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Arquitectura

Openbook: arquitectura pragmática

Criada há 15 anos por três arquitectos e um financeiro, a Openbook Architecture é hoje uma referência internacional na arquitectura corporate. A recente criação da NOBK, com a liderança de Diana Noronha enquanto partner, trouxe uma nova linguagem e dinâmica a uma arquitectura, sobretudo, pragmática. Paulo Jervell e Diana Noronha Feio falaram com a Traço sobre este processo de mudança e crescimento da empresa

Manuela Sousa Guerreiro
Arquitectura

Openbook: arquitectura pragmática

Criada há 15 anos por três arquitectos e um financeiro, a Openbook Architecture é hoje uma referência internacional na arquitectura corporate. A recente criação da NOBK, com a liderança de Diana Noronha enquanto partner, trouxe uma nova linguagem e dinâmica a uma arquitectura, sobretudo, pragmática. Paulo Jervell e Diana Noronha Feio falaram com a Traço sobre este processo de mudança e crescimento da empresa

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Manuela Sousa Guerreiro
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Paulo Jervell, partner fundador da Openbook Architecture  e Diana Noronha Feio, que recentemente se juntou à equipa como co-partner, aliaram-se para uma conversa aberta sobre os caminhos percorridos nos últimos quinze anos onde perspectivaram o futuro de um gabinete que já nos habituou a uma arquitectura pragmática, na forma como aborda os projectos. Depois do corporate, a Openbook tomou de assalto o segmento de hotelaria e turismo e a NOBK é o seu Cavalo de Tróia.

A Openbook Architecture completa este ano 15 anos. Como é que tem sido este percurso?

Paulo Jervell (PJ): Começamos com quatro partners: o Rodrigo Sampayo, João Cortes e Pedro Pires, para além de mim. Recentemente entrou a Diana Noronha Feio que veio complementar a actuação do Openbook e trazer valor acrescentado em áreas que identificámos com potencial, não só para diversificar a nossa actuação, mas, acima de tudo, para acrescentar valor aos nossos projectos com a introdução de um conjunto de serviços adicionais que se identificam com o perfil, com a identidade e com a linguagem do Openbook.

Já colaborávamos com o atelier da Diana em alguns projectos e realmente havia uma sintonia muito forte e uma identificação muito forte em termos de identidade e de linguagem e fez sentido fazermos aqui uma espécie de incorporação do atelier da Diana. Surgiu assim a NOBK como uma empresa complementar aos projectos do Openbook, mas também autónoma para projectos com o perfil e no âmbito dos serviços de design de interiores e decoração.

15 anos depois, mantêm o foco no segmento corporate?

PJ: Eu diria que isso é uma percepção do mercado. A Openbook surge em 2007, com a criação de uma empresa e eu reforço o termo empresa porque todos nós temos percursos diferentes, nomeadamente o Rodrigo e o João vêm de um atelier tradicional de arquitectura, o Pedro Pires tem um percurso muito ligado à componente financeira e eu próprio embora seja arquitecto, estava mais ligado à gestão de projectos consultoria imobiliária. Três arquitectos e um financeiro. Decidimos na altura criar uma empresa que tivesse um atelier de arquitectura dentro da empresa, muito mais focada para o mercado institucional, e com um conjunto de valências e de serviços que fossem para além do projecto de arquitectura e muito focados no cliente, mas também nos prazos, na rentabilidade e eficiência dos projectos.

O que não é, propriamente, uma característica que associamos à arquitectura em Portugal…

PJ: Precisamente. Por isso eu reforço que somos uma empresa de arquitectura. Não obstante, o nosso grande impulsionador era, e é, o de fazer boa arquitectura, tal como um tradicional atelier de arquitectura. Isto significa que não olhamos apenas para a rentabilidade ou para a eficiência dos projectos, embora estes sejam, cada vez, factores fundamentais face ao enquadramento económico e social que vivemos.  Temos de responder aos objectivos e às expectativas e exigências dos clientes, não estamos a fazer arquitectura para nós, mas para o utilizador/cliente, mas estamos a introduzir o nosso conhecimento e o nosso traço.

Essa foi uma das razões de nos chamarmos Openbook, ao invés de associarmos o nome dos partners à designação do gabinete. Somos uma empresa, liderada pelos partners, mas que acima de tudo tem uma equipa por detrás, uma equipa de muita qualidade e entrega. E esse continua a ser o nosso driver estratégico.

Voltando um pouco atrás e falando dessa percepção do mercado.

PJ: Em 2007 estamos a arrancar com uma empresa nova em pleno início de crise que abalou muito o mercado imobiliário, mas também o mercado da construção e, principalmente, de obra nova.

Começar uma empresa nestas circunstâncias teve, desde logo, um grande desafio que foi não só o de ultrapassar as dificuldades que essa crise acarretou para o mundo, para a Europa e, nomeadamente, para Portugal, mas que, por um lado, motivou desde cedo a necessidade da nossa internacionalização, enquanto nos focou numa área de negócio e de construção que embora estivesse a ser impactada pela crise ainda era uma área que tinha alguma procura que era o mercado corporativo.

Solidificámos a nossa actuação nesse segmento, que nos permitiu ganhar uma expertise que, eu diria, nos distingue. Esse reconhecimento foi crescendo ao longo destes 15 anos e a estratégia da empresa foi se adaptando a outras áreas de negócios. Actualmente o mercado corporativo continua a ter um peso muito considerável no volume de projectos da empresa, cerca de 60%, mas no começo chegou a ter uma relevância de mais de 80%.  Os outros restantes 40% estão hoje distribuídos pela área residencial, área hospitalar e a área de turismo.

A entrada no segmento da hotelaria e turismo foi reforçada com a criação da NOBK?

PJ: Já trabalhávamos neste mercado, mas o complemento que nos é dado por esta nova vertente de design de interiores permite-nos entrar numa área de negócio muito mais abrangente. Uma coisa é construirmos o edifício, o hotel, outra coisa é podemos fazer uma intervenção muito mais transversal.

Diana Noronha Feio: Ao fim ao cabo é conseguimos dominar duas escalas diferentes do projecto.  Penso que é algo que é sempre muito sensível a quem está habituado a trabalhar numa determinada escala, a escala do projecto do edifício em si, poder depois entrar numa escala que exige outra aproximação. Uma forma de olhar para o mesmo edifício numa óptica muito mais sensorial e, no fundo, a criação de um departamento e uma marca que está focada nessa segunda fase de interacção com a arquitectura que é quando entra o interiorismo, potencia o vivermos o edifício até ao fim.

Que projectos já desenvolveram com a nova marca?

PJ: A nossa colaboração iniciou-se mais na área corporativa e na área residencial, depois tivemos uma consolidação com o projecto do Hotel Ritz que foi o projecto eu diria mais recente, mais emblemático em que realmente conjugámos a intervenção da arquitectura com a intervenção em termos de design.

DNF: Houve uma intervenção arquitectónica que foi um projecto muito profundo e que já tinha alguns anos de desenvolvimento aqui na Openbook, mas a criação deste resort urbano no Ritz já surge numa fase mais tardia e essa nossa aproximação ao interiorismo e de resolver o projecto de A a Z e concebermos o Bar do Hotel e todo o mobiliário da piscina que foi criado para o espaço… significou uma entrega muito grande na definição dos detalhes, do pormenor, de materialização do espaço.

Da internacionalização e das mudanças

Como é que a pandemia influenciou o vosso trabalho, dada as transformações que observamos no modo como se vivenciam os escritórios?

PJ: Estamos sempre em mudança. Depois vamos sendo confrontados com alguns acontecimentos que, de alguma forma, precipitam essas mudanças ou nos fazem pensar para que lado devemos caminhar e de facto a pandemia veio acelerar um conjunto de mudanças. Mas já estávamos a percorre esses caminhos com várias empresas que estavam já a reequacionar a forma de trabalhar e de ocupar os edifícios e a sua própria forma de estar.

É interessante perceber, e contrariamente áquilo que seria expectável, que o take up de escritórios está a crescer e continua a bater recordes. Sempre defendemos que o espaço de trabalho não ia acabar porque as empresas e as pessoas não estão preparadas para ficarem eternamente a trabalhar de forma remota. A questão é como é que o espaço de trabalho se vai adaptar às novas exigências não só das empresas, mas também das pessoas. O que estamos a observar é que grande parte das empresas estão a ter uma necessidade de transformar e adaptar os seus espaços de trabalho, os seus escritórios, porque os colaboradores querem trabalhar de forma diferente e ter um conjunto de condições que entram em ruptura com aquelas que existiam anteriormente à pandemia.

Isso acrescenta mais desafios ao design?

DNF:  Desafios de perceber estas mudanças de cultura em todos os aspectos. É importante as empresas manterem uma cultura viva e ao mesmo tempo que a cultura da empresa é uma apropriação das pessoas e acaba contaminada, no bom sentido, pelos seus colaboradores e pelas suas necessidades e por essa nova forma de trabalhar que também se ganhou com a experiência da pandemia.

Nós estamos sempre em mudança, como o Paulo referiu. Mas integrar outras culturas nos nossos espaços de trabalho é uma preocupação e um desafio. Como é que os nossos projectos reflectem os valores destes clientes que são simultaneamente idênticos e diferentes a nós? A nossa abordagem passa por responder às questões: Quem é o nosso cliente?  O que é que este nosso cliente precisa?

PJ: Todos os dias estamos em mudança. Trabalharmos com todas estas marcas internacionais permite-nos estar sempre um pouco à frente do que são estas novas tendências e estamos a falar de tendências em termos de design e de materiais, em termos de preocupações de inclusão, de sustentabilidade. E focando nesta colaboração entre a NOBK e a Openbook e na integração deste serviço, não estamos só a abordar a questão funcional e a questão da resposta às métricas e às necessidades funcionais da empresa, mas trazer sim uma preocupação e um valor acrescentado no que é o design de interiores. A definição do desenho do mobiliário, a própria integração da decoração e da arte nos escritórios que pode ser arte física, a arte digital, pode ser a arte metaverso, realidade aumentada…

DNF: No final do dia, tudo se resume à experiência.

Que projectos têm actualmente em curso e que podemos destacar?

PJ: Em termos corporativos estamos com um volume de trabalho muito grande. Temos um desafio muito interessante em mãos que é o projecto da nova sede do Novo Banco, que riá passar para o Tagus Park, que é um projecto para o qual fomos seleccionados para  fazer toda a componente do fit out e design de interiores. O projecto da remodelação do campus está a cargo de um arquitecto espanhol. É um desafio grande porque estamos a facilitar através do espaço uma transformação organizacional no Novo Banco que irã passar de localização muito urbana e privilegiada da Avenida da Liberdade para o Tagus Park  e que acreditamos que terá um conjunto de factores muito atractivos  É um projecto com cerca de 30 mil m2 o que é uma dimensão bastante grande.

Continuamos a fazer projectos para as chamadas Big Four estamos a fazer a nova remodelação da nova sede da Mckinsey. Já tínhamos feito a Deloitte, KPMG e PwC e temos agora a oportunidade de estar a fazer a Mckinsey e dar continuidade a esse serviço. Estamos a fazer também fomos seleccionadas para o novo Campus do BNP Paribas no Parque das Nações, um projecto muito desafiante…

DNF: E isso é só no corporate. Estamos a avançar com projectos residências e na área da hotelaria e turismo, estamos a trabalhar num resort numa ilha tropical, hotéis de charme, a transformar um antigo convento numa unidade hoteleira, estamos a desenvolver um projecto de um palácio do século XIX… só para nomear alguns e perceber a diversidade do trabalho que estamos a desenvolver.

A Openbook irá crescer em termos orgânicos?

PJ: Temos uma equipa com 50 pessoas e uma forte expectativa de virmos a crescer 20 a 25% em termos de equipa até ao final deste ano.

Com todos estes projectos a internacionalização da Openbook será reforçada?

PJ: A internacionalização da Openbook começou precisamente em 2008, mas estamos a reforçar essa vertente e estamos a diversificar o mercado de internacionalização.

Acompanhámos alguns clientes que tínhamos cá nos mercados de internacionais como o Brasil, onde abrimos um escritório em 2011, e em Angola. Países com forte relação a Portugal. Assistimos agora a uma forte procura no mercado angolano e vamos dar continuidade à nossa internacionalização para o norte e centro da Europa. Estamos a realizar um projecto de relevância no Luxemburgo e estamos com uma demanda interessante na Bélgica e em França.

Pensamos abrir em breve um escritório no Luxemburgo para cobrir essa área e dar suporte a este conjunto de projectos que estamos a desenvolver na região.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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Relógio da Cauny assinado por Siza Vieira apresentado no CCB
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Relógio da Cauny assinado por Siza Vieira apresentado no CCB

Iniciativa irá decorrer na Livraria A+A Books, na Garagem Sul, no dia 6 de Dezembro, pelas 19 horas. Além da presença do autor, irá também ter lugar uma ‘conversa’ entre Souto de Moura e Fernanda Fragateiro

A Livraria A+A Books recebe na Garagem Sul do Centro Cultural de Belém (CCB), dia 6 de Dezembro, pelas 19 horas, alguns dos nomes mais sonantes da arquitectura, com o propósito de apresentar o novo relógio da Cauny, da autoria de Siza Vieira.

O lançamento dos novos modelos será seguido pela ‘conversa’ entre Eduardo Souto de Moura e Fernanda Fragateiro sobre o tema “Um relógio que parece um relógio”.

As novas criações fazem memória da história relojoeira, mas ousam trazer algo de novo pela mão de Álvaro Siza, fazendo destes relógios “autênticas peças de relojoaria que prometem surpreender os amantes de relógios por este mundo fora”.

Segundo o arquitecto, “a história do desenho de relógios é também a história de milhões de novos modelos, ou melhor, de sucessivas transformações. Segui esse percurso com o propósito de que esta transformação não fosse imperceptível, e também de que este relógio “parecesse” um relógio, da mesma forma que penso que uma cadeira deve “parecer” uma cadeira e um automovel deve “parecer” um automóvel – pelo menos para já”.

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Fernando Guerra FG+SG

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A modularidade ou a inversão do processo criativo da arquitectura [c/ galerias de imagens]

A construção modular ganha protagonismo no trabalho desenvolvido pelo gabinete de arquitectura Summary, onde a forma e a função são não o fim, mas o princípio de tudo. Paradinha, Creches de Lisboa ou o Centro Desportivo de Aveiro são três exemplos da arquitectura despojada e pragmática deste atelier que ousou romper com o tradicional processo criativo do arquitecto

Os projectos desenvolvidos pelo gabinete Summary despertam a atenção pelo recurso à construção modelar. O atelier de arquitectura liderado por Samuel Gonçalves nasceu em 2015 num contexto de pós crise que cedo lhe influenciou a forma de estar e de trabalhar. “A prefabricação e o recurso a sistemas de construção modelar foi uma resposta concreta e eficaz à necessidade de simplificar e acelerar os processos construtivos e que se impôs no momento de criação do atelier”, sublinha Samuel Gonçalves.

Um dos primeiros sistemas construtivos trabalhados e desenvolvidos pelo Summary, e que resulta de um projecto de I&D empresarial, em parceria com a indústria, foi o Sistema Gomos, o qual tem por base um sistema modular em betão armado. É um sistema evolutivo em que cada um dos módulos (ou Gomos) sai de fábrica completamente pronto, incluindo todos os acabamentos interiores e exteriores, isolamentos, caixilharias, instalações de água e electricidade e até as peças de mobiliário fixas. A montagem do edifício in loco faz-se em poucos dias, simplesmente juntando estes módulos. Este é um dos sistemas utilizados pela equipa do Summary mas não é o único.

“Prefiro falar de sistemas de uma forma geral do que falar só de um tipo. Trabalhamos com vários sistemas construtivos com vários materiais e isso leva-nos a assumir diversas parcerias com empresas diferentes porque não temos produção própria e para produzir estes sistemas que vamos projectando precisamos desta rede parceiros”, argumenta Samuel Gonçalves.
E esta além de não ser uma escolha do tipo certou ou errado, por vezes também não é uma escolha do arquitecto. “Por vezes é uma exigência do projecto, ou do cliente ou das condicionantes existentes, a escolha do material nem sempre é uma escolha pessoal”.

Impõe limites à criação do arquitecto? “Diria que coloca um desafio acrescido, sendo certo que altera por completo a forma de pensar a arquitectura, disso não tenho dúvidas!”, sublinha Samuel Gonçalves. Pedimos que explicasse: “de forma muito simplificada, na arquitectura tradicional o que nós arquitectos fazemos é pensar no resultado final do edifício a projectar e só depois pensamos como é que esse edifício vai ser construído. Com a pré-fabricação este processo sofre uma inversão. Primeiro temos de perceber quais os módulos que temos disponíveis, as suas dimensões ou o tipo de encaixe e muitas vezes perceber quais as limitações logísticas associadas ao terreno onde vamos intervir e só depois é que podemos pensar no resultado final dos edifícios que vamos desenhar. Há esta inversão muito clara do processo criativo, mas eu não vejo isso como uma limitação”, considera Samuel Gonçalves.

11 habitáculos na floresta, Paradinha

O primeiro dos projectos que aqui trazemos é o projecto que se localiza na Paradinha, em Arouca e que mistura dois programas distintos, turismo e habitação. O projecto ficou classificado em 2º lugar do prémio de arquitectura Concreta Under 40.

O projecto contempla onze pequenos habitáculos, com quatro tipologias distintas que variam entre 28m2 e 58m2.
“Considerando a situação remota e a irregularidade da topografia do terreno, seria difícil (e extremamente dispendioso) formar estaleiro de obra para construção tradicional neste local. Assim, neste caso, o uso de estruturas pré-fabricadas não foi apenas uma escolha, mas antes a única opção eficiente para simplificar o processo de construção, dentro das referidas condições”, explica Samuel Gonçalves. “Num primeiro momento, o objectivo do cliente era distribuir vários quartos turísticos pelo terreno. Propusemos, em vez de quartos, pequenas casas, com as condições e equipamentos necessários para uma estadia permanente, de forma que algumas delas possam funcionar não como unidades turísticas, mas como habitações de longo termo. Este foi o conceito que apresentamos à Syntony Hotels, que foi rapidamente acolhido”, continua.

Assumiu-se este projecto como uma oportunidade para fazer novas experiências com o sistema pré-fabricado Gomos: em cada casa, todas as instalações técnicas (água, electricidade e climatização) estão concentradas num só módulo, sendo conduzidas para os restantes módulos externamente. Este procedimento foi repetido em toda a obra, acelerando os seus processos de produção e montagem.

A implantação destas unidades foi definida pelas condições naturais do terreno, reduzindo ao mínimo indispensável o seu impacto na topografia e na vegetação do local. Os antigos muros de suporte em xisto foram preservados, mantendo a configuração original do terreno, e todas as árvores foram mantidas – as casas foram cuidadosamente implantadas entre elas.


Edifício-bancada
Centro de treinos do estádio municipal de Aveiro

A versatilidade do uso da construção modular fica patente neste projecto localizado nas imediações do Estádio Municipal de Aveiro e que se constitui como uma estrutura de apoio à prática desportiva, treinos e jogos oficiais para os escalões jovens. O projecto é constituído por quatro campos de futebol, um edifício de apoio aos atletas, bancadas para o público, estacionamentos públicos e restantes equipamentos complementares.
“A solução funcional assenta na clareza dos percursos e na separação inequívoca entre as áreas de acesso do público e as áreas de acesso reservado. Optou-se por compactar o edifício de apoio e as duas bancadas numa única unidade, de forma a optimizar o tempo e o custo de construção, simplificar os percursos públicos e ocupar um menor espaço. Assim, as bancadas são simultaneamente cobertura deste edifício, que alberga todos os compartimentos exigidos pelo Programa.”
O edifício responde às variações altimétricas do terreno, colocado na transição de cotas entre campos este elemento funciona também como contenção do terreno.
A imagem geral do edifício e o seu sistema construtivo estão fortemente interrelacionados. A materialidade do edifício, especificamente o uso de betão na sua cor natural é, para além de uma opção estética também uma medida de poupança.
O recurso à cor é usado intencionalmente onde se pretende criar um forte efeito visual, em particular nas áreas de circulação e simbolicamente para identificar as áreas de acesso público.

4 creches modulares em Lisboa

As freguesias de São Domingos de Benfica, Parque das Nações e Beato receberam as primeiras creches modulares de Lisboa. O concurso lançado pela Câmara Municipal de Lisboa envolvia a concepção/construção para construir quatro creches modulares, num montante de 3 milhões de euros. A proposta vencedora foi construída pela FARICMAR (uma empresa especializada em pré-fabricados de betão) e o projecto de arquitectura foi assinado pelo estúdio Summary.
“Os edifícios propostos baseiam-se na sobreposição de peças em betão armado com secção em forma de “U”, unificadas por uma zona central de painéis simples e cobertas por peças com platibanda incorporada. O esquema funcional é muitíssimo simples: nos módulos em “U”, que compõem os espaços laterais/perimetrais dos edifícios, temos todos os compartimentos principais (salas de actividades, refeitórios, berçários, etc…); na zona central, temos todos acessos verticais e horizontais (corredores, escadas e elevadores)”, descreve.
Emboras os vários edifícios sejam implantados em locais diferentes, aplicou-se a mesma filosofia de implementação para as quatro creches, garantindo a tipificação das soluções técnicas, de forma a acelerar a produção dos módulos em fábrica e o processo de montagem in-situ.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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Lisboa: Oitoo desenham complexo habitacional para Marvila

O júri considerou que, dos quatro trabalhos apresentados, a proposta vencedora destaca-se pela “notável valorização da sua integração no contexto urbano”. Refere, ainda, que a proposta demonstra “um trabalho sensível de compreensão da envolvente próxima onde se insere, garantindo e valorizando a eficaz integração nos sistemas urbano próximos, promovendo um sentido de bairro, de singularidade e de identidade do lugar”

Ricardo Batista

O colectivo de arquitectura Oitoo foi o vencedor do concurso para um conjunto habitacional municipal na Avenida Carlos Pinhão, no Bairro do Armador, em Lisboa, uma iniciativa promovida pela Sociedade de Reabilitação de Lisboa Ocidental e apoiada tecnicamente pela Secção Regional de Lisboa e Vale do Tejo da Ordem dos Arquitectos.

De acordo com o júri que avaliou as propostas – estavam quatro trabalhos na corrida final -, a resposta que os arquitectos desenharam para o programa destaca-se pela “notável valorização da sua integração no contexto urbano, e na sua articulação com o espaço público envolvente”. O desafio lançado pela SRU de Lisboa Oriente propunha responder, no limite sul do Bairro do Armador, nos terrenos da antiga Quinta do Armador, ao desafio de aumentar a oferta pública de habitação, naquele que é encarado como o motor para a reabilitação criativa dos espaços vazios da cidade: este é um novo fôlego no desenho da política de habitação, e de cidade, que a Câmara Municipal de Lisboa pretende implementar.

As bases do programa

Segundo a SRU, o perímetro urbano alvo de estudo situa-se numa área do vale de Chelas, Lisboa, que durante vários séculos foi escolhida como zona agrícola e de recreio, onde se foram instalando conventos de diferentes ordens religiosas, seguidos de quintas de recreio e, desde finais do século XIX, indústrias e bairros operários. A paisagem fortemente ruralizada que se prolongou até aos dias de hoje deve-se, em parte, à topografia acentuada do vale de Chelas. No entanto, no século XX, ocorreu uma ruptura com essa paisagem devido ao planeamento urbano, de SRU I Programa Habitação I Bairro do Armador I OR 04 – Av. Carlos Pinhão I Marvila 5/20 iniciativa estatal e municipal e que permitiu o alargamento e expansão da cidade para oriente. Para que esse planeamento fosse eficaz tornou-se necessária a aquisição das antigas quintas de Chelas, bem como a construção de infraestruturas viárias. A construção destas infraestruturas decorreu na década de 90, no entanto as acessibilidades à zona oriental foram melhoradas apenas com a Expo 98 e a expansão da linha de metro para zona oriental da cidade.

A proposta vencedora

O Júri considera que “a implantação proposta para os edifícios, configura um grande vazio central, uma praça arborizada, que oferece um espaço de estadia com vista sobre o vale e que surge em continuidade com os eixos visuais e percursos envolventes do bairro. Esta proposta demonstra um trabalho sensível de compreensão da envolvente próxima de onde se insere, dando continuidade aos percursos públicos, caminho e fluxos existentes, garantindo e valorizando a eficaz integração nos sistemas urbanos próximos, promovendo um sentido de bairro, de singularidade e de identidade do lugar”.

Os arquitectos, que dividem a sua base de trabalho entre Lisboa e Porto, desenharam uma proposta que, de acordo com a avaliação feita, “é reveladora de elevada clareza e consistência formal, com particular valorização da articulação entre os vários usos previstos, nomeadamente ao nível dos acessos à praça e da implantação da creche que estabelece ma relação próxima com as áreas exteriores colectivas (Parque Urbano do vale da Montanha). A praça proposta crua uma centralidade necessária para o sentido de agregação e comunidade deste bairro. A avaliação da proposta destaca ainda a consistente racionalidade técnica e construtiva, evidenciando uma correcta e eficiente utilização dos materiais e explorando a utilização de algumas soluções construtivas assentes em pré-fabricação e modularidade, apesar de se considerar que os princípios da “Nova Bauhaus Europeia” não são muito materializados na proposta. Na resposta, o colectivo de arquitectos apresenta soluções de consistente racionalidade e eficiente utilização dos recursos disponíveis. No entanto, de acordo com o júri, ao nível dos sistemas técnicos são propostas soluções individualizadas de aquecimento e arrefecimento, considerando-se que sistemas centralizados colectivos, apesar de menos frequentes na construção em geral, devem ser privilegiados para estes projectos. Relativamente às tipologias, a proposta “revela elevada adequabilidade programática e funcional, trabalhando as tipologias habitacionais de forma a maximizar as respectivas áreas úteis, apresentando soluções diversas e adaptadas a vários modos de habitar”.

Na corrida

A proposta da autoria dos FORA Arquitectos, classificada em 2º lugar, evidencia-se pela “racionalidade e habilidade da solução proposta.” O Júri aponta ainda que “o estudo tipológico apresentado é relevante no sentido em que, enquadrado na crise habitacional actual, apresenta uma reflexão sobre a necessidade de repensar o modo como desenhamos uma unidade de habitação, adequada às novas formas de habitar”. A proposta classificada em 3º lugar, da autoria de Miguel Saraiva & Associados, é “reveladora de atenção às questões de durabilidade na utilização dos materiais e sistemas construtivos para a definição da solução construída”.

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Bakery XV reabilita a herança Pombalina da Baixa (c/ galeria de imagens)

O gabinete de arquitectura MUTO traz-nos a reabilitação da Padaria XV ou Bakery XV, se assumirmos a terminologia inglesa. Um projecto recupera o traçado e a história de um edifício que se funde com a história da cidade de Lisboa

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Situado na Baixa Pombalina da cidade, num conjunto de imóveis classificados e de relevância urbanística, surge o desafio de “transformar, adaptar e reconfigurar um edifício repleto de história e carisma”. Seguindo as premissas do Plano de Salvaguarda da Baixa Pombalina, onde é imposta protecção do património histórico, arqueológico, arquitectónico e urbanístico, a MUTO Arquitectura e Engenharia criou “um plano de unificação do antigo com o moderno”.

O exterior do edifício é reabilitado, recuperando toda a sua traça Pombalina, construído no período de reedificação da cidade de Lisboa, após o grande terramoto de 1755, que destruiu a zona baixa da cidade. Todos os traços foram mantidos, desde os cunhais às cornijas, das cantarias às coberturas de mansarda, das janelas de trapeira às janelas de sacada.

Foi implementado um elevador revestido em vidro, ao qual se acede pela zona comum do edifício, e que é agora inundado de luz através das novas caixilharias de vidro na caixa de escadas.

Nas habitações a intervenção visou promover a modernização dos apartamentos, dotando-os de padrões contemporâneos de habitabilidade e conforto, preservando-se todos os elementos arquitectónicos estruturais, e decorativos de interesse patrimonial. Por exemplo, mantiveram-se as cantarias das cozinhas, integrando-as na nova proposta arquitectónica e adaptando o seu uso, quer para armários/roupeiros, quer para cabeceiras de cama.

“O fim último da reabilitação é o usufruto do espaço”

A reabilitação deste edifício permite-nos “viajar para uma era passada, sentindo-se ainda, a presença e conforto da contemporaneidade”. O resultado são 12 fracções autónomas, sendo 10 destinadas a uso habitacional, distribuídas duas a duas pelos pisos 1 a 5, sendo as duas restantes destinadas a comércio, ao nível do piso térreo.

AS 10 fracções habitacionais, são de tipologia T2, sendo compostas por uma sala com cozinha integrada tipo kitchenette, dois quartos e duas instalações sanitárias, sendo uma delas privativa para um dos quartos.

As áreas das tipologias variam entre os 85m² no caso das fracções do lado esquerdo, e 100m² na frcação do lado direito.

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Fotografia: Ivo Tavares Studio

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Casa da Arquitectura discute “Sustentabilidade do Património e das Cidades”

O seminário vai realizar-se no próximo dia 23 de Novembro, pelas 15h30, na Casa da Arquitectura, no âmbito do 5º aniversário da CA

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“Sustentabilidade do Património e das Cidades” é o tema do seminário que vai realizar-se no próximo dia 23 de Novembro, pelas 15h30, na Casa da Arquitectura (CA) – Centro Português de Arquitectura, em Matosinhos.

Este evento, que integra a programação do 5º aniversário da CA, acontece no âmbito da parceria entre o Estado português e a Casa da Arquitectura e corresponde a uma linha de acção articulada com o Ministério do Ambiente e Acção Climática.

O encontro pretende reflectir sobre o modo como a arquitectura pode e deve adaptar-se às políticas que contribuem para uma melhoria da prestação ambiental e da qualidade e sustentabilidade do território. Através de apresentações de casos de políticas e acções concretas, procura-se pensar sobre a intervenção no património, no território e na arquitectura das cidades.

O seminário, que conta com Duarte Cordeira, ministro do Ambiente e da Acção Climática, na abertura da sessão, tem como participantes Alexandra Carvalho, secretária-geral do Ministério do Ambiente, Finn Mortensen, director executivo  da State of Green, José Carlos Bessa, director do Departamento Bens Culturais DGPC, Luísa Salgueiro, presidente da Associação Nacional de Municípios, Nélson Lage, presidente do Conselho Administração ADENE e Paula Santos , vice-presidente do Conselho Diretivo Nacional da Ordem dos Arquitectos.

 

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Trienal de Lisboa inaugura os dois últimos ‘Projectos Independentes’

Ambas as exposições, ‘Inquietação. Arquitectura e Energia em Portugal’ nas Galerias Municipais, na Av. da Índia, e ‘River Somes’ nas Carpintarias de São Lázaro, inauguram esta quinta-feira, dia 17 de Novembro

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A Trienal de Lisboa 2022 inaugura esta semana os dois últimos ‘Projectos Independentes’ que se reúnem aos restantes já inaugurados no passado 5 de Novembro para este que é o último mês da passagem de mais uma edição da Trienal de Lisboa pela capital.

Neste sentido, esta quinta-feira, 17 de Novembro, inaugura às 16 horas, nas Galerias Municipais – Galeria da Av. da Índia,  ‘Inquietação. Arquitectura e Energia em Portugal’, com a presença dos artistas e curadores envolvidos na exposição. Este projecto aborda o “emaranhado” entre arquitectura e energia no século XX, utilizando Portugal como exemplo e tendo em conta as transformações actuais.

“Na era do Antropoceno, quando a humanidade actua sobre os ciclos e sistemas globais e num momento de crise climática, a arquitectura tem um papel de mediação para lá de soluções activas ou passivas, através de uma reflexão sociocultural”, explica a curadoria.

No mesmo dia, a partir das 17 horas, nas Carpintarias de São Lázaro, tem lugar a inauguração de ‘River Somes’. Este ‘Projecto Independente’ propõe a regeneração e renaturalização fluvial para interligar as diversas comunidades que habitam a cidade de Cluj-Napoca, na Roménia, e relacioná-las com a fauna e flora locais, já muito afastadas do seu habitat natural nas margens do rio Somes. “Através da arquitectura, uma equipa multidisciplinar une esforços para um novo quadro de diálogo e interacção que encontre novas respostas para o problema do crescimento urbano”, indica o atelier responsável.

A Trienal de Lisboa 2022 encerra a 5 de Dezembro mas alguns projectos continuarão patentes até 2023.

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Ventura + Partners na lista das “melhores firmas de arquitectura do mundo”

O atelier conquistou, assim, a segunda presença nesta que é a quarta edição da A+ List, promovida pela
Architizer e que resulta dos A+Awards, que dá a conhecer os projectos mais inovadores e recém-concluídos

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Depois de em 2020 já ter conquistado este reconhecimento, a Ventura + Partners está presente, mais uma vez, na lista das melhores firmas de arquitectura do mundo. “The A+List: 196 Architecture and Design Firms to Watch”, promovida pela Architizer, é construída anualmente com base nos resultados do programa A+Awards que dá a conhecer os projectos mais inovadores e recém-concluídos em todo o mundo.

A Ventura + Partners conquistou, assim, a segunda presença nesta que é a quarta edição da A+ List, e dá provas da sua força nacional e internacional. Depois de ter sido distinguido em 2020, o gabinete de arquitectura sediado no Porto recebe, em 2022, a distinção que faz referência ao projecto de ampliação do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, vencedor do prémio Public Vote Winner, 10th Annual A+Awards, Architecture +Health.

A par da Ventura + Partners fazem parte da A+ List nomes de referência da arquitetura mundial: Skidmore, Owings & Merrill (SOM), Zaha Hadid Architects, MVRDV, Mecanoo e Kengo Kuma & Associates.

“Este é mais um reconhecimento internacional que consolida o trabalho da Ventura + Partners, posicionando-a entre os melhores escritórios de arquitetura do mundo e empresas com visão de futuro, com projectos desafiantes e que respondem às necessidades dos clientes de uma forma diferenciada”, considera o atelier.

A Ventura+Partners foi fundada em 1994, no Porto, mas já tem presença em Lisboa e a nível internacional, contando com escritórios em Paris e Nova Iorque. Actualmente já emprega cerca de 140 colaboradores espalhados pelos vários gabinetes. Em 2021 venceu a distinção de “Empresa do Ano 2021”, pela Architecture Masterprize, sendo o único gabinete de arquitectura português na lista de 18 empresas distinguidas nas várias categorias. A este prémio juntam-se, também no ano passado, a distinção pela Architizer com uma menção honrosa na categoria de “Melhor Empresa de Grande Dimensão” e o destaque pela Deezen como um dos “Gabinetes de Arquitectura do ano”.

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Siza Vieira assina novo terminal do Cais do Cavaco

O premiado arquitecto português vai assinar o novo terminal para embarcações marítimo-turísticas do Cais do Cavaco, a Gare Fluvial do Cavaco, na margem sul do Rio Douro em Vila Nova de Gaia

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A Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo anunciou que “está a desenvolver um projecto de construção de um Terminal de embarcações marítimo-turísticas na margem sul do Rio Douro, no limite poente do Centro Histórico de Vila Nova de Gaia, local designado como Cais do Cavaco”.

A infraestrutura deverá dispor de quatro postos de acostagem com capacidade para acolher quatro navios-hotel e a possibilidade de acostagem de um navio extra para efeitos de pequena manutenção, cargas ou outros. O terminal contempla ainda a instalação de um pequeno núcleo de recreio náutico com capacidade para cerca de cinco dezenas de embarcações de recreio. Peça central da nova infraestrutura, o “Edifício do Terminal” será integrado de forma natural na paisagem, procurando minimizar o seu impacto na marginal do rio Douro, “permitindo uma vista da encosta a tardoz”.

O projecto está a ser desenvolvido pela APDL, em consonância com a câmara municipal de Vila Nova de Gaia no que à “escolha do local, projecto, arquitecto e enquadramento urbanístico” diz respeito. Com o objectivo de dotar “esta área de novas valências no apoio às operações dos navios-hotel que cursam a Via Navegável do Douro e na dinamização turística, económica e urbanística do território”, sublinha nota da APDL.

Nesta fase, está em curso o estudo de impacte ambiental, processo de AIA coordenado pela APA (Agência Portuguesa do Ambiente), sendo que no final deste processo a APDL fará a apresentação pública do projecto da responsabilidade do mais premiado arquitecto português, Álvaro Siza Vieira.

“A APDL, a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e o Pritzker Siza Vieira procuram que a Gare Fluvial do Cavaco se relacione com a paisagem natural e com os demais edifícios, de forma a integrar-se ao local, sem perder o protagonismo e o carácter público que um edifício desta natureza deve ter”, refere a mesma nota.

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Centro de Alto Rendimento de Remo do Pocinho (arqº Álvaro Fernandes Andrade)

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50 obras integram primeira fase do projecto Tours – ‘Turismo e Arquitectura’

O programa proposto atravessa o território nacional de Norte a Sul, envolvendo as ilhas da Madeira e Açores, numa iniciativa conjunta da Casa da Arquitectura e do Turismo de Portugal. Para 2023 está previsto que mais 100 obras integrem o projecto

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A primeira fase da plataforma Tours – “Turismo e Arquitectura” conta com 50 espaços de referência da arquitectura nacional. Uma iniciativa conjunta da Casa da Arquitectura (CA) e do Turismo de Portugal, que se juntaram para criar um programa de visitas que seja uma referência no domínio do turismo dedicado à arquitectura.

O programa proposto atravessa o território nacional de Norte a Sul, envolvendo as ilhas da Madeira e Açores, através das obras de arquitectos como Gonçalo Byrne, Siza Viera, Souto de Moura, Carlos Castanheira, Teotónio Pereira, Carrilho da Graça, Luis Pedro Silva, Aires Mateus, entre tantos outros.

Para já, “esta selecção é o ponto de partida de um levantamento que ser representativo e que será desenvolvido no futuro”, afirmou Nuno Sampaio, director-executivo da CA, por ocasião da apresentação da plataforma, adiantando que “em 2023 mais 100 obras serão disponibilizadas”.

O programa está dividido em dois eixos programáticos. O Visite Connosco, com visitas orientadas a edifícios seleccionados em sete regiões de Portugal, acompanhadas por monitores especializados preparados pela equipa da Casa da Arquitectura. O programa inaugural destas visitas orientadas gira em torno do tema Mestres da Arquitectura Portuguesa,​ uma selecção de quatro percursos – Legado do Porto; Património nortenho; Lisboa em Continuidade; Lisboa, Monumental Ribeirinha – que marca o início de um conjunto em contínuo desenvolvimento passível de ser vendido em articulação com os promotores turísticos que operam no mercado nacional e internacional. 

E o Visite por Si, visitas livres e autónomas, apoiadas por um mapa interactivo com a 50 obras acompanhadas das informações fundamentais sobre os projectos seleccionados.

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MASS Lab projecta comunidade sustentável na Quinta da Freixeira [c/galeria imagens]

O gabinete de arquitectura apresenta-nos a Quinta da Freixeira, um projecto urbano que assenta na criação de uma comunidade sustentável, inclusiva e com reduzida pegada ecológica. Uma proposta em que o gabinete assume também o seu papel, e responsabilidade, na criação de cidades mais acessíveis e habitáveis

O projecto urbano da Quinta da Freixeira, desenhado pelo gabinete de arquitectura MASS Lab parte de uma premissa: “estima-se que em 2030, uma em cada cinco pessoas que vivem em ambiente urbano vão querer morar no campo”. “Então, como podemos viabilizar uma experiência de vida radicalmente diferente fora da cidade, que agrade aos actuais moradores urbanos?” questionou o gabinete. Desta reflexão nasceu a Quinta da Freixeira, um projecto que conta com a promoção da ADDSolid, e que tem por base um conceito de sustentabilidade ambiental, ecológico e social.

Este novo empreendimento está localizado em Lousa, no concelho de Loures, na fronteira com o município de Mafra, no centro de um triângulo montanhoso compreendido entre as serras da Atalaia, Carregueira e Serves, o que lhe confere um tipo de paisagem distinta da habitual paisagem dos municípios da grande Lisboa. A Quinta da Freixeira remonta à primeira metade do século XVIII, num período marcado pela fixação de diversas actividades industriais, associadas às actividades agrícolas e pecuárias da região. Esta envolvência e património histórico são recuperados e fazem parte integrante do projecto delineado pelo atelier para a construção de uma “Comunidade”.

“A proposta integra a manutenção de elementos do ambiente industrial, como os fornos e chaminés, aos quais são associados diferentes papéis na materialização de um imaginário de regeneração, associados à caracterização do espaço público, assim como de alguns edifícios afectos a lotes privados que deverão ser respeitados, regenerados e integrados com o novo edificado a construir”, lê-se na proposta do projecto.

A construção de uma comunidade
Mais do que a oferta residencial esta é uma proposta de criação de uma comunidade “centrada nas pessoas”, que aproveita “a envolvente natural para funções complementares à urbanização”, quer na vertente social quer na vertente de lazer e desporto.

Numa área com mais de 55 000 m2, apenas 11 000m2 estão previstos para habitação, distribuídos por 45 moradias e 38 apartamentos. Cerca de 7600 m2 estão destinados ao comércio, serviços, restauração, estando prevista ainda a criação de um pólo tecnológico. O projecto integra ainda uma residência sénior com capacidade para 120 utentes e uma unidade de cuidados continuados. Os diferentes programas de serviços, oferecem novos postos de trabalho, agregadores de espaços com opções de lazer, cultura e educação.

O projecto de arquitectura contempla ainda a criação de uma rede de espaços comunitários, zonas de hortas, desporto e parques infantis, bem como de uma rede pedonal de aproximação à natureza. “Toda a área da proposta está dotada de espaços de convívio do mais diferente ao mais específico: diferentes zonas de estar estão espalhadas pelo terreno, porém zonas mais específicas como zonas de horta, zona de exercício físico informal e parques infantis estão estrategicamente localizadas para que os utilizadores com interesses comuns possam usufruir e partilhar estes espaços”.

O pilar da sustentabilidade
O projecto assume desde a primeira hora o compromisso com a sustentabilidade, ambiental, mas também social e económica, com a redução de emissões e com a circularidade dos materiais. Em suma, “recorremos a estratégias que tornam a proposta sustentável do ponto de vista social, económico, hídrico e ambiental, de forma a tornar esta zona o menos dependente de outras centralidades. A presente solução enfatiza o sentido de comunidade e circularidade através de um conjunto auto-suficiente envolvendo e integrando os seus residentes”.

Afinal, “uma comunidade verde e resiliente tem de ser planeada, projectada e operada de forma a minimizar as emissões ao longo do ciclo de vida do seu desenvolvimento e da sua operação. O objectivo é atender às necessidades dos seus residentes, trabalhadores e visitantes, sendo capaz de criar um ambiente e lugar que responda às exigências contemporâneas de pessoas e negócios permitindo que a comunidade prospere”, justifica a equipa de arquitectos no documento de apresentação da Quinta da Freixeira.

Face à preocupação com as alterações climáticas, o projecto introduz um tipo de construção “com o mínimo impacto possível, considerando a impermeabilização do solo e facilitando o ciclo natural da água. Além disso, promove-se a criação de sistemas de armazenamento de águas da chuva que podem ser canalizados para o sistema de rega ou depósitos relativos a sistemas de segurança de contra incêndios”.

Na Quinta da Freixeira, o gabinete MASS Lab substitui o conceito de fim-de-vida da economia linear por novos fluxos circulares de reutilização, restauração e renovação, num processo integrado. “É um conceito estratégico que assenta na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia. Inspirando-se nos mecanismos dos ecossistemas naturais, que gerem os recursos a longo prazo num processo contínuo de reabsorção e reciclagem, este conceito promove um modelo económico reorganizado, através da coordenação dos sistemas de produção e consumo em circuitos fechados. Caracteriza-se como um processo dinâmico que exige compatibilidade técnica e económica, mas que também requer igualmente enquadramento social e institucional”. A proposta pretende promover a utilização de materiais provenientes desta economia circular, mas também a própria recolha de materiais e resíduos selectiva. Alcançar o “net zero” é assumidamente uma meta a cumprir.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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