles terrenos há mais de 15 anos e a intenção de ali construir um grande empreendimento residencial já vem de há muito.

Segundo o site da consultora JLL, que se encontra a comercializar o terreno, o valor base de venda é de 26 150 000 euros. Mas em declarações ao CONSTRUIR, fonte oficial do Grupo NLC confirma que “estão a ser estudados vários cenários” pelo que em cima da mesa “está a possibilidade de se vender a totalidade do terreno” que já tem o “alvará aprovado e arruamentos efecutados” ou “apenas alguns lotes”. Mas há, ainda, a possibilidade de avançarem com “a construção do projecto em parceria com outros promotores”, caso surjam interessados, avança.

Com um investimento inicial de cerca de 70 milhões de euros, Eyal Edery confirmava ao CONSTRUIR, em 2017, que o futuro empreendimento ‘Nova Sintra’, cujo nome está relacionado com a zona onde se localiza, perto da Azinhaga Nova Sintra, tem previsto um total de 650 apartamentos e ainda uma unidade hoteleira, que teria cerca de seis mil metros quadrados de área bruta de construção e 150 quartos e para onde estava prevista o primeiro projecto da marca Leonardo Hotels em Portugal. Entretanto, o grupo hoteleiro israelita já abriu a sua primeira unidade em Lisboa e não tem previsto, para já, abrir qualquer unidade em Setúbal.

Até ao momento não foi, ainda possível confirmar se já existem possíveis interessados.

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Engenharia

Mondego: TUU fiscaliza Linha do Hospital

A empresa de base tecnológica sedeada em Coimbra assume a fiscalização, coordenação de segurança em obra e gestão ambiental e do património cultural de uma fase crucial do projecto Metro Bus, o qual irá revolucionar a mobilidade nos três concelhos abrangidos

Arrancou a empreitada de construção da Linha do Hospital do Metro Mondego que ligará a Avenida Aeminium ao Hospital Pediátrico, a qual inclui a construção de um canal com 3,5 quilómetros de extensão e uma largura de sete metros, a criação de nove estações para passageiros, a realização de uma zona terminal de carregamento eléctrico, vai obrigar à intervenção em cinco rotundas e 20 intersecções e inclui a construção de um elevador entre a estação dos Hospitais da Universidade de Coimbra e a Av. Bissaya Barreto. Uma obra orçada em 15,5 milhões de euros e tem um prazo de execução de 18 meses. A empreitada, a cargo da Cimontubo – Tubagens e Soldadura, será fiscalizada pela TUU. A empresa de engenharia de Coimbra será responsável ainda pela coordenação de segurança em obra e gestão ambiental e do património cultural.

A empreitada envolve ainda a remodelação das redes de drenagem de águas residuais e é promovida em conjunto e coordenada entre a IP e a Águas de Coimbra, a qual irá promover a remodelação das redes de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais domésticas e pluviais, envolvendo a intervenção na rede de abastecimento de água, criação de novas redes de drenagem doméstica e de novas redes de drenagem pluvial.

Esta é uma importante etapa do Metro Bus, o qual uma vez concluído irá ligar os concelhos de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã, numa extensão total de 42 quilómetros que reabilita o antigo ramal da Lousã. Mas está é também uma obra com impacto para a empresa sedeada em Coimbra e que saiu da incubadora de empresas inovadores e tecnológicas do Instituto Pedro Nunes e que hoje está instalada no URUBO.

Cria em 2016, “a ideia da TUU – Building Design Management era ser um centro de conhecimento na área da construção, tendo como principais objectivos fazer a gestão de projectos e o desenvolvimento de tecnologia para a construção, mas evoluiu para muito mais. Hoje, os serviços da TUU vão desde a arquitectura, fiscalização e acompanhamento de obras, negociação de empreitadas e o desenvolvimento de plataformas de software de gestão de projectos e investimentos, com a Buildtoo”, explica Hélder Loio, CEO da TUU. A Buildtoo é a plataforma criada para fazer a gestão de projectos de investimento imobiliário, design, remodelação ou construção e que permite coordenar investidores, projectistas, empreiteiros e fornecedores, com impacto ao nível da redução de custos, derrapagens de tempo e de custos e que permite uma visão tempo real da obra/projecto.

Apesar de sedeada em Coimbra a empresa tem hoje uma actuação alargada a todo o território nacional, o que é espelhado pela sua carteira de obras. “Este ano prevemos ultrapassar os três milhões de facturação. “A Linha do Hospital do Metro Mondego é de facto um projecto muito relevante para a TUU e para Coimbra porque irá mudar a forma como se vive uma cidade, no  no entanto, estamos envolvidos em outros importantes projectos, como a Remodelação do Arco do Cego ou a Nova Residência Universitária em Lisboa, o Hospital Beatriz Godinho em Leiria ou os CHUC em Coimbra, os projectos de Arquitectura para o IHRU e IEFP, os projectos na área do ambiente com a CIM Região de Coimbra, LIPOR ou ERSUC, ou o acompanhamento das obras da APIN, ABMG, ADRA ou Águas do Centro Litoral, que são alguns dos projectos que vão marcar definitivamente o ano de 2022”, inúmera o responsável.

 O desafio da digitalização

Em Julho a empresa organizou a Academia Summer Edition, com o tema ‘O Futuro da Construção’ a dominar uma semana pensada e criada para os mais jovens, na qual através da partilha de experiências, proporcionou um primeiro contacto com o mercado de trabalho de uma forma dinâmica, informativa e motivadora. “Acreditamos que o futuro da construção está nesta geração e com iniciativas destas propomo-nos a trazer talento para a TUU e ao mesmo tempo para Coimbra, afirmando-nos como centro do conhecimento na área da construção”, sustenta Hélder Loio.

Se é verdade que uma grande maioria de empresas do sector AEC vão ser obrigadas a implementar reformas e a capacitarem os seus quadros para responder ao desafio da digitalização do sector outras há, como a TUU, que são o resultado dessa inovação e essa é “seguramente, uma das maiores valias, estamos sempre à procura de como podemos inovar num sector tradicionalmente resistente à inovação. Mas a nossa maior valia é a equipa que conseguimos reunir numa altura em que o talento é tão escasso, são os TUU que levam esta vontade de inovar para os projectos e as obras”, considera o ceo da tecnológica.

“Nunca se falou tanto de digitalização da construção como actualmente, mas em Portugal tardamos a implementar metodologias que há muito são obrigatórias noutros países como as metodologias BIM no desenvolvimento de projectos ou as plataformas de gestão de projectos que incentivam à colaboração e transparência entre todos os intervenientes. Acreditamos que estamos a fazer a nossa parte ao divulgar e implementar estas soluções, mas a sua implementação massiva depende de legislação e de uma verdadeira revolução de mentalidades que ainda só está a começar”, defende.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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Reserva Idiluz: Novo projecto elimina lotes e reconfigura traçado

Depois de uma Avaliação de Impacte Ambiental não favorável, encerrada no ano passado, a Reserva Idiluz, dos promotores Stone Capital, entra novamente em apreciação já com as alterações ao projecto inicial. Menos área de implantação possibilitaram a reconfiguração do projecto e até a extensão da unidade hoteleira prevista. Em consulta pública até 24 de Agosto

Cidália Lopes

Localizado na Aldeia do Meco, em Sesimbra, a Stone Capital tem previsto desenvolver um empreendimento turístico. A Reserva Idiluz, considerada pelo promotor “um projecto inovador e ecológico”, encontra-se novamente em processo de consulta pública para Avaliação de Impacte Ambiental na CCDR – LVT (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo). O projecto inicial esteve em consulta pública no ano passado, não tendo obtido resposta favorável por parte daquela entidade para avançar por “desrespeitar inúmeras condicionantes do PDM de Sesimbra”. O novo período de consulta está disponível até 24 de Agosto.

Menos lotes e alteração de traçado

O projecto reformulado contém diversas alterações com vista a responder à necessidade de preservar os habitats prioritários ali existentes. Neste sentido, foram eliminados os edifícios administrativos próximos da entrada Sul para reduzir a área de implantação, minimizar o movimento de terras e redistribuir o programa hoteleiro, foram eliminadas as bolsas de estacionamento previstas, de forma “a salvaguardar a comunidade de thymus villosus presente no local”, e, em contrapartida, foi proposto a utilização de buggies dentro da propriedade e bolsas de estacionamento para carregamento de veículos elétricos “como alternativa de mobilidade menos impactante”.

A maior alteração proposta vai, ainda, incidir na área de implantação com a eliminação de 10 lotes e que irá, também, contribuir para “reduzir a intervenção, diminuir o impacte do projecto e salvaguardar habitats prioritários em bom estado de conservação”. Como consequência desta opção foi, também, necessário, reconfigurar os restantes lotes que irão manter-se, “de forma a compatibilizar a implantação dos mesmos com o objectivo da salvaguarda das manchas de habitats a conservar e valorizar”.

Com o mesmo objectivo, procedeu-se à alteração ao traçado na Rua F e que, desta forma, irá possibilitar a sua adaptação à nova configuração dos lotes e, por conseguinte, à reconfiguração do lote do futuro hotel, que “irá ganhar uma maior área e permitir uma implantação mais integrada no terreno”.

A alteração ao projecto da Reserva Idiluz prevê, ainda, a alteração do traçado do trilho da praia das Bicas, no troço compreendido entre a entrada pedonal e o trilho das lagoas e adaptação do desenho das lagoas e passadiços associados, com a eliminação da Lagoa, a nascente do Health Center, substituindo-a por uma piscina biológica. A nova proposta prevê, ainda, a alteração e eliminação de diversos traços e a alteração do caminho de apoio ao sector agrícola.

Com uma vertente de agricultura biológica, também esta teve alteração com a eliminação das estufas associadas à ruína e reorganização do programa de edifícios de apoio agrícola para menos 180 m2. Em vez dos quatro edifícios da versão anterior, o programa passa a organizar-se em dois – armazém e estabulo.

De acordo com o projecto agora em análise, a promotora espera que a Reserva Idiluz “contribua e potencie economicamente a paisagem natural e rural”. A arquitectura tem a assinatura da PMC arquitectos, a consultoria de engenharia da Nichos Urbanos e o paisagismo é da Topiaris.

Projecto inicial “com grandes impactes ambientais”

Além de se situar em plena Reserva Ecológica Nacional, Reserva Agrícola Nacional, Domínio Público Hídrico, o projecto encontra-se em solo classificado como agrícola, que integra, também, a Zona Especial de Conservação Arrábida / Espichel da Rede Natura 2000.

De uma forma geral, o Idiluz foi considerado de “grande escala” sobre a faixa costeira e a mata de Sesimbra, o que culminaria num projecto “com grandes impactes ambientais”, nomeadamente com a construção de habitação de grande volume e de estradas em solo classificado. O relatório da CCDR faz, ainda, referência à construção e habitação e de estradas em domínio hídrico, classificando-o como “completo desrespeito” por este ecossistema, assim como pela intenção de construir “em zonas de perigosidade de incêndio elevada e muito elevada”.

A área de implantação do projecto contava com 83,2 hectares, sendo que o projecto inicial do Idiluz previa ocupar uma área com cerca de 51,2 hectares, com 55 lotes destinados à edificação urbana para uma unidade de hotel – apartamento de quatro estrelas. Além desta, o projecto previa, ainda, um edifício administrativo, celeiro, health center /spa.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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NUMA dá o pontapé de saída na expansão para o mercado português

O edifício que durante décadas serviu de sede à Federação Portuguesa de Futebol será convertido no primeiro hotel digital do Grupo NUMA em Portugal. Este é o primeiro de vários negócios que estão no pipeline de investimento do grupo alemão e que têm as cidades de Lisboa e Porto como alvo

Lisboa será a primeira cidade portuguesa a juntar-se à lista de cidades europeias onde o grupo alemão NUMA está já presente. O grupo com sede em Berlim prevê inaugurar o seu novo hotel digital em Lisboa no segundo trimestre de 2024. O hotel irá ocupar a antiga sede da Federação Portuguesa de Futebol, junto ao largo do Rato, em Lisboa. Um negócio possível depois do grupo ter entrado em acordo com os novos proprietários do edifício, uma joint venture de dois investidores de private equity, a Bizau Capital Partners e a ADMAR SCR, para a locação da antiga sede da FPF.
O novo hotel terá 77 quartos, que irão alargar a oferta da capital em mais 154 camas, totalizando 1600 metros quadrados.

O novo NUMA Lisboa será, à semelhança das outras unidades do grupo, totalmente digital. “Acabou o tempo de espera na recepção como acontece nos hotéis tradicionais. Isto poupa os hóspedes do hotel a muito stress, no caso de, por exemplo, precisarem de chegar rapidamente ao aeroporto. No hotel NUMA é possível fazer o check-out no táxi a caminho do aeroporto”, explicou o grupo ao CONSTRUIR.

Todos os serviços, tais como reservas, coordenação e marketing são geridos centralmente na sede do NUMA em Berlim. A coordenar estes serviços para todos os hotéis do grupo está uma equipa de “especialistas experientes em hotelaria”. Mas em cada cidade o grupo tem as suas próprias equipas, “que atendem imediatamente aos desejos dos hóspedes do hotel”. Um serviço que pode ser avaliado nos portais dos utilizadores.

Este conceito eficiente e contactless permitiu ao NUMA alcançar números recorde, mesmo em tempos de pandemia. O ano passado, segundo o grupo, a operação “gerou um crescimento das receitas de 500% com mais de 2.500 unidades (hoje em dia mais de 3.000 unidades), com uma taxa de ocupação de 85%, apesar da COVID, e 230% acima da média do mercado em toda a Europa”, revela o grupo ao Construir. Números que segundo os seus responsáveis atestam que “o modelo inovador NUMA provou ser resistente a condições de mercado mais desafiantes, como foi o caso do ano de 2021. O rápido crescimento do NUMA em toda a Europa mostra o quanto os mercados europeus estão à espera de soluções novas e inovadoras na indústria hoteleira”.

São estes números que o grupo sublinha na altura de estabelecer parcerias com investidores, proprietários, promotores imobiliários, e operadores hoteleiros para criar soluções baseadas em tecnologia. “Cerca de 80% dos processos hoteleiros tradicionais podem ser digitalizados, o que poupa não só tempo mas também recursos e custos fixos. Muitos operadores de hotéis tradicionais não terão outra escolha senão adaptarem-se”, defende o grupo.

Parcerias estratégicas nos mercados
“O Grupo NUMA é muito flexível. Em primeiro lugar, estamos interessados em contratos de arrendamento de longo prazo para grandes projectos, por exemplo, mais de dez anos, contratos de gestão e franquia e aquisições. Depende do caso particular e do parceiro. O Grupo NUMA está constantemente à procura de localizações nas principais cidades europeias, com uma área bruta de cerca de 500 a 8000 metros quadrados, com cerca de 10 a 250 unidades. Procura tipos de propriedades hoteleiras existentes ou potenciais, como hotéis ou edifícios de apartamentos comerciais ou para conversões de escritórios com a possibilidade de apartamentos de curta duração, espaços residenciais em cidades com licenças para aluguer de curta duração e projectos de desenvolvimento”, inúmera o grupo.

Ainda segundo o grupo a tecnologia desenvolvida permite um aumento de lucros “até 40%, para os para os operadores hoteleiros através dos processos de negócio automatizados, preços inteligentes, e taxas de ocupação mais elevadas. “Estamos a construir uma classe de activos para a nova geração de viajantes. O NUMA distingue-se dos hotéis tradicionais, tanto em termos de experiência dos hóspedes como de parceiros imobiliários. O nosso modelo permite um melhor retorno do investimento do que um hotel tradicional. Uma vez que este novo mercado é altamente atractivo, não partilhamos detalhes sobre as nossas parcerias”, sustenta.

O Grupo NUMA trabalha com empresas cotadas em bolsa como parceiros para fornecer financiamento, pelo que o valor do investimento só pode ser divulgado em “casos excepcionais”. Um desses casos excepcionais foi a parceria estratégica entre o NUMA e a LaSalle Investment Management, uma das empresas líderes em investimento imobiliário, que inclui um volume de investimento de 500 milhões de euros para aquisição, reforma e operação de unidades hoteleiras localizadas nos centros urbanos na Europa Ocidental. Identificados estão já 15 activos localizados no Reino Unido, Espanha, Itália e Holanda que representam um volume de investimento superior a 450 milhões de euros.

Portugal pode estar fora desta parceria, mas já despertou a atenção do grupo alemão. “Para o NUMA, Portugal é um dos mais importantes mercados europeus do futuro, com grande importância estratégica. Acreditamos que o nosso modelo de sucesso comprovado é perfeito para as características do mercado local em Portugal, como um destino de viagem altamente atractivo”, afirma o grupo.

“Logo no início da nossa entrada no mercado português, em Lisboa, estamos muito satisfeitos por podermos oferecer aos nossos futuros hóspedes, um edifício histórico que já foi frequentado pela selecção portuguesa e por futebolistas reconhecidos. Isto é exactamente o que o NUMA representa: experiências de viagem excepcionais para os nossos hóspedes, aquilo a que chamamos “estadias com alma”. O nosso objectivo claro com o NUMA é estabelecer uma geração completamente nova de hotéis e alojamentos de curto prazo, inovando também a indústria hoteleira em Portugal”.

Em Portugal, como em toda a Europa, o Grupo NUMA concentra-se em propriedades hoteleiras e comerciais em locais centrais das grandes cidades. “Temos como alvo os distritos movimentados e os principais locais com maior procura turística e de pessoas que viajam em trabalho”. Para além do NUMA em Lisboa, o Porto também está no topo das preferências do plano de expansão do Grupo em Portugal. “Outros projectos em Portugal também já estão no pipeline e iremos informar o público assim que os contratos forem assinados. Estamos sempre muito interessados em propostas que nos pareçam adequadas, especialmente nas cidades de Lisboa e do Porto”, salientam.

O culto da individualidade

A alimentar o crescimento e a preferência por este tipo de serviço estão os “turistas modernos” e, claro está “os viajantes em trabalho”, que privilegiam a rapidez, eficiência e facilidade que um serviço primordialmente digital oferece. “O número de viajantes aumentou com os vários AirBnB disponíveis. Agora estes têm mais dinheiro e procuram maior conforto, mas a procura por individualidade e autenticidade permanece ou até aumentou. As pessoas procuram por espaços com estilo arquitectónico moderno, não querem perder tempo nos balcões da recepção e também não querem estar presos a horários fixos para pequenos-almoços, mas sim ter a sua própria cozinha para realizar as suas refeições. Também procuram uma rápida ligação à Internet. E têm uma afinidade digital e apreciam a máxima flexibilidade”.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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Arquitectura

Alentejo: “A Ordem está agora mais próxima dos problemas locais”

A presidente da recém-criada Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos fala dos desafios daquele organismo num território que, estando longe de ser pobre, é disperso e obriga a uma maior ‘unidade’ entre os profissionais. Cláudia Gaspar adianta ainda que o PRR não será tábua de salvação na região mas, qualquer que seja o caminho, os arquitectos querem fazer parte do processo de encomenda

Ricardo Batista

“Os princípios da Ordem mantêm-se, com as preocupações naturais da arquitectura e do momento, e de um modo transversal. A Ordem continua a ser uma, mas está agora mais próxima das entidades locais, da sociedade, mais próxima dos problemas locais”.

Dois anos depois de tomar posse como a primeira presidente do Conselho Directivo do Alentejo da Ordem dos Arquitectos, Cláudia Gaspar traça um balanço positivo da nova organização daquele organismo, sublinhando que entre as prioridades da nova secção esteve sempre “o reconhecimento das mais valias existentes localmente, dos saberes locais”.

“Estamos hoje mais próximos das dificuldades que os arquitectos têm na sua prática quotidiana, sejam os que trabalham na Administração publica, os que trabalham nos seus gabinetes privados ou os que são trabalhadores independentes, uma grande maioria da realidade do Alentejo”, salienta Cláudia Gaspar, à margem de um painel dedicado ao Território e que reuniu, no Archi Summit, os presidentes de algumas das novas secções regionais da Ordem dos Arquitectos.

Para a responsável pela estrutura do Alentejo, naquela região, extensa, os arquitectos têm a particularidade de trabalhar num território disperso, de forma dispersa e muitas vezes de costas voltadas uns para os outros.

“Uma das nossas premissas tem sido conseguir colocar os arquitectos a dialogar entre eles mas, acima de tudo, fazer a ponte entre a arquitectura e a sociedade, com uma série de actividades de divulgação da arquitectura, conferências, mesas redondas”, assegura, sublinhando que têm sido iniciativas “muito bem acolhidas”. Cláudia Gaspar destaca, essencialmente, o trabalho institucional que tem sido feito junto das 47 autarquias e das quatro comunidades inter municipais, trabalho que “tem sido um trabalho longo e será extenso, num ano particularmente difícil em que temos o PRR e as câmaras numa logica de contra relógio para conseguir alguns fundos no âmbito do Programa para, sobretudo habitação”.

“Queremos ser intervenientes do processo de encomenda e da contratação publica de arquitectos para um melhor ambiente construído, para uma melhor arquitectura e, com isso, para uma melhoria da qualidade de vida no Alentejo”, acrescenta ao CONSTRUIR a presidente da secção regional do Alentejo dos Arquitectos. “Estamos numa região em que boa parte dos municípios nunca reuniu com a Ordem dos Arquitectos, que começa agora a ser notada. E esse tem, também, de ser o nosso papel”, garante Cláudia Gaspar.

Território “riquíssimo”
Remetendo para uma imagem pré-concebida do Alentejo como território pobre, a arquitecta logo contraria essa ideia, assumindo que estamos a falar de um território “riquíssimo”. “E tem dificuldades como todos têm”, acrescenta. No entender de Cláudia Gaspar, “o Alentejo sofre, desde logo, com a diferenciação entre o que é o rural e o urbano. Temos um território com uma grande área de propriedade rural mas não é de todo pobre. A questão da paisagem, e entenda-se a paisagem cultural, urbana e rural, é altamente dinâmica. Não é agora, que existem fundos e que tanto se fala no famoso PRR, com fundos que chegam de forma transversal a todo o País, que o Alentejo vai dar o salto no seu desenvolvimento”, garante a arquitecta, que assegura que o Alentejo já está em franco desenvolvimento há muito tempo. “O Pólo tecnológico de Sines é apenas um exemplo dessa atractividade”, garante, sublinhando que os arquitectos já estão no terreno a acompanhar essas dinâmicas. Há, no entanto, desafios. Cláudia Gaspar salienta que “o Planeamento no Alentejo nem sempre é feito a pensar no longo prazo ou num ordenamento de território sustentável mas sim, muitas vezes, a pensar no benefício rápido”.

Não sendo uma prioridade, a representante dos arquitectos no Alentejo alerta para um fenómeno crescente que importa ser olhado com atenção e que merece a melhor resposta. Há, em virtude da aposta numa agricultura intensiva, um aumento considerável de população – essencialmente proveniente de países asiáticos – para trabalhar nas estufas, fenómeno que obriga a uma resposta habitacional que hoje ainda não existe. “O papel da Ordem é, mais uma vez, articular todos os agentes, colocar a sociedade em contacto com a arquitectura e desmistificar a ideia de que a arquitectura é uma disciplina para as elites”, conclui.

Sobre o autorRicardo Batista

Ricardo Batista

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